UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO ESTADO DO
RIO GRANDE DO SUL
DEPARTAMENTO DE ESTUDOS AGRÁRIOS
CURSO DE MEDICINA VETERINÁRIA
Ângela Luísa Zampieri
RELATÓRIO DO ESTÁGIO CURRICULAR SUPERVISIONADO EM
MEDICINA VETERINÁRIA
Ijuí, RS, Brasil
2019
Ângela Luísa Zampieri
RELATÓRIO DE ESTÁGIO CURRICULAR SUPERVISIONADO EM MEDICINA VETERINÁRIA
Relatório de Estágio Curricular
Supervisionado, apresentado ao Curso de
Medicina Veterinária, da Universidade
Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (UNIJUÍ, RS), como requisito parcial para obtenção do grau de Medicina Veterinária.
Orientadora: Prof.ª Drª Med. Vet. Denize da Rosa Fraga Supervisor: Med. Vet. Jorge Luís Lima Schifer
Ijuí, RS 2019
Ângela Luísa Zampieri
RELATÓRIO DE ESTÁGIO CURRICULAR SUPERVISIONADO EM MEDICINA VETERINÁRIA
Relatório de Estágio Curricular
Supervisionado, apresentado ao Curso de
Medicina Veterinária, da Universidade
Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (UNIJUÍ, RS), como requisito parcial para obtenção do grau de Médica Veterinária.
______________________________________ Denize da Rosa Fraga, Dr.ª (UNIJUÍ)
(Orientadora)
______________________________________ Luciane Ribeiro Viana Martins, MSc. (UNIJUÍ)
(Banca)
Ijuí, RS, Brasil 2019
DEDICATÓRIA
Dedico este trabalho a minha família que é a minha base. Especialmente aos meus pais, aos quais sempre estiveram ao meu lado, incentivando-me e apoiando-me a ir em busca da concretização de meus sonhos. O apoio e amor incondicional deles, sempre foi e sempre será
a força que me move. Todo o esforço até aqui, é pra vocês e por vocês! Todo meu amor e gratidão por esses seres de Luz, que fui presenteada por serem meus pais, amo vocês!
AGRADECIMENTOS
Primeiramente agradeço a Deus, por ter-me concedido essa dádiva que é poder viver, sonhar e realizar! Agradecer pela saúde e pela fé, sempre presentes para conseguir trilhar esse caminho, e por dar-me forças para enfrentar todos os obstáculos que se fizeram presentes durante a jornada acadêmica.
- agradeço imensamente e de todo meu coração, aos meus pais, Ari Luiz Zampieri e Loreni Terezinha Zampieri, que sempre foram e sempre serão minha base, meu chão e minha vida, a eles a minha gratidão eterna. Meus pais, que nessa longa caminhada não mediram esforços e por muitas vezes abdicaram de seus sonhos, suas vontades e passaram a sonhar junto comigo, para que eu pudesse realizar esse sonho, que trago comigo desde criança. Sem eles, a realização de tornar-me médica veterinária, seria impossível. Essa conquista é por vocês!
- aos meus irmãos, Aline Zampieri e André Zampieri, que estiveram sempre ao meu lado até aqui, e principalmente durante essa caminhada, me incentivando e dando todo apoio possível. A realização desse sonho também é por vocês. Aos meus cunhados Fábio Jacoboski e Ana Paula Rocha por estarem sempre à disposição em ajudar-me.
- aos amigos que veterinária me presenteou, que foram desde o início desta caminhada acadêmica essências em minha vida. Luane Capra, Cindi Frota, Paolla Righes, Emily Zottis, Carine Reisdorfer, Mariana Marinho, César da Rosa, Daniela Tomm, Lidiane Oliveira, Mariana Megier, Rodrigo Guth.... Vocês sem dúvida alguma, foram fundamentais durante essa jornada! Minhas gratidão a cada um de vocês é imensa, por toda compreensão, amizade, lealdade, por além de serem colegas, terem virado uma espécie de família. Grata pelos risos nos momentos bons, pelo apoio nos momentos de desespero, pelos infindáveis mates... espero que a nossa amizade vá muito além dos limites da faculdade. Amo cada um de vocês! Aos demais colegas de graduação, pelo convívio, amizade e companheirismo.
- aos meus amigos de longa data, Fabiana Wielens, Taiane Becker, Luana Kroth, Geisson Goi, Taís Karlinski, por serem pilares em minha vida, sempre estando ao meu lado compreendendo por vezes a minha ausência. Vocês são extremamente importantes em minha vida.
- à minha orientadora, doutora Médica Veterinária, Denize da Rosa Fraga, pelo apoio, auxílio e paciência em ensinar-me, compreender-me e orientar-me, não só durante a realização
do estágio final, mas como em toda a jornada acadêmica. Tenho imensa gratidão e admiração pela profissional que és, sem dúvida, grande exemplo para mim.
- agradeço também ao meu supervisor de estágio médico veterinário Jorge Luis Lima Schifer, pelos ensinamentos passados, pela paciência e compreensão no decorrer do estágio, esses que foram fundamentais para a minha formação.
- à FarmaCampo Agropecuária, por ter aberto as portas para que eu pudesse realizar o estágio, bem como fizeram-me sentir em casa.
- à todos os professores, que durante a minha graduação, compartilharam seus conhecimentos e contribuíram para minha formação, não só profissional, como pessoal. Serei eternamente grata a cada um de vocês... sem o auxílio de vocês, a concretização desse sonho, não seria possível.
- por fim, minha gratidão a todos que se fizeram presentes em algum momento da minha caminhada acadêmica, acreditando e incentivando-me a concluir esse ciclo em minha vida, e tornar-me Médica Veterinária.
“Para se ter sucesso, é necessário amar de verdade o que se faz. Caso contrário, levando em conta apenas o lado racional,
você simplesmente desiste. É o que acontece com a maioria das pessoas.”
RESUMO
RELATÓRIO DE ESTÁGIO CURRICULAR SUPERVISIONADO EM MEDICINA VETERINÁRIA
AUTOR: Ângela Luísa Zampieri ORIENTADORA: Denize Da Rosa Fraga
O Estágio Curricular Supervisionado em Medicina Veterinária foi realizado na área de Clínica, Cirurgia e Reprodução em Bovinos, com ênfase em Bovinocultura Leiteira. Este foi realizado na Empresa Agropecuária FarmaCampo, localizada na cidade de Ijuí, Rio Grande do Sul, Brasil, no período de 18 de março a 18 de abril de 2019, totalizando 150 horas de atividades realizadas. A supervisão interna de estágio ficou a cargo do Médico Veterinário, Jorge Luís Lima Schifer, e a orientação pela professora Doutora Médica Veterinária, Denize da Rosa Fraga. O estágio desenvolvido, teve como principal objetivo executar na prática o conhecimento teórico que foi obtido no decorrer da graduação, acompanhando o médico veterinário à campo, para dessa forma adquirir novos conhecimentos por meio de uma troca de experiências profissionais. As atividades desenvolvidas serão expressas em forma de tabelas, sendo especificadas as atividades acompanhadas em atendimento clínicos, atividades na área reprodutiva, procedimentos de medicina preventiva e procedimentos cirúrgicos. Serão relatados dois casos acompanhados durante a realização do estágio, sendo o primeiro de um deslocamento de abomaso, com correção pela técnica de omentopexia em uma fêmea da raça holandesa e o segundo caso, sobre parto distócico em uma fêmea bovina da raça holandesa. A realização do Estágio Curricular Supervisionado em Medicina Veterinária foi de suma importância para a formação profissional e pessoal, visto que permitiu unir o conhecimento teórico com a prática, além de vivenciar a realidade enfrentada pelos profissionais de Medicina Veterinária que atuam no campo, estabelecer relação tanto com os produtores rurais como com os animais, dessa forma agregando maior conhecimento na área para o futuro profissional.
ABSTRACT
CURRICULAR STAGE REPORT SUPERVISED IN VETERINARY MEDICINE
AUTHOR: Ângela Luísa Zampieri ADVISOR: Denize Da Rosa Fraga
The Supervised Curricular Internship in Veterinary Medicine was carried out in the area of Clinic, Surgery and Reproduction in Bovines, with emphasis on Dairy Cattle. This was done at FarmaCampo Agropecuaria Company, located in the city of Ijuí, Rio Grande do Sul, Brazil, from March 18 to April 18, 2019, totaling 150 hours of activities. The internal supervision of the internship was carried out by the Veterinarian, Jorge Luís Lima Schifer, and the orientation by the Professor Doctor Veterinaire, Denize da Rosa Fraga. The main objective of this course was to carry out the theoretical knowledge that was obtained during the graduation, accompanying the veterinary doctor to the field, in order to acquire new knowledge through an exchange of professional experiences. The activities developed will be expressed in the form of tables, specifying the activities followed in clinical care, activities in the reproductive area, preventive medicine procedures and surgical procedures. Two cases will be reported accompanied during the stage, being the first of a displacement of abomasum, with correction by the technique of omentopexy in a female of the Dutch race and the second case, on dystocic birth in a female bovine of the Dutch race. The completion of the Supervised Curricular Internship in Veterinary Medicine was of great importance for professional and personal training, since it allowed to unite the theoretical knowledge with the practice, besides experiencing the reality faced by the Veterinary Medicine professionals who work in the field, to establish relation both with the rural producers as with the animals, thus adding more knowledge in the area for the professional future.
LISTA DE TABELAS
Tabela 1 – Resumo das Atividades acompanhadas durante o Estágio Curricular Supervisionado em Medicina Veterinária na área de Clínica, Cirurgia e Reprodução de Grandes Animais, realizado na Agropecuária FarmaCampo, localizada em Ijuí, RS, no
período de 18 de março a 18 de abril de
2019...14 Tabela 2 – Atividades Reprodutivas realizadas em bovinos acompanhados durante o Estágio Curricular Supervisionado em Medicina Veterinária na área de Clínica, Cirurgia e Reprodução de Grandes Animais, realizado na Agropecuária FarmaCampo, localizada em Ijuí, RS, no período de 18 de março a 18 de abril de 2019...14 Tabela 3 – Situação Reprodutiva das fêmeas bovinas realizadas acompanhadas durante o Estágio Curricular Supervisionado em Medicina Veterinária na área de Clínica, Cirurgia e Reprodução de Grandes Animais, realizado na Agropecuária FarmaCampo, localizada em Ijuí, RS, no período de 18 de março a 18 de abril de 2019. ...15 Tabela 4 – Diagnósticos Reprodutivos das fêmeas bovinas realizadas acompanhadas durante o Estágio Curricular Supervisionado em Medicina Veterinária na área de Clínica, Cirurgia e Reprodução de Grandes Animais, realizado na Agropecuária FarmaCampo, localizada em Ijuí, RS, no período de 18 de março a 18 de abril de 2019...15 Tabela 5 – Procedimentos realizados em bovinos acompanhados durante o Estágio Curricular Supervisionado em Medicina Veterinária na área de Clínica, Cirurgia e Reprodução de Grandes Animais, realizado na Agropecuária FarmaCampo, localizada em Ijuí,
RS, no período de 18 de março a 18 de abril de
2019...15 Tabela 6 – Atividades de Medicina Veterinária Preventiva realizadas em bovinos acompanhados durante o Estágio Curricular Supervisionado em Medicina Veterinária na área de Clínica, Cirurgia e Reprodução de Grandes Animais, realizado na Agropecuária FarmaCampo, localizada em Ijuí, RS, no período de 18 de março a 18 de abril de 2019...16 Tabela 7 – Atendimentos Clínicos realizados em bovinos acompanhados durante o Estágio Curricular Supervisionado em Medicina Veterinária na área de Clínica, Cirurgia e Reprodução de Grandes Animais, realizado na Agropecuária FarmaCampo, localizada em Ijuí, RS, no período de 18 de março a 18 de abril de 2019...16
Tabela 8 – Procedimentos Cirúrgicos realizados em bovinos acompanhados durante durante o Estágio Curricular Supervisionado em Medicina Veterinária na área de Clínica, Cirurgia e Reprodução de Grandes Animais, realizado na Agropecuária FarmaCampo, localizada em Ijuí, RS, no período de 18 de março a 18 de abril de 2019...16
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO ... 12
2. ATIVIDADES DESENVOLVIDAS ... 14
3. RELATO DE CASO 1 ... 17
3.1. DESLOCAMENTO DE ABOMASO À ESQUERDA EM VACA HOLANDESA PÓS PARTO ... 17 3.1.1. Introdução ... 17 3.1.2. Metodologia e Resultados ... 19 3.1.3. Discussão ... 22 3.1.4. Conclusão ... 26 3.1.5. Referências Bibliográficas ... 27 4. RELATO DE CASO 2 ... 29
4.1. PARTO DISTÓCICO EM VACA DA RAÇA HOLANDESA ... 29
4.1.1. Introdução ... 29 4.1.2. Metodologia e Resultados ... 31 4.1.3. Discussão ... 32 4.1.4. Conclusão ... 35 4.1.5. Referências Bibliográficas ... 36 5. CONCLUSÃO ... 37 6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ... 38
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1. INTRODUÇÃO
O Estágio Curricular Supervisionado em Medicina Veterinária apresenta-se como uma sistematização teórica e prática de todo aprendizado adquirido no decorrer da graduação, sendo de suma importância na formação acadêmica, pois possibilita a oportunidade de vivenciar e exercer a profissão.
A realização do estágio sucedeu-se na Agropecuária FarmaCampo, localizada no município de Ijuí, Rio Grande do Sul, Brasil, sendo as áreas de atuação a Clínica, Cirúrgica e de Reprodução de Grandes Animais, com ênfase na Bovinocultura Leiteira, no período de 18 de março à 18 de abril de 2019, totalizando 150 horas de atividades realizadas. A supervisão interna do estágio ficou a cargo do Médico Veterinário Jorge Luís Lima Schifer e a orientação a cargo da professora Doutora Médica Veterinária, Denize da Rosa Fraga.
A região do município de Ijuí, onde o Médico Veterinário, supervisor do estágio, presta assistência, é uma região que, segundo dados da Embrapa (2014), é o principal polo de produção de leite do estado, ficando em segundo lugar em âmbito nacional.
O leite, por muito tempo foi uma atividade secundária, a fim de complementar a renda nas propriedades rurais, onde a principal atividade era o cultivo de grãos. A produção leiteira, era vista como atividade das mulheres entre as décadas de 80 e 90. Já a partir dos anos 2000, a bovinocultura de leite passou a ser a principal atividade fonte de renda de muitas propriedades, a partir daí, houve um maior crescimento da atividade, principalmente pelo fato de que no Estado, há solo e clima favorável, podendo dessa forma produzir alimento para o ano todo, além de mão de obra disponível (MEDEIROS e BRUM, 2015).
Nos últimos anos, o Rio Grande do Sul vem apresentando maiores ganhos na produção de leite, este fator que está atribuído ao melhoramento genético, à melhor nutrição animal e também através de adoção de novas tecnologias inseridas nas propriedades, sendo que a maioria das propriedades, utilizam a mão de obra familiar na atividade leiteira (MONTOYA et al. 2014).
A evolução da atividade leiteira vem ocorrendo de forma constante nos últimos anos, dessa maneira, resultando em uma produção com forte crescimento, colocando o Brasil no ranking dos principais produtores mundiais de leite (ROCHA e CARVALHO, 2018). Em âmbito mundial, o Brasil ocupa o quarto lugar em produção de leite, ou seja, é o quarto país que mais produz leite no mundo, com cerca de 35,1 bilhões de litros por ano (ZOCCAL e RENTERO, 2018).
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Durante o período de estágio foram acompanhados atendimentos clínicos, atividades na área reprodutiva e na área preventiva, bem como procedimentos cirúrgicos. A escolha do local de realização do estágio, foi através das atividades desenvolvidas pelo Médico Veterinário Supervisor, ou seja, atividades voltadas para a bovinocultura de leite.
O Estágio Curricular Supervisionado em Medicina Veterinária teve como objetivo principal, aplicar na prática todo conhecimento teórico obtido no decorrer da graduação, podendo vivenciar a realidade que o profissional de medicina veterinária enfrenta diariamente no campo, acompanhando sua rotina e condutas tomadas frente a diferentes casos, na área de clínica, cirurgia e reprodução de grandes animais, com ênfase na bovinocultura leiteira, agregando conhecimentos de extrema importância e necessidade para o exercício da profissão.
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2. ATIVIDADES DESENVOLVIDAS
As principais atividades desenvolvidas durante o Estágio Curricular Supervisionado em Medicina Veterinária na área de Clínica, Cirurgia e reprodução de Grandes Animais serão apresentadas a seguir resumidamente na Tabela 1 e especificadas nas Tabelas 2 a Tabela 8.
Tabela 1 - Resumo das Atividades acompanhadas durante o Estágio Curricular Supervisionado em Medicina Veterinária na área de Clínica, Cirurgia e Reprodução de Grandes Animais, realizado na Agropecuária FarmaCampo, localizada em Ijuí, RS, no período de 18 de março a 18 de abril de 2019.
Resumo das Atividades N° %
Atividades Reprodutivas 101 40,6%
Procedimentos 66 26,5%
Atividades de Medicina Veterinária Preventiva 54 21,7%
Atendimentos Clínicos 22 8,8%
Procedimentos Cirúrgicos 6 2,4%
Total 249 100%
Tabela 2 - Atividades Reprodutivas realizadas em bovinos acompanhados durante o Estágio Curricular Supervisionado em Medicina Veterinária na área de Clínica, Cirurgia e Reprodução de Grandes Animais, realizado na Agropecuária FarmaCampo, localizada em Ijuí, RS, no período de 18 de março a 18 de abril de 2019.
Atividades Reprodutivas N° %
Ultrassonografia via transrretal 94 93%
Palpação retal 5 5%
Palpação vaginal 2 2%
Total 101 100%
Tabela 3 - Situação Reprodutiva das fêmeas bovinas realizadas acompanhadas durante o Estágio Curricular Supervisionado em Medicina Veterinária na área de Clínica, Cirurgia e Reprodução de Grandes Animais, realizado na Agropecuária FarmaCampo, localizada em Ijuí, RS, no período de 18 de março a 18 de abril de 2019.
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Situação Reprodutiva N° %
Vazia 73 72,3%
Prenha 28 27,7%
Total 101 100%
Tabela 4 - Diagnósticos Reprodutivos das fêmeas bovinas realizadas acompanhadas durante o Estágio Curricular Supervisionado em Medicina Veterinária na área de Clínica, Cirurgia e Reprodução de Grandes Animais, realizado na Agropecuária FarmaCampo, localizada em Ijuí, RS, no período de 18 de março a 18 de abril de 2019.
Diagnósticos Reprodutivos N° %
Sadias 58 79,5
Metrite 4 5,5
Endometrite Pós Puerperal Grau 1 3 4,1
Cisto Folicular 2 2,7
Cisto Luteínico 2 2,7
Endometrite Pós Puerperal Grau 2 2 2,7
Endometrite Pós Puerperal Grau 3 1 1,4
Retenção de placenta 1 1,4
Total 73 100%
Tabela 5 - Procedimentos realizados em bovinos acompanhados durante durante o Estágio Curricular Supervisionado em Medicina Veterinária na área de Clínica, Cirurgia e Reprodução de Grandes Animais, realizado na Agropecuária FarmaCampo, localizada em Ijuí, RS, no período de 18 de março a 18 de abril de 2019.
Procedimentos N° %
Marcação após vacinação para Brucelose 54 81,8
Amochamento térmico 12 18,2
Total 66 100%
Tabela 6 - Atividades de Medicina Veterinária Preventiva realizadas em bovinos acompanhados durante o Estágio Curricular Supervisionado em Medicina Veterinária na área de Clínica, Cirurgia e Reprodução de Grandes Animais, realizado na Agropecuária FarmaCampo, localizada em Ijuí, RS, no período de 18 de março a 18 de abril de 2019.
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Atividade de Medicina Preventiva N° %
Vacinação para Brucelose (RB-51, MDS Saúde Animal) 54 100%
Total 54 100%
Tabela 7 – Atendimentos Clínicos realizados em bovinos acompanhados durante o Estágio Curricular Supervisionado em Medicina Veterinária na área de Clínica, Cirurgia e Reprodução de Grandes Animais, realizado na Agropecuária FarmaCampo, localizada em Ijuí, RS, no período de 18 de março a 18 de abril de 2019.
Tabela 8 - Procedimentos Cirúrgicos realizados em bovinos acompanhados durante durante o Estágio Curricular Supervisionado em Medicina Veterinária na área de Clínica, Cirurgia e Reprodução de Grandes Animais, realizado na Agropecuária FarmaCampo, localizada em Ijuí, RS, no período de 18 de março a 18 de abril de 2019.
Procedimentos Cirúrgicos N° % Omentopexia 3 50% Orquiectomia 2 33,3% Cesariana 1 16,7% Total 6 100% Atendimentos Clínicos N° % Hipocalcemia 6 27,3% Atonia Ruminal 6 27,3%
Suspeita de Tristeza Parasitária 4 18,3%
Parto Distócico 2 9,1% Suspeita de Reticulopericardite 1 4,5% Suspeita de Ceratoconjuntivite 1 4,5% Retenção de Placenta 1 4,5% Mastite Clínica 1 4,5% Total 22 100%
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3. RELATO DE CASO 1
3.1. DESLOCAMENTO DE ABOMASO À ESQUERDA EM VACA HOLANDESA PÓS PARTO
3.1.1. Introdução
No decorrer dos últimos anos, a pecuária leiteira vem vivenciando constantes mudanças, com a finalidade de maximizar a produção, procurando alcançar melhores resultados e um maior retorno financeiro ao produtor. Esse aprimoramento para animais mais produtivos, com maior capacidade digestiva e maior profundidade corporal, acabou gerando uma maior susceptibilidade à ocorrência de algumas enfermidades, dentre elas está o deslocamento de abomaso (PANELLI, 2014; LAMBERT, 2010).
Essa doença acaba promovendo perdas econômicas em rebanhos leiteiros, já que além de existir custos com o tratamento, há também redução na produção de leite, perda de peso corporal, maior intervalo entre partos, bem como o descarte precoce do animal, podendo ainda, este vir à óbito (SANTAROSA, 2010).
O deslocamento de abomaso, é caracterizado como uma enfermidade de origem metabólica, tendo como principais fatores pré disponentes, o manejo nutricional e sanitário dos animais, caracterizando-se ainda, por ser uma das doenças mais comuns do trato gastrointestinal dos bovinos leiteiros, representando a principal causa de cirurgia abdominal nesses animais. Sua ocorrência se dá principalmente em animais de alta produção e geralmente ocorre nos primeiros dias após o parto. Além disso, o deslocamento de abomaso, pode acontecer tanto para o lado direito (DAD), como para o lado esquerdo do abdômen (DAE), sendo o último o de maior frequência nos bovinos (MOTTA et al. 2014; CARNESLLA, 2010; SMITH, 2006).
O deslocamento de abomaso à esquerda, possui causas multifatoriais, porém, pode-se enfatizar que o pré-requisito para essa ocorrência é a hipomotilidade e a distensão gasosa do abomaso, sendo que a dieta com altos níveis de concentrado reduz a motilidade abomasal, facilitando o acúmulo de gás (RADOSTITIS et al. 2010). A ocorrência do deslocamento de abomaso pode apresentar-se em qualquer categoria de bovinos, porém, sua maior ocorrência é no período pós parto de vacas leiteiras de alta produção, e em geral, cerca de 90% dos casos ocorrem em até seis semanas após o parto. Essa patologia associa-se também ao número de
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parições, sendo que é mais comum em vacas com mais de quatro anos, pelo fato de terem maior número de crias (GONZÁLEZ et al., 2014).
González et al. (2014), menciona que as doenças do abomaso estão fortemente associadas as alterações metabólicas, principalmente em animais de alta produção, onde há um ligação direta entre o balanço energético negativo e a ocorrência de deslocamento de abomaso à esquerda, já que nessa condição, há uma redução no consumo de matéria seca, não ocorrendo o preenchimento ruminal. Alguns transtornos metabólicos, como a cetose, a lipidose hepática, a hipocalcemia e as úlceras abomasais, também são fatores predisponentes para a ocorrência do deslocamento de abomaso, já que ocasionam a redução no consumo de matéria seca.
Animais que recebem dietas altamente energéticas, ou com altos níveis de concentrado ou ainda com baixos teores de fibra bruta, estão mais propensos a ocorrência dessa enfermidade. Dietas ricas em concentrado e pobres em volumoso, provavelmente sejam a causa do aumento de ácidos graxos voláteis no abomaso, principalmente o butírico, esse fator vai inibir a contratilidade da musculatura abomasal, reduzindo a teor de esvaziamento, ou seja, a passagem de ingesta para o duodeno será inibida, acumulando-se no abomaso (GONZÁLEZ et al., 2014; SANTOS, 2006; OGILVIE, 2000). Santos (2006), menciona que dietas ricas em concentrado aumentam a produção de gases no abomaso, os principais são o dióxido de carbono, metano e nitrogênio.
Smith (2006), aponta que essa enfermidade pode ocorrer secundariamente à doenças relacionadas com reações febris ou endotóxicas, como mastites graves, retenção de placenta e metrites. González et al. (2014), menciona que na gestação avançada, o feto ocupa um grande espaço na cavidade, retirando uma porção do espaço do rúmen, causando uma predisposição anatômica para que o abomaso possa deslocar-se após o parto.
De acordo com Radostitis et al. (2010), a sintomatologia apresentada pelos ruminantes acometidos pelo deslocamento de abomaso, são inapetência total ou moderada, redução ou ausência de sons ruminorreticulares, cetose e consequente queda na produção de leite. Smith (2006), menciona ainda, que animais acometidos por essa enfermidade podem apresentar defecação diminuída, o abdômen pode apresentar-se afundado na fossa paralombar, a frequência cardíaca pode encontrar-se levemente alterada, assim como a frequência respiratória pode estar superficial.
O diagnóstico do deslocamento de abomaso baseia-se na presença de sons metálicos timpânicos (“ping”), característico à ausculta e a percussão simultâneos, associados a outros fatores, como anorexia parcial ou total, redução na produção de leite e parição recente segundo (Radostits et al. 2010; Kahn, 2008). Geralmente na ausculta simultânea à percussão, é possível
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perceber sobre o terço superior entre a nona e a 12º costela da parede abdominal, os sons timpânicos característicos, sendo que, o tamanho e a localização do “ping” sofre variação dependendo da quantidade de gás presente no abomaso (CARDOSO, 2004; RADOSTITS et al. 2010). Para Radostits et al. (2010), a confirmação do diagnóstico se dá através da laparotomia exploratória.
Silva et al., (2017), menciona que o tratamento para o deslocamento de abomaso baseia-se no reposicionamento do órgão ao baseia-seu local fisiológico, baseia-sendo esbaseia-se processo realizado por técnicas cirúrgicas abertas ou fechadas. Além disso, é de extrema importância para a recuperação do animal, que sejam efetuadas a reposição hidroeletrolítica e o reestabelecimento da motilidade abomasal. Rebhun (2000), aponta que as técnicas cirúrgicas que podem ser utilizadas para correção dessa patologia, são a abomasopexia e a omentopexia.
O deslocamento de abomaso simples, pode ser tratado apenas com terapia médica, apesar de não apresentar tanto sucesso quanto a correção cirúrgica. Para tal, pode-se fazer o uso de medicamentos para estimular a motilidade e a evacuação do trato gastrointestinal. Pode-se utilizar ainda, a técnica de rolamento para correção dessa patologia, a qual consiste em posicionar o animal em decúbito dorsal e então movê-lo de um lado para o outro, tal procedimento, deve fazer com que o abomaso retorne para sua posição anatômica (REBHUN, 2000).
A profilaxia do deslocamento de abomaso, conforme aponta Santarosa (2010), baseia-se em uma dieta e um manejo pré-parto adequados, além de, evitar ao máximo que o animal passe por situações de estresse, e que ocorram doenças no puerpério.
O presente estudo tem como objetivo relatar um caso de deslocamento de abomaso à esquerda, em uma fêmea bovina da raça holandesa, ao qual foi acompanhado durante a realização do Estágio Curricular Supervisionado em Medicina Veterinária.
3.1.2. Metodologia e Resultados
No decorrer do Estágio Curricular Supervisionado em Medicina Veterinária realizado na Agropecuária FarmaCampo, foi efetuado um atendimento clínico à uma fêmea bovina da raça holandesa, no interior do município de Ijuí, Latitude 28º 23’16”S e Longitude 53º54’53”W, Estado do Rio Grande do Sul, Brasil. O animal pesava aproximadamente 600 kg, apresentando um escore de condição corporal de 3 (sendo a escala de 1 a 5, onde 1 refere-se a animais muito magros e 5 a animais muito gordos).
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Durante a anamnese, o produtor relatou que a fêmea bovina encontrava-se parida há 14 dias, a mesma apresentava-se apática, com drástica redução na ingestão de alimento e queda significativa na produção de leite.
Para efetuar o exame clínico geral, o animal foi conduzido até o canzil, onde foram aferidos os parâmetros fisiológicos, aos quais apresentaram os seguintes resultados: temperatura retal de 38,6ºC, frequência cardíaca de 75 batimentos por minuto, frequência respiratória de 32 movimentos por minuto, motilidade ruminal diminuída, com cerca de um movimento por minuto, além disso, na palpação retal, constatou-se a escassez de fezes. No exame ginecológico, foi perceptível a presença de secreção vulvar fétida, sugerindo a ocorrência de metrite.
Na realização do exame físico específico, foi efetuada a percussão na região da fossa paralombar, dos lados direito e esquerdo, o qual durante a ausculta, constatou-se o som de “ping metálico” bem como a presença de gás do lado esquerdo, sendo esses sinais característicos do deslocamento de abomaso.
Mesmo com a realização dos exames e o animal ter apresentado sintomatologia condizente com os sinais de deslocamento de abomaso, o produtor optou apenas pela terapêutica medicamentosa, a fim de aguardar alguns dias, para ver se o animal apresentaria melhora. Para tal, foi instituída a seguinte terapêutica: 200 mL de Sorbus, 100 mL polivitamínico e antitóxico (Liverton®) e 1000 mL de repositor hidroeletrolítico (Ringer Lactato), todos os fármacos foram aplicados pela via endovenosa.
Quatro dias após o primeiro atendimento, o produtor entrou em contato novamente com o médico veterinário, relatando que mesmo após estabelecida a terapêutica para o animal, o mesmo não havia apresentado melhora. Dessa forma, optou-se como tratamento a correção cirúrgica do deslocamento de abomaso, através da técnica cirúrgica de omentopexia pelo flanco direito.
O procedimento iniciou-se pela higienização na região da fossa paralombar direita, para tal utilizou-se o desinfetante Iodophor (Biofor®) diluído em água, seguido de ampla tricotomia no local. Após esse procedimento, foi realizada uma nova higienização, novamente com o desinfetante Iodophor (Biofor®).
Posterior ao procedimento de assepsia, foi realizada a anestesia local com 80ml de Cloridrato de Lidocaína (Bloc®), a mesma transcorreu-se pela técnica de “L invertido”, anestesiando três camadas, sendo elas, a pele, o subcutâneo e a musculatura. Enquanto aguardava-se a anestesia surtir efeito, foi efetuada a higienização das mãos e a colocação de luvas de procedimento.
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O procedimento iniciou-se através da incisão com o auxílio de um bisturi, na fossa paralombar direita, para a realização de uma laparotomia exploratória. A pele, o tecido subcutâneo, o músculos oblíquo abdominal externo e interno, abdominal transverso do abdômen e o peritônio foram incisados. Após efetuada a incisão, foi realizado o acesso à cavidade abdominal, localizando-se o abomaso, sendo que não era possível sua visualização, já que se tratava de deslocamento para a esquerda.
Logo após a localização do abomaso, foi inserido no órgão uma agulha acoplada a um equipo para a retirada do gás que havia em seu interior, ao qual estava presente em grande quantidade. Posterior a esse processo, localizou-se o omento, sendo este tracionado delicadamente para o local da incisão. Conforme essa estrutura foi sendo tracionada, o abomaso foi retornando para a seu local de origem, no assoalho do abdômen.
Com o omento exposto, procurou-se pelas suas partes mais espessas, as quais deram origem a primeira linha de sutura. As partes mais espessas do omento foram sendo suturadas juntamente com o peritônio e o músculo transverso do abdômen com sutura contínua simples com fio absorvível categute número 03, foi realizada sutura de reforço com alguns pontos isolado simples. Em seguida, na segunda linha, foram suturados os músculos oblíquo interno e externo do abdômen, também através da sutura continua simples com fio absorvível categute número 03. Realizou-se então, a terceira linha de sutura, que foi da pele, com fio de náilon não absorvível, com sutura em Wolf. Após o fechamento da incisão, foi realizada a higienização do local, com detergente e água.
Para terapia de suporte pós cirurgia, foi instituído a utilização de um litro de repositor hidroeletrolítico (Ringer Lactato), 100 mL de (Sorbus®), 100 mL de polivitamínico e antitóxico (Liverton®), 3,32g de cálcio (Calfon®) no volume de 200 mL, 2 mg/kg de Flunixin Meglumine (Flumax®) no volume de 15 mL, ambos sendo aplicados pela via endovenosa e 17,2 mg/kg de Amoxicilina Trihidratada (Amox®) no volume de 60 mL, sendo aplicada pela via intramuscular.
Recomendou-se ao produtor que fizesse o uso de Amox® e Flumax® por mais três dias, aplicando a dose de 17,2mg/kg, no volume de 60 mL e 2 mg/kg, no volume de 15 mL, respectivamente, uma vez ao dia, ambos sendo aplicados pela via intramuscular. Além da terapêutica recomendada, para o pós operatório, orientou-se ao proprietário do animal para atentar-se principalmente à alimentação da fêmea bovina, ao qual deveria ser readaptada gradativamente à dieta com concentrado, evitando o fornecimento nos primeiros dias pós cirurgia. Também foi recomendado ao produtor, que efetuasse o descarte do leite durante três dias após a última aplicação de antibiótico (Amox®).
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Dez dias após o procedimento cirúrgico para a correção do deslocamento de abomaso da fêmea bovina, contatou-se o produtor, ao qual informou que o animal havia apresentado melhora, encontrava-se ativo, estava alimentando-se novamente e a produção de leite vinha aumentando gradativamente. Após 14 dias do procedimento foi realizada a remoção dos pontos.
3.1.3. Discussão
Fatores para melhorar a produção leiteira, como a seleção genética e o manejo nutricional, acabam por deixar as vacas mais susceptíveis a ocorrência de doenças como o deslocamento de abomaso (SANTAROSA, 2010). Com isso, a bovinocultura leiteira sofre com diversos prejuízos precedentes das doenças metabólicas, tal como, queda na produção de leite, custos no tratamento, descarte prematuro de animais, além de acarretar problemas na eficiência reprodutiva (SCHUTZ, 2007).
A sintomatologia clínica do deslocamento de abomaso, pode apresentar-se pela queda na produção de leite, baixo ou nenhum consumo de alimento, redução da ruminação e da frequência ruminal, pouca quantidade ou escassez de fezes, a frequência cardíaca pode encontrar-se alterada, pode ocorrer distensão no flanco e, além disso, fatores como dietas ricas em concentrado e pobre em volumosos, parição recente e doenças como metrite, podem ser fatores importantes presentes na ocorrência dessa patologia (ANDREWS et al., 2008; SMITH 2006). O animal do caso relatado, encontrava-se no período pós parto, com 14 dias de lactação e com presença de metrite, além disso, apresentava sinais como queda na produção de leite, baixo consumo de alimento e pouca quantidade de fezes, tais fatores que são condizentes com a literatura nas ocorrências de deslocamento de abomaso.
O diagnóstico do deslocamento de abomaso consiste na anamnese, verificando se o animal teve parição recente, se houve redução na produção de leite e no consumo de alimento, tais fatores são associados ao exame clínico, ou seja, ausculta e percussão no flanco esquerdo, ao qual, quando positivo para a enfermidade, apresenta o som de “ping” metálico, o que indica que o órgão encontra-se repleto de gás (ANDREWS et al., 2008; KAHN 2008). No caso relatado, levou-se em consideração a anamnese, os sinais clínicos e o exame físico especifico para o diagnóstico de deslocamento de abomaso, sendo constatado durante a ausculta e simultânea percussão, o som de “ping” metálico na fossa paralombar esquerda, característico dessa enfermidade, estando dessa forma, o diagnóstico condizente com a literatura.
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Para o tratamento do deslocamento de abomaso, é realizado o reposicionamento do órgão à sua posição anatômica normal, além de efetuar a reposição hidroeletrolítica e ácido básica, promovendo terapia de suporte contra patologias concomitantes, além disso, deve-se realizar técnicas cirúrgicas ou não cirúrgicas para a correção dessa desordem. A abordagem não cirúrgica pode se dar através da técnica de rolamento. Já as abordagens cirúrgicas podem ser pelas técnicas de abomasopexia paramediana pelo flanco esquerdo ou direito, para deslocamento para esquerda e para direita respectivamente ou omentopexia pelo flanco direito, que pode ser realizada tanto para o deslocamento para a esquerda quanto para a direita (SMITH, 2006; TURNER e MCILWRAITH, 2002). No caso relatado, optou-se pela correção cirúrgica através da técnica de omentopexia pelo flanco direito.
O início do procedimento de correção do deslocamento de abomaso, se dá com a contenção do animal, em seguida, é realizada a tricotomia e feita a assepsia no local da incisão. Com o animal em estação, faz-se a anestesia local que pode ser efetuada com o bloqueio em “L” invertido. É realizada então, uma incisão vertical, de cerca de 20 cm na fossa paralombar direita, iniciando de 4 a 5 cm ventral aos processos transversos das vertebras lombares. A pele, os músculos obliquo abdominal externo e interno, músculo abdominal transverso e o peritônio são incisados, dando acesso à cavidade abdominal. Com luvas estéreis, deve-se palpar o lado esquerdo do abdômen, procurando o abomaso distendido com gás do lado esquerdo do rúmen, fator que confirma o DAE. Após localizado o abomaso, esvazia-se o órgão com uma agulha 14 ou 16, com o auxílio de um dreno estéril. A agulha é inserida obliquamente na parede do abomaso e então o gás é liberado, esvaziando o órgão. Após a retirada do gás, recoloca-se o abomaso em sua posição anatômica, e então localiza-se o omento, este que é tracionado delicadamente para fora da incisão, localizando a sua parte mais espessa. O peritônio e o músculo abdominal transverso são suturados com sutura contínua simples com categute número 03, junto à eles é ancorado o omento nos dois terços ventrais da incisão, em seguida os músculos abdominais interno e externo e a fáscia subcutânea são suturados com contínua simples com fio categute número 03, sendo essa linha de sutura ancorada em intervalos variados ao músculo transverso profundo. A pele pode ser fechada com sutura contínua ou interrompida simples, e geralmente os pontos são ancoradas no tecido subjacente para que não haja espaço morto (HENDRICKSON, 2018; TURNER e McILWRAITH, 2002). Todo o procedimento cirúrgico, do caso relatado, já descrito anteriormente na metodologia está condizente com a literatura, mencionada acima.
Posteriormente à conclusão do procedimento cirúrgico, realizou-se a higienização do local, com detergente e água corrente, sendo feita a aplicação de spray prata a base de
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sulfatiazina de prata, diclorvós e cipermitrina (MaxPrata®), com a finalidade de contribuir para o processo de cicatrização, além de prevenir a ocorrência de infecções no local, que podem originar miíases.
Na conduta pós cirúrgica, utilizou-se um litro de repositor hidroeletrolítico (Ringer Lactato), 100 mL de (Sorbus®), 100 mLde polivitamínico e antitóxico (Liverton®), 3,32 g de cálcio (Calfon®) no volume de 200 mL, 2 mg/kg de Flunixin Meglumine (Flumax®) no volume de 15 mL e 17,2 mg/kg de Amoxicilina Trihidratada (Amox®) no volume de 60 mL. Hendrickson (2018), menciona que na conduta pós operatória, é importante a administração de eletrólitos, sais de cálcio e terapia hídrica, caso haja algum distúrbio metabólico decorrente do deslocamento de abomaso, além disso, deve-se fazer o uso de antibioticoterapia e estimulantes da motilidade. O tratamento com antibiótico também auxiliará no tratamento da metrite.
O ringer lactato é uma solução utilizada para manutenção e reposição de fluido, possuindo uma concentração eletrolítica balanceada, sua posologia para manutenção é de 40-50ml/kg/dia por via intravenosa (PAPICH, 2012). González (2014), menciona que a terapia hidroeletrolítica deve ser aplicada como forma de prevenir a desidratação. Para a administração ao paciente do caso relatado, não foram calculadas as doses necessárias de reposição, foi administrado um litro de ringer lactato, estando em desacordo com a literatura. O volume a ser aplicado de Ringer deveria ser de 3 litros, considerando uma desidratação leve, de 5 %.
O sorbitol é um elemento que exerce atividade osmótica no lúmen intestinal, ele atrai água para essa região, dessa forma promovendo a distensão das fibras musculares lisas intestinais, aumentando o peristaltismo (ANDRADE, 2008). Esse elemento é o principal componente do Sorbus®, utilizado no caso relatado, auxiliando nos distúrbios digestivos, como a atonia, já que esse é um dos pré-requisitos do deslocamento de abomaso (CARNESELLA, 2010).
Os hepatoprotetores, geralmente são uma associação de vitaminas que são suplementadas com o intuito de assegurar adequado suprimento de cofatores metabólicos (MORGADO e SUCUPIRA, 2014). De acordo com a bula do Liverton® (2000), esse produto tem a função de atuar como hepatoprotetor, estimulando as funções metabólicas do fígado, sendo também indicado para uso, após tratamentos com antibióticos. A paciente do caso relatado, recebeu o volume de 100 mL, não condizendo com a dosagem prescrita pelo fabricante, que recomenda de 20 a 50 mL do produto.
O cálcio é um íon essencial na funcionalidade de diversos sistemas, a baixa concentração desse elemento, é um fator que pode causar debilidade muscular e trazer prejuízos na motilidade gastrointestinal, dessa forma, é muito importante que essa terapia de suporte seja aplicada aos
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animais, sendo os níveis séricos de cálcio corrigidos. A dose recomendada é de 5-12g, administrados por via endovenosa, de forma lenta (ANDRADE, 2008; PAPICH, 2012; GONZÁLEZ, 2014). Neste caso foi aplicado apenas 3,2 g de cálcio, estando abaixo da dose recomendada.
Flunixin Meglumine é uma anti-inflamatório não esteroidal, que produz efeitos analgésico e anti-inflamatório, sendo principalmente utilizada, em tratamentos de curto prazo da dor moderada e da inflamação, além disso, Papich (2012), menciona que a dose a ser utilizada para bovinos é de 1,1-2,2 mg/kg, podendo ser administrada pela via endovenosa ou intramuscular, assim como foi realizado no caso relatado, sendo feita a utilização de 2 mg/kg desse anti-inflamatório.
A amoxicilina trihidratada é um antibiótico betalactâmico, que inibe a síntese da parede celular bacteriana, a dose recomenda é de 6,6-22mg/kg a cada 12 horas, havendo um período de carência de 96 horas (PAPICH, 2012). A dose utilizada no caso relatado foi de 17,2mg/kg, estando condizente com a literatura, porém, o intervalo foi de 24 horas entre doses, estando em descordo.
Turner e McIlwraith, (2002), cita que os fios de sutura podem ser retirados entre 10 e 14 dias após o procedimento cirúrgico, como ocorreu no caso relatado, onde os pontos de sutura foram removidos no 14 º dia após a correção cirúrgica.
De acordo com Kahn (2008), o prognóstico de animais tratados de deslocamento de abomaso é favorável, já que aproximadamente 95% dos casos tratados há recuperação dos animais. Hendrickson (2018), aponta, que na técnica de omentopexia pelo flanco direito, o índice de sucesso é alto, girando em torno de 87% a 100% em vacas leiteiras. Dez dias após o procedimento cirúrgico foi realizado o contato com o produtor, ao qual informou que o animal estava voltando gradativamente às suas atividades, reestabelecendo a produção de leite e voltando a alimentar-se normalmente, porém, o animal não foi revisado através de exame clínico.
A profilaxia do deslocamento de abomaso, consiste em proporcionar aos animais uma nutrição e um manejo pré-parto adequados, procurando reduzir o estresse e outras doenças do puerpério (SANTAROSA, 2010). Menciona que as fêmeas bovinas secas ou não lactantes, devem receber alimentação com fibras longas e pouca quantidade de concentrado, além disso, alteração na dieta que ocorre após o parto, deve ser o mais gradual possível (ANDREWS, 2008). No caso relatado, o produtor procura fornecer para os animais ração pré parto, que é indicada para evitar complicações como o deslocamento de abomaso, porém, após o fato ocorrido, o
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produtor foi orientado a ter um manejo pré parto mais rigoroso, para evitar problemas no pós parto.
3.1.4. Conclusão
Conclui-se que neste caso a vaca apresentou deslocamento de abomaso pós-parto em função da ocorrência de metrite e o procedimento de omentopexia foi realizado com sucesso. Ressalta-se a importância de uma dieta pré-parto adequada e do acompanhamento ginecológico de vacas por um Médico Veterinário, pois no puerpério infecções uterinas associadas a uma dieta inadequada são fatores que predispõe a ocorrência dessa patologia.
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3.1.5. Referências Bibliográficas
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4. RELATO DE CASO 2
4.1. PARTO DISTÓCICO EM VACA DA RAÇA HOLANDESA
4.1.1. Introdução
O trabalho de parto é definido, como um processo fisiológico no qual o feto e os envoltórios fetais são eliminados do útero. Esse processo ocorre através da relação de diversos fatores, aos quais provocam na fêmea gestante, diversas modificações de ordem morfológica, bioquímica, biofísica e de fisiologia muscular (ALVARENGA, 2012), ou seja, esse fenômeno envolve fatores mecânicos, endócrinos e nervosos, aos quais resultam em contrações uterinas, da musculatura abdominal e dos movimentos respiratórios (PRESTES,2017). De acordo com Palhano (2008), pode-se classificar o parto como eutócico, quando este é fisiológico, ocorrendo sem intervenções, ou parto distócico (parto patológico), neste ocorrem distocias fetais.
A estática fetal caracteriza-se pelo modo com que o feto se posiciona no interior do útero durante o período de gestação, bem como a sua posição no momento do parto. Em um parto normal, a estática do feto deve ser em apresentação longitudinal anterior ou posterior, posição superior e atitude estendida (PRESTES, 2017). Porém, uma má apresentação, mau posicionamento e má atitude/postura do feto, são fatores que aumentam a probabilidade de um parto distócico (RADOSTITS et al, 2010).
A distocia é caracterizada por uma complicação que ocorre no momento do parto, onde a vaca não consegue proporcionar a expulsão do feto, sendo que essa ocorrência pode ter origem materna ou fetal (RESENDE, 2018). Alguns dos fatores para a ocorrência de distocia em fêmeas bovinas são a desproporção do feto/pelve, má apresentação, mal posicionamento, má postura do feto, gestações gemelares, torção uterina, hipocalcemia pré parto, incapacidade de dilatação da cervix, parto prematuro, abortos, defeitos congênitos, obesidade, inércia uterina, fratura pélvica, entre diversos outros fatores (TROEDSSON, 2006). As distocias de causa fetal, podem ocorrer por deficiência de corticosteróides adrenais, pelo tamanho do feto, pela gestação prolongada, pela alterações na estática fetal, por defeitos como a duplicação de membros ou cabeça, por ascite, hidrocefalia ou anasarca (PRESTES, 2012).
Deve-se realizar um exame obstétrico minucioso, mantendo sempre informações sobre o progresso do parto, bem como o tempo de ruptura da membrana corioalantóide, duração e
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intensidade do trabalho de parto, salientando que no trabalho de parto, a primeira bolsa a se romper é a membrana alantóide (TROEDSSON, 2006; PALHANO, 2008). A intervenção no parto dos bovinos não é tão urgente quando comparado as demais espécies, já que o tempo entre as fases do parto são mais lentas, podendo-se ter a sobrevivência do feto de quatro a dez horas após o rompimento das vesículas, sendo elas o alantocório, com saída de liquido pela vulva e após rompimento do âmnio (PRESTES, 2012; PALHNO, 2008).
O parto ocorre basicamente em três fases. A primeira fase do parto, é a fase preparatória, onde há relaxamento dos ligamentos pélvicos e dilatação da cervix, podendo ainda ocorrer corrimento mucoso, que é proveniente do tampão mucoso do colo uterino. Essa fase pode durar de 6 a 24 horas. A segunda, caracteriza-se pela fase de dilatação, ocorrendo contrações uterinas com intervalos variados, essas contrações forçam o feto para trás da cavidade abdominal para dentro da cavidade pélvica, que por sua vez provoca contrações abdominais. Essa pressão que o feto exerce, vai estimular a liberação de ocitocina, com a presença desse hormônio, haverá maior ocorrência de contrações miometriais, esse mecanismo é conhecido como reflexo de Ferguson. Ocorre então, o rompimento do alantocório, com a progressão das contrações, o âmnio surge pela vulva e as patas do bezerro logo aparecem, posteriormente surge a cabeça do terneiro, e então o restante do corpo e dos membros posteriores são expulsos. O cordão umbilical geralmente se rompe espontaneamente com a expulsão do feto. Essa fase dura em torno de 3 a 4 horas. A terceira e última fase do parto, é denominada fase de expulsão, onde há o rompimento e expulsão das membranas fetais, ocorrendo através, ainda, das contrações miometriais. Esse processo pode levar até 6 horas (PALHANO, 2008; BALL e PETERS, 2006). A intervenção no parto, deve ser feita se houver desconfiança de distocias de causa fetal, comprometimento da saúde da parturiente, se existir suspeitas de feto muito grande nas receptoras de embrião ou se houver morte do feto (PRESTES, 2012).
Dentre os procedimentos obstétricos para a correção da distocia, estão o reposicionamento fetal, a tração fetal, a fetotomia e a cesariana (TROEDSSON, 2006). Para que seja feito o reposicionamento fetal, aconselha-se que o animal esteja em pé, e que hajam condições favoráveis, como apresentação longitudinal do feto, abertura suficiente das vias fetais ósseas e mole (Grunet e Stopiglia, 1977). A cesariana é indicada para quando as tentativas de retirada do feto através de reposicionamento, tração e fetotomia não obtiveram sucesso, ou forem contra indicadas ou ainda, quando alguma das manobras obstétricas oferecerem risco para o feto e para a mãe. A tração geralmente é feita depois da correção da má apresentação, mau posicionamento e má postura do feto. Já a fetotomia, tem como objetivo, remover o feto,
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tendo a vantagem de não precisar acessar a cavidade por meio cirúrgico, como ocorre na cesariana (TROEDSSON, 2006).
O parto distócico é passível de ocorrência em qualquer uma das espécies, porém as fêmeas bovinas são as mais acometidas, principalmente nas de raças leiteiras. Além disso, pode-se verificar maior frequência de ocorrência despode-se fato em vacas primíparas, quando o feto é macho e também nos casos onde há confinamento e superalimentação (TONIOLLO e VICENTE, 2003). Essa condição ao qual as fêmeas bovinas estão sujeitas a passar, é uma situação emergencial, onde o profissional de medicina veterinária deve possuir conhecimento dos eventos fisiológicos que ocorrem durante a fase de parto, para que, desse modo, saiba como e quando intervir (RESENDE, 2018).
O presente estudo tem como objetivo relatar um caso sobre a intervenção em um parto distócico de uma fêmea bovina da raça holandesa, ao qual foi acompanhado durante a realização do Estágio Curricular Supervisionado em Medicina Veterinária.
4.1.2. Metodologia e Resultados
No decorrer da realização do Estágio Curricular Supervisionado em Medicina Veterinária realizado na Agropecuária FarmaCampo, foi efetuado um atendimento clínico à uma fêmea bovina da raça holandesa, no interior do município de Ijuí, Latitude 28º 23’16”S e Longitude 53º54’53”W, Estado do Rio Grande do Sul, Brasil. O animal pesava aproximadamente 550 kg, apresentando um escore de condição corporal de 3 (sendo a escala de 1 a 5, onde 1 refere-se a animais muito magros e 5 a animais muito gordos).
O proprietário relatou, que logo pela manhã quando foi realizar o processo de ordenha e alimentação dos animais, percebeu que uma das vacas não havia vindo para alimentar-se, essa encontrava-se perto da data prevista para parição, além disso, estava apresentando sinais de parto no dia anterior. Dessa forma o produtor foi em busca do animal, o mesmo encontrava-se afastada dos demais, em meio às arvores, nesse momento, segundo o produtor, foi possível verificar que havia apenas o focinho do bezerro exposto. Ao constatar essa situação, o proprietário contatou o médico veterinário.
Na anamnese o proprietário relatou que o animal, era uma vaca de terceira cria e que já havia apresentado dificuldade de parir anteriormente. No exame clínico pode-se constatar que o animal encontrava-se ofegante e com a frequência cardíaca em 90 batimentos por minuto.
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Ao exame obstétrico, o bezerro apresentava-se com a cabeça e com o pata superior esquerda expostas, a bolsa amniótica já havia sido rompida, também contatou-se, que a cabeça desse bezerro estava com a aparência edemaciada. A palpação vaginal foi realizada e constatou-se que o membro superior direito encontrava-constatou-se flexionado. Então foi aplicada a retropulsão, que baseou-se em “empurrar” as partes do feto que estavam insinuadas, para que então fosse reposicionado o membro que estava flexionado, este então, ficando com a postura estendida. Após esse procedimento, foi realizado teste de reflexão digital, para verificar a viabilidade do feto, cujo não foi responsivo.
Dessa maneira, optou-se pela fetotomia parcial do feto, sendo incisada a cabeça do bezerro, para o restante do corpo ser retirado mais facilmente. Realizou-se a retirada do bezerro, por meio de tração, com o auxílio do fórceps, onde cada um dos membros superiores foram amarrados com cordas, sendo essas acopladas ao fórceps, e então foi realizada a tração do bezerro. Após sua remoção, constatou-se que se tratava de um bezerro macho, que possuía uma estatura grande. Em seguida foi realizada a palpação vaginal para verificar se havia a presença de outro feto, a qual foi descartada.
Ao término desse procedimento, foi efetuada contenção do animal, sendo instituída a seguinte terapêutica: 8,30g de cálcio (Calfomag®), no volume 500 mL via endovenosa, ampicilina (AgroPlus®), na dose de 9,1mg/kg volume de 50 mL via intramuscular, este último sendo administrado durante três dias, a cada 12 horas, possuindo um período de carência de cinco ordenhas após a última aplicação. Recomendou-se ao proprietário, que caso a vaca não eliminasse todos os anexos fetais e placentários dentro de dois dias, fosse realizada a administração de 02 mL Sincrocio®, equivalente a 10,4mg/kg de cloprostenol sódico.
Após três dias da realização do atendimento clínico ao animal do caso relatado, entrou-se em contato com o produtor, ao qual informou que encontrava-entrou-se bem, alimentando-entrou-se normalmente e tendo aumento gradativo na produção de leite.
4.1.3. Discussão
A distocia é determinada pela dificuldade ou impedimento em que o feto enfrenta para ser expulso do útero da mãe, em problemas que podem ter origem, tanto fetal, quanto materna (TONIOLLO e VICENTE, 2003). Radostits et al. (2010), menciona que é mais provável que as causas de distocia sejam de origem fetal, principalmente pelos fatores de mau posicionamento, má apresentação e má postura, fatores que condizem com o caso relatado, já
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que o feto estava com um dos membros flexionados, dispondo de apresentação longitudinal anterior, posição superior e atitude flexionada (membro superior direito flexionado), condizendo com um caso de distocia de origem fetal devido à má postura.
As principais manobras que devem ser feitas para reposicionamento do feto, são a retropulsão, que define-se como o ato de empurrar o feto insinuado para o útero, na tentativa de se criar um espaço que permita a retificação da estática fetal; a extensão, que é o ato de estender as partes do corpo que encontram-se flexionadas, quando estão presentes defeitos de postura, aplicando-se forças tangenciais nas extremidades – cabeça e membros; e a tração, que define-se como o ato de tracionar o feto pelas partes em que estão insinuadas, com o objetivo de auxiliar ou substituir as forças de expulsão da vaca (TONIOLLO e VICENTE, 2003). Ambas manobras citadas, foram efetuadas no caso relato, estando dessa forma de acordo com a literatura, mas sem sucesso, sendo assim optado então pela fetotomia.
A fetotomia consiste na fragmentação do feto no interior uterino, podendo ela ser parcial ou total, com a vaca em estação ou em decúbito. Para tal, é necessário elaborar um exame geral e obstétrico na fêmea que está parindo, bem como, deve-se testar os reflexos digital, reflexo de sucção ou ainda palpar o pulso no cordão umbilical. Esse procedimento é indicado em alguns casos, como quando o feto encontra-se morto, fetos muito grandes, enfisematosos ou ainda monstruosidades fetais (PRESTES. 2017). No caso relatado, foi realizado o teste de reflexo digital, para verificação da viabilidade fetal, ao qual demonstrou que o feto estava morto, além disso, pode-se constatar que o mesmo apresentava-se um pouco edemaciado. Frente à essa situação, foi realizada a fetotomia parcial, sendo removida a cabeça do feto, tais fatores condizentes com o indicado pela literatura.
A extração manual do feto, deve ser feita quando a fêmea não consegue expulsá-lo, deve-se posicionar as correntes obstétricas separadamente em cada membro, sempre no metacarpo ou metatarso, exercendo a tração para remover o feto, de modo que não haja luxação nem rompimento das articulações, outro ponto a ser evidenciado, é de que a tração dos membros deve ser alternada. De início, a direção de tração do feto deve ser em paralelamente à coluna vertebral da mãe, já após a passagem dos membros torácicos e da cabeça, o bezerro deve ser tracionado em direção ao jarrete da fêmea bovina (GHELLER et al. 2012). O procedimento descrito pela literatura, é condizente com o procedimento realizado no caso relatado, onde foram amarradas cordas separadamente em cada um dos membros superiores do bezerro e após realizada a tração.
A execução total de uma distocia, não está completa até que seja realizado um exame sistemático, com enfoque principal no trato reprodutor da fêmea bovina, deve-se sempre, após
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a retirada de um feto, certificar-se de que não haja outro produto no útero ou cavidade abdominal (TROEDSSON, 2006). Esse procedimento citado pela literatura, foi realizado no caso relatado, descartando a presença de outro bezerro na cavidade uterina.
Prestes (2012), menciona que pode-se realizar a deposição de duas a quatro velas uterinas de antibiótico no útero, também é necessário promover a antibioticoterapia sistêmica. No caso relato, foi utilizado como antibioticoterapia sistêmica, a administração de Ampicilina na dose de 9,1mg/kg, cujo possui amplo espectro de ação, agindo contra os microrganismos gram positivos e gram negativos, de acordo com o fabricante (Virbac), já Andrade (2018) cita que a dose desse antibiótico deve ser de 10 a 20 mg/kg via intramuscular a cada 12 horas, desse modo, a dose aplicada no caso relatado, ficou um pouco abaixo da recomendada. O AgroPlus®, ainda possui em sua composição colistina e dexametasona. A dexametosona é um glicocorticoide, que possui propriedades anti-inflamatórias, tendo indicação de 5 a 20 mg/kg via intramuscular Andrade (2018), porém no animal do caso relatado, foram administrados 2,27 mg/kg, estando abaixo do recomendado.
O parto e o início da lactação, trazem grandes desafios para a vaca, principalmente para a fisiologia do balanço energético e do cálcio. Essas alterações facilitam a ocorrência de patologias como a distocia e a hipocalcemia (ESNAOLA, 2014). Desse modo, é importante manter a concentração do cálcio relativamente constante, para assegurar um bom funcionamento do organismo, para isso, pode-se fazer o uso parenteral de cálcio (SUCUPIRA, 2014). Tal medida foi tomada no caso relatado, procurando estabilizar as concentrações de cálcio circulante, para isso, foi administrado 8,30 gramas de cálcio (Calfomag®), estando dentro das doses recomendadas, onde Sucupira (2014), menciona que com 6 a 9 gramas de cálcio injetável, os animais apresentam melhora quando se trata de uma hipocalcemia.
A distocia é um problema gerado durante o parto, cujo a fêmea bovina apresenta dificuldades para expulsão do feto, dessa maneira, esse distúrbio resulta em perdas econômicas, já que estão associadas a mortalidade dos bezerros e também das vacas, podendo ainda, gerar problemas reprodutivos, afetando a produção e reprodução (RESENDE, 2018). A aplicação de um exame obstétrico garante que se tenha um diagnóstico seguro para se obter sucesso no tratamento (PRESTES, 2012). Portanto, é muito importante que se tenha uma conduta correta frente a um parto distócico, procurando sempre garantir o sucesso desse procedimento, com atendimento mais rápido possível.
Neste caso, o acompanhamento obstétrico pós parto não foi realizado sendo de vital importância, pois fêmeas que tem parto distócico podem apresentar retenção de placenta ou infecções uterinas e as mesmas devem ser diagnosticadas de forma precoce e tratadas por um
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Médico Veterinário a fim de evitar perdas em índices reprodutivos posteriores. Não foi realizada nenhuma recomendação no manejo reprodutivo dessa propriedade, para que se evitasse posteriores problemas nos futuros partos.
4.1.4. Conclusão
A distocia é um problema comum na atividade de bovinocultura de leite, podendo trazer diversos prejuízos, tanto à vaca quanto à propriedade, dessa forma, é muito importante o auxílio de um profissional nessas situações. O animal atendido, o procedimento de tentativa de retirada do bezerro por manobras obstétricas, não foi efetivo, sendo realizado o procedimento de fetotomia. A fêmea após o tratamento apresentou melhora, voltando a alimentar-se e a produzir leite normalmente.