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ORIGINAL ARTICLE DESCRIPTIVE APPROACH TO THE FINAL DESTINATION OF THE COLLECTION OF WASTE FROM MUNICIPAL HEALTH SERVICES

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DESCRIPTIVE APPROACH TO THE FINAL DESTINATION OF THE COLLECTION

OF WASTE FROM MUNICIPAL HEALTH SERVICES

ABORDAGEM DESCRITIVA DA COLETA AO DESTINO FINAL DOS RESÍDUOS DOS SERVIÇOS

MUNICIPAIS DE SAÚDE

EL ENFOQUE DESCRIPTIVO PARA EL DESTINO FINAL DE LA RECOGIDA DE LOS RESIDUOS DE LOS SERVICIOS DE SALUD MUNICIPALES

Dilára Maria Pereira de Vasconcelos1, Rogério Murilo Baptista de Moraes2, Rosilâine Keffer Delfino3, Wilma

Suely Batista Pereira4

ABSTRACT

Objective: to describe the process of external collection to final disposal of waste generated by health services in the municipal city of Porto Velho, Rondônia. Method: this is a field study with an exploratory approach, with data collected through semi-structured on the advice of the ethics committee and research and FR 245181 were analyzed using descriptive analysis technique-explanatory. Results: the city has not studied law or regulation on the management of these wastes, no health facility adopts any process of minimization and waste treatment, 20% of units surveyed use ordinary plastic bags, while 80% employ white plastic bags and/or orange, the symbol of infectious waste, was detected even though these residues do not possess adequate shelter outside. Conclusion: There is contradiction within the official practice on the care of the waste and the municipality of Porto Velho need to develop specific legislation for the waste of health services, where proposals that prioritize the quality of life and environmental considerations should be elucidated. Descriptors: solid waste; health services; environmental; management.

RESUMO

Objetivo: descrever o processo de coleta externa até a disposição final dos resíduos produzidos pelos serviços de saúde da rede municipal na cidade de Porto Velho, Rondônia. Método: trata-se de estudo de campo, de caráter exploratório-descritivo-explicativo cujos dados foram coletados por meio de roteiro semi-estruturado após parecer do Comitê de Ética e Pesquisa FR 245181 e analisados pela técnica de análise descritiva-explicativa. Resultados: a cidade investigada não tem lei ou norma relativa ao gerenciamento destes resíduos, nenhuma das unidades de saúde adota qualquer processo de minimização e tratamento dos resíduos; 20% das unidades pesquisadas utilizam sacos plásticos comuns, enquanto 80% empregam sacos plásticos brancos e/ou alaranjados, com o símbolo de lixo infectante; detectou-se ainda que esses resíduos não possuam abrigo externo adequado. Conclusão: há contradição no interior da prática oficial acerca do cuidado com os resíduos e que o município de Porto Velho necessita elaborar legislação específica para os resíduos dos serviços de saúde, onde propostas que priorizem a qualidade de vida e ambiental devem ser elucidadas. Descritores: resíduos sólidos; serviços de saúde; meio ambiente; gerenciamento.

RESUMEN

Objetivo: describir el proceso de recolección externa de disposición final de residuos generados por los servicios de salud municipales en la ciudad de Porto Velho, Rondonia. Método: se trata de un estudio de campo con un enfoque exploratorio, con datos recogidos a través de semi-estructuradas con el asesoramiento del comité de ética e investigación y FR 245181 fueron analizados utilizando el análisis de la técnica descriptiva-explicativa. Resultados: la ciudad no ha estudiado la ley o el reglamento sobre la gestión de estos residuos, no hay centro de salud adopta cualquier proceso de tratamiento de residuos y la reducción al mínimo, el 20% de las unidades encuestadas utilizan bolsas comunes de plástico, mientras que el 80% emplean bolsas de plástico blanco y/o naranja, el símbolo de residuos infecciosos, se detectó a pesar de que estos residuos no poseen una vivienda adecuada exterior. Conclusión: no hay contradicción en la práctica oficial en el cuidado de los residuos y el municipio de Porto Velho necesidad de desarrollar una legislación específica para los residuos de los servicios de salud, cuando las propuestas que dan prioridad a la calidad de vida y las consideraciones medioambientales deben ser aclaradas. Descriptores: residuos sólidos; servicios de salud; la gestión ambiental.

1Enfermeira formada pela Universidade Federal de Rondônia- UNIR. Porto Velho (RO), Brasil E-mail: [email protected]; 2Enfermeiro formado pela Universidade Federal de Rondônia – UNIR. Porto Velho (RO), Brasil. E-mail: [email protected];3 Enfermeira formada pela Universidade Federal de Rondônia- UNIR, Auxiliar de Pesquisa do Observatório de Violência-Obsvi/ UNIR. Porto Velho (RO), Brasil. E-mail:

[email protected]; 4Doutora e Professora do Departamento de Enfermagem da Universidade Federal de Rondônia – UNIR. Porto Velho

(RO), Brasil. E-mail: [email protected]

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A problemática dos resíduos sólidos está associada à evolução do homem e ao seu processo de desenvolvimento. Embora a geração de resíduos oriundos das atividades humanas faça parte da própria história do homem, é a partir da segunda metade do século XX, com os novos padrões de consumo da sociedade industrial, que isso vem crescendo, em ritmo acelerado. Aliado ao avanço tecnológico das últimas décadas, se

por um lado possibilitou conquistas

surpreendentes no campo das ciências, por outro contribuiu para o aumento da diversidade de produtos com componentes e materiais de difícil degradação e maior toxicidade. Também fez com que se buscassem cada vez mais alternativas para solucionar o problema relativo à produção de lixo nos centros urbanos, principalmente sobre

o acúmulo de resíduos nos lixões.1

O descarte dos resíduos dos serviços de saúde (RSS) tem representado um grande problema de saúde pública nos últimos anos o qual veio a ser exposto quando estes começaram a aparecer entre os anos de 1987 e 1988 nas praias dos Estados costeiros nos Estados Unidos da América (EUA), daí se percebeu que estes poderiam ser fonte de transmissão de inúmeras doenças entre as quais o Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV).²

Os RSS no Brasil mesmo representando pequena parte (cerca de 2% do total), possuem relevância devido ao impacto causado tanto na saúde pública quanto ao meio ambiente, por serem uma fonte

potencial de organismos patogênicos,

produtos tóxicos, inflamáveis,

perfurocortantes e radioativos.³

Há de se ressaltar ainda que até há pouco tempo na grande maioria dos municípios brasileiros, a gestão dos RSS era realizada com os resíduos sólidos urbanos. Não havia diferenciação no manejo destes resíduos, sendo os mesmos coletados, transportados, tratados e dispostos juntamente com os resíduos domiciliares e públicos

constituindo-se como um problema sanitário.4

A conscientização da população e das autoridades sobre os problemas ocasionados pela gestão incorreta dos resíduos foi determinante para que estes passassem a

receber tratamento diferenciado. A

municipalização dos serviços de saúde, a partir da implantação do Sistema Único de Saúde (SUS), também propiciou um ambiente favorável à integração entre os setores envolvidos com a problemática dos RSS. Em

tese, essa integração, proporcionou o diálogo entre os setores da saúde, do meio ambiente e da limpeza pública.

Percebeu-se também que há necessidade de plano de gerenciamento de tais resíduos, pois mesmo quando gerados em pequena proporção, em contato com os demais resíduos, podem levar à contaminação de todo contingente disposto na mesma área. Tais desafios têm gerado políticas públicas e legislações tendo como eixo de orientação a sustentabilidade do meio ambiente e a

preservação da saúde.5-7

No que concerne às legislações, após intensos debates ocorridos nos últimos anos às resoluções relativas ao tema foram revisadas, unificando a classificação de riscos e

aprovando novas resoluções com a

normatização harmonizada. A Agência

Nacional de Vigilância Sanitária8 (ANVISA)

aprovou a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 306/2004 e o Conselho Nacional do

Meio Ambiente9 (CONAMA) a Resolução nº

358/2005 que dispõem sobre o regulamento técnico para o gerenciamento de RSS e tornam obrigatória a qualificação dos profissionais que atuam com tais resíduos.

Diante destas exigências percebe-se que a problemática dos RSS tem gerado muitas discussões nas mais diversas experiências de gestão. O que se vê, de uma maneira geral, é que ainda não se conseguiu uma articulação técnica e política que produza os instrumentos necessários às ações efetivas que tragam resultados.10

Assim, este estudo é estruturado a partir do reconhecimento da importância do gerenciamento adequado desses resíduos para a proteção da saúde pública e ambiental, pois mudanças e impactos no meio ambiente estão sendo provocados pela construção das usinas hidrelétricas (UHE) de Santo Antônio e Jirau, localizadas no Rio Madeira, nas proximidades

de Porto Velho.11

Sabe-se ainda que a construção das UHE de Santo Antônio e Jirau trazem novas oportunidades de desenvolvimento e progresso para Porto Velho e região. Contudo, traz também todos os problemas que já haviam sido detectados antes, como o aumento do desmatamento, da grilagem, perda de biodiversidade, explosão demográfica e favelização, aumento da malária e outras doenças. Falando especificamente da saúde é

necessário empregar esforços para

investimentos ao plano diretor do município especialmente no setor saúde que necessita

de uma atenção especial.11

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Esse crescimento populacional tem reflexo em todas as esferas, incluindo os serviços de saúde que sofre ampliação na sua demanda. Com maior atendimento nestas unidades cresce também a geração de resíduos e o problema com relação à coleta, tratamento, transporte e destino final se mantém inalterados. A mudança provocada pela construção das usinas e suas consequências são alguns dos condicionantes que possibilitam a reflexão sobre os RSS. Assim esse estudo tem por objetivo descrever o processo da coleta externa e disposição final dos resíduos produzidos pelos serviços de saúde da rede municipal na cidade de Porto Velho, Rondônia.

Considera-se relevante investigar o

gerenciamento dos resíduos produzidos pelos serviços de saúde, uma vez que mesmo oferecendo riscos à saúde, são tratados da mesma forma que os demais detritos de outros setores da comunidade, fazendo persistir um grande problema: a maneira como são processados e consequentemente dispostos em seu destino final o que tem significativos impactos na saúde pública e no meio

ambiente, especialmente para as

comunidades do entorno.

O método proposto neste trabalho foi um estudo de campo, de caráter exploratório-descritivo-explicativo desenvolvido em quatro etapas, a saber: seleção das fontes de informação, pesquisa bibliográfica, elaboração e aplicação dos roteiros de observações,

tratamento e análise dos dados obtidos.12

Na primeira etapa da pesquisa foi realizada seleção das fontes de informações sobre o objeto, através de uma revisão de literatura a partir de buscas nas bases de dados da Literatura Latino Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Scientific Eletronic Library Online (SCIELO), por meio do sistema Google Acadêmico e na biblioteca da Universidade Federal de Rondônia (UNIR).

Em um segundo momento foi construído a revisão de literatura, que foi modificada e completada passo a passo através das bibliografias pertinentes e posteriormente através do diário de campo que auxiliou na discussão, assim como no esclarecimento de dúvidas e na diferenciação de outros aspectos. Foram realizadas visitas na Secretaria Municipal de Serviços Básicos (SEMUSB) e a empresa terceirizada responsável pela coleta, transporte e destino final dos RSS da cidade investigada. Durante as visitas buscou-se

conhecer as respectivas competências,

funções e normas utilizadas para o

ordenamento do processo de coleta,

transporte e destino final dos RSS.

A técnica de coleta de dados utilizada foi à observação não participante com o diário de campo e dois roteiros observacionais um para observação do trajeto do veículo de coleta e um roteiro direcionado as atividades do profissional coletor. A leitura das informações contidas em ambos os roteiros e no diário de campo possibilitou descrever o processo de trabalho do funcionário responsável pela coleta, transporte e disposição final dos RSS.

Após as etapas anteriormente citadas, passou-se ao trabalho de campo, durante o qual se fez observações não participantes, acompanhando o responsável pela coleta, transporte e disposição final dos resíduos,

identificando os sistemas de coletas

empregados, número de coletas semanais e tempo gasto para o desenvolvimento das atividades, os sacos utilizados para o acondicionamento dos resíduos, os materiais e equipamentos utilizados pelo funcionário, as atividades do coletor, o veiculo utilizado na coleta, à forma de limpeza do carro e dos equipamentos de proteção individual.

Foi realizado ainda um sorteio aleatório simples dos dias da semana que ocorre a coleta nas unidades de saúde municipais. Sorteou-se três dias da semana para serem feitos o acompanhamento das atividades do coletor, desde sua saída da empresa terceirizada que desenvolve diversos serviços dentro do segmento de limpeza urbana, especificamente a coleta dos resíduos dos serviços de saúde. Após este sorteio os dias contemplados para realização desta atividade foram segunda feira, terça feira e quinta feira. Num período de dois meses (junho a julho de 2009) foram realizados diversos acompanhamentos do trajeto do veículo com a finalidade de identificar e também, reconhecer características fundamentais que envolvem as etapas do gerenciamento.

Sobre a escolha do método de análise, os dados foram tratados de forma descritiva-explicativa. Os dados provenientes dos roteiros e do diário de campo foram utilizados durante toda observação, lidos e classificados conforme as etapas da coleta, transporte e destino final dos RSS.

O projeto de pesquisa foi submetido ao Comitê de Ética e Pesquisa da Universidade Federal de Rondônia (UNIR), FR - 245181. Contudo, o respectivo trabalho foi dispensado de parecer ético conforme Carta nº

0022/2009/CEP/NUSAU CAAE:

0005.0.047.000.09 por não se tratar de pesquisa envolvendo seres humanos.

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Os resultados estão apresentados a partir da ordem em que os dados do estudo foram coletados. Sendo assim, a primeira questão observada em campo foi à existência de orientações legais relativas ao plano de gerenciamento.

Durante o levantamento dos dados observou-se que o município de Porto Velho não tem uma lei e ou/norma relativa ao gerenciamento dos RSS, e atualmente o município está seguindo as orientações da

Resolução nº 358/2005 do CONAMA.9 Apesar

desta e outras legislações como a ABNT13 e

ANVISA8 traçarem parâmetros exequíveis,

ainda não são conhecidas e efetivadas nos estabelecimentos de serviços de saúde do

município de Porto Velho, o que

possivelmente leva as empresas e instituições responsáveis por este processo a serem negligentes.

Das 22 unidades de saúde municipais analisadas, 100% destas não têm seus resíduos caracterizados e/ou classificados. Nenhuma das unidades pesquisadas adota qualquer processo de minimização dos resíduos. Da mesma forma, nenhuma das unidades analisadas realiza tratamento prévio de seus resíduos infectantes.

Quanto à forma de acondicionamento, 20% das unidades pesquisadas utilizam sacos plásticos comuns. Os outros 80% empregam sacos plásticos brancos e/ou alaranjados, com o símbolo de lixo infectante.

Detectou-se ainda que os RSS não têm abrigo externo adequado, pois os mesmos não

são armazenados em um depósito. Estes são

dispostos em contêineres metálicos

estacionários ou sobre rodas, e em recipientes inadequados como galões de óleo cortados ao meio, localizados externamente ao ambiente do serviço de saúde muitas vezes expostos ao relento.

Com relação aos recipientes de papelão resistente com simbologia adequada para

acondicionamento dos resíduos

perfurocortantes foi observado durante o processo de coleta externa em todas as unidades pesquisadas que estes resíduos sofrem processo de segregação (100%). Porém, o selamento da caixa de papelão é inadequado, pois os mesmos não estavam devidamente lacrados e embalados em sacos plásticos apropriados quando depositados no destino final. Notou-se também que não há um processo de triagem nem um padrão para a segregação dos resíduos infectantes e/ou comuns passiveis de reciclagem.

Outro ponto que chamou a atenção dos pesquisadores foi à presença de conteúdo com resto placentário humano em saco plástico para resíduos infectantes com presença de

secreção sanguinolenta, sem qualquer

tratamento prévio sendo retirado do veículo coletor com pé de cabra que é utilizado como instrumento de trabalho.

Figura 1. Detrito placentário humano sendo retirado do veiculo coletor com pé-de-cabra

Na prática, no que se refere aos aspectos técnicos e operacionais relativo aos RSS no município de Porto Velho, Rondônia está aquém das exigências impostas e idealizadas pela legislação nacional. Em todas as unidades, os resíduos não são classificados ou caracterizados, apesar de serem esses passos

fundamentais para o gerenciamento dos mesmos.

Entre as unidades pesquisadas, observa-se na tabela 1 que dos 22 serviços de saúde municipais 11 (50%) tiveram suas coletas externas realizadas todos os dias úteis da semana, enquanto as outras 11 coletam em

RESULTADOS E DISCUSSÃO

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dias alternados, sendo que 6 estabelecimentos (27,28%) coletam duas vezes por semana, 4 (18,18%) três vezes por semana e 1 (4,54%) coleta apenas uma vez por semana.

Há de salientar que não há coleta nos finais de semana, o que resulta em tempo de

permanência superior a 24 horas propiciando assim a proliferação de inúmeras doenças, já que o armazenamento externo também não atende as especificações mínimas.

Tabela 1. Distribuição do número de coletas externas realizadas semanalmente nos serviços de saúde municipais da cidade de Porto Velho, Rondônia

Unidades de Saúde % Número de coletas de

RSS semanal % 11 50,00 05 100,00 06 27,28 02 40,00 04 18,18 03 60,00 01 4,54 01 20,00 Total: 22 100 11 220

Fonte: Pesquisa primária realizada por Delfino RK, Moraes RSMB & Vasconcelos DMP, 2009.

Em ambos os casos há violação da NBR nº

1280714 que estabelece que a coleta dos RSS

devem ser exclusivas e a intervalos não superiores a vinte e quatro horas, ao mesmo tempo esta atividade pode ser realizada em dias alternados desde que os recipientes contendo resíduos do tipo A e E sejam armazenados a temperatura máxima de 4ºC, o que na prática cotidiana não ocorre, já que nos finais de semana não há coleta em nenhum estabelecimento de saúde e como já

exposto o armazenamento externo é

inapropriado13.

Há de ressaltar ainda que a estrutura física externa das unidades de saúde não são adequadas para a dinâmica de coleta dos resíduos, pois, não possuem entrada e saída

independentes. Assim, quando o

estabelecimento de saúde está com fluxo elevado de usuários e/ou veículos a coleta se torna difícil de ser realizada, fazendo com que o profissional coletor deixe de recolher os

resíduos naquele momento,

consequentemente há falha na otimização do processo de trabalho e um acúmulo de resíduos na respectiva unidade.

Os resultados acerca da rota de transporte externo dos resíduos, considerada inadequada em 100% das unidades, demonstram a falta de preocupação com o gerenciamento de resíduos no planejamento da construção das unidades de saúde pesquisadas.

É importante citar que as unidades de saúde estaduais e privadas não são da

competência do município. Nas unidades estaduais a coleta dos RSS é realizada por outra empresa terceirizada. Contudo, a coleta das unidades particulares é feita pela mesma empresa que coleta os RSS municipais. Sabe-se que esta atividade não está legalmente regulamentada, mas é uma prática realizada pela empresa terceirizada do município dada à falta de outras firmas para efetuarem este trabalho. Porém, esta atividade tem impactos no processo de coleta das unidades municipais já que fica inviável realizar a coleta diariamente devido ao grande número de estabelecimentos privados que totalizam 38

unidades e também na quantidade de lixo

gerado, dificultando assim a mensuração do volume total produzido pelas unidades municipais.

Na tabela 2 apresenta-se a média semanal total dos resíduos produzidos pelas diversas unidades de saúde durante uma semana de pesagem, referente à segunda semana de Julho de 2009. Nos índices abaixo, percebe-se variação entre os valores encontrados, que pode estar associada a procedimentos de segregação no momento e local da geração de resíduos, contribuindo para a maior ou menor quantidade de resíduos gerados.

(6)

Tabela 2. Evolução diária da geração de resíduos produzidos pelos serviços de saúde da cidade de Porto Velho, 2009.

Produção diária dos serviços de saúde públicos e privados da cidade de Porto Velho

Feir a

%

Feira % Feira 4ª % Feira 5ª % Feira 6ª % Total 1320

Kg 33,51 640 Kg 16,24 960 Kg 24,38 460 Kg 11,67 650 Kg 16,50 3938 Kg Produção diária dos serviços de saúde públicos da cidade de Porto Velho

Feir a

%

Feira % Feira 4ª % Feira 5ª % Feira 6ª % Total 484

Kg 32,79 235 Kg 15,92 352 Kg 23,85 167 Kg 11,32 238 Kg 16,12 1476 Kg Produção diária dos serviços de saúde privados da cidade de Porto Velho

Feir a

%

Feira % Feira 4ª % Feira 5ª % Feira 6ª % Total 836

Kg 32,74 405 Kg 15,86 608 Kg 23,80 293 Kg 11,47 412 Kg 16,13 2554 Kg Fonte: Pesquisa primária realizada por Delfino RK, Moraes RSMB & Vasconcelos DMP, 2009.

Paralelamente, a quantidade de resíduos gerados como demonstra a tabela 2, pode estar sujeito a determinado grau de imprecisão e não pode ser aplicada na projeção da produção mensal de RSS municipais uma vez que as instituições particulares também são coletadas. Em termos genéricos das 60 unidades públicas e privadas (100%) 38 destas representam o serviço privado (63,3%) são responsáveis pela geração de (2562 Kg) enquanto as 22 unidades de serviços de saúde municipais (36,67%) são responsáveis pela geração de (1376 Kg).

Quando se compara a produção

diária/semanal entre os serviços públicos e privados percebe-se que a coleta dos serviços privados apesar de não ser competência do município são os responsáveis pela maior produção de RSS.

Outro aspecto importante a ser destacado é que a taxa média de geração resíduo/dia varia de acordo com tipo e tamanho do estabelecimento de saúde, quantidade de usuários atendidos e procedimentos médico-hospitalares adotados pelo estabelecimento de saúde, uma vez que as coletas são realizadas nos respectivos serviços de saúde em dias alternados, assim nos serviços onde há maior produção de RSS a coleta é realizada diariamente, seja este estabelecimento público ou privado. Existe também a influência dos finais da semana, onde não há coleta, desse modo há sobrecarga na coleta realizada na segunda-feira e quarta-feira, que foram os dias que mais representaram geração de resíduos. Essa maior produção nestes dias certamente está relacionada a influência do final de semana.

A revisão da produção científica

juntamente com o acompanhamento do processo da coleta, transporte e destino final dos resíduos demonstrou as diferenças no

trato da questão dos RSS. Os resultados encontrados no estudo apresentaram-se bastante elucidativos e é uma amostra das possibilidades e impasses que o município de Porto Velho apresenta o, que desponta para a importância do diálogo entre os principais atores responsáveis pela regulação da temática no cenário da saúde e meio ambiente.

O presente estudo descreveu o processo da coleta externa até a disposição final dos resíduos produzidos pelos serviços de saúde da rede municipal na cidade de Porto Velho o que permitiu conhecer a falta de orientações legais relativas ao gerenciamento destes, descrever os recipientes utilizados no acondicionamento entre outros aspectos.

Por meio dos resultados entende-se que o município de Porto Velho necessita elaborar uma legislação específica para os RSS, onde propostas que priorizem a qualidade de vida e ambiental devem ser elucidadas. Importante também, é que essas propostas se adaptem à realidade do município e que enfatize práticas como a redução dos resíduos, bem como o destino final adequado.

De modo geral, a mera existência de norma não é suficiente para alcançar gerenciamento adequado dos RSS. Para tanto, o diálogo entre a ciência, os órgãos competentes, os trabalhadores e a população em geral é de fundamental importância na busca de soluções para os desafios que se apresentam frente a um ideal. Enquanto isso não ocorrer, a saúde e a qualidade de vida da população

encontram-se vulneráveis aos riscos

provenientes de gerenciamento dos RSS ineficiente e inadequado.

Trazer para a seara da saúde as questões referentes ao gerenciamento dos resíduos dos

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estabelecimentos se faz necessário para quaisquer intervenções no processo saúde doença da população, uma vez que muitas necessidades do setor são geradas ou agravadas pela relação que as famílias estabelecem com o ambiente que as cercam, incluindo o lixo que produzem. No âmbito das unidades de saúde, cresce a responsabilidade por manter a salubridade de suas instalações, preservando o bem-estar daqueles que delas se utilizam, direta e indiretamente. Dessa forma, cuidar adequadamente dos resíduos lá produzidos, garantindo descarte e destino final dentro de parâmetros seguros sem dúvida é parte importante do processo.

Ao término dessa pesquisa observou-se que há contradição no interior da prática oficial acerca do cuidado com os RSS, pouco conhecimento das normas em vigor, baixa preocupação com plano de gerenciamento, tratamento e destinação final, percebeu-se também que as soluções apontadas para essas dificuldades ficam apenas em nível de encaminhamentos o que desponta para a

necessidade de política institucional

consistente e de processo de capacitação dos

trabalhadores baseado na educação

continuada e permanente, de forma a possibilitar uma mudança de cultura nas práticas adotadas.

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Date of first submission: 2010/10/30 Last received: 2011/06/06

Accepted: 2011/06/08 Publishing: 2011/07/01

Address for correspondence

Wilma Suely Batista Pereira

Universidade Federal de Rondônia (UNIR) Av. Presidente Dutra, 2965  Centro CEP: 76801-974  Porto Velho (RO), Brasil

REFERÊNCIAS

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