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"MENTORADO" INFORMAÇÃO GERAL, Proposta para a realidade portuguesa. 1. Introdução

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Academic year: 2021

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"MENTORADO"

INFORMAÇÃO GERAL, Proposta para a realidade portuguesa

1. Introdução

O sistema de "mentorado" é um sistema em que uma pessoa mais experiente serve como guia (mentor) de outras pessoas inexperientes. Este sistema está a ser aplicado já há muitos anos em muitas universidades na Europa e nos Estados Unidos com bons resultados.

O nome “mentor” vem da mitologia grega. Mentor era um velho amigo da família de Ulisses, que o apoiou em vários momentos da sua vida.

Os sistemas de mentorado que são aplicados variam em muitas dimensões. Os mentores podem ser um ou mais estudantes de anos avançados, professores ou uma mistura destes dois. O serviço destes mentores pode ser remunerado ou pode ser à base de voluntariado. O tamanho do grupo pode variar de 6 até 15 caloiros por grupo. Os encontros dos grupos podem ter uma frequência e programa pré-definidos ou podem ser completamente livres. Nalgumas experiências, os mentores até vivem na mesma casa com o seu grupo de caloiros. O objectivo principal do mentorado é facilitar a entrada dos "caloiros" que se encontram muitas vezes à entrada para a Universidade numa situação de alienação dupla: não só mudam de escola, mas também mudam para uma situação residencial nova. É frequente que o caloiro tenha problemas de adaptação ao ritmo acelerado na Instituição onde estuda, e ao grau de dificuldade da matéria. O caloiro tem que enfrentar o facto das suas notas já não serem tão altas como no Liceu, e a reacção dos pais a isso nem sempre é fácil. Existe o perigo de isolamento social, que pode também ter consequências ao nível académico, por exemplo dificuldade em arranjar colegas com quem pode estudar em grupo, desconhecer as regras implícitas, ausência de referências para a auto-avaliação, etc.

Espera-se, assim, aumentar a motivação do estudante, uma inserção social facilitada e eventualmente um rendimento académico melhor.

Devido à grande diversidade dos sistemas aplicadas nos vários estudos é difícil obter uma visão uniforme sobre o efeito do mentorado, mas geralmente são identificados os seguintes efeitos12:

- Uma integração mais rápida no meio social da instituição

1 Estudo de sistemas de mentorado na Holanda de 1966-1993, pela universidade de Leiden.

2

Jacobi, M (1991) Mentoring and undergraduate academic succes: a literature review, Review of educational research, vol. 61, Nº 4, pp 505-532.

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- Um maior bem estar do caloiro - Aprendizagem de aptidões sociais - Uma maior motivação do estudante

- Uma detecção mais rápida de problemas ao nível do rendimento académico, adequação vocacional ou outros,

- Melhores resultados académicos

Passamos então a apresentar um modelo do mentorado que achamos adequado tendo em conta os vários aspectos da realidade académica e cultural Portuguesa, e as experiências do mentorado realizadas no IST-Lisboa..

2. Objectivos do Mentorado

Podemos dividir os objectivos do mentorado em três grandes áreas, que passamos a especificar - Acolhimento Social, Conhecer a instituição e Conhecimentos Implícitos. Deste último fazem parte informações que são partilhadas pelos estudantes a um nível perfeitamente informal, mas muitas vezes são essenciais para o sucesso dentro da Escola - i.e. os alunos mais isolados e que não têm acesso a esta poderosa "fonte de saber" poderão estar em clara desvantagem face aos que a ela têm acesso.

A. Acolhimento Social

-Criar uma rede de acolhimento para evitar isolamento social, especialmente importante para os estudantes deslocados do seu agregado familiar

-Conhecer a cidade

-Ajudar a encontrar alojamento, eventualmente, numa residência -Saídas sociais para restaurantes, cinema e bares-discotecas

B. Conhecer a Instituição

- Promover o conhecimento dos serviços para estudantes existentes

- Introdução às instalações (recepção, secretaria, associação de estudantes, biblioteca, cantinas, placares, lojas, departamentos, coordenação da licenciatura, etc.)

- Conhecimento dos regulamentos e processos administrativos (avaliação continua, reprovações, mudanças de curso, prescrições, propinas, épocas especiais, prazos, calendário dos exames)

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C. Conhecimentos Implícitos

Como estes conhecimentos são “segredos” específicos para cada curso, vai ser difícil explicitá-los. No entanto, vamos tentar dar uns exemplos:

- Horários de dúvidas

- Aulas importantes às quais não deve faltar - Professores exigentes

- Exames de anos anteriores e onde os arranjar - Cadeiras difíceis

- Métodos de estudo eficazes - Precedência das várias disciplinas - Funcionamento dos exames

- Bibliografia relevante e onde a encontrar - Sugestões e "dicas"

- Funcionamento de aulas práticas e de laboratório - Currículo do curso

- Delegados que podem ajudar - Trabalhos individuais

- Trabalhos de grupo, como negociar as regras

3. Composição dos grupos

Os grupos deveriam ter uma dimensão ideal de 10 estudantes e 2 "mentores". Os estudantes são atribuídos a um grupo, sendo todos os alunos da mesma turma, para facilitar a compatibilidade de horários para marcação de encontros. Um dos mentores idealmente será um mentor que já participou na experiência do mentorado do ano passado, podendo o mentor novo aproveitar da experiência dele. O mentor novo será idealmente um estudante do 2º ano, de forma a que possa estar a par das últimas mudanças que aconteceram no 1º ano e que a sua experiência como caloiro seja ainda recente.

4. Recrutamento dos Mentores

O modelo de mentorado baseado no voluntariado. O convívio com os caloiros e colega mentores e a possibilidade de desenvolver aptidões de liderança de grupo, prova-se, na prática, suficientemente compensadora, para motivar os "mentores". Além de envolver baixos custos, o voluntariado também causa uma filtragem obtendo-se desta forma "mentores" entusiasmados e motivados. É importante não confundir a figura de "mentor" com a figura de “padrinho” e é necessário que a participação dos "mentores" nas práticas de praxe seja claramente regulamentada, de modo a que não haver uma mistura de papeis.

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5. Formação dos Mentores

Os mentores devem receber uma formação durante dois dias, que incluirá uma parte programática e uma parte técnica ou comportamental. Esta formação também é importante para a criação de um espírito de grupo entre os mentores, que lhes permitirá discutir problemas e partilhar experiências durante o período em que o "mentorado" está a decorrer. No fim da formação será entregue um certificado de participação.

5.1. Formação Programática

Como os mentores são estudantes da Instituição, em princípio já têm a maioria dos conhecimentos necessários para informar os novos estudantes e assim não precisam de muito treino programático. Propõe-se, não obstante, uma "reciclagem" em duas áreas:

-Conhecimento profundo dos serviços da Instituição e Procedimentos Administrativos -Serviços para estudantes e critérios para referência aos mesmos

5.2. Formação Técnica

A maior parte da Formação será dedicada à formação técnica que incluirá as seguintes áreas:

-Jogos que servem para facilitar a comunicação e integração de um grupo novo -Técnicas de Comunicação -Métodos de estudo -Treino assertivo -Dinâmicas de grupo -Estilos de Liderança -Gestão de Conflitos

5.3. Preparação de dois encontros formais (veja ponto seguinte):

-”Planificação do Estudo, diferenças entre estudar no Liceu e no Ensino Superior” -”Reflexão”

Esta formação terá seis momentos de reciclagem, no assim chamados “Encontros de Mentores” (em horário pós-laboral):

1. Ao fim de 2 semanas 2. Ao fim de 5 semanas

3. No fim do 1º período de exames 4. No fim do ano escolar

Para além disso, os Supervisores do "mentorado" encontrar-se-ão disponíveis num regime de consultadoria.

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6. Evolução dos grupos

O modelo a ser implementado, pode ser caracterizado com semi-estruturado. Os mentores e membros do grupo terão um papel decisivo no seu programa e êxito do grupo. Existem, no entanto, certas actividades planificadas que referenciamos abaixo:

1ª Semana: "semana de introdução"

Os grupos devem ser formados durante a primeira semana de aulas, aproveitando principalmente o espaço livre das aulas práticas que ainda não decorrerão durante esta semana.

Na primeira semana, o grupo reunirá no mínimo 3 vezes e idealmente todos os dias e tem como prioridade os objectivos A e B.. Da experiência do ano passado ficou claro que pelo menos uma saída a noite é essencial

Devem ser visitadas as instalações da Instituição, os vários serviços, associação de estudantes etc. Também podem ser feitas visitas aos pontos característicos da cidade.

As noites são dedicadas a jantar juntos, convivência e reconhecimento da Vida Nocturna . Os membros do grupo devem ser estimulados e fortemente encorajados a estarem presentes em todas actividades do grupo nesta semana, mas não devem ser obrigados. Destaca-se que a presença nesta primeira semana é decisiva para o êxito do grupo, no sentido da sua continuação no futuro, fornecendo um apoio social contínuo.

Durante esta semana, os mentores podem ter as suas refeições grátis nas cantinas.

Também existirá durante este período um “Centro de Apoio aos Mentores” nas horas de expediente na “Sala de Mentorado”, onde os mentores se podem dirigir com perguntas ou problemas.

2ª a 5ª semana : "Conhecer as regras e segredos da Instituição" Durante este período, o objectivo C será prioritariamente realizado.

No mês a seguir à semana de introdução, o grupo reunirá conforme as necessidades, mas aponta-se para uma vez por semana. No entanto, neste espaço de tempo, os "mentores" poderão estar disponíveis para o contacto com os caloiros, por solicitação destes.

Todos os grupos terão um encontro formal sobre o tema :”Planificação de Estudo, diferenças entre estudar no Liceu e no Ensino Superior”.

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Da 5ª semana até ao fim do ano: "A caminho de uma maior autonomização"

A "esperança de vida" média de um grupo-mentor é de três meses. Há grupos que duram tanto como três anos. E há outros que acabam depois do primeiro mês. É interessante que mesmo estes grupos com uma vida curta, avaliaram como positiva a existência deles.

É normal que parte dos estudantes depois de umas semanas percam o interesse no grupo porque já estão integrados no Técnico. Se o número de estudantes que querem continuar se torna muito reduzido, pode considerar-se a hipótese de juntar dois ou mais grupos.

No fim do 1º período de exames, todos os grupos terão uma reunião de “reflexão” para analisarem o progresso académico de cada um dos seus membros, de forma encontrar estratégias alternativas caso hajam problemas.

Referências

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