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REVISTA MENSAL
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EGONOMICO
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INDICE
ESTADO
RN pode aproveitar "Nordeste
Maravilha" 13 O leão continua faminto 16
APEC solidifica sua posição
na Educação 17 Sylvio Pedroza, a volta do bom
governante 1® É difícil quem não apoia as
diretas 2 1
Empreguismoeseus
problemas 22 No ar, a guerra eletrônica 25
Ana dirige a Trairy e vence
preconceitos 26 CVV: um telefonema para
salvar vidas 28 Acumulação de cargos e as
resistências 29 Previdência: um novo esquema
em ação 30 Comércio: crise continua
em 84 31 Ribeira: a decadência
continua 34 Saudação de quem viveu
os bons tempos 36 Um livro que exala região 40
Pepsi marca sucesso
de vendas 41 ARTIGOS Manoel Barbosa 7 Raimundo Soares 20 Garibaldi Filho 44 Rosemilton Silva 46 SEÇÕES
Homens & Empresas 4
Veículos 32 Cultura i 42
HUMOR
Cláudio 45
CAPA
Foto de Flávio Américo
O carnaval da Barra
Natal nunca teve tradição
carnavalesca. A tradição de Natal é de sol o ano inteiro e belas praias. Mas, se Natal não tem essa tradição, pelo menos alguma coisa de novo está surgindo em termos de folia. Se não exatamente na cidade mas, pelo menos, numa das praias do Litoral Norte: Barra de
Maxaranguape. Ali, alguns veranistas, que não tinham ido para Olinda, Recife, Salvador ou Rio,
começaram a improvisar um carnaval, há poucos anos. Da improvisação, veio a animação, pois carnaval é animação. E, agora, o carnaval da Barra de Maxaranguape já começa transpor fronteiras. Numa reportagem que começa na página oito, estamos contando não só a história do carnaval da Barra, como também das bandas de Natal e de uma folia que tenta criar alguma coisa de tipicamente potiguar.
RN/ECONOMICO
REVISTA MENSAL • ANO XV • N.° 149 • JANEIRO/84 • CR$ 1.000,00DIREÇÃO:
DIRETOR/EDITOR: Marcelo Fernandes de Oliveira DIRETORES: Núbia Silva Fernandes de Oliveira, Mau-ricio Fernandes de Oliveira e Fernando Fernandes de Oliveira.
REDAÇÃO
DIRETOR DE REDAÇÃO: Manoel Barbosa ARTE E PRODUÇÃO
Edilson Martins de Araújo
PROGRAMAÇAO VISUAL E DIAGRAMAÇÃO: Moacir de Oliveira.
FOTOCOMPOSIÇÃO: Antônio José D. Barbalho DEPARTAMENTO COMERCIAL
GERENTE COMERCIAL: Vanda Fernandes de Oliveira GERENTE DE ASSINATURAS: Antônio Emídio da Sil-va
RN/ECONÒMICO — Revista mensal especializada em assuntos sócio/econômicos do Rio Grande do Norte,
é de propriedade de RN/ECONOMICO EMPRESA JORNALÍSTICA LTDA. — CGC n° 08 286.320/0001 61 — Endereço: Rua São Tomé, 421 — Natal (RN) — Fone: 222-4722. É proibida a reprodução total ou par-cial de matérias da revista, salvo quando seja citada a fonte. Preço do exemplar: Crt 800,00. Preço da assinatura anual: Crt 8.000,00. Preço da assinatura bienal: Cf* 13.000,00. Preço do número atrasado: Cr» 1.500,00.
HOMENS 8c EMPRESAS
AS FEIRAS E FEI-RÕES MARCAM SU-CESSO — A modalidade
de feiras e feirões de veí-culos têm marcado o maior sucesso em Natal e seus promotores não pretendem parar com a iniciativa. A última no Shopping Center Ci-d a Ci-d e JarCi-dim, apresentou um balanço de mais de 40 unidades vendidas. * * * * * * NOVAS VERSÕES DO MONZA EM NATAL —
A Natal Veículos está re-cebendo o Monza, em to-d a s as versões, equipa-do com o novo motor a álcool 1.8, praticamente pelo mesmo preço do normal. Segundo o seu diretor comercial, Tomaz Silveira Guimarães, a fa-mília Chevrolet está sa-tisfeita porque o Che-vette terminou 1983 co-mo o carro mais vendido do ano, em todo o Brasil, g a n h a n d o até mesmo pa-ra o Fusquinha. A Natal Veículos está com um novo método de vendas e x t e r n a s , visitando os clientes no próprio
domi-cílio para demonstra-ções. Essa nova estraté-gia tem apresentado ex-celentes resultados, fa-zendo com que a tradi-cional empresa natalen-se ficasnatalen-se no natalen-segundo lu-g a r entre as revendas da GE na Região.
• * * * * *
REATIVAÇÃO DE OBRAS — Aos poucos, o
setor público reativa al-g u m a s obras. A constru-tora Dirceu Victor Go-m e s de Hollanda ( está construindo a ponte so-bre o riacho das Quintas. O contrato é no valor de Cr$ 120 milhões e o pra-zo para a conclusão da obra é de seis meses.
* * * * * *
EMPRESÁRIOS APROVAM MALUF —
Ótima. Essa é a impres-são quase unânime dos empresários do Rio Grande do Norte após a reunião mantida com o presidenciável Paulo Maluf no auditóriao do Sesc. Os empresários mostraram-se surpresos
com o conhecimento que ele demonstrou dos pro-b l e m a s do Estado e algu-m a s soluções originais q u e apresentou. O que impressionou mais foi a iniciativa de procurar a classe empresarial para um «jogo aberto», na ex-pressão de um influente empresário local.
* * * * * *
INTERIOR PAGA MELHOR — Mesmo
com os cinco anos, a q u a s e falência da agropecuária e , c o n s e q u e n t e -m e n t e , a -menor circula-ção de riquezas, o ho-m e ho-m do interior é ho-muito melhor pagador das suas dívidas do que o da Capi-tal. Segundo os dados do Serviço de Proteção ao Crédito — SPC, a ina-dimplência nas lojas de Natal é muito maior do q u e nas filiais do inte-rior. A interpretação é q u e o homem do interior é mais cioso do seu cré-dito.
* * * * * *
O SUPÉRFLUO
VEN-DE — Nos tempos
difí-ceis como os atuais algu-m a s lojas de Natal estão tendo sucesso não com produtos baratos-e tradi-cionais, mas com os su-pérfluos. Um dos exem-plos é a rede de lojas de «A Sertaneja». Uma rá-pida pesquisa mostrou que o consumidor local está no seguinte dilema: o que tem TV a cores, não muda agora; quem não tem; não pode com-p r a r . Assim, a solução é colocar um supérfluo al-ternativo. Essa é a razão p o r q u e os videogames têm tido tanto sucesso em Natal, a ponto da própria «A Sertaneja» ter esgotado todo o esto-q u e inicial. O esto-que anda p a r a d o mesmo é o setor de vendas de videocas-sete, pois os preços dis-p a r a r a m e cada adis-parelho está custando em média Cr$ 2 milhões.
* * * * * *
BB TERÁ AGÊNCIA PAGADORA — O Banco
do Brasil já está termi-n a termi-n d o de estruturar a sua agência pagadora,
HOMENS & EMPRESAS
Melo: negociações com a TN
Lucena: metas cumpridas na VASP
A nova galeria de arte
que vai funcionar na Prudente de Morais, num prédio alugado, Es-sa agência ficará encar-r e g a d a dos pagamentos da Petrobrás, pessoal militar, pensões, etc., d e s s a forma desafogan-do o movimento na Agência Centro, que fi-cará apenas com os ne-gócios normais e as con-tas-correntes.
* * * * * *
LOCADORAS DE VÍ-DEO — Se o mercado
para os aparelhos de vi-deocassete está quase p a r a d o em Natal — co-mo em todo o Brasil — por causa dos altos pre-ços, o de aluguel de fitas está disparado. Pelo me-nos duas locadoras — a Locavídeo e a Videoteca Vitória Régia — estão funcionando a pleno va-por. Nos fins de semana, as duas ficam com o acervo das melhores fi-tas totalmente ocupado. A pobreza dos cinemas de Natal faz crescer esse mercado.
* * * * * *
NEGOCIAÇÕES COM TRIBUNA/CABUGI —
Até o momento em que foi fechada esta edição, faltavam apenas peque-nos detalhes para que se consumasse a negocia-ção entre o empresário Geraldo Melo e a família Alves em torno do possí-vel controle acionário — ou pelo menos participa-ção meio a meio — da Tribuna do Norte e, pos-sivelmente, também Rá-dio Cabugi. As conversa-ções preliminares desen-volvem-se há mais de um ano. Porém, nos últi-mos dias elas tomaram caráter de urgência
por-q u e a família Alves sente dificuldades de conti-nuar arcando com a ma-nutenção do jornal sozi-n h a . Sesozi-ndo fechado o sozi- ne-gócio, Geraldo colocará várias pessoas da sua confiança em postos-chaves da empresa. Mas é q u a s e certo que per-manecerá como diretor-financeiro José Gobat, q u e sempre mostrou g r a n d e tirocínio na con-dução do seu setor e é responsável direto pela
administração das dívi-das e da relativa estabili-d a estabili-d e estabili-de pagamento estabili-do pessoal.
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QUEIROZ OLIVEIRA NA BAHIA — O Grupo
Queiroz Oliveira acaba de dar um grande salto em seus negócios. Mi-guel Oliveira anuncia pa-ra março a inaugupa-ração em Salvador de u m a fi-lial para venda de
mate-rial de construção, ferro e ferramenta industrial. A loja, numa área de 6.500 metros quadrados, fica no Distrito Industrial de Porto Seco Pirajá, on-de estão localizadas se-des de importantes em-presas.
* * * * * *
ATUAÇÃO DA VASP EM NATAL — A filial da
Vasp, em Natal, cumpriu todas as metas que fo-ram traçadas pela admi-nistração central, em São Paulo, para a atual e t a p a . Nestes meses de alta ocupação, os aviões têm voado com 100% da capacidade dos passa-geiros. A Vasp também e n t r a com seu vôo econô-mico, a partir da meia-noite, chegando às 6h25 em São Paulo e às 5 ho-ras no Rio. Informa o ge-r e n t e local, Eustáquio Lucena, que foram feitas amplas reformas nas ins-talações, em função de maior operacionalidade da agência e a Vasp tem dado muito apoio às ini-ciativas de cunho cultu-ral.
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UMA NOVA GALE-RIA EM NATAL —
Na-tal passa a contar com u m a nova Galeria de Ar-te. Trata-se da Graphite, de Sérgio e Elizabeth Câmara, na Prudente de Morais, 631. Seu objeti-vo é divulgar a arte da t e r r a , através de exposi-ções, além do acervo p e r m a n e n t e de litogra-fia. Já tem três exposi-ções certas até junho: d u a s de artistas da ter-ra — Marcelus Bob e Marcelo Fernandes — e u m a da paulista Cecília Zuziki.
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ARTIGO
O velho
caldeirão
MANOEL BARBOSA A peculiar situação do Brasil atual e seu processo
de eleição indireta para a Presidência da República tornaram o Rio Grande do Norte de repente muito im-portante no processo da sucessão presidencial. São os 24 votos do Estado no Colégio Eleitoral sendo disputa-dos pelos presidenciáveis que aqui têm vindo com muita gana. No mês passado vieram o ex-Ministro Ney Braga, como enviado do vice-Presidente Aurelia-no Chaves, o Senador Marco Antônio Maciel e o De-putado Federal Paulo Maluf. Dos três, precedendo o Ministro Mário Andreazza, o que mais sucesso obte-ve foi o Deputado paulista. Isso não quer dizer que os andreazzistas tenham perdido seu ímpeto. Pelo con-trário. O furor malufista despertou os brios da equipe do Ministro do Interior, que tem aqui adeptos entu-siasmados e conta com o apoio declarado do Governa-dor José Agripino.
Tudo isso tem agitado os meios políticos e criado situações delicadas. Uma delas diz respeito ao frac-cionamento do PDS. Com a divisão dos partidários dos presidenciáveis, cria-se a sensação de que o partido do Governo desonera-se. Mas os próprios envolvidos nas questões — ninguém sabe ao certo se apenas da boca para fora — alardeiam que tudo isso faz parte do jogo democrático. Por outras palavras, querem dizer
que divergir não é separar. Será mesmo?
Do lado das Oposições, com suas divergências en-tre os diversos segmentos de esquerda, também se fa-la muito que nada disso significa ruptura. Embora a Oposição não admita que h^ja democracia no País — como não há — arrisca-se a dizer, como o PDS, que tais divergências fazem parte do processo democráti-co.
0 problema é que o Brasil é um País peculiar. Pela sua própria formação e origem. Essa peculiaridade acentuou-se com as deformações originárias de um re-gime fechado. Um rere-gime que, estimulando a prática de se alcançar o Poder através de conciliábulos, agra-vou o significado da palavra divergências. Então, ho-je, quando se diverge, em política, no Brasil, talvez
não seja apropriado emprestar ao termo o mesmo sig-nificado convencional. Divergência tem quase a
cono-tação de ruptura. Porque, quase sempre, por trás da divergência está o próprio jogo do Poder.
Os presidenciáveis que têm vindo ao Rio Grande do Norte semeiam a divergência, mesmo não queren-do, porque impõem as regras do jogo do Poder. E as coisas têm extrapolado de diversas formas. A ruptura potencial não fica só no âmbito do PDS. As Oposições, ao mesmo tempo em que fazem a campanha pelas di-retas, também divergem. Há os que, taxados de mo-derados, também são confundidos com conciliadores, porque argumentam pela necessidade de, em último caso, se jogar também o jogo das indiretas, desde que, assim, seja possível chegar ao Poder máximo no País — a Presidência da República. Há outras fac-ções das Oposifac-ções que não se fixam apenas na cam-panha pelas diretas. Querem mais, querem a legaliza-ção do Partido Comunista para agora, as vezes até confundindo as duas campanhas. E há também o sonalismo. Porque, na atual corçjuntura, ninguém per-de per-de vista o cultivo — não o culto — a personalidaper-de, com vistas à popularidade indispensável para as elei-ções que vêm em 86 e serão, como foram em 82, dire-tas para todos os níveis inferiores do Poder.
Todos e s s e s elementos têm peso suficiente para dar algum significado aos que pressagiam rupturas tanto no PDS como no PMDB e seus aliados menores. E quase certo que não apenas haverá rupturas, como essas rupturas vão ocorrer em cadeia.
Parece bastante ingênuo supor que o quadro políti-co potiguar permanecerá estátipolíti-co sob tantos e violen-tos impacviolen-tos. Os interesses em jogo são muito gran-des. E, ademais, vive-se um processo de transição. E transição não só de regime. Mas também de lideran-ças, de existências políticas, de quadros.
Tudo isso ocorre justamente no momento em que os presidenciáveis garimpam votos no Rio Grande do Norte. 0 desanimador é que, aconteça o que aconte-cer, não é de se esperar muita coisa de realmente Ixtui. Pode, aqui ou ali, ocorrer alguma melhora ocasional. Mas só passageira. Para o Estado, no seu todo, só uma mudança estrutural, no processo de administra-ção do País, com a descentralizaadministra-ção do Poder, poderá mudar as coisas de vez e não por algum tempo.
Em Barra de Maxaranguape, todos são animados
Carnaval na Barra, atração
que começa a ganhar fama
Quem pensa que o potiguar não
sa-be curtir Carnaval em sua terra pode começar a mudar de opinião, porque a folia momesca em Barra de Maxa-r a n g u a p e , vem, nos últimos anos, se f i r m a n d o como o melhor Carnaval em todo o Estado e um dos melhores da região, atraindo, assim, a atenção dos natalenses carnavalescos, que, decepcionados com o m a r a s m o rei-nante durante a festa de Momo na Ci-d a Ci-d e Ci-do Sol, ano após ano, fogem Ci-do Carnaval de Natal como o diabo foge da cruz. Antes fugiam para Salvador ou Olinda. Mas a tendência atual é de que procurem a Barra de Maxaran-g u a p e , por ser mais perto e a viaMaxaran-gem mais econômica e onde podem encon-trar um Carnaval tão bom quanto o de Olinda e Salvador. Com inúmeras v a n t a g e n s . Entre outras a de que, lá, os foliões dispõem de maior liberdade e (ainda) não há tanta violência, quanto naquelas cidades.
Barra só conseguiu entrar na moda
agora, apesar de o Carnaval naquela praia vir sendo realizado com êxito há uns dois ou três anos. A moda se con-solidou a partir do sucesso no ano passado. Sucesso que pode ser tradu-zido pelo número de barracas monta-das, aproximadamente 400, forman-do um grande camping à beira-mar; além da super-lotação de todas as re-sidências de veraneio, do g r a n d e con-s u m o de latacon-s de cerveja nocon-s barecon-s da cidade. Isso sem contar o sucesso da Banda Um, a euforia dos seus carna-valescos, o sol e o mar seduzindo a to-dos para um mundo de alegrias. En-fim, um Carnaval popular.
A DESCOBERTA — Desse modo,
patenteada a consagração, inevitavel-mente a Emproturn descobriu o que ela procurava há tanto tempo: um lu-gar no Rio Grande do Norte, onde houvesse Carnaval popular de verda-de. Logo, a empresa de turismo ime-diatamente começou a namorar o
Carnaval de Barra, pois ela viu no evento uma excelente oportunidade para fazer com que os potiguares, em especial os natalenses, e por conse-guinte o seu dinheiro, p e r m a n e ç a m no Estado. E, é claro, viu t a m b é m ne-le u m a tração para os turistas que nos visitam nesta época de alta estação. E já começa a investir, prometendo criar uma boa infra-estrutura.
Dácio Galvão, estudante de Letras da UFRN e poeta natalense, é um au-têntico carnavalesco de Barra de Ma-xaranguape. No ano passado, ele foi um dos mais animados foliões da pio-neira «Banda Um», que marcou a fes-ta popular daquela praia. Hoje, já em outro bloco, a «Bandauê», Dácio se p r e p a r a , entusiasmadíssimo, para re-tornar para Barra. Vai uma semana a n t e s da data oficial, pois é q u a n d o a coisa começa a rolar. " N a boa tradi-ção de Olinda e Salvador", diz ele sorrindo.
Questionado sobre aquele evento,
Dácio explicou para
RN/ECONÔMI-CO, que, antes de tudo, gostaria de
frisar que o Carnaval ali "estourou independente de qualquer promoção oficial, ou qualquer e s q u e m a pre-estabelecido". Ele destaca isso, para diferenciar do Carnaval que atual-m e n t e se proatual-move eatual-m Natal, organi-zado e distante do povo. " O de Barra, como verdadeiro Carnaval, é fenôme-no coletivo espontâneo, reunindo pessoas das mais diversas classes so-ciais. Embora possam ser resumidos entre os seus participantes, os carna-valescos das bandas, veranistas, cadores e as mais diferenciadas pes-soas, em sua maioria jovens que se a g r u p a m nas centenas de barracas montadas à b e i r a - m a r " . Daí a seme-lhança com Olinda ou Salvador, cida-des onde Carnaval é feito entre pes-soas das mais diversas classes so-ciais. Ao contrário do que acontece em Natal, onde os blocos de elite — pelo próprio nome se conclui — insis-tem em fazer um Carnaval elitizado. Embora Dácio ache que " o s blocos de elite são uma tradição de Natal e, co-mo tradição, deve ser respeitado o seu modo de fazer C a r n a v a l " . Outra semelhança — não imitação, pois obedece a características locais — é a do frevo. Especialmente do frevo ele-trizado, comum às duas g r a n d e s cida-des do carnaval norcida-destino.
NOME CERTO — Apesar de
se-rem chamadas de bandas — «Banda Um», «Barrauê» e «Pessoal do Aló» — estas, ainda segundo Galvão, es-tão mais para afoxés do que para os tradicionais blocos de elite ou bandas de música. " A f o x é s " , explica
Gal-vão, que também é estudioso da cul- A beleza da praia...
As casas tranquilas, se transformam no
tura afro-brasileira — " a f o x é s , por-q u e são um aglomerado de pessoas de classes variadas que saem pelas ruas e bares de Barra cantando fre-vos baianos, isto é, aqueles frefre-vos eletrizados". Além disso, lembra ele, os próprios nomes das bandas-afoxés " t ê m peculiaridade com o repertório sincrético-yorubá: Barrauê é um neo-logismo criado por nós, ou seja. Barra com relação à praia; e auê, termo de saudação nos terreiros de candom-blés significa festa e alegria. Banda Um é um neologismo de Gilberto Gil e tem a ver com umbanda e música; e Pessoal do Aló é um poema de temá-tica afro-brasileira do poeta baiano Antônio Cícero". Mas, enquanto não
... e o descanso enquanto a folia não chega em março
As bandas mostram que
é possível carnaval local
possuem o instrumental necessário para funcionar como autênticos afo-xés, as pessoas que formam essas b a n d a s se reúnem em torno dos ba-res e brincam ao som dos frevos na vitrola. " P a r a Dácio, é preferível as-sim, do que os arremedos de trios elétricos que existem em N a t a l " . Cita ainda como a outra característica do Carnaval de lá a abertura para desfile gay e da Rainha do Carnaval.
Ainda segundo Dácio, apesar de e s s a s b a n d a s se destacarem — afinal por ora só existem elas — " O Carna-val de Barra não tem dono, nem cria-d o r " . O que houve, continua ele, foi u m a democratização da festa — sem g r u p o s oficiais e extra-oficiais que monopolizem, o que é f u n d a m e n t a l — o resto é fruto da espontaneidade. Vê ainda como sucesso daquele Car-naval de praia, " a decadência do car-naval u r b a n o " . Aliás, lembra ele, ou-tras praias do nosso litoral t a m b é m têm tudo para fazer um Carnaval tão bom nuanto o de Barra. E entre e s s a s praias, ele cita Jacumã e Tou-ros, onde já vem sendo feitas boas fo-lias.
TURISMO — Enquanto o Carnaval
de Barra vai tomando forma, de ano para ano, assumindo e deglutindo suas influências mais marcantes, o Carnaval natalense continua sendo um problema. Este ano, a Secretaria Especial da Prefeitura assumiu a or-ganização dessa festa na capital e a Emproturn, através de sua diretoria de promoções, atraída pelo sucesso de Barra, vai organizar, ou melhor, implantar uma infra-estrutura para um bom funcionamento do evento na praia. Ou seja, construirá banheiros públicos, armará cordões de lâmpa-das para iluminação, a u m e n t a r á o n ú m e r o de ônibus e garantirá espaço p a r a todas as barracas, fazendo um planejamento da área de camping. Planos, por sinal, segundo o diretor de promoções da Emproturn, João Bosco Rocha, "já se tem a l g u n s " . Divulgação do evento pela TV Globo, convidar todos os blocos de elite, Rei Momo e Rainha do Carnaval de Natal para o Carnaval de Barra.
" I s s o será feito", garante ele, " s e m que se perca as características do Carnaval de l á " . Bastante entu-siasmado, Bosco prevê que o número de barracas, que no ano passado foi calculado em 400, este ano se multi-plique para mil. " E s t o u sabendo que até turistas da Europa, entre os quais p o r t u g u e s e s e franceses já estão se
deslocando para l á " . •
Com mais alegria e descontração e com a promessa de não se deixar ex-plorar em termos políticos, a Banda-gália e as bandas de ruas substituirão os importados trios elétricos no car-naval de Natal, este ano, também com alvissareiras promessas de reati-var o falecido, há longos anos, carna-val de rua. As escolas de s a m b a , por sua vez, estão ameaçadas de desapa-recer diante das dificuldades finan-ceiras impostas pela recessão e pela (des) organização do carnaval oficial que, com a má escolha do local de desfile — Avenida Presidente Ban-deira, no Alecrim — restringe o
espa-ço e dificulta as evoluções das agre-miações.
Um dos propósitos da Prefeitura de Natal (através da Secretaria Especial) é promover um carnaval-espetáculo e, para tanto, está sendo estudada a possibilidade de se colocar arquiban-cada de 100 metros para um público pagante, na Presidente Bandeira. So-bre a arquibancada, as escolas de samba nada dizem contra, mas res-saltam a inconveniência do local, já ocupado pelos camelôs e que restrin-girá bastante a movimentação dos passistas, prejudicando, consequen-temente, o desempenho das escolas.
Para Lucarino, presidente da Esco-la dc Samba BaEsco-lanço do Morro, tetra-campeão da Chave A, embora a idéia de arquibancada seja louvada — " t r a z mais tranquilidade às famílias e seria faturamento para os cofres pú-blicos" — ele não acredita em sua montagem, "primeiro porque o car-naval vai ser no Alecrim e a avenida que daria para se fazer um carnaval com desfile tranquilo seria na Aveni-da Presidente Quaresma, porque é larga, ou então na Prudente de Mo-rais. Arquibancada ali com os came-lôs fica um pouco esquisito", comen-tou. Mas a decisão final é do órgão promotor do evento, continuou, " e as escolas de samba não podem dizer nada e têm que acatar toda e qual-quer decisão. Nós somos dependen-tes, subordinados".
diminuir o número de seus figurantes de 650 para 300 que se apresentarão durante o carnaval.
" E s t e ano estou triste porque o instrumental está todo f u r a d o e o or-çamento feito necessita de 600 mil cruzeiros só para recuperar e eu es-tou sentindo dificuldade para botar a escola na r u a " , desabafa Lucarino. Para conseguir sair, pelo menos, com os 300 figurantes previstos, Lucarino afirma que promove festas, festival de shopp e livro de ouro, assinado por pessoas amigas e simpatizantes da Escola. Ele ressalta, porém, que a falta de dinheiro não vai influir na animação do carnaval, porque toda escola de samba de Natal está em di-ficuldades.
Além das bandas, a nova coquelu-che, que ele acha da maior
importân-deste ano para as escolas da Chave B é de CrS 280 mil, " n ã o é suficiente, mas ajuda b a s t a n t e " . Elogiando as mudanças que ocorrerão neste carna-val — "melhorou em mil por m i l " — Rubens diz que se não houvesse " u m a crise tão grande no País, tería-mos o melhor carnaval de todos os tempos em Natal".
Rubens Pessoa também não está satisfeito com o local de desfile — em atendimento a uma reivindicação de moradores e comerciantes do Ale-crim —, mas ressalta que na Praia, seria inviável devido à acústica. Luca-rino completa que na Praia o vento e a maresia prejudicariam as evoluções e as fantasias.
" O Alecrim não é bom para as es-colas de samba, mas é bom para o carnaval em si, porque é um local
pa-As agremiações: sempre em dificuldades DIFICULDADES — O grande
pro-blema enfrentado pelo carnaval é, na verdade, a crise financeira que assola o País, principalmente um Estado po-bre como o Rio Grande do Norte, on-de a ajuda oficial, na maioria das ve-zes, se restringe a ornamentação de alguns trechos da cidade e uma pe-quena verba a título de ajuda para as escolas de samba e blocos de elite. Este ano a promessa de ajuda finan-ceira extrapolou as expectativas, ape-sar das dificuldades. Uma escola da Chave A, por exemplo, que no ano passado recebeu a quantia de Cr$ 180 mil, este ano receberá Cr$ 400 mil, o que na verdade representa bem pou-co do que se gasta para sair às ruas. A Balanço do Morro, em 83, gastou cerca de Cr$ 1 milhão e 185 mil e este ano, devido às dificuldades, deverá
cia para fazer renascer o carnaval de rua, Lucarino louva também a extin-ção dos trios elétricos, geralmente importados da Bahia a peso de ouro e que, de uma certa forma, desviava ou diminuía as verbas que seriam desti-nadas às agremiações locais. Outra crítica feita aos trios diz respeito à or-ganização dos desfiles que, segundo Lucarino, sempre era atrapalhado pe-la presença dos trios — " s e m p r e quando queríamos nos preparar para entrar na Avenida, o trio passava e desmantelava t u d o " , observou.
O maior benefício da desistência de trios no carnaval é, segundo Rubens Pessoa, presidente da Escola da Cha-ve B, Imperadores do Samba (a mais antiga de Natal), o aumento da ajuda financeira, porque " o s trios levavam a m e t a d e do o r ç a m e n t o " . A ajuda
ra onde convergem mais pessoas, a movimentação é c o n s t a n t e " , comple-ta Rubens Pessoa, que dá algumas alfinetadas na Emproturn, quando diz que na época em que esse órgão promovia o carnaval, " n ã o tínhamos liberdade de ação e não havia diálogo entre a entidade promotora e as esco-las de s a m b a " .
BANDAGÁLIA — Depois do
su-cesso do reveillon, conseguindo mo-bilizar grande parte da população de Natal na entrada do Ano Novo, a Ban-i^agália (ou os mentores da Bandagá-lia) decidiu ficar em Natal e fazer re-nascer o carnaval de rua há muito es-quecido na Capital que chamam «Es-pacial do Brasil», ao invés de se des-locarem até Olinda ou Salvador, onde o período momesco é mais animado.
Segundo Olinto Rocha, integrante e batalhador da Bandagália, " o carna-val de Natal foi destruído e antes a banda não saía, porque o grupo não queria arriscar e perder o carnaval fi-cando a q u i " . Alex Nascimento, tam-bém da Banda, faz uma ressalva: " A Banda não tinha que sair no carnaval. Era uma coisa alegre, mas não obri-gatoriamente para o carnaval".
0 reveillon promovido pela Banda teve um gasto total de Cr$ 2 milhões, conseguidos através de promoção de festas e venda de camisetas, e o alto custo por si só já seria um dos moti-vos da saída esporádica da Banda. Porém, contatos foram feitos com a Prefeitura, que se comprometeu em dar incentivos e a pagar os músicos. Uma das preocupações do pessoal da Banda é que a Secretaria Especial, responsável pela promoção do carna-val, não vincule a Banda como pro-priedade da Prefeitura nem tente, através dela, adquirir dividendos po-líticos.
" A função da Bandagália agora é tentar revitalizar o carnaval de rua de Natal, incentivando a participação de outras b a n d a s " , afirma unânime o grupo entrevistado (Alex Nascimen-to, Olinto Rocha, Sérgio Dieb e Eugê-nio Cunha). O primeiro passo foi da-do, afirmam, e agora é preciso o apoio oficial " p o r q u e ninguém tem tempo nem saco para ficar pensando o ano inteiro no c a r n a v a l " .
Se a Banda, formada d e s d e 82, in-sistia em brincar o carnaval em Olin-da e saía em Natal apenas em Olin-datas esporádicas (reveillon, Sabádo de Aleluia), agora decidiu animar o car-naval de Natal . " N ó s achamos que
Um desfile pobre
era hora de sair, até porque a Banda era uma brincadeira que podia sair em qualquer época do ano, até num 7 de S e t e m b r o " , afirmou Alex.
Decisão tomada, a Banda entrou em contato com a Prefeitura e algu-mas sugestões foram feitas: orques-tras fixas em alguns pontos estraté-gicos da cidade (principalmente na praia), decoração simples e popular, permanência do roteiro já tradicional da Banda (só que desta feita come-çando na Tavares de Lira, Ribeira) e às outras bandas que se organizarem caberá a definição de seu roteiro. O que se quer, diz Sérgio Dieb, é incen-tivar a saída de blocos de qualquer jeito, as chamadas bagunças que an-tigamente existia em Natal, a fanta-sia, a descontração o máximo que pu-der. Outra sugestão, continua Olinto, é que " o s blocos Hp plitp desçam das
alegorias e criem um caráter mais po-pular, participem m a i s " .
Eugênio Cunha destaca a impor-tância da divulgação, " d e se popula-rizar a divulgação". Além de incenti-var a divulgação, eles querem incen-tivar a participação de outras bandas (Bandalheira, Bandeira e outras que quiserem se formar) e blocos de sujo. A turma da Gália, por exemplo, sai este ano com os mesmos blocos que saíram em Olinda: «Deixe de chin-fra», «Que merda é essa» e agora (idéia do vereador Sérgio Dieb) «Dei-xe de indiretas».
A Bandagália vai abrir e fechar o carnaval de rua de Natal (sai na sex-ta-feira e na terça) e durante o dia pretende sair com os blocos. No sába-do deve sair a Bandalheira (criasába-do a partir da Bandagália), domingo os Fi-lhos da Pauta (formado por
jornalis-Bandagália começou com
uma brincadeira de verão
Tudo começou com uma brinca-deira. No verão de 1979 um grupo de amigos se reuniu na Praia de Genipabu e enlre bebidas, conver-sas e brincadeiras, eles se auto-denominaram de «gauleses», pelo comportamento semelhante ao de Asterix, o gaulês, um personagem de revista em quadrinhos. Essa mesma (urina se reuniu para pas-sar o carnaval em Olinda e, na vol-ta, eles decidiram fazer reuniões-festas semanais. E entre
Genipa-bu, birila, Redinha e carnaval em Olinda ("lá tinha carnaval de rua e o daqui estava morrendo"), em 81 discutiu-se a formação de uin blo-co, a Gália, para sair no Sábado de Aleluia.
"Mas a banda mesmo surgiu a partir do blecaute de abril de 1981", comentam em coro Olinto Rocha, Alex, Eugênio e Dieb, re-lembrando que a turma ficou du-rante 5 dias reunida no Kazarão, o único bar que tinha energia,
bebi-da e gelo. Nesse mesmo ano a Bandagália saiu no reveillon e cm 82, na sexta-feira de carnaval.
Sérgio Dieb diz que criaram-se muitos mitos e folclore em torno da Gália e Olinto frisa que "Gá-lia não é nenhum clube ou institui-ção". "É apenas um grupo de amigos como outro qualquer", completa Alex Nascimento. 0 gru-po desmistifica o rótulo de ogru-posi- oposi-ção política — "as posições políti-cas são várias c até antagônipolíti-cas", diz Alex.
A Gália ou Bandagália é uma coisa só. Uma turma de pessoas, com profissão definida e que faz do bom humor e algumas brigui-nhas saudáveis o lema de união.
tas) e segunda a Banda dos Artistas (pessoal da Coart). Antes eles tenta-rão revitalizar o Carnaval da Sauda-de, na Tavares de Lira, que também é uma tentativa de fixar o natalense em sua cidade no período de Momo, já que deve ser realizado no sábado an-tes do carnaval.
PARA TODOS — Fazer um carna-val para todas as classes. Essa é a proposta da Prefeitura Municipal, se-gundo afirmou Giovani Rodrigues, Secretário para Assuntos Especiais e responsável pela organização do car-naval, este ano. Ele informou que, para conseguir tal intento, deverão ser gastos aproximadamente 50 mi-lhões de cruzeiros.
Prometendo dar apoio total ao car-naval de rua, incentivando a chamada bagunça, troça, Giovani Rodrigues ci-tou como algumas modificações que ocorrerão no carnaval a fixação de ar-quibancada, um carnaval para as crianças carentes na Cidade da Crian-ça e o Carnaval Municipal — " u m baile como acontece em todas as ca-pitais, um carnaval para a e l i t e " , ex-plicou.
A decoração, garantiu o Secretário Especial, será feita desde a entrada de Natal (Viaduto) até o «corredor da alegria», na Avenida Presidente Ban-deira, onde vai se realizar o desfile
das escolas de s a m b a . •
As belezas naturais atraem visitantes
TURISMO
RN pode aproveitar bem
o "Nordeste Maravilha"
«Nordeste Maravilha» é u m a ex-pressão que, por motivos óbvios, pa-ra muitos será considepa-rada meio ou totalmente alienada. Mas, é t a m b é m o título oficial da campanha que a E m b r a t u r — Empresa Brasileira de
Turismo — e as empresas estatais de turismo da região vão lançar, em São Paulo, na primeira quinzena de mar-ço. No melhor estilo regionalista: com jangadeiros e jangadas,
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Completamos 14 anos de
trabalho sério e consciente
em favor do Rio Grande do
Norte. E vamos continuar
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Por isso afirmamos que
santo de casa faz milagre.
transportados, respectivamente, através de avião e caminhões. Lá, participarão de um desfile náutico en-tre as praias de Santos e Guarujá. Ao final da festa, as jangadas serão sor-teadas ao público.
A promoção visa, naturalmente, atrair turistas para as praias nordesti-nas e faz parte da política da Embra-tur de incentivar o Embra-turismo interno. Com prioridade para o Nordeste, es-pecificamente sua faixa litorânea. «De sol o ano inteiro», segundo slo-g a n s dos slo-guias turísticos das cidades nordestinas. Slogan, por sinal, já bas-tante usado pela Emproturn em suas c a m p a n h a s publicitárias. Usado, tal-vez, pioneiramente. Mas depois tam-bém encampado por e m p r e s a s de tu-rismo de outros Estados do Nordeste. De qualquer forma, acima das con-corrências, essas empresas têm plano em comum. Um exemplo disso, foi a reunião da CTI — Companhia de Tu-rismo Integrado do Nordeste, realiza-do em Natal, de 11 a 14 de janeiro úl-timo.
Assim, procurando incentivar o in-tercâmbio com empresários do Sul, especialmente os paulistas, que têm interesse em investir no turismo da região, após a reunião, que serviu ainda para avaliar as promoções fei-tas no ano passado, ficou definida a realização de um encontro comercial, no Hotel Hilton da capital paulista, t a m b é m na primeira quinzena de março, envolvendo agentes de via-g e m , hoteleiros, representantes de e m p r e s a s de transportes aéreos e operadores de turismo de São Paulo e do Nordeste. A diretoria da Empro-turn foi escolhida, ainda na reunião, para representar as e m p r e s a s de tu-rismo dos Estados da região. "Servi-rá p a r a discussão dos pacotes turísti-c o s " , disse o Presidente da Empro-t u r n , AugusEmpro-to Carlos Garcia de Vivei-ros. Adiantou ainda que serão feitos outros encontros promocionais no Rio de Janeiro, Brasília e Belo Horizonte t a m b é m com objetivos semelhantes. Por ora, além do de São Paulo, só es-tá marcado o de Brasília que será em agosto, época da reunião da ABA V — Associação Brasileira de Ageiftes de Viagem.
TURISMO POTIGUAR — Pelo
me-nos, se se levar em consideração os projetos e investimentos que a Em-proturn começa a colocar em ação, 1984, que para os pessimistas é um ano em que poderão se concretizar p é s s i m a s profecias, parece que, para a Emproturn, será um ano, que
pode-ríamos chamar «pleno de realiza-ções». Algumas delas, a e m p r e s a co-meça a colocar em prática. A mais monumental, sem dúvidas, é a im-plantação do chamado Distrito Indus-trial-Turístico de Natal na Via Costei-r a . " E s s e o nosso pCostei-rincipal objeti-v o " , repete orgulhoso Augusto Car-los. E, para isso, serão feitas assina-t u r a s de conassina-traassina-tos para consassina-trução de mais seis hotéis na Costeira, entre março e abril próximo. Participarão do contrato, o BDRN e o Fungetur que investirão em torno de um bilhão de cruzeiros. " F o r a participação de cada empresa, que entrarão com 20 a 50 por cento desse t o t a l " , como res-salta Garcia de Viveiros. Esses seis hotéis — um de duas estrelas; três de três estrelas, e dois de quatro estre-las — totalizarão 230 novos aparta-mentos, que estarão prontos até o
Artes e Artesanato e uma Central de Reservas.
EVENTOS — Enquanto a
Empro-turn impulsiona seus projetos de de-senvolvimento do nosso turismo, em t e r m o s de futuro — um futuro a curto prazo, mas de qualquer forma futu-ro — ela, como não poderia deixar de ser, também está atenta para promo-ção do turismo aqui-agora. Nesse sentido, acaba de lançar o seu mais novo guia turístico da cidade: um lu-xuoso folheto com fotos de praias; de garotas bronzeadas tomando banho de m a r , ou deitadas ora em j a n g a d a s , ora em d u n a s da Praia de Genipabu; incluindo ainda, fotos das mais tradi-cionais atrações turísticas: Forte dos Reis Magos, Farol de Mãe Luíza, Igreja de Santo Antônio, lojas de ar-tesanato. Um folheto que vem
acom-No litoral norte, o belo panorama
próximo ano. Que viriam a se somar p a n h a d o com cartões postais. Uma aos 156 apartamentos dos dois hotéis produção luxuosa feita no Rio de Ja-q u e já estão em construção na Via neiro, com a Ja-qual a Empresa gastou Costeira — e aos 767 a p a r t a m e n t o s a l g u n s generosos milhões de cruzei-da atual rede hoteleira natalense, in- ros. Mas, a despeito de ter sido pro-cluindo hotéis de uma a quatro estre- duzida no Rio de Janeiro, e ter custa-las. do caro, alguns indesculpáveis
pe-Se isso, sem dúvidas, r e p r e s e n t a a q u e n o s defeitos foram notados por consolidação de uma indústria turís- especialistas da indústria gráfica na-tica — a chamada «indústria sem t a l e n s e . Entre os mais graves, o foto-chaminés» — que poderá competir lito invertido na foto principal. Daí, em pé de igualdade com as principais que, n e s s a foto, uns escritos na cami-capitais do turismo da região — For- sa e boné de um banhista aparecem taleza, Recife e Maceió, ela precisa invertidos.
ter u m a boa representação no maior De qualquer forma, o folheto im-centro emissor do País — São Paulo, pressiona e serve para divulgar a be-Nesse sentido, a Emproturn já mar- leza de nossas atrações turísticas. Di-cou o mês, abril próximo, para a vulga ainda o calendário de eventos inauguração da «Casa do Rio Grande 1984, do qual foram suprimidos vá-do Norte», que será u m a espécie de rios outros entretenimentos incluívá-dos representação comercial-cultural do no calendário da Emproturn do ano Estado e funcionará com um restau- p a s s a d o . No atual, foram incluídos os r a n t e «Carne Seca do Lira», Sala de seguintes: Festa de Santos Reis,
Fes-UMA.
QUESTÃO
DE
SEGURANÇA
ta do Caju e Festa de N. S. dos Nave-g a n t e s , realizadas em janeiro; F e s t a de Santa Cruz da Bica, em maio; G r a n d e Vaquejada do Nordeste, em s e t e m b r o ; Festa de Nossa Senhora da A p r e s e n t a ç ã o , em novembro; Festi-val de Artes de Natal e Ciclo Natali-no, em d e z e m b r o . Não foram incluí-d a s , a Festa incluí-de Verão — promoção e s t u d a n t i l e do público em geral no C a m p u s Universitário; a J o r n a d a de Cordel e Viola, t a m b é m no C a m p u s ; F e s t a do Milho, em j u n h o no pátio da C e a s a ; Festival de Batida do Rio G r a n d e do Norte, realizado no Bos-q u e dos Namorados, pela p r i m e i r a vez, no ano passado.
C h a m a d o a comentar sobre e s s e s e v e n t o s ; o Presidente da E m p r o t u r n s e limitou a dizer q u e será d a d a , t a m -b é m , " ê n f a s e p a r a a Festa do Milho, Festival da Batida, F e s t a do Caju e Festival de V e r ã o " . Na v e r d a d e , u m a d a s principais promoções, n e s s e iní-cio de ano, está voltada p a r a o Carna-val d e Barra de M a x a r a n g u a p e , o n d e a E m p r o t u r n começa a voltar s e u s olhos e, p r e t e n d e , n e s s e primeiro ano q u e vai investir por lá, m o n t a r u m a infra-estrutura p a r a um bom f u n c i o n a m e n t o . " S e r ã o g a s t o s em torno de dois a t r ê s milhões d a q u e l e Carnaval. P a r a e s s a s promoções, ga-r a n t e ele, " s e ga-r ã o suficientes os ga-recuga-r- recur-sos próprios ou o r ç a m e n t á r i o s " . Outro evento q u e ele d e s t a c a , é a c h a m a d a animação turística no Cen-tro de Turismo, todas as noites.
ALTA ESTAÇÃO — Quanto a e s t a
alta t e m p o r a d a de turismo, q u e co-meçou em janeiro e poderá prosse-guir até início de março, A u g u s t o Carlos faz um cálculo otimista de q u e , d i a r i a m e n t e , circulem em Natal
1 mil e 200 turistas. E de q u e até o final da alta estação t e n h a m circulado 80 mil. O q u e r e p r e s e n t a r á cerca de um bilhão de cruzeiros.
E s s e cálculo ele faz principalmente a partir da f r e q u ê n c i a na r e d e ho-t e l e i r a , com os principais hoho-téis t o t a l m e n t e lotados. M a s , p a r a não ficar f a z e n d o projeções empíricas, a E m p r o t u r n , contando com apoio da E m b r a t u r , iniciou recen-t e m e n recen-t e a primeira erecen-tapa de uma p e s q u i s a , d e n o m i n a d a «Estudo da D e m a n d a Turística» p a r a s a b e r dos t u r i s t a s s u a s i m p r e s s õ e s sobre a c i d a d e do Natal, os e q u i p a m e n t o s tu-rísticos oferecidos e outros d a d o s . Serão coletadas — pelos 16 p e s q u i s a -d o r e s , q u e trabalharão -de m a n h ã , à t a r d e e à noite — informações sobre r e s i d ê n c i a , permanência na cidade, sexo, idade, profissão, r e n d a b r u t a m e n s a l , modo de viajar, o n d e se hos-p e d a m , gastos feitos na cidade, utili-zação dos p r o g r a m a s de incentivo ao t u r i s m o e infra-estrutura u r b a n a , além de outras informações.
A E m b r a t u r p r e t e n d e e s t e n d e r e s s a p e s q u i s a a o u t r o s Estados para e s t u d a r t a m b é m a d e m a n d a
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N a t a l - R NUsar laje, seja de piso ou forro, hoje, é quase uma
obrigação de quem constrói. A laje é uma questão de segurança, estética e beleza. E, se
utilizadas nervuras e blocos, formando a conhecida Laje Volterrana,
aí, o construtor terá mais economia de tempo e dinheiro, mais simplicidade na instalação, menos peso e
uma qualidade sem igual. A Laje Volterrana, pela sua praticidade, tornou-se um
produto nacionalmente conhecido. No Rio Grande
do Norte é fabricada pela Saci-Material de Construção Ltda. Todo
calculista criterioso determina Laje Volterrana
para sua obra. Os investidores da construção
civil também Jazem isto. A Saci, detendo exclusividade no fabrico e
comercialização do produto, ensina tudo sobre
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ü l
§§
[ MATERIAL PE CONSTRUÇÃO
Pte Bandeira, 828 Te Is.: 223-3626 / 3 6 2 7 / 3 6 2 8 Av. Rio Branco, 304 — Ribeira — Natal-RN
IMPOSTOS
O leão continua com sua
disposição de morder mais
Iniciado o ano de 1984, após acal-mados os ânimos das festas do final de ano de 1983, começa agora, para milhões de brasileiros, a preocupação com o Leão, que a cada época tortura mais e mais o pobre contribuinte. De-vido à frequência de fraudes, este ano a Receita Federal está tomando maiores cuidados para evitar a sone-gação e pedirá novamente à Serpro para programar seus computadores, capacitando-os a detectar as irregula-ridades mais frequentes.
No caso específico do Rio Grande do Norte, o Delegado da Receita Fe-deral, Otacílio Dantas Cartaxo, ga-rante que não houve grandes proble-mas com sonegações, exceção feita ao caso de proprietários de automó-veis que estavam conseguindo licen-ça de táxi, sonegando o IPI. Quando
há sonegação de imposto de Pessoa Cartaxo: leão vigilante
Física, a Receita não tem condições de informar sobre seu percentual, porque "qualquer número que se der, não tem base concreta", diz Car-taxo.
A fiscalização para localizar a sone-gação existe e para tanto as informa-ções do computador têm sido bastan-te eficaz. Otacílio Cartaxo explica que se é feito um estudo para localizar qual o setor que vai mal, como por exemplo, o setor de eletrodoméstico, para ver a rentabilidade e daí se veri-fica quais as empresas que não estão correspondendo à média de arrecada-ção, "aí é fácil chegar à empresa que está sonegando". No caso de profis-sional liberal (médico, dentista...), o delegado informa que a chance de localizar a sonegação é com o cruza-mento de informação entre o cliente e o profissional.
SUPERAVIT — Apesar da crise, recessão, desemprego e da seca que assola o Estado há alguns anos, a ar-recadação no Estado do Rio Grande do Norte, no ano de 1983, superou a previsão, que era de 20 bilhões de cruzeiros e cuja arrecadação foi de 22 bilhões, com um superávit de 11 por cento. Mas Cartaxo adianta que a
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previsão é feita em cima de todos os fatores que poderão comprometer a arrecadação e que de fato comprome-t e m .
O delegado frisa, no entanto, que, em relação à taxa de inflação, a arre-cadação não acompanhou — " o cres-cimento foi nominal, não foi real. O intermediário entre a taxa de 11 % e a taxa de inflação, continua, indica que não houve um crescimento real e aí está o reflexo da crise. Apesar de to-dos esses problemas, informa, o Rio Grande do Norte foi o segundo colo-cado, em termos de arrecadação, na 4 .a Região da Receita Federal, supe-rado apenas por Pernambuco. A 4 .a Região é composta pelos Estados do Rio Grande do Norte, Paraíba, Per-nambuco e Alagoas.
GARRAS DO LEÃO — Os bancos começaram a receber declaração do Imposto de Renda d e s d e o último dia 30, porém o prazo para quem tiver restituição ou imposto a pagar vai até 23 de março. Quem tem isenção o prazo expira dia 27 de abril. Até lá, cada contribuinte estará vasculhando suas gavetas, arrumando suas pape-ladas para tentar reduzir ao mínimo possível a fatia que o cidadão brasi-leiro tem que deixar para o Leão, anualmente.
Os computadores da Receita este ano terão um maior cuidado para não ocorrer irregularidades em casos de
«patrimônio incompatível com a ren-da», «aumento patrimonial excessi-vo», «rendimentos pagos a médicos, dentistas, psicólogos e aluguel», «rendimentos provenientes da agri-cultura», «profissional liberal-fazen-deiro» (há rendimentos do trabalho autônomo declarados como rendi-mentos da agricultura, que tem in-centivos do Governo), «investimentos incentivados (ações de empresas qua-se fantasmas)», «valores do IR reti-dos na fonte» e análise sobre dedu-ções e abatimentos.
A Receita Federal chama a aten-ção do contribuinte para se evitar o confronto com o Leão e frisa que o desconto padrão nunca deve ultra-p a s s a r os 25 ultra-por cento da renda bruta e não ser maior q u e Cr$ 1 milhão e 51() mil. As d e s p e s a s com instrução, aluguel, d e p e n d e n t e s e juros não po-derão ultrapassar o limite fixado pela Receita. Os abatimentos com pensão alimentícia, médicos e dentistas te-rão fiscalização rigorosa, para evitar quaisquer transtornos, pede-se que o contribuinte g u a r d e os comprovantes
por cinco anos, para a defesa, caso a Receita chame-o para dar explica-ções.
PAGAMENTO — Para pagar o IR,
o contribuinte poderá fazê-lo logo que declare, porque junto com as instru-ções vem um Recibo de Entrega de Declaração e formulários (DARF), semi-preenchido pelo computador e que será completado pelo contribuin-te. As formas de pagamento podem ser à vista, até 30 de março, ou
parce-lado em até 8 meses, com correção monetária, a partir de 30 de abril.
Qualquer atraso no pagamento das parcelas terá multa de 20 por cento, mais 1 por cento ao mês de juros de mora, e ainda da correção monetária aplicada aos meses de atraso. A mul-ta de 20% poderá ser reduzida a
10%, quando o pagamento é feito no mesmo exercício fiscal. A entrega de declaração atrasada também incorre em multa de 1 % ao mês sobre o
im-posto devido. •
Uma estrutura de ensino moderna
EDUCAÇÃO
APEC solidifica estrutura
moderna de ensino no RN
A iniciativa particular está procu-rando ajudar o ensino superior no Es-tado, cumprindo lacunas que a com-plexidade do processo educacional deixa abertas. Não é uma tarefa fá-cil. Os investimentos são altos, com retorno a longo prazo e incerto. Mas, ainda assim, há quem se arrisque. E j u s t a m e n t e é porque ainda existem empresários dispostos a investimen-tos tão ousados que surgiu, em Natal, a Associação Potiguar de Educação e Cultura — APEC, um projeto educa-cional ousado e inovador, que se uti-liza, inclusive, dos modernos recur-sos da eletrônica.
" F o i muito curioso o modo como saímos para essa iniciativa educacio-nal. Fazia eu, na época, em 1978, o Curso de Especialização em Adminis-tração na Universidade Federal e me perguntava porque Natal era uma das poucas cidades do Brasil que ainda não tinha u m a Faculdade particular.
Então, me reuni com alguns amigos professores da Universidade, e, com a base econômica que eu tinha, a idéia foi crescendo e partimos para a iniciativa". E assim que o empresário Paulo de Paula, Presidente da APEC, conta como surgiu a idéia de fundar a e n t i d a d e .
Segundo Paulo de Paula, APEC é um prosseguimento da Universida-de, porque ela nasceu dentro da Uni-versidade. E o seu corpo de professo-res é o mesmo. Mas como ela com-porta menos professores, ainda pode selecionar os melhores.
APEC começou de uma forma um pouco diferente. Começou fazendo educação de cima para baixo, quer di-zer, começou a funcionar com os cur-sos superiores que, na época, 1981, funcionavam no Colégio Salesiano.
.lá em 1982, devidamente autoriza-do d e s d e 1981, pelo Conselho Fede-ral e pela Presidência da República,
APEC começou a funcionar no
Colé-gio 7 de Setembro. Com instalações amplas, de 1982 para 83, foram cons-truídas mais 18 salas de aula. São, atualmente, 4.200 m2 de área cober-ta, circuito interno de TV a cores em todas as salas, 3 laboratórios de com-putação, com computadores TK-85, 6 Polimax com impressoras e um Cobra 305. Todo esse equipamento está s e n d o instalado com salas de ginás-tica, de datilografia para o 1.° até o 3 . ° g r a u . Também em 1984 estará funcionando a pré-escola que até en-tão não existia. A creche d e s d e 1983 está instalada.
RESULTADOS — Paulo de Paula
a f i r m a que ainda não está visando resultados. Está investindo e acredi-t a n d o q u e se possa fazer um bom acredi- tra-balho em educação. No entanto, des-d e j á , os frutos já começam a ser co-lhidos. Esses frutos são a resposta da comunidade ao Colégio. Agora, para 1984, já estão matriculados 370 alu-nos novos e isto, para ele, é u m a pro-va d a credibilidade junto a comunida-d e para o trabalho que vem sencomunida-do fei-to na APEC.
" E APEC tem feito o possível para merecer essa confiança", afirma Paulo de Paula. " A g o r a , por exem-plo, estamos fazendo um convênio com a Fundação Roberto Marinho. Os alunos assim têm aulas pelo mé-todo tradicional e, depois, assistem e s s a s aulas pelo televisor, depois de g r a v a d a s nos estúdios da TV Globo em São Paulo. E, depois, ainda fazem exercício pelo c o m p u t a d o r " . Paulo de Paula adverte que não vai haver ex-periência com os alunos, eles vão ter aulas pelo método tradicional, apenas acrescidas desses reforços. E ainda com datilografia, e no 2.° grau acres-cida d e psicologia e filosofia. E tam-bém importante lembrar que os cur-sos do 2.° grau não são profissionali-z a n t e s . São cursos que p r e p a r a m pa-ra o Vestibular e também papa-ra a vida de u m a maneira geral. Paulo acredita q u e o aluno que termine o 2.° grau tem capacidade de passar no Vesti-bular tanto da Universidade Federal como no da própria APEC.
O maior sacrifício foi financeiro, s e g u n d o o Presidente da APEC, por-q u e houve um investimento muito g r a n d e . E houve t a m b é m um sacri-fício d e trabalho, já que todos os dire-tores exercem outras atividades: " M a s o trabalho é muito envolvente, muito gratificante e justifica. Todos o s diretores estão s a t i s f e i t o s " , acres-centa Paulo de Paula.
Paulo: investimento
M e s m o com o que vem acontecen-do ultimamente com a educação no Brasil, Paulo de Paula se diz otimista a médio prazo: " H o u v e um aumento de vagas. M a s houve uma baixa na qualidade do e n s i n o " . Daí o
desinte-r e s s e do jovem com desinte-relação ao cudesinte-rso superior. Ele atribui esse desinteres-se à situação estrutural e conjuntural q u e se encontra o Brasil atualmente, q u e é desfavorável a um jovem que p r e t e n d e passar cinco anos de sua vi-da se dedicando a um curso superior. Ele está vendo pessoas formadas e d e s e m p r e g a d a s em g r a n d e número. Então o jovem prefere lutar por um bom emprego a fazer um curso.
Por isso, no entender de Paulo de Paula, tem de haver mais verbas para a educação, tem que se valorizar mais
o professor, " q u e é a mola mestre da e d u c a ç ã o " . E o professor tem —
acrescenta — sido muito despresti-giado em todos os sentidos, "princi-p a l m e n t e financeiramente. O Estado tem de lembrar que tem que fazer a l g u m a coisa pela e d u c a ç ã o " . •
HOMENAGEM
Sylvio Pedroza recebe todo
amor de quem governou bem
Quando Sylvio Pedroza exerceu o cargo de Prefeito e depois o de Go-vernador do Estado, e n t r e os anos de
1946 a 1956, o mundo passava por um processo de s u r p r e e n d e n t e s transformações. À nível internacio-nal, as traumáticas m u d a n ç a s sur-giam dos escombros da derrota do nazi-fascismo, após a Segunda Gran-de Guerra Mundial, para dar na fria divisão do mundo entre os EUA e União Soviética; e, à nível d e s t e País-Continente, o afloramento da cons-ciência de subdesenvolvimento, acompanhada da transição de uma sociedade oligárquico-agrária para u m a sociedade urbano-industrial, sob os signos da modernidade e da
téc-Sylvio: homenagens
nica em contraponto às e s t r u t u r a s ar-caicas.
Foi nesse clima cultural e ideológi-co de lufadas progressistas e eufóri-cas, que Sylvio — parente de Alber-to Maranhão, um dos expoentes da elite intelectual do Estado — promo-veu um generoso mecenato, que, pa-ra alegria de artistas, satisfação de intelectuais e prazer do público, du-rou toda uma década — de. 1946 a 1956. Promoção cultural que tam-bém seria ampliada aos esportes, cujo ponto alto resultou na construção do ginásio que atualmente tem seu n o m e .
Hoje, ao retornar a Natal para lan-çar o livro «Pensamento e Ação», e p a r a participar de u m a série de ho-m e n a g e n s organizada por desportis-t a s e indesportis-telecdesportis-tuais da cidade, as adesportis-ten- aten-ções se voltaram para esse ilustre rio-grandense-do-norte tão estimado da inteligência e que r e p r e s e n t a o Brasil em dezenas de encontros comerciais em capitais e cidades de países da Europa, América, África e Ásia. Por isso, ele é um dos potiguares que mais fez viagens ao exterior. E por falar em viagem, agora vamos via-j a r pelo tempo e pelo espaço, pelos m e a n d r o s da inteligência e da políti-ca, e saborear um pouco da história da vida pública de Sylvio Pedroza:
— Nessa viagem, a data inicial é 13 de fevereiro de 1946. É a partir de então que Sylvio Piza Pedroza torna-se Prefeito da Cidade do Natal, na In-terventoria Ubaldo Bezerra. Onze meses depois, em 1947, foi eleito De-putado Estadual com a maior votação do Estado, conquanto tenha rece-bido sufrágio só de Natal. Como De-putado (PSD) ele apenas assumiu o cargo, e dias depois se afastou para con i n u a r à frente da Prefeitura. Du-rante a Administração do Governador José Augusto Varela, permaneceu nesse posto até 1950. Foi eleito vice-Governador na chapa Dix-Sept Rosa-do. Poucos meses depois, após a mor-te de Dix-Sept Rosado, em acidenmor-te de avião em Aracaju, Sylvio assumiu o Governo no qual permaneceu até
1956.
Quem relembra esse período, em entrevista a RN/ECONÔMICO, é o Professor Veríssimo de Melo. Ele, j u n t a m e n t e com um grupo de intelec-tuais e desportistas — Zila Mamede, Alvamar Furtado, Humberto Nesi e outros, organizaram, em homena-gem aos 65 anos do político, uma efe-méride, que obedeceria o seguinte roteiro: dia três de fevereiro, no Ae-roporto Augusto Severo, recepção ao ex-Governador, vindo do Rio de Ja-neiro em companhia da esposa, Neu-ma Pedroza, e filhos; no dia seis, às 20h30m, no «Ginásio de Esportes Syl-vio Pedroza» homenagem das enti-d a enti-d e s enti-desportivas enti-do Estaenti-do; enti-dia se-te, às 20h30m, na Academia Norte-Rio-Grandense de Letras uma home-nagem conjunta dos acadêmicos, in-telectuais do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte e do Conselho Estadual de Cultura; e, finalmente, quarta-feira, dia oito, às 20h30m, no SESC da Cidade Alta, lançamento do livro «Pensamento e Ação», que reúne documentos, en-trevistas e artigos relacionados com a sua notável vida pública. O livro foi editado pela Fundação José Augusto.
SYLVIO, POIJTICO E MECENAS
— Enquanto Prefeito, a idéia e cons-trução da Avenida Circular, atual Avenida Cale Filho, na orla marítima, foi a sua maior realização. " P e -lo menos sob o ponto de vista urba-nístico", pondera Veríssimo, que na época foi Chefe de Gabinete do Pre-feito. Veríssimo destaca ainda outras realizações daquela Administração: criação de novos bairros ( " o de San-tos Reis, por exemplo") e pavimenta-ção de várias ruas e avenidas. Ainda como Prefeito, construiu o primeiro
ginásio coberto, de Natal. O ginásio de esportes era considerado, então, o mais moderno do Norte/Nordeste.
Como Governador, Sylvio se desta-cou ainda por ter mandado fazer, pe-la primeira vez no Brasil, um levanta-mento agrogeológico e geofísico do Estado. Daí resultou uma carta de so-los, indispensável ao planejamento da agricultura. O estudo que chegou a ser publicado pela Imprensa Oficial do Estado, em 1952, incluía um mapa de «Áreas pesquisadas pelo sistema geofísico para obtenção de águas s u b t e r r â n e a s " e mereceu elogios do VI Congresso Internacional de Geo-grafia (Washington), mas, como de praxe no Brasil, foi engavetado e es-quecido. Veríssimo relembra e elogia " a forma como Sylvio presidiu a elei-ção para o Governo do Estado, em 1956, se portando com absoluta isen-ção, como um verdadeiro magistra-d o " . O comum seria o Governamagistra-dor usar o seu poder para beneficiar ape-nas os correligionários, em detrimen-to dos adversários.
M a s é lembrando as suas realiza-ções no campo cultural, que os inte-lectuais hoje o homenageiam. Verís-simo cita algumas: " E l e promoveu a primeira edição da "História da Cida-de do N a t a l " , Cida-de Luís da Câmara Cascudo. Doou o terreno e ajudou a construir a Academia de Letras. In-centivou o teatro de estudantes. Reconstruiu a Fortaleza dos Reis Ma-gos. Estimulou as Faculdades isola-das de Direito, Medicina e Filosofia, dando assim contribuição à futura UFRN. Fundou uma biblioteca
públi-ca no Teatro Carlos Gomes (atual Teatro Alberto Maranhão). Trouxe a Natal grandes conferencistas, como o sociólogo Gilberto Freyre, o psiquia-tra Heitor Carrilho, o geógrafo Gil-berto Osório de A n d r a d e " .
"Valorizando a música e r u d i t a " , continua Veríssimo, " t e v e a iniciati-va também inédita de proporcionar recitais com o pianista Oriano de Al-meida, num palco montado em cima de um caminhão, em apresentações para os velhos do Abrigo Juvino Bar-reto, para os doentes do Hospital Mi-guel Couto, atualmente Hospital das Clínicas; inclusive, aos filhos de Lá-zaro (leprosos) do Educandário Os-waldo Cruz e também aos ó r f ã o s " .
Residindo com a família no Rio de Jancin-, Sylvio atualmente exerce os cargos ,ie Secretário Geral do Comi-tê Brasileiro da Câmara do Comércio Internacional; Secretário Geral da Associação dos Exportadores Brasi-leiros, e Secretário Executivo da Con-federação Nacional do Comércio, fun-ção que ocupa desde 1972. No exercí-cio desses cargos, já participou de reuniões comerciais — de interesse do Governo brasileiro — em Atenas, Istambul, Paris (cinco vezes), Viena, Veneza, Hamburgo, Genebra, China Popular, EUA, México, Caracas, J o h a n n e s b u r g o , Nova Delhi — che-fiando missão comercial à índia — e Sri Lanka, Ceilão. Coordenou encon-tros comerciais da delegação brasilei-ra em Buenos Aires, Santiago do Chi-le, Paris, Lisboa, Washington, Otta-wa, e mais recentemente em Cancun,
no México. •
Os intelectuais lambem não o esqueceram