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UNIJUÍ – UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL

FLÁVIO AUGUSTO KEGLER

DESAPOSENTAÇÃO

Ijuí (RS) 2014

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FLAVIO AUGUSTO KEGLER

DESAPOSENTAÇÃO

Monografia final apresentada ao Curso de Graduação em Direito, objetivando a aprovação no componente curricular Monografia.

UNIJUÍ – Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul.

DCJS – Departamento de Ciências Jurídicas e Sociais.

Orientadora: Profª. Me. Nelci Lurdes Gayeski Meneguzzi

Ijuí (RS) 2014

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edico este trabalho a minha esposa Júlia e aos meus filhos, que são os motivos de todo meu esforço e dedicação na busca de uma vida plena de felicidade e realizações.

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AGRADECIMENTOS

A Deus, acima de tudo, pela vida, força e coragem, por sua providencia e cuidado em todos os momentos, para alcançar este sonho.

Aos meus pais, Rodolfo e Maria Eva, pelo amor incondicional, todos os ensinamentos e grandes e incentivadores durante toda a minha vida.

A minha orientadora professora Nelci Lurdes G. Meneguzzi, pela dedicação, disponibilidade e zelo.

Aos professores, que não mediram esforços para ensinar e transmitir o conhecimento, aos colegas que juntos percorreram esta caminhada, e aos funcionários desta instituição, que sempre de maneira gentil e profissional, colaboraram de uma maneira ou de outra durante a trajetória de construção deste trabalho.

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E finalmente a todos meus colegas dos Corpo de Bombeiros de Ijuí, que pelas inúmeras vezes permaneceram no meu lugar, para que eu pudesse estudar durante todos estes anos.

“Que todo o meu ser louve ao senhor, e que eu não esqueça nenhuma de suas bênçãos”

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RESUMO

O presente trabalho de pesquisa monográfica faz uma análise acerca do instituto da desaposentação, no intuito de demonstrar que o aposentado, pode buscar novo benefício mais vantajoso, ou seja, libera o tempo de contribuição para ser utilizado para aquisição de aposentadoria, de modo que este fique livre para averbação de um novo benefício. Assim, este instituto está vinculado a melhoria econômica do segurado, o que não significa violação de direitos, e sim a ampliação dos mesmos.

Palavras-chave: Aposentadoria. Benefícios. Desaposentação. Previdência Social.

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ABSTRACT

This work of monographic research analyzes about the Institute “desaposentação” in order to demonstrate that the retiree can try new more advantageous benefit, ie, frees up time for contributions to be used for the purchase of retirement, so this is free for registration of a new benefit. Thus, this institute is linked to economic improvement of the insured, which means no violation of rights, but the extension of the same.

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SUMÁRIO

INTRODUÇÃO ... 10

1 FUNDAMENTOS DA EXISTÊNCIA DA PREVIDÊNCIA SOCIAL ... 12

1.1 A Seguridade Social no Brasil ... 13

1.1.1 Saúde ... 14

1.1.2 Assistência Social ... 18

1.1.3 Previdência ... 20

1.2 Princípios Constitucionais da Seguridade Social ... 21

1.3 Regimes da Previdência ... 24

2 PRESTAÇÕES E BENEFÍCIOS DA PREVIDÊNCIA SOCIAL ... 29

2.1 Concessão da Prestação Previdenciária ... 29

2.2 Regime Geral da Previdência Social... 33

2.3 Benefícios da Previdência: Aposentadorias ... 35

3 DESAPOSENTAÇÃO ... 38

3.1 Conceito de desaposentação ... 39

3.2 Consequências Jurídicas da Desaposentação ... 42

3.3 Análise Jurisprudencial da Desaposentação ... 46

CONCLUSÃO ... 54

REFERÊNCIAS ... 55

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INTRODUÇÃO

A presente pesquisa monográfica faz apontamentos sobre o instituto da desaposentação, que embora não prevista legalmente, tem sido debatida atualmente na esfera doutrinária e nos tribunais. Abordar-se-á os principais pontos da Previdência Social, bem como a possibilidade de um aposentado requerer sua desaposentação.

A questão central envolve a possibilidade de haver a revogação do ato de concessão da aposentadoria para requerer nova aposentadoria em condição mais vantajosa ao segurado, sem ter que devolver os valores já recebidos ao Instituto Nacional de Previdência Social-INSS.

No tocante à desaposentação esta proteção social é um mecanismo do Estado para a consecução de suas políticas sociais. Para tanto, o seguro social, é imposto por normas jurídicas emanadas do Poder Estatal que garante mais segurança para o cidadão. A discussão que evolve a desaposentação busca demonstrar que a mesma é um direito do segurado do INSS que, voltando a atividade remunerada pode optar, pelo aproveitamento do novo tempo de contribuição para contagem para nova aposentadoria, no mesmo ou em outro regime previdência.

A presente pesquisa desenvolveu-se três capítulos, utilizando-se do método de pesquisa hipotético-dedutivo, baseando-se em análises de doutrinas, jurisprudências e discussões acadêmicas acerca do tema.

O primeiro capítulo é responsável por delinear e realizar uma abordagem ampla sobre a seguridade social tratando dos fundamentos da existência da previdência social. O segundo trata das prestações e benefícios da previdência social. Já o terceiro trata do assunto propriamente dito: desaposentação.O primeiro capítulo divide-se em três partes: tratará da seguridade social, subdividindo-se em saúde, assistência social e previdência, passando para a análise dos princípios

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constitucionais da seguridade social e regimes da previdência. O primeiro item busca esclarecer como a seguridade social alcança todos os cidadãos brasileiros através de seus ramos de amparo. Esses ramos de amparo estão disponibilizados na saúde pública, assistência social e na previdência. Já o segundo item trata dos princípios constitucionais da seguridade social. Esses princípios são tidos como a base que norteia a seguridade social, dando-lhe condições de abarcar maior número de pessoas dentro de sua rede de proteção. No terceiro item são tratados os regimes que contemplam a previdência social.

O segundo capítulo igualmente se divide em três partes: concessão de prestação previdenciária, regime geral da previdência social e os benefícios da previdência: aposentadorias. No primeiro tópico faz-se uma abordagem de como é concedida a prestação previdenciária através do preenchimento dos requisitos necessários para a concessão requerida. No segundo item, o assunto abordado é o regime geral da previdência social que hoje representa o mais abrangente dos regimes, ou seja, o que engloba maior número de pessoas. Já no terceiro item é tratado sobre as aposentadorias que são os principais benefícios da previdência social e, somente os seus beneficiários é que podem requerer a desaposentação.

Por fim, no terceiro capítulo são abordados os seguintes itens: conceito de desaposentação, consequências jurídicas da desaposentação e a análise jurisprudencial da desaposentação. No primeiro item é delineado um conceito através de pontos que a doutrina trás, pois ainda a desaposentação não possui lei que a regulamente. No segundo item são traçadas as consequências jurídicas da desaposentação abordando os pontos onde a lei é omissa dando base para o instituto estudado. Para finalizar, o tópico que segue é a análise jurisprudencial da desaposentação onde ainda os tribunais superiores estão tratando dos pontos controvertidos sobre o tema.

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1 FUNDAMENTOS DA EXISTÊNCIA DA PREVIDÊNCIA SOCIAL

A proteção social é um mecanismo do Estado e é por onde ele exerce suas políticas sociais. Para tanto, o seguro social, é imposto por normas jurídicas emanadas do Poder Estatal que garante mais segurança para o cidadão. Carlos Alberto Pereira de Castro e João Batista Lazzari (2012), em seus estudos sobre o assunto, alegam que a Previdência Social teve seus primórdios no início do Estado Moderno. Com a Revolução Industrial, existiam aqueles que detinham os meios de produção, como os teares mecânicos, dos inventos a vapor e as máquinas em geral, e também existiam aqueles que simplesmente se ocupavam e sobreviviam do emprego de sua força de trabalho. Paralelo a esse fenômeno, no condão de outra Revolução que também acontecia no Continente Europeu, esta a Francesa, alimentava nos trabalhadores ideais libertários, como a liberdade individual plena e a igualdade absoluta entre todos.

Esta relação de emprego que existia entre os detentores das máquinas e trabalho braçal não tinha nenhuma regulamentação. Esta relação pode ser comparada ao que é chamado hoje de condição análoga a de escravos, não existindo nada que se pudesse comparar com a proteção individual do trabalhador.

Nesta senda, começam a despontar as primeiras manifestações de trabalhadores por melhores condições de trabalho. Foi nesta época que surgiram as primeiras preocupações com a proteção previdenciária do trabalhador o que acarretou uma intervenção estatal no que diz respeito às relações de trabalho.

O estudo do Direito Previdenciário, no Brasil tem dado grande relevância, ao tema da Seguridade Social. Bem como, tem sido assunto, constantemente abordado e de interesse de muitos juristas, advogados, mídia especializada e sociedade. Uma vez que as ações realizadas no campo de atuação são defendidas, por muitos doutrinadores, como uma forma de estabelecer a justiça social, mediante a redistribuição de renda e a assistência aos menos favorecidos. Sendo que ela vem amparada na Lei 8.212/91 a qual rege toda organização deste sistema.

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1.1 A Seguridade Social no Brasil

A Seguridade Social é fundamental na construção do bem-estar social dos brasileiros, provendo segurança, sobretudo, em casos de perda da capacidade laborativa dos trabalhadores segurados do Regime Geral de Previdência Social e na manutenção das condições mínimas de vida digna a idosos e pessoas com deficiência, ainda que não tenham contribuído para o sistema, mediante a concessão de Benefício de Prestação Continuada, assegurando aos seus beneficiários meios indispensáveis de manutenção, por motivo de incapacidade, idade avançada, tempo de serviço, desemprego involuntário, encargos de família e reclusão ou morte daqueles de quem dependiam economicamente, conforme predisposto no art. 3˚ da Lei 8.212/91. (BRASIL, 2014, p.01).

A Constituição Federal de 1988 estabeleceu uma gama de princípios e objetivos regentes da Seguridade Social, bem como os campos de atuação em que esta se desdobra. (BRASIL, 2014, p. 01)

O artigo 194 da Constituição Federal de 1988 (CF/88) enumera em 07 (sete) incisos, chamados de princípios constitucionais da Seguridade Social. Conforme este artigo da Constituição, esta criou uma estrutura de organização política e econômica no país a fim de garantir à população o acesso aos serviços públicos para proteção dos riscos sociais. Neste contexto, a Constituição, tem como principal objetivo, o bem-estar social e a justiça.

Segundo o artigo 194 da Constituição Federal de 1988 (CF/88), a seguridade social [ “compreende um conjunto integrado de ações de iniciativa dos Poderes Públicos e da sociedade, destinados a assegurar os direitos relativos à saúde, à previdência à assistência social”]. (BRASIL, 2014, p.01)

Neste sentido, Sergio Pinto Martins (2002, p. 42) conceitua a seguridade social:

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Seguridade social é um conjunto de princípios, de normas e de instituições destinado a estabelecer um sistema de proteção social aos indivíduos contra contingências que os impeçam de prover as suas necessidades pessoais básicas e de suas famílias, integrado por iniciativas dos Poderes Públicos e da sociedade, visando assegurar os direitos relativos à saúde, á previdência e à assistência social.

O legislador constituinte estabelece uma composição tripartide da Seguridade Social, na qual visa a proteção dos indivíduos contra possíveis riscos que atendem contra o direito à saúde, a assistência social e a previdência social.

Os contribuintes através da Previdência Social tem acesso a benefícios, da qual são gêneros, entre outras prestações, as modalidades de aposentadorias, pensões e auxílios. Na área de Saúde, todos tem direito a serviços independentes a contribuição. O alcance é universal. Na Assistência Social, também não se exige contribuição, a sua atuação é focada no hipossuficiente. Assim tem direito a serviços e benefícios os necessitados ainda que não tenham contribuído para o Sistema de Seguridade Social.

1.1.1 Saúde

A Organização Mundial de Saúde (OMS/WHO-1946) define a saúde como estado do mais completo bem estar físico, mental e social do ser humano, e não apenas a ausência de enfermidade. Esse conceito envolve condicionantes biológicos (como sexo, idade, genética), o meio físico no qual o ser humano se insere (que envolve geografia, distribuição de água potável, existência de rede de esgoto, moradia adequada), e o ambiente sócio-econômico-cultural do indivíduo (emprego, renda, educação, lazer e relacionamentos interpessoais).

Essa definição consta na Constituição da OMS, que entrou em vigor no dia 07 de abril de 1948, estabelecido como o primeiro Dia Mundial da Saúde. Para Moacyr Scliar (2007, p. 36).

[...] este conceito refletia, de um lado, uma aspiração nascida dos movimentos sociais do pós guerra: o fim do colonialismo, a ascensão do socialismo. Saúde deveria expressar o direito de uma vida plena, sem privações.

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O Direito à saúde é parte de um conjunto de direitos chamados de direitos sociais, que têm como inspiração o valor da igualdade entre as pessoas. No Brasil este direito apenas foi reconhecido na Constituição Federal de 1988, antes disso o Estado apenas oferecia atendimento à saúde para trabalhadores com carteira assinada e suas famílias, as outras pessoas tinham acesso a estes serviços como um favor e não como um direito. Durante a Constituinte de 1988 as responsabilidades do Estado são repensadas e promover a saúde de todos passa a ser seu dever.

Diz o artigo 196 da Constituição Federal do Brasil (BRASIL, 1988):

A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para a promoção, proteção e recuperação.

Este artigo não deve ser lido apenas como uma promessa ou uma declaração de intenções. Este é um direito fundamental do cidadão que tem aplicação imediata, pode e deve ser cobrado. A saúde é um direito de todos por que sem ela não há condições de uma vida digna, e é um dever do Estado por que é financiada pelos impostos que são pagos pela população. É preciso que Estado crie condições de atendimento em postos de saúde, hospitais, programas de prevenção, medicamentos, etc., e, além disso, é preciso que este atendimento seja universal (atingindo a todos os que precisam) e integral (garantindo tudo o que a pessoa precise).

Com essa ampla concepção do conceito de saúde, a Lei 8.080/90 (Brasil, 1990), conhecida como Lei Orgânica da Saúde, determina em seu artigo 3º alguns fatores condicionantes e determinantes para a saúde do ser humano. Dentre eles, estão a alimentação, a moradia, o saneamento básico, o meio ambiente, o trabalho, a educação e o lazer.

No Brasil, a saúde é baseada nos seguintes princípios descritos no artigo 7º da Lei 8.080/90 (BRASIL, 2014, p.01),quais sejam:

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Art. 7º As ações e serviços públicos de saúde e os serviços privados contratados ou conveniados que integram o Sistema Único de Saúde (SUS), são desenvolvidos de acordo com as diretrizes previstas no art. 198 da Constituição Federal, obedecendo ainda aos seguintes princípios:

I - universalidade de acesso aos serviços de saúde em todos os níveis de assistência;

II - integralidade de assistência, entendida como um conjunto articulado e contínuo das ações e serviços preventivos e curativos, individuais e coletivos, exigidos para cada caso em todos os níveis de complexidade do sistema;

III - preservação da autonomia das pessoas na defesa de sua integridade física e moral;

IV - igualdade da assistência à saúde, sem preconceitos ou privilégios de qualquer espécie;

V - direito à informação, às pessoas assistidas, sobre sua saúde; VI - divulgação de informações quanto ao potencial dos serviços de saúde e sua utilização pelo usuário;

VII - utilização da epidemiologia para o estabelecimento de prioridades, a alocação de recursos e a orientação programática; VIII - participação da comunidade;

IX - descentralização político-administrativa, com direção única em cada esfera de governo:

a) ênfase na descentralização dos serviços para os municípios; b) regionalização e hierarquização da rede de serviços de saúde; X - integração, em nível executivo, das ações de saúde, meio ambiente e saneamento básico;

XI - conjugação dos recursos financeiros, tecnológicos, materiais e humanos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos

Municípios, na prestação de serviços de assistência à saúde da população;

XII - capacidade de resolução dos serviços em todos os níveis de assistência;

XIII - organização dos serviços públicos de modo a evitar duplicidade de meios para fins idênticos

Além desses princípios, a lei 8.080/90 (Lei Orgânica da Saúde) dispõe em seu artigo 5º sobre as diretrizes que devem ser observadas na intervenção estatal do Sistema Nacional de Saúde, dentre as quais se destacam o controle e fiscalização de procedimentos, produtos e substâncias do interesse para a saúde; a participação na produção de medicamentos e equipamentos; devem ser executadas pela vigilância sanitária e epidemiológica, bem como da saúde do trabalhador; a fiscalização da produção de alimentos e medicamentos; e a proteção do meio ambiente. (BRASIL, 2014, p.01).

O Sistema Único de Saúde (SUS), criado pela Constituição Federal de 1988 e regulamentado pelas Leis 8.080/90 e 8.142/90, tem como finalidade diminuir a

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desigualdade da assistência á saúde da população objetivando a manutenção ou o restabelecimento da saúde de todo cidadão. Por isso, tornou-se obrigatório o atendimento público a qualquer cidadão.

Nos termos do artigo 4º da Lei 8.080/90, SUS é constituído pelo conjunto de ações e serviços de saúde, prestados por órgãos e instituições públicas, federais, estaduais e municipais, da Administração direta e indireta e das fundações mantidas do Poder Público. (BRASIL, 2014, p.01).

Conforme o artigo 5º da Lei Orgânica da Saúde, os objetivos do SUS, envolvem a identificação e divulgação dos fatores condicionantes e determinantes da saúde e a formulação de política da saúde destinada a promover, nos campos econômico e social, a assistência às pessoas por intermédio de ações de promoção, proteção e recuperação da saúde, com a realização integrada das ações assistenciais e das atividades preventivas. (BRASIL, 2014, p.01).

Para tanto, o artigo 6º da lei Orgânica da Saúde aponta as seguintes áreas de atuação do SUS: (BRASIL, 2014, p.01).

Art. 6º Estão incluídas ainda no campo de atuação do Sistema Único de Saúde (SUS):

I - a execução de ações: a) de vigilância sanitária; b) de vigilância epidemiológica; c) de saúde do trabalhador; e

d) de assistência terapêutica integral, inclusive farmacêutica;

II - a participação na formulação da política e na execução de ações de saneamento básico;

III - a ordenação da formação de recursos humanos na área de saúde;

IV - a vigilância nutricional e a orientação alimentar;

V - a colaboração na proteção do meio ambiente, nele compreendido o do trabalho;

VI - a formulação da política de medicamentos, equipamentos, imunobiológicos e outros insumos de interesse para a saúde e a participação na sua produção;

VII - o controle e a fiscalização de serviços, produtos e substâncias de interesse para a saúde;

VIII - a fiscalização e a inspeção de alimentos, água e bebidas para consumo humano;

IX - a participação no controle e na fiscalização da produção, transporte, guarda e utilização de substâncias e produtos psicoativos, tóxicos e radioativos;

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X - o incremento, em sua área de atuação, do desenvolvimento científico e tecnológico;

XI - a formulação e execução da política de sangue e seus derivados Em relação ao custeio, o artigo 198, § 1º da Constituição Federal de 1988 afirma que o financiamento do SUS será efetuado com recursos do orçamento da seguridade social, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, além de outras fontes.

Marco André Ramos Vieira (2005, p. 40) aponta que:

A assistência à saúde é livre à iniciativa privada, participando de forma complementar no Sistema Único de Saúde (SUS), com preferência para entidades filantrópicas e sem fins lucrativos.

Nota-se que saúde é um direito básico de todos os cidadãos cuja tutela ultrapassa os limites constitucionais, havendo documentos jurídicos internacionais, como a Declaração Universal dos Direitos Humanos, que destaca em seu artigo 25 a saúde como direito humano essencial à vida digna. (Declaração Universal dos Direitos Humanos, 1948).

1.1.2 Assistência Social

A assistência social é um dos três componentes do sistema de Seguridade Social no Brasil. Sua descrição e diretrizes básicas estão contidas na Constituição Brasileira de 1988 nos artigos 203 e 204, sendo que sua regulamentação está sistematizada pela Lei nº 8.742/93 (Lei Orgânica da Assistência Social – LOAS). A função da Assistência Social é atender os mais necessitados e que de outra forma não conseguem sua própria subsistência.

A primeira legislação brasileira a tratar da assistência social foi a Lei 6.439/77, que determinava em seu artigo 9º, à Legião Brasileira de Assistência Social (LBA) a competência de prestar assistência social à população carente por meio de programas de desenvolvimento sociais bem como de auxilio às pessoas carentes. Como aponta Martins (2002, p.485), antes da referida lei, a Assistência Social era estudada como uma das divisões do Direito do Trabalho.

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Hoje, a Assistência Social tem um vasto rol de leis que regem e dão suas diretrizes. A lei nº 8.212/91, no seu art. 4º bem como o Decreto-lei nº 3048/99, no seu art. 3º fazem referência sobre a política de atendimento. Já a Lei nº 8.742/93 dispõe sobre sua organização. (BRASIL, 2014, p.01).

Nesse sentido, Martins (2002, p. 486) fala que:

A Assistência Social é, portanto, um conjunto de princípios, de regras e de instituições destinado a estabelecer uma política social aos hipossuficientes, por meio de atividades particulares e estatais, visando a concessão de pequenos benefícios e serviços, independentemente de contribuição por parte do próprio interessado.

Como se vê, a Assistência Social tem seu ramo próprio dentro do ordenamento jurídico, ou seja, é uma das espécies do direito da seguridade social. Ela é prestada a quem necessitar, independentemente de contribuição, diferente da Previdência Social que necessita de contribuição prévia. Dessa forma, a Assistência Social está mais próxima da Seguridade Social, pois seus benefícios ou serviços não necessitam de contribuição da pessoa que dela necessita. Essa lógica da Assistência vem da ideia da assistência pública, onde o Estado deve prover condições de sobrevivência para aqueles que não podem fazê-la com seus próprios meios.

Seguindo na ideia de que a Assistência Social tem ligação direta com o Estado e com as ações governamentais que dele provem é necessário observar as diretrizes na área da Assistência. Algumas delas é a descentralização político-administrativa, onde os Estados da Federação e os Municípios são os responsáveis pela execução dos programas e a participação popular, através dos sindicatos e organizações.

Um dos benefícios mais conhecidos fornecido pela Assistência Social é o Benefício de Prestação Continuada - BPC. O art. 20 da Lei nº 8.742/93 é o que estabelece o referido benefício. Este benefício é disponibilizado para as pessoas portadoras de deficiência de qualquer natureza, bem como ao idoso com idade igual

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ou superior a 65 anos que não conseguem prover sua subsistência pelos seus próprios meios.

É dessa forma que a Assistência Social atinge a população. Ela dá condições de sobrevivência a quem não tem.

1.1.3 Previdência

No Brasil existem dois tipos de previdência, a pública e a privada. A Previdência privada está prevista no art. 202 da Constituição Federal de 1988 e nas Leis Complementares nº 108 e 109 de 2001. Dentro dessas Leis Complementares estão todas as regras que as instituições de previdência privada devem seguir, dando norte para suas ações. Já os entes da Federação devem instituir seus próprios regimes de previdência social no interesse de seus servidores, conforme prevê os termos do art. 149 da Constituição Federal de 1988.

Neste instante se deve ater a previdência publica que é a verdadeira previdência social. Sua principal característica é ser mantida por pessoa jurídica de direito público, ou seja, é gerido por uma autarquia federal que é o INSS. Tem filiação compulsória e suas contribuições tem natureza tributária.

Vale dedica-se neste momento ao Regime Geral da Previdência Social. Este foi instituído pela Lei nº 8.213/91 e regulamentado pelo Decreto-lei nº 3048/99. Para enriquecer este estudo, Marcelo Leonardo Tavares (2012, p. 31) comenta:

A previdência no Regime Geral de Previdência Social é conceituada como seguro público, coletivo, compulsório, mediante contribuição e que via a cobrir os seguintes riscos sociais: incapacidade, idade avançada, tempo de contribuição, encargos de família, morte e reclusão.

Caso ocorra um risco social com o segurado, cabe a previdência a sua manutenção e de sua família. O objetivo é garantir uma proteção mínima. Essa proteção mínima é garantida e não poderá ser inferior a um salario mínimo. Também é garantido o reajustamento dos benefícios após as concessões para que estes não percam o seu valor real.

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Ademais, deve-se levar em consideração outros aspectos sobre o regime geral da previdência social. No caso desse regime, é vedada a filiação dos segurados facultativos de pessoas que participem de outros regimes de previdência. O salário-família e o auxílio-reclusão somente são pagos aos segurados de baixa-renda e que preencham os demais requisitos previstos em lei. Também devem ser respeitados sempre os mesmos requisitos e critérios para a concessão de aposentadoria. Nesse caso, fica ressalvado os casos de atividades exercidas sob condições que prejudiquem a saúde ou a integridade física e os portadores de deficiência.

Nesse sentido, a previdência serve para garantir ao trabalhador benefícios ou serviços quando este necessitar. Entende-se então, que esse sistema é baseado na solidariedade humana em que a população ativa sustenta a inativa.

1.2 Princípios Constitucionais da Seguridade Social

No Brasil, o atual sistema da Previdência Social é regido pelas Leis 8.212 e 8.213, ambas de 24 de julho de 1991. Também este instituto é norteado por princípios constitucionais como a filiação obrigatória, do caráter contributivo, do equilíbrio financeiro e atuarial, da garantia do benefício mínimo, da correção monetária dos salários de contribuição, da prestação do valor real dos benefícios, da facultatividade da previdência complementar e, da indisponibilidade dos direitos dos beneficiários.

Sobre a importância que os princípios constitucionais exercem sobre o ramo do direito previdenciário explanam Castro e Lazzari (2012, p.111):

As regras ordinárias, portanto, devem estar embebidas destes princípios, sob pena de se tornarem letra morta, ou serem banidas do ordenamento. Não tem sentido, por exemplo, fixar-se uma norma legal que isente todos os empregadores da obrigação de contribuir para a Seguridade Social, se há um princípio que determina a diversidade da base de financiamento, e outro, que impõe a equidade no custeio.

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Seguindo neste norte, a Previdência Social, apesar de ser regida pelo princípio da uniformidade de prestações previdenciárias, é composta por vários regimes, quais sejam: o Regime Geral da Previdência Social, regime de previdência de agentes públicos ocupantes de cargos efetivos e vitalícios, regime previdenciário complementar, e regime dos militares das forças armadas. Cabe no momento ater-se ao regime geral da previdência social, que é o regime que mais abarca pessoas, ou seja, abrange obrigatoriamente todos os trabalhadores da iniciativa privada.

É no art. 194 da Constituição Federal de 1988 que estão elencados os princípios constitucionais da seguridade social. O constituinte originário estabeleceu, como norma, uma gama de princípios e objetivos da seguridade social dentro da Constituição Federal. Como já citado o art. 194 sendo o art. que traz essas previsões, agora será abordado cada um dos incisos que trata dos tais princípios. (BRASIL, 2014, p.01).

No inciso I do art. 194 da Constituição Federal de 1988 se encontra o princípio da universalidade da cobertura e do atendimento. Por este princípio, quando se fala em cobertura, entende-se que a proteção social deve alcançar todos os eventos com o intuito de manter a subsistência de quem dela necessite. Já em relação a universalidade de atendimento quer dizer que, as ações da seguridade social alcancem a todos os necessitados, seja em prestações ou em serviços tanto dentro da previdência social, como na saúde e na assistência. (BRASIL, 2014, p.01).

Este princípio tem ligação direta com o princípio que estabelece a filiação compulsória e automática que propõe a contribuição de qualquer trabalhador mesmo contra a vontade deste, o que significa dizer que a ausência de contribuição não caracteriza ausência de filiação e sim inadimplência tributária.

Já sobre o princípio da uniformidade e equivalência dos benefícios e serviços às populações urbanas e rurais, explica Castro e Lazzari (2012, p.115):

O mesmo princípio já contemplado no art. 7º da Carta trata de conferir tratamento uniforme a trabalhadores urbanos e rurais,

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havendo assim idênticos benefícios e serviços (uniformidade), para os mesmos eventos cobertos pelo sistema (equivalência). Tal princípio não significa, contudo, que haverá idêntico valor para os benefícios, já que a equivalência não significa igualdade. Os critérios para concessão das prestações da seguridade social serão os mesmos; porém, tratando-se de previdência social, o valor de um benefício pode ser diferenciado – caso do salário-maternidade da trabalhadora rural enquadrada como segurada especial.

No inciso III está o princípio da seletividade e distributividade na prestação dos benefícios e serviços. Quando se fala em seletividade pressupõe que os benefícios serão concedidos àqueles que realmente dele necessitem, sendo que quem irá receber esses benefícios terá que preencher todos os requisitos para sua concessão. Por exemplo, para um trabalhador que não têm dependentes não receberá o benefício do salário-família. Aquele que sofre de alguma incapacidade temporária não receberá aposentadoria por invalidez e sim auxílio-doença. De todos os benefícios que a previdência disponibiliza, cada um se encaixa em alguma necessidade do trabalhador e todos são concedidos de forma seletiva conforme a necessidade de cada um.

Em relação ao princípio da distributividade, sua previsibilidade está contida no sentido de distribuição de renda e bem-estar social. Quando a seguridade social alcança o beneficio assistencial de renda mensal vitalício ao idoso ou ao portador de deficiência sem meios de sobreviver, distribui renda e quando presta serviços de saúde, por exemplo, distribui bem-estar social.

No inciso IV do art. 194 da carta Magna está o princípio da irredutibilidade do valor do benefício. Este princípio está interligado ao da intangibilidade do salário dos empregados e dos rendimentos dos servidores. Isto significa que os benefícios concedidos pela Previdência Social não podem ser reduzidos não podendo sofrer descontos, arrestos, sequestro ou penhora. No intuito de garantir o valor real dos benefícios, o art. 202, § 2º da Constituição Federal de 1988 estabelece o reajustamento periódico dos benefícios.

Da mesma forma, o inciso V traz a equidade na forma de participação no custeio. Respaldado nesse princípio é que está a forma de participação de cada um no custeio da Seguridade Social, ou seja, essa participação equitativa é dos

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trabalhadores, empregadores e Poder Público onde cada um contribui dentro de sua capacidade.

O objetivo desse princípio é garantir proteção social aos menos favorecidos em que cada um desses contribui na proporção de seu poder aquisitivo. Diferentemente da classe empresarial que tem as maiores contribuições, pois se entende que essa classe tem maior capacidade de contribuir.

Ainda, no inciso VI do mesmo artigo está o princípio da diversidade da base de financiamento. Significa dizer que este princípio dá base para que as contribuições da Seguridade Social venham de diversas fontes pagadoras. Castro e Lazarri (2012, p. 116) explica que:

Estando a Seguridade Social brasileira no chamado ponto de hibridismo entre sistema contributivo e não contributivo, o constituinte quis estabelecer a possibilidade de que a receita da Seguridade Social possa ser arrecada de várias fontes pagadoras, não ficando adstrita a trabalhadores, empregadores e Poder Público.

É exemplo de fonte pagadora da Seguridade Social a contribuição social incidente sobre a receita de concurso de prognóstico. Também a CPMF quando esta era cobrada.

Enfim no último inciso do artigo 194, o VII está o princípio do caráter democrático e descentralizado da administração, mediante gestão quadripartite, com participação dos trabalhadores, dos empregadores, dos aposentados e do governo nos órgãos colegiados. Essa administração descentralizada é exercida pelo Poder Público com participação da sociedade. É através do Conselho Nacional de Previdência Social-CNPS, o Conselho Nacional da Assistência Social-CNAS e o Conselho Nacional de Saúde-CNS é que a sociedade tem acesso às ações do Poder Público na gestão da Seguridade Social.

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No Brasil, a Previdência Social contempla vários tipos de regimes. São eles: Regime Geral da Previdência Social, o regime de previdência de agentes públicos ocupantes de cargos efetivos e vitalícios, regime previdenciário complementar e o regime dos militares das forças armadas. Os regimes são aqueles que abrangem um grupo de pessoas e que garante uma proteção mínima a esse grupo. Essa proteção se dá através dos benefícios que são concedidos pelo sistema de seguro social como a aposentadoria e a pensão por morte de segurado.

Veja-se que a previdência social considera como benefício essencial apenas as aposentadorias e as pensões. Já aqueles que protegem o indivíduo por incapacidade temporária não é considerado benefício essencial, pois existe a proteção exercida pelo empregador que se responsabiliza pelos primeiros quinze dias de incapacidade e somente após esse período é que a previdência assume a proteção do trabalhador lhe garantindo renda mínima enquanto perdurar sua incapacidade, como previsto no artigo 60 da Lei nº 8.213/91. (BRASIL, 2014, p. 01).

O Regime Geral da Previdência Social é o principal regime da previdência. É o que mais abrange indivíduos, ou seja, obriga todos os trabalhadores da iniciativa privada. Os obrigados são todos aqueles que possuem relação de emprego, tanto urbano como rural, empregados domésticos, os trabalhadores autônomos, eventuais ou não, empresários titulares de firma individual ou sócios gestores e prestadores de serviços, pequenos produtores rurais, pescadores artesanais, trabalhando em regime de economia familiar, garimpeiros, empregados de organismos internacionais, sacerdotes, etc., ou seja, abrange todos aqueles que não se enquadram nos outros regimes da previdência.

Esse regime é de filiação compulsória e automática para os segurados obrigatórios. Mas ainda permite que aqueles que não são obrigatórios se inscrevam como facultativo atendendo o principio constitucional da universalidade do atendimento, sendo o único regime que permite essa modalidade. A previsão legal desse regime está na Lei nº 8.213/91 que é conhecida como a lei de “Plano de

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Benefícios da Previdência Social”. Ele é administrado pelo Instituto Nacional do Seguro Social-INSS, autarquia federal que é o responsável pela concessão dos benefícios e serviços concedidos pelo regime geral da previdência social. (BRASIL, 2014, p.01).

Já o regime de previdência de agentes públicos ocupantes de cargos efetivos e vitalícios, como já diz o próprio nome do regime, este contempla apenas os agentes públicos ocupantes de cargos efetivos e vitalícios.

A aposentadoria dos servidores públicos por muitos anos foi tratada como matéria de direito administrativo, sendo que somente a Emenda Constitucional nº 20 de 1998 instituiu um regime previdenciário próprio para estes. Os servidores públicos não se enquadram no regime geral da previdência social e sim lhes é assegurado regime com estatuto próprio que disciplina como se dá seus direitos previdenciários e a maneira de contribuição para o custeio desse regime.

Castro e Lazzari (2012, p. 128) explica como é o regime de previdência em cada uma das esferas do Poder Público:

Em função da autonomia político-administrativa de cada um dos entes da federação, incumbe especificamente à União estabelecer, normatizar e fazer cumprir a regra constitucional do artigo 40 em relação aos seus servidores públicos; a cada Estado-membro da Federação e ao Distrito Federal, em relação a seus servidores públicos estaduais ou distritais; e a cada Município, em relação aos seus servidores públicos municipais, o que acarreta a existência milhares de Regime de Previdência Social na ordem jurídica vigente.

Há também a possibilidade do servidor público exercer outra atividade remunerada. Nessa situação, o indivíduo vai se tornar também segurado obrigatório do regime geral da previdência social em relação a esta atividade, por exemplo, o

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magistrado que exerce a docência. Neste caso, em relação a cada atividade ele vai ser segurado em cada regime de previdência.

Também se pode ter a opção do regime previdenciário complementar. Os regimes públicos como o regime geral da previdência social e os regimes próprios dos servidores públicos são geridos pelo poder público que seguem todas as regras impostas pela lei, ou seja, são obrigatórios e tem o objetivo de custear as pessoas quando esta perde sua capacidade de subsistência, seja ela temporária ou não.

O regime complementar é privado e facultativo, e sua gestão é feita por entidades que são apenas fiscalizadas pelo Poder Público. A Lei que instituiu essas entidades de previdência privada complementar foi a Lei nº 6.435/77, que está regulamentada pelos Decretos nº 81.240/78 e nº 81.402/78. A exploração da previdência pela iniciativa privada é apenas de caráter supletivo, ou seja, a pessoa não deixa de ser segurada obrigatória porque participa de um plano de previdência complementar. (BRASIL, 2014, p.01).

Sobre essa matéria, a Emenda Constitucional nº 20 alterou os arts. 40 e 202 da Constituição Federal de 1988, o que determinou a autonomia do regime previdenciário complementar, fato que já ocorria de fato com aqueles que participavam de planos de previdência complementar, mediante sistema de capitalização. Essa emenda previu a possibilidade de fundos de previdência complementar para servidores públicos.

Após a Emenda Constitucional nº 20, houve a publicação das Leis Complementares nº 108 e 109, ambas no ano de 2001 que acabaram revogando a Lei nº 6.435/77. A Lei Complementar nº 108 dispõe sobre a relação dos Entes da Federação e suas autarquias com suas respectivas entidades fechadas de previdência complementar e a Lei Complementar nº 109 dispõe sobre a Lei Básica da Previdência Complementar.

As entidades de previdência complementar dividem-se em abertas e fechadas e o principal objetivo dessas entidades é instituir e executar planos privados de benefícios de caráter previdenciário, inteligência do art. 2º da Lei Complementar nº

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109/2001. Para a constituição e funcionamento dessas entidades é necessário previa autorização governamental que exerce controle sobre essas entidades através da Superintendência Nacional de Previdência Complementar-PREVIC, órgão ligado ao Ministério da Previdência Social. (BRASIL, 2014, p.01).

Por último, é necessário abordar o regime dos militares das forças armadas. Pelo texto constitucional, os militares não são considerados servidores públicos, em atenção à Emenda Constitucional nº 18/98 que criou tratamento diferenciado para os membros das forças armadas. Assim os militares possuem diversas peculiaridades em relação ao servidor público civil, inclusive no tocante à concessão de benefícios de inatividade. A Lei 6.880/80 estabelece o Estatuto dos Militares- prevê a transferência para a reserva remunerada.

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2 PRESTAÇÕES E BENEFÍCIOS DA PREVIDÊNCIA SOCIAL

Na Constituição Federal de 1988 existe a previsão legal para o regime geral da previdência social. A previdência social tem o cunho de prestar benefícios aos seus segurados bem como aos dependentes deste. Segundo a lei que ampara a previdência social, aos segurados, estão disponíveis a aposentadoria por invalidez, aposentadoria por idade, aposentadoria por tempo de contribuição, aposentadoria especial, auxílio-doença, salário-família e salário-maternidade. Já para os dependentes estão disponíveis a pensão por morte e o auxílio-reclusão. Também são oferecidos serviços aos segurados como aos dependentes, o serviço social e a reabilitação profissional.

Castro e Lazzari (2012, p. 467) abordam o assunto dizendo que:

Ao legislador ordinário coube o encargo de aprovar um plano previdenciário capaz de atender as necessidades básicas do cidadão, conforme previsto na norma constitucional referida (art. 201). Neste plano o legislador fixou exatamente a cobertura daqueles eventos que a Constituição assegurou estarem atendidos. E não poderia ser de outra forma. A Lei que regula o Regime Geral de Previdência Social é composta por normas de direito público, que estabelecem direitos e obrigações entre os indivíduos potencialmente beneficiários e o Estado, gestor da Previdência Social. [...] A estas obrigações, de dar ou de fazer, consequentemente, correspondem prestações, a que chamamos prestações previdenciárias.

No presente capítulo, serão abordados os seguintes temas: a concessão da prestação previdenciária; o regime geral da previdência social; e os benefícios da previdência: aposentadorias.

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Para a concessão da aposentadoria, basta que a pessoa a requeira administrativamente junto ao INSS. Se presentes os requisitos o benefício será concedido. Segundo pensamento de Maria do Socorro da Silva Barbosa (2012, p. 07):

O direito a se aposentar é um ato de vontade, individual, intuitu

personae, subjetivo, pois uma vez preenchidos os requisitos para sua

obtenção o segurado não está obrigado a exercê-lo, com exceção da aposentaria compulsória, conforme o art. 40, §1º, inciso II, da CF. (BRASIL, 2014, p.01).

Para que uma pessoa possa contar com uma prestação concedida pela Previdência Social é necessário que ela preencha os requisitos impostos pela lei para tanto.

A Previdência Social concede tais prestações quando existe primeiramente a ocorrência de um fato gerador que seja enquadrado dentro da prestação requerida. Após esta ocorrência serão analisados se está preenchido o restante dos requisitos legais. Para a concessão ser efetivada é necessário que o indivíduo realize o pedido de concessão perante a Previdência que irá analisar o preenchimento dos requisitos necessários para o tipo de benefício que esta sendo solicitado.

Nas palavras de Fabio Camacho Dell' Amore Torres (2012, p.01),

São requisitos exigidos para a proteção da Previdência Social:

1) Qualidade de beneficiário – EXIGIDO EM TODOS OS

BENEFÍCIOS;

2) Ocorrência da contingência social legalmente prevista

(EXIGIDA EM TODOS OS BENEFÍCIOS);

3) Cumprimento do período de carência – EXIGIDO EM ALGUNS

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Nesta senda, cabe dizer que para a concessão da prestação previdenciária é necessário que o requerente se encontre segurado pela Previdência Social para que possa ver seu benefício garantido, ou seja, é necessário estar na qualidade de beneficiário. É também necessário que ocorra o evento que esteja coberto pelo benefício requerido, bem como o cumprimento do período de carência exigido, se for o caso. Dentre todos esses requisitos, ainda deve-se levar em consideração outras exigências legais que amparam a concessão de tais prestações como as citadas por Castro e Lazzari (2012, p. 471):

[...] o cumprimento de exigências legais – em grande parte dos casos, as prestações previdenciárias previstas somente são concedidas se o beneficiário, além de atingido pelo evento amparado, cumprir algumas exigências, como a carência de contribuições, idade mínima, ou a ausência de percepção de outro benefício inacumulável com o requerido.[...]

Dessa forma, a concessão da prestação previdenciária é garantida àquele indivíduo que preencher todos os requisitos estabelecidos pela lei. Outro ponto a ser considerado é o requerimento para a concessão da prestação. Não adianta requerer sem atender a todos os requisitos. Da mesma forma, aquele que preencher todos os requisitos e não requerer seu benefício no qual se enquadra, terá direito adquirido sobre tal prestação.

Também existe a possibilidade de suspensão do benefício concedido. A lei em vigor permite que o INSS suspenda os benefícios que estão sendo pagos. Castro e Lazzari (2012, p. 474) elencam os casos em que ocorre a suspensão do benefício concedido:

[...] a) a conduta do beneficiário inválido que não se apresenta para realização do exame médico-pericial periódico pelo INSS; b) a não-comprovação trimestral da manutenção do cumprimento da pena privativa de liberdade, ou a fuga do segurado detido ou reclusão, em relação ao auxílio-reclusão pago aos dependentes do segurado; c) a ausência de defesa do beneficiário, quando notificado pelo INSS em casos de suspeita de irregularidade na concessão ou manutenção de benefício (art. 11 da Medida Provisória n. 83, de 12.12.2002, convertida na Lei n. 10.666, de 8.5.2003).

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Dessa forma, se o cidadão beneficiário de prestação previdenciária não atender as exigências acima citadas quando solicitado pelo INSS terá seu benefício suspenso.

Também é possível que o INSS faça o cancelamento do benefício previdenciário. Ocorre o cancelamento do benefício concedido se a autarquia federal detectar alguma irregularidade na concessão de tal prestação. Este cancelamento sempre deve ser realizado através de processo administrativo seguindo todos os passos estipulados em lei.

Castro e Lazzari (2012, p. 477), com o intuito de esclarecer o assunto, elencam os motivos que levam um beneficiário ver sua prestação concedida ser cancelada.

São casos de cancelamento de benefício: a) o retorno ao trabalho em atividade nociva à saúde ou à integridade física do segurado que percebe aposentadoria especial (art. 57, § 8º, da Lei n. 8.213/91); b) o reaparecimento de segurado considerado falecido por decisão judicial que havia declarado morte presumida (art. 78, § 2º, da Lei n. 8.213/91); c) o retorno ao trabalho do segurado aposentado por invalidez (art. 46 da Lei n. 8.213/91); d) a verificação, pelo INSS, de concessão ou manutenção de benefício de forma irregular ou indevida (art. 11 da Medida Provisória n. 83, de 12.12.2002).

À vista disso, o INSS somente poderá cancelar um benefício após apurada a irregularidade na concessão através de processo administrativo e devidamente comprovada. Em caso de não comprovação, a prestação previdenciária deve ser reestabelecida.

Ainda ponto importante para o presente estudo, é a possibilidade de o beneficiário de aposentadoria renunciar seu benefício. Para a lei, as aposentadorias são irrevogáveis e irreversíveis e que após seu recebimento deixa de ser possível sua desistência, pois foi atingido o ato jurídico perfeito bem como o direito adquirido.

Neste sentido, vale os comentários de Martinez (2011, apud Barbosa, 2012, p. 08) dizendo que:

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[...] sob o império da legitimidade do ato administrativo, em condições normais, ou seja, quando deferida legítima, legal e regularmente, a prestação, ela se torna irreversível. Vale dizer, a seguradora não pode revê-la sob nenhuma condição. [...]

A irreversibilidade diz respeito å autarquia e não å pessoa e ninguém renuncia ao tempo de serviço ou å aposentadoria, mas a percepção de suas mensalidades.

Assim, a renúncia pode ser invocada pelo beneficiário a seu favor, sendo ela ato que extingue um ato administrativo eficaz capaz de liberar o tempo de contribuição para a soma de novas contribuições para a concessão de benefício mais vantajoso ao requerente.

Cabe ressaltar ainda seus efeitos. Não há entendimento pacífico sobre esse tema. Se o entendimento for que a renúncia tem efeito ex tunc, seus efeitos retroagirão alcançando todos os atos do passado. Já sob o efeito ex nunc, os atos da renúncia alcançarão apenas até seu pedido. Esse posicionamento é importante para estabelecer se deve haver restituição de valores ou não ao INSS.

2.2 Regime Geral da Previdência Social

A Constituição Federal de 1988 adota em seu artigo 201 as diretrizes de como a previdência social será organizada. Seguindo pela lógica constitucional, que traz como um de seus princípios o da uniformidade de prestações previdenciárias, nota-se que a previdência social no Brasil não é composta por apenas um regime, mas de vários, onde cada cidadão se enquadra dependendo da sua relação jurídica com a mesma. O mais comum dele, e principal, é o regime geral da previdência social, sobre o qual se explana neste subtítulo.

O Regime Geral da Previdência Social é o regime mais amplo que a previdência possui. Ele engloba obrigatoriamente todas aquelas pessoas que são trabalhadoras da iniciativa privada. Castro e Lazzari (2012, p. 125) dizem quem são esses cidadãos:

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[...] os trabalhadores que possuem relação de emprego regida pela Consolidação da Leis do Trabalho (empregados urbanos, mesmo os que estejam prestando serviço a entidades paraestatais, os aprendizes e os temporários), pela Lei n. 5.889/73 (empregados rurais) e pela Lei n. 5.859/72 (empregados domésticos); os trabalhadores autônomos, eventuais ou não; os empresários, titulares de firmas individuais ou sócios gestores e prestadores de serviços; trabalhadores avulsos; pequenos produtores rurais e pescadores artesanais trabalhando em regime de economia familiar; e outras categorias de trabalhadores, como garimpeiros, empregados de organismos internacionais, sacerdotes, etc. [...]

Dessa forma, a maioria dos brasileiros tem como regime de previdência o regime geral da previdência social. Este regime esta amparado na Lei nº 8.213/91. Todos os trabalhadores citados por Castro e Lazzari (2012, p. 125), tem sua filiação ao regime de forma compulsória e automática.

Sobre os segurados da previdência social, vale colacionar o dizer de Marisa Ferreira dos Santos (2006, apud Rodrigo Bernardi Rodrigues, 2011, p. 18):

A expressão segurados está bem empregada porque a Previdência Social é o ramo da seguridade social que mais se assemelha ao seguro, uma vez que é eminentemente contributiva. Segurados são sempre pessoas físicas, isto é, que contribuem para o regime previdenciário e, por isso, terão direito a prestações, benefícios ou serviços de natureza previdenciária. Esses mesmos segurados, vistos sob o prisma do financiamento da seguridade social, são

sujeitos passivos da relação jurídica de custeio.

Os segurados obrigatórios são aqueles que estão elencados no art. 11 da lei nº 8.213/91. São também chamados de segurados compulsórios, ou seja, sua atividade remunerada é atrelada as contribuições para a seguridade social. Para entender com mais clareza, vale as palavras de Santos (2006, apud Rodrigues, 2011, p. 20) que ensina que os segurados obrigatórios abrangem: “todos os que exercem atividade remunerada, de natureza urbana ou rural, com ou sem vínculo empregatício: empregado, empregado doméstico, contribuinte individual, trabalhador avulso e segurado especial.”

Ainda, devido a amplitude do regime, ele permite que outros cidadãos se filiem a ele. São os chamados segurados facultativos. Este grupo de segurados não são filiados obrigatórios nem possuem outro tipo de regime de previdência, mas podem se filiar voluntariamente para o regime geral de previdência social, sendo

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este regime o único que permite a adesão de segurados facultativos. Estes se filiam a previdência social por vontade própria. Estão classificados no artigo 14 da Lei nº 8.212/91 que relata: “É segurado facultativo o maior de 14 (quatorze) anos de idade que se filiar ao Regime Geral de Previdência Social, mediante contribuição, na forma do art. 21, desde que não incluído nas disposições do art. 12.” (BRASIL, 2014, p.01).

O cidadão que deseja se tornar segurado facultativo da previdência social, deve começar a pagar contribuições a partir de sua inscrição junto ao INSS. Assim, se tornará segurado a partir do momento em que começar a realizar os pagamentos.

2.3 Benefícios da Previdência: Aposentadorias

A aposentadoria é o principal benefício da Previdência Social. Elas têm o cunho de substituir a renda do segurado para este, após requerer tal benefício completando todos os requisitos necessários, um meio de sustento. É a contrapartida de ter realizado as contribuições previstas e atingido a idade necessária.

A aposentadoria tem previsão constitucional. No artigo 201 da Constituição Federal estão elencados todos os requisitos necessários para a sua concessão. Este artigo esta regulamentado pelo Decreto-Lei nº 3048 que em seu artigo 181-B (BRASIL, 2014, p.01) elenca quais são as aposentadorias concedidas pela Previdência Social. São elas: as aposentadorias por idade, por tempo de contribuição e especial. Ainda, segundo este decreto as aposentadorias são irreversíveis e irrenunciáveis.

A aposentadoria por idade é aquela que é concedida para o segurado quando este atinge a idade mínima para se aposentar, bem como tenha realizado as contribuições mínimas necessárias exigidas. Este benefício está previsto nos artigos 48 ao artigo 51 da Lei nº 8.213/91. Para se aposentar por idade, o segurado deve ter a idade mínima de 65 anos, se homem, e 60 anos se mulher. Também há a previsão para os trabalhadores rurais que podem requerer seu benefício com 5 anos a menos de idade. (BRASIL, 2014, p.01)

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Além da idade mínima, o segurado deve cumprir a carência mínima exigida pela lei. Para os filiados após o advento da Lei nº 8.213/91, esse período é de 180 meses, ou 180 contribuições.

Também previsto nos mesmos artigos da referida lei esta a aposentadoria por tempo de contribuição. Este benefício foi criado pela Emenda Constitucional nº 20 de 1998 que alterou o artigo 201,§ 7º da Constituição Federal brasileira. Para sua concessão é necessário preencher o requisito de 35 anos de contribuição, no caso de homens e 30 anos para as mulheres. Não há a necessidade de cumprir idade mínima. Também há uma exceção para a concessão desse benefício que é em relação aos professores. Esta categoria que exclusivamente exerce o magistério na educação infantil, ensino fundamental e ensino médio, o tempo mínimo de contribuição diminui em 5 anos. (BRASIL, 2014, p.01)

Além das já citadas, é possível ser concedida para os segurados da previdência social a aposentadoria especial. Ela está prevista nos artigos 57 e 58 da Lei nº 8.213/91 e é concedida para aqueles que trabalham em condições que afetem a saúde ou a integridade física. Neste caso, o tempo de contribuição é de 15, 20 ou 25 anos dependendo da atividade que o segurado exerce. Para sua concessão basta comprovar o mínimo exigido de contribuições e a atividade que exercia em condições especiais.

Outro benefício é a aposentadoria por invalidez. Esta aposentadoria é concedida para os segurados que são acometidos por doença que o incapacite para o trabalho. Este aposentado não pode voltar a exercer atividade laborativa, sob pena de perder seu benefício. Nesse contexto, o aposentado por invalidez não pode requerer a desaposentação, pois não preencherá o requisito de continuar contribuindo para a previdência social após a aposentadoria.

Neste contexto, o benefício da aposentadoria significa para Tavares (2012, p. 133) que:

São prestações pecuniárias, devidas pelo Regime Geral de Previdência Social aos segurados, destinadas a prover-lhes a

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subsistência, nas eventualidades que os impossibilite de, por seu esforço, auferir recursos para isto, ou a reforçar-lhes os ganhos para enfrentar encargos de família, ou amparar, em caso de morte ou prisão, os que dele dependiam economicamente.

Os segurados que requereram sua aposentadoria podem continuar ou retornar ao mercado de trabalho, tornando-se segurado novamente. Mas como já é beneficiário da previdência social, ele somente terá direito aos benefícios de salário-família e reabilitação profissional. É o que trata o artigo 18, § 2º da lei nº 8.213/91 in verbis (BRASIL, 2014, p.01)

Art. 18. O Regime Geral de Previdência Social compreende as seguintes prestações, devidas inclusive em razão de eventos decorrentes de acidente do trabalho, expressas em benefícios e serviços:

[...]

§ 2º O aposentado pelo Regime Geral de Previdência Social–RGPS que permanecer em atividade sujeita a este Regime, ou a ele retornar, não fará jus a prestação alguma da Previdência Social em decorrência do exercício dessa atividade, exceto ao salário-família e à reabilitação profissional, quando empregado.

Para quem já está aposentado, são estes os benefícios que a lei novamente concede em caso de necessidade. Outro ponto relevante para o presente estudo, é que a lei não impede que o aposentado volte a exercer atividade laborativa, veda apenas se a concessão do benefício tenha sido por invalidez.

Esta norma está expressa no artigo 168 do Decreto nº 3.048/91. Quem é beneficiário de aposentadoria especial também está sujeito a uma exceção quando volta ao trabalho. Está previsto no artigo 57, § 8º da lei 8.213/91 que o aposentado especial não pode continuar ou retornar a exercer atividade onde terá contato com agentes nocivos, fato que leva ao cancelamento do benefício. (BRASIL, 2014, p.01)

Dessa forma, os aposentados podem exercer outra atividade remunerada e em consequência disso, voltam a serem contribuintes da Previdência Social. Esse fato é muito comum, pois muitos aposentados precisam complementar sua renda. A partir disto, está se implantando uma nova situação fática na sociedade brasileira, a desaposentação, assunto que será tratado no próximo capítulo.

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3 DESAPOSENTAÇÃO

A aposentadoria é ato administrativo que somente pode ser concedida em decorrência de lei. A desaposentação é o contrário de aposentadoria. É uma prerrogativa que o aposentado tem depois de se aposentar continuar a exercer atividade remunerada. Este instituto é novo no ordenamento jurídico brasileiro, vincula-se à doutrina, decisões jurisprudenciais, sem previsão em lei, sendo que nos últimos anos está sendo amplamente discutido pela doutrina e pela jurisprudência. O segurado aposentado tem a faculdade de usar seus dois tempos de contribuição para requerer uma nova aposentadoria.

A Constituição Federal de 1988, bem como as legislações que regem a Previdência Social não tratam do assunto. Somente o que há na lei são lacunas que permitem que o cidadão aposentado possa requerer a concessão de um novo benefício. A lei apenas faz referência a contagem do tempo de contribuição que não pode ser concomitante, bem como o Decreto nº 3.048/99 refere que as aposentadorias são irreversíveis e irrenunciáveis.

Como não há legislação regendo este instituto, os pedidos de desaposentação são requeridos administrativamente junto ao Instituto Nacional de Seguridade Social-INSS que tem negado tais pedidos alegando que conforme o decreto nº 3.048/99, as aposentadorias são irrenunciáveis e possuem caráter alimentar, sendo que uma vez concedido o benefício, o beneficiário não poderá desistir de recebê-lo, mesmo que posteriormente requeira outro mais vantajoso. (Andrade, Fonseca, Amaral e Cantalice, 2011).

Os aposentados continuam ou voltam a exercer atividade remunerada para complementar seus ganhos. Dessa forma, através da nova atividade remunerada volta a ser segurado obrigatório do Regime Geral de Previdência Social. Assim resumidamente a desaposentação é renúncia de uma aposentadoria no Regime Geral de Previdência Social para a tentativa de êxito na obtenção de uma nova aposentadoria no mesmo regime.

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O presente capítulo tem o objetivo de demonstrar como é possível a concessão da desaposentação através do seu conceito, as consequências jurídicas que a desaposentação implica, bem como realizar uma análise jurisprudencial sobre o instituto.

3.1 Conceito de desaposentação

A desaposentação não possui norma regulamentadora, ou seja, é apenas uma construção doutrinária. Seu conceito se aplica em poucas hipóteses no Regime Geral de Previdência Social e em alguns casos no Regime Próprio dos Servidores Públicos.

Este instituto consiste em desfazer o ato de aposentadoria concedido para a obtenção de outro mais vantajoso. Sua concessão pode se dar em duas possibilidades: a averbação do tempo de contribuição para a concessão em outro regime da previdência social como por exemplo, uma pessoa que tem uma aposentadoria concedida no regime geral da previdência social e passa a exercer atividade como servidor público onde torna-se segurado do regime próprio dos servidores públicos e, quando volta ou permanece exercendo atividade no mesmo regime , no caso, no regime geral da previdência social.

Nesse sentido, entende-se que a desaposentação passou a fazer parte do ordenamento jurídico brasileiro para dar amparo àqueles aposentados que retornam a atividade laboral e consequentemente voltam a contribuir para a previdência social que até então não tinham direito a todos os benefícios que são concedidos por esta. Contextualiza Marisa Ferreira dos Santos (2011, apud Priscila Franco Ávalos Lopes, 2013, p. 52):

Não raro, o aposentado continua a trabalhar e participar do custeio do regime previdenciário, embora sem direito a nenhuma cobertura em razão dessa nova filiação (...). Acresce ao reduzido valor de sua aposentadoria o da remuneração pela atividade que passa a exercer, e continua a pagar contribuição previdenciária incidente sobre esse valor (novo salário de contribuição). Com o passar do tempo, acaba concluindo que não pode mais trabalhar e, como não tem direito à

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cobertura previdenciária em razão da atividade que passou a exercer, arca com a perda desses rendimentos.

Assim, muitos trabalhadores aposentados sentiram-se prejudicados, pois a previdência social não atendia estes em toda a sua plenitude. Dessa forma, ocorre uma tomada de valores sem que haja uma contrapartida por este pagamento. Surge, então (Lopes, 2013) a vontade do contribuinte que requerer novo benefício para obter maior vantagem financeira em sua aposentadoria, ou seja, desiste do seu atual benefício para acrescer as novas contribuições e obter outro mais vantajoso financeiramente.

Vale ainda relatar que a lei previdenciária não veda a possibilidade de o aposentado continuar sua atividade laborativa. Esta previsão está no artigo 49 da lei nº 8.213/91, sendo que Sérgio Pinto Martins (1999, apud Lopes, 2013, p. 53) relata que:

A Lei nº 8.213 determinou na alínea b, do inciso I, do art. 49, que não há necessidade de desligamento do emprego para o requerimento da aposentadoria, estando o empregado autorizado a continuar trabalhando na empresa. [...] O aposentado pode permanecer em atividade sujeita ao Regime Geral de Previdência Social ou a ela retornar. Assim, o empregado não precisa desligar-se da empresa para requerer a aposentadoria, pois a tramitação desta, no INSS, pode demorar alguns meses, não ficando o obreiro desamparado quanto aos seus rendimentos, podendo continuar a laborar na empresa.

Para melhor entender seu conceito, é necessário saber sua origem. Para Marco Aurélio Serau Junior (2013, p. 51) a desaposentação tem seu primeiro momento na:

[...] legislação previdenciária em que existia previsão relativa ao instituto da desaposentação. Menciona que o art. 12 da Lei nº 5.890/1973, que alterou a LOPS, dispunha sobre a suspensão da aposentadoria por tempo de serviço daquele segurado que voltasse a trabalhar, situação em que o segurado receberia apenas 50% da renda mensal. Cessada a atividade, o benefício seria restaurado com um acréscimo de 5% ao ano até um máximo de dez anos, indiscriminadamente, e a partir desse teto decenal, a volta ao trabalho.

Referências

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