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Silia Maira Ananias Batista O JUS POSTULANDI NA JUSTIÇA DO TRABALHO

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Academic year: 2021

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Silia Maira Ananias Batista

O JUS POSTULANDI NA JUSTIÇA DO TRABALHO

Centro Universitário Unitoledo Araçatuba

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Silia Maira Ananias Batista

O JUS POSTULANDI NA JUSTIÇA DO TRABALHO

Trabalho de conclusão de Curso apresentado como requisito parcial para a obtenção do grau de Bacharel em Direito à Banca Examinadora do Centro Universitário Toledo, sob orientação do Prof. Mestre Dr. Valdir Garcia dos Santos Júnior.

Centro Universitário Unitoledo Araçatuba

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Silia Maira Ananias Batista

O JUS POSTULANDI NA JUSTIÇA DO TRABALHO

Trabalho de conclusão de Curso apresentado como requisito parcial para a obtenção do grau de Bacharel em Direito à Banca Examinadora do Centro Universitário Toledo, sob orientação do Prof. Dr. Valdir Garcia dos Santos Júnior.

Aprovado em ____de ______________de ______

BANCA EXAMINADORA

Centro Universitário Unitoledo Araçatuba

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Agradeço primeiramente a Deus e aos Orixás, pois sem a suas bênçãos nada seria possível. Ao João, José e Joaquim, meus filhos, que são a motivação de todos os dias para chegar até aqui,a minha mãe Isabel que nunca desistiu de mim ou mediu esforços para me proporcionar a possibilidade de adquirir conhecimentos, e a todos da minha família que de modo direto ou indireto me auxiliaram, incentivaram e motivaram durante esse caminho. Ao excelentíssimo professor e orientador Valdir Garcia Júnior que me capacitou e auxiliou para elaboração deste trabalho e aquisição de conhecimentos importantíssimos no decorrer de minha graduação.

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RESUMO

Esta revisão de literatura busca estudar o jus postulandi na esfera da justiça do trabalho sendo este o direito de postulação pela parte sem um advogado, tendo a finalidade de apresentar tudo que o instituto possui, tanto os benefícios adquiridos com ele, como demonstra também as conseqüências negativas que este pode trazer se for utilizado, desta forma o trabalho aqui em questão nos traz quem pode se utilizar deste instituto, a sua vigência e também limitações.Avante, observaremos seus efeitos e conseqüências no poder judiciário, sendo provada sua constitucionalidade tanto pela jurisprudência quanto pela doutrina. Iremos demonstrar também a ocorrência da disparidade de armas para quem o utiliza, pois conseguimos demonstrar de forma evidente a desigualdade de defesa gerando assim conseqüências negativas para quem necessita utilizar o instituto do jus postulandi.

Palavras-chave:Consolidação das Leis do Trabalho, jus postulandi, consequências,

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ABSTRACT

This literature review seeks to study the jus postulandi in the sphere of labor justice being this the right of postulation by the party without a lawyer, with the purpose of presenting everything that the institute possesses, both the benefits acquired with it, as well as demonstrates the consequences negative effects that this can bring if it is used, in this way the work here in question brings us who can use this institute, its validity and also limitations. Before, we will observe its effects and consequences in the judiciary, proving its constitutionality both by the jurisprudence and doctrine. We will also demonstrate the disparity of weapons for those who use it, since we can clearly demonstrate the inequality of defense, thus generating negative consequences for those who need to use the jus postulandi institute.

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SUMÁRIO

INTRODUÇÃO ... 7

I - EVOLUÇÃO HISTÓRICA DO DIREITO DO TRABALHO ... 9

1.1 O trabalho e sua natureza jurídica ... 9

1.2 Origem do trabalho ... 9

1.3 Definições de Direito do Trabalho ... 12

1.4 Processo de formação e consolidação do direito do Trabalho ... 16

1.5 Evolução histórica do Direito do Trabalho no Brasil ... 17

II - O “JUS POSTULANDI” NA JUSTICA DO TRABALHO ... 22

2.1 Natureza jurídica e distinção do instituto do jus postulandi ... 22

2.2 Finalidade do jus postulandi na visão do legislador ... 26

2.3 O conflito entre a legislação em vigor e o jus postulandi ... 28

III – A APLICABILIDADE DO JUS POSTULANDI NO PROCESSO TRABALHISTA ... 31

3.1 A necessidade da presença do advogado no processo trabalhista ... 31

3.2A assistência jurídica gratuita e o benefício da justiça gratuita ... 34

3.3 Posicionamentos dos Tribunais do Trabalho a respeito dos limites da utilização do juspostulandi ... 39

3.4 O desequilíbrio de paridade de armas com o exercício do jus postulandi ... 43

CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 47

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INTRODUÇÃO

O Jus Postulandi é um direito dado à parte que possibilita o acesso a justiça, postulando para a resolução dos seus conflitos, não levando em consideração a situação econômica da parte envolvida. Isso é possível devido a ser cumprido alguns princípios constitucionais tais como princípio da igualdade ou isonomia, ampla defesa e contraditório, que a utilização destes deixam empregado e empregador se distinções de quaisquer natureza, isto claro em tese, já que a carência de habilidade técnica por uma das partes para litigar causa desigualdade e as conseqüências disso por incontáveis vezes são acordos injustos para a parte sem habilidades ou até mesmo a perda da demanda.

Segundo a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) no art. 791, as partes poderão demandar em juízo na justiça do trabalho sem assistência de advogado, fazendo assim o uso do instituto do jus postulandi.

No processo civil é diferente, “a parte será representada em juízo por advogado regularmente inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil”, como descrito no artigo 103 do Novo Código de Processo Civil.

Com a Constituição Federal Brasileira de 1988, e a Lei 8.906, de 04 de julho de 1994, que dispõe sobre o Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o instituto sofreu um estremecimento, pois sua manutenção no sistema jurídico tornou-se questionável.

Cabe salientar que o Estado tem o dever de disponibilizar assistência judiciária gratuita e os benefícios da justiça gratuita aos que no sentido do termo jurídico são menos favorecidos ou pobres. Esse dever não pode ser substituído pelo consentimento de pleitear a prestação jurisdicional de um direito sem a presença de um advogado, ou seja, sem a assistência de um profissional habilitado, como é o instituto do jus postulandi. Isso nada mais é do que uma afronta aos direitos e garantias fundamentais dos cidadãos.

Essa problemática é o centro de discussões necessitando imediatamente de alterações na letra da lei, não deixando para traz a proteção, incluindo a necessidade do advogado garantindo assim uma proteção melhor ao trabalhador pela figura do advogado pois é este que possui a capacidade técnica e postulatória para uma melhor proteção do trabalhador. Mas ainda há juristas e doutrinadores dispostos a defender o instituto do jus postulandi.

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Diante do exposto, essa revisão de literatura traz em seu primeiro capítulo o significado do trabalho, a origem, sua natureza jurídica, traz as definições, processo de formação e consolidação deste direito para entendermos a evolução histórica de Direito do Trabalho no Brasil, desde os primórdios dos tempos até os dias atuais, demonstrando os principais acontecimentos para o processo de consolidação do Direito do Trabalho para que conseguíssemos chegar aos dias atuais auxiliando a classe mais necessitada a buscar o que lhe é de direito. Já que anteriormente a esse momento o trabalho era utilizado como forma de castigo.

No segundo capítulo buscou-se explanar a natureza jurídica do Direito do Trabalho e por conseqüência clareou a proteção exercida ao empregado, proteção essa garantida por lei. Trazendo a baila o Direito Constitucional que atua garantindo o direito de proteção ao trabalhador e aos seus direitos, deste modo traz a indispensabilidade da Consolidação da Leis Trabalhistas (CLT), e outras normas, não deixando de observar Orientações Jurisprudenciais, Súmulas, para a garantia de um amplo amparo.

Após as análises dos temas acima mencionados passamos ao ponto central do trabalho de conclusão de curso que é o jus postulandi na justiça do trabalho, quem em um simples resumo podemos afirmar que é o direito da parte poder postular sem advogado, buscando demonstrar todas as peculiaridades do instituto, as consequências positivas como também as consequências negativas que ele pode gerar pra quem o utiliza.

Buscou-se também demonstrar quem pode desfrutar do instituto, sua vigência, e suas limitações. Mais a frente traz seus efeitos e com esses as consequências acarretáveis no judiciário, demonstrando através de doutrinas e jurisprudências sua constitucionalidade. Será demonstrado que a sua utilização pode trazer consequência negativas pela falta de conhecimento técnico deste que só é oferecida pelo advogado, gerando a disparidade de armas a quem faz uso do instituto como exposto no trabalho.

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I - EVOLUÇÃO HISTÓRICA DO DIREITO DO TRABALHO

1.1 O trabalho e sua natureza jurídica

Não podemos iniciar esse trabalho discorrendo diretamente sobre o Direito do Trabalho, assim, precisamos entender primeiro o significado de trabalho. E onde foi percebido, caracterizado na sua essência e nas suas modificações até os dias atuais.

A origem do vocábulo trabalho; vinda do latim tripalium, termo formado pela junção dos elementos tri, que significa “três”, epalum, que quer dizer “madeira”; associa-se à dor e sofrimento. De tal modo, tripalium era também o nome de um instrumento de tortura, o qual é constituído de três estacas de madeira bastante afiadas, muito comum na região europeia, desse modo, originalmente, "trabalhar" significava “ser torturado”. Nesse sentido, o termo passou para o francês travailler, que significa “sentir dor” ou “sofrer”. Com o decorrer do tempo, o sentido da palavra passou a significar “fazer uma atividade exaustiva” ou “fazer uma atividade difícil, dura” (Dicionário Etimológico).

Dessa forma, apenas a partir do século XIV principiou a ter o sentido genérico que hoje lhe atribuímos, qual seja, o de "aplicação das forças e faculdades (talentos, habilidades) humanas para alcançar um determinado fim". Com a especialização das atividades humanas, imposta pela evolução cultural, de tal modo, a Revolução Industrial da humanidade. A palavra trabalho projetou muitas possibilidades a partir da semântica (vários significados). Contudo, o verbete, no Dicionário do "Aurélio", lhe dedica vinte acepções básicas e diversas expressões idiomáticas (Dicionário Etimológico).

1.2 Origem do trabalho

A cidade é um lugar que gera trabalho, emprego, mas ela também segrega e ainda defende que a moradia é, na verdade, uma porta de acesso à cidade, as oportunidades que a cidade oferece, ao trabalho, à renda, a educação, ao mesmo ambiente diversificado e saudável (ROLNIK, 2016).

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Desse modo, o trabalho possibilita ao homem, transformar e ainda ser transformado, se manifestando pela sobrevivência, e ainda pelas manifestações individuais. O trabalho, deve preencher um porquê, uma finalidade e um valor.

Desde os primórdios da humanidade é imprescindível entendermos o porquê do trabalho, pois conseguimos visualizar capacidades físicas e mentais do homem em atividades ou ações destinadas a satisfazer diversas necessidades. Nesse sentido, estas capacidades vêm se transformando com o passar do tempo.

Na pré-história o trabalho está caracterizado na invenção de instrumentos que auxiliava o homem em busca pela sobrevivência nas atividades da caça, pesca, proteção entre outros. Desta forma, se considerar que lutar pela sobrevivência tem alguma relação com o ato de trabalhar, pode-se facilmente chegar ao epilogo de que o trabalho sempre existiu, mesmo que o seu desenvolvimento antigamente não tenha muita semelhança com o trabalho praticado nos dias atuais, fica visível que pelo trabalho e por meio dele transformamos a nós e ao meio a que pertencemos.

Para Platão (428 – 347 a.C) e Aristóteles (384 – 322 a.C), o trabalho está ligado as necessidades do homem e estas limitam a liberdade do ser humano. O homem sempre trabalhou e com o aumento da população, surgem os escravos.

Na escravatura a forma de trabalho mais comum é a escravidão, pois o escravo enquadrava-se como objeto de propriedade. Para os gregos o trabalho era a expressão da miséria humana. Para os romanos, o trabalho era algo vil, totalmente oposto às atividades intelectuais.

A história do trabalho começa exatamente quando o homem percebe que é possível utilizar a mão de obra alheia não só para a produção de bens em proveito próprio, mas também como forma de produzir riquezas. Assim, o trabalho se desenvolve e torna-se dependente e ligado às relações sociais e econômicas vigentes em cada período histórico específico

Mesmo com o trabalho escravo predominante, por volta do século VII e VI a.C surgiu o locatio conductio tratando da obrigação do individuo de oferecer a outro, uso e gozo de uma coisa, prestação de serviço ou de uma obra em troca de um preço.

Com a queda do Império Romano, o trabalho servil e as atividades autônomas começaram a ser substituídas por relações heterônomas. Essas relações ocorriam em

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corporações, pois estas eram constituídas por pessoas que tinham aptidões profissionais para alguns ramos como artesões, marceneiros entre outros e os mais qualificados para cada cargo eram denominados mestres.

Gustavo Filipe Barbosa Garcia nos traz sobre isso que:

Na Idade Média, com as corporações de oficio, observam-se três modalidades de membros. Os mestres eram os proprietários das oficinas, já tendo sido aprovados na confecção de uma obra mestra. Os companheiros eram trabalhadores livres que recebiam salários dos mestres, tratando-se de grau intermediário surgido no século XIV. Os aprendizes eram menores que recebiam dos mestres o ensinamento metódico do oficio ou profissão, podendo passar ao grau de companheiro se superassem as dificuldades dos ensinamentos. Apesar da existência de maior liberdade ao trabalhador, a relação das corporações com os trabalhadores era de tipo autoritário, sendo mais destinada à realização dos seus interesses do que à proteção destes. (2007, p. 01)

O trabalho como castigo era posicionamento religioso da Igreja entre os séculos V e XV. Nesse período o trabalho era tão árduo que dele só se colhia sofrimento. Somente após esse longo tempo de sofrimento que começaram a acontecer modificações na comunidade europeia. Estas mudanças foram tão profundas que o trabalho passou a ter um valor positivo. Esse período de valoração foi desde o século XV ao XVIII.

As corporações de oficio foram desaparecendo com a Revolução Francesa pois esta nos trouxe o ideal de liberdade das pessoas individualmente tornando assim as corporações de oficio incompatíveis com o momento revolucionário. O Estado não deveria intervir na área econômica no período liberal.

Nos traz em sua doutrina Gustavo Filipe Barbosa Garcia (2007, p. 03) que “o Direito do Trabalho surge com a sociedade industrial e o trabalho assalariado”.

O renascentismo e o iluminismo foram considerados os instrumentos de valoração do Trabalho com a difusão de suas idéias. Mas foi no período iluminista que a técnica foi exaltada ao lado do trabalho no apogeu do capitalismo com o nascimento das primeiras fabricas. O reconhecimento de obtenção de riqueza e valores sociais por meio do trabalho só foi reconhecido no século XVIII.

Garcia (2007, p. 03) nos diz:

A Revolução Industrial, ocorrida no século XVIII, foi a principal razão econômica que acarretou o surgimento do Direito do Trabalho, com a descoberta da maquina a vapor como fonte de energia, substituindo a força humana. A necessidade de pessoas para operar as máquinas a vapor e têxteis impôs a substituição do trabalho escravo, servil e corporativo pelo trabalho assalariado.

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No mundo contemporâneo inicia-se a disciplinarização da força trabalhista pois nesse período ocorre repressões a vadiagem impulsionando-se assim o indivíduo a exercer uma atividade independentemente do valor recebido como salário.

Nesse contexto, em razão das péssimas condições de trabalho, com excessivas jornadas, e exploração do labor de mulheres e menores (a chamada “questão social”), os trabalhadores começam a se reunir, para reivindicar melhorias, inclusive salariais, por meio de sindicatos (GARCIA, 2007)

Na atualidade o trabalho é uma atividade utilizada como fim para a conquista de bens que venham suprir suas necessidades pessoais tais como moradia, alimentação e proteção. o trabalho pode gerara realização tanto pessoal quanto social pois muitas vezes é através da realização profissional que se alcança a dignidade ou status social.

Nos traz Gustavo Filipe Barbosa Garcia que esta situação só ocorreu pois:

O Estado deixa seu estado de abstenção, e passa a intervir nas relações de trabalho, impondo limitações à liberdade das partes, para a proteção do trabalhador, por meio da legislação proibitiva de abusos do empregador, como forma de preservar a dignidade do homem no trabalho. (p. 32).

O trabalhador do século XXI almeja uma expressão pessoal, um sentido para sua realização, com o intuito de fugir do estresse e da frustração pessoal, levando-o a procurar por trabalhos que o estimulem mentalmente e emocionalmente gerando respeito e ótimas remunerações.

Escravismo, feudalismo e capitalismo podem ser considerados como marcos históricos definidos na evolução das relações econômicas e sociais e, conseqüentemente, na evolução do trabalho humano e de suas formas de proteção

1.3 Definições de Direito do Trabalho

O Direito do Trabalho apresenta definições distintas entre os juristas, já que, alguns enfatizam os sujeitos das relações jurídicas e outros enfatizam o conteúdo das relações jurídicas, mas também há os que buscam a combinação entre as definições subjetivas e objetivas.

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Romar nos traz que

O estudo do conceito de Direito do Trabalho permite identificar o conteúdo e a extensão desse ramo da Ciência do Direito, ou seja, a partir do conceito é possível distinguir a relação jurídica base que compõe o seu objeto, os sujeitos que integram tal relação jurídica e afinalidade das normas jurídicas que o compõem (ROMAR, 2018, p.35).

Para compreendermos o Direito do Trabalho não nos basta conhecer a dinâmica do contrato de trabalho devemos expandir nossa visão para que possamos situar exatamente a controvérsia no plano mais amplo em que se desenvolve.

Sobre isso temos que:

Em relação ao conteúdo amplo do Direito do Trabalho, podemos, a partir de uma síntese simplista, dizer que é representado pelo conceito fundamental de trabalho. Assim, de forma genérica, é possível afirmar que o Direito do Trabalho é o ramo do Direito que disciplina as relações de trabalho. (ROMAR, 2018 p. 35)

Desta forma, como descrito, este conceito não pode apegar-se somente ao conteúdo, sendo indispensável a fixação de sua extensão, sendo assim, é necessário determinar os possíveis tipos de trabalho que são envolvidos pelo conteúdo do Direito do Trabalho, quais são os sujeitos que integram a relação jurídica específica e qual o fundamento desta regulamentação.

Romar (2018, p. 35) continua:

Considerando que trabalho é uma expressão genérica que abrange toda e qualquer forma de prestação de serviço de uma pessoa física a outrem (trabalho autônomo, trabalho eventual, trabalho voluntário etc.), podemos afirmar que nem toda atividade considerada como trabalho é regulada pelo Direito do Trabalho.

Existem diversas formas de trabalho, sendo certo que somente uma dessas formas compõe o objeto do Direito do Trabalho e é por ele regulada. Trata -se da relação de trabalho subordinado, que tem características específicas que a diferenciam das demais formas de trabalho e que estudaremos mais adiante. Portanto, o objeto do Direito do Trabalho é a relação de trabalho subordinado, também denominada relação de emprego (ROMAR, 2018 p.36)

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Os sujeitos desta relação são o empregado e o empregador, que se relacionam não só no âmbito individual, como também de forma coletiva, por intermédio de grupos organizados (categorias) e dos seus órgãos de representação (sindicatos).

O fundamento do Direito do Trabalho é a proteção do trabalhador, parte economicamente mais fraca da relação jurídica. Sem a proteção jurídica do trabalhador, sua relação com o empregador se revela desequilibrada e, portanto, injusta. Contudo Romar conceitua:

Assim, de maneira objetiva, podemos conceituar o Direito do Trabalho como o ramo da Ciência do Direito composto pelo conjunto de normas que regulam, no âmbito individual e coletivo, a relação de trabalho subordinado, que determinam seus sujeitos (empregado e empregador) e que estruturam as organizações destinadas à proteção do trabalhador.

A conceituação do Direito do Trabalho pela doutrina não é, no entanto, tema tratado de forma simples. Embora o conteúdo e a extensão também sejam a base das definições de Direito do Trabalho enunciadas pelos diversos doutrinadores, estes divergem em relação ao enfoque dado, ou seja, há quem considere o Direito do Trabalho como o ramo do Direito de tutela ou de proteção dos trabalhadores, formando a chamada teoria subjetivista. Outros autores entendem que a visão subjetivista, ligada aos sujeitos tutelados, não é suficiente para definir o Direito do Trabalho, devendo ser levado em conta o objeto das relações de trabalho (teoria objetivista). Alguns outros afirmam que tanto o enfoque dos sujeitos como o enfoque do objeto isoladamente são insuficientes para se conceituar o Direito do Trabalho, ou seja, a sua definição, além dos sujeitos e do objeto, deve necessariamente incluir os aspectos que o diferenciam dos demais ramos do Direito (teoria mista).

Para Romar (2018, p. 37):

A teoria subjetivista adota como centro da definição do Direito do Trabalho o caráter protecionista das normas que o compõem. Os doutrinadores adeptos de tal teoria têm por fundamento a busca constante de meios para se alcançar a melhoria da condiçãoeconômica e social do trabalhador.

Outros autores entendem que a visão subjetivista, ligada aos sujeitos tutelados, não é suficiente para definir o Direito do Trabalho, devendo ser levado em conta o objeto das relações de trabalho (teoria objetivista).

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Formam a teoria objetivistaas definições de Direito do Trabalho que têm em vista a relação de emprego e seu resultado (trabalho subordinado), e não as pessoas que participam daquela relação. Em tais definições, a relação jurídica de emprego é disposta como objeto do Direito do Trabalho.

Alguns outros afirmam que tanto o enfoque dos sujeitos como o enfoque do objeto isoladamente são insuficientes para se conceituar o Direito do Trabalho, ou seja, a sua definição, além dos sujeitos e do objeto, deve necessariamente incluir os aspectos que o diferenciam dos demais ramos do Direito (teoria mista).

E por fim a ultima teoria pelos olhos de Romar (2018, p. 38)

As definições mistas são aquelas que fazem uma combinação dos elementos

objetivo e subjetivo, isto é, consideram tanto o sujeito como o objeto da relação

jurídica regulada pelo Direito do Trabalho, além da finalidade do conjunto de normas que compõem este ramo da Ciência do Direito (grifo nosso).

Quando um determinado problema exige sua disciplina por meio de lei conseguimos explicar a vinculação entre o direito e a vida social, pois sempre que um determinado fato exige um tratamento jurídico significa que o grupo social necessita da disciplina jurídica das relações entre as pessoas a fim de se atingir o equilíbrio social.

No caso do Direito do Trabalho estamos falando sobre a classe operaria e seus empregadores, dos vínculos entre aquele que presta serviços e ao tomador desses serviços, as conseqüências da ruptura dos contratos de trabalho, as negociações para melhorias tanto para empregados, quanto para empregadores que solicitam analises e soluções técnicas.

A não observância desses fatores num contexto social, econômico e político acarretaram na não solução dos conflitos que atenda aos interesses da comunidade. Entender o conceito de Direito do Trabalho é primordial e necessário para começarmos a nos situar as relações num contexto social. Os conceitos que encontramos são inúmeros entre os doutrinadores trabalhistas se assemelhando na essência, mas são discordantes quanto a amplitude.

Percebemos presente o sistema jurídico e a expressa menção a figura do Estado que atua de forma protecionista e intervencionista nesse ramo do direito.

O Direito do Trabalho é o ramo jurídico especializado, que regula certo tipo de relação laborativa na sociedade contemporânea, conforme explica Delgado (2018, p.50):

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Todas as definições sobre Direito do Trabalho têm estreita semelhança, mas o principal é que cada indivíduo tenha condições para formular seus próprios conceitos desde que compreendam que as regras aplicáveis são organizadas, um sistema ordenado e composto pelas leis, princípios e instituições cuja finalidade é garantir o sentido protecionista do Direito do Trabalho.

Desta forma Gustavo Filipe Barbosa Garcia (2007) nos demonstra seu conceito sobre a finalidade do Direito do Trabalho:

A finalidade do Direito do Trabalho é estabelecer medidas protetoras ao trabalho assegurando condições dignas de labor. Esse ramo do direito apresenta disposições de natureza tutelar à parte economicamente mais fraca da relação jurídica, de forma a possibilitar uma melhoria das condições sociais do trabalhador (p. 12).

Após essa fixação do Direito do Trabalho devemos conhecer e entender seu surgimento e evolução histórica para adequá-lo as relações sociais. Necessitamos relacionar o Direito do Trabalho com as revoluções sociais.

1.4 Processo de formação e consolidação do direito do Trabalho

No período histórico propriamente dito é que surge o direito do trabalho. Três foram as principais causas: econômica (revolução industrial), política (transformação do Estado Liberal- Revolução Francesa- em Estado Social - intervenção estatal na autonomia dos sujeitos da relação de emprego) e jurídica (justa reivindicação dos trabalhadores no sentido de se implantar um sistema de direito destinado à proteção, como o direito de união, do qual resultou o sindicalismo, o direito de contratação individual e coletiva).

Somando-se a essas causas, contribuíram decisivamente para o surgimento do direito do trabalho a idéia da justiça social preconizada, principalmente, pela Igreja Católica, através das Encíclicas RerumNovarume Laborem Bxercens, e o marxismo, preconizando a união do proletariado e a ascensão dos trabalhadores, pela luta de classes, ao poder político.

Segundo Carlos Henrique Bezerra Leite (2018, p. 34):

As primeiras leis trabalhistas foram: a) quanto à forma: constitucionais e ordinárias; b) quanto à matéria: de proteção aos menores e às mulheres. Coube ao México editar, em 1917, a primeira Constituição contendo direitos trabalhistas, como

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jornada diária máxima de oito horas, jornada noturna de sete horas, proibição do trabalho do menor de 12 anos, limitação da jornada do menor de 16 anos a seis horas, descanso semanal, salário mínimo, igualdade salarial, direito de sindicalização, de greve, indenização de dispensa etc. A segunda Constituição foi a da Alemanha, intitulada de Constituição de Weimar (1919). Trata~se de Constituição, diferentemente da analítica carta mexicana, com característica principiológica que teve ampla repercussão no continente europeu.

O mesmo autor cita em sua obra que:

Em 1919 é editado o Tratado de Versalhes, cuja importância para o direito do trabalho residiu na previsão de criação da Organização Internacional do Trabalho - OIT, cabendo a este organismo internacional universalizar as normas de proteção ao trabalho humano. O Brasil está entre os Estados-membros fundadores da OIT e participa da Conferência Internacional do Trabalho desde a sua primeira edição (LEITE, 2018, p. 35).

Também merece destaque a “Carta del Lavara (1927), da Itália, de índole corporativista, que serviu de base para Portugal e Espanha, produzindo repercussões no Brasil, mormente nos sítios do Direito Coletivo ou Sindical do Trabalho” (LEITE, 2018, p.35).

As primeiras leis ordinárias foram a “Lei de Peel, da Inglaterra (1802), reduzindo a jornada dos menores nas fábricas para dez horas diárias; as Leis Sociais de Bismark (1833); o Código do Trabalho, da França (1901) etc” (LEITE, 2018, p.35).

1.5 Evolução histórica do Direito do Trabalho no Brasil

A autora Carla Tereza Martins Romar (2018) descreve o Direito do Trabalho como;

[...] um conjunto de normas jurídicas de proteção do trabalhador, é bastante recente no Brasil. Do surgimento das primeiras leis trabalhistas até os dias de hoje, ainda não se passaram cem anos, o que, em termos da Ciência do Direito, é considerado muito pouco tempo. (p. 23)

Mauricio Godinho Delgado (2018, p. 41) nos diz sobre o termo inicial do Direito do Trabalho que:

A História do Direito do Trabalho brasileiro tem como marco inicial a Lei Áurea, embora ela não tenha, obviamente, qualquer caráter jus trabalhista. É que ela cumpriu papel relevante na reunião de pressupostos à configuração desse novo ramo jurídico especializado. De fato, constituiu diploma que tanto eliminou da ordem

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sociojurídica relação de produção incompatível com o ramo jus trabalhista (a escravidão), como, em consequência, estimulou a incorporação pela prática social da fórmula então revolucionária de utilização da força do trabalho: a relação de emprego. Nesse sentido, o mencionado diploma sintetiza um marco referencial mais significativo para a primeira fase do Direito do Trabalho no país do que qualquer diploma jurídico que se possa apontar nas quatro décadas que se seguiram a 1888.

Na visão dada pelo doutrinador, não nos resta duvida que o Direito do Trabalho no Brasil não teve seu desenvolvimento idêntico a outros países. O desenvolvimento brasileiro foi retrogrado já que a formação deste foi colonial e somente após a abolição escravagista conseguimos detectar o inicio dos trabalhos livres, diferentemente dos países da Europa como vimos anteriormente

Não obstante podemos observar ainda as melhorias alcançadas pelos trabalhadores e o despontamento visível correspondente a direitos e tutela aos trabalhadores, dando início a conquistas que refletem em melhorias desejadas aos direitos e obrigações.

O Direito do Trabalho brasileiro, no entanto, tem por objeto de investigação científica não qualquer espécie de trabalho, e sim um tipo especial de trabalho humano, prestado de modo subordinado ou por conta alheia, por uma pessoa física, de forma não eventual e mediante retribuição. (BARROS, 2016).

No Brasil, podemos dividir a história do direito do trabalho em três fases: a primeira, do descobrimento à abolição da escravatura; a segunda, da proclamação darepública à campanha política da Aliança Liberal; e a terceira, da Revolução de Trinta aos nossos dias. (BARROS, 2016).

Nas duas primeiras fases ainda não existia a nossa disciplina tal como a conhecemos hoje. A partir da Revolução de Trinta é que realmente se inicia a fase contemporânea do direito do trabalho no nosso país. (BARROS, 2016).

Pode-se afirmar que o Direito do Trabalho no Brasil inicia-se a partir da Revolução de 1930, quando o Governo Provisório chefiado por Getúlio Vargas criou o Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio e deu início à elaboração de uma legislação trabalhista ampla e geral. (ROMAR, 2018).

A oficialização ou institucionalização do Direito do Trabalho se inicia em 1930 indo até 1945 e Delgado(2009, p. 32) nos leciona sobre isso que:

A fase de institucionalização do Direito do Trabalho consubstancia, em seus primeiros treze a quinze anos (pelo menos até 1943, com a Consolidação das Leis do Trabalho), intensa atividade administrativa e legislativa do Estado, em consonância com o novo padrão de gestão sociopolítica que se instaura no país com a derrocada, em 1930, da hegemonia exclusivista do segmento agroexportador de café.

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Antes disso, as poucas leis existentes com dispositivos e conteúdo de caráter trabalhista não podem ser consideradas para efeito do estabelecimento de uma normatização capaz de ser caracterizada como um sistema de proteção dos trabalhadores. (ROMAR, 2018).

O surgimento do direito do trabalho no Brasil sofreu influência de fatores externos e internos. Os fatores externos decorreram das transformações que ocorriam na Europa com a proliferação de diplomas legais de proteção ao trabalhador, o ingresso do nosso país na OIT- Organização Internacional do Trabalho, criada pelo Tratado de Versalhes (1919). (BARROS, 2016).

Os fatores internos foram basicamente o movimento operário influenciado por imigrantes europeus (final de 1800 e início de 1900), o surto industrial (pós~primeira guerra mundial) e a política de Getúlio Vargas (1930). Já em 1870, existiam no nosso país as Ligas Operárias que marcaram o início do sindicalismo brasileiro. (BARROS, 2016)

O Decreto 1.313, de 1891, proibiu o trabalho noturno dos menores de 15 anos, limitando a jornada a 7 horas. Há quem afirme ser a Lei 4.682, de 20.01.1923, a chamada Lei Elói Chaves, que instituiu a caixa de aposentadoria e o direito à estabilidade para os ferroviários que completassem 10 anos de serviço, a primeira lei verdadeiramente trabalhista no Brasil.A Lei 4.982, de 25.12.1925, disciplinava o direito de férias anuais remuneradas. (BARROS, 2016).

Somente a partir de 1930, com a mudança da maneira de encarar a questão social, a legislação trabalhista começou a ganhar corpo, e inúmeras leis foram elaboradas, entre as quais destacamos o Decreto n. 19.671-A, de 4 de fevereiro de 1931, que dispunha sobre a organização do Departamento Nacional do Trabalho, o Decreto n. 19.770, de 19 de março de 1931, que regulava a sindicalização, e os Decretos n. 21.186, de 22 de março de 1932, e n. 21.364, de 4 de maio de 1932, que regulavam, respectivamente, o horário de trabalho dos empregados no comércio e na indústria. (ROMAR, 2018)

Sérgio Pinto Martins (2010) nos traz:

A Constituição de 1934 é a primeira constituição brasileira a tratar especificamente do Direito do Trabalho. É a influência do constitucionalismo social, que em nosso país só veio a ser sentida em 1934. Garantia a liberdade sindical (art.120), isonomia salarial, salário mínimo, jornada de oito horas de trabalho, proteção das mulheres e menores, repouso semanal, férias anuais remuneradas (§ 1º do art. 121). (2018, p. 45).

(21)

No âmbito do direito coletivo do trabalho, destacaram-se o Decreto n. 24.594, de 12 de julho de 1934, que estabelecia a reforma da Lei Sindical,Lei 62, de 1935, assegurava aos empregados da indústria e do comércio o recebimento de indenização por rescisão injustificada do contrato de trabalho e o direito à estabilidade após dez anos de efetivo serviço no mesmo estabelecimento, e o Decreto-lei n. 1.402, de 5 de julho de 1939, que regulava a associação profissional ou sindical. (ROMAR,2018)

Durante a década de trinta, foram tantas as leis trabalhistas expedidas e outras tantas revogadas, que em um determinado momento havia grande dificuldade para sua aplicação e seu estudo. (ROMAR, 2018)

Conforme esclarece Arnaldo Süssekind (2010, p. 57)

[...] a multiplicidade de normas legais no campo do trabalho, sancionadas ou decretadas em distintas fases de nossa evolução jurídico-política, confundindo os seus destinatários, intérpretes e aplicadores, estava a exigir o ordenamento das respectivas disposições num único texto.

Em 1939 é criada a Justiça do Trabalho, Em 1º de maio de 1943, a Consolidação das Leis do Trabalho foi aprovada pelo Decreto-lei n. 5.452, que, no entanto, somente foi publicado no Diário Oficial em 9 de agosto daquele ano, entrando em vigor três meses depois, em 10 de novembro de 1943. (BARROS, 2018)

Martins (2014, p. 54) nos traz a importância da Consolidação das Leis do Trabalho dizendo que:

Que houve a necessidade de sistematização dessas regras. Para tanto, foi editado o Decreto-lei nº 5.452, de 1º.5.1943, aprovando a Consolidação das Leis do Trabalho – CLT. O objetivo da CLT foi apenas de reunir as leis esparsas existentes na época, consolidando-as. Não se trata de um código, pois este pressupõe um Direito novo. Ao contrário, a CLT apenas reuniu a legislação existente na época, consolidando-a.

A CLT é equiparada a lei federal. Não se pode deixar de reconhecer que a CLT é o texto legislativo básico do direito do trabalho brasileiro, enriquecido pela legislação complementar e pela Constituição Federal. É claro que há disposições da CLT que devem ser atualizadas para se adequarem à realidade contemporânea, em consonância com o fenômeno da constitucionalização do direito. (BARROS, 2016).

Desde sua entrada em vigor, a CLT sofreu inúmeras alterações, inclusive com a revogação de diversos dispositivos a partir da promulgação da Constituição Federal de 1988, mas a sua base original continuou a mesma. (ROMAR, 2018).

A despeito das críticas que sempre foram feitas à CLT, principalmente aquelas que se referiam ao seu caráter intervencionista, não há como negar sua importância única para o

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desenvolvimento do Direito do Trabalho no Brasil. Recentemente, porém, através da Lei n. 13.467, de 13 de julho de 2017, a CLT sofreu a sua mais ampla e significativa alteração. (ROMAR, 2018).

Dos 922 (novecentos e vinte e dois) artigos da CLT, foram alterados 54 (cinquenta e quatro), inseridos 43 (quarenta e três) novos artigos e 9 (nove) foram revogados, totalizando 106 (cento e seis) modificações. (ROMAR, 2018).

Muitas dessas alterações, em especial as que consubstanciam a previsão de prevalência do negociado sobre o legislado, terão reflexos significativos na própria estrutura do Direito do Trabalho e inauguram um novo momento das relações de trabalho no Brasil. (ROMAR, 2018).

Fica evidenciado de forma muito clara o surgimento dos direitos trabalhistas que surge para dar garantias ao empregado pois este é mais vulnerável e conseqüentemente mais necessitada na relação jurídica.

Com o advento dos direitos trabalhistas buscou-se a dignidade do trabalhador, atribuindo-lhe uma proteção, para aquisição de igualdade, lutar pelos direitos em um patamar igual entre empregador e empregado, já que somente com o trabalho conseguimos uma acentuação da economia mundial tanto o trabalho intelectual quanto o “braçal” (físico).

É inaceitável que essas pessoas não tenham seus direitos reconhecidos sendo observados e reconhecidos somente os lucros que podem gerar aos empregadores já que sem o incessante trabalho destes não se gera lucro pois estes são responsáveis pelo alcance de quantias quase incalculáveis em algumas situações enquanto os empregados recebem quantias irrisórias de salário.

O ideal seria a edição de um Código Brasileiro do Trabalho, contemplando expressamente os direitos individuais, coletivos e difusos fundamentais dos trabalhadores, o que facilitaria sobremodo as tarefas dos juristas e operadores do direito. Mas, enquanto o legislador ordinário não editar um Código do Trabalho, cabe ao intérprete e aplicador do direito do trabalho promover a realização do projeto axiológico contido na Constituição brasileira de 1988, interpretando e reinterpretando os dispositivos consolidados à luz do texto constitucional e dos tratados internacionais de direitos humanos. (BARROS, 2016).

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II - O “JUS POSTULANDI” NA JUSTICA DO TRABALHO

2.1 Natureza jurídica e distinção do instituto do jus postulandi

O Jus Postulandi é uma expressão latina que nos indica, o direito de falar, em nome das partes, no processo.ISCHIAV (2010, p. 13) nos diz que “sob o aspecto processual, o jus

postulandi é a capacidade de postular em juízo conferida à própria parte na Justiça do

Trabalho, nos termos do que dispõe o artigo 791 da CLT”. “Daí, denomina-se também de capacidade postulatória, que é a capacidade reconhecida pelo ordenamento jurídico para a pessoa praticar pessoalmente, diretamente, atos processuais” (LEITE, p. 401)

O artigo 791 da CLT nos traz que:

Art. 791 - Os empregados e os empregadores poderão reclamar pessoalmente

perante a Justiça do Trabalho e acompanhar as suas reclamações até o final.

§ 1º - Nos dissídios individuais os empregados e empregadores poderão fazer-se

representar por intermédio do sindicato, advogado, solicitador, ou provisionado, inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil.

§ 2º - Nos dissídios coletivos é facultada aos interessados a assistência por

advogado.

§ 3o A constituição de procurador com poderes para o foro em geral poderá ser

efetivada, mediante simples registro em ata de audiência, a requerimento verbal do advogado interessado, com anuência da parte representada. (Incluído pela Lei nº 12.437, de 2011)

Art. 791-A. Ao advogado, ainda que atue em causa própria, serão devidos

honorários de sucumbência, fixados entre o mínimo de 5% (cinco por cento) e o máximo de 15% (quinze por cento) sobre o valor que resultar da liquidação da sentença, do proveito econômico obtido ou, não sendo possível mensurá-lo, sobre o valor atualizado da causa. (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017)

§ 1o Os honorários são devidos também nas ações contra a Fazenda Pública e nas

ações em que a parte estiver assistida ou substituída pelo sindicato de sua categoria. (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017)

§ 2o Ao fixar os honorários, o juízo observará: (Incluído pela Lei nº 13.467, de

2017)

I - o grau de zelo do profissional; (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) II - o lugar de prestação do serviço; (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) III - a natureza e a importância da causa; (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) IV - o trabalho realizado pelo advogado e o tempo exigido para o seu serviço.

(Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017)

§ 3o Na hipótese de procedência parcial, o juízo arbitrará honorários de

sucumbência recíproca, vedada a compensação entre os honorários. (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017)

§ 4o Vencido o beneficiário da justiça gratuita, desde que não tenha obtido em juízo,

ainda que em outro processo, créditos capazes de suportar a despesa, as obrigações decorrentes de sua sucumbência ficarão sob condição suspensiva de exigibilidade e somente poderão ser executadas se, nos dois anos subseqüentes ao trânsito em julgado da decisão que as certificou, o credor demonstrar que deixou de existir a situação de insuficiência de recursos que justificou a concessão de gratuidade,

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extinguindo-se, passado esse prazo, tais obrigações do beneficiário. (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017)

§ 5o São devidos honorários de sucumbência na reconvenção. (Incluído pela Lei nº

13.467, de 2017)

Como observamos no artigo acima citado, “os empregados e empregadores poderão reclamar pessoalmente perante a Justiça do Trabalho e acompanhar as suas reclamações até o final”.

Para Leone Pereira (2014, p.65):

O jus postulandi é uma das principais características do Processo do Trabalho, uma vez que traduz a possibilidade de as partes (empregado e empregador) postularem pessoalmente na Justiça do Trabalho e acompanharem suas reclamações até o final, sem necessidade do advogado (art. 791 da CLT).

Carlos Henrique Bezerra Leite (2018) diz sobre o instituto que:

O jus postulandi, no processo do trabalho, é a capacidade conferida por lei às partes, como sujeitos da relação de emprego, oara postular diretamente em juízo, sem necessidade de serem representadas por advogado (p. 402)

Encontramos o instituto no art. 839 da Consolidação das Leis do Trabalho senão vejamos:

Art. 839 – A reclamação poderá der apresentada:

A) Pelos empregados e empregadores, pessoalmente, ou por seus representantes, e pelos sindicatos de classe;

B) Por intermédio das Procuradorias Regionais da Justiça do Trabalho.

Ao analisarmos o artigo 791 da CLT podemos dizer que o instituto do jus postulandi seria a opção da não utilização do profissional de advocacia para praticar atos processuais tanto os iniciais quanto finais podendo a parte acompanhar cada passo do processo ela mesmo. O jus postulandi é um traço de característica do processo do trabalho sendo esta a capacidade de requerer em juízo.

Cléber Lúcio de Almeida (2008, p. 265) segue esse mesmo pensamento e nos traz que: Da capacidade postulatória (poder de postular pessoalmente em juízo) trata o art. 791 da CLT, estabelecendo que os empregados e os empregadores possam reclamar pessoalmente perante a Justiça do Trabalho e acompanhar o processo até o final. Empregados e empregadores têm, no processo do trabalho, capacidade postulatória ou jus postulandi

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O art. 791da Consolidação das Leis Trabalhistas restringe a utilização do instituto do

jus postulandi para as partes, sendo assim os estagiários podem praticar atos processuais na

justiça do Trabalho mas alguns desses atos são privativos de advogados regularmente escrito na OAB.

De acordo com a obra de Leone Pereira “O estagiário somente pode praticar os atos que não sejam privativos do advogado que são fazer assinar petição, comparecer nas audiências trabalhistas, interpor recursos e fazer sustentação oral nos tribunais trabalhistas” (2014, p. 188).

Embora existam exceções, o empreiteiro, mesmo com poucas possibilidades também pode usufruir da Justiça do Trabalho sendo incluso pelo jus postulandi. Para a utilização do instituto o contrato não pode ser qualquer um, sendo aceito somente o de pequena empreitada, independentemente se o utilizador é um operário geral ou um operário especializado em determinado ramo

A postulação pelo trabalhador não deve estar requerendo direitos trabalhistas, pois só pode-se exigir o que foi pactuado no contrato de pequena empreitada.

O jus postulandi sempre foi uma matéria problemática na Justiça do Trabalho, pois a posicionamentos a favor e contra o instituto. Os que são favoráveis ao instituto alegam que é uma forma de viabilizar o acesso do trabalhador à Justiça do Trabalho, principalmente aqueles que não tem condições de contratar um advogado. Os contrários ao instituto defendem sua eliminação, trazendo a baila a complexibilidade do Direito Material do Trabalho e do Processo do Trabalho.

Uma quantidade significativa de doutrinadores defende a continuidade do jus

postulandi da parte, na Justiça do Trabalho para que ocorra uma maior facilidade do acesso

para o trabalhador.

Na obra de José Roberto Freire Pimenta ele cita uma importante observação realizada por Shiavi, no qual segue:

É preciso observar, no entanto que a possibilidade de atuar em Juízo pessoalmente tem sido tradicionalmente considerada como uma das mais importantes medidas de ampliação do acesso à justiça para os jurisdicionados em geral e uma das notas características positivas da própria Justiça Laboral, sendo no mínimo paradoxal que as pequenas causas de valor até 20 (vinte) salários mínimos, que no Juizados Especiais Cíveis também não contam com o patrocínio obrigatórios de advogados (art. 9º da Lei nº 9.099/95), passem a exigi-lo apenas porque passaram para a competência material da Justiça do Trabalho. Ademais, não se pode ignorar que ate antes da promulgação da Ementa Constitucional n. 45/2004, em todas as causas não decorrentes da relação de emprego que já tramitavam na Justiça do Trabalho por força de norma legal expressa, sempre foram pacificamente tidos por aplicáveis

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tanto o dispositivo no caput do art. 791 quanto o referido entendimento jurisprudencial sobre os honorários advocatícios, sendo de se questionar se haveria motivos suficientes para tão significativa alteração(PIMENTA apud SCHIAVI, 2009, p. 256).

Conceitos analisados e realizada a junção de ambos, conseguimos compreender o instituto do jus postulandi, pois é ele que possibilita a postulação na justiça do trabalho pelas partes (empregado e empregador) sem no momento do ajuizamento da demanda a presença de um advogado e mesmo assim conseguir acompanhá-las até o fim. Está é a finalidade do jus

postulandi, capacidade facultativa das partes ne na justiça do trabalho postularem

pessoalmente. (PEREIRA, 2014)

Como já analisamos no art. 791 da CLT os empregados e empregadores poderão reclamar pessoalmente perante a Justiça do Trabalho e acompanhar suas reclamações até o fim. Mas Pereira no lembra que “ o significado da expressão „até o final‟, contida no referido artigo é motivo de controvérsia na doutrina e na jurisprudência”.

Desta forma Leone Pereira (2014, p. 125)nos traz que:

Entretanto, ganhou força no TST e na doutrina o entendimento de que o jus postulandisomente pode ser exercitado no primeiro grau de jurisdição e em sede de recurso extraordinário ou agravo de petição, não sendo possível nos recursos de natureza extraordinária, como é o caso do recurso de revista e dos embargos de divergência e infringentes, em que não se admite o reexame de fatos e provas.

Isso porque a súmula 425 do TST descreve que:

O jus postulandi das partes, estabelecido no art. 791 da CLT, limita-se às Varas do Trabalho e aos Tribunais Regionais do Trabalho, não alcançando a ação rescisória, a ação cautelar, o mandado de segurança e os recursos de competência do Tribunal Superior do Trabalho.

Nesse sentido, essa súmula, proporcionou um referencial teórico sobre o regulamento jus trabalhista, já que destaca o papel do advogado adquirindo mais rigor e dando maior valoração ao profissional.

O jus postulandi tem algumas restrições sendo indispensável o profissional técnico nesse caso o advogado, para vários tipos de ações tais como recursos de competência do TST, ações rescisórias, ações cautelares e mandado de segurança.

INAPLICABILIDADE DO JUS POSTULANDI. SÚMULA 425/TST. Hipótese em que se constata a irregularidade de representação processual no recurso de revista e no agravo de instrumento, uma vez que subscritos pelo próprio Reclamante, que não

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possui a necessária habilitação legal, o que não se admite nessa instância recursal. Cumpre destacar que, nos termos da Súmula 425/TST , o jus postulandi não alcança os recursos de competência do Tribunal Superior do Trabalho. Agravo de instrumento não conhecido .TST - AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA AIRR 2798220145150056 (TST)

5ª Turma DEJT 06/10/2017 - 6/10/2017 AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA AIRR 2798220145150056 (TST) Douglas Alencar Rodrigues

Temos uma Orientação Jurisprudencial que nos demonstra claramente as conseqüências do não seguimento do requisitos postulatórios:

OJ 110. REPRESENTAÇÃO IRREGULAR. PROCURAÇÃO APENAS NOS AUTOS DE AGRAVO DE INSTRUMENTO. A existência de instrumento de mandato apenas nos autos de agravo de instrumento, ainda que em apenso, não legitima a atuação de advogado nos processos de que se originou o agravo. No que respeita à representação irregular, o TST editou a OJ 151 da SDI-II do TST: AÇÃO RESCISÓRIA E MANDADO DE SEGURANÇA. PROCURAÇÃO. PODERES ESPECÍFICOS PARA AJUIZAMENTO DE RECLAMAÇÃO TRABALHISTA. IRREGULARIDADE DE REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. FASE RECURSAL. VÍCIO PROCESSUAL SANÁVEL. (nova redação em decorrência do CPC de 2015) – Res. 211/2016, DEJT divulgado em 24, 25 e 26.08.2016 A procuração outorgada com poderes específicos para ajuizamento de reclamação trabalhista não autoriza a propositura de ação rescisória e mandado de segurança. Constatado, todavia, o defeito de representação processual na fase recursal, cumpre ao relator ou ao tribunal conceder prazo de 5 (cinco) dias para a regularização, nos termos da Súmula nº 383, item II, do TST. A não obediência aos ditames da retromencionada Orientação Jurisprudencial (OJ 151) provocou inúmeras extinções, sem julgamento do mérito, em sede de mandados de segurança, pois, invariavelmente, o patrono se utiliza da mesma procuração ad judicia que utilizou para judicializar o processo trabalhista originário.

2.2 Finalidade do jus postulandi na visão do legislador

O instituto sempre teve a intenção de possibilitar o acesso a justiça do trabalho de modo mais fácil para o empregado, gerando assim uma economia financeira pela não contratação de advogado, sendo assim, ocorre o acesso à justiça sem a figura do advogado. Mas com a intenção de facilitar a vida do trabalhador pois este é o mais vulnerável, foi esquecido pelo legislador a necessidade da técnica profissional presente na figura do advogado, deixando o profissionalismo pra depois e garantindo o acesso a justiça.

Almeida (2003, p. 378) nos diz que:

Embora o propósito do legislador tenha sido o de facilitar ao acesso do trabalhador, economicamente sempre mais fraco que o empregador, ao juízo, o jus postulandi estende-se também a este último, que pode responder às ações que contra si sejam movidas ou propor as que lhe sejam próprias sem a necessidade da outorga de mandado a advogado.

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A acessibilidade à justiça observada pelo instituto do jus postulandi nos leva ao cumprimento do principio da dignidade da pessoa humana, sendo esse direito mais simples que os demais, garantindo aos litigantes o respeito ao seu direito e não somente destacar sem força para executar as leis.

Ademais, não é vantajoso na pratica do rumo trabalhista em maioria das vezes essa situação pois os contratos advocatícios são “ad exitum”, isto é, somente quando auferido o importe vencido na ação isso na finalização da causa somente habitualmente é cobrado 30% do valor da causa. Valor este que serve para pagar os serviços efetuados pelo advogado.

Ao se observar por esse ângulo é uma justa remuneração para tutelar direitos das partes em uma litigância na justiça do trabalho e não uma exploração ao profissional efetuado pelas partes (empregados e empregadores).

“Não tem acesso à justiça aquele que se quer consegue fazer-se ouvir em juízo, como também todos os que, pelas mazelas do processo, recebem uma justiça tardia ou alguma injustiça de qualquer ordem” essa é a descrição de Cândido Rangel Dinamarco (1995, p.48)

Magnificas as palavras do autor, pois com elas conseguimos refletir de forma justa e real sobre o instituto jus postulandi, indubitavelmente, o referido instituto não cumpre com extrema destreza seu fim. Sendo que este direito ao litigante é de uma acesso à justiça e em várias ocasiões os resultados produzidos individualmente ou coletivamente são despóticos, já que o litigante que utiliza o instituto na sua maioria carece de técnicas processuais para pleitear em juízo.

Nessa visão os Doutores Mauro Cappelletti e Braynt Garth se pronunciam da seguinte maneira:

Embora o acesso efetivo à justiça venha sendo crescentemente aceito como direito social básico nas modernas sociedades, o conceito de “efetividade” é, por si só, algo vago. A efetividade perfeita, no contexto de um dado direito substantivo, poderia ser expressa como a completa “igualdades de armas” - a garantia de que a conclusão final depende apenas dos méritos jurídicos relativos das partes antagônicas, sem relação com diferenças que sejam estranhas ao Direito e que, no entanto, afetam a afirmação e reivindicação dos direitos. Essa perfeita igualdade, naturalmente, é utópica. As diferenças entre as partes não podem jamais ser completamente erradicadas (CAPPELLETTI; GARTH, 1998, p. 15)

Podemos ressaltar por fim que o litigante mais prejudicado é o com piores ou menores condições econômicas, pois não basta somente contribuir para alcançar o direito ao acesso à justiça, devemos garantir à paridade de armas as partes, devemos garantir o alcance a justiça.

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2.3 O conflito entre a legislação em vigor e o jus postulandi

Ao entrar nessa esfera não podemos deixar de observar o posicionamento do Superior Tribunal Federal que nos confirma a constitucionalidade do instituto conforme abaixo:

Vale o registro de que o E. Supremo Tribunal Federal manifestou-se pela constitucionalidade do jus postulandi, conforme se pode verificar por meio das ADIs 1.127/94 e 1.539/03, pelo que se compreende que a Corte Maior relativizou a exigência de advogado para toda e qualquer ação, motivo este que enseja a conclusão de que o disposto no art. 133 da CF/88, não pode ser interpretado de forma absoluta, como pretende fazer crer o reclamante em suas razões recursais, não havendo o que se cogitar acerca a inconstitucionalidade do instituto. Página 698 da Judiciário do TRT-8 (TRT-8) de 24 de Agosto de 2017

Mesmo com a constitucionalidade do instituto do jus postulandi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal nas ADIs 1.127/94 e 1.539/03 é necessário destacar que em pleno do TST no dia treze de outubro de dois mil e nove, o instituto do jus postulando teve sua restrição de atuação demarcada, não sendo mais admitido no âmbito do TST, necessitando assim as partes da presença de advogando para demandar não possibilitando as partes de acompanhar seus processos até o final (PEREIRA, 2014 p.65)

Esse posicionamento é explicado pelos recursos trabalhistas extraordinários (embargos no TST e recurso de revista) exigindo assim reconhecimento técnico-juridico de um advogado já que não possibilitam a rediscussão de fatos e provas como explicito abaixo na súmula 126 do TST.

RECURSO. CABIMENTO (mantida) - Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003 Incabível o recurso de revista ou de embargos (arts. 896 e 894, "b", da CLT) para reexame de fatos e provas.

Neste mesmo caminho de raciocínio sobre o jus postulandi do artigo 791 da CLT, teve a limitação do deu exercício pelo TST às Varas do Trabalho e aos Tribunais Regionais do Trabalho. Essa limitação impossibilita a atuação em ações cautelares, ações rescisórias,mandado de segurança e os recursos de competência do TST (FILHO, 2015 p. 331).

Com esse posicionamento Pereira no traz:

Com efeito, à luz da súmula 425 do Tribunal Superior do Trabalho, o jus postulandi das partes, estabelecido no artigo 791 da CLT, limita- se ás Varas do Trabalho e aos Tribunais Regionais do Trabalho, não alcançando a ação rescisória, a ação cautelar, o mandado de segurança e os recursos de competência do Tribunal Superior do Trabalho (2014, p.65).

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A figura do advogado se torna indispensável na esfera trabalhista para a interposição de recursos extraordinário ao TST já que os apelos feitos são de caráter técnico. O mesmo ocorre para interposições de recursos ao STJ quando se discute conflito de competência (MARTINS, 2010, p. 185).

Traz oartigo 791 da CLT:

“Art. 791 – Os empregados e empregadores poderão reclamar pessoalmente perante a justiça do trabalho e acompanhar as suas reclamações até o final.”. Tal garantia foi questionada com o surgimento da Constituição Federal de 1988 em seu artigo 133, que diz:

“Art.133 – O advogado é indispensável à administração da Justiça, sendo inviolável por seus atos e manifestações no exercício da profissão, nos limites da lei”.

Aplica-se o artigo 2º § 2 da Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro (LIND)

de 04 de setembro de 1942, para a resolução da problemática que explicita:

“A lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior”.

E o posicionamento da doutrina nos amadurece a ideia ainda mais dizendo que:

A Constituição Federal de 1988, em seu artigo 133, diz que: “O advogado é indispensável à administração da justiça, sendo inviolável por seus atos e manifestações no exercício da profissão, nos limites da lei”. Porém tal lei Constitucional não revogou o artigo 791 da CLT, pois o dispositivo Constitucional é genérico, desse modo não revoga a CLT que é específico, como está previsto na (LIND), artigo 2º,§ 2º; Ademais, pode-se interpretar a restrição final do dispositivo constitucional (“nos limites da lei”) como admitindo a dispensabilidade do advogado no processo trabalhista (FILHO, 2015, p. 330, 331).

Com isso chegamos a conclusão de que não há o que se questionar sobre o artigo 791 da CLT e o artigo 133 da constituição federal, já que esse ultimo apenas traz a tona a função de direito publico do advogado, não questionando qualquer incompatibilidade da possibilidade das partes de ajuizarem pessoalmente suas reclamações trabalhistas (MARTINS, 2010, p.185).

O atual entendimento sobre o jus postulandi no Poder Judiciário é o seguinte, conforme decisão Tribunal Regional do Trabalho da 14º Região:

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AUDIÊNCIA TRABALHISTA. PRESENÇA DA PARTE. ADVOGADO. ESPECIFICIDADE DA LEGILAÇAO LABORAL. JUS POSTULANDI . No processo do trabalho vigora o jus postulandi . Assim, não é obrigatório que a parte se faça acompanhar por procurador, concretizando-se em mera faculdade, sendo que a necessidade de comparecimento, em audiência, é exclusiva dos demandantes. É o que se infere do art. 843 da CLT. Como pode ser percebido nessa decisão da primeira Turma do TRT14, confirmou-se o jus postulandi , definindo pela não necessidade da parte fazer comparecer por procurador, portanto concretizando em mera faculdade, ratificando o comparecimento das partes demandantes. (TRT-14. RO 48420080911400. Primeira Turma. Data de Julgamento: 04 set 2009).

O Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região também já se pronunciou sobre o assunto:

AGRAVO DE PETIÇAO. JUS POSTULANDI . Na Justiça do Trabalho vigora a disposição que permite o jus postulandie suas consequências e a contratação de advogado particular é opção da parte. Assim, considerando o informalismo que rege o processo do trabalho, que admite o jus postulandi , não há que se falar em nulidade da defesa apresentada a fls.22/23. A 12ª Turma do TRT-2 que apreciou o „Agravo de Petição‟ j uspostulandi decidiu favoravelmente ao instituto e às suas consequências; a contratação de advogado particular é opção da parte, pelo informalismo que norteia o processo do trabalho, não há que se falar em nulidade de defesa às fls. 22/23. TRT-2 – Agravo de Petição em Embargos de Terceiro nº.: 2443200801502009 SP 02443-2008-015-02-00-9. Relator: Marcelo Freire Gonçalves. Data do Julgamento: 02 jul 2009. Órgão Julgador: 12ª Turma).

Para finalizar, o Tribunal Regional do Trabalho da 7ª Região:

JUS POSTULANDI - FACULDADE E NÃO OBRIGAÇÃO LEGAL DE POSTULAR EM JUÍZO SEM A ASSISTÊNCIA DE ADVOGADO. O direito de acesso à justiça, enquanto princípio fundamental inserto na CF/88, é extensivo a todos e, portanto, não pode ser tolhido pelo Poder Judiciário sob o manto da existência do jus postulandi , que é faculdade atribuída ao jurisdicionado e não obrigação de postular em juízo sem a assistência de advogado. (TRT-7. Recurso Ordinário nº. 1707001820085070031 CE 0170700- 182008507003. Relatora: Maria José Girão. Data de Julgamento: 26 jul. 2010. Órgão Julgador: 1ª Turma).

Em que pese tal garantia do jus postulandi, é necessário dizer que a Justiça do Trabalho tende a afirmar que tal princípio é uma faculdade ao jurisdicionado e não uma obrigação, sendo certo que à defesa técnica e completa é aquela exercida pelo advogado, respeitando o instituto que é o jus postulandi. Ademais, este está protegido por legislação especifica, e como foi explicitado acima, o instituto é constitucional.

(32)

III – A APLICABILIDADE DO JUS POSTULANDI NO PROCESSO

TRABALHISTA

3.1 A necessidade da presença do advogado no processo trabalhista

Para um exato entendimento do tema e base de inicio devemos explicar a natureza jurídica da palavra advogado fixando melhor o assunto.

Silva (2007, p.70) traz:

Em sentido amplo, advogado é toda pessoa que, patrocinando os interesses de outrem, aconselha, responde de direito, e lhe defende os mesmos interesses, quando discutidos, judicial ou extrajudicialmente.

O mesmo autor continua:

Num sentido mais restrito, advogado é toda pessoa legalmente habilitada e autorizada a exercer a advocacia ou procuradoria judicial, para o que, precipuamente, deve achar-se devidamente inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil

Lecionam Cintra, Grinover e Dinamarco, (2005, p. 220):

O advogado aparece como integrante da categoria dos juristas, tendo perante a sociedade a sua função especifica e participando, ao lado dos demais, do trabalho de promover a observância da ordem jurídica e o acesso dos seus clientes à ordem jurídica e o acesso dos seus clientes à ordem jurídica.

Deste modo chegamos à conclusão de que o advogado é o que preenche os requisitos para postulação, muitas vezes denominado patrono da causa litigada em juízo, representa os litigantes na busca pela proteção de direitos e garantias confiados a ele por direito e é este primordial para o deslocamento do judiciário, primordial e insubstituível para população que tem lides na justiça mas sempre com a vontade de resolver conflitos do melhor modo existente na defesa de seu cliente.

Ao passar dos anos, o processo vem se tornando mais técnico a casa passo, sendo assim mais exigente gerando consequências que o deixam mais difícil necessitando assim da figura do advogado pois nele conseguimos encontrar a experiência e qualificação que falta aos litigantes, facilitando assim a comunicação entre cliente e juiz que gera um vinculo nas

Referências

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