Processamento auditivo em escolares: um estudo longitudinal
Texto
(2) PROCESSAMENTO AUDITIVO EM ESCOLARES: UM ESTUDO LONGITUDINAL por Cintia Maria Costamilan. Dissertação apresentada ao Curso de Mestrado do Programa de Pós Graduação em Distúrbios da Comunicação Humana, Área de Concentração em Audição, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM, RS), como requisito parcial para obtenção do grau de Mestre em Distúrbios da Comunicação Humana. CPGDCH. Santa Maria, RS, Brasil. 2004.
(3) ORIENTADOR Profª Drª Angela Garcia Rossi Professora. Doutora. Adjunto. do. Departamento de Otorrino-Fonoaudiologia da UFSM.. i.
(4) Universidade Federal de Santa Maria Centro de Ciências da Saúde Curso Pós-Graduação em Distúrbios da Comunicação Humana. A Comissão Examinadora, abaixo assinada, aprova a Dissertação de Mestrado. PROCESSAMENTO AUDITIVO EM ESCOLARES: UM ESTUDO LONGITUDINAL elaborada por. Cintia Maria Costamilan. como requisito parcial para obtenção do grau de Mestre em Distúrbios da Comunicação Humana. COMISSÃO EXAMINADORA:. ______________________________ Angela Garcia Rossi (Presidente/Orientador). ______________________________ Tania Tochetto. ______________________________ Zilca Rossetto de Moraes. Santa Maria, julho de 2004.. ii.
(5) Descobri como é bom chegar quando se tem paciência E para se chegar onde quer que seja, aprendi que não é preciso dominar a força, mas a razão. É preciso, antes de mais nada, querer. Amir Klink.. iii.
(6) DEDICATÓRIA. Aos mestres da vida... Que nos ensinam o necessário, Que nos mostram os melhores caminhos, Que descortinam nossas dúvidas, Que aliviam nossos anseios, Que nos afastam dos males, Que, acima de tudo, nos amam incondicionalmente... À eles, aos meus verdadeiros mestres, SADY e ANAIR,. dedico este trabalho.. iv.
(7) AGRADECIMENTO ESPECIAL. Todos os mestres dizem que o tesouro espiritual é uma descoberta solitária. Então porque estamos juntos? – Perguntou um dos seus discípulos. Vocês estão juntos porque um bosque é sempre mais forte que uma árvore solitária – respondeu o mestre. O bosque mantém a umidade, resiste melhor a um furacão, ajuda o solo a ser fértil. Mas o que faz a árvore forte é a sua raiz. E a raiz de uma planta não pode ajudar a outra planta a crescer. “Estar junto no mesmo propósito, e deixar que cada um cresça à sua maneira, este é o caminho dos que desejam comungar com Deus”. Paulo Coelho -Maktub. À Profª. Dra. ÂNGELA GARCIA ROSSI por estar junto no mesmo propósito mas deixando-me livre. v.
(8) para aprofundar minha raiz.. cada. vez. mais. a. vi.
(9) AGRADECIMENTOS. À Profª. Drª. Helena Bolli Mota, que não mede esforços na organização e aperfeiçoamento do Programa de Pós-Graduação em Distúrbios da Comunicação Humana. À Profª. Drª. Tania Tochetto por ter feito parte da minha formação acadêmica e profissional, sempre mostrando a importância da ética e do rigor científico, e pela nossa amizade. À Profª. Drª. Zilca Rossetto de Moraes pela atenciosa e criteriosa análise do trabalho me estimulando a aprender sempre. Aos. Professores. do. Departamento. de. Otorrino-. Fonoaudiologia da UFSM que de uma forma ou outra colaboraram na minha formação científica e na elaboração deste trabalho. À funcionária Adriana Ribas pela atenção dispensada. Às colegas do Curso de Mestrado pelo companheirismo nesta caminhada. À Fga. Aline Marques Giordani pela fidelidade e por ter me ouvido quando mais precisei. À Fga. Karynne Kelly Rezende Carvalho Marins e Fga. Luíza de Salles Juchen pela cumplicidade durante a concretização de um de nossos sonhos. À Fga. Elenara Cioqueta pela colaboração e dedicação na coleta de dados. À direção e professores da Escola Estadual Edson Figueiredo que abriram suas portas, colaborando de forma valiosa para a realização deste trabalho.. vii.
(10) Às. crianças. participantes. da. pesquisa. pela. paciência,. disponibilidade e pelo carinho. Ao Dr. Armindo Rossi Filho pela atenção especial na avaliação otorrinolaringológica das crianças participantes da pesquisa; meu eterno carinho... Aos meus irmãos, Rita e Flávio, por fazerem parte da minha vida e por me apoiarem sempre. Ao meu namorado Alexsander, pela grandiosa paciência, pelo companheirismo e pelo carinho. Às ex colegas de apartamento e eternas amigas Aline Ferla e Andria Bordignon que sempre me deram força e continuaram me apoiando mesmo à distância. Às fonoaudiólogas Ana Maria Alvarez e Maura Lígia Sanchez e ao Dr. Manoel da Nóbrega pela disponibilização de material enriquecedor deste estudo. A minha tia, Fga. Maria Inês Dallegrave Cavalli, pelo estímulo e pelas palavras de apoio constantes. Aos meus colegas de trabalho Dr. Roney Marcon, Dr. Manoel Marcon e Míriam Thompson pela confiança depositada e pelo apoio e incentivo, os quais foram fundamentais na conclusão deste trabalho. Ao Prof. Luís Felipe Dias Lopes pela realização do estudo estatístico desta pesquisa. Ao professor Paulo D`Avilla pela tradução cuidadosa dos artigos. À professora Gláucia Caetano Souza pela realização do Abstract.. viii.
(11) SUMÁRIO. LISTA DE TABELAS............................................................... ix. LISTA DE FIGURAS............................................................. xi. LISTA DE REDUÇÕES............................................................ xiii. LISTA DE ANEXOS................................................................. xv. RESUMO................................................................................... xvi. ABSTRACT................................................................................. xvii. INTRODUÇÃO......................................................................... 1. LITERATURA........................................................................... 3. MATERIAL E METODOLOGIA............................................. 24. RESULTADOS.......................................................................... 31. DISCUSSÃO.............................................................................. 51. CONCLUSÃO........................................................................... 70. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS....................................... 71. FONTES CONSULTADAS...................................................... 81. ANEXOS.................................................................................... 82. ix.
(12) LISTA DE TABELAS TABELA 01 - Distribuição das médias e desvios-padrão do grupo A1 quanto ao gênero masculino e feminino em função das condições DC, EC e do Tot.E. do teste SSW....................... 33. TABELA 02 - Distribuição das médias e desvios-padrão do grupo A2 quanto ao gênero masculino e feminino em função das condições DC, EC e do Tot.E. do teste SSW...................... 35. TABELA 03 - Distribuição das médias e desvios-padrão do grupo B1 quanto ao gênero masculino e feminino em função das condições DC, EC e do Tot.E. do teste SSW....................... 37. TABELA 04 - Distribuição das médias e desvios-padrão do grupo B2 quanto ao gênero masculino e feminino em função das condições DC, EC e do Tot.E. do teste SSW....................... 39. TABELA 05 - Distribuição das médias e desvios-padrão dos grupos A1 e B1 em função das condições DC, EC e do Tot.E. do teste SSW...................................................................................... 41. TABELA 06 - Distribuição das médias e desvios-padrão dos grupos A2 e B2 em função das condições DC, EC e do Tot.E. do teste SSW...................................................................................... 43. TABELA 07 - Distribuição das médias e desvios-padrão dos grupos A1 e A2 em função das condições DC e EC e do Tot.E do teste SSW...................................................................................... 45. TABELA 08 - Distribuição das médias e desvios-padrão dos grupos B1 e B2 em função das condições DC e EC e do Tot.E do teste SSW...................................................................................... 47. x.
(13) TABELA 09 - Distribuição das médias e desvios-padrão da diferença entre as médias da primeira para a segunda avaliação dos grupos A e B em função das condições DC e EC e do Tot.E do teste SSW............................................................... 49. xi.
(14) LISTA DE FIGURAS FIGURA 01 -. FIGURA 02 -. FIGURA 03 -. FIGURA 04 -. FIGURA 05 -. FIGURA 06 -. FIGURA 07 -. Representação gráfica das médias e desvios-padrão do grupo A1 quanto ao gênero masculino e feminino em função das condições DC e EC e do Tot.E. do teste SSW..................................................................................... 34. Representação gráfica das médias e desvios-padrão do grupo A2 quanto ao gênero masculino e feminino em função das condições DC e EC e do Tot.E. do teste SSW..................................................................................... 36. Representação gráfica das médias e desvios padrões do grupo B1 quanto ao gênero masculino e feminino em função das condições DC, EC e do Tot.E. do teste SSW..................................................................................... 38. Representação gráfica das médias e desvios-padrão do grupo B2 quanto ao gênero masculino e feminino em função das condições DC e EC e do Tot.E. do teste SSW..................................................................................... 40. Representação gráfica das médias e desvios-padrão dos grupos A1 e B1 em função das condições DC e EC e do Tot.E. do teste SSW............................................................. 42. Representação gráfica das médias e desvios-padrão dos grupos A2 e B2 em função das condições DC e EC e do Tot.E. do teste SSW............................................................. 44. Representação gráfica das médias e desvios-padrão dos grupos A1 e A2 em função das condições DC e EC e do Tot.E do teste SSW............................................................. 46. xii.
(15) FIGURA 08 -. FIGURA 09 -. Representação gráfica das médias e desvios-padrão dos grupos B1 e B2 em função das condições DC e EC e do Tot.E do teste SSW............................................................. 48. Representação gráfica das médias e desvios-padrão da diferença entre as médias da primeira para a segunda avaliação dos grupos A e B em função das condições DC e EC e do Tot.E do teste SSW...................................... 50. xiii.
(16) LISTA DE REDUÇÕES. ANSI -American National Standardization Institute CD - Compact Disc CPGDCH - Curso de Pós-Graduação em Distúrbios da Comunicação Humana dB - Decibel dB NA - Decibel nível de audição dB NS - Decibel nível de sensação DC - Direita competitiva DP - Desvio padrão DPA - Distúrbio do processamento auditivo EC - Esquerda competitiva HUSM - Hospital Universitário de Santa Maria Hz - Hertz M - Média p - Probabilidade PA - Processamento auditivo SNAC - Sistema nervoso auditivo central. xiv.
(17) SSW - Staggered Spondaic Word Test Tot.E.SSW - Total de erros no teste SSW UFSM -Universidade Federal de Santa Maria * - Valor significante estatisticamente * * - Valor não significante estatisticamente. xv.
(18) LISTA DE ANEXOS ANEXO A - Termo de consentimento livre e esclarecido ............................ xviii ANEXO B -. Protocolo de anamnese ............................................................. . Protocolo de avaliação audiológica básica ................................ xix. ANEXO D - Protocolo de avaliação do SSW ................................................. xxi. ANEXO C -. xx. ANEXO E -. Protocolo de entrevista com o professor.................................... xxii. ANEXO F -. Distribuição dos resultados individuais dos grupos A1 e A2.... xxiii. ANEXO G - Distribuição dos resultados individuais dos grupos B1 e B2... xxiv. xvi.
(19) RESUMO. Dissertação de Mestrado Curso de Pós-Graduação em Distúrbios da Comunicação Humana Universidade Federal de Santa Maria PROCESSAMENTO AUDITIVO EM ESCOLARES: UM ESTUDO LONGITUDINAL Autora: Cintia Maria Costamilan Orientadora: Angela Garcia Rossi Local e Data da Defesa: Santa Maria, 30 de julho de 2004.. Este estudo teve como objetivo realizar um estudo longitudinal do processamento auditivo, de um grupo de crianças com e sem queixas de dificuldades de aprendizagem, utilizando o teste SSW, versão em português (Borges, 1986). Foram estudados dois grupos de crianças de uma escola pública da cidade de Santa Maria - RS, assim divididos: grupo A - 25 crianças sem queixas de dificuldades de aprendizagem e grupo B - 13 crianças com queixas. Todas as crianças foram submetidas à anamnese, exame otorrinolaringológico, avaliação audiológica básica e avaliação do processamento auditivo. Foram analisadas as seguintes variáveis do teste SSW: direita competitiva (DC), esquerda competitiva (EC) e total de erros (Tot.E.). Como o estudo ocorreu de forma longitudinal, as avaliações foram realizadas em duas etapas com intervalo de dois anos entre elas. Os resultados encontrados mostraram que para os dois grupos estudados não ocorreu diferença entre os gêneros masculino e feminino; nas variáveis do teste SSW estudadas, o grupo B apresentou respostas estatisticamente inferiores em relação ao grupo A nas duas etapas da avaliação; a condição EC sempre apresentou maior número de erros quando comparada à condição DC em ambos os grupos e em ambas avaliações; foi possível confirmar estatisticamente que houve uma melhora das respostas em função do tempo para os dois grupos de crianças, evidenciando a influência do fator maturação auditiva e não se observou diferença estatisticamente significante entre os grupos A e B no que diz respeito à evolução ao longo do tempo, ou seja, os dois grupos evoluíram para melhor, não tendo um grupo melhorado mais do que o outro. Após a realização desta pesquisa e considerando as condições experimentais empregadas, foi possível concluir que o processamento auditivo das crianças com queixas de dificuldades de aprendizagem foi estatisticamente inferior ao das crianças sem queixas nos dois momentos em que o teste SSW foi aplicado, no entanto, houve uma melhora semelhante nos dois grupos com o passar do tempo.. xvii.
(20) ABSTRACT Dissertação de Mestrado Curso de Pós-Graduação em Distúrbios da Comunicação Humana Universidade Federal de Santa Maria PROCESSAMENTO AUDITIVO EM ESCOLARES: UM ESTUDO LONGITUDINAL AUDITORY PROCESSING IN SCHOOL CHILDREN: A LONGITUDINAL STUDY Author: Cintia Maria Costamilan Adviser: Ângela Garcia Rossi Date and Place: Santa Maria, 30th July 2004. This study aimed to perform a longitudinal study of the auditory processing in a group of children with and without learning difficulties complaints, using the SSW test, portuguese version (Borges, 1986). Two groups of children from a public school in Santa Maria were studied, being divided in 25 children without learning difficulties complaints (A group) and 13 children with complaints (B group). All children were submitted to anamnesis, otorhinolaryngologic exam, basic audiologic evaluation and auditory processing evaluation. The following SSW Test variables were examined: competitive right (CR), competitive left (CL ) and amount of errors ( AE ). The evaluations ocurred in two phases with two years interval between them as the study was a longitudinal one. The results found showed that for the two studied groups there was no difference between male and female genders, in the SSW variable studied; the B group showed response statistically inferior in relation to A group in the two evaluation phases; the CL condition always showed a greater number of errors when compared to the CR condition in both groups and evaluations; it was possible to confirm statistically a response improvement related to time for the two groups of children, becoming evident the maturation factor influence and it was not observed statistitically significant difference between the groups A and B concerned to evolution related to time, that is, both groups had an improvement, with none of the two groups being better than the other . After this research and considering the experimental condition used, it was possible to conclude that the auditory processing in children with learning difficulties complaints was statistically inferior to children with no complaints in the two moments of the SSW Test, however, there was similar improvement in both groups related to time.. xviii.
(21) INTRODUÇÃO. O ser humano diferencia-se dos outros seres por comunicar-se de forma verbal. Essa característica torna-o tão especial a ponto de conseguir expressar suas emoções, sentimentos e intenções de maneira natural. Sabese que a compreensão da fala é essencial para uma comunicação normal e é dependente das habilidades auditivas. A integridade do sistema auditivo periférico e central e a ausência de privação sensorial nos primeiros anos de vida garantem ao indivíduo a capacidade de desenvolver sua linguagem de forma adequada. Dentro deste contexto, observa-se a inter-relação entre o desenvolvimento da audição e da linguagem. Até alguns anos atrás, a preocupação em relação à audição, por parte do profissional que atuava em terapia de linguagem, era a de saber se o paciente apresentava ou não uma deficiência auditiva, ou seja, a atenção estava voltada para a questão da acuidade auditiva em termos periféricos. Atualmente, a Audiologia busca respostas para as manifestações auditivas que não são respondidas pelos resultados de testes audiológicos convencionais. Casos de crianças que possuem integridade auditiva periférica, mas que apresentam manifestações comportamentais como distração, desatenção e déficit no desempenho escolar são cada vez mais comuns na prática clínica fonoaudiológica. Nesses casos, torna-se necessário uma avaliação detalhada das habilidades auditivas envolvidas no processamento central das informações. O processamento auditivo (PA) é definido como uma série de operações que o sistema auditivo realiza para interpretar vibrações sonoras.
(22) por ele detectadas. Segundo Katz & Wilde (1999) “é aquilo que fazemos com o que ouvimos”. Sabe-se. que. o. desenvolvimento. cognitivo-lingüístico. e. o. amadurecimento das habilidades auditivas ocorrem de forma concomitante e qualquer alteração em alguma destas funções pode trazer sérios prejuízos para o aprendizado da criança. Inúmeros estudos têm demonstrado a relação entre as alterações do processamento auditivo e as dificuldades de aprendizagem (Pinheiro, 1977; Stubblefield & Young apud Berrick, Shubow & Schultz, 1984; Câmara, 1988; Katz, 1992; Ribas-Guimarães, 2000; Damasceno & Russo, 2004). Além disso, qualquer discussão do processamento auditivo em crianças deve levar em conta as mudanças determinadas pelos fatores maturacionais ao longo do tempo. Segundo. Bellis. (1997),. mudanças. morfológicas. no. cérebro. dependentes da idade determinarão em larga escala a habilidade da criança em desempenhar certas atividades auditivas. Estruturas do sistema nervoso auditivo central (SNAC), embora presentes e funcionantes ao nascimento, continuam a formar novas ligações sinápticas e a aumentar a eficiência sináptica até a adolescência e possivelmente até o início da idade adulta. Sendo assim, o objetivo desta pesquisa foi realizar um estudo longitudinal do processamento auditivo, de um grupo de crianças com e sem queixas de dificuldades de aprendizagem, utilizando o teste SSW em português.. 2.
(23) LITERATURA. Neste capítulo, apresenta-se em ordem cronológica de publicação um resumo dos trabalhos compulsados na literatura especializada no decorrer do presente estudo e que estão relacionadas ao tema da pesquisa. O início da avaliação do sistema nervoso auditivo central (SNAC) pode ser traçado a partir da década de 50 quando Bocca, Calearo & Cassinari (1954) e Bocca, Calearo, Cassinari & Migliavacca (1955) utilizaram pela primeira vez um teste monoaural de fala distorcida para avaliar a função auditiva central em pacientes com lesões no SNAC. Eles reconheceram que os testes auditivos periféricos não eram sensíveis às dificuldades auditivas que estavam sendo relatadas por muitos de seus pacientes. Katz, em 1962, com a proposta de avaliar a integridade do sistema nervoso e verificar a presença de algum impedimento na função auditiva central, elaborou um teste dicótico com mensagem competitiva e não competitiva, utilizando fala familiar o qual denominou Staggered Spondaic Word Test (teste SSW). A aplicação original do SSW pretendia determinar o local da disfunção em casos com suspeitas de lesões cerebrais ou de tronco encefálico. Flowers em 1964, realizou um estudo com crianças inseridas em um programa de leitura de uma escola pública. As crianças foram divididas em dois grupos: um grupo controle (leitura normal) e um grupo experimental (com dificuldade de leitura). Foram realizados testes de fala filtrada, fala acelerada e mensagens competitivas. Os resultados demonstraram uma correlação significante entre a realização da leitura e as habilidades auditivas. O autor concluiu que os testes de habilidades auditivas centrais. 3.
(24) podem fazer a identificação precoce de crianças que sofrerão de dificuldades na leitura. Brunt (1972) relatou algumas limitações clínicas no uso do teste SSW em crianças abaixo de 11 anos e adultos acima de 60 anos de idade. Referiu que os resultados do teste em crianças com idades entre sete e 11 anos indicaram um significante efeito auditivo de lateralidade favorecendo a orelha direita. Observou um decréscimo dos erros com a idade, como variabilidade da “performance” e comentou que crianças de 11 anos de idade apresentam desempenho similar aos adultos. Referiu ainda, que até aquele momento o teste apresentava valor limitado para crianças pequenas e que possíveis correções poderiam ser feitas para aliviar a desvantagem da lateralidade auditiva e o aumento da freqüência de erros para crianças abaixo de 11 anos de idade. Willeford, em 1976, desenvolveu uma bateria de testes especiais para avaliar as habilidades do processamento auditivo em crianças com problemas de aprendizagem (percepção de fala alternada rapidamente, fusão binaural, fala filtrada passa-baixo e sentenças competitivas). Porém, ao invés de tentar documentar a presença ou ausência de uma lesão, os testes foram utilizados para avaliar a integridade funcional do SNAC numa tentativa de encontrar déficits que pudessem explicar quaisquer dificuldades que a criança estivesse apresentando em termos de suas habilidades acadêmicas, comunicativas e/ou sociais. O autor observou nos resultados das avaliações de 150 crianças com distúrbio de aprendizagem que elas apresentaram resultados abaixo do normal em vários tipos de testes que avaliam o processamento auditivo. Pinheiro, em 1977, avaliou as habilidades auditivas em crianças com dificuldades de aprendizagem e encontrou resultados abaixo do normal em vários testes. No teste SSW, observou a ocorrência do pico de erros nas condições competitivas do teste, em um grupo de 14 crianças na faixa 4.
(25) etária de seis a 16 anos com distúrbio de aprendizagem, obtendo os seguintes valores médios: DNC 1,11. DC 6,2. EC 9,1. ENC 3,1. White (1977) relatou resultados do teste SSW de 49 crianças com bom desempenho escolar. A autora descobriu que as médias de acertos competitivos para o ouvido não dominante (ouvido com maior porcentagem de erros) aumentaram em torno de 5% a cada ano. Relatou ainda que crianças de seis-10 anos de idade mostraram picos de erros no ouvido não-dominante de até 35%. Nenhuma criança com mais de seis anos teve mais de 16% de erros no ouvido dominante. Davis & Mccroskey, em 1980, fizeram uma investigação com o objetivo de obter dados preliminares relativos à fusão auditiva em 135 crianças com idades variando entre três e 12 anos. Concluíram, entre outros achados, que a performance das crianças nas tarefas de fusão auditiva melhora com a idade e os efeitos da maturação são bem definidos entre os três e oito anos de idade, mas é dos nove aos 11 anos que os pontos de fusão auditiva parecem estabilizar. Os autores referiram que, apesar da anatomia do sistema auditivo ser bem conhecida, os processos de desenvolvimento normais dentro desse sistema ainda não foram delineados. Welsh, Welsh & Healy (1980) aplicaram uma bateria de testes (Willeford, 1976) em 77 estudantes com dislexia com idades variando entre sete e 18 anos e os dados foram comparados com os dados normativos. Mais de 50 % dos estudantes falharam em dois dos quatro testes e cada um dos 77 estudantes falhou em pelo menos um teste. Concluíram que a distância entre os leitores normais e os disléxicos pode ser continuamente observada em todos os grupos de idade. Conforme os autores, os dados deste trabalho são horizontais e medem a função de um grande grupo de. 5.
(26) estudantes. Segundo eles, um estudo longitudinal melhoraria o valor da pesquisa, uma vez que a questão essencial é se estes estudantes melhoram com a maturidade. Johnson, Enfield & Sherman (1981) testaram 91 crianças. sem. dificuldades escolares, com idades entre seis e 10 anos, com o propósito de definir um modelo de resposta normal em crianças para o teste SSW e o teste de sons ambientais competitivos. Eles também testaram 76 indivíduos com dificuldades de aprendizagem para determinar seus modelos de resposta característicos para estes mesmos testes. Concluíram que, geralmente, o número de erros para as várias condições analisadas nos testes diminuem com a idade em ambos os grupos. O sistema auditivo, segundo Boothroyd (1982), detecta e interpreta as vibrações sonoras através de três componentes: condutivo, sensorial e neural. Os componentes condutivo e sensorial encontram-se totalmente desenvolvidos e funcionantes no nascimento. Já o componente neural irá passar por um processo de maturação ao longo dos primeiros anos de vida da criança, onde a aprendizagem contribuirá para o total desenvolvimento das habilidades auditivas perceptuais. Myrick (1982) estimou a performance de 50 crianças com bom desempenho escolar com idades entre sete e 11 anos e de um grupo controle formado por adultos com uma versão de 20 itens do teste SSW adaptada para usar em crianças. Através desse estudo chegou a algumas conclusões: 1) conforme o aumento da idade cronológica, diminuem o número de erros e a amplitude do desvio padrão; 2) o desempenho da orelha direita é superior ao da esquerda, nos resultados de crianças, sugerindo um efeito significativo da dominância do hemisfério esquerdo; 3) não existe diferença significante entre os resultados de cada orelha no grupo de adultos, sugerindo que nesta faixa etária não há efeito de dominância hemisférica como no grupo de crianças; 4) a idade de 10 anos 6.
(27) parece ser um estágio de transição entre o desempenho de crianças e o de adultos no teste SSW, sendo que, por volta de 11 anos, o desempenho equipara-se ao do adulto; 5) embora não houvesse diferença entre os resultados das crianças com 11 anos de idade e dos adultos no teste SSW, houve uma diferença entre os resultados dos adultos e das crianças com menos de 11 anos; 6) não houve diferença entre o desempenho dos meninos e das meninas nos grupos testados. Keith, em 1982, relatou que no processamento auditivo, várias habilidades estão envolvidas, podendo ocorrer um impedimento da habilidade de atenção, discriminação, reconhecimento, recordação ou compreensão de informações apresentadas auditivamente, mesmo que a pessoa tenha inteligência e sensitividade auditivas normais. Musiek, Geurkink & Kietel (1982) utilizaram um conjunto de testes especiais, entre eles o SSW, em 22 crianças de oito a 10 anos de idade consideradas como tendo prejuízo do processamento auditivo central e níveis de audição e intelectuais normais. Os autores encontraram 50% de crianças que falharam neste teste. Sendo assim, concluíram que o teste SSW foi um dos mais sensíveis para identificar desordem do processamento auditivo Segundo Fonseca (1984), o processamento auditivo envolve as funções de discriminação, identificação, seqüencialização e memória e é crucial para a leitura oral. O autor relata uma superioridade da orelha direita sobre a esquerda no que diz respeito ao processamento da informação auditiva. O autor reconheceu na criança com dificuldade de memória e seqüencialização auditiva, uma inadequada utilização da linguagem, e subseqüentes problemas de aproveitamento escolar e de integração social. Berrick, Schubow & Schultz, em 1984, aplicaram o teste SSW em 93 crianças sem queixas escolares e 97 crianças com dificuldades de 7.
(28) aprendizagem, com idades variando entre oito e 11 anos. Dividiram cada um dos grupos em quatro sub-grupos de acordo com a idade de oito, nove, 10 e 11 anos. Uma comparação entre o grupo controle e o grupo estudo revelou uma diferença significante nas médias favorecendo o grupo controle para as quatro condições do teste (direita não competitiva - DNC, direita competitiva - DC, esquerda competitiva - EC e esquerda não competitiva - ENC). Outras análises mostraram que as médias das condições DC e EC diferiram significativamente de idade para idade nos dois grupos. Concluíram então, que as crianças de desempenho escolar normal tiveram uma performance significativamente melhor no teste SSW do que o grupo de crianças com dificuldades de aprendizagem. Concluíram também que, para ambos os grupos, o desempenho melhora com a idade. Stubblefield e Young, apud Berrick; Shubow & Schultz (1984), compararam a performance do teste SSW de 20 crianças sem dificuldades de aprendizagem, idades variando de sete a 11 anos de idade, com exemplos iguais de crianças com dificuldades de aprendizagem em sala de aula. Os autores encontraram diferenças significantes entre os dois grupos. De maior interesse, no entanto, é a descoberta de que as crianças do grupo controle tiveram escores melhores do que os padrões estabelecidos por Katz (1985) para performance normal em todas as categorias do teste. Katz, em 1985, realizou um estudo com 287 indivíduos com idade entre cinco e 60 anos, sendo 183 na faixa etária de cinco a 11 anos e 104 na faixa etária de 12 a 59 anos, com o objetivo de aumentar a amostra de indivíduos normais e assim utilizar os limites de normalidade encontrados com maior segurança. A média (M), o desvio padrão (DP) e o limite de normalidade (LN) para os valores do SSW corrigido (SSW-C) na faixa etária de sete a nove anos encontrados neste estudo podem ser observados no quadro abaixo. As médias de erros das condições competitivas encontram-se em destaque. 8.
(29) Idade 7 8 9 10 11 12-59. M 1 1 1 -1 -1 -1. DNC DC D LN M DP LN 5 6 8 7 15 4 5 6 7 13 3 4 4 5 9 4 3 3 5 8 3 2 1 3 4 2 1 1 2 3. ENC EC M DP LN M DP LN 18 11 29 1 5 6 10 8 18 0 4 4 8 8 16 0 3 3 7 7 14 0 3 3 5 6 11 -1 4 3 1 4 5 -1 2 1. Em 1986, Borges realizou a adaptação do teste Staggered Spondaic Word Test (SSW) para o português brasileiro. A autora substituiu as palavras espondaicas da versão original por dissílabos paroxítonos encontrados na língua portuguesa. A versão brasileira foi denominada de Teste Dicótico de Dissílabos Alternados, porém a sigla do teste permaneceu a mesma, sendo esta a denominação mais utilizada em pesquisas científicas. Downs & Roeser (1988) relataram que as habilidades de linguagem são desenvolvidas concomitantemente às habilidades do processamento auditivo. Isso explicaria as dificuldades escolares por alteração do processamento, as quais são evidenciadas por dificuldades de localização sonora e déficit de atenção. As autoras comentaram que a freqüência dessas dificuldades é maior em crianças do gênero masculino. Katz & Wilde (1989) relacionaram as habilidades de percepção auditiva, funções de linguagem e articulação, referindo que os problemas de audição periférica não podem explicar todas as dificuldades auditivas que as crianças apresentam. Os autores citaram algumas dificuldades que ocorrem em conseqüência dos distúrbios da percepção auditiva em crianças: dificuldade na discriminação figura-fundo, atenção auditiva pobre, limitações na memória e evocação, atraso de desenvolvimento de linguagem. receptiva,. habilidade. interativa. pobre,. dificuldade. em. seqüencializar sons, dificuldade com fonemas, problemas com fala de tempo alterado, habilidades visuais, motoras, de equilíbrio, de linguagem e 9.
(30) dificuldade de leitura e soletração. Os autores comentaram, ainda, que os audiologistas têm um papel importante na avaliação e acompanhamento das crianças que apresentam estas limitações. Almeida, Lourenço, Caetano & Duprat (1990) aplicaram a versão em português do teste de logoaudiometria sensibilizada infantil Pediatric Speech Intelligibility Test (teste PSI) em 22 crianças com deficiência no aprendizado e 22 com aproveitamento escolar normal. Os autores verificaram que há uma deficiência funcional de vias auditivas centrais numa grande parcela das crianças com deficiência de aprendizado. Katz, em 1991, comentou que o teste SSW já fora adaptado para outras línguas e dialetos, como Francês, Dinamarquês e Português e para outras línguas mais exóticas (Japonês, Hebreu, Turco, Tamil e Cockney English). Jerger (1992) considerou a área de distúrbios do processamento auditivo central em crianças em idade escolar como uma “terra incógnita muito vasta”. Segundo o autor, existem poucos instrumentos de teste plenamente satisfatórios, existindo portanto pouca justificativa para intervenção efetiva. Katz (1992) referiu que um dos sinais de alteração de decodificação do teste SSW é o número significante de erros na condição direita competitiva (DC). Sugeriu que a diminuição da pontuação de DC poderia estar associada a alterações na área fonêmica da região temporal posterior esquerda, conhecida como área de Wernicke. Essa área também é responsável por funções de recepção da linguagem; tal fato poderia explicar porque indivíduos maus codificadores possuem habilidades de recepção de linguagem pobres. O autor comentou ainda que em vários testes que avaliam o processamento auditivo, as crianças com dificuldades de aprendizagem apresentam resultados abaixo do normal. Observou ainda que esse padrão reflete problemas severos de leitura e soletração. Estudou 10.
(31) 94 crianças com distúrbio de aprendizado, cuja faixa etária variou de seis a 12 anos, e encontrou 99% de crianças com alterações no teste SSW. Para ele, o grande desafio que ainda permanece está relacionado com o que poderia ser feito e o que contribuiria para minimizar as dificuldades de aprendizado escolar nestes indivíduos, como também as dificuldades sociais que eles eventualmente possam ter. Musiek, Baran & Pinheiro (1993), ao referirem sobre a base da desordem do processamento auditivo (DPA) em crianças, comentaram que poderia ser uma desordem neurológica ou uma desorganização morfológica ou um atraso maturacional. Machado, em 1993, realizou um estudo utilizando o teste SSW adaptado ao português por Machado (1988) em dois grupos, um de 40 crianças sem queixas escolares e outro de 41 crianças com queixas escolares, entre cinco e 11 anos de idade. Concluiu que a tarefa auditiva de reconhecer estímulos apresentados na condição competitiva é mais difícil que na condição não competitiva e que o ouvido esquerdo falha mais que o direito na condição competitiva. Além disso, constatou o fator maturação pois observou nas crianças sem queixas que conforme a idade aumentava o número de erros diminuía, o que não foi observado nas crianças com queixas. Não observou diferença de desempenho entre os gêneros masculino e feminino. Considerou, portanto, que o instrumento adaptado ao português permaneceu com as mesmas características preconizadas pelo autor do teste. Cruz (1994) realizou um estudo onde comparou o desempenho das habilidades auditivas e de linguagem em 24 crianças, de oito a 12 anos de idade, com queixa de dificuldade de aprendizagem. Em uma análise geral do desempenho na triagem do processamento auditivo, o autor encontrou 45,83% de respostas corretas e 54,16% de respostas incorretas.. 11.
(32) Ciasca, em 1995, afirmou que as habilidades auditivas vão melhorando conforme a criança vai crescendo e desenvolvendo sua capacidade de aprender por meio da audição, refletindo o processo de maturação neurológica. Comentou, ainda, que o processo de alfabetização exige, entre outras coisas, que se leve em conta o processo da informação auditiva e da integração auditivo-visual, pois quando estão comprometidas podem interferir no aprendizado escolar. Moore, Perazzo & Braun (1995) referiram que o bebê, ao nascer, apresenta um desenvolvimento geralmente de baixo nível sensorial motor, mas a sua sofisticação auditiva contrasta grandemente com o ouvido neonatal pobremente desenvolvido na maioria dos outros mamíferos. Apontaram que as habilidades do recém-nascido implicam em que o sistema auditivo passou por maturação de absoluta sensibilidade, localização de som e padrão de percepção complexo antes do nascimento e que estas habilidades continuam desenvolvendo-se após o nascimento. A Association of Children and Adults With Learning Disabilities (ACALD) apud Azevedo, Pereira, Vilanova & Goulart (1995) definiu a desordem do processamento auditivo como a “inabilidade ou impedimento da habilidade de atender, discriminar, reconhecer ou compreender as informações apresentadas auditivamente mesmo em indivíduos com acuidade auditiva e inteligência normais”. Durante a convenção anual da American Speech And Hearing Association (ASHA) em 1995, foi deliberada a necessidade de estudos envolvendo a investigação e descrição dos mecanismos neuromaturacionais subliminares ao processamento das informações auditivas. A ASHA, em 1996, formou um conselho a fim de definir o distúrbio do processamento auditivo (DPA) e concluiu que a dificuldade em defini-lo é resultado do conhecimento de que ela não é uma entidade de doença única, mas a descrição de déficits funcionais. A deliberação deste grupo 12.
(33) definiu que os processos auditivos centrais são os mecanismos e processos do. sistema. auditivo. responsáveis. pelos. seguintes. fenômenos. comportamentais: localização e lateralização sonora, discriminação auditiva, reconhecimento de padrões auditivos, aspectos temporais da audição, desempenho auditivo na presença de sinais competitivos ou sinais acústicos degradados. Nesta mesma discussão foi definido que um DPA é uma deficiência observada em um ou mais dos comportamentos listados acima. Para algumas pessoas, esse distúrbio provavelmente resulta de uma disfunção dos processos e mecanismos destinados à audição e, para outros, pode ser proveniente de alguma disfunção mais geral, que afeta o desempenho entre as modalidades. Também é possível que essa deficiência reflita disfunções coexistentes de ambos os tipos. Civitella & Costa (1997) comentaram que as crianças encaminhadas para avaliação do processamento auditivo central apresentam, em geral, queixas referentes ao desenvolvimento da linguagem e/ou habilidades escolares, muitas vezes sem um diagnóstico etiológico definido. Pereira & Schochat, em 1997, publicaram um manual de avaliação do processamento auditivo, o qual vem acompanhado de dois Compact Disc (CD) para a aplicação dos testes centrais. Ao analisarem os dados durante a normatização da bateria auditiva central de Willeford (1977), Burleigh, Skinner & Norris (1997), observaram que o sistema nervoso auditivo central (SNAC) amadurece com a idade. Conseqüentemente, utilizar testes apropriados e dados normativos para a idade torna-se de extrema importância para validar os resultados dos testes centrais. Segundo Bellis (1997), qualquer discussão do processamento auditivo central em crianças deve levar em conta os efeitos da maturação sobre a função auditiva. Mudanças morfológicas no cérebro dependentes da idade determinarão em larga escala a habilidade da criança em desempenhar 13.
(34) certas atividades auditivas. Estruturas do SNAC, embora presentes e funcionantes ao nascimento, continuam a formar novas ligações sinápticas e a aumentar a eficiência sináptica até a adolescência e, possivelmente, até o início da idade adulta. A autora ressaltou que, na avaliação do processamento auditivo, quanto mais lingüístico for o estímulo apresentado mais se evidenciam os efeitos da maturação das vias auditivas centrais. Segundo a autora supracitada, os comportamentos auditivos refletem um curso de desenvolvimento que podem ser explicados pela neuromaturação do sistema auditivo. As implicações para os clínicos envolvidos na avaliação das habilidades de processamento auditivo central são óbvias. A avaliação deve ser tomada ciente dos efeitos da maturação sobre os testes e protocolos utilizados, e dados normativos relacionados à idade devem ser obtidos até a idade de 11 a 12 anos, na qual o tempo de desempenho na maioria dos testes centrais terá alcançado valores adultos. A autora reforçou que apenas identificar a presença de uma alteração do processamento auditivo não é suficiente para que as intervenções clínica e educacional ocorram, sendo necessário qualificar essa alteração. Musiek, Gollegly & Baran, apud Bellis (1997), relataram que performance pobre do ouvido esquerdo nas tarefas de sentenças dicóticas, em crianças, podem refletir uma inabilidade do corpo caloso para transferir estímulos complexos do hemisfério direito para o esquerdo. À medida que a criança aumenta em idade a mielinização do corpo caloso é completada, a transferência inter hemisférica é aumentada e os escores do ouvido esquerdo aproximam-se daqueles encontrados em adultos. Pereira (1997) salientou que a série de processos que envolvem, predominantemente, as estruturas do sistema nervoso central (vias auditivas e córtex) leva o nome de processamento auditivo e que um distúrbio da audição no qual há um impedimento da habilidade de analisar e/ou interpretar padrões sonoros é referido como desordem do processamento 14.
(35) auditivo. A autora colocou que, em relação ao teste SSW, a interpretação dos resultados é auxiliada por meio de respostas comportamentais como: a) presença de uma resposta excessivamente rápida, que ocorre quando há problemas de memória; b) presença de uma resposta excessivamente lenta, que ocorre nos indivíduos com decodificação fonêmica lenta. Borges, em 1997, referiu que o teste SSW é um dos testes mais freqüentemente empregados na avaliação auditiva central por apresentar algumas características especiais: não sofre interferência de perdas periféricas, é simples e de fácil aplicação, permite sua utilização em pacientes com idades variadas e patologias diversas, é confiável e válido, é de rápida execução e possui padronização de resultados coerente entre cinco e 70 anos. Katz (1996) apud Borges (1997) apresentou dados normativos quanto à análise do número de erros para a faixa etária de cinco a 60 anos. No quadro abaixo estão descritos os valores médios (M) e de 1 desvio padrão (1 DP) para o número de erros em valores absolutos, nas idades de sete a 12 anos.. Idade. DNC. DC. EC. ENC. TOT. 7M. 1,3. 4,2. 8,8. 1,3. 15,7. 1 DP. 2. 7. 12. 2. 22. 8M. 0,9. 3,0. 4,5. 1,1. 9,5. 1 DP. 2. 5. 7. 3. 16. 9M. 0,6. 1,9. 3,6. 0,4. 6,1. 1 DP. 2. 4. 6. 1. 10. 10 M. 0,4. 1,9. 3,0. 0,5. 6,2. 1 DP. 1. 3. 5. 1. 10. 11 M. 0,2. 1. 2,5. 0,5. 5,9. 1 DP. 1. 2. 4. 1. 9. 0,2. 0,5. 1,1. 0,1. 2,0. 1. 2. 4. 0. 4. 12-59M 1 DP. 15.
(36) Chermak & Musiek (1997) referiram que o impacto da desordem do processamento auditivo (DPA) no real processamento da palavra falada varia de ouvinte para ouvinte e de situação para situação. Segundo os autores, o diagnóstico precoce da DPA em crianças pode diminuir as implicações na vida acadêmica e social do indivíduo. Ortiz (1998) citou que é muito comum encontrar na prática clínica a correlação entre distúrbio articulatório, distúrbio de leitura e escrita, consciência fonológica alterada, disfluência e disfonia com alteração do processamento auditivo. Cacace & Mcfarland (1998) comentaram que muitas investigações têm questionado a validade do diagnóstico da função auditiva central em crianças com problemas de leitura, linguagem e atenção. Os testes de processamento auditivo são influenciados pela percepção, memória, motivação, atenção, habilidades lingüísticas e tarefas motoras. Os autores apontaram a necessidade de diferenciação entre déficit perceptual auditivo e déficit não-perceptual. Os autores sugeriram ainda que déficits auditivoperceptuais que possam existir na infância provavelmente não persistem na idade adulta. Concluíram que as desordens do processamento auditivo deveriam ser definidas por outros critérios do que somente pela performance em testes auditivos centrais. Para eles, avaliar habilidades de processamento auditivo em modalidades sensoriais múltiplas é uma maneira de auxiliar a clarear muitas questões não respondidas. Câmara, em 1998, avaliou 95 crianças com idades entre nove e 10 anos que cursavam a 3ª e 4ª séries do Ensino Fundamental. As crianças foram divididas em dois grupos segundo a presença ou não de evidências de problemas escolares e/ou alteração das habilidades auditivas, sendo 47 pertencentes ao grupo estudo e 48 ao grupo controle. A autora concluiu que:. 16.
(37) 1) o desempenho dos grupos com evidência de problemas escolares e/ou alterações das habilidades auditivas foi pior do que o desempenho dos grupos sem evidência destas alterações. A autora encontrou 81% de crianças com alterações no teste SSW no grupo com evidência, 2) o desempenho dos grupos de crianças sem evidência de problemas escolares e ou alteração das habilidades auditivas melhoraram conforme a faixa etária aumentou. Os seguintes valores absolutos médios de erros foram encontrados: DNC 9 anos 1,29 10 anos 1,00. DC 3,17 3,00. EC 3,87 2,58. ENC 0,50 0,12. Tot.E. 8,87 7. 3) o desempenho dos grupos de crianças com evidência de problemas escolares e/ou alteração das habilidades auditivas foi semelhante para a faixa etária de nove e 10 anos. Os seguintes valores absolutos médios de erros foram encontrados: DNC 9 anos 3,37 10 anos 3,00. DC 8,92 7,17. EC 8,83 9,96. ENC 2,37 2,30. Tot.E. 23,50 22,56. Assim, a autora supracitada considerou que o teste SSW foi eficaz em identificar comprometimentos funcionais da audição em crianças com evidência de problemas escolares e/ou alteração das habilidades auditivas. As medidas de metabolismo cerebral, atividade eletrofisiológica e estudos estruturais indicam que o desenvolvimento do sistema nervoso auditivo central (SNAC) é longo e variável. Essas medidas, associadas à observação dos comportamentos da criança frente a diferentes estímulos, podem auxiliar na compreensão dos mecanismos neuromaturacionais pelos quais a criança passa durante o seu desenvolvimento (Albert, Diamond, Fitch, Nenlle, Ropp & Tallal, 1999). 17.
(38) Katz & Wilde (1999) referiram que processamento auditivo é aquilo que se faz com o que se ouve, ou seja, é a construção que se faz à cerca do sinal auditivo para tornar a informação funcionalmente útil. Relataram também que o processamento auditivo tem sido associado com distúrbio de aprendizagem, especialmente aos problemas de leitura e que as dificuldades com fonemas, as limitações na compreensão da leitura e os comprometimentos de ortografia e de habilidades com língua estrangeira estão associados às desordens do processamento auditivo. Pereira & Cavadas (1999) abordaram dois aspectos que podem estar envolvidos nos distúrbios da audição. O primeiro é um impedimento da capacidade de detectar a energia sonora, ou seja, uma perda auditiva. O segundo é a desordem do processamento auditivo que se refere a um distúrbio da audição no qual ocorre um impedimento da capacidade de analisar e/ou interpretar padrões sonoros e que tem como prováveis causas as alterações neurológicas ou alterações sensoriais auditivas (as perdas auditivas. neurossensoriais. ou. condutivas,. mesmo. as. transitórias,. decorrentes de episódio de otite média na infância). Musiek & Lamb (1999) comentaram que a ênfase atual na avaliação auditiva central, em crianças com distúrbio de aprendizagem, surgiu da necessidade de identificar prejuízos auditivos sutis que poderiam estar interferindo no trabalho acadêmico e nas habilidades sociais e/ou de comunicação. Os autores referiram que há evidências sugerindo, pelo menos, três tipos de distúrbios em geral: neurológico, maturacional e do desenvolvimento. Relataram ainda que, apesar de alguns resultados dos testes parecerem expressivos, freqüentemente há uma grande variabilidade entre os testes e os indivíduos, o que torna sua interpretação mais difícil em crianças com distúrbio de aprendizagem. Grande parte desta variabilidade pode estar relacionada à natureza dos testes, bem como aos problemas auditivos que afetam a criança. Os autores adicionaram ainda os fatores 18.
(39) psicológicos, educacionais, lingüísticos, sociais e maturacionais, que podem estar relacionados à validade dos testes centrais em criança com distúrbio de aprendizagem. O autor supracitado refere ainda que a avaliação do sistema nervoso auditivo central é um progresso relativamente recente e devido a isso a anatomia e fisiologia do SNAC não são completamente compreendidas, nem suas várias diferentes funções foram definidas adequadamente. Ribas-Guimarães (2000) realizou um estudo com 26 crianças portadoras de distúrbio de aprendizagem na faixa etária de 8 a 12 anos. Todas as crianças apresentavam limiares auditivos dentro da normalidade. As crianças foram submetidas a anamnese específica e à avaliação central da audição (triagem, Pediatric Speech Intelligibility (PSI), fala com ruído branco, Competing Environmental Sounds (CES) e escuta dicótica de dígitos). Também foram analisados os relatórios psicopedagógicos das crianças. A autora observou que 100% da amostra apresentou alteração da percepção auditiva e verificou que crianças com queixas de problema de memorização e queixa de atraso de linguagem apresentaram os piores resultados. Ressaltou, no seu estudo, a visível relação entre o processamento das habilidades auditivas e a aprendizagem. Sanches & Alvarez (2000) avaliaram o processamento auditivo em sete escolares diagnosticados como portadores de transtorno de aprendizagem. A amostra constou de três crianças do gênero feminino e quatro do gênero masculino, com idades entre nove anos e cinco meses a 12 anos e 10 meses. Todas as crianças foram submetidas à avaliação audiológica básica; tarefa de localização de fonte sonora; Fala no Ruído (FR); Fala Filtrada (FF); Fusão Binaural (FB); Pitch Pattern Sequence (PPS) e Dicótico de Dissílabos Alternados (SSW). Dos sete pacientes avaliados, seis (85,7%) apresentaram resultados abaixo dos padrões de normalidade para a faixa etária no teste SSW e cinco crianças (71,4%) 19.
(40) apresentaram diferença significativa (>10%) entre as duas orelhas na condição de competição no teste SSW. Para as autoras, tais resultados representam um déficit que, aparentemente, estaria subjacente ao transtorno de aprendizagem padrão. Felippe (2000) analisou comparativamente os resultados da avaliação simplificada do processamento auditivo (ASPA) e o desempenho em tarefas de leitura-escrita em alunos de 5ª a 8ª séries do Ensino Fundamental, cuja faixa etária variou entre 12 e 14 anos. Encontrou associação estatisticamente significante entre alterações na ASPA e escores baixos em tarefas de leitura-escrita. De acordo com Alvarez, Balen, Misorelli & Sanchez (2000), os distúrbios do processamento auditivo podem refletir uma perda ou um atraso de função e resultam de disfunções dos processos dedicados à audição.. As. disfunções. centrais. podem. ocorrer. por. disfunção. neuromorfológica, atraso de maturação do sistema nervoso auditivo central e distúrbios, doenças ou lesões neurológicas e otológicas. Jacob, Alvarenga & Zeigelboin (2000), referiram que a habilidade para se comunicar, além de ter uma importância vital, está relacionada à capacidade de trabalho e equilíbrio do homem. A compreensão da fala é essencial para uma comunicação normal e é dependente das habilidades auditivas. Tazinazzio, Colon, Burguetti, Rodrigues, Zancheta, Carvalho & Rodrigues (2000), correlacionando os resultados da avaliação simplificada do processamento auditivo com os do teste de desempenho escolar em 66 alunos de 3ª série do Ensino Fundamental, encontraram alteração estatisticamente significativa entre a prova de leitura do teste de desempenho escolar e o desempenho no teste de processamento auditivo. Os autores sugeriram uma relação entre o processo de leitura e as habilidades auditivas. 20.
(41) Moore & Guan (2001), estudaram a maturação da citoarquitetura e dos axônios no córtex auditivo humano através de técnicas histológicas e imuno-histoquímicas e concluíram que só por volta dos 11 ou 12 anos de idade a densidade total dos axônios é equivalente àquela vista em indivíduos adultos novos. Esse tempo prolongado de maturação axonal tem implicações na emergência da função cortical auditiva. Musiek & Baran (2001) relataram que, recentemente, inúmeras pesquisas têm sido feitas com o objetivo de comparar o desempenho de crianças com distúrbios de linguagem ou de aprendizagem com o de crianças com desenvolvimento normal. Segundo os autores, o objetivo da avaliação auditiva central na criança com distúrbio de aprendizagem é identificar fraquezas no sistema (isto é, demonstrando déficits de idade/desempenho) que poderiam contribuir para o problema da criança. Farias (2002), comparou os valores da latência do teste P300 em crianças de oito a 13 anos, divididas em 43 crianças com histórico de repetência escolar e 60 crianças sem esse histórico. Concluiu que o grupo de crianças sem repetência escolar apresentou valor significativamente menor na latência do P300 comparando-se ao grupo de crianças com repetência escolar. Costamilan (2001) aplicou testes de processamento auditivo, inclusive o SSW, em 42 crianças de sete a nove anos de idade divididas em dois grupos distintos: grupo A (sem queixas de dificuldades de aprendizagem) e grupo B (com queixas de dificuldades de aprendizagem). O grupo A foi composto por 27 crianças e o grupo B por 15 crianças. Os resultados encontrados sugerem que o processamento da informação auditiva de crianças com queixa de dificuldades de aprendizagem é inferior ao de crianças sem as mesmas queixas. Gonçales (2002) reforçou que o sistema auditivo periférico está totalmente formado na 20ª semana de gestação, porém a porção central do 21.
(42) sistema não tem seu desenvolvimento completo no mesmo período. A divisão celular do sistema auditivo completa-se entre a 16ª e 20ª semana após a concepção, contudo o desenvolvimento de novas e mais eficientes conexões sinápticas continuam até a idade adulta. Gonçales, Souza & Souza (2002) aplicaram uma bateria de testes de processamento auditivo em 30 crianças com idades que variaram de cinco a 16 anos, com suspeita de alterações nas habilidades auditivas. A partir dos resultados verificaram que os testes dicóticos foram os que apresentaram maior número de alterações, especialmente o teste dicótico de dígitos (65% de respostas incorretas) e o SSW (82% de respostas incorretas) e inferiram que, por estes apresentarem um alto grau de envolvimento lingüístico, são mais sensíveis para identificar alterações do que os outros testes. Kushnerenko (2003) referiu que o sistema auditivo humano começa funcionar antes dos seis meses de gestação, quando os mecanismos auditivos estão prontos para responder aos sons. Por volta de 30 semanas de idade gestacional a orelha média, cóclea, nervo auditivo e vias auditivas corticais estão bastante maduras para funcionar, no entanto, a especialização de processos auditivos ocorre após o nascimento através da maturação do córtex cerebral. As principais mudanças ocorrem principalmente no primeiro ano de vida e a maioria delas é realizada no final do segundo ano, entretanto, sabe-se que as mudanças de organização do cérebro continuam até a adolescência. Machado (2003) ressaltou a contribuição significativa do teste SSW, pois ele pode indicar o nível de maturidade das vias auditivas, demonstrando inclusive se o processo de maturação está ocorrendo através de avaliações periódicas no acompanhamento longitudinal da criança. A autora afirmou que a maturidade da função auditiva central tem a ver com o desenvolvimento das funções mentais da criança, pois aquelas que encontram dificuldades em aprender mostram nos resultados indícios de 22.
(43) imaturidade do sistema nervoso auditivo central ou desvios em um ou mais aspectos das habilidades perceptivas. Costa (2003) aplicou a triagem do processamento auditivo e o teste SSW am 15 crianças, cuja faixa etária situou-se entre nove e 12 anos de idade, estudantes de 2ª e 3ª séries do Ensino Fundamental As crianças foram divididas em dois grupos, sendo sete com leitura normal e oito com baixa compreensão leitora. A autora confirmou a correlação entre processamento auditivo e compreensão leitora, pois todos os sujeitos com problemas de compreensão tiveram desempenho inferior no teste SSW para o processamento auditivo. Damasceno & Russo (2004) aplicaram a triagem do processamento auditivo e o teste SSW em 14 crianças de sete a nove anos, sendo que oito delas tinham dificuldades de aprendizagem de leitura e escrita e estavam em terapia fonoaudiológica ou psicopedagógica. Os resultados mostraram que 87,5% das crianças com dificuldades de aprendizagem apresentaram alterações nos testes de processamento auditivo e, das crianças sem dificuldades de aprendizagem, apenas 16,00% apresentaram algum tipo de alteração. O estudo demonstrou que existe uma relação entre a função auditiva e as dificuldades na aprendizagem. Frota (2004) realizou um estudo onde aplicou uma bateria de testes de linguagem e de processamento auditivo (PA) em 30 crianças com distúrbios específicos de leitura e escrita comparando-as com outras 30 crianças sem o distúrbio. A autora encontrou desempenhos diferentes e estatisticamente significantes entre as crianças com e sem transtornos específicos de leitura e escrita em alguns testes de PA. Concluiu que as inabilidades auditivas se associam a transtornos específicos da leitura e da escrita.. 23.
(44) MATERIAL E METODOLOGIA. Serão apresentados, neste capítulo, a descrição dos grupos de indivíduos avaliados neste estudo, os critérios utilizados para seleção, os procedimentos realizados, os recursos materiais e o método estatístico empregado para análise dos dados. A referente pesquisa foi desenvolvida com a colaboração efetiva da direção, professores e alunos da Escola Estadual de 1º Grau Edson Figueiredo na cidade de Santa Maria – RS. e as avaliações necessárias foram realizadas no Ambulatório de Otologia do Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM). Realizou-se um estudo longitudinal do processamento auditivo, num intervalo de tempo de dois anos, em um grupo de crianças com e sem queixas de dificuldades de aprendizagem, utilizando o teste SSW adaptado para a língua portuguesa. Como se trata de um estudo longitudinal, esta pesquisa foi realizada em duas etapas de avaliação. Descrição da primeira etapa (primeira avaliação): Após autorização da direção da escola, selecionou-se as crianças que fariam parte deste estudo. Através dos professores foi enviado aos pais ou responsáveis dos alunos um convite para participar da pesquisa, onde todos os alunos de 2ª e 3ª séries do Ensino Fundamental foram convidados. Dos 196 alunos convidados apenas 60 tiveram a autorização dos responsáveis para fazerem parte da pesquisa. Os pais ou responsáveis que concordaram em participar do estudo assinaram um termo de consentimento livre e esclarecido (Resolução do Ministério da Saúde, Nº 199/96), explicando o objetivo do trabalho e solicitando autorização por escrito para que as crianças participassem da pesquisa (ANEXO A). 24.
(45) Foram considerados como critérios de inclusão no estudo os seguintes ítens: . Não apresentar nenhum comprometimento de orelha externa e/ou média.. . Limiares de audibilidade de até 20 dB NA (Padrão ANSI – 69).. . Timpanometria Tipo A (Jerger, 1970).. . Ter nível cognitivo suficiente para compreender as instruções do teste.. . Não apresentar comprometimento neurológico e/ou emocional aparentes.. Das 60 crianças inicialmente selecionadas, 18 tiveram que ser excluídas da pesquisa por não preencherem alguns dos requisitos necessários. Assim, o grupo estudado ficou constituído por 42 crianças, sendo 18 do gênero masculino e 24 do gênero feminino, com idades variando entre sete e 10 anos. As 42 crianças participantes da pesquisa foram submetidas à anamnese, exame otorrinolaringológico, avaliação audiológica básica e avaliação do processamento auditivo. Além dessas avaliações realizou-se uma entrevista com os professores dessas crianças a fim de obter informações sobre o desempenho escolar das mesmas. As avaliações foram realizadas no período de março a junho de 2001. Na anamnese, realizada com os pais ou responsáveis, pesquisou-se questões sobre o comportamento auditivo da criança, o desempenho escolar, a história de otite média e antecedentes familiares de dificuldades de aprendizagem (ANEXO B).. 25.
(46) O exame otorrinolaringológico foi realizado por um médico otorrinolaringologista com o objetivo de excluir qualquer afecção de orelhas, nariz e/ou garganta. A avaliação audiológica básica foi precedida por inspeção visual do meato acústico externo e constou dos seguintes testes: audiometria tonal liminar por via aérea nas freqüências de 250 a 8000 Hz e por via óssea nas freqüências 5000 a 4000 Hz; limiar de reconhecimento de fala (LRF) com palavras trissilábicas; índice percentual de reconhecimento de fala (IPRF) com palavras monossilábicas; medidas de imitância acústica denominadas compliância, timpanometria e pesquisa do reflexo acústico nos modos contra-lateral e ipsilateral, conforme Mangabeira-Albernaz, 1981. Os resultados obtidos. nos procedimentos audiológico adotados, foram. registrados em protocolo previamente elaborado (ANEXO C). O próximo passo foi a realização da avaliação do processamento auditivo. Para este fim, utilizou-se o teste SSW em português. Na sua versão original, proposta por Katz (1962), o teste SSW utilizava como estímulos palavras espondaicas, comuns no seu país de origem. Borges, em 1986, fez uma adaptação do teste para que ele pudesse ser utilizado na língua portuguesa com palavras do nosso cotidiano. Para realização deste teste utilizou-se o CD -Volume 02 - Faixa 06 de Pereira & Schochat (1997). O teste SSW em português utiliza, como estímulos sonoros, palavras dissilábicas paroxítonas compostas do português brasileiro, apresentadas ao paciente a 50 dB NS, isto é, 50 dB NA acima da média aritmética dos limiares médios de audibilidade das freqüências de 500, 1000 e 2000 Hz da orelha direita e da orelha esquerda. São quarenta itens formados por quatro palavras, cada um, totalizando 160 estímulos. A lista pode ser vista no ANEXO D. Cada uma das duas orelhas é estimulada por duas palavras. O estímulo é iniciado ora pela orelha direita e ora pela orelha esquerda, 26.
(47) ocorrendo, portanto uma alternância entre cada orelha. A primeira e a quarta palavra são apresentadas isolada e separadamente a cada uma das orelhas do indivíduo, isto é, sem competição, e a segunda e a terceira palavra. são. apresentadas. dicóticamente,. uma. em. cada. orelha. simultaneamente. Dessa forma, tem-se que: DNC - orelha direita não-competitiva (A e H): a palavra é apresentada na orelha direita sem mensagem competitiva. DC - orelha direita competitiva (B e G): a palavra é apresentada na orelha direita com competição simultânea na orelha esquerda. EC - orelha esquerda competitiva (C e F): a palavra é apresentada na orelha esquerda com competição simultânea na orelha direita. ENC - orelha esquerda não competitiva (D e E): a palavra é apresentada na orelha esquerda sem mensagem competitiva. Os itens de números ímpares iniciam-se pela orelha direita e os pares pela orelha esquerda. Há uma demonstração de alguns itens para que o paciente compreenda a tarefa prevista no teste e, antes da apresentação de cada item, é dada a ordem de alerta: "Preste atenção!", cujo objetivo é fornecer a pista de qual orelha se iniciará o teste.. A seguir, apresenta-se um exemplo da aplicação dos dois primeiros itens do teste.. 1. 2. DNC (A). BOTA. 3. 1. 2. DC (B). ENC (E). EC (F). FORA. NOITE NEGRA. 3. EC (C). ENC (D). DC (G). DNC (H). PEGA. FOGO. SALA. CLARA. 27.
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