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TÍTULO: AVALIAÇÃO DOS MODOS RECUPERAÇÃO ATIVA E PASSIVA DURANTE OS INTERVALOS ENTRE OS ROUNDS DE UMA LUTA DE BOXE AMADOR
TÍTULO:
CATEGORIA: CONCLUÍDO
CATEGORIA:
ÁREA: CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E SAÚDE
ÁREA:
SUBÁREA: EDUCAÇÃO FÍSICA
SUBÁREA:
INSTITUIÇÃO: CENTRO UNIVERSITÁRIO DAS FACULDADES METROPOLITANAS UNIDAS
INSTITUIÇÃO:
AUTOR(ES): ROBERTO DINO DE ALMEIDA
AUTOR(ES):
ORIENTADOR(ES): THIAGO HENRIQUE NUNES FERREIRA
ORIENTADOR(ES):
COLABORADOR(ES): JEANN LÚCCAS DE CASTRO SABINO-CARVALHO
I. RESUMO
O treinamento de atletas para a modalidade de boxe olímpico baseia-se principalmente em estratégias e conhecimentos de senso comum ou experiência prévia, sem bases ou conhecimento fisiológico. A pesquisa fisiológica no que diz respeito à recuperação dos atletas pode contribuir de forma positiva para a melhora tanto em seu treinamento como em ambientes de competição. Sendo assim, o presente estudo teve o objetivo de avaliar os efeitos dos modos de recuperação ativa e passiva durante os intervalos entre os rounds de uma luta de boxe amador. Sete atletas de boxe amador do sexo masculino, com peso 68,55 ± 11.29 kg, idade 22,85 ± 7,51 anos, com pelo menos 2 lutas no cartel, passaram por duas sessões de simulação de luta, sendo uma sessão com recuperação passiva nos intervalos entre os rounds, e outra com recuperação ativa também nos intervalos. Foram avaliados percepção de esforço segundo escala de BORG, concentração de lactato sanguíneo. ([Lac]) e freqüência cardíaca na forma deltaFC em cada intervalo. Em relação à variável lactato houve uma diferença entre as concentrações do primeiro round, sendo que o lactato foi menor quando realizada a recuperação ativa, entretanto a diferença desapareceu no segundo e no terceiro round (Intervalos ativos: [Lac] = 5.0 mmol.L-1, [Lac] = 7,5 mmol.L-1, [Lac] = 8.0 mmol.L-1; intervalos
passivos: [Lac] = 7.5 mmol.L-1, [Lac] = 7,5 mmol.L-1, [Lac] = 8.0 mmol.L-1; p<0,01). Já
na variável percepção subjetiva de esforço segundo BORG, não houve diferença entre a as duas formas de recuperação (resultados 1º intervalo = 6, 2º intervalo = 6 e 3º intervalo = 7 em ambas as formas de recuperação; condição p = 0.58, tempo p=0.05 e interação p=0.53). Já na variável da freqüência cardíaca (deltaFC), a recuperação passiva se mostrou mais eficaz para a recuperação da freqüência cardíaca (recuperação passiva: 1º deltaFC = 60bpm, 2º delta FC = 40bpm e 3º delta FC = 40bpm; recuperação ativa: 1º deltaFC = 30bpm, 2º deltaFC = 30bpm e 3º deltaFC = 30 bpm; condição p = 0.01, tempo p < 0.01 e interação p = 0.06). Segundo os resultados obtidos, a recuperação ativa não se mostrou mais eficiente que a recuperação passiva.
II. INTRODUÇÃO
De acordo com Robinaul et al. (2014), a melhora do desempenho físico é extremamente dependente do tipo de treino realizado. O boxe, assim como muitas outras artes marciais e formas de combate, tem em seus métodos de treinamento conceitos sem estudo ou confirmação científica. Segundo Carneiro et al (2013) citando Del Vecchio et al.(2007) muitos treinadores desconhecem as características fisiológicas da luta, prescrevendo o treinamento de forma empírica ou simplesmente reproduzindo o treinamento que tiveram enquanto atletas no passado. Dentro da modalidade do boxe amador, esse padrão se repete, sendo a modalidade carente de estudos científicos especializados, de caráter fisiológico, tanto do âmbito do treinamento como no comportamento durante a competição.
De acordo com Lira et al. (2013), para obter um entendimento das capacidades fisiológicas das quais dependem a performance no boxe, é importante conhecer o grau de recrutamento de metabolismo anaeróbico durante uma luta. Segundo Davis et al (2014), o perfil metabólico do boxe amador é predominantemente aeróbico, sendo a forma de recuperação entre rounds diretamente relacionada ao desempenho de um boxeador durante a luta. As formas de recuperação ativa e passiva têm sido estudadas por diversos autores em diferentes modalidades com estrutura de prática de forma intermitente, alternando momentos de prática intensa com intervalos curtos de recuperação.
Poderíamos caracterizar a recuperação ativa como a recuperação realizada mantendo-se em movimento, seja em deslocamento ou estacionário, com intensidade de até 40% da VO2max, enquanto a recuperação passiva consiste na
recuperação sem qualquer movimentação, mantendo o atleta o apenas sentado durante o tempo estimulado para tal, segundo Ohya et al. (2013). Já citando Navarro et al. (2009), a recuperação ativa caracteriza-se por atividades constantes durante o tempo estipulado para tal com intensidade de 30%-40% do VO2max. Sendo assim,
pode-se concluir que a recuperação ativa consiste em manter o atleta em movimento durante o tempo estipulado para o intervalo, com intensidade leve, de forma a não exercer carga aeróbia excessiva, prejudicando assim seu desempenho, mas mantendo a exigência cardiorrespiratória. Além disso, estudos tem apontado uma forte relação entre a recuperação ativa e a remoção de lactato. Segundo Pereira et
al. (2011), durante os esforços de alta intensidade, os estoques intramusculares de ATP são predominantemente re-sintetizados através das vias de degradação da fosfocreatina, e do glicogênio muscular . Navarro et al. (2009) descreveu a recuperação ativa, apesar de ter resultados parecidos à recuperação passiva durante o treinamento, se mostrou mais eficiente na remoção de lactato no período subsequente a uma sequencia de Treinamento Intervalado Aeróbico (TIA) em soldados de exercito brasileiro. O lactato é também considerado como um importante substrato energético para diversas células e tecidos, entre elas as fibras musculares do tipo I, o coração, e o fígado, segundo Navarro et al. (2011). Sendo assim, sua taxa de remoção para a corrente sanguínea e seu consequente reaproveitamento torna-se de extrema importância para o desempenho de atletas praticantes de atividades intensas e intermitentes.
Ainda há um aspecto que pode ser abordado em relação aos tipos de recuperação, que se refere a frequência cardíaca e aos sistemas nervosos autônomos simpático e parassimpático. A recuperação ativa possibilita uma liberação maior de adrenalina e noradrenalina, hormônios com influência direta no desempenho, principalmente em modalidades de combate, onde a atenção e rápida resposta são de extrema importância. Deve-se levar em conta, tratando que tais hormônios também podem aumento do nível de estresse do atleta, o que deve ser avaliado em relação ao seu desempenho e posterior recuperação. (ABDERRAHMANE et al. 2012).
Tendo em vista estes resultados, citando Abderrahmane et al. (2012) que conclui que a recuperação ativa é mais eficiente no aumento da capacidade cardiorrespiratória em atletas submetidos a sessões de treinamento intervalado, citando Rashidi et al. (2013), que conclui que a recuperação ativa a 60% da freqüência cardíaca máxima promove melhor remoção de lactato em relação a outras formas de recuperação em um treino anaeróbico de alta intensidade, citando Burr et. al (2015) que concluiu que jogadores de hockey no gelo que realizam a recuperação em pé, ao invés de sentar-se nos bancos obtiveram um aumento da performance durante os sprints de uma partida, e citando Davis et al. (2013),que concluiu que a freqüência cardíaca média de uma luta amadora é de 170 batimentos por minuto durante os rounds, tornando os intervalos essenciais para a recuperação, dado o nível de exigência da modalidade, fez-se necessário avaliar as formas de
recuperação dentro da modalidade do boxe amador, onde uma forma de recuperação mais eficiente pode resultar em uma vitória. Pois especula-se que a melhor administração do tempo de recuperação, mantendo a predominância do sistema nervoso parassimpático, promovendo uma melhor remoção de lactato, possa ter uma direta ligação com desempenho do atleta durante o round subsequente, especialmente no início de tal round, momento em que o atleta volta a ser solicitado de forma intensa.
Ao longo dos anos, a prática de diversas modalidades de artes marciais e apresentou algumas características em comum na forma de condução do treinamento e de preparação dos lutadores para as competições: o tradicionalismo presente nos métodos, muitas vezes, sem uma explicação clara. É intrigante a questão da falta de estruturação e atualização do treinamento dentro de conhecimentos atuais. Os esportes de luta, apesar de amplamente difundidos, tem muitos de seus fundamentos tanto de preparação física como de conduta durante as competições, baseados no conhecimento popular transmitido por gerações de treinadores e mestres, muitas vezes, sem conhecimento ou fundamentação técnica ou especializada.
Sendo assim, a investigação das formas de recuperação entre rounds de uma luta de boxe visa contribuir para a especialização no esporte, validando seus conceitos através de bases científicas, promovendo alterações nos métodos, caso necessárias, para o melhor desempenho e saúde dos atletas.
III. OBJETIVOS
Avaliar os efeitos fisiológicos da recuperação ativa e passiva durante os intervalos entre os rounds de uma luta de boxe amador.
IV. METODOLOGIA
Foram selecionados sete atletas de boxe amador do sexo masculino, com peso 68,55 ± 11.29 kg, idade 22,85 ± 7,51 anos, pelo menos três lutas no cartel. Todos os atletas treinam, pelo menos seis vezes por semana 2 h por dia. Todos os atletas foram instruídos a não ingerirem bebidas alcoólicas, café por pelo menos 24h antes das visitas experimentais e realizar somente atividades leves no dia anterior.
Foram realizadas duas visitas, separadas por três dias. O protocolo de teste foi composto por um aquecimento padrão de 10 min, constituídos de movimentos leves e específicos, o voluntário estava paramentado com um frequencímetro POLAR, modelo TF1. Após o aquecimento os voluntários realizaram três rounds, sendo esses comandados pelo treinador, utilizando manoplas de boxe nas mãos em uma rotina pré-estabelecida na tentativa de simular uma luta real. Cada round durou 3 min e o intervalo entre eles foi de 1 min. Os atletas foram distribuídos randomicamente, onde em uma visita este intervalo foi realizado exclusivamente de forma passiva, com o atleta sentado em um banco, e na outra visita este intervalo foi realizado exclusivamente de forma ativa, de pé e com movimentos determinados pelo treinador. Todos os pré-requisitos de normatização foram obedecidos. O estudo foi realizado de forma randômica e pareada.
V. DESENVOLVIMENTO
Foram coletadas as seguintes variáveis: 1) Concentração de lactato ([Lac]) coletado do lóbulo da orelha e analisado em um aparelho Accutrend Plus (ROCHE) com o atleta em repouso antes do início do aquecimento, nos últimos 15 s do intervalo de cada round e ao final do terceiro round as medidas logo após; 2) Percepção subjetiva de esforço (PSE) na escala de 0 – 10, segundo BORG, logo após o término dos rounds; 3) Percentual de mudança da frequência cardíaca a cada round (Delta FC), onde foi anotado a FC do voluntário logo após o round e instantes antes de recomeçar o próximo. Ao final do terceiro round foi anotado a FC imediata e após 1min, para ser calculado a diferença percentual em cada situação.
A normalidade, a homocedasticidade e a esfericidade da distribuição dos dados foram verificadas utilizando os testes de Shapiro-Wilk, Levene, Mauchly, respectivamente.
Variáveis com duas medidas repetidas foram comparadas utilizando o teste T de Student para medidas repetidas. Quando se fez necessário comparar mais de duas medidas repetidas, a ANOVA de duas vias para medidas repetidas foi utilizada. Os resultados serão apresentados como média ± desvio padrão.
Todas as análises foram bicaudais e o nível de significância assumido será de P < 0,05. Para todas as analises foi utilizado o programa STATISTICA (versão 10, Statsoft, USA).
VI. RESULTADOS
Em relação à concentração de lactato (gráfico 1), os dados não apresentaram distribuição normal. Foi realizado um teste não paramétrico (Anova de Friedman) sendo o Anova P < 0.05. Foi realizado o post-hoc de Newman-keus que mostrou uma diferença entre as concentrações de lactato do primeiro round, sendo que o lactato foi menor quando realizada a recuperação ativa. Entretanto a diferença desapareceu no segundo e no terceiro round.
Em relação ao teste de percepção subjetiva de esforço segundo escala de BORG (PSE), os dados apresentaram distribuição normal (gráfico 2). Foi realizado Anova 2x3, e não houve efeito do tipo de recuperação na percepção subjetiva de esforço entre os rounds.
Gráfico 1
Por fim, em relação à variável Delta de freqüência cardíaca (delta FC), os dados apresentaram distribuição normal (gráfico 3). Foi realizado Anova 2x3, e a recuperação da freqüência cardíaca foi maior na condição de recuperação passiva. Entretanto, não houve interação entre os rounds e o tipo de recuperação.
VI. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A recuperação ativa não se mostrou mais eficiente em relação à recuperação passiva, segundo todas as variáveis fisiológicas analisadas.
VII. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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