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Vista do OS DIREITOS HUMANOS E FUNDAMENTAIS FRENTE À VISÃO LEGAL E ACADÊMICA: DIFERENÇA E IGUALDADE | Acta Científica. Ciências Humanas

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LEGAL E ACADÊMICA: DIFERENÇA E IGUALDADE

Andressa Jackeline de Oliveira Mario e Paiva1

Carlos Alberto Ferri2 Resumo: Ao se tratar da temática dos direitos humanos relacionando à edu-cação, é comum verificar abordagens que reflitam sobre a escola, com o olhar mais voltado à educação fundamental, mas ao se tratar do tema, referente à edu-cação superior, pouco se encontra para leitura e discussão. Desta forma, enten-demos que este artigo possa trazer novas contribuições, já que pouco se discute nesse sentido. Discutiremos conceitos e o uso deles, no que se refere aos direitos humanos, à visão acadêmica, mirando o indivíduo, e em sentido mais estrito, o cidadão, já que o faremos com olhar jurídico. Abordaremos também enfoques que contemplam a questão dos direitos humanos na construção curricular edu-cacional, buscando o que nelas se encontram sobre tal tema, mediante a reali-dade do mundo contemporâneo. Outro importante embate que ressaltaremos reside no tratamento das diferenças versus igualdade, tendo em mente o indi-víduo e o cidadão. Outro campo a ser tratado recai sobre o raciocínio dado ao particular e ao universal, já que tal paradoxo permeia a discussão dos direitos humanos e, também, da educação. Tais reflexões se dão com base em um breve e objetivo estudo de artigos que abordam temas afins e esta proposta, para que, com base em um singelo esforço em direção ao estado da arte, se encontre al-gum sinal que se tem pensado sobre os direitos humanos e a educação superior.

1 Graduanda em Direito pelo Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp). Mestre em Educação na área de Gestão Universitária. E-mail: [email protected]

2 Doutorando em Direito pela Fadisp-SP. Professor de Direito no Centro Universitário Adven-tista de São Paulo (Unasp). E-mail: [email protected]

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Palavras-chave: Direitos humanos; Visão; Igualdade; Diferenças; Educação.

HUMAN AND FUNDAMENTAL RIGHTS TO LEGAL

AND ACADEMIC VISION: DIFFERENCE AND EQUALITY

Abstract: When dealing with the human rights issue related to education, it is common to verify approaches that reflect on the school, with the focus more on fundamental education, but when dealing with the subject, referring to higher education, there is little for reading and discussion. In this way, we understand that this article can bring new contributions, since little is discussed in this sense. We will discuss concepts and their use, with regard to human rights, to the academic view, targeting the individual, and in a narrower sense, the citizen, since we will do it with a legal look. We will also approach approaches that contemplate the issue of human rights in the curricular construction of education, searching what is on them on the subject, through the reality of the contemporary world. Another important challenge that we will highlight is the treatment of differences versus equality, with the individual and the citizen in mind. Another area to be dealt with is the reasoning given to the individual and to the universal, since such a paradox permeates the discussion of human rights and also of education. These reflections are based on a brief and objective study of articles that deal with related themes and this proposal, so that, based on a simple effort towards the state of the art, there is some sign that has been thought about human rights and higher education.

Keywords: Human rights; View; Equality; Differences; Education.

Os Direito Humanos Fundamentais

Ao partirmos da antiga história da humanidade, podemos verificar uma constante busca e desenvolvimento sobre a formulação e o estabelecimento de direitos, já que estes eram cada vez mais necessários a uma melhor regulação do convício social. Na luta por entender o outro, assim como possíveis limites do que era ou não aceitável, também iam se desenvolvendo normas e regras, hoje chamadas de formais ou informais, que procuravam delimitar a convivên-cia soconvivên-cial, bem como auxiliar na gestão de conflitos, que na maioria da vezes, era “resolvido” de forma bastante desproporcional, como por exemplo, matar

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alguém que roubava; ou ainda, matar alguém que traia o cônjuge, entre tantas outras situações que muitas vezes eram “pagas” com a morte.

Desta maneira, as relações interpessoais eram fortemente pautadas na for-ça, e não na razão. Ainda que isso venha se perpetuando de geração em geração, ou seja, até hoje, ainda vemos grande matança por motivos torpes. O mundo contemporâneo apresenta muito avanço no que se refere a buscar a razão, a racionalização, para a tomada de decisões sobre as relações sócias, e seus possí-veis desfechos nos casos de lide.

Já olhando para o mundo contemporâneo, há muito que se considerar para a organização e normatização do convívio social, pois as consequências da globalização, como por exemplo a internacionalização da economia, a rapidez da comunicação global e o entrelaçamento intercultural proporcionado pela mídia, são mobilizadores, ou mais, são fomentadores de novas e polêmicas re-flexões sobre os interesses individuais (indivíduo) e universais (cidadania), que ora pende para uma análise local, ora tende para uma análise global, mas que em resumo, tem objetivos muito semelhantes: buscar a prática da teoria no que se refere aos direitos humanos.

Partindo do ponto em que há grande pluralidade de interesses, num com-plexo mundo, que muitas vezes se mostra como um livro aberto, ao ainda apre-sentar grandes conflitos no que se refere a valorização ou banalização da vida humana, faz-se necessário voltar o olhar para a questão dos direitos humanos, assim como na educação superior, enquanto arena de discussão e formação do indivíduo/cidadão. Neste caso, a retórica dos Direitos Humanos pode ser vista como estratégica.

Com a criação da Organização das Nações Unidas (ONU), há mais de 70 anos, elaborada com base na dramática realidade do período após a Segunda Guerra Mundial, destacam-se proposições que visam o estabelecimento de con-senso internacional, mediante o desafio de erigir/construir Direitos Humanos.

Segundo Piovesan (2006), a ONU adotava a definição de princípios de Di-reitos Humanos que pudessem ser tomados como regra de conduta social por todas as nações, independente de suas diferentes particularidades, já que tais proposições eram dotadas de ética, ideologia e moral universalmente aceitáveis.

Desta forma, a Declaração Universal dos Direitos Humanos apresenta em sua redação uma forte crença em que há coisas que se constituem em direito inalienáveis do ser humano, como acesso a valores, cultura, ética, organização social, política e econômica, sabendo que isso se originou da moderna tradição europeia.

Isso se evidencia ao se tomar o documento e analisar seus artigos, que apontam para sensíveis questões referentes à realidade da sociedade ociden-tal, além de serem também tratadas conforme a ética moderna dessas mesmas

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sociedades, o que ainda assim, não desqualifica a Declaração dos Direitos Hu-manos (DDH), ao contrário, identifica sua procedência, já que tudo no mundo das coisas tem uma origem, em linhas gerais.

Assim, a DDH é apresentada como um valioso documento que aponta para a afirmação dos Direitos Humanos como conteúdo de jurisdição universal, am-pliando a competência para os tribunais internacionais, e assim, limitando, pa-cificando e pautando a ação do Estado, no que se refere aos indivíduos/cidadãos. Ainda que esse relevante documento tenha se expressado por meio da con-cepção hegemônica de seu tempo, as pretensões da cultura de onde se erigiu expressavam anseios universais, já de uma forma ou de outra, ou seja, “na pele”, ou por “ouvir narrativas”, o mundo conheceu atrocidades até então não expe-rimentadas pela humanidade durante o ápice da matança humana na Segunda Guerra Mundial. Segundo Santos (1997, p. 112), “todas as culturas tendem a considerar os seus valores máximos como os mais abrangentes, mas apenas a cultura ocidental tende a formulá-los como universais”.

Há aqueles que entendem que assegurar Direitos Humanos universais por um lado implica em anular características particulares encontradas nos dife-rentes povos, mas aqui entendemos de forma contrária, ou seja, cremos que, ao se estabelecer direitos humanos universais, são dadas as condições para que os tenham como, a seu modo, desenvolver sua visão e práticas locais sobre a vida, estrutura e relação familiar, dignidade, justiça, liberdade, limites, morte, sexua-lidade, plurasexua-lidade, entre tantos outros pontos que permeiam as relações huma-nas. Entendemos que, desta forma, as diferenças de cada povo terão condições de irem se ressignificando, somando mutações interculturais, propiciadas pelas facilidades de comunicação e intercâmbio globais.

Desta forma, por mais que pudesse parecer improvável, houve sim um consenso multicultural e globalizado quando a DDH se tornou quase “mun-dialmente aceita”, compreende-se aqui como a grande maioria, já que ainda há povos que ignoram seus preceitos, seguindo assim suas infames práticas atro-zes. Entendemos aqui que compactuar com a DDH é uma das condições para a convivência no mundo contemporâneo.

Tomemos como exemplo a Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Lá encontramos elencados os direitos fundamentais. Tais direitos são baseados na natureza humana, e tomam caráter atemporal, inviolável e univer-sal, segundo o jusnaturalismo-universalista.

Assim, no título II da Constituição Federal/88, art. 5º, encontramos os Di-reitos e Garantias Fundamentais, que afirma que:

Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantin-do-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade

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do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: [...] (BRASIL, 1988, art. 5º)

Esses direitos e garantias estão subdivididos em 5 capítulos: 1) Direitos e Deveres Individuais e Coletivos – art. 5º inteiro; 2) Dos Direitos Sociais – art. 6º até o art. 11;

3) Da Nacionalidade – art. 12 e art. 13; Dos Direitos Políticos – art. 14 até art. 16; Dos Partidos Políticos – art. 17.

Os direitos individuais e coletivos referem-se à pessoa humana, assim como a personalidade, como por exemplo a vida, a dignidade, a igualdade, a segurança, a liberdade, a propriedade, a honra, entre outros.

Os direitos sociais são os relacionados às liberdades positivadas dos indiví-duos, que devem ser garantidas pelo Estado Social de Direito, como por exemplo, saúde, segurança, trabalho, educação, proteção à maternidade, previdência social, proteção à infância, e demais ações assistenciais. Tem como objetivo a melhoria das condições de vida dos desfavorecidos, a fim de buscar a igualdade social.

Os direitos de nacionalidade se referem ao vínculo jurídico político entre o indivíduo e o Estado, dando a ele condições de tornar-se um componente do povo, a fim de que tenha condições de exigir seus direitos e submeter-se a cum-prir seus deveres junto aos Estado, como é comum a todos.

Os direitos políticos considerados direitos públicos subjetivos, permitem que o indivíduo exerça sua cidadania ao participar dos negócios políticos do Estado.

Os direitos dos partidos políticos correspondem à possibilidade de se organi-zar, e participar de partidos políticos, conferindo-lhes liberdade e autonomia plenas, como requisitos indispensáveis na manutenção do Estado Democrático de Direito.

Desta forma, no Brasil, a princípio, todo ser humano nasce com direitos e garantias constitucionais concedidos pelo Estado, por meio da criação de or-denamentos jurídicos. Todo indivíduo tem direito a exigir da sociedade que se respeite sua dignidade e que também se garantam suas necessidades básicas, ou ainda, no mínimo, as condições e meios para que sejam supridas.

A DDH tem caráter bidimensional, pois se propõe a estabelecer condutas sociais ideais, buscando alinhar os direitos individuais aos da sociedade, e ain-da visa assegurar a liberain-dade e a democracia.

Os direitos fundamentais são entendidos como sendo um conjunto de ga-rantias e direitos do ser humano, objetivando o respeito à dignidade humana por meio de garantia de condições mínimas de vida para o ser humano, e ao mesmo tempo, preservando o poder estatal. Desta forma, além da Constituição Federal,

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os demais ordenamentos jurídicos brasileiros, e internacionais – como por exem-plo, Tratados – devem buscar a proteção a tais direitos de forma positiva.

Discussão da Visão Acadêmica dos Direitos Humanos

Ao participar de uma discussão ou debate sobre os Direitos Humanos, to-maremos por amparo as postulações de Mouffe (2001b), cujo enfoque é o da democracia e da política, que sugere questionamentos sobre como se formula a ideia de Direitos Humanos na modernidade, ou seja, uma dimensão política guiada por uma construção de consenso, além da dimensão cultural, permeada por um multiculturalismo assimilador e conservador, assemelhando-se à área educacional, ou como aqui entendemos, acadêmica, por se propor a ser um lo-cal de promoção de desenvolvimento da igualdade.

Neste sentido, entendemos que seja importante abordar Direito Humanos de uma perspectiva que dê valor a negociações que se dirijam a diferentes meios de discussão de disputa hegemônica, como por exemplo, os ementários das disci-plinas de cada curso superior. Aqui, entendemos que é necessário que exista um processo de diálogo, essencial para que se estabeleçam elementos politicamente relevantes e possivelmente produtivos, a fim de atender as pretensões de universa-lidade de formação, que se propõe a desenvolver em dado curso superior.

Assim, emergem da problematização dos Direitos Humanos embates como diferença/igualdade, ao se buscar a compreensão do que manter e o que mudar, aperfeiçoar, a fim de melhor ressignificar o ensino, para o alcance de melhores condições de se formar o indivíduo/cidadão. Imergindo no contexto mundial contemporâneo, onde a questões locais e globais são frequentemente compa-radas e por vezes racionalizadas, destaca-se o direito à diferença e, ao mesmo tempo, à igualdade, um impondo-se ao outro.

Assim, autores amplamente consagrados, como por exemplo Boaventura Souza e Santos, e Vera Candau, defendem a necessidade de ressignificação, ou conceitualização de direitos humanos. Candau (2008) supera a dicotomização da diferença e da igualdade, abordando os termos sob diferentes dimensões sociais. Segundo Candau (2008, p. 18)

Não se deve contrapor igualdade e diferença. De fato, a igualdade não está oposta à diferença, e sim à desigualdade, e diferença não se opõe à igualdade e sim à padronização, à produção em série, à uniformidade, a sempre o “mes-mo”, à “mesmice”.

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Desta forma, focalizamos a diferença no campo da dimensão cultural, apontado modos distintos de vida, significação e valores, que de forma dinâ-mica se reconstituem, em meio às relações sociais, que inevitavelmente são per-meadas por situações de jogos de poder. Por outro lado, a desigualdade guarda relações com a dimensão sociopolítica encontrada nas relações sociais, onde também se encontram os jogos de poder, configurando a existência de forças hegemônicas e também contra-hegemônicas apresentadas por grupos sociais em condições de assimetria no que se refere ao acesso aos bens materiais e sim-bólicos produzidos socialmente.

Segundo Santos (2006), a noção de Direitos Humanos empregada na mo-dernidade é uma resposta fraca para questões fortes, ou seja, para o enfrenta-mento das várias formas de desrespeito à dignidade humana, aos direitos hu-manos em linhas gerias, tem sido confrontada com bons discursos, que não dão conta de refletir em boas ações, sobretudo no âmbito acadêmico, já que os currículos e disciplinas acadêmicas mal dão conta de seus objetivos técnicos de formação, quanto mais, da manutenção dos direitos humanos.

Para Candau (2008), é preciso que haja um esforço rumo à ressignificação, baseada na noção de igualdade, ao passo que a diferença é reconhecida como acei-tável e legítima, a ponto de o diferente ser tratado de forma igual, ou seja, trans-cender o abismo entre diferença e igualdade para se chegar à igualdade na dife-rença, de forma a articular e integrar um ao outro, com sentido de “superar toda a desigualdade e, ao mesmo tempo, reconhecer as diferenças culturais” (CANDAU, 2008, p. 49). Entendemos, então, que a universalidade é uma pretensão/ficção ins-tituída com a finalidade de colocar em segundo plano a diferença.

Segundo Mouffe (2001b), que assume essa leitura radical por detrás dos direitos humanos, de bases eurocêntricas, implica em afirmar também que uni-versalidade de fato é uma pretensão/ficção de fato. Ao assumir tal radicalismo, entende-se que a diferença é inerradicável, devido ao fato de fazer parte disso a constituição do indivíduo social e do político, ou seja, do ser humano de forma generalizada. Por exemplo, se dentro que uma mesma família, numerosa em filhos, cada irmão recebe ensinamentos de um mesmo pai e uma mesma mãe, o que resulta em seres completamente únicos, quanto mais analisar perfis de indivíduos de um grupo social, e ainda de um contexto global.

Ao verificar a questão da diferença na esfera da cultura, encontramos a seguinte explicação:

A noção de diversidade, ao localizar-se no cenário da universalidade, acaba por aceitar a diversidade, assume uma postura que reforça as marcas etnocên-tricas e coloniais, cuja base encontra-se no sentido de tolerância. Enquanto a diversidade aloca, reconhece e relativiza conhecimentos culturais pré-dados,

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a diferença problematiza a divisão binária, que, por ser ambivalente, quebra o reconhecimento e possibilita a negociação. A nosso ver, tratar a diferença dentro da perspectiva da diversidade, como marca da distinção, é uma forma de domesticar a diferença, pois gera uma ilusão de harmonia pluralista para criar consenso (BARREIROS, 2009, p. 41).

Assim, o descarte da igualdade torna-se um ponto de rompimento das ba-ses da perspectiva moderna, ao se admitir a diferença como certa construção discursiva, orientada politicamente, não dando abertura à distinção natural como a geracional, de gênero ou étnica, ou ainda de escolha individual como são as questões religiosas, políticas, ou ainda de opção sexual.

Na discussão sobre os Direitos Humanos, partimos do que seja a diferença, ao invés de partir da igualdade, diferentemente da forma como a modernidade apresenta esse campo, pois mesmo sendo a universalização uma pretensão/fic-ção, cabe à utopia do entrelaçamento entre diferença/igualdade.

A heterogeneidade do social pode ser uma visão alternativa sobre os Di-reitos Humanos, que tome como eixo central a diferença, adotando assim uma democracia pluralista fincada na compreensão sobre o conflito produzido pela diferença, e sua constituição do social e do político, o que nos faz voltar a sua inerradicabilidade.

A perspectiva de democracia radical, proposta por Mouffe (2000), admi-te pluralidade de projetos sociais, além de projetos de cidadania, em situações políticas conflitantes, expressas por adversários legítimos, que por sua vez com-partilha de princípios éticos, e também, de valores, com sentido na disputa (ago-nismo), não na visão de inimigos que desejam o fim um do outro (antagonismo). Mouffe (2001a, p. 21) explica que essa relação não necessita de consensos éticos ou políticos, mas salienta que tais consensos são precários, pois emergem de discussões/significações conflitantes. Segundo a autora:

Emprestando um termo da teoria dos sistemas, nós podemos dizer que a polí-tica pluralista pode ser concebida como um “jogo misto”, isto é, parte colabo-rativo e parte conflituoso, e não como um jogo completamente colabocolabo-rativo, como os liberais o conceberiam MOUFFE, 2001a, p. 21).

Ainda nesse sentido, a autora avança afirmando que o entendimen-to sobre o projeentendimen-to político da “democracia agonística requer criar espaço para o dissenso e criar instituições através das quais este possa se mani-festar” (MOUFFE, 2001a, p. 21).

Tendo compreendido tais concepções, torna-se necessário adentrar, de for-ma for-mais específica, no campo legal/acadêmico para ufor-ma ampliação de ideias.

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Abordagem Legal dos Direitos Humanos

Há variadas formas de se buscar entender a lógica das ideias contidas nos direitos humanos, e consequentes no documento DDH. Desta forma, dar-se-á enfoque nos principais atributos que caracterizam os direitos fundamentais. Se-gundo Mendes, Coelho e Branco (2008, p. 240), isso será possível ao analisar a historicidade, a imprescritibilidade, a irrenunciabilidade, a inviolabilidade, a uni-versalidade, concorrência, efetividade, interdependência, e a complementaridade.

Ao se tratar da historicidade, entendemos que os direitos humanos são ela-borados em um momento e em um contexto histórico, e uma vez inseridos na Constituição Federal, tornam-se Direitos Fundamentais.

Devido ao fato de os Direitos Fundamentais não prescreverem, não se in-validarem ou se perderem com o passar dos tempos, constituem-se então, per-manentes, sendo assim dotado de imprescritibilidade.

Outra característica dos direitos Fundamentais reside no fato de que eles não podem ser renunciados, em nenhuma forma ou hipótese, sendo assim, irrenunciáveis.

Quanto ao atributo da inviolabilidade, entendemos que assim como os di-reitos não podem ser desrespeitados, os didi-reitos dos outros também não o podem, por nenhum indivíduo, ou nenhuma autoridade, ou ainda por meio de lei infra-constitucional, sob pena de responsabilização civil, administrativa e até penal.

A universalidade refere-se à abrangência, ou seja, são dirigidos a to-dos os seres humanos em geral, independente de crença, raça, convicção política ou nacionalidade.

Ao se tratar da concorrência, entende-se que é possível que se exer-çam concomitantemente variados Direitos Fundamentais, sem prejuízo uns dos outros.

Quanto à efetividade, espera-se que o poder público atue garantindo a efe-tividade dos Direitos e Garantias Fundamentais, usando de todos os meios que cada situação requer, inclusive os meios coercitivos.

No que se refere à interdependência, entende-se que, tanto as previsões constitucionais quanto as infraconstitucionais, não podem chocar-se com os Direitos Fundamentais, ao contrário, devem colaborar mutuamente, a fim de que seus objetivos sejam atingidos.

Quanto à complementaridade, entende-se que a interpretação dos direitos fundamentais não deve ocorrer de forma estanque, mas conjunta, a fim de que haja harmonia e sentido em sua completude.

Desta forma, é possível melhor entender o contexto formal de garantia que se pretende dotar a letra da lei, ou seja, a força constitucional empregada nos Direitos Fundamentais busca cercear possível desrespeitos a dignidade humana, por meio de seus poderes.

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As gerações dos direitos fundamentais

A partir de variadas organizações histórico-cronológicas, é possível no-tar um consenso entre os doutrinados, ao se trano-tar das gerações dos direitos fundamentais. São eles, os direitos de primeira, de segunda, de terceira e de quarta gerações.

Em linhas gerais, há três gerações de direitos que expressam ideais: Liber-dade, que inclui os direitos individuais e os políticos; IgualLiber-dade, que abrange os direitos culturais, econômicos e sociais; e Fraternidade, que aborda os direitos que se referem à solidariedade internacional, compondo assim, os direitos Fun-damentais na atualidade.

Os direitos referentes à primeira geração, ou como também são conheci-dos, de primeira dimensão, encontram inspiração em doutrinas iluministas e jusnaturalistas dos séculos 17 e 18. São os primeiros direitos a figurar no do-cumento normativo constitucional, ou seja, os políticos e civis. Os tais seriam os direitos à liberdade (política, religiosa, civil como a vida), à propriedade, à segurança, à igualdade formal (perante a lei), além de liberdades de expressão coletiva etc. O titular dos direitos à liberdade é o indivíduo, e tais direitos cons-tituem-se em faculdades ou atributos da pessoa; tem como traço característico a subjetividade, sendo considerado de oposição ou de resistência frente ao Estado, limitando a ação do Estado.

Os direitos de segunda geração, ou segunda dimensão, são aqueles direitos da igualdade, que visam o direito à educação, no combate ao analfabe-tismo; a proteção do trabalho, no combate ao desemprego; o direito à cultura; à saúde, entre outros. O século 20 foi pautado por essa geração de direitos que, nesse período, encontraram maior ênfase. Esses são os direitos de âmbito social, econômico, cultural e coletivo. Constituem-se direitos objetivos, onde o Estado intervém, a fim de que indivíduos que não têm condições de acessar os direitos, ou buscar a igualdade material, o façam por meio de intervenção positiva do Estado. Ocorrem vinculações com as chamadas “liberdades positivas”, visando requerer do Estado o bem-estar social, ou Welfare State, por meio de condutas positivas do Estado.

Os deveres de terceira geração ou terceira dimensão referem-se aos direi-tos de fraternidade. Eles se desenvolveram no século 20, e nele estão inclusos os direitos de maior abrangência, como o direito ao meio ambiente, ao progresso, à qualidade de vida, entre outros. Tal geração de direitos possui grande teor de uni-versalidade, pois além de atenderem a interesses individuais, ou de grupos, aten-dem a todos em geral. Assim, incluem em seu rol o direito à paz, à comunicação, além do patrimônio comum da humanidade, que somam grande valia.

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Por fim, encontramos os direitos de quarta geração ou quarta dimensão, surgidos na última década devido ao avanço do desenvolvimento tecnológico. Tais direitos foram incluídos na normatização jurídica em decorrência da

glo-balização política, e correspondem à fase mais recente da institucionalização do Estado Social. Os direitos de quarta geração são os da responsabilidade, como a democracia, a informação, a promoção e a manutenção da paz, a promoção da ética da vida, defendida pelo ponto de vista da bioética; são os direitos difusos, o direito ao pluralismo, entre outros. Tais direitos estão ligados a pesquisas néticas, que incluem protocolos de proteção e controle na manipulação de ge-nótipos de seres vivos, em especial, dos seres humanos.

Enfim, reconhecidos mundialmente na atualidade, os direitos fundamen-tais, e se expressam por meio de tratados, declarações, pactos entre outros do-cumentos de cunho internacional. Assim, entende-se que esses direitos já nas-cem com o indivíduo/cidadão.

A Declaração Universal dos Direitos Humanos,3 publicada em 1948, afir-ma que os direitos são proclaafir-mados de forafir-ma que passam a “preexistir” em re-lação às instituições sociais e políticas. Tais direitos não devem ser restringidos, tão pouco retirados dos documentos ou práticas legais e governamentais, os quais devem sim resguardar e proteger os direitos que servem a todos, a fim de que não sofram ofensas de qualquer natureza.

Referências Bibliográficas

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2009.

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CANDAU, V. M. Direitos Humanos, educação e interculturalidade: as tensões entre igualdade e diferença. Revista Brasileira de Educação, v. 13, n. 37, p. 45-56, 2008. MENDES, G. F.; COELHO, I. M.; BRANCO, P. G. G. Curso de direito constitucional. São Paulo: Saraiva, 2008.

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MOUFFE, C. Globalização e cidadania democrática. Revista da Faculdade de Direito

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Referências

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