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PROFESSOR REFLEXIVO NA EDUCAÇÃO BÁSICA E PÚBLICA NO ESTADO DE SÃO PAULO, É POSSÍVEL?

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PROFESSOR REFLEXIVO NA EDUCAÇÃO BÁSICA E PÚBLICA NO ESTADO DE SÃO PAULO, É POSSÍVEL?

ELIANA ALVES ARXER - Instituição: PPGPE- UFSCar - e-mail: [email protected] ZANON, DULCIMEIRE AP. VOLANTE: PPGPE- UFSCar - e-mail:[email protected]

Eixo 02: Projetos e programas de formação continuada na educação básica

RESUMO

Há muito, buscam-se novas práticas que possam aprimorar a espistemologia profissional docente. A formação profissional de um professor reflexivo é uma nova tendência a ser buscada por profissionais que desejam refletir e inovar a sua prática. Mas para que seja eficiente, este tipo de formação deve ser compreendido e sistematizado através de metodologias e questionamentos reflexivos que se articulam com o perfil e identidade do professor. Principalmente se o professor atua na educação básica, pois são reconhecidas as dificuldades inerentes a esta prática profissional, a desmotivação, a desvalorização profissional a burocratização escolar entre outros fatores que influenciam diretamente as bases de um professor reflexivo. Este trabalho visa apontar algumas estratégias, e questionamentos reflexivos que possam auxiliar este tipo de formação, através de análise de artigos.

Palavras-Chave: professor reflexivo, prática docente, ensino básico.

1- INTRODUÇÃO

A formação inicial e continuada de um professor reflexivo no Brasil, ainda é considerado difícil perante a realidade educacional brasileira. São inúmeros os fatores que corroboram com esta afirmação, sendo os principais relacionados com a prática cotidiana, os desafios de um paradigma dominante na escola tradicional, a burocratização escolar, a falta de planejamento, a falta de tempo de preparação para os professores, excesso de trabalho e aulas em muitas jornadas de trabalho, a responsabilidade parcial das universidades no processo, e tantos outros fatores que implicam a não formação de um professor reflexivo.

Mas diante das intempestividades da situação relacionada aos professores na educação atual, é possível ser um professor reflexivo? Seria possível uma escola reflexiva?

Segundo alguns autores, como SCHON, ALARCAO, ZEICHNER e PIMENTA e GHEDIN, a formação reflexiva é possível. Através de estratégias, metodologias e aplicação de práticas ao cotidiano, pode-se propiciar fatores que auxiliem o professor a refletir a própria prática.

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Como estratégias, pode-se enlencar algumas que são bases para o trabalho reflexivo de um professor. Como as que seguem abaixo adaptado de Alarcão (2005, p. 51): A análise de casos; As narrativas; A elaboração de portfólios reveladores do processo de desenvolvimento seguido; O questionamento dos outros atores educativos envolvidos; O confronto de opiniões e abordagens; Os grupos de discussão ou círculos de estudo; A auto observação; A supervisão colaborativa; As perguntas pedagógicas reflexivas.

Além destas estratégias, somam-se o diário de bordo, a autobiografia, portfólio e a gravação áudio-vídeo de aulas (limitando-se a prática do professor), etc. Todos estes instrumentos são passíveis a prática de um profissional reflexivo, que avalia a própria prática. E a partir desta avaliação, reflete e toma decisões perante a sua atuação profissional.

Para Donald Schon (1992), existem quatro momentos relacionados com a prática reflexiva: A reflexão antes da ação; A reflexão na ação; A reflexão após a ação; A reflexão sobre a reflexão na ação.

A reflexão antes da ação: compreende o planejamento, a observação, expectativa e passos que norteiam a prática da ação. A reflexão antes da ação, é de grande relevância, pois a ação será consequência de um bom planejamento, sob olhar da experiência e vivências que constituem o profissional docente.

A reflexão na ação: é o momento em que o professor reflete e se orienta para a tomada de decisões. Neste momento o professor examina sua prática enquanto atua, permite-se surpreender pelas observações explicitadas dos alunos, e aprende juntamente com o aluno a reconstruir e (re)significar conhecimentos. É a arte de aprender o que/como ensina e ensinar o que/como aprende. E esta reflexão sobre a ação pressupõe um distanciamento da ação, reconstruímos mentalmente a ação para tentar analisa-la retrospectivamente.

A reflexão após a ação: Neste momento, o professor reflete sobre tudo o que ocorreu, faz anotações sobre o que e como a ação ou o ato de ensinar ocorreu, com questões reflexivas como: “Como o aluno me viu?”, “como eu me vi?”, “como foi minha aula hoje?”, “como estava minha sala hoje?”, “Como abordei o conteúdo planejado?”, “oportunizei espaço para que os alunos participassem?”, “Como me senti hoje?”, “sobrecarreguei com conceitos e conteúdos?”, “Valorizei as participações dos alunos?”... Enfim, inúmeras perguntas que podem auxiliar no processo de reflexão.

A reflexão sobre a reflexão na ação, ou também chamada de meta-reflexão: Neste momento o professor, analisa a totalidade do processo reflexivo, observando de forma principal a reflexão do conjunto. Para isto, o professor se distancia de si mesmo, com um olhar observador analisa criticamente as decisões tomadas do planejamento a

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reflexão pós-ação. Esta reflexão situa o contexto, as limitações, os avanços e retrocessos em busca de uma prática mais consciente mediante as necessidades dos alunos.

Cada momento reflexivo é importante para a constituição do profissional que reflete a própria prática, e a partir dos elementos e instrumentos utilizados para a realização da prática, são importantes para a auto avaliação e mudança na postura a ser adotada pelo professor.

Para que a dimensão formadora atinja um alto grau formativo e um valor epistêmico, resultando em aquisição de conhecimentos a disponibilizar em situações futuras, importa que esse processo seja

acompanhado por uma meta-reflexão sistematizadora das

aprendizagens ocorridas.

Cabe observar que o professor atuante na educação básica, principalmente no setor público, nem sempre consegue conciliar tempo para a realização da auto-reflexão, e, além disso, a intenção emancipadora de um professor reflexivo é mascarada se analisada na ótica de uma obediência passiva, na execução de um treinamento “condicionante”, pois no processo educacional público brasileiro:

...estamos a repetir um modelo já conhecido de política de reforma, ou seja, uma regulação do centro para a periferia em que uma orientação política emanada de um governo central para uma periferia de instituições locais é reforçada através de um sistema de prêmios e de punições.” (SCHON, 1992, p.79).

Assim, forma-se um processo cíclico de reforma educativa, onde o professor não tem liberdade de ação. Apenas responde a hierarquia escolar, de forma passiva as ordens expressas de um governo central, que impõe “o que é para ser ensinado” e “como deve ser ensinado”, através de apostilas impostas às escolas no estado de São Paulo que não potencializam a prática reflexiva, mas que correspondem a uma propaganda política de um governo central, que não estabelece adequações ao contexto escolar, com o conteúdo e metodologia da realidade educacional.

Outra observação importante, realizada por Zeichner (2008, p.541) é que muitas vezes a intencionalidade da prática reflexiva é confundida, como no caso da educação pública, o slogan “reflexão”, pode ser entendido de forma errônea, ou intencional de acordo com a perspectiva, de que o professor pode ser um prático reflexivo tendo como principal objetivo a reprodução do currículo imposto, o autor questiona sobre o entendimento de reflexão no sentido de: “Em que medida a minha prática está de acordo com aquilo que alguém deseja que eu faça?”.

“O movimento da prática reflexiva envolve, à primeira vista, o reconhecimento de que os professores devem exercer, juntamente com outras pessoas, um papel ativo na formulação dos propósitos e finalidades de seu trabalho e de que devem assumir funções de liderança nas reformas escolares. A “reflexão” também significa que a produção de conhecimentos novos sobre ensino não é papel

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exclusivo das universidades e o reconhecimento de que os professores também têm teorias que podem contribuir para o desenvolvimento para um conhecimento de base comum sobre boas práticas de ensino.” (COCHRAN-SMITH & LYTLE, 1993 apud ZEICHNER, 2008, p. 539).

São qualidades de um prático reflexivo: refletir sobre a própria prática, o que requer pensar no que se faz, comprometer-se com a profissão, ser autônomo, atender e interpretar o contexto de trabalho; adaptar-se as condições necessárias para a prática reflexiva. Questionar a escola, questionar o currículo, o trabalho, o planejamento. Entender as dificuldades do aluno em aprender, e se posicionar de forma a querer ajuda-lo. É querer continuar a própria formação, em busca de realização pessoal e profissional. De acordo com Zeichner (2008, p. 540), existem diferenças entre as expectativas e perspectivas relacionadas ao slogan com temática de reflexão:

“É importante enfatizar que, apesar da aparente semelhança entre aqueles que abraçaram o slogan da “reflexão”, existem diferenças enormes em relação às suas perspectivas sobre ensino, aprendizagem, educação escolar e o que significa uma boa sociedade. Isso chegou a tal ponto, no mínimo, há uma década atrás, em que todo um rol de crenças sobre esses aspectos incorporou-se no discurso sobre o ensino reflexivo. (ZEICHNER, 2008, p. 540)

Neste sentido, deve-se ter cautela ao se generalizar o sentido estrito na prática reflexiva, ou a reflexão. Nem tudo é reflexivo, nem tudo é reflexão. A intencionalidade da reflexão e os objetivos da avaliação sobre a própria prática necessitam ser evidenciados ao próprio docente que deseja ser um profissional reflexivo.

É necessário que o professor tenha domínio de suas capacidades para mobilizar meios para enfrentar as dificuldades do cotidiano e transpor didaticamente sua reflexão para sua prática educacional. Observando-se como um sujeito ativo no processo, ao mesmo tempo, que objeto de observação. Para isso é necessário um distanciamento de sua própria prática, para a observação exterior.

De forma geral, o processo reflexivo leva educador e educando a mobilizarem seus recursos, conhecimentos e valores de modo a desenvolver as capacidades e habilidades cognitivas, afetivas e emocionais. Considerando que o professor reflexivo traz para sua prática profissional tudo o que vivenciou até o momento da docência, as experiências vividas no processo de escolarização enquanto professor influencia a identidade e o perfil profissional, possuindo desta forma, juízos de valor e controle de emoções para a tomada de decisões. Este profissional tende a valorizar a participação do aluno “lapidando” os conceitos errôneos, auxiliando de forma a reconstruir e (re)significar conhecimentos.

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1. METODOLOGIA

Esta pesquisa foi realizada de forma que a articulação entre artigos de abordagem reflexiva fossem o embasamento para conciliar a prática profissional docente na educação básica pública estadual, com a prática reflexiva de um docente na atuação deste tipo de educação.

A capacidade de reflexão é inata, mas nem todos a exercitam como uma prática auto avaliativa, capaz de alterar seus hábitos em busca de avanços no sentido positivista pragmático e epistêmico. Cabe a cada docente exercer a reflexão de sua prática profissional, com a intencionalidade de ser um prático reflexivo, e corresponder às expectativas geradas pelo próprio profissional quanto sua participação ativa no processo ensino-aprendizagem.

2. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Tendo em vista os trabalhos de alguns autores de referência, como Schon, Alarcão, Zeichner e Pimenta e Ghedin, e de acordo com a visão da autora deste trabalho é possível haver formação de professores reflexivos na educação básica pública estadual, embora no atual panorama da educação estadual, constatam-se algumas dificuldades que precisam ser superadas para que ocorra esta possibilidade depende da autonomia e de cada profissional permitir sua auto avaliação e implicações em sua prática para que esta se torne uma prática reflexiva. Mas com a cautela para que esta não seja meramente instrumento para se avaliar a execução de um currículo, onde o professor possui atuação passiva em um paradigma de abordagem tradicional dominante.

REFERÊNCIAS

ALARCÃO, I. A. formação do professor reflexivo. IN: Professores reflexivos em uma escola

reflexiva. São Paulo: Cortez, 2005, p. 40-59.

COCHRAN-SMITH & LYTLE, Inside/Outside: Teacher research and knowledge. New York: Teachers College Press 1993 In: ZEICHNER, K. M. Uma análise crítica sobre a “reflexão” como conceito estruturante na formação docente. Educação e Sociedade, v. 29, n.103. maio/ agosto 2008.

GHEDIN, E. Professor reflexivo: da alienação da técnica à autonomia da crítica. In: PIMENTA, S; G. e GHEDIN, E-. Professor reflexivo no Brasil: gênese e crítica de um conceito. São Paulo: Cortez, p.148-173, 2012.

SCHON, D. A. Formar professores como profissionais reflexivos. IN: NÓVOA, A. (coord.). Os

professores e a sua formação. Lisboa: Instituto de Inovação Educacional, p. 77- 91, 1992.

ZEICHNER, K. M. Uma análise crítica sobre a “reflexão” como conceito estruturante na formação docente. Educação e Sociedade, v. 29, n.103, p.535-554, maio/agosto, 2008.

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