TÍTULO: ANÁLISE QUANTITATIVA DA SIMETRIA BILATERAL DAS CÉLULAS MASTÓIDEAS PELA TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA HELICOIDAL
TÍTULO:
CATEGORIA: CONCLUÍDO CATEGORIA:
ÁREA: CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E SAÚDE ÁREA:
SUBÁREA: BIOMEDICINA SUBÁREA:
INSTITUIÇÃO: UNIVERSIDADE CIDADE DE SÃO PAULO INSTITUIÇÃO:
AUTOR(ES): EMILLY SABRINA FAUSTINO SILVA AUTOR(ES):
ORIENTADOR(ES): MARIA JOSÉ ALBUQUERQUE PEREIRA DE SOUSA ORIENTADOR(ES):
UNIVERSIDADE CIDADE DE SÃO PAULO
PROJETO DO TRABALHO DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA
Análise quantitativa da simetria bilateral das células mastóideas pela tomografia computadorizada helicoidal.
Projeto de Pesquisa apresentado à Comissão de Pós Graduação da Universidade Cidade de São Paulo, pelo Programa de Iniciação Científica. Aluna: Emilly Sabrina Faustino Silva e
CA: 22473451.
Orientação: Prof.ª Drª Maria José APS Tucunduva
SÃO PAULO 2013
1. Resumo
A região mastóidea está localizada abaixo das regiões temporal e occipitofrontal, acima da região carotídea e por detrás da região da orelha póstero inferior ao pavilhão auditivo.
As células mastóideas são uma série de cavidades preenchidas por ar, ou seja, células pneumatizadas e que se interconectam com o divertículo da cavidade timpânica.
Essas células localizadas no osso temporal na região mastóidea podem ser identificadas e quantificadas pela tomografia computadorizada helicoidal na qual há a aquisição de imagens por secções, janelas e não há a sobreposição das estruturas. Por meio desse exame é possível identificar a mastoidite que é uma doença infecciosa das células mastóideas que pode ser uma consequência de otite média aguda, predominante em crianças.
O conhecimento de anatomia, no seu padrão de normalidade permite a detecção precoce quando há sugestões de diagnóstico. As características da imagem diagnóstica auxiliam o clínico no estabelecimento do diagnóstico e consequentemente no tratamento. Tendo como objetivo realizar a análise quantitativa da simetria bilateral das células mastóideas por meio da tomografia computadorizada helicoidal, verificando sua variação de tamanho e número conforme as diferentes faixas etárias e entre os gêneros, onde através do programa MIcroDicom®, 30 exames de diferentes pacientes tiveram as imagens de tomografia de crânio avaliadas e as células mensuradas e após a análise estatística com o software Prisma® pelo teste de U Mann Whitney concluímos que foi encontrada a simetria bilateral entre os pacientes e existe uma relação linear entre idade e número de células.
Palavras chave: osso temporal, células mastóideas, tomografia
computadorizada, imagem. 2. Introdução
O osso temporal está localizado na região lateral do crânio e pode ser dividido em cinco partes: escamosa, petrosa, timpânica, estilóidea e mastóidea. Em sua porção mastóide, encontram-se inúmeras cavidades aeradas, as células mastóideas que apresentam-se como uma série de cavidades
preenchidas por ar e que se comunicam com o divertículo da cavidade timpânica a partir do antro mastóide. O antro não é uma célula mastóide mas um prolongamento da parte superior do ouvido médio, estando presente em todos as pessoas menos nos recém nascidos, sendo frequente no curso da otite média (Tavano e Pereira 2008).
A região mastóidea contém apófises volumosas ou processos e cavidades anexas à orelha média, sendo seus limites: em baixo – o mesmo vértice da apófise mastóide; em cima – uma linha transversal que é um prolongamento posterior da borda superior da raiz longitudinal do arco zigomático; anteriormente – pela linha vertical da parte posterior do conduto auditivo e pela borda anterior do processo mastóide; posteriormente – o processo mastóide prolonga-se até o ponto que se reúne o lobo parietal, temporal e occipital. No plano esquelético da superfície exocranial existe um vértice (parte inferior da região), três faces (externa, interna e anterior) e três bordas (externo, interno e posterior). Este processo é o local de inserção de quatro músculos sendo o occipitofrontal, esternocleidomastóideo, esplênio da cabeça e oblíquo inferior. Essa região é irrigada pelas artérias provenientes da artéria auricular posterior e drenada pela veia mastóidea; os vasos linfáticos assim como as veias seguem um trajeto descendente até que a circulação linfática seja drenada pelos gânglios mastóideos. A inervação dessa região é de origem motora - ramo auricular do nervo facial; e sensitiva - ramo auricular e mastóideo do plexo cervical superficial (Latarjet e Testut 1978).
Segundo Tavano e Pereira (2008) as células mastóideas iniciam sua formação embriológica posteriormente ao recesso epitimpânico em torno da vigésima segunda semana gestacional. Em torno da trigésima quarta semana, já no final da vida fetal, pela expansão da cavidade timpânica o antro mastóideo encontra-se pronto, tendo aproximadamente o tamanho que terá no adulto (de cinco a dez milímetros de diâmetro) ao nascimento e uma profundidade no recém-nascido de dois a quatro milímetros chegando na idade adulta com até dezoito milímetros, contudo ainda não há células macroscópicas. As células mastóideas podem ser visualizadas a partir dos dois anos de idade cronológica, pois começam a se desenvolver só a partir do nascimento. O adequado desenvolvimento destas células pode estar relacionado com aspectos genéticos, tamanho do crânio, funcionamento da
tuba auditiva, grau de envolvimento patológico da orelha média durante a infância, estatura do indivíduo e fatores ambientais.
Tos e Stangeruv (1985) relataram um estudo no qual cerca de setenta e nove crianças foram submetidas a timpanometria por nove vezes a partir da idade de 2 anos até os 7 anos e além disso foram realizadas otoscopias mais a investigação do histórico otológico para que se pudesse comparar o tamanho do processo mastóide e das células entre os gêneros. Por meio de radiografias do processo mastóide e planimetria da área do sistema de células pneumatizadas foram encontrados os menores conjuntos de células das orelhas com um histórico de otite ou disfunção tubária crônica. Os meninos possuíam sistemas celulares significativamente menores e o grau de patologias da orelha média maior, de modo que quanto mais pronunciada a patologia nos meninos mais episódios de infecções do trato respiratório tiveram. A análise das diferenças entre os gêneros forneceu um apoio substancial à teoria ambiental da pneumatizacão, já infecções auditivas na infância muitas vezes pode levar à disfunções tubárias e otites que perturbariam o processo normal de pneumatizacão resultando na hipocelularidade.
Robinson et al. (1992) afirmaram existirem contradições sobre os fatores envolvidos no desenvolvimento das células mastóideas. Em 1910, observou-se que algumas células mastóideas menores ou não pneumatizadas favoreceriam o desenvolvimento de otite média crônica. Já em um outro estudo alegou-se que a extensão da pneumatização do osso temporal foi geneticamente pré-determinada e, por isso, qualquer tamanho deveria ser considerado uma variante do normal; e que o tamanho das células mastóideas, principalmente quando pequenas, levaria a presdiposição ao desenvolvimento de otite. Em 1918 apresentou-se uma teoria endodérmica segundo o qual o normal da mucosa da orelha média seria um pré-requisito para pneumatização e que fatores ambientais como a infecção, inflamação e disfunção da tuba auditiva afetaria a mucosa e, assim o seu desenvolvimento. Desse modo, foi afirmado que uma falha de pneumatização constituia uma causa patológica e não determinada geneticamente. Relatou-se ainda que fatores do meio ambiente influenciariam o desenvolvimento das células mastóideas, mas não o seu tamanho que recebe a influência de fatores genéticos.
Sato et al. (1996), discorreram sobre o sistema de células mastóideas onde este estudo foi reconhecido como um importante contribuinte para a fisiopatologia das doenças inflamatórias da orelha média. Existem vários métodos de imagem para observacão do osso temporal a fim de investigar a relação entre doença da orelha média e a pneumatização do processo mastóide. O estudo do sistema de células mastóideas permitiu a reconstrução volumétrica em cortes sagitais do osso temporal, e em filmes radiográficos para avaliar a pneumatização do processo mastóide. A reconstrução das imagens e do seu volume foram úteis no reconhecimento da aparência da célula mastóidea-sólida.
Em outro estudo caracterizou-se a otite média como uma das doenças mais comuns da orelha média principalmente em crianças nas quais pode haver cura espontaneamente, por tratamentos médicos ou por meio de pequenas cirurgias; podendo deixar sequelas como bolsas de retração e otite adesiva que raramente poderia levar ao colestestoma; porém logo de início seria difícil prever se o paciente teria sequelas. Nestes casos também foi relatado que a pneumatizacão do processo mastóide era pobre em pacientes que tiveram otite média ou adesiva. Por meio de radiografias de 47 crianças com otite média foi observado o desenvolvimento do processo mastóide, no qual constatou-se que haviam diferenças estatísticas significativas entre os dois grupos, principalmente no pré e pós-operatório, assim foi concluído que a pneumatizacão do processo mastóide poderia ser considerada como um indicador de prognóstico em otite média, já se a pneumatizacão fosse pobre o prognóstico também seria (Bayramoglu et al. 1997).
Em estudo no qual foi feita a descrição matemática para avaliação do volume das células mastóideas e da taxa de variação de pressão do ouvido médio no qual as células mastóideas seriam possíveis reguladoras desta pressão, foi elaborada uma pesquisa onde constatou que volumes maiores do sistema de células mastóideas aumentariam o tempo necessário para o desenvolvimento suficiente do ouvido médio sob pressão, para fazer com que a otite média pelo procedimento hydrops ex vacuo, que consiste na incersão de um tubo para ventilação da orelha média, durante os períodos transitórios ou prolongados da disfunção tubária (Doyle 2006).
Hana et al. (2007) em um estudo com o objetivo de analisar as estruturas do osso temporal a partir da tomografia computadorizada no plano axial, que pode refletir a pneumatização do osso temporal por inteiro, avaliando sua correlação com o volume de células temporais por meio da reconstrução volumétrica, com o intuito de facilitar a avaliação de pacientes em ambulatórios clínicos. Constatou-se que o meato acústico interno era identificado mais claramente por meio deste recurso e o grau de pneumatização evidenciou a relação significativa com o volume de todo as células do osso temporal, realizado pela reconstrução das imagens. Esses achados poderiam facilitar a avaliação da pneumatização do osso temporal em pacientes acometidos por otite média, e também possibilitou o estudo de diversas doenças dos ossos temporais foi pertinente ainda uma investigação futura do osso temporal e sua pneumatização.
Devido o revestimento mucoperiosteal do osso mastóide e do ouvido médio serem os mesmos a mastoidite aguda foi definida como uma infecção supurativa das células mastóideas que ocorreria como consequência de otite média aguda. A mastoidite poderia evoluir para complicações simples ou mais complicadas, tais como formação de abscesso, paralisia de nervos cranianos, trombose de seio venoso, osteomielite do osso temporal e meningites; ou ainda recuperar-se totalmente em casos de crianças sem complicações após tratamento com antibióticos (Bilavsky et al. , 2009).
Segundo Rodríguez et al. (2010) somente quando houvesse a ocorrência de otite media é que se consideraria a mastoidite aguda que afeta predominantemente o gênero masculino na faixa etária de 6 meses a 3 anos. Os fatores de risco principais seriam as variações anatômicas próprias da infância, episódios prévios de otite média aguda ou otite média secretora, má formações congênitas craniofacias e depressão do sistema de defesa do organismo. A associação no tratamento no uso de antibiótico e drenagem cirúrgica levou a uma evolução satisfatória para a cura. A mastoidite foi descrita como uma complicação para pacientes que necessitaram de implante coclear devido à perda auditiva profunda neurossensorial bilateral severa, pois causava um desenvolvimento mais rápido de abscesso subperiótico devido à cirurgia, já que a implantação da cóclea era realizada através de mastoidectomia,
timpanoctomia posterior e cocleostomia facilitando a progressão da infecção através de uma via pré-formada pelo ato cirúrgico.
A otite média aguda foi relatada em uma pesquisa segundo a qual poderia levar a mastoidite aguda que era sua complicação mais comum, sendo que 79% dos casos que ocorreram foram principalmente nas estações do outono e inverno, do continente europeu, com a presença de muco nas vias aéreas superiores. A otite média aguda é geralmente acompanhada de mastoidite aguda transitória que afeta as mucosas em variados graus, sendo espontaneamente reversível após o tratamento de otite, um fenômeno conhecido como mastoidismo e que não tem manifestações clínicas evidentes. (Navazo-Eguíaa et al. 2010).
A história natural da doença e os aspectos clínicos da mastoidite não são bem compreendidos sendo que típicos sinais locais de mastoidite aguda são dor pós-auricular, edema e eritema, sendo, portanto na era pré-antibióticos a doença considerada a mais comum e temerosa na faixa etária menor de 4 anos causando complicações fatais e do sistema timpanomastóidea, juntamente com abscesso sub-periostal, abscesso de Bezold, paralisia facial, labirintite supurativa, meningite, abscesso peridural e subdural, abscesso cerebral e tromboflebite do seio lateral. A tomografia computadorizada do osso temporal é geralmente recomendada para a avaliação de mastoidite, sendo seus achados variados de acordo com a fase da infecção, incluindo opacificação, perda de nitidez ou visibilidade das células mastóides, elevação de periósteo, processo mastóide ou fossa posterior, e atividade osteoblástica em mastoidite crônica; entretanto mesmo sendo sensível na detecção de mastoidite a tomografia computadorizada não é capaz de especificá-la com alta definição (Chien et al. 2011).
Lee et al. (2012) avaliaram a relação volumétrica entre a célula mastóidea e os seios paranasais na população pediátrica usando reconstrução tridimensional e análise técnica de tomografia computadorizada. Observou-se que os seios paranasais e as células mastóideas possuiam uma relação linear significativa com a idade, mas não uma interação de pneumatização dos três seios (frontal, maxilar, eesfenóide) com as células mastóideas. Verificou-se que os tumores de seios paranasais e de células mastóideas eram influenciados pela idade; além disso, os seios maxilares e esfenoidais teriam a tendência de
crescer mais rápido tornando-se maiores do que o seio frontal e o sistema de células mastóides. Por conseguinte, verificou-se que fatores ambientais estariam envolvidos durante o período pós-natal no processo de pneumatização dos seios paranasais e das células mastóideas, o que poderia predispor as células mastóideas a um comprimento maior do que os seios paranasais.
3. Objetivos
Este trabalho teve como objetivo, realizar a análise quantitativa da simetria bilateral das células mastóideas por meio da tomografia computadorizada helicoidal, verificando sua variação de tamanho e número conforme as diferentes faixas etárias e entre os gêneros.
4. Metodologia
O estudo foi realizado na forma de uma análise exploratória de uma amostra de conveniência de 30 exames de tomografia computadorizada helicoidal, pertencentes a um banco de dados de pacientes com solicitação de exame da face, o projeto foi aprovado no CEP (302.550).
Foram analisados os exames de tomografia computadorizada em janela óssea no corte axial, o qual foi selecionada uma imagem de cada exame em que era possível observar as mesmas estruturas como forame magno, canal auditivo e seio maxilar; então foram contadas as células do lado direito (D) e esquerdo (E) do crânio, onde uma célula foi considerada como uma curva hipodensa localizada no osso temporal, e em seguida por meio do programa MicroDicom® foram realizadas, no computador, as medições em milímetros da cavidade mastóidea, do comprimento anteroposterior (AP) e láterolateral (L). Então todos os dados foram tabulados e enviados para estatística onde foram analisados.
A amostra foi constituída por 08 homens e 22 mulheres com média de 36,5 anos de idade cronológica, sendo divididos em três faixas etárias diferentes, respectivamente, até 20 anos, entre 20 e 60 anos e maiores que 60 anos, com o intuito de facilitar a análise estatística. O software utilizado foi o Prisma® e o teste de U Mann Whitney para o tratamento estatístico.
5. Resultados
Dos 30 pacientes avaliados bilateralmente 73,33% (22) eram mulheres e 26,66% (08) eram homens, sendo que a média de idade era de 36,5 anos.
Ao analisarmos o número de células de pacientes com até 20 anos do lado direito do crânio, verificou-se que homens possuíam em média 13 células e as mulheres 15 células. Quanto ao número de células do lado esquerdo de pacientes com até 20 anos, observamos que mulheres tinham em média 12 células e os homens apresentaram em média 15 células. Levando em consideração a medida anteroposterior do lado direito do crânio em pacientes com até 20 anos, mulheres apresentaram em média 16,85mm e homens 16,69mm, não tendo significância no teste mas com tendência das mulheres terem as medidas maiores (P= 1,0). Avaliando-se a medida anteroposterior do lado esquerdo do crânio em pacientes com até 20 anos, obtemos que mulheres (média=16,23mm) possuem essa medida em média 2,3mm maior que os homens (média=13,93mm), onde o teste não apresentou significância, porém observamos a tendência da medida feminina ser maior (P=0,84). Na comparação da medida láterolateral do lado direito do crânio dos pacientes com até 20 anos, entre os dois gêneros observou-se que homens possuem a tendência de possuir essa medida maior em média (18,11mm) do que as mulheres (17,74mm), não apresentando significância estatística (valor P= 1,0). A medida láterolateral do lado esquerdo do crânio em pacientes com até 20 anos, as mulheres apresentaram em média 13,60mm e homens 16,18mm, não tendo significância no teste, mas com tendência dos homens terem as medidas maiores (P= 0,69).
Avaliando o número de células do lado direito em pacientes entre 20 e 60 anos observou-se que homens apresentaram em média 20 células e as mulheres 19 células. Observamos que homens entre 20 e 60 anos possuem em média 19 células do lado esquerdo do crânio, já as mulheres nestas mesmas condições possuíam 20 células. Na comparação entre homens e mulheres do comprimento anteroposterior do lado direito do crânio de pacientes de 20 a 60 anos não apresentou grande diferença, sendo que as mulheres apresentaram uma tendência a terem a medida maior em 0,08mm apenas, onde homens apresentaram em média 22,00mm e mulheres 22,08mm (P=0,8802). E na comparação da medida anteroposterior do lado esquerdo do
crânio dos pacientes entre 20 e 60 anos, entre os dois gêneros observou-se que homens possuem a tendência de possuir essa medida maior (média= 26,18mm) do que as mulheres (média= 23,44mm), não apresentando significância estatística (P= 0,4510). Quanto à medida láterolateral do lado direito do crânio dos pacientes entre 20 e 60 anos, entre os dois gêneros observou-se que homens possuem a tendência de possuir essa medida maior em média (21,31mm) do que as mulheres (16,14mm), não apresentando significância estatística (P= 0,2091). Já a medida láterolateral do lado esquerdo dos pacientes entre 20 e 60 anos, entre os dois gêneros observou-se que homens possuem a tendência de possuir essa medida maior, em média 20,05mm, do que as mulheres que tiveram em média o valor de 18,65mm, não apresentando significância estatística (P= 0,513).
Pacientes com mais de 60 anos apresentaram do lado direito do crânio em média 21 células, sendo que as mulheres apresentaram em média 24 células e os homens apenas 19. Ao analisarmos o número de células do lado esquerdo do crânio em pacientes com mais de 60 anos, verificamos que homens possuíam em média 18 células e as mulheres 19 células,
No comprimento anteroposterior do lado direito em pacientes com mais de 60 anos, observou-se que homens possuem em média 24,09mm e mulheres 23,26mm (P=0,7). Verificou-se que o comprimento anteroposterior do lado esquerdo em homens apresentou em média 18,09mm e mulheres possuem em média 19,23mm (P=0,7). Levando em consideração o comprimento láterolateral do lado direito do crânio em pacientes com mais de 60 anos, onde mulheres apresentaram em média 15,64mm e homens 18,56mm, não tendo significância no teste mas com tendência dos homens terem as medidas maiores (P= 0,53). E por fim, observamos que a medida láterolateral do lado esquerdo do crânio em pacientes maiores de 60 anos, mulheres apresentaram em média 15,75mm e homens 17,52mm, não tendo significância no teste, mas com tendência dos homens terem as medidas maiores (P= 0,81).
6. Desenvolvimento/Discussão
Para realizarmos a análise quantitativa da simetria bilateral das células mastóideas, utilizamos 30 exames de tomografia computadorizada helicoidal
divididas em três faixas etárias diferentes, até 20 anos, entre 20 e 60 anos e maiores que 60 anos; pois, as células mastóideas são cavidades aeradas, que iniciam sua formação embriológica em torno da vigésima segunda semana gestacional, mas só podem ser visualizadas a partir dos dois anos de idade (Tavano e Pereira 2008).
Em exames de tomografia computadorizada podemos obter três diferentes tipos de cortes (axial, sagital e coronal) para aquisição das imagens, além de se adquirir informações importantes em relação ao posicionamento das estruturas esqueléticas e do tecido mole (Pereira Filho et al., 2007), sendo a única desvantagem a exposição a radiação.
Assim ao utilizarmos imagens em cortes axiais com janela de partes ósseas, com o mesmo padrão anatômico para todas – presença do forame magno, canal auditivo e seio maxilar - pudemos analisar a pneumatização do processo mastóide do osso temporal por inteiro e assim realizarmos a contagem e mensuração de forma mais precisa das células mastóideas.
Diversas funções estão associadas a estas cavidades, como a recepção do som, isolamento acústico, proteção das estruturas auditivas contra traumas externos, redução do peso do crânio e reservatório aéreo da orelha média, assim como diferentes doenças também se encontram associadas a esta região como o caso da mastoidite que é uma doença purulenta geralmente associada à otite média aguda. Para Tos e Stangeruv (1985) essas infecções auditivas que ocorrem principalmente na infância muitas vezes, podem levar à disfunções tubárias que alteram o processo normal de pneumatizacão resultando na hipocelularidade, sendo o sexo masculino o mais acometido, porém como observado em nosso estudo constatamos que homens até 20 anos apresentaram em média 1 célula mastódeia a mais que mulheres do mesmo grupo. Já no grupo de 20 a 60 anos homens e mulheres apresentaram em média a mesma quantidade de células, sendo 19 células e no grupo de pacientes com mais de 60 anos mulheres apresentaram em média 4 células a mais do que os homens. Com isso pudemos inferir que tanto homens como mulheres estão suscetíveis á alterações no processo de pneumatização da cavidade mastóide.
Robinson et al. 1992, afirmaram existirem contradições sobre os fatores envolvidos no desenvolvimento das células mastóideas, porém em um outro
estudo alegou-se que a extensão da pneumatização do osso temporal foi geneticamente pré-determinada e, por isso, qualquer tamanho deveria ser considerado uma variante do normal; com isso todos os valores encontrados por mais variáveis que sejam podem ser aceitos como dentro do padrão de normalidade devido as diferenças anatômicas existentes tanto entre os gêneros, como idade e para cada indivíduo.
Além de que aqueles valores das medidas AP, L e número de células que estivessem muito abaixo, como foi o caso de alguns pacientes que apresentaram metade da média para o grupo em que se encaixavam, segundo Bayramoglu et al. 1997, seria um indicativo de um histórico de doenças da orelha média durante principalmente a infância que teria alterado todo o processo de pneutatização do indivíduo.
Dessa forma comparando os gráficos entre as idades nota-se que na faixa etária acima de 60 anos é onde encontra-se maior diferença entre o número de células tanto do lado direito quanto esquerdo do crânio entre os gêneros feminino e masculino, fato que pode ser explicado devido a falta de medicamentos apropriados no controle das infecções da orelha média. Já quando se olha os gráficos das outras faixas etárias nota-se a existência de pequena diferença quanto ao número de células entre os gêneros, onde encontramos a maior quantidade de células do lado esquerdo nas mulheres na faixa etária entre 20 e 60 anos, e maior quantidade de células do lado direito na faixa etária de até 20 anos. Essa modificação pode ter ocorrido devido a utilização de terapia antimicrobiana que regrediu a incidência da doença nos últimos 40 anos, diminuindo assim as alterações na pneumatização das células mastóideas causadas por infecções bacterianas na orelha média.
Para Isono et al. (2003) e Lee et al. (2012) o volume de células mastóideas aumenta linearmente com a idade, esse dado é confirmado neste trabalho para ambos os gêneros, sendo com maior ênfase para o gênero feminino em que pela contagem e mensuração das células mastóideas, os valores mostraram-se em uma escala crescente.
7. Considerações Finais
1 – Houve a possibilidade de estabelecer as dimensões anteroposterior e láterolateral, além de quantificar as células que constituem o processo mastóide.
2 – Pacientes com até 20 anos apresentaram menor quantidade de células, sendo que as medidas AP e L dos homens eram maiores do que das mulheres. 3 – Pacientes entre 20 e 60 anos apresentaram simetria bilateral, com mesma quantidade de células entre homens e mulheres mas dimensões diferentes. 4- Pacientes com mais de 60 anos apresentaram a simetria bilateral, porém mulheres apresentaram maior quantidade de células e menores dimensões mostrando que seu processo mastóide é mais pneumatizado.
5- Houve uma relação linear entre número de células e idade dos pacientes. 8. Fontes Consultadas
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