A
BORDAGEM
DA
CRIANÇA
COM
FEBRE
CURSODE MESTRADO INTEGRADOEM MEDICINAPEDIATRIA
ANA MOUZINHO, PAULA VALENTE
Autores
Unidade de Infecciologia Pediátrica Coordenadora: Paula Valente Serviço de Pediatria Médica
Directora: Celeste Barreto Departamento de Pediatria
Directora: Maria do Céu Machado
DEPARTAMENTO DE PEDIATRIA
CLÍNICA UNIVERSITÁRIA DE PEDIATRIA
“
I think that you cannot find another drug
which heats in a more penetrating manner
than fever…. And if there were a physician
skillful enough to produce a fever, it would
be useless to seek any other remedy
against disease…”
A CRIANÇA COM FEBRE
1. A FEBRE2. OS PAIS
3. A CRIANÇA
A CRIANÇA COM FEBRE
Galileu inventou o 1º termómetro no séc. XVII Sanctorius introduziu-o na prática clínica
Wunderlich (séc XIX) - estudos de termometria
“Terminou a farsa da febre como uma doença sendo
Fisiopatologia da febre
Centro termorregulador
Região pré-óptica do hipotálamo
termostatoponto de fixação (set point)
centro de ganho de calor
centro de perda de calor
Fisiopatologia da febre
ELEVAÇÃO DA TEMPERATURA DE REFERÊNCIA DO
PONTO DE FIXAÇÃO DO CENTRO TERMOREGULADOR
NOVO EQUILÍBRIO ENTRE PRODUÇÃO E PERDA DE
CALOR
SITUAÇÃO REGULADA
Febre
Resposta complexa Coordenada Autonómica Neuroendócrina Comportamental AdaptativaFebre
Autonómica Vasoconstrição cutânea Diminuição sudação Endócrina Diminuição da secreção vasopressina
Diminuição do uso da glucose
Activação das hormonas de stress
Comportamental
Calafrio, aumento do tónus
Febre
INFECÇÃO/INFLAMAÇÃO
PIROGÉNIOS ENDÓGENOS
(IL-1, IL-6, IFN, TNF)
PROSTAGLANDINA E2
ELEVAÇÃO DA TEMPERATURA DO
SET-POINT HIPOTALÂMICO
Fisiopatologia da febre
ORGANISMOS E SUBSTÂNCIAS INDUTORES DAS CITOQUINAS
Bactérias e vírus
Peptidoglicans (paredes celulares das bactérias Endotoxinas (LPS dos Gram -) Enterotoxinas
(Estafilococos)
Toxina do Sind Shock tóxico, toxinas eritrogénicas Tuberculina, Complexos Ag/Ac
Componentes do Complemento
A resposta febril está presente no reino animal
como resposta adaptativa e tem sido preservada há milhões de anos
Estudos em animais demonstraram aumento da
resistência às infecções com elevação da temperatura corporal
Interfere com a sobrevivência de microorganismos Reduz a quantidade de ferro disponível reduzindo
a multiplicação bacteriana
Estimulação da resposta imunológica
Fagocitose
Migração leucocitária
Transformação leucocitária
Produção de interferão
2. OS PAIS
Abordagem da criança com febre
Inquérito a 340 pais
56% muito preocupados febre muito alta - >38,9º C
Se não tratada a febre pode subir > 43ºC
91% pensam poder haver efeitos nocivos (14%
morte)
85% acordam as crianças
Abordagem da criança com febre
3. As crianças
A criança com febre
FACTOS:
>70% das crianças que vão à urgência a Febre é o/um
dos sintomas
Acima dos 3 meses, o risco de infecção grave é
proporcional ao grau de febre
A resposta aos antipiréticos não permite distinguir
entre infecção bacteriana e viral
O risco de infecção bacteriana grave (inaparente) está
Incidência de infecção bacteriana grave em
lactentes com febre
<1 mês – 16,5% 1-2 meses – 10%
Mortalidade da sépsis neonatal entre 10-40%
e com elevada morbilidade
Microorganismos diferentes Não vacinados
Sistema imune imaturo
MAGNITUDE DA FEBRE E PROBABILIDADE DE
BACTERIÉMIA
< 38,9 C - 1% 38,8-39,4 C - 4% 39,4-40 C - 8% 40-41,1 C - 11% > 41,1 C - 60%TRATAMENTO DA FEBRE
OBJECTIVO: CAUSA DA FEBRE
Manter a criança confortável Hidratar Tratamento racional
TRATAMENTO DA FEBRE
TRATAMENTO FÍSICO
Compressas húmidas Banhos Compressas com alcool
Causam desconforto Calafrios, tremor
↓
TRATAMENTO DA FEBRE
TRATAMENTO FARMACOLÓGICO
Paracetamol versus Ibuprofeno
Meta-análise de 17 estudos randomizados
paracetamol 10-15mg/Kg / ibuprofeno 5-10mg/kg
Eficácia semelhante
Efeitos acessórios semelhantes
Ibuprofeno tem efeito mais prolongado
Arch Pediatr Adolesc Med 2004;158:521
A (s) CRIANÇA (s) COM FEBRE
1. Prevalência das doenças2. Individualização do risco da criança
3. Sensibilidade e especificidade dos exames
4. Valor preditivo positivo e valor preditivo negativo
dos exames
Abordagem da criança com febre
1. RECÉM-NASCIDOS 2. 1-3 MESES
3. DOS 3-36 MESES 4. ACIMA DOS 3 ANOS
QUANDO A CRIANÇA TEM FEBRE
EM QUALQUER IDADE… OBSERVAÇÃO MÉDICA SE:
“AR DOENTE” SINAIS DE ALARME
CRIANÇA COM DOENÇA CRÓNICA
“ Ar Doente”
PROSTRAÇÃO / IRRITABILIDADE NÃO CONSOLÁVEL
LETÁRGICO NÃO BRINCA
NÃO MELHORA SEM FEBRE NÃO SORRI
Diferente de
“RABUJENTO”
A criança doente 1660 Gabriel Metsu
Abordagem da criança com febre
Lactente15 dias de vida; de termo, gravidez
vigiada, análises maternas bem, parto eutócico, 1º filho
Febre 38,5º C axilar Menos activo ??
Abordagem da criança com febre
Análises:Hg 16,5 g/dl Hct 42%, leucócitos 12 000 ( N 49%)
PCR 2,1 mg/dl
Urina tipo II – N
Ex LCR 5 cels, Glicose 70 mg (glicémia 80 mg), proteínas 75
mg/dl
Urocultura
Hemocultura
Ex cultural LCR
Abordagem da criança com febre
TX- ampicilina + cefotaxima 2 picos de febre, clinicamente bem
RECÉM-NASCIDOS
Em > 75% dos RN a história clínica e exame
objectivo não identifica foco infeccioso
As escalas de observação (“ar tóxico”) não se
aplicam ao RN
Apresentação clínica inconsistente
Mesmo quando avaliado como “bem” não exclui a
possibilidade de infecção grave
Abordagem da criança com febre
Avaliação completa de sépsis:
1. Hemograma (bastonetes) 2. Hemocultura
3. PCR
4. Ex citoquimico e cultural do LCR 5. Urina tipo II (Gram) e urocultura 6. RX torax
Critérios de Rochester
Em lactentes de termo, sem complicações perinatais, sem doenças subjacentes, sem antibioticoterapia prévia
1. Sem sinais de infecção localizada 2. Leucócitos entre 5.000 e 15.000/mm³ 3. Nº total de imaturos < 1.500/mm³
4. Urina centrifugada < 10 leucócitos/campo 5. Se diarreia < 5 leucócitos/campo
Dagan et al. J Pediatr 1985;107:855-60
CRIANÇA COM FEBRE
1-3 MESES DE IDADE
Actuação semelhante aos recém-nascidos
Mais “liberal”
Abordagem da criança com febre
3-36 MESES
Lactente 9 meses, saudável, antecedentes
irrelevantes, PNV actualizado (+ antipneumocócica)
3º dia de febre, máximo 39º C axilar Sem outros sintomas, bom estado geral
Cenário 1 Cenário 2
Cenário 1
Exame objectivo sem foco de infecção
Cenário 1
Ao 5º dia , apirético e
Exantema súbito
Cenário 2
Exame objectivo sem foco de infecção Análises: Leucócitos 18500 (N75%)
PCR 8,5 mg/dl
Urina tipo II – 70 leucócitos
Pielonefrite aguda
Internamento
Cenário 2
Urocultura – E. coli
Hemocultura - negativa
A CRIANÇA COM FEBRE
PREVALÊNCIA
BACTERIÉMIA OCULTA 3-15%
INFECÇÃO URINÁRIA
Lactentes M < 6 meses - 7% Lactentes F < 12 meses - 8% * 2/3 das crianças com infecção bacteriana
manifestada por febre sem sinais de localização têm infecções urinárias
Risco de bacteriémia oculta estratificado por
idade
0 0,5 1 1,5 2 2,5 3 3,5 4 3-6m 6-12m 12-18m 18-24m 24-30m 30-36mAnn Emerg Med 31:679-687,1998
BACTERIÉMIA OCULTA
Pneumococo Haemophillus influenza Neisseria meningitidis Estreptococo SalmonellaAcima dos 3 anos de idade
Avaliação individualizada, baseada na história
clínica e exame objectivo
Exames laboratoriais ?
só excepcionalmente e
dirigidos ao provável diagnóstico etiológico