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Rosangela Alves de Mendonça

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UNIVERSIDADE VEIGA DE ALMEIDA

Rosangela Alves de Mendonça

AVALIAÇÃO DO PROGRAMA DE EXERCÍCIOS

FUNCIONAIS VOCAIS DE STEMPLE E GERDEMAN (1993)

EM PROFESSORES

RIO DE JANEIRO 2007

(2)

Livros Grátis

http://www.livrosgratis.com.br

(3)

Rosangela Alves de Mendonça

AVALIAÇÃO DO PROGRAMA DE EXERCÍCIOS

FUNCIONAIS VOCAIS DE STEMPLE E GERDEMAN (1993)

EM PROFESSORES

Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Fonoaudiologia da Universidade Veiga de Almeida, como requisito parcial para obtenção do Grau de Mestre. Área de concentração: Voz.

Orientadora: Profa. Dra. Tania Maria Marinho Sampaio

Co

Orientador: Prof. Dr. Domingos S

ávio Ferreira de Oliveira

Rio de Janeiro 2007

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ROSANGELA ALVES DE MENDONÇA

AVALIAÇÃO DO PROGRAMA DE EXERCÍCIOS

FUNCIONAIS VOCAIS DE STEMPLE E GERDEMAN (1993)

EM PROFESSORES

Dissertação apresentada à

Universidade Veiga de Almeida, Rio de Janeiro, como parte dos requisitos para obtenção do título de

Mestre em Fonoaudiologia. Área de

concentração: Voz.

Aprovada em 30 de novembro de 2007 BANCA EXAMINADORA

Professora Tania Maria Marinho Sampaio – Doutora em Filosofia

Universidade Veiga de Almeida - UVA

Professor Domingos Sávio Ferreira de Oliveira– Doutor em Letras

Universidade Veiga de Almeida – UVA

Professora Mônica de Medeiros Britto Pereira – Doutora em Lingüística

Universidade Veiga de Almeida – UVA

Professor Sylvio Brock – Doutor em Ciências dos Polímeros

(5)

UNIVERSIDADE VEIGA DE ALMEIDA SISTEMA DE BIBLIOTECAS

Rua Ibituruna, 108 – Maracanã

20271-020 – Rio de Janeiro – RJ

Tel.: (21) 2574-8845 Fax.: (21) 2574-8891

FICHA CATALOGRÁFICA

FICHA CATALOGRÁFICA

Ficha Catalográfica elaborada pela Biblioteca Setorial Tijucal/UVA

M539a Mendonça, Rosangela Alves de

Avaliação do programa de exercícios funcionais

vocais de Stemple e Gerdeman em professores / Rosangela Alves de Mendonça, 2008.

131p. ; 30 cm.

Dissertação (Mestrado) – Universidade Veiga de

Almeida, Mestrado em Fonoaudiologia, Rio de Janeiro, 2008.

Orientação: Tania Maria Marinho Sampaio

Co-orientação: Domingos Sávio de Oliveira

1. Voz – Educação - Exercícios.

2. Stemple, Joseph C.

3.Gerdemarn, B. K. I. Sampaio,

I.Tânia Maria Marinho Sampaio (orientador)

II. Oliveira, Domingos Sávio de

III. Universidade Veiga de Almeida, Mestrado em

Fonoaudiologia. IV. Título.

(6)

A minha filha, Alice, que, com sua alegria e gracinhas, descontraía os momentos de

(7)

AGRADECIMENTOS

A Deus, que nos momentos difíceis me deu forças para continuar.

Aos meus pais, que me apoiaram em todos os sentidos para atingir a minha meta.

A minha orientadora Tânia Marinho, minha gratidão por tudo que construímos.

Ao co-orientador Domingos Sávio, meu agradecimento.

A minha querida Ligia Marcos, agradeço pelas orientações nos momentos

decisivos do desenvolvimento da pesquisa.

Ao Dr. Franz Luiz Almeida, agradeço a disponibilidade em realizar as Vídeo

Endoscopias Laríngeas, atenção dispensada as professoras e por acreditar

neste trabalho.

A Tereza Cristina, uma companheira de estudos que se tornou uma amiga, muito obrigada.

A Júnia, obrigada pelos artigos e o carinho de “mineirinha” de BH.

A Lúcia, agradeço as contribuições nos estudos.

As amigas Maria Cristina e Liliane, do Programa de Saúde Vocal/FME

Niterói/RJ, meu sincero agradecimento.

A Marise Juncá, diretora da Gestão de Pessoas do Município de Niterói,

agradeço pela oportunidade concedida em desenvolver a pesquisa no

Departamento.

A todas as colegas da Unidade de Saúde Escolar – CETEP/Barreto, da

FAETEC, Maria Lúcia, Rosa, Marília, Jeusa, Solange e Marcela muito obrigada.

Às professoras que participaram do processo de avaliação do Programa de

(8)

RESUMO

A presente pesquisa tem como objetivo avaliar o efeito do Programa de

Exercícios Funcionais Vocais (Stemple e Gerdeman, 1993) em professoras, com

alteração vocal, que atuam no Ensino Fundamental do Município de Niterói-RJ. O

período analisado compreende de maio de 2006 a janeiro de 2007. O universo de

participantes compõe-se de 17 professoras, que aceitaram participar espontaneamente,

de um grupo de 222 convidadas. Aplicou-se o programa de exercícios: vogal /i/

sustentada, glissando ascendente e descendente da palavra /nol/, e escala de tons

musicais Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, com emissão do som /ol/, pelo tempo máximo de fonação.

O programa de exercícios foi avaliado através dos dados coletados: exame de vídeo -

endoscopia laríngea; qualidade vocal (escala RASAT) e variabilidade da freqüência

fundamental ambos através da fala espontânea; análise acústica (intensidade –

diagrama de desvio fonatório e espectrograma) pelo Programa de software Vox Metria,

pré e pós-aplicação do programa, utilizando-se a vogal sustentada [å]. Um questionário

de auto-avaliação pós-tratamento somado aos depoimentos finais das professoras,

endossou a significância do programa, na análise estatística. Os resultados revelaram

que as docentes aumentaram o tempo de fonação, a intensidade, maior quantidade de

harmônicos e extensão da voz, melhorando a qualidade, resistência e projeção vocal,

possibilitando maior habilidade das participantes no desempenho profissional,

benefícios que se estendem ao social.

(9)

ABSTRACT

The present research aims at assessing the effects of a Vocal Functional Exercise Program (Stemple and Gerdeman, 1993) applied to teachers who presented Voice alterations and who teach at the Elementary School Education level in the municipality of Niteroi/Brazil. The study took place from May 2006 until January 2007. The set of subjects consists of 17 female teachers who spontaneously agreed to participate from the initial group of 222 invited teachers. This is the exercise program that was applied: sustained vowel /i/, ascending and descending gliding on the word /nol/, and musical

scale tones Do Re Mi Fa Sol – issuing the /ol/ for a maximum time of phonation. The

exercise program was evaluated by means of the following tools: the video examination

– laryngeal endoscopy; the vocal quality (RASAT scale) and fundamental frequency

variability both by means of spontaneous speech; acoustics analysis (intensity –

phonation deviation diagram and spectrogram) from the Vox Metria Program, pre and

post program application making use of the sustained /å/ vowel. A questionnaire of self

post evaluation was added to the final reports made by the teachers and which endorsed the program significance for the statistical analysis. The results reveal that the teachers presented an increase in the phonation duration, in its intensity, in the greater amount of harmonics and voice extension, therefore, improving their vocal quality, resistance and project, thus, enhancing their professional performance, benefits which were then extended to the social ground level.

(10)

LISTA DE ABREVIATURAS

ADP – Adenosina difosfato

ATP – Composto de Adenosina Trifosfato

CAL – Músculo Cricoaritenóideo Lateral

CAP – Músculo Cricoaritenóideo Posterior

CL – Fibras de Contração Lenta

CR – Fibras de Contração Rápida

CT – Músculo Cricotireóideo

EFV - Exercícios Funcionais Vocais

GRBAS – Grau global da rouquidão, Rugosidade, Soprosidade, Astenia, Tensão

I – Intensidade

IA – Músculo Interaritenóideo

PEFV – Programa de Exercícios Funcionais Vocais

Pi – Fosfato Inorgânico

RASAT – Rouquidão, Aspereza, Soprosidade, Astenia e Tensão

SJLF – Sociedade Japonesa de Logopedia e Foniatria

TA – Músculo Tireoaritenóideo

(11)

LISTA DE TABELAS

Tabela 1 – Video Endoscopia Laríngea, p. 64

Tabela 2 – Avaliação Perceptivo-Auditiva, p. 65

Tabela 3 – Qualidade Vocal, p. 66

Tabela 4 – Tempo Máximo de Fonação, p. 67

Tabela 5 – Intensidade, p. 68

Tabela 6 – Variabilidade da Freqüência Fundamental, p. 72

Tabela 7 – Avaliação do Efeito do Programa de Exercícios Funcionais Vocais, p. 75

Tabela 8 – Descrição das Participantes, p. 104

(12)

LISTA DE GRÁFICOS

Gráfico 1 – Seus sintomas vocais reduziram-se com o tratamento, p. 74

Gráfico 2 – Sua voz ficou mais clara com o tratamento, p. 74

Gráfico 3 – O tratamento deixou você falar ou cantar mais fácil, p. 74

Gráfico 4 – Quanto você se dedicou ao tratamento, p. 75

Gráfico 5 – Participantes – anos de atividades no magistério, p. 105

(13)

SUMÁRIO LISTA DE TABELAS LISTA DE GRÁFICOS LISTA DE ABREVIATURAS RESUMO ABSTRACT 1. INTRODUÇÃO, p. 13 2. REVISÃO DE LITERATURA, p.17 2.1 FISIOLOGIA DA VOZ, p. 17

2.2 O PROFESSOR E SUA VOZ, p. 25 2.3 AVALIAÇÃO FUNCIONAL DA VOZ, p. 30

2.3.1 Avaliação Perceptivo-Auditiva, p.30

2.3.2 Medida de Tempo Máximo de Fonação, p.32 2.3.3 Exame de Vídeo Endoscopia laríngea, p. 34 2.3.4 Análise Acústica Computadorizada, p. 35 2.3.5 Auto-Avaliação Perceptiva do Professor, p.40

2.3.6 Terapias Vocais, p. 41

2.4 PROGRAMA EXERCÍCIOS FUNCIONAIS VOCAIS, p.44 3. METODOLOGIA, p. 53

3.1 PARTICIPANTES, p. 53 3.2 MATERIAL, p. 54

3.2.1 Exame de Vídeo Endoscopia Laríngea, p. 54

3.2.2 Avaliação Fonoaudiológica Perceptivo-Auditiva da Voz, p. 55 3.2.3 Medida do Tempo Máximo de Fonação, p. 56

3.2.4 Análise Acústica Computadorizada, p. 56

3.2.5 Programa de Exercícios para a Função Vocal, p. 57 3.2.6 Auto-Avaliação Perceptiva do Professor, p. 58

3.3 PROCEDIMENTOS, p. 59 3.4 ANÁLISE ESTATÍSTICA, p.62 4. RESULTADOS, p. 63

4.1 EXAME DE VIDEO ENDOSCOPIA LARÍNGEA, p. 63

4.2 AVALIAÇÃO DA QUALIDADE VOCAL – ESCALA RASAT, p. 65

4.3 AVALIAÇÃO DO TEMPO MÁXIMO DE FONAÇÃO, p. 67

4.4 ANÁLISE ACÚSTICA COMPUTADORIZADA, p. 68 4.4.1 Parâmetro Intensidade, p. 68

4.4.2 Diagrama de Desvio Fonatório, p. 69

4.4.3 Variabilidade da Freqüência Fundamental, p. 71 4.4.4 Espectrografia Vocal, p. 73

4.5 AUTO-AVALIAÇÃO PÓS-TRATAMENTO, p. 73

(14)

5. DISCUSSÃO, p.77 6. CONCLUSÃO, p. 88

7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS, p. 90 8. APÊNDICES

(15)

1.

INTRODUÇÃO

O campo da comunicação oral está no universo dos comportamentos de

comunicação, e nele não apenas se inclui o comportamento verbal, mas também os

não-verbais, “como a mímica, olhares, sorrisos, gestos, variações de posturas e

tônus e, principalmente, sons, dentre os quais o mais importante produzido com a

respiração sonorizada: a voz” (BRANDI, 1996).

No contexto deste estudo, a voz abordada é a profissional, característica dos

usuários com grande demanda vocal, conforme Sataloff et al. (1994): são aqueles

que “dependem das habilidades vocais no exercício regular da profissão”. Behlau

(2005) enfatizam que “é o indivíduo que depende de certa produção e/ou qualidade

vocal específica para a sua sobrevivência profissional”.

O professor, transmite seus conhecimentos pela voz falada e exerce influência sobre a formação social, cultural e educacional dos indivíduos, é o objeto

de estudo deste trabalho. Pesquisas apontam que esses profissionais da comunicação negligenciam os cuidados com a voz, por não reconhecê-la como seu

instrumento principal de trabalho e que na maioria das vezes, não receberam

preparo específico ou orientação vocal (SOUZA, 1998), nem mesmo receberam

suporte de preparação vocal no seu curso de formação. Assim, podem vir a

(16)

fato, “a maior incidência de disfonias em profissionais da voz falada está na

categoria dos professores” (BEHLAU, 2005).

Os docentes podem apresentar alterações vocais devido a uma série de

fatores, e, só orientá-los, não é o suficiente. É importante observar as condições

desfavoráveis de trabalho, tais como os ruídos de fundo do ambiente da sala de

aula e de todos os espaços em que o professor circula pela escola, a quantidade de

horas/aula e, entre outros, o uso excessivo da voz, podendo desencadear problemas vocais em decorrência das condutas inadequadas ao falar.

Os desvios nas condutas vocais envolvem desequilíbrio nos sistemas da

produção de voz (respiração, fonação e ressonância), alterando a qualidade vocal

para rouca, áspera, soprosa, astênica, tensa, sujeita à perda de projeção. Esses

desvios podem causar, também, alterações orgânicas secundárias, como nódulos e

pólipos (FERREIRA e COSTA, 1993).

Os professores são os profissionais com os mais altos índices de queixas

vocais, em comparação com os outros profissionais do universo das comunicações.

Eles apresentam desajustes motores em relação à produção vocal e,

conseqüentemente, qualidade de voz alterada (ROY et al., 2003).

A proposta deste trabalho de pesquisa é avaliar o efeito do Programa de

Exercícios Funcionais Vocais de Stemple e Gerdeman (1993), aplicado a

professores com queixa sobre seu desempenho vocal, da rede municipal de ensino da Cidade de Niterói - RJ. Desta forma, a meta principal, e justamente o que torna a

pesquisa relevante, é possibilitar aos professores, com ou sem alteração vocal, no

exercício de sua função de ensinar, obter qualidade vocal adequada para o

(17)

inadequadas, como o mau uso e/ou abuso da voz, desencadeadas por hiper ou hipofuncionamento vocal, ou ainda desequilíbrios musculares.

Os estudos científicos sobre a reabilitação vocal surgiram na década de 30,

mas apenas recentemente intensificaram-se possibilitando, assim, maior conhecimento científico sobre as abordagens de terapia vocal (BEHLAU, 2001).

Os fonoaudiólogos Stemple e Gerdeman (1993) propuseram um programa de

tratamento de voz, que visa ao fortalecimento e ao reequilíbrio dos sistemas de

fonação, da respiração e da ressonância, na produção da voz, através da aplicação

do programa de exercícios funcionais vocais (EFV), uma vez que favorecem a

resistência e projeção vocal com adequados ajustes motores. Esses exercícios

objetivam a melhor conduta de voz para o professor, reabilitando a voz, afastando-o de efeitos vocais negativos e aumentando o tempo de uso da voz Stemple, Glaze e Gerdeman (2000), sem a necessidade de afastá-lo da sala de aula.

O programa de exercícios da função vocal teve sua eficiência comprovada

por Stemple, Lee, D’Amico e Pickup (1994), por meio da melhora dos parâmetros

vocais: tempo máximo de fonação, extensão vocal e fluxo aéreo.

Considerando-se que esses exercícios fazem parte de pesquisas científicas e

que pertencem a um processo vocal complexo, são apresentados, inicialmente, no

capítulo 2, princípios de fisiologia laríngea; revisando na literatura o comportamento

do professor com relação a sua voz; a avaliação da voz, analisando a percepção

-auditiva, medida do tempo máximo de fonação, exame de videoendoscopia

laríngea, análise acústica computadorizada, envolvendo também o professor na

auto-percepção dos resultados do programa de exercícios funcionais vocais,

(18)

No capítulo 3, apresenta-se a metodologia da aplicação do programa de

exercícios funcionais vocais, com o perfil dos participantes, o material utilizado e o

procedimento de aplicação do programa de exercícios.

Os resultados são apresentados em tabelas no capítulo 4, e sua discussão

descrita no capítulo 5. O capítulo 6 conclui o resultado do estudo da avaliação do

efeito do programa de exercícios funcionais vocais.

Assim, pretende-se beneficiar o professor, com terapias vocais, como o programa de exercícios funcionais vocais, abordando-se as questões acima

descritas e as condutas comportamentais que possibilitarão um melhor

(19)

2. REVISÃO DE LITERATURA

2.1 FISIOLOGIA DA VOZ

A anatomia funcional e a fisiologia da voz relacionam-se de forma interdependente e interagem na produção vocal através dos sistemas de fonação,

de respiração e de ressonância, a fim de manter o padrão vocal básico equilibrado e

tratar a alteração vocal com eficácia, levando ao usuário da voz profissional a

compreensão do processo de emissão da voz.

De acordo com Pratter e Swift (1986), o processo vocal depende dos três

sistemas – de fonação, respiração e ressonância -, mas o que produz o som que

chamamos de “voz” é o sistema fonatório, constituído por uma estrutura

cartilaginosa, a laringe, que se move pela ação dos grupos musculares extrínsecos

e intrínsecos, diferentes em funcionamento e anatomia, e conecta-se inferiormente

com o sistema respiratório (a traquéia e o pulmão) e superiormente com o trato

vocal (faringe, cavidade oral e narinas) que chamamos de cavidades de ressonância.

Vocal Function Exercises first described by Barnes (Barnes J. Voice Therapy paper presented at: the meeting of the Southwestern Ohio Speech and Hearing association;1977; Cincinnati, Ohio) and modified by Stemple ( Stemple J. Clinical Voice Pathology teoria e prática. Columbus, Ohio: Charles & Merril, 1984, 1ª.edição) strive to balance the subsystems of voice production.(STEMPLE, GLAZE e GERDEMAN, 2000:336; grifo da autora).

A laringe consiste de um complexo arranjo de músculos, membrana mucosa

(20)

proteção das vias aéreas. Esses três são resultados reflexos do que ocorre no

tronco cerebral. No adulto, a laringe mede em torno de 5 cm de comprimento, no sexo masculino, sendo um pouco menor no feminino. Localiza-se entre os corpos vertebrais C3 a C6. Apresenta cartilagens pares, como as aritenóides, as

corniculadas (de Santorini), as cuneiformes (de Wrisberg), e as ímpares: a tireóide,

a cricóide, a epiglote.

Existem músculos extrínsecos com um ponto de inserção na laringe e outro

nas estruturas externas. Eles funcionam para fixar, elevar e abaixar a posição dela

no corpo. Sua movimentação não deve ser prejudicada, uma vez que pode interferir

nas modificações ressonantais importantes à produção vocal.

Os músculos intrínsecos com pontos de inserção dentro da laringe são

ligados às cartilagens e funcionam diretamente na produção do som, para fechar e

armazenar o ar debaixo do seu nível infraglótico e proteger as vias respiratórias

inferiores de substâncias estranhas. Um desses músculos, o tireoaritenóideo, ou

músculo vocal, forma o corpo das pregas vocais.

Definimos a prega vocal como a estrutura par, em forma de triângulo, situada

na região posterior da cartilagem tireóidea, e o processo vocal da cartilagem

aritenóidea. É constituída por mucosa, formada por epitélio e lâmina própria, e pela

parte medial do músculo tireoaritenóideo.

A prega vocal é composta por cinco camadas: epitélio de revestimento;

lâmina própria, com camada superficial, intermediária e profunda; e músculo vocal.

O epitélio de revestimento é formado por quatro tipos de células epiteliais e

por células neuroendócrinas. A lâmina própria é composta por tecido extracelular:

fibras elásticas, colágenas, sustância amorfa ( formada por água, glicoproteínas,

(21)

sangüíneos; dividida em camadas. A camada superficial, ou espaço de Reinke,

apresenta poucas fibras elásticas e colágenas, sendo um tecido conjuntivo frouxo e

flexível que favorece a retenção de água e controla a viscosidade; a intermediária,

composta por fibras elásticas, fornece elasticidade à prega vocal; a profunda

compõe-se de fibras colágenas que fornecem resistência e estão inseridas no

músculo vocal (MELO, 2004).

As cinco camadas são reclassificadas, do ponto de vista mecânico, em três

regiões: cobertura, consistindo no epitélio e na camada superficial da lâmina

própria; região de transição, correspondendo às camadas intermediárias e profunda

da lâmina própria, e corpo, representado pelo músculo vocal.

O espaço interpregas vocais chama-se glote, acima delas, supraglote e

abaixo, infraglote (ou subglote) (SATALOFF, GOULD e SPIEGEL, 2002).

Na fonação, a vibração das pregas vocais depende da teoria da produção

vocal mais aceita atualmente, que é a mioelástica-aerodinâmica, teoria de Van den Berg, que inter-relaciona forças de duas naturezas, a da elasticidade dos músculos

laríngeos (mioelásticas) e as forças físicas aerodinâmicas da respiração. A vibração

das pregas vocais está estreitamente relacionada à descrição do fenômeno de Bernoülli. Esse fenômeno diz respeito ao fato de que, à medida que ocorre um

aumento da velocidade de um fluido passando pelas paredes internas de um tubo flexível, ocorre uma redução da pressão ao longo das paredes desse tubo, o que

aproxima essas paredes entre si, no caso, as pregas vocais e, como conseqüência,

ocorre a sua vibração.

Portanto, a produção sonora requer uma fonte (ar expirado) e um elemento

vibratório, as pregas vocais. Elas formam os elementos vibratórios desse ar

(22)

som pode ocorrer, quase em todos os locais, ao longo do trato vocal (TOMITA e HORTA, 2001). Esse trato localiza-seacima das pregas vocais, indo aos lábios e

narinas, e funciona como propagador de diversas freqüências contidas no som dado

pela fonte sonora (FUKS e SUNDBERG 1999). Som este, cuja freqüência

fundamental, no seu estado mais puro, precisa ser enriquecido com os harmônicos,

para que possa ganhar uma qualidade vocal e uma intensidade auditiva aceitável

para os nossos ouvidos. O trabalho é dos ressonadores ( trato vocal) naturais do

nosso corpo: tórax, faringe, boca, nariz.

“[...] após gerar o som, o ar sonorizado se torna gerador de impulso de emissão com

duas funções supraglóticas:

1. gerar os sinais do código lingüísticos...;

2. transmitir a mensagem...

[...] nesse impulso de comunicação, o corpo emissor, mesmo sem o saber, não pode

deixar de mobilizar a respiração, porque sem ela não emitiria fonemas. Mas, o mais

importante é que não haveria voz transformando-se em vogais sonoras nem mesmo

o fenômeno das consoantes sonoras, se não ocorresse, ao nível da fonte glótica, o

fenômeno de sonorização dessa respiração, graças à existência, ali, do maravilhoso

sistema fonatório” (BRANDI, 1996: 173 e 174).

Quanto às condições neurológicas, a fonação origina-se no córtex cerebral,

que ativa os núcleos motores do tronco encefálico e medula, transmitindo os

impulsos nervosos para a musculatura da laringe, articuladores, tórax e abdômen

(COLTON e CASPER, 1996; PINHO, 2003). É fundamental a integridade e

funcionalidade dessas estruturas e sistemas, para que a fonação se efetive, ou seja,

ela requer um controle neurofisiológico complexo.

A capacidade fonatória dada pelo funcionamento dos músculos

intrínsecos é de suma importância, pois o trabalho através dos exercícios funcionais

vocais pretende ativar, principalmente, essa musculatura, que é capaz de fazer

movimentos ligeiros e discretos e funcionar sinergicamente na execução de várias

funções laríngeas (PRATER e SWIFT, 1986). Os músculos intrínsecos “alteram a

(23)

separadas (abdução) ou apertando-as por meio de tensão longitudinal crescente”

(SATALOFF, GOULD e SPEIGEL, 2002).

Os dois ajustes básicos internos da laringe são a força com que as pregas

vocais são unidas na linha média (compressão medial) e a extensão da força de

estiramento (tensão longitudinal). Esses dois ajustes básicos mais a passagem de

ar vindo do pulmão são responsáveis pela versatilidade da voz humana (ZEMLIM,

2000).

O mesmo autor afirma que raras são as vezes em que um músculo isolado

atua de modo a executar movimento. Eles trabalham em pares e grupos, de forma que a contração de qualquer músculo é acompanhada pela contração dos músculos “parceiros”.

As funções dos cinco principais músculos laríngeos intrínsecos no ajuste da

prega vocal estão detalhadas a seguir, conforme diversos autores:

 O Músculo Cricotireóideo (CT), segundo Colton e Casper (1996), faz

rotação da cartilagem cricóidea para cima e da cartilagem tireóidea para baixo,

aumentando a distância entre a cartilagem tireóidea e os processos vocais das

aritenóideas, situados sobre a superfície posterior da cartilagem cricóidea. As

pregas vocais, que são fixadas anteriormente sobre a superfície interna da

cartilagem cricóidea e posteriormente sobre os processos vocais das aritenóideas,

são alongadas por uma ou outra dessas ações, diminuindo sua área transversal e

impondo a elas maior tensão longitudinal.

De acordo com Sataloff, Gould e Speigel (2002), o CT liga a borda do terço anterior da prega vocal ao ligamento cricoaritenóideo posterior; logo, o CT

aduz posicionando a prega vocal em paramediana e, também, abduz na mesma

(24)

prega vocal alonga-se e afina-se em toda a sua extensão, produzindo tensão

longitudinal, fato importante para o controle do volume e da qualidade vocal.

Pinho (2003) diz que o cricotireóideo é o principal tensor da prega vocal e,

sendo ativado, a sua função é aproximar as cartilagens que lhe dão nome, num

movimento de báscula, em que a prega vocal é alongada, diminuindo a massa em

vibração, aumentando a tensão e elevando a freqüência fundamental.

O músculo cricotireóideo é o tensor das pregas vocais, e sua contração

alonga e diminui a massa das pregas vocais, elevando o pitch vocal. A contração do

cricotireóideo promove o encurtamento do músculo tireoaritenóideo, pois eles

trabalham simultaneamente, favorecendo, assim, o aumento da freqüência

fundamental.

 O Músculo Tireoaritenóideo (TA) aduz a prega vocal, especialmente

em sua porção membranosa, terço posterior. Esse músculo abaixa a ponta da

cartilagem aritenóide ou a extremidade posterior da prega vocal, encurtando-a e

tornando-a espessa. Quando o músculo se contrai, o corpo da prega vocal enrijece,

enquanto a cobertura e a transição afrouxam (SATALOFF, GOULD e SPIEGEL

2002).

Como lembram Behlau, Azevedo e Madazio (2001), o tireoaritenóideo é

um músculo par, com origem na cartilagem tireóidea e inserção no processo vocal

da cartilagem aritenóidea, com extensões em direção ao processo muscular. O TA

aduz, abaixa, encurta e espessa a prega vocal. Apresenta:

- O feixe interno do TA é considerado músculo vocal por estar inserido no

processo vocal, e suas fibras de contração serem rápidas, com participação ativa na

(25)

mucosa. Há um mecanismo de contração que tensiona a prega vocal, independente

de seu comprimento encurtado;

- O feixe externo do TA tem inserção no processo muscular, e suas fibras de

contração rápida agem pouco sobre a ação da fonação e mais na adução das

pregas vocais.

- O feixe superior apresenta algumas fibras do TA, que se dirigem às pregas

vestibulares, e estas podem estar envolvidas na fonação vestibular, quando há o

deslocamento das pregas vestibulares. A ação do TA é encurtar e aduzir as pregas

vocais, diminuindo a distância entre as cartilagens de origem e a inserção, tornando

o feixe mais largo e reduzida a freqüência da voz.

 O Músculo Cricoaritenóideo Lateral (CAL) aduz e abaixa a ponta do

processo vocal da cartilagem aritenóide e dessa forma, toda a prega vocal. Quando

o CAL se contrai, a prega vocal é alongada e afinada. A borda livre da prega vocal

se torna nítida e todas as camadas, rígidas. Sendo músculo par, o CAL auxilia na

coaptação glótica, necessária para a fonação, e sua contração é responsável pelo

fechamento da glote anterior, ou seja, pelo processo vocal. Na adução completa, há

necessidade da ação do CAL e do músculo interaritenóideo (SATALOFF, GOULD,

SPEIGEL, 2002).

 O Músculo Interaritenóideo ( IA ) situa-se entre as duas cartilagens

aritenóideas, com a função de aduzir a prega vocal, no terço cartilaginoso. Não

afeta a mecânica de cada camada da prega vocal (SATALOFF, GOULD e

SPEIGEL, 2002).

Segundo Behlau, Azevedo e Madazio (2001), o interaritenóideo é um

músculo único, podendo ser chamado de ari-aritenóideo e aritenóideo, e apresenta

(26)

aritenóidea a outra, e o feixe oblíquo, que se estende da base de uma cartilagem

aritenóidea, no processo muscular, ao ápice da outra cartilagem aritenóidea,

bilateralmente; sua ação aproxima as pontas das cartilagens. O efeito global da

ação do músculo aritenóideo aproxima e aduz as cartilagens aritenóideas, fechando

a glote posterior, o processo muscular.

 O Músculo Cricoaritenóideo Posterior (CAP) abduz e eleva a ponta do

processo vocal da cartilagem aritenóide e a prega vocal. Alonga a prega vocal,

tornando-a afinada, quando se contrai. As camadas da prega vocal enrijecem. O CAP é um músculo par e constitui-se único músculo abdutor das pregas vocais,

permitindo a respiração e, por isso, é denominado músculo da vida. Sua contração

desloca o processo muscular, posteriormente, abduzindo as pregas vocais e permitindo a inspiração. Sua ação na fonação se dá na emissão de fonemas

surdos, uma vez que, durante a produção do som, seu disparo rápido ocasiona a

suspensão da vibração da mucosa para a produção desses sons (SATALOFF,

GOULD e SPEIGEL, 2002).

Zemlim (2000) resume a ação dos músculos intrínsecos da laringe: a

abdução das pregas vocais deve-se à contração dos músculos cricoaritenóideos

posteriores, enquanto a adução parcial ( compressão medial) é devida à ação dos

músculos cricoaritenóideos laterais. Essa adução é complementada pela contração

dos músculos interaritenóideos. A tensão longitudinal das pregas vocais é devida,

primariamente, à ação do cricotireóideo e a uma força oposta, conseqüentemente

da contração da musculatura tireoaritenóidea.

Os músculos laríngeos contribuem para o controle da qualidade vocal e da

freqüência fundamental; a qualidade da voz é regulada pelo cricotireóideo e pelo

(27)

cricotireóideo e, parcialmente, pelo músculo vocal e o cricoaritenóideo lateral

(SATALOFF et al., 2002).

Andrews (1995), no capítulo sobre princípios de intervenção, cita Colton e

Casper, (1990) e Stemple (1993), autores que utilizam a terapia vocal fisiológica.

Esta se baseia em estudos da anatomofisiologia, para modificar a função da

musculatura laríngea e o suporte respiratório na produção da voz. Essa abordagem

envolve direta modificação da inapropriada atividade fisiológica através de

exercícios, por exemplo, os de função vocal que têm seu foco no fluxo aéreo e na

força da musculatura laríngea.

A terapia fisiológica da voz é uma abordagem para o tratamento das

alterações vocais, que se preocupa em balancear os sistemas da produção vocal:

respiração, fonação e ressonância (STEMPLE, GLAZE e GERDEMANN, 2000).

2.2 O PROFESSOR E SUA VOZ

A voz deve ser sempre pensada em relação à saúde geral do indivíduo,

(PINHO, 2003). Dessa forma, todo o corpo participa da produção da voz,

interferindo diretamente na qualidade vocal.

Como a voz é um comportamento e obedece às regras de aprendizagem,

muitas vezes o professor realiza condutas inadequadas para a produção vocal

as quais interferem na qualidade desta, por exemplo: não coordena suas funções

aéreas com o que deseja falar; não inspira o suficiente para o tempo de fala

planejado; expira quantidade excessiva de ar, antes ou durante a fala; grita e eleva a intensidade da voz, para superar o ruído ambiente, e utiliza freqüência vocal

elevada (BOONE e FARLANE, 1994). Assim, facilita o desequilíbrio dos

(28)

desse profissional, não só em sua função da saúde vocal como de toda a saúde em

geral.

A partir dessas condutas, o professor deve conhecer melhor o mecanismo laríngeo, a fim de obter controle na produção vocal, contribuindo para a efetividade

do ensino e preservação de sua saúde. Logo, ele precisa receber informação sobre

como sua voz é produzida; desenvolver uma boa plasticidade vocal, ou seja,

realizar ajustes motores, utilizando a respiração e a fonação, com equilíbrio da

ressonância; falar com boa intensidade e articular sem exagero; fazer repouso vocal

- conduta importante a ser adotada, em vista da alta demanda vocal, bem como a hidratação.

Uma voz é considerada “normal” ou saudável quando emitida forte o

suficiente para ser ouvida, numa intensidade adequada ao ambiente; produzida sem esforço ou cansaço do falante, devendo representá-lo quanto à idade e sexo, com

ressonância equilibrada. (DRAGONE e NAGANO, BEHLAU 2004).

Segundo os mesmos autores, os professores preferem utilizar a voz forte, para que todos os escutem, o que faz normalmente com esforço, com movimentos

articulatórios exagerados, com tendência à tensão. Esta não é a melhor conduta

vocal para a atuação profissional. É umaatitude que favorece vários desvios vocais

na comunicação, constituindo o que chamamos de disfonia, que “representa toda e

qualquer dificuldade ou alteração na emissão vocal que impede a produção natural

da voz” (BEHLAU, 2001).

Uma disfonia pode apresentar vários tipos de alterações, como desvios na

qualidade vocal, esforço e cansaço na emissão, variações na freqüência

fundamental, perda na eficiência vocal, baixa resistência da musculatura laríngea. O

(29)

Então, quando a voz nos soa desviada e não foi submetida à avaliação, é melhor

referirmo-nos como tendo uma voz alterada (BEHLAU, AZEVEDO e PONTES, 2001).

Pesquisas comprovam a grande incidência de alterações de voz em

professores e a necessidade do uso adequado da voz para a prevenção dos seus

distúrbios (DRAGONE, 2001). Poderia citar outros autores que constataram alta

ocorrência de alterações vocais em professores, como o estudo de (GARCIA,

TORRES e SHASAT,1986 ; SMITH et al., 1987).

A presença de sintoma (queixa vocal) serve como alerta para as alterações

de voz iniciais ou já instaladas, e são resultado de abuso e/ou mau uso vocal

(DRAGONE, NAGANO e BEHLAU, 2004).

É preciso orientar o professor, inicialmente, quanto aos cuidados gerais com

a saúde vocal e práticas de saúde geral, para evitar abusos vocais, posturas

corporais prejudiciais, hábitos inadequados, como poucas horas de sono, nutrição

pobre, competição sonora, tabagismo, uso de sprays e pastilhas, que mascaram o

desconforto vocal, e ainda esclarecê-lo quanto à importância da hidratação e prática

de esportes, entre outras atividades benéficas para a saúde vocal. Realizar

treinamentos por meio de programas vocais, objetivando adequada projeção e

resistência vocal, coordenação entre a respiração, voz, articulação e modulação da

voz são procedimentos que possibilitam a transmissão da mensagem sem esforço.

Na presença de alteração em uma ou mais dessas práticas, pode-se

considerar que há um comprometimento na emissão vocal que impede ou prejudica

a produção natural da voz. Para o professor, uma alteração vocal tem impacto no

seu desempenho profissional, bem como na sua qualidade de vida, limitando a utilização da voz e interferindo no seu bem-estar.

(30)

As principais queixas vocais que sinalizam um problema de voz em professores são cansaço e esforço vocal, momentos de piora da voz durante o dia,

rouquidão, pigarro, voz grave, perda da voz em tons mais elevados, ardência,

sensação de secura na garganta ou na boca, dor ao falar.

Tais queixas muitas vezes não são relacionadas como uma indicação de

desgaste vocal por parte do professor, que adia a ida ao médico para obtenção de

um diagnóstico adequado, o que repercute na manutenção e evolução de lesões

(VAZ et al., 2002).

As causas e fatores relacionados à alteração da voz do professor são uso

incorreto ou abusivo da voz: falar durante quadro gripal, falar em ruído de fundo,

falar sob tensão, tom inadequado de voz, má postura; fatores físicos e ambientais:

ar-condicionado, pó de giz, poluição, ventilação inadequada, poeira, ruído,

disposição das carteiras, número de alunos; fatores psicoemocionais: estresse, má

remuneração, falta de reconhecimento profissional e social; fatores intrínsecos:

resistência vocal, idade, estado geral de saúde, alergias, problemas posturais,

respiração bucal de suplência; hábitos vocais inadequados: falta de hidratação,

tabagismo, tosse ou pigarro e uso de pastilhas (BEHLAU, 2001).

Oyarzúnet al., (1986) apresenta alguma discordância, pois consideraram um

mito os fatores determinantes de alteração vocal, como anos de docência, demanda

vocal, compromisso psíquico e tabagismo e - uma realidade do professor - os

transtornos das vias aéreas superiores, seguidos do tipo de conduta vocal adotada

por esse profissional.

O professor que identifica os fatores e causas prejudiciais ao seu desempenho vocal, sendo capaz de modificar o comportamento e transformar essa realidade, maximiza seu potencial vocal.

(31)

A alta incidência de alterações vocais e laríngeas se deve a vários fatores,

como o desconhecimento e a falta de conscientização dos professores sobre a

importância do uso correto da voz (SERVILHA, 1997; HERMES e NAKAO, 2003).

Por exemplo, a ausência de ações preventivas dentro do ambiente escolar, entre

outros fatores, indicando a necessidade de implementação de medidas

pedagógicas para prevenir e reduzir os altos índices de alterações vocais.

A assistência ao professor deveria iniciar-se no processo de sua formação

acadêmica e permanecer por toda a sua vida profissional. A capacitação continuada

sobre a produção da voz e o cuidado com a saúde vocal deveriam ser vistos como

medidas necessárias à qualidade e longevidade vocal, dando competência ao

docente para exercer sua profissão, sem riscos à saúde e minimizando as

interferências negativas da voz no processo educativo.

Em se tratando de lesões, a mais freqüente lesão benigna de prega vocal em

professores, o nódulo, ocorre devido a hábitos e conduta vocal inadequada

(QUINTAIROS, 2000).

Há também a preocupação com o que Smith et al. (1997) observaram nos

professores,um desgaste após apenas 10-20 anos de trabalho. No estudo realizado

na pesquisa da rede Municipal de Niterói - RJ (LIMA, 2004), também foi encontrada

a mesma quantidade de anos de trabalho para o professor em exercício de sua

função.

A questão do professor e sua voz não se limitam à saúde vocal, mas envolve

aspectos sócio culturais, econômicos, ambientais e psicoemocionais.

O professor, que faz uso de sua voz profissionalmente, deve obter conhecimento sobre a produção desse instrumento de trabalho, os cuidados com a

(32)

saúde física geral e vocal e o treinamento da voz, objetivando um melhor

desempenho durante sua vida de docente, sem perder a qualidade vocal.

2.3 AVALIA

ÇÃ

O FUNCIONAL DA VOZ

De acordo com Boone e Farlane (1994), o fonoaudiólogo deve fazer uma

análise dos fatores perceptuais e acústicos da voz, em relação à respiração,

fonação e ressonância.

Em Behlau (2001), o objetivo de uma avaliação de voz é descrever o perfil

vocal básico de um indivíduo e verificar a influência do comportamento vocal na

origem de uma alteração de voz. A avaliação otorrinolaringológica é parte essencial

e prioritária da avaliação vocal.

Em seu artigo, Dejonckere et al. (2001) considera a função vocal

multidimensional e que, para haver resultados no tratamento, deve-se respeitar um tronco básico de análise para as alterações vocais, e os mais comuns são os

seguintes componentes: avaliação perceptivo-auditiva, exame de vídeo-endoscopia

laríngea, análise acústica, tempo máximo de fonação e auto-avaliação perceptiva.

Esses componentes fizeram parte do material metodológico,

enriquecendo o conhecimento geral do professor submetido ao Programa de Exercícios para a Função da voz, para propiciar a melhor avaliação do efeito do

tratamento.

2.3.1 Avalia

ção Perceptivo

-Auditiva

A avaliação perceptivo-auditiva é a avaliação clássica da qualidade vocal e,

por sua vez, é o termo empregado para designar o conjunto de características que

(33)

(Behlau, 2001). Deve-se ressaltar a importância dessa avaliação na prática

fonoaudiológica. Os instrumentos de avaliação perceptivos e tecnológicos são

complementares e têm possibilitado avaliações mais apuradas da qualidade vocal

(KÖHLE, CAMARGO e NEMR, 2004).

A escala japonesa GRBAS, divulgada por Hirano (1981) e desenvolvida pelo comitê para Testes de Função Fonatória da Sociedade Japonesa de Logopedia e

Foniatria (SJLF), passa a ser uma das escalas mais difundidas internacionalmente e qualifica a voz como rouquidão, onde G – Grade, grau global de rouquidão; R – Rough, rugosidade; B – Breath, soprosidade; A – Asthenic, astenia; S – Strain,

tensão.

Em nosso país, houve necessidade de adaptação dos termos da escala

GRBAS, sugerindo-se uma nova sigla, “RASAT”, na qual R significa rouquidão; S,

soprosidade; A, astenia; T, tensão; A, aspereza; e exclui G do grau global da

impressão da qualidade vocal. Pinho e Pontes (2002) adaptaram esta escala, a fim

de adequar e facilitar o procedimento de triagem vocal perceptiva no nível glótico,

pois, na tradução fiel, alguns termos não contemplavam o aspecto perceptivo

específico. A graduação de 0 a 3 foi mantida para cada qualidade de voz avaliada.

A fala espontânea a ser analisada baseia-se na percepção auditiva,

apresentada como definição para a qualidade vocal; segundo os termos para

Isshiki (1980), rouquidão representa a irregularidade vibratória da onda mucosa

nas pregas vocais durante a fonação; demonstra presença de alteração orgânica na

onda mucosa vibratória, podendo apresentar nódulos vocais, hiperemias e edemas,

gerando ruídos de frequência baixa (creptação).

Pinho e Pontes (2002) relacionam aspereza à redução ou ausência da onda

(34)

dependendo ou não da presença de fenda glótica e de associações com alterações

laríngeas, como edema encontrado nos casos de sulco vocal, cistos e pontes na

mucosa. A impressão da qualidade vocal é de voz seca e sem projeção. A soprosidade corresponde à presença de ruído de fundo audível e, com freqüência,

relacionado à fenda glótica; percebe-se também, nos casos de extrema rigidez de

mucosa, a ausência de fenda glótica, escape de ar na glote, sensação de

passagem de ar na voz. Astenia, representa a fraqueza vocal, hipotonicidade,

perda de potência, energia vocal reduzida, harmônicos pouco definidos. E a tensão,

que demonstra impressão de estado hiperfuncional, freqüência aguda, ruído nas

freqüências altas do espectro e harmônicos marcados.

A escala GRBAS ou RASAT, em português, possibilita a avaliação da

qualidade vocal, através da análise perceptivo-auditiva da voz.

2.3.2 Medida do Tempo M

áximo

de Fona

ção

A avaliação funcional da voz inclui medidas respiratórias, como o tempo

máximo de fonação.

O Tempo Máximo de Fonação (TMF), em segundos, consiste de uma medida

complementar e tem demonstrado sua validade entre adultos: “refere-se ao tempo

máximo que o sujeito pode sustentar um som em uma respiração”( COLTON e

CASPER, 1996).

Os mesmos autores observaram que, quando o tempo máximo de fonação é

reduzido, pode haver relato por parte do professor de momentos inesperados de ausência de sonorização na fala espontânea. O esforço vocal, pressão de ar ou

aproximação insuficiente das pregas vocais, para compensar as demandas vocais,

(35)

Segundo Behlau (2001), a medida do tempo máximo em que um indivíduo

consegue sustentar a emissão de um som, numa só expiração, permite a

investigação quantitativa e qualitativa da fonação.

Behlau e Pontes (1995) consideram valores de 14 segundos para mulheres uma média para falantes da cidade de São Paulo.

Em Zemlim (2000), um adulto deve ser capaz de sustentar um som por, no mínimo, 15 segundos, e deve-se levar em conta que o tempo máximo de fonação é

um teste de eficiência vocal.

Neste estudo, o teste da vogal sustentada /é/ , em freqüência e intensidade

habituais, é um teste de eficiência glótica que indicará a habilidade do paciente em

controlar as forças aerodinâmicas da corrente pulmonar e as forças mioelásticas da

laringe.

O mecanismo laríngeo sofre desequilíbrios, por aumento ou diminuição da

atividade de grupos musculares específicos, por presença de pequenas

inadaptações fônicas ou pela presença de alterações orgânicas, causando o

aparecimento de fendas glóticas, que são fechamentos glóticos incompletos das

pregas vocais, passíveis de tratamento.

Indivíduos com técnica vocal inadequada utilizam o TMF entrando no ar de

reserva expiratória, realizando diversas inspirações, muitas vezes longas, com

esforço muscular e pouca eficiência na coordenação pneumofônica. Indivíduos com

fendas glóticas são um exemplo de tal comportamento, comum na classe de

professores.

(36)

2.3.3 Exame de Videoendoscopia Lar

íngea

O exame de videoendoscopia laríngea, realizado por médico

otorrinolaringologista, possibilita avaliar a laringe, de forma mais detalhada do que a laringoscopia indireta, por utilizar o sistema óptico com câmeras de vídeo. As

técnicas endoscópicas permitem, assim, gravação permanente, melhor estudo e

documentação completa das descobertas laríngeas.

Para Hirano e Bless (1997), a técnica fornece informações úteis sobre a

função laríngea, visualiza o movimento das aritenóides, fornecendo iluminação e

imagens ampliadas das pregas vocais.

Tsuji et al. (1999) dizem que os limites do exame são o reflexo nauseoso, a

impossibilidade de deglutir, cantar e articular palavras, durante a endoscopia rígida,

restringindo-se a oferecer uma avaliação funcional das vogais.

O exame por endoscópio rígido ou flexível, mostra imagem aumentada do

mecanismo vocal e a função da prega vocal. Essa avaliação é relevante, no sentido

de fornecer imagem do movimento velofaríngeo, trato vocal e modificação do

fechamento glótico (STEMPLE, GLAZE e GERDEMAN, 2000).

Apesar dos avanços tecnológicos da videoendoscopia laríngea, entre outros

exames, a realidade de nossa população-alvo ainda se encontra na laringoscopia

indireta, porém, no caso deste estudo, foi possível a disponibilização da endoscopia

rígida, para viabilizar a eficácia na avaliação da condição funcional-orgânica das

(37)

2.3.4 An

álise Acústica Computadorizada

A análise acústica computadorizada é um instrumento não invasivo de

avaliação da função fonatória que auxilia o diagnóstico diferencial das alterações

vocais e tem a vantagem de propiciar as chamadas medidas objetivas, isto é,

fornece dados quantitativos, extraídos, automaticamente, por meio de programa

computacional (PINHO, 2006).

Esse instrumento, na fase de avaliação, complementa a avaliação

perceptivo-auditiva da qualidade vocal (Escala RASAT); na fase da aplicação dos

exercícios, favorece o monitoramento terapêutico e, na fase final, possibilita verificar

a efetividade do programa terapêutico proposto pré e pós-aplicação do Programa de

Exercícios Funcionais Vocais realizados nas professoras.

Para Sataloff (2002), dizer ao paciente que sua voz mudou e sua conduta vocal está mais adequada, sem mostrar o resultado da avaliação acústica, seria o

mesmo que dizer a um indivíduo que sua audição melhorou, sem mostrar o exame

audiométrico que evidencia essa melhora.

A aplicação da análise acústica computadorizada oferece melhor

compreensão acústica vocal, possibilitando a associação entre as análises

perceptivo-auditivas e, ainda, a monitoração da eficácia de um tratamento clínico,

comparando resultados de diferentes procedimentos terapêuticos (TOMITA e

HORTA, 2001).

Os sons produzidos pelas pregas vocais resultam da complexa interação

entre fluxo e pressão de ar com atividade muscular, que regulam o tamanho, a

massa e a tensão das pregas vocais. A variação desses parâmetros afetará a

freqüência fundamental da voz, bem como sua intensidade e qualidade vocal

(38)

O mecanismo para a intensidade vocal requer produção da resistência das

pregas vocais mantendo-se aduzidas na passagem do fluxo aéreo para a produção

do som. Segundo Zemlim (2000), a adução das pregas vocais é atingida pela

contração simultânea dos músculos cricoaritenóideo lateral e aritenóideo, enquanto

o aumento da tensão glótica é mediado pelos músculos tiroaritenóideos ou

cricotireóideos ou, mais possivelmente, por ambos.

A intensidade do som que é a quantidade de energia contida no movimento

vibratório, traduz-se com uma maior ou menor amplitude na vibração ou na onda

sonora. É medida através de dois parâmetros: a energia contida no movimento

vibratório e a pressão do ar causada pela onda sonora. Podemos sempre ter em

mente intensidade sonora em Watts/cm2 e nível de intensidade sonora em NIS –

decibels (dB). O decibel não é uma unidade de medida , mas apenas uma escala.

A intensidade de fonação pode ser regulada nos níveis subglótico, glótico e

supraglótico (PINHO, 2006).

Segundo a mesma autora, no nível subglótico há um aumento da potência

aerodinâmica, no nível glótico, o aumento da resistência glótica (força adutora da

glote) e no supraglótico, o trato vocal, favorecendo também o aumento da

intensidade.

A intensidade vocal aumentada é acompanhada por maior atividade do

músculo vocal, importante para a resistência vocal. O cricoaritenóideo lateral e o

interaritenóideo também mostram aumento de atividade.

Yanagihara, Koike e Von Leden (1966), examinaram a voz de adultos e encontraram a intensidade média para mulheres de 64 dB.

Uma intensidade mínima de 46 dB, máxima de 86 dB e a média de 65 dB é

(39)

Segundo Zemlim (2000), ao longo da produção sonora, é produzida por um

falante uma intensidade mínima de 50 dB como normalidade.

Verdolini et al. (2002) consideram intensidade normal 65dB.

Outra medida extraída, o diagrama de desvio fonatório, é um método que

analisa a qualidade vocal, descrevendo a periodicidade nas medidas horizontais de

jitter (variação na freqüência de ciclos), shimmer (variação na intensidade) e

correlação waveform matching coefficient – MWC e indica a similaridade entre os

ciclos de todo o sinal sonoro e, verticalmente, a quantidade de ruído (glottal-to-noise excittation ratio (GNE) da voz analisada (MICHAELIS, 1998). Esse diagrama

mostra, de forma resumida, a qualidade da emissão vocal.

Definição subjetiva do ruído é toda sensação auditiva desagradável ou

insalubre; definição física é todo fenômeno acústico não periódico, sem

componentes harmônicos definidos.

As vozes normais apresentam uma certa quantidade de ruído, relacionada às

perturbações da produção da voz. Essas perturbações permitem posicionar a

emissão em região normal ou alterada mostrando a distribuição da irregularidade e

da qualidade da emissão vocal (BEHLAU, 2001).

A mesma autora se refere à medida da variabilidade da freqüência

fundamental como subproduto dessa freqüência, sempre esperada numa fala

normal, podendo ser expressa em extensão de semitons indicando a modulação da

voz. Indivíduos com pregas vocais sadias apresentam um mínimo de 20 semitons.

Zemlim (2000) considera o parâmetro “extensão fonatória” quando a voz

normal apresenta uma variabilidade da freqüência fundamental, durante a conversa

(40)

Um adulto pode produzir tons que se estendem em uma faixa de freqüência de

duas oitavas acima do tom mais baixo sustentável.

Segundo Colton e Casper (1996), os desvios-padrão da freqüência

fundamental são referidos como a variabilidade da freqüência fundamental. A falta

ou variabilidade dela pode ser uma medida física relacionada à percepção de voz

monótona, um sinal perceptual observado em algumas alterações vocais.

A função da análise espectrográfica é medir a onda sonora vocal,

acústicamente, em forma de gráficos, tornando possível detectarem-se

espeficidades do sinal vocal. O registro dessa análise é o espectrograma, um

gráfico tridimensional que apresenta o tempo no eixo horizontal, a freqüência no

eixo vertical e a intensidade no contraste da impressão, ou seja, no grau de

escurecimento das marcas do registro. Esse gráfico oferece dados sobre a voz

como um todo, sobre as fontes do som, sejam de natureza glótica ou friccional e

sobre as características de ressonância do trato vocal (BEHLAU, 2005).

Na avaliação espectrográfica deste estudo utilizamos a vogal [å] sustentada

pois apresenta ressonância mais alta (aguda), à medida em que o comprimento do

trato vocal diminui, e mais baixa (grave), à medida em que o comprimento do trato

vocal aumenta. E, por que as vogais são produzidas isoladamente e por um período

extenso, sem que se tenha de mudar a posição do trato vocal. O som quase

periódico apresenta harmônicos que são trabalhados nas cavidades de

ressonância, assumindo configurações estáveis.

Cabe ressaltar que o espectrograma permite compreender a coaptação

glótica, ressonância vocal e precisão articulatória, do pré para o pós-treinamento. A

pesquisa em questão observa, no gráfico espectrográfico, a quantidade de

(41)

muscular na emissão vocal, apresentando, portanto, ressonância equilibrada

(BEHLAU, 2001).

Na análise de qualidade do sinal sonoro, da mesma autora, citando Titze

(1995) o sinal do tipo 1, é aquele que permite mensurações de freqüência

fundamental e análise das perturbações da onda, em vozes normais ou levemente

alteradas, resultantes de fendas glóticas. E o sinal do tipo 2, é aquele que apresenta

alterações qualitativas, como bifurcações, intermitência, sub-harmônicos e

modulações. Essa condição de onda não permite a mensuração das medidas de

perturbações, com confiabilidade. São sinais presentes em nódulos.

A análise acústica foi realizada por meio dos parâmetros de intensidade,

espectrograma e do desvio fonatório da vogal sustentada [å], bem como pela

variabilidade da freqüência fundamental da fala espontânea, pré e pós- aplicação do

programa de exercícios funcionais vocais.

Em Pinho (2003), o fechamento glótico depende diretamente da quantidade

do fluxo aéreo e da capacidade de contração dos músculos adutores intrínsecos da

laringe, cricoaritenóideo lateral, interaritenóideo e do tireoaritenóideo.

A produção vocal será analisada através da vogal [å], por ser esta

considerada a vogal mais estável do ponto de vista laríngeo, nas vozes do

português brasileiro. O programa de software utilizado neste estudo solicita a

medida da vogal [å] no modo análise da qualidade vocal, não só pela vogal [å]

manter o trato vocal mais estável, mas por expressar mais fielmente o número de

semitons (BEHLAU, 2001). As vogais são preferidas por serem facilmente

produzidas e representam uma situação-padrão mais controlada, sendo também

(42)

fazendo com que o ouvinte mantenha sua atenção na fonte do som, a voz

(ZRAICK; WENDEL e SMITH-ONLINE, 2005).

A análise acústica quantifica, neste estudo, as medidas de intensidade, o

diagrama do desvio fonatório, a variabilidade da freqüência fundamental e faz breve

estudo do traçado visual do espectrograma da vogal [å], possibilitando avaliar o

efeito do programa de exercícios e complementar os dados subjetivos dos estudos

fonoaudiológicos.

2.3.5 Auto-Avalia

ção Perceptiva do Professor

A aplicação do questionário Pós–Tratamento (ROY, et al., 2001- adaptado

por BEHLAU, ) demonstrará o quanto os sintomas vocais foram reduzidos após o

programa; indicará o quanto a voz melhorou com o tratamento, o quanto o professor

falou mais fácil, a partir dos exercícios e, por quarto e último item, o quanto se

dedicou ao programa de exercícios funcionais vocais.

A relevância da aplicação do questionário baseia-se no argumento de que a

forma pela qual os sujeitos se auto-avaliam seja a principal razão que os conduz ao

(43)

2.4 TERAPIAS VOCAIS

O tratamento fonoaudiológico das disfonias é realizado através de

abordagens e procedimentos variados, para desenvolver um comportamento vocal

adequado, reduzindo o esforço fonatório e visando a qualidade vocal que atenda às

necessidades pessoais, sociais e profissionais do indivíduo.

O tratamento deve ser realizado após avaliação vocal multiprofissional, com

o fonoaudiólogo e o médico otorrinolaringologista, além de outros profissionais,

quando necessário.

As abordagens terapêuticas médicas diferenciam-se da terapia

fonoaudiológica, já que utilizam medicamentos e/ou cirurgia. O tratamento

fonoaudiológico pode anteceder ou ser paralelo ao tratamento médico. E muitas

alterações vocais podem ser resolvidas apenas por intermédio de terapia vocal.

Na terapia fonoaudiológica são utilizados diferentes métodos, seqüências,

técnicas e exercícios que devem ser selecionados conforme a necessidade

particular do paciente. Entende-se como método o conjunto sistemático de regras

que se baseia em uma determinada concepção filosófica. No método encontramos

as técnicas, que, por sua vez, são o conjunto de modalidades de aplicação de um

exercício vocal baseado nos dados anatomofuncionais do indivíduo. Exercício é

qualquer estratégia para corrigir ou aprimorar uma dada habilidade vocal ou

parâmetro de voz. A seqüência é uma série de procedimentos ou exercícios

organizados (BEHLAU, 2005)

A mesma autora cita a fonoaudióloga doutora Edmée Brandi de Souza Mello,

pois elaborou o Método Indutivo Progressivo (MIP) que propõe “a reestruturação do

sujeito falante pelo próprio sujeito”. As fonoaudiólogas Maria da Glória Beutenmüller

(44)

proposta a expressão corporal e vocal, trabalhando o ritmo do corpo e da voz nas

diferentes dimensões sonoras.

Colton e Casper (1996) apresentam uma abordagem denominada terapia de Voz Confidencial, utilizada em pacientes com lesões laríngeas benignas por

comportamento vocal alterado. O paciente deve falar sem esforço, em intensidade

reduzida; não é um sussurro, porque há alguma voz presente. Ela é útil como parte

de um programa de higiene vocal, sempre que um período de repouso vocal for

indicado. A autora sugere quatro sessões de terapia para o paciente utilizar a

qualidade vocal mais adequada.

Verdolini (2004) desenvolveu um programa sistematizado de terapia, o método de ressonância Lessac-Madsen, em oito sessões, nas quais são

trabalhados os sons nasais com foco rinofaríngeo; tem como objetivo ajudar o

paciente com problemas de voz a alcançar melhor resistência e flexibilidade vocal e,

ao mesmo tempo, prevenir ou reverter problemas já existentes. O tratamento dá ênfase na informação sensorial relacionada com a produção ressonante do som no

trato vocal, mais do que com o processo fisiológico de sua produção.

Stemple (2000) descreve variadas linhas de abordagens fonoaudiológicas na

terapia vocal para o paciente com diagnóstico de disfonia: sintomática, psicológica,

fisiológica, eclética e a higiene vocal. A sintomatológica tem seu olhar para a

modificação dos sintomas, principalmente nas causas de abuso ou mau uso vocal;

a psicológica baseia-se na nos distúrbios emocionais envolvido na manutenção da

alteração vocal. A terapia vocal fisiológica visa a modificação da atividade fisiológica

inadequada, preocupando-se com as funções fonatória e laríngea, essenciais para

(45)

terapia de higiene vocal são oferecidos para prevenir e eliminar abusos vocais e

favorecer um bom comportamento vocal.

A terapia eclética fundamenta-se na produção de uma melhor voz e uma

comunicação mais efetiva, partindo de sistemas diversos para oferecer um

tratamento mais abrangente ao paciente.

Behlau e Pontes (1995) propõem uma abordagem global para a reabilitação

da voz, que corresponde a uma abordagem holística constando de três

procedimentos interligados como: orientação, psicodinâmica e treinamento vocal,

que devem ser incluídos no tratamento do mesmo paciente sempre que possível.

Segundo a autora, entende-se como “treinamento da voz a realização de exercícios

selecionados para fixar os ajustes motores necessários à reestruturação do padrão

de fonação alterado”.

A abordagem através dos Exercícios de Função Vocal baseia-se na linha

fisiológica, apresentado em forma de programa por Stemple e Gerdeman, 1993,

utilizando-se das funções fonatórias e laríngeas essenciais para modificar as

relações musculares e respiratórias e contribuindo na qualidade vocal.

Portanto, para trabalhar a resistência vocal, a qualidade de voz mais

harmônica, com sons que propiciem um melhor equilíbrio funcional da produção

(46)

2.5 PROGRAMA DE EXERC

ÍCIOS FUNCIONAIS VOCAIS

Conscientizar, prevenir e orientar sobre saúde vocal são pontos

imprescindíveis na formação e atuação do professor. Na maioria das vezes, as

instituições não oferecem aos professores tais informações. Instalada uma

alteração vocal, consideram que o docente necessita de afastamento, enquanto que

importante seria tratá-lo no exercício laboral diário (ORTIZ et al., 2004).

A fim de oferecer condições vocais favoráveis ao professor para o exercício

diário de sua profissão, foi proposto o Programa de Exercícios Funcionais Vocais de

Stemple e Gerdeman a professores, o qual visa ao aquecimento vocal matinal e, como conseqüência, melhor aproveitamento da voz.

Desde o século XIX, a prática da terapia vocal utiliza exercícios e manuais de

treinamento destinados a intensificar a voz normal e, ao longo desses anos, vem sendo estudada e estimulada pelos avanços da clínica laringoscópica.

Behlau (2005) cita Briess (1957) como o precursor na utilização de técnicas

de terapia, com exercícios que avaliam as funções vocais dos músculos envolvidos

na fonação, sob aspectos da fisiologia laríngea, das quais Stemple, em 1993,

desenvolve o próprio Programa de exercícios junto com Gerdeman, realizando,

também pesquisas com Stemple et al. (1994), que acreditam na linha fisiológica de

reabilitação da voz.

Levando-se em conta que a musculatura laríngea tem a mesma natureza que

a musculatura esquelética de todo o corpo, vale ressaltar que o programa

fundamenta-se na fisiologia do exercício, aspecto da medicina desportiva, que “implica o estudo de como o corpo, do ponto de vista funcional, responde e se

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