Uma análise de Pesquisas Realizadas sobre Controle de Gestão em Empresas Internacionalizadas

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Uma análise de Pesquisas Realizadas sobre Controle de Gestão em

Empresas Internacionalizadas

Thiago de Abreu Costa1 Sidmar Roberto Vieira Almeida2 Resumo

O presente estudo se propõe através de uma revisão bibliográfica que abrange as dissertações e artigos produzidos pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro nos últimos 10 anos, a estudar os sistemas de controle gerencial, buscando evidenciar possíveis modificações em função do processo de internacionalização. Os resultados embora não possam ser generalizados, reforçam as conclusões de que existem circunstâncias em que o processo de internacionalização de uma empresa não envolve, necessariamente, uma ampla sofisticação e complexidade do sistema de controle gerencial. Além disso, foi percebida a utilização de mecanismos formais de controle financeiro, a centralização na direção geral das organizações e a pouca autonomia dos centros de responsabilidades.

Palavras-chave: Sistemas de Controle Gerencial. Internacionalização. Controle Organizacional.

A review of research on Management Control in Internationalized Enterprises Abstract

The present study proposes using a literature review covering the lectures and articles produced by the State University of Rio de Janeiro in the last 10 years to study the management control systems, seeking evidence of possible changes due to the process of internationalization. Although the results can not be generalized, reinforce the conclusions that there are circumstances in which the process of internationalization of a firm does not necessarily involve a wide sophistication and complexity of the management control system. Moreover, it was perceived the use of formal financial controls, centralization in the general direction of the organizations and the limited autonomy of the centers of responsibility.

Keywords: Management Control Systems. Internationalization. Organizational Control.

1 INTRODUÇÃO

Nos últimos anos as mudanças na economia, na tecnologia e na política refletiram de modo marcante no ambiente dos negócios, exigindo das empresas a procura de mecanismos para se tornarem, e se manterem, mais competitivas. Assim, as empresas procuraram

1 Doutorando em Ciências Contábeis pela Universidade Federal do Rio de Janeiro/UFRJ. E-mail:

thiago.abreu.adm@gmail.com

2 Mestre em Ciências Contábeis pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro/UERJ. E-mail:

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aperfeiçoar seus processos internos e externos, aperfeiçoando seus controles, trabalhando em redes e passando a atuar no mercado internacional.

No mercado globalizado, os constantes avanços tecnológicos somado ao aumento da concorrência mundial aumentam os desafios da administração em termos de diversidade das organizações e complexidade do ambiente em que operam, forçando as empresas para a adoção de novas filosofias de gestão empresarial, na medida em que exige uma busca constante pelo controle e gerenciamento dos custos, considerado como um diferencial competitivo para as empresas. Para Guilhoto (2001), a globalização não só aumenta o alcance de mercado das empresas, mas também as colocam frente a frente com fortes rivais. Um dos desafios para o marketing global envolve a definição cuidadosa dos mercados-alvo. Os laços mais estreitos entre as nações impulsionados por maiores fluxos de turismo, capital e comércio, e a homogeneização de gostos globais encorajam firmas a descobrirem rapidamente os modos de penetrar em mercados estrangeiros.

Parece existir no mundo empresarial uma grande preocupação por parte dos gestores em mensurar e avaliar o comportamento dos custos. A vantagem competitiva surge fundamentalmente do valor que uma empresa consegue criar para seus compradores e que ultrapassa o custo de fabricação pela empresa. Anthony e Govindarajan (2002), destacam que as práticas de controle gerencial nas organizações internacionalizadas podem apresentar similaridades entre as operações executadas no exterior, quando comparadas as operações executadas no país de origem. Todavia, deve-se levar em consideração fatores que podem influenciar o sistema de controle gerencial, como por exemplo, as questões culturais. Desta forma, um sistema de controle gerencial estará sujeito a adaptações ou modificações quando uma organização empresarial resolve internacionalizar suas atividades.

A motivação e a justificativa para o trabalho residem na preocupação com a diversidade da pesquisa em Contabilidade, aspecto fundamental para sua evolução científica. Sendo assim, o presente estudo se propõe através de uma revisão bibliográfica que abrange as dissertações e artigos produzidos pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro nos últimos 10 anos, a estudar os sistemas de controle gerencial, buscando evidenciar possíveis modificações em função do processo de internacionalização.

Esta pesquisa está estruturado em quatro seções, além da Introdução. A primeira seção aborda a Revisão Bibliográfica, que contempla: (2.1) As principais abordagens sobre controle gerencial; (2.2) O processo de internacionalização de empresas; (2.2.1) O enfoque econômico; (2.2.2) O enfoque comportamental; (2.3) o Impacto da internacionalização sobre

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os sistemas de controle gerencial; (2.4) Estudos anteriores; (3.0) Considerações finais A quarta, e última seção, apresenta a Bibliografia.

2 REVISÃO DA LITERATURA

2.1 Principais abordagens sobre controle gerencial

Controle é um conjunto de métodos e instrumentos que os membros da empresa usam para mantê-la na trilha a fim de atingir seus objetivos. Na visão de Gomes e Amat (2001), o controle contribui para o atingimento de objetivos e é necessário para assegurar que as atividades de uma organização se realizem da forma desejada pelos membros da organização.

O controle pode ser utilizado como mecanismo de reforço de comportamento positivo e correção do caminho a ser alcançado no caso de resultados não desejados, ou seja, ele é um importante instrumento para auxiliar os membros da organização a atingirem os seus objetivos globais. Segundo Anthony (1965 p.17 tradução nossa) : “controle gerencial é o processo pelo qual os administradores se asseguram que os recursos são obtidos e usados eficaz e eficientemente de acordo com os objetivos da organização”.

Inúmeras são as perspectivas sobre controle. Gomes e Amat (2001) destacam a existência de duas: uma limitada e uma ampla. O quadro 1, a seguir, aborda estas perspectivas de controle sob diversos aspectos.

Quadro 1 - Perspectivas de Controle

Aspectos Perspectiva Ilimitada Perspectiva Ampla

Filosofia Controle de cima para baixo Controle como sistema

Controle realizado por todos Controle como atitude

Ênfase Cumprimento Motivação, autocontrole

Conceito de Controle Medição de resultados baseado na análise de desvios

Desenvolvimento de uma consciência estratégica orientada para o aperfeiçoamento contínuo Melhora da posição competitiva Consideração do contexto social,

organizacional e humano

Limitado. Ênfase no desenho de aspectos técnicos.

Normas rígidas, padrões e valores monetários

Amplo, Contexto social, sociedade, cultura emoções, valores

Mecanismos de Controle Controle baseado no resultado Formal e informal. Outras variáveis, aprendizado

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Na percepção de Flamholtz (1979), o controle gerencial é visto como sendo o processo de influenciar o comportamento dos membros da organização aumentando a probabilidade das pessoas se comportarem de modo a alcançar os objetivos da organização. Nesta abordagem a motivação de indivíduos ou grupos é o elemento-chave, não se tratando de controlar o comportamento das pessoas de maneira predeterminada, mas influenciá-las a agirem de forma compatível com os objetivos da organização. O controle quer seja muito ou pouco formalizado é relevante para garantir que as atividades de uma empresa se realizem da forma desejada pelos membros da organização de forma a contribuir para a melhoria da posição competitiva.

Gomes e Amat (2001) propõem que um modelo de sistema de controle deve considerar três elementos: o sistema de controle, o contexto organizacional e o contexto social. O sistema de controle compreende a formulação de objetivos, o orçamento e a avaliação do desempenho. Também está inserida neste contexto a contabilidade financeira, a contabilidade de gestão, além de elementos menos formalizados, como a cultura organizacional, o estilo de liderança, a ética, entre outros.

O contexto organizacional engloba a estrutura da organização, que pode facilitar ou não a coordenação e a eficiência , a estratégia, as pessoas que fazem parte da organização e as relações interpessoais.

Por fim, o contexto social compreende o país, o mercado, os clientes, fornecedores aspectos sociais, tecnológico, culturais, políticos entre outros.

2.2 O processo de internacionalização de empresas

Desde o início dos 90 a importância sobre o debate da internacionalização das empresas vem crescendo, pois nessa década, com o processo de abertura da economia ao exterior, ficou clara a necessidade das empresas nacionais tornarem-se competitivas em nível internacional a fim de manterem os mercados internos e expandirem os negócios no mercado internacional. O cenário internacional apresenta muitas oportunidades para as organizações que procuram competitividade em mercados globais e apesar de encontrarem novos problemas, diferentes do seu próprio mercado, se favorecem da expansão global.

Rubin e Rocha (2004, p. 147) comentam que as pesquisas sobre a internacionalização de empresas se baseiam em duas abordagens distintas: “a abordagem comportamental ou organizacional e a econômica”.

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Rosa e Rhodem (2007) argumentam que foi a partir da década de 70 que pesquisadores da Universidade Uppsala, na Suécia, desenvolveram uma nova linha de pensamento acerca do processo de internacionalização de firmas, dando ênfase aos aspectos comportamentais do fenômeno. Por consequência, os negócios internacionais deixaram de ser analisados puramente pelas teorias econômicas e passaram, também, a ser estudado pelas teorias do comportamento organizacional.

O quadro 2, a seguir, sintetiza as principais teorias sobre internacionalização de empresas.

Quadro 2 - Principais Teorias sobre Internacionalização de Empresas

Enfoque Teoria Principal

Autor

Idéia Básica Força motora

Econômico Poder de mercado

S. Hymer Firmas operam no exterior para controlar outras empresas e usar suas vantagens competitivas Alargamento das collusive networks e restrição à concorrência em cada mercado Ciclo do Produto

R. Vernon Firmas inovam em seus mercados locais e transferem produção de produtos menos sofisticados para países em desenvolvimento, isto é, produtos maduros são produzidos e países em desenvolvimento

Procurar locações que apresentem menores custos para tecnologias estáveis Internacio-nalização P. Buckley M. Casson Firmas internalizam mercados quando custos de transação de uma troca administrativa são menores que os custos de mercado; assim aumenta a eficiência coletiva do grupo

A expansão ou contração da produção

internacional depende de mudanças nos custos de transação de operar em um conjunto maior de mercados, comparados com os custos de coordenar diretamente as transações Paradigma Eclético

J. Dunning Firmas operam no exterior quando tem vantagens competitivas em propriedades (O) , localização (L) e internacionalização (I)

Uso da OLI no processo de internacionalização da empresa Organizacional Escola de Uppsala J. Johansson J. E. Vahlne Distância psíquica, internacionalização incremental e networks Envolvimento crescente da firma a partir do aumento do conhecimento sobre a nova localização Escola Nórdica S. Anderson Empreendedorismo Papel do empreendedor

como fundamental no processo de

internacionalização de firmas

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De acordo com Barretto (1998), citado por Rodrigues e Gomes (2003), enquanto do ponto de vista econômico se desenvolveram as teorias do comércio internacional e a visão macro do processo de internacionalização, um enfoque alternativo foi dado no âmbito da administração, ao propor explicações sobre o processo pelo qual uma empresa ingressa no mercado internacional e a influência das atitudes, percepções e expectativas dos seus executivos.

2.2.1 Enfoque econômico

As duas principais teorias de internacionalização proveniente do enfoque econômico são a “teoria da internalização” e o “paradigma eclético da produção internacional”.

De acordo com Fina e Rugman (1996, p.200 apud RODRIGUES; GOMES, 2003), “os teóricos da internalização sugerem que o investimento direto no exterior ocorre quando os benefícios da internalização superam os custos”. Deste modo, a teoria da internalização considera que as falhas de mercado, tais como custos de informação, oportunismo e especificação de ativos, criam as condições que levariam uma empresa multinacional a utilizar o investimento direto como modo de entrada em um mercado externo, ou seja, internalizaria sua atividade no mercado externo.

Dunning (1988 apud apud RODRIGUES; GOMES, 2003) propõem o paradigma eclético da produção internacional. Trata-se de um modelo conceitual para internacionalização que pretende explicar a amplitude, forma e padrão da produção internacional, com base em três tipos de vantagens: (1) as vantagens específicas da propriedade das firmas relativas à produção no exterior; (2) a propensão a internalizar mercados e (3) a atratividade da localização da produção no exterior.

Estes três elementos (propriedade, internalização e localização) seriam fundamentais em cada decisão de produção de uma empresa atuando nos mercados internacionais através da produção no exterior. Dunning (1988 apud RODRIGUES; GOMES, 2003), considerou ainda a necessidade de integração das teorias econômica e comportamental da firma para melhor entendimento da firma multinacional, em especial, deveria se identificar e avaliar padrões sistemáticos de tais comportamentos.

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2.2.2. Enfoque Comportamental

De acordo com Rodrigues e Gomes (2003), a principal escola desta corrente é a nórdica, desenvolvedora do modelo de Uppsala. Para este modelo, a internacionalização é um processo de ajustes incrementais às condições variáveis da empresa e do seu ambiente apresentando os seguintes estágios de desenvolvimento internacional:

Estágio 1 – não existência de atividades regulares de exportação;

Estágio 2 – exportação feita através de representantes independentes;

Estágio 3 – estabelecimento de uma subsidiária de venda no exterior;

Estágio 4 – unidades de operações no exterior.

Segundo Johanson e Vahlne (1990, p.13 apud RODRIGUES; GOMES, 2003), “essa seqüência de estágios indica o comprometimento crescente de recursos com o mercado. Ela indica, ainda, as atividades correntes (operações) que se diferenciam em razão da experiência acumulada”.

Tendo em vista os enfoques observados, pode-se notar que o processo de internacionalização da firma depende de uma série de fatores que buscam aperfeiçoar a relação entre o risco de entrada em mercado desconhecido e os benefícios que essa entrada pode proporcionar ao crescimento da empresa, pois a alta familiaridade com as condições do mercado internacional fortalece as capacidades estratégicas da organização e a possibilidade de alcançar vantagem competitiva sustentável em mercados locais.

2.3 Impacto da internacionalização sobre os sistemas de controle gerencial

A diversidade cultural existente entre os países podem influenciar na maneira como a informação gerada pelo sistema de controle é usada, muita embora, essas diferenças de maneira geral não afetam o desenho dos sistemas de controle (ANTHONY; GOVINDARAJAN, 2002; MARCIARIELLO; KIRBY, 1994; MERCHANT, 1998).

De acordo com Gomes e Amat (2001 apud PEREIRA, 2007), um sistema de controle deve-se adequar às características do contexto social traçadas para a organização e, como consequência, à estratégia da organização. Através do orçamento anual com a estratégia de

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longo prazo, assegura-se que os diferentes centros atuem, separadamente, para alcançar seus objetivos setoriais e consequentemente os objetivos e as diretrizes globais.

Outro ponto fundamental é a influência das variáveis externas e internas que causam a necessidade de adaptações no sistema de controle gerencial, dessa forma, o planejamento estratégico de longo prazo passa a influenciar o sistema de controle gerencial à medida que o planejamento estratégico é desenvolvido, visando as expectativas de mudanças do ambiente externo. A visão da necessidade de estruturar o comportamento humano e a percepção de que a autonomia dos indivíduos possui uma grande influência sobre a execução das tarefas, evidencia a importância da cultura no sistema de controle gerencial.

Gomes e Amat (2001) destacam a influência da cultura organizacional ou do contexto social do país, que são elementos fundamentais que devem ser considerados na compreensão do comportamento individual e organizacional. Por fim, tendo em vista que as alterações no contexto social e competitivo são cada vez mais contínuas, imprevisíveis e ameaçadoras, mais necessário se torna promover a criação de alternativas que facilitem a antecipação e a adaptação às mudanças. Dentre estas mudanças, destaca-se a estratégia adaptativa, que está cada vez mais constante nas empresas devido as mudança recentes, que obrigam as empresas a serem flexíveis e reagirem às alterações competitivas de mercado. Os mercados, por sua vez, estão cada vez mais dinâmicos, englobando tecnologias sempre em transformação. A busca pela eficiência propagou uma quantidade extraordinária de ferramentas e técnicas gerenciais que visam que a empresa supere em desempenho os concorrentes. Esta diferenciação só é possível através do posicionamento que cada empresa possui em relação ao mercado, ou seja, se esta realmente proporciona um maior valor aos clientes ou se ela gera um valor comparável a um custo mais baixo, ou os dois em conjunto.

Anthony e Govindarajan (2002, p.908-909), sugerem alguns fatores que devem ser analisados no processo de internacionalização, tais como:

 Tributação – refere-se às diferenças entre taxas de impostos existentes entre os países;

 Regulamentos Governamentais – podem restringir a liberdade da organização determinar os preços de transferência que maximize seu lucro global;

 Controles de Câmbio – podem limitar os montantes de importação de certas mercadorias devido a variações nos preços;

 Acumulação de Recursos – uma empresa pode desejar acumular recursos num país e não em outro;

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 Sociedades em Cota de Participação (Joint Ventures) – realizar este tipo de parcerias com empresas no exterior pode restringir a liberdade da organização em virtude da resistência da parceria estrangeira em incorrer em eventuais prejuízos.

Estes fatores são relevantes, pois podem influenciar a avaliação de desempenho das unidades operacionais instaladas no exterior. A relação entre o grau de complexidade e a necessidade de informações, aumenta a importância da informação. A forma como a empresa lida com ela, tem papel primordial na administração, pois a informação é a matéria-prima necessária para um processo decisório eficiente.

2.4 Estudos anteriores

Não é difícil perceber que os sistemas de controle das organizações têm sido impactados por níveis cada vez mais altos de incerteza sobre o futuro e competitividade fazendo com que os sistemas de medição de desempenho se tornassem indispensáveis.

O quadro 3, a seguir, apresenta algumas características das pesquisas sobre sistemas de controle gerencial em empresas brasileiras.

Quadro 3 – Estudos Anteriores.

Fonte: Elaborado pelos autores.

Autores Setor Ano Amostra Resultados

Conceição, Vieira e Gomes (2011)

Moda Praia 2011 Empresa Anika Brasil

Empresa Nut Brasil Empresa Miss Poliana

As empresas estudadas não alteraram seu controle gerencial devido ao processo de internacionalização.

Sacramento e Gomes (2009)

Indústria 2009 DeMillus S.A. Indústria e Comercio

O estudo apontou que a internacionalização impactou positivamente os sistemas de controle gerencial da empresa, traduzindo-se em uma experiência de aprendizado e melhoria nos seus sistemas produtivos. Rodrigues e

Gomes (2005)

Serviços 2005 TV Globo Os resultados obtidos são coincidentes em alguns aspectos da literatura, em especial o emprego de mecanismos formais de controle financeiro. O processo de internacionalização ainda não afetou o sistema de controle gerencial da empresa.

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Segundo Conceição, Vieira, Gomes (2011), as empresas brasileiras devem explorar suas singularidades e criatividade para avaliar a melhor forma de inserção nos diferentes mercados. As exportações, apesar de muitas vezes indicarem o primeiro passo no caminho da internacionalização, não são condição prévia ou indispensável para outras modalidades de inserção. Entender o que levou uma determinada empresa a se internacionalizar e a estratégia por ela adotada pode ajudar a identificar fatores de sucesso no processo de internacionalização, de modo a auxiliar outras empresas a minimizar as chances de fracasso. No caso verificado, a maioria das empresas iniciou seu processo de internacionalização por intermédio de terceiros o que dificulta o contato direto com os clientes no mercado internacional, resultando em uma posição de fragilidade perante os grandes representantes e o não desenvolvimento de canais próprios de distribuição no exterior.

Sacramento e Gomes (2009) argumentaram que a empresa estudada adotou a macro-estratégia de internacionalizar-se sem investimento direto no exterior, com a macro-estratégia de ação de exportação. Outra constatação apontada no estudo foi que a exportação tem um caráter passivo, já que o processo de internacionalização foi impulsionado por clientes brasileiros instalados em outros países que demandaram seus produtos. A motivação para a internacionalização aproxima-se das abordagens comportamentais (mais especificamente da Teoria de Networks), mas afasta-se das teorias embasadas nos efeitos da globalização, saturação dos mercados, ações dos concorrentes, dentre outros.

Rodrigues e Gomes (2005) afirmaram que o processo de internacionalização teve avanços e retrocessos ao longo de sua história, resultado de diferentes estratégias de inserção em mercados estrangeiros. Atualmente, a atividade internacional da empresa encontra-se alicerçada na venda de programas e programação, além de investimentos na diversificação da atuação internacional que visam aumentar o seu faturamento em moeda forte.

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

De acordo com Otley (1994), as condições de incerteza na qual os gestores estão envolvidos, principalmente em empresas internacionalizadas, proporcionam um desafio aos mecanismos de controle gerencial. O desenvolvimento da habilidade de reagir prontamente às consequências da mudança seria a resposta mais adequada para esta nova realidade e uma habilidade gerencial constantemente necessária.

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Os impactos da internacionalização nos sistemas de controle gerencial representaram de maneira geral, uma experiência de desafios e aprendizado. Os desafios decorrentes da necessidade de desenvolver mão-de-obra e tecnologia especializadas, logística eficiente para atender um cliente ávido por produtos de alto padrão de qualidade, traduziram-se em um grande aprendizado para as empresas que aproveitaram dos ganhos advindos destas mudanças para estender para toda a sua produção industrial.

Todavia, as análises dos resultados encontrados demonstraram que existem circunstâncias em que o processo de internacionalização de uma empresa não envolve, necessariamente, uma ampla sofisticação e complexidade do sistema de controle gerencial.

Dyment (1987) salienta que o sistema de controle gerencial deve se adaptar para refletir uma mudança na definição da estratégia da unidade negócio. Se os antigos controles permanecem estáticos, as ações gerenciais podem perder a direção e as vantagens dos objetivos.

A dimensão da organização, as relações interpessoais, o grau de descentralização e a formalização das atividades compreenderiam características da organização; enquanto o ambiente externo, o grau de dinamismo do mercado e a concorrência moldam o contexto social.

Uma observação interessante em relação aos resultados obtidos é de que, embora estes não possam ser generalizados, é coincidente em alguns aspectos da literatura, em especial o emprego de mecanismos formais de controle financeiro. As decisões encontram-se centralizadas na direção geral e os centros de responsabilidades, mão possuindo autonomia.

O processo de internacionalização proporciona uma maior complexidade dos negócios da empresa, desta forma, adaptações e alterações nos sistemas de controle gerencial são necessárias. As empresas, em geral, utilizam o orçamento como instrumento de controle geral atrelado as estratégias e metas organizacionais, com o objetivo de alinhar as estratégias e metas da empresa. A organização planeja atingir as metas globais de acordo com o orçamento traçado.

Outro aspecto verificado é que a maioria das empresas estudadas, principalmente as do ramo industrial voltadas para as atividades de serviços, iniciou seu processo de internacionalização por intermédio de terceiros o que dificulta o contato direto com os clientes no mercado internacional, resultando em uma posição de fragilidade perante os grandes representantes e o não-desenvolvimento de canais próprios de distribuição no exterior.

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4 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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