UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA FACULDADE DE EDUCAÇÃO
CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO MÍDIAS NA EDUCAÇÃO
ELIZABETH NATÁLIA SILVA
O USO DE FILMES E DOCUMENTÁRIOS COMO FERRAMENTA DIDÁTICA PARA O ENSINO DE SEXUALIDADE E SAÚDE NO ENSINO FUNDAMENTAL
JUIZ DE FORA 2018
ELIZABETH NATALIA SILVA
O USO DE FILMES E DOCUMENTÁRIOS COMO FERRAMENTA DIDÁTICA PARA O ENSINO DE SEXUALIDADE E SAÚDE NO ENSINO FUNDAMENTAL
Relatório apresentado como requisito parcial para aprovação no Curso de Especialização Mídias na Educação, da Faculdade de Educação, Universidade Federal de Juiz de Fora.
Orientador: Prof. Dr. Leonardo Toledo JUIZ DE FORA 2018
ELIZABETH NATALIA SILVA
O USO DE FILMES E DOCUMENTÁRIOS COMO FERRAMENTA DIDÁTICA PARA O ENSINO DE SEXUALIDADE E SAÚDE NO ENSINO FUNDAMENTAL
Relatório apresentado como requisito parcial para aprovação no Curso de Especialização Mídias na Educação, da Faculdade de Educação, Universidade Federal de Juiz de Fora.
Aprovada em: BANCA EXAMINADORA ________________________________ Prof. Dr. Leonardo Toledo - Orientador
________________________________ Tutor ________________________________ Membro da banca
INTRODUÇÃO
A adolescência é um período de transformações na vida das pessoas, sejam elas de ordem física, psicológica ou social. O corpo passa por diversas mudanças, que levam ao início da vida sexual do indivíduo. As curiosidades sobre sexualidade são muito significativas para a construção da subjetividade do sujeito e, portanto, não devem ser desconsideradas.
Historicamente, nota-se certo receio geral da sociedade em tratar de sexualidade com crianças e adolescentes, seja dentro das famílias, onde os diálogos sobre esse tema ainda são pouco frequentes ou inexistentes, ou na própria escola, onde os debates na maioria das vezes ocorrem de maneira tímida com enfoque nos aspectos biológicos e reprodutivos. (MARQUINI, 2009).
Muitos pais atribuem à escola a responsabilidade de educar seus filhos sexualmente. Eles não se sentem seguros para falar sobre o assunto. Nesse contexto adverso, são poucos os educadores que assumem a tarefa de educar para a sexualidade, mesmo sabendo que muitos jovens dependem da escola para ter acesso a esses conteúdos (VITIELO 1995). Quando pensamos sobre sexualidade no ambiente escolar, muitas são as dificuldades, uma vez que esse tema é complexo e pouco explorado pelas instituições, sejam de ensino ou sociais. Muitos docentes não se sentem preparados para lidar com essa temática. Da parte dos alunos, também pode haver medo ou vergonha.
Considerando que os adolescentes carregam consigo vivências e valores de seu contexto social, assim como suas crenças, em algum momento seus próprios pensamentos e dúvidas irão emergir dentro da escola, sendo fundamental que os educadores estejam capacitados para fornecer as respostas adequadas para sanar as dúvidas e questionamentos desses jovens.
A falta de informações corretas faz com que muitos adolescentes construam informações erradas e fantasiosas, encontradas ao acaso ou em grupos de amigos, que, muitas vezes, têm as mesmas dúvidas. Todo esse conhecimento, se mal orientado, pode vir a gerar danos para a saúde, como também prejuízos emocionais. A escola é o ambiente social no qual o indivíduo passa grande parte de sua vida, sendo um dos principais elementos para contatos interpessoais, por isso deve contribuir para o desenvolvimento de uma educação sexual que promova ao adolescente senso de auto-responsabilidade e compromisso para com a sua própria
sexualidade (JARDIM e BRÊTAS, 2006), fomentando um pensamento crítico, reflexivo e educativo sob a importância do exercício de uma sexualidade saudável (HOSSOTANI et al. 2014).
Para Jardim e Brêtas (2006), a sexuallidade deveria ser trabalhada em todas as disciplinas do currículo escolar, com professores devidamente preparados para esta função, utilizando-se de metodologia participativa, com base na manifestação do próprio adolescente. Assim, o uso de metodologias alternativas de ensino, como o uso de filmes e documentários, se torna uma ferramenta interessante no auxílio dessa integração. Os materiais audiovisuais podem ser utilizados em diferentes etapas do processo educativo, como uma prática pedagógica de dinâmica própria, capaz de instigar o exercício do pensamento reflexivo. As mídias atuam recuperando a autonomia dos sujeitos e de sua ocupação no mundo de forma significativa, além de gerar discussão entre os adolescentes, bem como responder aos questionamentos de maneira a evitar ou amenizar problemáticas na vida dos indivíduos, como defendido por Tardiff (2002).
O acesso às mídias sociais (televisão, internet, revistas, jornais etc.), embora cumpra algum papel de informação a respeito do tema, não supre completamente as necessidades do adolescente, tornando, por vezes, as informações desencontradas ou incompletas, não abordando com a amplitude e correção devidas. Ocorre também das informações não estarem aplicadas à realidade e ao cotidiano do adolescente, gerando um desinteresse ou questionamento por parte do mesmo. Por fim, o acesso a essas mídias ainda não é universal e homogêneo, havendo disparidades e desigualdades de acesso à informação. Sendo assim, há necessidade de se desenvolver um trabalho em instituições de ensino e/ou assistência a crianças e adolescentes, de forma a superar e suprir, na medida do possível, essas desigualdades, ao se atender e envolver o indivíduo no ambiente no qual ele já está inserido. Diante disso, justifica-se a importância de atividades que forneçam espaço para a palavra do estudante, que promovam o despertar de uma consciência sexual como algo intrínseco a existência humana.
Vivemos em uma sociedade que registra altos índices de gravidez na adolescência, doenças sexualmente transmissíveis, além de inúmeros casos de abuso sexual contra crianças e adolescentes. Para que tenhamos uma educação libertadora e inovadora, sabemos que enquanto educadores temos que nos despir de
determinados tabus e preconceitos, assumindo assim uma postura atenta às diferentes fases que os educandos passam até chegar à vida adulta.
A partir desses pressupostos, eu como mulher, bióloga, educadora, na tentativa de quebrar as barreiras que às vezes os próprios alunos impõem diante de assuntos pouco abordados e considerados polêmicos, senti a necessidade de abordar a sexualidade em sala de aula de forma mais interativa e lúdica; estimulando o pensamento crítico, científico e criativo, de uma forma que auxilie na construção de um novo modo de pensar a adolescência quanto aos aspectos das relações afetivas e sexuais; pois acredito que através de uma boa orientação, muitos problemas podem ser evitados.
Para Grossi (2005), a escola apresenta muita dificuldade no trato da orientação sexual e gênero, mostrando-se muitas vezes perdida e insegura diante das cenas que não estão presentes em seus manuais. Esse cenário pode e deve ser mudado. Diante disso, após explorar as potencialidades pedagógicas das Mídias no ensino de Saúde e Sexualidade, o presente trabalho pretende a construção e publicação de um hipertexto e um ensaio fotográfico, cujos temas sejam as experiências vividas na Escola M. Prefeito Souza Lima1 durante o projeto. As produções derivados do projeto (hipertexto e ensaio fotográfico) estão disponíveis no site “Conversando sobre Ensino e Ciências”2, construído no decorrer da especialização.
RESULTADOS
a) PRÉ-PRODUÇÃO
Este trabalho foi realizado em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), como parte do projeto “Ciências na Tela/Ciências no Cinema”, sob supervisão da Drª Audrey Heloisa I. Salgado e colaboração do acadêmico Victor D. Ferreira. As atividades se deram na E. M. Prefeito Souza Lima1 situada em área de
vulnerabilidade social de Belo Horizonte.
1Índice de Vulnerabilidade Social 0,70 de acordo com o Mapa da Exclusão Social de BH. Disponível em:
http://www.pbh.gov.br/smpl/PUB_P002/Mapa%20da%20Exclusao%20Social%20de%20BH_%20Revista%20Pl anejar%208.pdf. Acesso em 02 de junho de 2018.
As abordagens foram desenvolvidas em cinco encontros quinzenais, que envolveram três turmas de oitavo ano do ensino fundamental, totalizando noventa alunos com faixa etária entre 12 a 15 anos. O trabalho foi dividido em três etapas: encontros norteados por vídeos e documentários, seguidos de dinâmicas e jogos; visita ao espaço interativo da UFMG e confecção de folhetos/cartilhas informativas.
Na primeira etapa, a dinâmica dos encontros seguiu a seguinte sequência: apresentação do tema seguido de dinâmica; exibição do seriado Confissões de Adolescente (exibidos na década de noventa pela TV Cultura), seguido de dinâmica e/ou exibição de modelos anatômicos.
Na segunda etapa, os alunos visitaram o Espaço Interativo de Ciências da Vida, localizado no Museu de Ciências Naturais e Jardim Botânico da UFMG.
A terceira etapa compreendeu a confecção de folhetos informativos sobre os temas trabalhados. Foram escolhidos dois temas a serem desenvolvidos pelos alunos: métodos contraceptivos e gravidez na adolescência; respeito ao próximo e às diferenças. Cada sala trabalhou com um tema após sorteio. A turma foi dividida em grupos e cada grupo confeccionou um folheto do assunto sorteado para a sala. Os alunos tiveram a liberdade de escolher o formato de folhetos que melhor lhes agradassem, bem como as informações que julgassem mais importantes sobre o tema. Os detalhes de cada etapa serão detalhados mais adiante.
b) PRODUÇÃO
PRIMEIRA ETAPA:
Para discutir os temas propostos foram escolhidos três episódios do seriado “Confissões de Adolescente”, exibidos na década de 1990 pela TV Cultura. Os episódios abordam a sexualidade sob o ponto de vista dos adolescentes e buscam responder a perguntas do tipo: “Como atravessar os problemas típicos da adolescência e chegar à idade adulta?” Esse é o principal tema da série, que tenta representar situações vividas diariamente, por diversas famílias compostas por adolescentes de todo o país, fator levado em conta na hora da escolha dos filmes.
Para construir uma base relacional valorizando a afetividade na vida cotidiana, a temática “Sexualidade e Saúde” foi fragmentada nos seguintes subtemas: a) conhecimento do corpo e autoestima, b) alterações corporais e hormonais na adolescência, c) higiene corporal, d) gravidez na adolescência e métodos contraceptivos, e) Doenças Sexualmente Transmissíveis e prevenção, f) respeito ao outro e às diferenças.
Os encontros, de 60 minutos de duração, aconteceram com um número variável de alunos por aula e o público alvo foi indicado pela coordenação da escola parceira. Todos os alunos estavam frequentes nas intervenções.
Foto 1: encontros no auditório da escola e em sala de aula.
A abordagem no primeiro encontro pretendeu utilizar-se de uma metodologia participativa, que envolvesse reflexões e emoções, buscando a incorporação de valores para uma melhor compreensão da realidade do aluno. Sendo assim, foi realizada com os alunos uma oficina, oportunizando escolhas embasadas na melhoria da autoestima dos adolescentes, em que se discutiram temas relacionados às mudanças corporais ocasionadas pela puberdade, além de questões de sexualidade e respeito. A oficina constituía-se de perguntas, previamente elaboradas, sobre os cinco temas norteadores do projeto. Essas perguntas foram escritas em pedaços de papeis, depositadas em uma caixa, sorteadas ao acaso pelos alunos e respondidas pelos mesmos sem interferência dos professores. O sorteio e a surpresa do teor das perguntas geraram discussões bastante produtivas para o grupo, pois apresentou aos estudantes uma metodologia diferenciada, que remetia a um jogo, tornando o aprendizado mais interessante e atrativo. Este momento serviu como diagnóstico para os demais encontros uma vez que, por meio dessa atividade, pode perceber-se o que
deveria ser trabalhado com maior ênfase e o que os alunos realmente sabiam, não sabiam ou “sabiam” erroneamente.
Nos três demais encontros foram exibidos episódios do seriado ‘Confissões de Adolescente’, um episódio por encontro na seguinte ordem: episódio nove “Chegou o verão” que tratou sobre vaidade, aparência física, culto ao corpo e aceitação de si mesmo e a busca de algumas pessoas em serem aceitas por um grupo através de estereótipos; episódio dez “Essa tal virgindade” que tratou sobre sexo, métodos contraceptivos e doenças sexualmente transmissíveis e o episódio vinte “Uma mulher moderna” que abordou a primeira menstruação, feminilidade e as mudanças corporais ocasionadas pelos hormônios. Após a exibição dos episódios, seguiu-se uma discussão do tema proposto e dinâmicas que visavam reforçar os temas discutidos de uma forma mais interativa.
Nos encontros, foi incentivado o diálogo entre os alunos e todos os presentes, sempre visando o adolescente como interlocutor principal, para que o mesmo encontrasse um espaço neutro, expondo suas dúvidas e sanando-as. De acordo com Tardiff (2002), o docente raramente atua sozinho. Ele se encontra em interação com outras pessoas, a começar pelos alunos. Esta atividade tem o elemento humano como seu determinante e dominante. A função dos autores do projeto nesSa etapa foi o de direcionar o conhecimento, promover o diálogo e a interação entre os estudantes, sanar as dúvidas. Durante todo o projeto, as discussões permitiram aos alunos participaram da construção do conhecimento, da elaboração e reconstrução de conceitos, para a construção do novo saber através das respostas dos colegas e intervenções dos autores do projeto. (TARDIFF, 2002)
Os episódios selecionados causaram um impacto positivo e tiveram boa aceitação por parte dos adolescentes. Acreditamos que a abordagem feita nos filmes exibidos mostrou que o tema da sexualidade está além de ser uma questão da puberdade vivenciada pelos adolescentes na transição para a fase adulta. O seriado utiliza de linguagens e imagens simples, sem teor apelativo. O cuidado dos autores com a escolha dos seriados foi um fator imprescindível, em função do público a ser atingido por esse trabalho, que são adolescentes em fase de amadurecimento da sexualidade. Por esse motivo, a discussão dos assuntos foi produtiva, os questionamentos foram muito pertinentes. Foi possível aos alunos trazerem para o espaço da escola fatos do seu cotidiano, relatos do convívio com seus familiares, que quando comparados com o contexto dos seriados mostrou-se não dialógico e não
compreensivo como o convívio mostrado entre as personagens do seriado. Trouxeram também complemento aos temas dos seriados, para além de suas dúvidas e outras experiências familiares. Alguns alunos tiveram dificuldades em se identificar com as situações apresentadas nos episódios, questionando em especial, o comportamento das personagens. Quando isso ocorria, era feita a contextualização e ambientação do período em que o seriado foi produzido (década de noventa), principalmente com o relato dos fatos históricos e de como eram os costumes na época. Houve certo estranhamento quando comparado à vivência dos alunos nos tempos atuais.
A última dinâmica proposta, que foi extraída e adaptada segundo Marquini (2007, p.19), teve a intenção de facilitar a compreensão sobre a transmissão sexual do HIV e das DST’s. Para sua execução, os alunos foram incentivados a participar de uma espécie de jogo, onde foram disponibilizadas três figuras geométricas diferentes (cada aluno recebeu apenas uma figura), com significados diferentes, a saber, pessoa saudável; portador de DST e portador do HIV. A associação entre a figura geométrica e seu significado não foi informado aos alunos até o término da dinâmica. Os alunos deveriam transitar pelo local enquanto tocava uma música, quando a mesma fosse interrompida, eles deveriam parar onde estivessem e anotar no seu papel a figura do colega mais próximo. Os desenhos nos papéis individuais representaram a possibilidade de contágio.
A música escolhida foi “Tá tranquilo, tá favorável” – MC Bin Laden (2017), por ser conhecida pelos alunos. A escolha foi assertiva. Durante a prática o videoclipe da música foi reproduzido, foi nítida a aceitação dos alunos, pois puderam identificar algo proveniente do seu meio de convívio social. Para eles é muito importante ver elementos do seu cotidiano inseridos no meio escolar, só assim conseguem ver aplicabilidade do que está sendo exposto.
A explicação sobre o significado das figuras empregadas na dinâmica e a análise dos desenhos feitos pelos próprios alunos causou certo alvoroço entre eles, pois perceberam que o contágio se deu ao acaso e de forma indiscriminada. Esse momento possibilitou tratar de um assunto sério de maneira descontraída, pois a temática foi apresentada por meio de uma atividade que buscou tornar o desenvolvimento deste tema agradável, trabalhando a afetividade, o amor próprio envolvido no processo de prevenção às DSTs. A mensagem a ser transmitida nessa atividade foi sobre a importância da prevenção e de que não é possível saber se uma pessoa está ou não contaminada apenas através da sua aparência.
SEGUNDA ETAPA
No último encontro, os alunos visitaram o Espaço Interativo de Ciências da Vida (EICV), localizado dentro do Museu de História Natural e Jardim Botânico da UFMG. A exposição é de carater permanente e foi escolhida como parte deste trabalho por apresentar, além do seu carater pedagógico, sete salas temáticas onde estão expostos modelos anatômicos, vídeos e jogos interativos que mostram o funcionamento dos órgãos e sistemas do corpo humano. Cada sala aborda conceitos fundamentais, as principais estruturas e funções, o corpo humano de forma integral com especial atenção para os cuidados com a saúde. O conteúdo científico sobre o corpo humano se combina à possibilidade de experimentar suas funções em jogos e atividades interativas especialmente projetadas. Através de uma visita ao espaço museu, os alunos puderam se conscientizar sobre o corpo, os estímulos e suas respostas sensoriais e motoras, além de explorar as potencialidades dos jogos como facilitadores de aprendizagem. A visita serviu como facilitador da fixação das ideias discutidas e visualização no plano físico dos temas propostos.
TERCEIRA ETAPA
A terceira etapa do projeto teve por objetivo verificar a assimilação dos alunos dos temas propostos de uma forma “não tradicional”, onde eles não sentissem que estavam sendo avaliados. Ao confeccionar folhetos informativos, os alunos tiveram a oportunidade de relatar os assuntos trabalhados e repassar aos outros alunos os conhecimentos adquiridos durante o projeto, além de produzirem material para o site2. Era a hora de “colocar a mão na massa”. Esta etapa do projeto foi realizada em parceria com os professores de português a artes. Um exemplo de folheto pode ser visto na figura 1.
Após a conclusão, todos os folhetos foram expostos na sala dos professores. Estes, por sua vez, votaram nos melhores de cada tema. Os alunos vencedores foram premiados com uma coletânea de textos de divulgação científica do projeto Ciências Para Todos/UFMG, cedidos pela coordenadora do projeto, a professora Adlane Vilas Boas (foto 3).
Figura 1 – Exemplo de folheto produzido pelos alunos. Foto 3 – Premiação dos folhetos vencedores
c) PÓS-PRODUÇÃO
A intenção em criar o site foi para apresentar informações pertinentes, de fontes confiáveis e atuais, sobre assuntos relacionados às ciências, experiências e abordagens pedagógicas diferenciadas, além de todas as atividade e produtos produzidos durante o curso de Especialização em Mídias na Educação.
Finalizado os trabalhos sobre sexualidade em sala de aula, todos os dados foram reunidos para serem postados no site como produto final do projeto. Todas as experiências vividas foram registradas em forma de texto e fotografias. Todos os alunos da escola possuem uso e autorização de imagem, que é concedida pelos pais no ato da matrícula inicial.
O texto que narra toda a dinâmica do trabalho ganhou uma página própria. As experiências em sala de aula foram postadas em forma de relato com linguagem leve, juntamente com algumas imagens condizentes ao tema, dessa forma a página se tornaria mais atrativa. A narrativa foi construída de forma hipertextual, com inserção de links baseados em palavras-chaves sobre o tema, aprofundamento de informações ou possibilidade de conteúdo extra sobre as atividades e os participantes do projeto. Dessa forma, buscamos atender às características de um texto em rede, com possibilidade de leitura não-linear. Foram disponibilizados, por exemplo, links para que o leitor possa ouvir uma das músicas usadas no projeto ou para conhecer a página da escola parceira nas redes sociais, dentre outras.
Os registros visuais também ganharam uma página. As fotos foram feitas com aparelho de celular, sempre buscando momentos espontâneos dos alunos. Foram feitas imagens em momentos e dias variados. Os registros fotográficos captaram os encontros, a escola onde se deu o projeto, a visita ao Museu da UFMG, os folhetos produzidos pelos alunos e a premiação dos folhetos vencedores do concurso.
As fotos foram postadas na ordem cronológica dos acontecimentos e com apresentações diferentes para cada etapa do projeto. Na página também é possível assistir os vídeos usados durante as aulas.
Para promover uma maior imersão do leitor no site e nos produtos, a página do ensaio fotográfico também reproduz automaticamente a música tema de abertura do seriado Confissões de Adolescentes - “Sina” interpretada por Gilberto Gil.
O intuito dos produtos divulgados no site foi divulgar a experiência do uso das Mídias e desmistificar a ideia de que trabalhar sexualidade em sala de aula é complicado, difícil. No site, mostramos que é necessário e possível discutir sobre a sexualidade na escola, utilizar metodologias que busquem promover o diálogo, a reflexão sobre conceitos preestabelecidos, oportunizando a superação de dificuldades nos assuntos que fazem parte da vida do adolescente.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Trabalhar com temas transversais, em especial sexualidade e saúde, é muito complexo, pois exige saber lidar de maneira técnica e ética, com questões às vezes de natureza moral. Para Fuente, os eixos transversais estão ligados à inovação educacional e a uma visão participativa da educação. Portanto, pais, alunos e outros profissionais ligados à escola devem estar envolvidos em seu desenvolvimento por meio de atividades de apoio e atividades educativas complementares que devem ser acordadas, programadas e incluídas no programa geral e no projeto educacional. (FUENTE, 2002)
Durante o trabalho, foi possivel, de forma gratificante, apresentar as mídias como estratégia pedagógica viável no trabalho da sexualidade em sala de aula, proporcionando assim, uma construção coletiva para os possíveis encaminhamentos e soluções sobre essa temática. Desse modo, as reflexões sobre esse tema contribuíram para a valorização da vida e do autoconhecimento, estabelecendo relações através do respeito mútuo e posturas que possibilitaram o exercício da cidadania.
Percebeu-se que no inicio do projeto, os alunos possuíam pouco ou nenhum conceito sobre os subtemas propostos sobre a sexualidade, mas puderam ir construindo seu conhecimento durante o desenvolvimento do projeto. Acreditamos que foi favorecida a troca de experiências entre os participantes e propiciados novos espaços de abertura social para a formação dos alunos sobre os temas afetividade, relações familiares e interpessoais, emoções, relações de gênero, sexo e educação sexual, os alunos serão novos agentes multiplicadores de valores humanos para a sexualidade, na escola, na família e na comunidade. Acreditamos também que o sucesso do projeto se deu principalmente pelo fato do mesmo ter sido abordado de forma lúdica, interativa e desconstruída, quando comparado às abordagens pedagógicas tradicionais. O uso da Mídias na Educação se mostrando cada vez mais como prática de ensino eficaz e os produtos produzidos poderão contribuir para a formação e inspiração de outros educadores.
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