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Estudo Eletroanalítico e Determinação da Dapsona por SWV Utilizando Eletrodo
de Diamante Dopado com Boro
Nayara Laís Boschen*, Eryza Guimarães Castro, Andressa Galli
1 1. Universidade Estadual do Centro Oeste - Departamento de QuímicaCEP 85040-080, Guarapuava – PR, Brasil
Resumo— Este trabalho descreve a determinação
eletroanalítica do fármaco dapsona (DDS) em amostras farmacêuticas e de urina sintética, baseada na oxidação do fármaco sobre eletrodo de diamante dopado com boro (DDB), aliado à técnica de voltametria de onda quadrada (SWV). Foram avaliadas condições experimentais e voltamétricas e a melhor resposta obtida foi em meio de tampão Britton-Robinson (BR), em pH 7,0, utilizando uma frequência de aplicação dos pulsos de potencial de 200 s-1, incremento de potencial de 8 mV e amplitude da onda quadrada de 50 mV. Sob estas condições a dapsona é oxidada em um processo irreversível com um pico de oxidação em 0,9 V (pH 7,0), usando um sistema de referência Ag/AgCl. As curvas analíticas foram construídas em um intervalo linear de concentração de 4,99 a 39,8 mol L-1, com limite de detecção de (2,32±0,2) µg L-1. A precisão e exatidão foram determinadas como uma função da repetibilidade e reprodutibilidade experimental, quais apresentaram valores de desvio padrão relativo de 1,85 e 2,01%, respectivamente. A aplicabilidade da metodologia proposta foi avaliada por meio de estudos de recuperação e determinação da dapsona em amostras farmacêuticas e de urina sintética, demonstrando que a metodologia proposta é adequada, uma vez que o sistema em estudo promoveu resposta rápida, com baixo custo, além da eliminação do efeito de matriz. Desta forma, a metodologia apresenta-se como uma alternativa para a determinação do fármaco em amostras reais.
Introdução
A crescente discussão de temas ambientais fez vir à tona um dos grandes problemas que diz respeito à determinação e eliminação de compostos orgânicos tóxicos presentes no meio ambiente. Dentre a multiplicidade de substâncias contaminantes, destacam-se fármacos de uso controlado. Nas últimas décadas, o monitoramento de resíduos de fármacos no meio ambiente vem se destacando, uma vez que, após a administração por pacientes, uma parte significativa destes compostos é excretada no esgoto doméstico (águas superficiais e de subsolo) e resiste a vários processos tratamento tradicional de água. Os fármacos se enquadram como moléculas desenvolvidas para serem persistentes, mantendo suas propriedades químicas o bastante para servir a um propósito terapêutico. Desta forma, sua utilização acarreta uma contaminação ambiental difícil de ser combatida, posto que estas moléculas são contaminantes para diferentes organismos aquáticos, como peixes, e a presença de seus resíduos pode significar um risco para a saúde do homem. Com isto, é crescente a preocupação no desenvolvimento de métodos analíticos suficientemente sensíveis na determinação dos fármacos residuais em matrizes naturais, uma vez que, de qualquer maneira essas drogas são descartadas na natureza, sejam elas por excreção ou mesmo pelo descarte incorreto de
medicamentos 1. Segundo pesquisa realizada pelas Faculdades Oswaldo Cruz em 2011, 75% das pessoas jogam fora seus medicamentos no lixo doméstico e 6% na pia ou vaso sanitário. Porém, esse tipo de descarte pode afetar diretamente a qualidade das águas subterrâneas e superficiais 2. Adicionalmente, pela informação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), cerca de 30 mil toneladas de fármacos são descartadas a cada ano pelos consumidores. Cerca de 50% a 90% de uma dosagem do fármaco é excretada inalterada e persiste no meio ambiente 3.
A dapsona ou a 4,4- diaminodifenilsulfona (DDS, Figura 1), trata-se de uma sulfona sintética com ação bacteriostática comumente usada no tratamento da hanseníase e de diversas outras doenças de pele 4-7. Apesar dos vários benefícios no tratamento de doenças, o uso da droga acarreta consequências como a síndrome da hipersensibilidade à dapsona (SHD), um efeito colateral potencialmente grave 8. Além disto, uma das consequências do uso da dapsona é o estado clínico em que mais de 1% da hemoglobina do sangue é oxidada à forma férrica, diminuindo a capacidade de transporte de oxigênio. A dapsona quando administrada por via oral apresenta uma absorção gastrointestinal lenta e quase completa e cerca de 5 a 15% da dose administrada é eliminada pelos rins 9. A aplicação de técnicas eletroanalíticas na determinação da dapsona tem sido realizada de forma discreta e poucos trabalhos são encontrados na literatura sobre este tema7. Em geral, a quantificação do fármaco comumente é realizada utilizando as técnicas de cromatografia líquida de alta eficiência (HPLC) 10-13 e espectrofotometria
UV-Vis 14-16. Entretanto, estas técnicas requerem a utilização de etapas
de preparação da amostra, muitas vezes longas e complexas, e acabam por utilizar uma quantidade maior de reagentes, como solventes orgânicos, o que consequentemente, elevam os custos operacionais. Desta forma, há um grande interesse em métodos sensíveis e de baixo custo para a determinação de diferentes contaminantes 17-19, tais como fármacos.
Este trabalho propõe a utilização de eletrodo de diamante dopado com boro (DDB) aliado à voltametria de onda quadrada (SWV), para a detecção de dapsona em amostras reais, visando à minimização dos custos das análises, bem como resposta rápida e eliminando etapas prévias de tratamento da matriz.
Parte Experimental
Materiais e Reagentes:
Todos os reagentes utilizados foram de grau analítico. As soluções foram preparadas com água ultra-pura, originadas em uma unidade de purificação Milli-Q, procedência Millipore Corporation (resistividade: 18 Mcm). A dapsona foi fornecida pela Sigma-Aldrich, com pureza de 99,9%. Uma solução estoque de 1,0x10-2 mol L-1 do fármaco foi preparada em acetona (Sigma-Aldrich) com 99,7% de pureza.
Instrumentação
As medidas voltamétricas foram realizadas em um potenciostato/galvanostato µ-autolab Type III (EcoChemie), acoplado a um microcomputador dotado com o software Nova®. Os experimentos foram realizados em uma cela eletroquímica convencional (compartimento único), contendo o eletrólito suporte, em meio desaerado com N2. O eletrodo de trabalho
utilizado foi o eletrodo de diamante dopado com boro (DDB) com área média de 0,62 cm², eletrodo de referência Ag/AgCl/KCl 3,0 mol.L-1 e o contra-eletrodo de platina com área e30,0 cm2.
Otimização da metodologia analítica
Todos os experimentos foram realizados em temperatura ambiente. As soluções apropriadas foram transferidas para cela eletroquímica e a otimização da metodologia analítica por SWV avaliada. Nesta etapa, um estudo sistemático dos parâmetros experimentais que afetam a resposta eletroquímica da dapsona, tais como a concentração hidrogeniônica do meio, a frequência de aplicação dos pulsos de potencial (f) (relacionada com a duração total de pulsos), a amplitude do pulso de potencial (a) e incremento de varredura (Es) foi realizado. Os parâmetros foram
otimizados em relação ao valor máximo de corrente de pico. Antes de cada medida experimental um fluxo de N2 foi utilizado
através da solução na cela eletroquímica durante 10 minutos para remoção completa do O2. Diferentes eletrólitos suporte foram
avaliados (Figura 3) a fim de investigar o melhor meio reacional. Os melhores resultados foram obtidos em 0,1molL-1 de tampão BR. Após a otimização das condições experimentais curvas analíticas foram obtidas em eletrólito puro de laboratório pelo método de adição padrão. O desvio padrão obtido (Sb) a partir da curva analítica em conjunto com a inclinação da curva analítica (b) foram utilizados na determinação dos limites de detecção e quantificação (LD e LQ, respectivamente), de acordo com as diretrizes recomendadas pela IUPAC 20,21. Experimentos de recuperação foram realizados a fim de atestar a eficiência da metodologia, adicionando-se uma concentração conhecida da dapsona ao eletrólito suporte, seguido por adição padrão a partir de uma solução estoque do fármaco. Todas as medidas foram realizadas em triplicata. A eficiência de recuperação (%R) foi avaliada considerando a relação entre o valor da concentração obtida (recuperada) e a concentração previamente adicionada, extrapolando-se a curva analítica no valor correspondente à concentração adicionada para dopagem da amostra 22. A precisão
e exatidão da metodologia desenvolvida foram avaliadas por meio de medidas de repetibilidade e reprodutibilidade.
Preparação e análise de amostras farmacêuticas e de urina sintética
A fim de avaliar a metodologia eletroanalítica desenvolvida para a quantificação da dapsona em amostras reais, foram realizadas medidas de recuperação do fármaco em amostras do comprimido da droga (comprimidos de 100 mg) e urina sintética, simulando o fluído biológico. Os comprimidos foram adquiridos no Sistema Único de Saúde – SUS, da cidade de Guarapuava/PR, uma vez que o uso deste fármaco é controlado pela vigilância sanitária, visando o controle do número de pessoas que detêm a
doença de hanseníase na comunidade. Desta forma, as amostras sólidas de formulações farmacêuticas, que contêm a dapsona, foram moídas em um almofariz de ágata e uma quantidade conhecida do pó foi dissolvida em 100% de acetona e então, a solução foi levada à sonicação durante 15 minutos para que a dissolução do comprimido fosse completa. Os excipientes insolúveis foram separados por filtração com papel de filtro quantitativo.O filtrado foi transferido para um balão volumétrico de 10,0 mL e completado com acetona. Nenhum outro tratamento da amostra foi necessário. A quantificação da dapsona nestas amostras foi realizada pelo método de adição padrão e os resultados foram comparados com um procedimento oficial de análise 23 .
As amostras de urina sintética foram preparadas e estocadas em 4ºC. A solução de urina sintética 24 foi preparada por 1,1g de
CaCl2.2H2O; 2,9g de NaCl; 2,3g de Na2SO4; 1,4g de KH2PO4;
1,6g de KCl; 1,0g de NH4Cl e 25,0g de uréia, dissolvidos em água
ultra-pura. Esta solução apresenta pH 5,0, podendo ser reutilizada quando armazenada sob refrigeração. A solução de urina sintética foi fortificada com uma concentração conhecida do fármaco dapsona, resultando em uma concentração de 5,0x10-5 mol L-1 para 200,0mL de solução de amostra. As medidas de recuperação para a dapsona foram realizadas utilizando-se 1,0mL da urina sintética fortificada com o fármaco, 19,0mL de tampão BR completando 20mL. E então foram feitas adições padrão a partir de concentrações conhecidas de dapsona, a partir de uma solução estoque de 1,0x 10-2 mol L-1.
Resultados e Discussão
Avaliação da resposta eletroquímica da DDS sobre o eletrodo de diamante dopado com boro
A investigação da reação de oxidação eletroquímica da dapsona foi iniciada por meio do estudo voltamétrico sobre DDB. Experimentos preliminares pela técnica de VC, em meio de tampão BR 0,1 molL-1 (pH 6,5) contendo 5,0x10-5 molL-1, foram conduzidos para determinar o perfil voltamétrico da DDS sobre eletrodo de diamante dopado com boro. Um pico voltamétrico bem definido foi determinado durante a varredura direta, em um potencial de 1,01 V, enquanto a varredura no sentido reverso não apresentou pico de corrente, indicando um processo redox totalmente irreversível, de acordo com a Figura 2.
-0,2 0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0 1,2 1,4 1,6 -25,0 0,0 25,0 50,0 75,0 100,0 125,0 150,0 I / A E / V vs Ag/AgCl
Figura 2. Voltamograma cíclico para 1x10-4 molL-1 de dapsona em meio
de tampão BR 0,1 molL-1 (pH 6,5) sobre DDB, com velocidade de
varredura de 100 mVs-1.
Adicionalmente, foi realizado estudo em diferentes velocidades de varredura por meio da VC, onde observou-se uma relação linear entre a raiz quadrada da corrente de pico e a velocidade de varredura (R=0,9980), no intervalo de 10 a 200 mV s-1, indicando que a velocidade do processo de oxidação
da dapsona é controlada pela transferência eletrônica. O logaritmo da intensidade de corrente em função do logaritmo da velocidade
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Otimização das condições experimentais
A resposta de oxidação para a dapsona utilizando a SWV apresentou comportamento semelhante aquele obtido pela VC, em torno de 1,01 V, em pH 6,5. Experimentos utilizando diferentes eletrólitos suporte foram realizados, onde a concentração de DDS e os parâmetros voltamétricos foram mantidos constantes (1,0x10-5 molL-1 de DDS, frequência de aplicação dos pulsos de potencial (f) de 100 s-1, amplitude do pulso (a) de 50 mV e incremento de varredura (Es) de 2 mV). Para esta etapa foram
avaliados os seguintes eletrólitos suporte: tampão BR, tampão fosfato de sódio e tampão sulfato de sódio, ambos na concentração de 0,1 mol L-1 (Figura 3). Um pico bem definido está presente nos três meios avaliados, porém com diferentes valores de potencial e corrente de pico 26. A melhor resposta de oxidação da DDS, medida em termos de sinal analítico mais elevado e melhor reprodutibilidade, foi obtida em meio de tampão BR 0,1 molL-1 (pH 6,5).
Figura 3. Voltamogramas de onda quadrada para a oxidação da dapsona
sobre DDB (1x10-5 molL-1, f = 100 s-1, E
s = 2 mV, a = 50 mV,
pH = 6,5), nos seguintes eletrólitos suporte: tampão sulfato de sódio 0,1 mol L-1 (—), tampão fosfato de sódio 0,1 mol L-1 (—) e tampão BR
0,1 mol L-1 (—).
Efetuou-se uma variação de pH entre 3,0 e 10,0, intervalo este permitido pelo tampão BR. Os valores de pH foram ajustados para o valor pretendido por meio da adição de quantidades adequadas de uma solução estoque 0,1 molL-1 de NaOH.
Verificou-se que ao aumentar o pH, os valores do potencial de pico da DDS deslocaram-se para valores menores, revelando que a transferência eletrônica é dependente da concentração hidrogeniônica do meio, como mostra a Figura 4. O pH de trabalho escolhido foi o de 7,0, onde se obteve uma resposta com maior intensidade de corrente de pico.
0,6 0,7 0,8 0,9 1,0 1,1 1,2 1,3 0,0 6,0 12,0 18,0 24,0 30,0 36,0 42,0 I / A E / V vs Ag/AgCl valores de pH: 3 4 5 6,5 7 8 10
Figura 4. Voltamogramas de onda quadrada para 1x10-5 mol L-1 de
dapsona em tampão BR 0,1 mol L-1 para diferentes valores de pH sobre DDB. Com f = 100 s-1, E
s = 2 mV e a = 50 mV. Otimização dos parâmetros voltamétricos
Foram avaliados, individualmente, os parâmetros da SWV a fim de se obter o melhor perfil de oxidação para a DDS, em termos de corrente de pico (Ip) e potencial de pico (Ep).
Inicialmente, variou-se a f, uma vez que representa um dos mais importantes parâmetros na voltametria de onda quadrada, pois que é ela quem determina a intensidade dos sinais e conseqüentemente a sensibilidade do método. Assim, o intervalo de variação da f foi de 10 a 200 s-1. Os resultados mostraram que o aumento da f foi acompanhado de um aumento da Ip até um valor de f de 200 s-1.
Acima deste valor a Ip não apresentou aumento significativo de Ip,
sendo este o valor escolhido para a quantificação da DDS. Além disto, como mostra a Figura 5A, foi observada uma relação linear entre a Ip e a raiz quadrada da f, que, de acordo com o modelo teórico proposto por Lovric et. al 27,28 indica um processo controlado pela difusão das espécies à superfície eletródica, dados estes concordantes com aqueles obtidos por voltametria cíclica.
Para sistemas redox totalmente irreversíveis, a sensibilidade analítica na voltametria de onda quadrada sofre grande influência da variação da amplitude da onda (a). Desta forma, a influência da a nas intensidades de Ip foi avaliada em uma faixa de 10 a
50 mV. Os resultados demonstraram que um aumento nos valores de a promoveram um aumento linear até o valor de 50 mV, de acordo com a Figura 5B, sendo este valor escolhido para os experimentos posteriores.
A velocidade efetiva na voltametria de onda quadrada é o resultado do produto da freqüência pelo incremento de varredura. Deste modo um incremento de varredura maior pode aumentar o sinal obtido e assim melhorar a sensibilidade do método. Os valores de Es foram avaliados em um intervalo de 2 a 10 mV e
os resultados indicaram que com o aumento de Es houve um
aumento linear da Ip até o valor de 8 mV, como mostrado na
Figura 5C. 0,0 50,0 100,0 150,0 200,0 10,0 20,0 30,0 40,0 50,0 60,0 70,0 80,0 90,0 I p / A f1/2 / s-1 A 10,0 20,0 30,0 40,0 50,0 30,0 35,0 40,0 45,0 50,0 55,0 60,0 65,0 I p / A a / mV B 2,0 4,0 6,0 8,0 10,0 80,0 100,0 120,0 140,0 160,0 I p / A Es / mV C
Figura 5. Dependência da corrente de pico com a raiz quadrada da
frequência de aplicação dos pulsos de potencial f (A), amplitude de pulso (B) e incremento de varredura (C), obtidos a partir de voltamogramas de onda quadrada para 1x10-5 molL-1 de dapsona sobre DDB em meio de
tampão BR 0,1 mol L-1, com variação dos parâmetros. 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9 1,0 1,1 1,2 1,3 0,0 5,0 10,0 15,0 20,0 25,0 30,0 I / A E / V vs Ag/AgCl Tampão BR Tampão Fosfato Tampão Sulfato de Sódio
Desempenho Analítico
Uma análise da relação entre os valores de Ip e os parâmetros
voltamétricos, apresentada na Figura 5, indica que as melhores condições para a quantificação da DDS sobre DDB foram
f = 200 s-1, a = 50 mV e Es = 8 mV. Assim, curvas analíticas
para a dapsona em meio de tampão BR pH 7,0 foram construídas no intervalo de concentração de 4,99 a 39,8 µmolL-1. Os voltamogramas obtidos e a linearidade entre os valores de Ip e as concentrações adicionadas estão apresentados na Figura 6. A inserção representa os valores intermediários das concentrações adicionadas a partir da construção de três curvas analíticas.
0,7 0,8 0,9 1,0 1,1 1,2 1,3 0,0 50,0 100,0 150,0 200,0 250,0 300,0 0,0 7,0 14,021,028,035,042,0 0,0 50,0 100,0 150,0 200,0 250,0 300,0 y= -17,01 + 6,72 [DDS](mol L-1 ) R= 0,9992SD= 1,22 I p / A CDDS mol L-1 Concentração de DDS mol L-1 I / A E / V vs Ag/AgCl 4,99 9,99 15,0 19,9 24,9 29,9 34,9 39,8 BRANCO
Figura 6. Votamogramas de onda quadrada para a dapsona em meio de
tampão BR 0,1 molL-1 (pH 7,0) sobre DDB, com f = 200 s-1, a = 50 mV e
Es = 8 mV. Intervalo de concentração de 4,99 a 39,8 µmolL-1 de dapsona.
Inserção: Valores intermediários das concentrações adicionadas a partir da construção de três curvas analíticas.
O coeficiente de correlação (r) que determina o grau de linearidade entre a concentração de dapsona e a resposta analítica, o desvio padrão da curva analítica (Sb), a inclinação da curva analítica (b), o limite de detecção (LD) e o limite de quantificação (LQ) estão apresentados na Tabela 1, considerando o intervalo linear de concentração da dapsona.
Adicionalmente, os valores de LD e LQ são próximos aos previamente publicados por outras metodologias analíticas 23. As vantagens da presente metodologia incluem a utilização mímina de solvente orgânico durante as análises.
Curvas de recuperação foram construídas a fim de avaliar a eficácia da metodologia proposta para a quantificação de dapsona frente ao efeito de matriz. Para isto, concentrações conhecidas de dapsona foram adicionadas ao eletrólito puro de laboratório, utilizando os parâmetros otimizados.
Desta forma, as curvas de recuperação em eletrólito puro foram plotadas por meio do método de adição padrão e a porcentagem de recuperação foi identificada graficamente por meio do eixo da abscissa, denotando a concentração de dapsona na cela eletroquímica. Extrapolando a curva ao longo deste eixo, obtém-se a concentração de DDS presente na amostra, permitindo o cálculo dos valores de recuperação. As curvas foram construídas em triplicada e os resultados são apresentados na Tabela 1.
Os valores obtidos para a recuperação da dapsona em eletrólito puro e nas amostras do fármaco e urina sintética variaram entre 97,2% e 106,02%. Os resultados foram considerados satisfatórios, uma vez que os coeficientes de variação (CV) ou desvios padrão relativos (DPR) obtidos para as amostras foram de 1,1%, 1,2% e 1,5%, respectivamente. Ribani et
al.29 descreveram que a determinação analítica de compostos,
considerando a complexidade da amostra, permite a quantificação em níveis traço com coeficiente de variação de até 20%, isto indica que a presente metodologia para a determinação analítica de DDS pode ser aplicada com sucesso em matrizes complexas.
A precisão e exatidão da metodologia foram avaliados por meio de medidas de repetibilidade e reprodutibilidade ao longo de diversos ensaios experimetais. A reprodutibilidade foi determinada em dias diferentes utilizando-se cinco diferentes
soluções (n = 5) contendo 1,0 µmol L-1 de dapsona. O valor de
DPR (desvio padrão relativo) obtido foi de 2,01%. A
repetibilidade foi determinada utilizando cinco determinações (n = 5) consecutivas na mesma solução contendo 1,0 µmolL-1 de dapsona. O valor obtido de DPR foi de 1,85%. Estes resultados são um forte indicador de que a metodologia proposta pode fornecer uma precisão e exatidão adequado na determinação analítica de dapsona.
Com os valores calculados para LD, LQ, eficiência de recuperação, repetibilidade e a reprodutibilidade e, estando estes dentro do esperado para utilização na determinação de baixos níveis de dapsona, a metodologia foi utilizada para determinar os níveis de DDS em amostras de fármaco e urina sintética (Tabela 2).
Tabela 1 Parâmetros das curvas analíticas obtidas para a determinação da
dapsona sobre DDB em eletrólito puro, onde r: coeficiente de correlação;
Sb: desvio padrão da curva analítica; b: inclinação da curva analítica; LD:
limite de detecção e LQ: limite de quantificação.
Parâmetros Valores Linearidade (µmolL-1) 3,99 a 39,80 Inclinação (A/molL-1) 6,72 ± 0,04 r 0,9992 Sb (A) 1,22x10 -6 LD (µg L-1) 2,32 ± 0,2 LQ (µg L-1) 20,45 ± 0,2 Recuperação (%) 97,20 ± 1,1 Repetibilidade (%) 1,85 Reprodutibilidade (%) 2,01
Aplicação em amostras farmacêuticas
Com as condições otimizadas o procedimento proposto foi avaliado em duas amostras comerciais diferentes de fármacos contendo DDS, por meio de curvas de recuperação, a fim de verificar a aplicabilidade da metologia desenvolvida. Os experimentos de recuperação foram realizados com o objetivo de avaliar a influência dos componentes da matriz na resposta analítica, bem como na quantificação da dapsona. Os valores de recuperação obtidos foram comparados com a literatura 23, bem com o valor apresentado nos rótulos dos medicamentos. Os resultados estão dispostos na Tabela 2, e foram obtidos de maneira satisfatória para nível de confiança de 95%. Estes valores indicam que é possível a quantificação da dapsona em amostras reais, uma vez que o efeito de matriz não é pronunciado, gerando menos de 4% de desvio em todas as análises.
Tabela 2. Recuperações de DDS em amostras farmacêuticas. Resultados
comparados com método da literatura 23.
Amostras Conteúdo de DDS / mg de Comprimido
Valor rotulado Comparativo Proposto (%)
Fármaco 1 100 101 106,02 ± 1,2
Fármaco 2 100 100 103,04 ± 1,2
Aplicação em amostra de urina sintética
Experimentos de recuperação foram também realizados em amostras de urina sintética, isto é, preparadas em laboratório 24 a fim de avaliar a influência dos componentes da matriz na precisão do método proposto. As medidas foram realizadas em triplicata, fortificando-se a amostra de urina sintética com 1x10-6 mol L-1 de dapsona e os resultados obtidos, ou seja, recuperados, foram comparados com o valor adicionado para a dopagem da amostra. O valor da média das recuperações realizadas foi de 93,4% ± 1,5, evidenciando a precisão e a ausência do efeito de matriz para a quantificação da dapsona por meio da utilização da metodologia eletroanalítica proposta.
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Conclusões
A metodologia proposta, utilizando eletrodo de diamante dopado com boro aliado à técnica de voltametria de onda quadrada, mostrou-se adequada para a detecção e quantificação do fármaco dapsona, com valores próximos aos propostos pela literatura. Contudo, neste trabalho não houve a necessidade de etapas prévias de tratamento ou purificação da amostra. Desta forma, este procedimento mostrou-se viável para investigar os impactos ambientais decorrentes do uso abusivo destes compostos, bem como quantificá-los em diferentes matrizes tais como em compostos farmacêuticos e fluídos biológicos, sem a perda da confiabilidade e precisão da metodologia.
Agradecimentos
Os autores agradecem à CAPES, CNPq e Unicentro, Brasil, pelas bolsas e apoio financeiro a este trabalho.
Keywords: Voltametria de onda quadrada; eletrodo de
diamante dopado com boro; dapsona.
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Recebido: 25 de abril de 2014 Revisado: 12 de maio de 2014 Publicado online: 28 de maio de 2014