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As Disciplinas de Projecto de Final de Curso na ESTSetúbal/IPS

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As Disciplinas de Projecto

de Final de Curso na

ESTSetúbal/IPS

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As Disciplinas de Projecto Final de Curso na ESTSetúbal/IPS

1. Introdução

O presente documento pretende responder com objectividade a um conjunto de questões relacionadas com a organização e funcionamento das disciplinas de projecto dos diferentes cursos da Escola, questões essas já identificadas e debatidas em reunião alargada a órgãos de gestão, professores coordenadores e professores responsáveis das disciplinas de projecto, levada a cabo em Novembro de 2002.

Constatou-se, e foi reconhecida como uma nota positiva, a diversidade que existe entre as disciplinas de projecto, na senda de uma eficaz adequação às especificidades dos cursos mas foi, também, evidente que alguns processos devem ser alterados, por forma a garantir um sentido estratégico comum a estas disciplinas e assegurar-lhes a relevância devida na estrutura curricular dos nossos cursos, especialmente após o fim dos estágios curriculares.

Das questões a seguir abordadas, algumas constituem recomendações para uma futura restruturação dos cursos, pois implicam a criação de novas disciplinas e/ou alterações substanciais no seu funcionamento, enquanto outras podem ter uma aplicação à realidade actual, destinando-se a normalizar processos administrativos.

2. Características do projecto de fim de curso

O Projecto de fim de curso deve, sempre que possível, ser orientado para a resolução de um problema onde seja necessária a aplicação dos conhecimentos técnicos e científicos adquiridos em cada um dos ciclos do curso. Assim, o projecto deve obedecer a determinadas características de entre as quais se destacam:

a) relacionar e integrar teoria e prática, tratar de coisas reais, estar relacionado com as experiências dos docentes e alunos e ser considerado importante e real para cada um dos participantes, de forma a garantir o seu entusiasmo e motivação; b) promover a interdisciplinaridade, promovendo o “aprender fazendo” e ligando a

teoria à prática;

c) ser profissionalmente enriquecedor para todos os participantes (alunos, docentes e participantes das organizações) e permitir aprendizagens novas através da investigação;

d) aprender a resolver problemas, partindo de situações reais e com os recursos existentes.

3. Descrição de competências a adquirir pelos alunos. Os alunos devem ser capazes de:

• conceber, elaborar e acompanhar a implementação de projectos de engenharia nas áreas específicas do curso em que se diplomam;

• planear as diferentes fases do projecto no que concerne a prazos, custos e articulações necessárias;

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• gerir o tempo, organizar o seu trabalho e controlar o processo; • trabalhar em equipa, distribuir tarefas e gerir conflitos;

• tomar decisões adequadas ao regular desenvolvimento do projecto;

• comunicar com os diferentes intervenientes e negociar as diferentes soluções; • consultar documentos técnicos e científicos, escolher os materiais

adequados/compatíveis e avaliar a sua consistência qualitativa e quantitativa (nº, características e dimensões).

• avaliar as consequências económicas, humanas, ambientais e de segurança induzidas pela implementação do projecto;

• avaliar as mudanças induzidas pela implementação do projecto nas entidades destinatárias em termos de novos métodos de organização e de melhorias ao nível da interface entre operadores e equipamentos;

• avaliar as capacidades de adaptação das entidades destinatárias.

Considera-se que as competências a adquirir nas disciplinas de Projecto Final de Bacharelato e de Licenciatura são cumulativas e apenas diferenciáveis quanto ao grau de complexidade técnica dos projectos a executar e das capacidades a adquirir.

Nesta perspectiva, enquanto na formação do aluno de bacharelato deverá privilegiar-se a aquisição de boas bases propedêuticas, cultura técnica do "estado da arte", capacidade de actualização tecnológica, de executar, de integração em equipa e persistência, na formação do aluno de licenciatura o acento tónico deve colocar-se na capacidade de abstracção, formalização e intuição, na inovação, no espírito crítico, na maturidade técnica e científica e na autonomia.

4. Como organizar as disciplinas de projecto de fim de curso face a uma reestruturação curricular dos cursos

Verifica-se que em determinados cursos o projecto tem especificidades próprias e mais dedicadas a uma área (e. g. Projecto I em ACI) e que noutros cursos tem características de maior transversalidade e mais próximas de um trabalho final de curso.

É pois necessário diferenciar, no modelo e nas exigências de funcionamento, as disciplinas de projecto nas áreas específicas das disciplinas de projecto final de curso, embora ambos os modelos devam ter um espaço próprio e não anular-se mutuamente.

4.1 Disciplinas de projecto de fim de curso

Em todos os cursos deverá existir uma disciplina de projecto de fim de curso colocada no último semestre de cada ciclo.

Esta deverá funcionar numa base de trabalho autónomo do aluno, com orientação geral do professor responsável de disciplina, apoiado por outros docentes que detenham o perfil mais adequado ao teor concreto de cada um dos projectos. O trabalho de coordenação feito pelo responsável da disciplina de projecto deve envolver a compilação das propostas de projecto, a sua apresentação, o desenvolvimento do trabalho, o seu acompanhamento e a participação no processo de avaliação.

O projecto deverá ter preferencialmente ligação a uma entidade externa (empresa ou outra), onde se identifiquem necessidades reais passíveis de serem resolvidas no âmbito destas disciplinas.

As designações a adoptar deverão ser “Projecto Final de Bacharelato” e “Projecto Final de Licenciatura”, comuns a todos os cursos e deverão envolver o maior número de

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docentes das diferentes áreas científicas, do departamento/secção ou de outros departamentos/secção, de forma a garantir a sua multidisciplinaridade.

A carga horária dos alunos deverá ser de 8 horas semanais, enquanto a carga horária docente deverá ser estabelecida em conformidade com a fórmula apresentada mais à frente no ponto 5. a).

Os projectos devem ter uma apresentação e discussão pública, com obrigatoriedade de participação de todos os alunos e docentes envolvidos no projecto.

Considera-se de grande importância o cumprimento dos prazos, mesmo quando a disciplina funciona sem aulas presenciais. Assim, na nota final da disciplina, para além de factores de ponderação associados à avaliação do relatório escrito, da apresentação pública do trabalho, entre outros, deverá existir também uma ponderação (que não deverá ultrapassar o valor de 10%) correspondente ao cumprimento dos prazos estabelecidos na ficha da disciplina.

Deve atribuir-se um ponderador na formação da média final que reflicta a real importância desta disciplina na estrutura curricular do curso e reconheça o seu papel integrador de conhecimentos técnicos e científicos adquiridos ao longo de ambos os ciclos.

Em suma, esta disciplina deve constituir uma oportunidade de teste e consolidação de competências dos futuros profissionais, onde sejam confrontados com problemas coerentes com a profissão, resultantes preferencialmente da experiência de engenharia dos docentes e das relações da Escola com as empresas.

4.2 Outras disciplinas de projecto

Tendo em conta a nossa realidade enquanto ensino politécnico de engenharia, deverá reforçar-se a componente de projecto pelo será de prever a inserção de uma disciplina de Introdução e/ou Gestão de Projecto, no quinto semestre de cada curso, onde seja abordado um conjunto diferenciado de aspectos relacionados com a teoria do projecto, nomeadamente com a organização, planeamento, liderança, orçamentação, viabilidade técnica e financeira, tecnologia e processos produtivos, etc...

Esta disciplina funcionaria em aula presencial, com uma carga horária de 2 horas semanais para todos os cursos, no 5.º semestre do 1.º ciclo, e desempenharia o papel de disciplina preparatória do Projecto Final de Bacharelato.

Se casos houver em que os alunos já tenham adquirido aqueles conhecimentos noutras disciplinas a Introdução e/ou Gestão de Projectos poderá funcionar de forma não exclusivamente presencial.

Este referencial proposto para as disciplinas de projecto de fim de curso altera a actual estrutura de funcionamento nalguns cursos, ao não prever, em termos de futuro, o projecto II e III a funcionar em semestres seguidos.

5. Questões de natureza administrativa

Reportando-nos à actual diversidade de abordagens no âmbito das disciplinas de projecto, e tendo em conta a necessidade de normalizar processos administrativos que garantam a equidade entre os alunos dos diferentes cursos e um nível de coerência que possa confirmar estas disciplinas como um referencial do ensino da engenharia da ESTSetúbal, propõem-se, desde já e com aplicação à realidade actual da nossa escola, as seguintes medidas:

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a) atribuir uma carga horária semanal docente às disciplinas de projecto de fim de curso, com base no seguinte critério

CHS = 2 + 0,25 N em que,

CHS = Carga Horária Semanal

2 = Parte fixa de carga docente para todos os cursos

0,25 N = parte variável de carga docente em que N representa o número de alunos a frequentar a disciplina.

b) organizar como disciplinas anuais aquelas que funcionam sequencialmente no semestre par e ímpar (Projecto II e III), sendo todavia necessário organizar um cronograma de trabalhos e avaliações que garanta o regular desenvolvimento do projecto e evite a acumulação de tarefas na sua fase final;

c) enriquecer as fichas de disciplina em todas as suas vertentes, nomeadamente quanto à diferenciação de objectivos entre o projecto I, II e III, explicitação de competências a adquirir pelo aluno, método de avaliação com discriminação dos diferentes componentes do projecto, prazos de entrega intermédios e final que respeitem o calendário proposto na alínea g), formulação da nota final, bibliografia, etc.;

d) distribuir as horas atribuídas aos docentes directamente envolvidos na orientação de projectos;

e) lançamento obrigatório de sumários sempre que hajam aulas presenciais (implica que no final do semestre o número de sumários deve ser igual ao número de aulas pré-definidas em cada curso). Quando não existam aulas presenciais, um dos docentes responsáveis pela coordenação do projecto elaborará um sumário semanal, até à conclusão do trabalho, no qual devem ser descritas as actividades desenvolvidas no projecto, durante a semana correspondente. Para tal deverá ser criada, em base electrónica, uma folha de sumário desenvolvida especialmente para o efeito.

f) ligação dos projectos a uma entidade externa que sendo muito desejável, não é imperativa;

g) consolidar um calendário de excepção de lançamento de notas enquadrado pelas seguintes regras:

(1) considerar uma 1.ª época de lançamento de notas que deverá ocorrer até ao último dia da época de recurso das restantes disciplinas. Até esta data, as pautas devem ser submetidas via rede informática e entregues em papel na Secretaria de Académica dando, desta forma, por encerrada esta

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fase. As pautas serão geradas automaticamente contemplando todos os alunos inscritos na disciplina.

(2) considerar uma 2.ª época de lançamento de notas que deverá coincidir com os prazos estabelecidos para a época especial das restantes disciplinas, com inscrição obrigatória para os alunos mas sem pagamento de taxa de inscrição. De igual modo, até ao fim do prazo, as pautas devem ser submetidas via rede informática e entregues em papel na Secretaria de Académica.

(3) considerar uma época especial com inscrição obrigatória, a ocorrer entre o fim da época especial das restantes disciplinas e o dia 31 de Outubro ou 31 de Dezembro, consoante se trate de alunos finalistas do 1.º ou do 2.º ciclo, respectivamente. Nesta época, os alunos poderão efectuar melhoria de nota. Também neste caso, à semelhança dos anteriores, as pautas deverão ser submetidas e entregues na Secretaria Académica, acto que encerra todo o processo.

Se até às datas indicadas a classificação de aprovação não puder ser lançada, terão de efectuar uma nova matrícula.

h) abertura de sala própria dedicada ao desenvolvimento de projectos com hardware e software adequado.

6. Nota final

O grupo de trabalho que elaborou o presente relatório, no estrito âmbito da sua missão, aponta um conjunto de sugestões de melhoria na organização e funcionamento das disciplinas de projecto, umas com aplicação ao actual contexto e outras para ter em conta numa futura reestruturação dos cursos.

O Grupo de trabalho Fernando Valente - CD Filipe Didelet - CC José Viegas - CP

Octávio Páscoa Dias – PRD João Catarino - PRD

Joaquim Filipe – PRD Carlos Domingos - PRD Setúbal, 21 de Fevereiro de 2003 Aprovado pelo Conselho Directivo Setúbal, 9 de Junho de 2003

Referências

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