A AQUISIÇÃO DO SISTEMA DE NUMERAÇÃO DECIMAL ATRÁVES DA TRILHA MATEMÁTICA
Maria Marcelina Freire Medeiros Valeska Maria dos Santos Souza1
Ross Alves do Nascimento2
RESUMO
Este trabalhado foi elaborado a partir de uma proposta de atividade do Programa Institucional de bolsa de Incentivo a Docência (PIBID), onde a partir de observações durante as aulas de matemática, verificou que a maioria dos alunos não sentiam motivação para assistir as aulas. Diante disso decidimos construir um jogo em que os alunos pudessem realizar atividades com o sistema de numeração decimal. A proposta de trabalho foi iniciada com a construção de um jogo denominado “Trilha Matemática” para explorar os conhecimentos prévios dos alunos no campo matemático em questão. O trabalho foi aplicado em uma escola pública da rede municipal do Recife, com 25 alunos do 1º ano do, onde realizaram uma etapa de manipulação do jogo e trabalharam situações envolvendo o sistema de numeração decimal a partir de situações problemas. O jogo foi utilizado como recurso pedagógico para auxiliar a compreensão dos alunos em relação à ordem e valor dos números. Os resultados do estudo indicam que: a manipulação do jogo para a aprendizagem-matemática ofereceu novas situações de ensino; envolveu os alunos na realização dos problemas e situações que foram geradas; o lúdico foi de significativa importância para os alunos; ocorreram processos de assimilação de conhecimentos de forma livre; não se verificou bloqueios na aprendizagem pois os alunos agiam de forma espontânea nas situações de aprendizagem.
Palavras–Chave: Sistema de numeração decimal, Resoluções de problemas, Jogo matemático, Educação Matemática.
1 Estudantes 6º período do curso de licenciatura em pedagogia UFRPE. 2
Introdução
Os jogos têm significado educativo, sendo assim, requerem um plano de ação que permita a aprendizagem de conceitos das diversas áreas, principalmente da matemática além de se explorar as formas culturais de uma maneira geral. Dessa forma, os jogos se tornam atividades dinâmicas que se constituem em um fator fundamental ao desenvolvimento das aptidões físicas e mentais da criança porque facilita o desenvolvimento da sua personalidade, favorece a sociabilidade até atingir a idade adulta. As atividades com jogos quando utilizadas de forma adequada podem minimizar dificuldades de aprendizagem que os alunos apresentam no ensino formal, logo é por meio do jogo que a criança pode se envolver de forma mais significativa com as operações matemáticas. Diante disso, os jogos são de fundamental importância para despertar o interesse do educando em qualquer disciplina, pois ele vai se apropriando da construção do conhecimento.
A importância do lúdico é outro ponto que se pode se discutir na atividade com os jogos, o envolvimento dos alunos é intenso, brincam, discutem, observam, operam, manipulam, participam, etc. Dessa forma pensamos em construir um jogo matemático que facilitasse os procedimentos didáticos pedagógicos dos alunos na realização de uma atividade de pesquisa. A atividade consistiu na construção de um jogo que tivesse importância para os alunos e envolvesse questões relativas as operações fundamentais. Dentre os vários jogos pesquisados, optamos pela Trilha Matemática por se tratar de um jogo que requer rapidez de raciocínio, domínio das operações fundamentais, atenção dos alunos e a capacidade de interagir com os demais colegas. Dessa forma construímos o jogo e realizamos um experimento que nos trouxe informações importantes sobre o processo de aprendizagem do aluno nas questões do sistema de numeração decimal.
Objetivos Geral
Vivenciar o jogo “Trilha Matemática” com alunos do 1º ano do Ensino de Fundamental I como recurso facilitador para o processo de ensino-aprendizagem do (SND) Sistema de Numeração Decimal.
Específicos
Utilizar o jogo Trilha Matemática como recurso pedagógico para o aprendizado,
Explorar situações problemas sobre o sistema de numeração decimal utilizando o jogo “Trilha matemática”.
Analisar as etapas de resolução de problemas utilizando o jogo “Trilha Matemática”.
Observar a interação dos alunos utilizando o jogo “Trilha Matemática”.
Verificar as Habilidades dos alunos no sistema de numeração decimal utilizando o jogo “Trilha Matemática”.
Fundamentos Teóricos
Os jogos estão em correspondência direta com o pensamento matemático, onde a Matemática desempenha um papel fundamental na vida do ser humano. Esse conhecimento nos possibilita resolver problemas de diversas naturezas, tendo implicações no mundo do trabalho e funcionando como um instrumento essencial para a construção de conceitos e conhecimentos. Também é componente importante para que se fomente a autonomia no aluno, a fim de que ele exerça sua cidadania com responsabilidade, pois na medida em que a sociedade utiliza os conhecimentos científicos e recursos tecnológicos de diversas áreas do conhecimento humano, direta ou indiretamente lá está a Matemática. Karl Groos (1896), explica que o jogo ou brinquedo é uma ferramenta que como exercício prepara para vida adulta. O brincar é uma necessidade natural, e isso explica a alegria que caracteriza os brinquedos.
A Matemática ainda é mistificada como sendo uma disciplina difícil e complicada. O professor não deve ensinar a matemática como sendo um conhecimento pronto e acabado. Ele deve facilitar sua compreensão de modo que seus alunos construam de maneira não traumática o conhecimento lógico-matemático, mas sim usando como ponto de
partida os conhecimento que eles têm sobre as coisas que os rodeiam. Isso servirá para que ele compreenda que a Matemática é importante para que ele viva de forma responsável na sociedade na qual está inserido. De acordo com Skovsmose e Vithal (1997), a interpretação da etnomatemática como ação pedagógica para as práticas escolares deve ser centrada no conhecimento previamente adquirido pelos alunos, onde o conhecimento matemático tem que ser construído pelo aluno por meio de atividades que lhe despertem o interesse para aprender. Fazendo relações do que ele vê dentro da escola com o que ele já conhece fora da escola. Assim compartilhando por ele no seu convívio sócio-cultural.
Percebemos que muitos professores de matemática ainda trabalham de modo tradicional, tendo como objetivo apenas orientar os alunos para o saber. Dessa forma, verificamos que muitos educadores se preocupam apenas em repassar o conhecimento matemático. Isso mpede o aluno de desenvolver outras habilidades. Em contra partida, existem profissionais que exploram o ensino de outra maneira: utilizam jogos, brincadeiras, dinâmicas, e outros recursos para facilitar a assimilação do conhecimento matemático dos alunos. Logo a função do professor é bem mais importante quanto a sua formação. Um professor de matemática necessita conhecer os fenômenos educativos e as dificuldades de aprendizagem dos estudantes para dominar as adversidades que enfrenta na escola.
Ensinar matemática é desenvolver o raciocínio lógico, estimular o pensamento independente, a criatividade e a capacidade de resolver problemas. Devemos escolher jogos que estimulem a resolução de problemas, principalmente quando o conteúdo a ser estudado for abstrato. Os jogos podem ser utilizados para introduzir, amadurecer conteúdos e preparar o aluno para aprofundar os itens já trabalhados. Devem ser escolhidos e preparados com cuidado para levar o estudante a adquirir conceitos matemáticos, mas também como facilitadores, colaborando para trabalhar os bloqueios que os alunos apresentam em relação a alguns conteúdos matemáticos e não como instrumentos recreativos na aprendizagem, isso acontece porque com o jogo a criança ultrapassa seus próprios limites adquirindo autonomia na aprendizagem.
Marli (1991) destaca que o estudo da dinâmica de sala de aula precisa levar em conta a história pessoal de cada indivíduo, daquilo que dela participa, só assim será possível compreender como se vem concretizando a função socializadora da criança perante os
conteúdos dados em sala de aula, ou seja, os professores devem está preparados para saber trabalhar com os jogos em sala e saber qual o objetivo desse jogo e para isso aconteça, a autora continua dizendo que é preciso colocar uma lente de aumento na dinâmica das relações e interações que constitui o seu dia-a-dia. Brincando as crianças podem aprender a pensar, a comunicar-se, construir regras e habilidades que devem ser desenvolvidas em qualquer disciplina. a matemática causou muitos conflitos nos alunos, a partir das dificuldades de aprendizagem e das metodologias trabalhadas que não favoreciam a compreensão dos assuntos abordados.
As atividades lúdicas são de grande importância para o aprendizado de uma criança por ser uma das melhores maneiras dela se comunicar e se relacionar com outras criança. É por meio de atividades lúdicas que a criança convive com os diferentes sentimentos que fazem parte da sua realidade interior, aonde ela aos poucos vai conhecendo melhor e aceitando a existência do outro, e assim estabelecendo suas relações sociais. Alguns teóricos da educação como: Piaget, Vigostsky entre outros, deram suas contribuições quanto ao uso de jogos nas propostas de ensino de matemática. Para Piaget (1982), cada ato de inteligência é definido pelo equilíbrio entre duas tendências: assimilação e acomodação, o teórico observa ao longo do período infantil três sucessivos sistemas de jogo: de exercício, simbólico e de regras. Para Vigotsky (1984) defende que os jogos são condutas que imitam as ações reais e não apenas ações sobre objetos ou uso de objetos substitutos. O teórico ainda afirma que: “É enorme a influência do brinquedo no desenvolvimento de uma criança”.Pois é no brinquedo que a criança aprende a agir uma esfera cognitiva, ao invés de uma esfera visual externa, dependendo das motivações e tendências internas, e não por incentivos fornecidos por objetos externos. As brincadeiras que são oferecidas as crianças, devem está de acordo com seu desenvolvimento desta forma, pode-se perceber a importância de conhecer a teoria de alguns teóricos que defendem a importância do lúdico como recurso pedagógico para a construção do conhecimento matemático.
No processo de aprendizagem é necessário que o professor procure ampliar cada vez mais as vivências da criança com o ambiente físico, utilizando atividades com brincadeiras e jogos que devem ser realizadas com outras crianças. Vigotsky (1984) discute sobre a zona
de desenvolvimento real e a do conhecimento já adquirido, ou seja, o conhecimento que a pessoa traz, já é proximal. No início só é atingida, com o auxílio de outras pessoas mais “capazes”, ou seja, que já tinha adquirido esse conhecimento. Esse é um ponto não conhecido por muitos professores.
No caderno dos PCN verificamos também contribuições para o processo de aprendizagem da matemática. Os Parâmetros Curriculares Nacionais – Matemática (BRASIL, 1997, p. 43) destacam que “no processo de ensino e aprendizagem, conceitos, idéias e métodos devem ser abordados mediante a exploração de problemas, ou seja, de situações em que os alunos precisem desenvolver algum tipo de estratégia para resolvê-las”. As orientações contidas nos PCN explicitam uma concepção de ensino de Matemática, pautada na construção, ressignificação e compreensão de conceitos, em oposição ao trabalho diretivo, mecânico e descontextualizado que ainda vem ocorrendo em muitas escolas. do ensino de Matemática, para que seja realizada a mediação pedagógica, cabe ao professor investigar os modos e estratégias como os alunos estão entendendo determinados conceitos – por meio da explicitação oral, gráfica e/ou escrita – para que realizem sua intervenção no sentido de promover a aprendizagem com compreensão. Nesta perspectiva, a aprendizagem dos alunos, seus erros e dúvidas servem como subsídios para que o ensino ocorra de forma efetiva.
Metodologia
No primeiro momento foi realizada uma coleta de dados por meio de um teste de matemática da escrita numérica com os alunos do Ensino Fundamental I, de forma individual, onde aplicamos um ditado contendo quatro seqüências numéricas (FIG 1), que envolviam: unidade, dezena, centena e milhar. O objetivo era verificar o grau de compreensão dos alunos em relação a escrita, ao valor numérico e compreensão de ordem numérica. Os alunos foram divididos em grupos de acordo com o grau de compreensão da escrita numérica. Após o teste, foram realizadas aulas de reforço com os alunos que apresentaram baixo grau de compreensão dos conceitos abordados no teste. Também foram realizadas atividades na sala de aula com a turma toda, a fim de desenvolver uma interação e troca de conhecimento entre os alunos. Na maior parte das atividades realizadas os alunos
foram estimulados a manipulação o jogo proposto. No final do processo realizamos um novo teste para verificação de nível de aprendizagem dos alunos.
Análise do experimento
A partir desse experimento pudemos perceber que a maneira como o conteúdo vai sendo explorado e é transmitido para o aluno torná-se fundamental para que ocorra a aprendizagem de forma espontânea, principalmente dos conceitos que envolvem a matemática presente nas operações fundamentais. Os temas e assuntos básicos da matemática, muitas vezes podem ser confundidos como simples situações problemas e aplicação do algoritmo ensinado na escola através de continhas que eles resolvem ao modo como dominam.
Resultados
Os resultados da atividade mostraram que antes de realizar os estudos com o jogo Trilha Matemática apenas 8% (Fig. 2) da turma tinham apresentado um domínio correto da escrita numérica das seqüências exploradas no teste inicial. Verificou-se que os alunos apresentaram dificuldades por não vivenciarem outras experiências de escrita numérica (trabalhar com outros modelos e formas diferentes de aprender). Dessa forma, Smole (2006) afirma que no trabalho com jogos todos ganham. Ganha o professor que tem possibilidade de propor formas diferenciadas para os alunos aprenderem, permitindo um maior envolvimento de todos, e criando naturalmente uma situação de atendimento à diversidade de aprendizagem, uma vez que, cada jogador é que controla o seu ritmo, seu tempo de pensar e aprender. Ganha o aluno porque fica envolvido por uma atividade complexa que permite a ele ao mesmo tempo em que constrói noções e conceitos matemáticos, desenvolve também outras habilidades que serão úteis por toda a vida. Notou-se que, como o uso da trilha numérica eles se apropriaram dos conhecimentos necessários e requisitados nas atividades. Uma vez que os alunos durante a realização do experimento paravam e analisavam cada um dos problemas e situações que eram oferecidas a eles. Dessa forma, ocorria a assimilação de conhecimentos de forma livre e não havia vergonha em interagir com os outros colegas, mostrando que a atividade em
grupo favorecia a sociabilidade. Também foi possível fazer a troca de conhecimento a partir dos erros cometidos em algumas atividades eram posteriormente corrigidas de forma coletiva. No final foi realizado outro teste de matemática com a mesma finalidade do primeiro, sendo que neste último os alunos mostraram um avanço positivo nos resultados, onde o estudo mostrou que 52% (Fig. 3) dos alunos envolvidos no trabalho conseguiram domínio na escrita numérica das seqüências apresentadas.
Referências Bibliográficas
ANDRÉ, Marli E.D.A. (1991). Questões do cotidiano nas escolas. GROOS, Karl (1896). O jogo na escola maternal: situação atual.
GUZMÁN, M. de. Aventuras Matemáticas. Barcelona: Labor, 1986.
PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS – Matemática (BRASIL, 1997, p. 43). Nacionais.Brasília: MEC.
PIAGET. J (1982). A psicologia da criança. São Paulo: Difel.
SMOLE, Kátia, DINIZ, Maria Ignez e MILANI, Estela. Jogo para 6º ao 9º anos. Cadernos do Mathema. Vol 2. Porto Alegre: Artmed, 2006
VYGOTSKY, L.S. (1984). A formação social da mente. São Paulo: Livraria Martins Fontes.