N9 202
PREVIDENCIA SOCIAL: CIDADANIA E PROVISÃO Prof. Clovis de Faro Novembro de 1992
PREVIDÊNCIA SOCIAL :
CIDADANIA E PROVISÃO
1Clovis de Faro
2Outubro / 1992
1 Agradece-se ao competente e dedicado apoio computacional de André Luiz Silva de Souza.
2 da Escola de Pós-GraduaçIo em Economia da Fllnctaçao Getúlio Vargas e do Depanamento de
A _
PREVIDENCIA SOCIAL: CIDADANIA E PROVISAO
I.Introdução
Magnificada pelo que ficou cognominado de "novela dos 147010", como ficou tristemente conhecido o polêmico episódio, ainda não totalmente resolvido, do reajuste dos beneficios dos aposentados e pensionistas, 1 o nosso sistema de
Previdência Social vem experimentando uma permanente crise. Enquanto que para alguns, como o ex-ministro Raphael de Almeida Magalhães, a crise é basicamente conjuntural, sendo intimamente ligada à forte recessão ora prevalente em nossa economia, 2 para outros, como se depreende da leitura do trabalho de Francisco E.B.
de Oliveira et al.,3 as dificuldades advem de um desequih'brio estrutural entre receitas e despesas; sendo que tal desequih'brio foi fortemente acentuado com a promulgação da Constituição de 1988, pródiga na concessão de beneficios adicionais.
Embora o ex-ministro Raphael de Almeida Magalhães tenha uma certa
dose de razão, pois que a retomada do crescimento, com a consequente reabsorção de parte do contigente hoje mergulhado na economia informal, certamente contribuirá no sentido de minorar a crise, acreditamos que esta só será totalmente resolvida se substaFais reformas, de cunho estrutural, forem postas em prática. Fundamentalmente, e não menosprezando o fato de que simples medidas de caráter
1 Para uma apreciação da gênese da -novela dos 147%-, cujo fato gerador básico coamtra-se no
de&c:ompasso das sistemáticas de müustes· dos salários dos contribuintes e dos beDdicios pagos aos aposentados e pensionistas, veja-se C. de Faro, "PrevidêDcia Social : o Justo e o Posstvel-, em Qminnhlnl ~ vol. 3, nO 1 (maio, 1992), PIS. 23-24.
2 Veja-se, a respeito, seu depoimento no paiDd a Previdência Social no Brasil ,patrocinado peJa FIESP e realizado em 11.02.92, cujo sumário enc:ontta-se publicado em Reyista da IndtlMa:
nova
série. ano 1, nO2 (abrJjun.I992), PIS. 79,86.
3 Francisco E.B. de Oliveira, Hilda MCabral, Kaiz61. Beltrto e Sbeyla J. Brito, Metodologia de ProjcdIo
g ~ PnMdçnci:írios ~ Api!!tenciai§ , Estudo sobre Economia do Setor Público, nO 4, IPEAIINPES,
administrativo podem contribuir para a redução de um importante foco de desajuste, consubstanciado não só nas inúmeras fraudes que são recorrentemente denunciadas, como também na ausência de um efetivo controle da arrecadação , é nossa opinião, como já apontado em trabalho anterior, I que o atual sistema de financiamento de nossa
Previdência Social, que se fundamenta no modelo dito de repartição, seja substituido, à exemplo da experiência chilena, por um modelo cujo principal ingrediente seja o regime de capitalinçio. A nosso ver, tal providência não só será de capital relevância para a solução dos atuais problemas de desajuste financeiro, como também contribuirá para eliminar algumas gritantes injustiças que são propiciadas pela atual sistemática.
2. Previdência Social
~Cidadania
Conquanto a formação de sistemas públicos de previdência seja relativamente recente, pois que data da Alemanha de Bismarck, em 1883,2 hoje sua concepção é intimamente ligada ao conceito de cidadania" Não se pode imaginar um estado moderno sem a presença de um sistema amplo de Previdência Social.
Segundo o conceito de cidadania, que norteia a concepção de um estado democrático na sua interpretação mais ampla, os cidadãos, sem distinção de
caracteristiaas de cor, credo e nível de ren~ fazem jus à um conjunto de direitos básicos. Entre estes, além dos chamados direitos civis, tais como o de ir e vir, e o de livre arbítrio, e dos direitos políticos, que são o de organinção, reunião, voto e voz, direitos estes que são de usufruto imediato, pois que não necessitam de financiamento para serem postos em prática, temos também os denominados dreitos sociais.
I José Luiz Carvalho e Clovis de Faro, com a colaboraçlo de Hélio O.P. de Castro, Carlos S. Monte e
Fnmàsco E.B. de Oliveira, Previdência ~ D2 BmIi!.: YmI Proposta ~ Reforma. Instituto LibeJal, Rio
de Janeiro, maio de 1991.
2 Para um ItUospeátO do desenvolvimento dos sistemas prevideDciários, vcja-se C. de Faro, DIm
Histórico di Evoluclo ~ SiSçma Preyidçnçijrio. em Angela de Castro Gomes, organizadora. Trabplhn ~
Previdência : 5mçma Ag ml Debate. Editora da FlIndaçln Getúlio Vargas - CPDOC, Rio de Janeiro,
Diferentemente dos dois anteriores, os direitos sociais, que englobam a previdência, a educação e a saúde básica, não são auto implementáveis. Para que possam ser usufruidos é necessário que contem com sistemas de provisão; isto é, carecem de financiamento para que possam ser postos à disposição dos cidadãos. 1
Especificamente, no caso da Previdência Social, que tem por finalidade cobrir aquelas contigências, tais como velhice, falecimento de conjuge, e invalidez (permanente ou temporária), que têm como consequência a redução da capacidade dos indivíduos de gerar renda, 2 há uma forte necessidade de provisão de recursos, pois que os gastos
são extremamente elevados.
A questão da provisão é que é o cerne do problema. Todos concordam em que a Previdência Social exista e funcione a contento. Como financiar o sistema, entretanto, é motivo de profundas divergências. Nosso propósito, no presente trabalho, é o de justamente oferecer alguns subsídios ao debate, apresentando sugestões quanto à provisão da Previdência Social.
3. A
Ouestão
da
Provisão
Sendo um direito de cidadania, a cobertura do sistema previdenciário deve ser universal. Isto é, todos os cidadios , independentemente de terem contribuido ou não, de uma maneira direta, para o financiamento do sistema, devem ter acesso a um certo nível básico de beneficios. Para a provisão dos necessários recursos, cujos montantes costumam ser extremamente elevados, um possível enfoque, adotado em países como a Dinamarca e a Fin1india, que se caracterizam por serem economias com
1 Para elaboraç&:s nas linha do coIM:Cito de cidadania e da nrassidade de provido, vejam-se Sergio
Abrantes. Ouestao ~ , PRvidência ~ Cidad,nia llQ BlMi! ~ SuIamis Daim, Q Financial!!!!!to di
Previdência: ~ fYa 2 ~ ?, ambos em AngeIa C. Gomes, organivvtnra, Trabalhn ~ PreyiMncia :
QI Sessenta Ag em Debate , op. clt
2 Segundo Rio Nogueira, A ~ MmIl ~ Finanqint da Pn:yidençia ~ DIFEL. SIo Paulo, 198', o direito à previdência chega a estar intimamente ligado ao item I do artigo 2' da Dec1araçIo Universal dos Direitos do Homem. tal como votado pela ONU em 1948.
alto grau de homogeinização de seus respectivos cidadãos, tanto no que concerne ao grau de instrução como quanto à distribuição de renda, é o de contar somente com recursos fiscais. Segundo tal enfoque, a previdência básica é financiada unicamente com suporte na arrecadação de impostos; sejam eles indiretos, como os impostos incidentes sobre os bens de consumo, ou diretos, como o imposto de renda. O ponto central em tal sistema é o de que os que eventualmente menos contribuam, por pagarem menos imposto de renda, por exemplo, ou que sejam até isentos, têm o mesmo direto à cobertura básica do que os que tenham pago as maiores alíquotas do imposto de renda.
Sem desprezar a contribuição de recursos fiscais, um outro enfoque,
que é o mais comumente adotado na maioria dos países, é o que se fundamenta na contribuição direta dos que participam diretamente na economia formal. De uma maneira geral, os sistemas baseados na contribuição direta podem ser divididos em dois grandes grupos: aqueles que vinculam os beneficios às contribuições, através de contas individuais; e os que ou não fazem vinculação ou que não consideram contas individuais. O primeiro grupo organiza-se de acordo com o princípio da capitali7-8ção,
e o segundo, via de regra, de acordo com o chamado sistema de repartição.
Consideremos, inicialmente, o sistema de repartição. Na sua concepçio mais tradicional, dita de repartição simples, os que estio hoje no mercado formal de trabalho contribuem para o financiamento dos beneficios daqueles que ora
estio aposentados. Ou seja, há como que um pacto inter-gerações, onde o contribuinte de hoje espera que seus beneficios futuros, quando aposentado, sejam cobertos pelos que, naquela época, estejam na vida ativa.
Para melhor compreensão do regime de repartição, consideremos o esquema, devido a A Babeau, apresentado na proposta patrocinada pelo Instituto Liberal. I Sejam:
A - a população na faixa de idade considerada como ativa; a. - a proporção de A que deseja trabalhar; 1
d - a taxa de desemprego; s - o salário médio na economia;
v -
a população inativa;r - a proporção da população inativa que tem direito a perceber beneficios previdenciários;
m - o montante médio dos beneficios,
t - a aliquota de contribuição previdenciária.
Para que haja equihbrio entre receitas e despesas, é necessário que a aliquota t seja tal que a seguinte igualdade seja satisfeita.
V
r mt = · _
-A a(1-d) s (I)
Observemos, inicialmente, o comportamento da razão V I A, que é um fator demográfico. De uma maneira geral, face ao fenomeno, de constatação universal, de queda da taxa de natalidade, combinada com o aumento da vida média das populações, a razão VI A costuma apresentar uma forte tendência de crescimento ao longo de tempo. Deste modo, em uma visão de médio e longo prazo, o impacto da
razão V I A é o de provocar um aumento na alíquota de contribuição t.
Relativamente à razão rI ( a.( l-d) }, notando que, idealmente, devemos ter r atingindo seu valor máximo, (r
=
1, que corresponde à situação de cobertura universal), observemos que os valores de a. e da taxa de desemprego d são diretamente1 Estritamente falando, no men:ado formal. Os que, por opção, ou por estarem sem oportunidades no men:ado formal, se dirigem ao chamado men:ado informal, DIo serto contribuintes.
diretamente influenciados pela conjuntura econômica. Em situação de recessão, mesmo sendo mantido o valor de a ,1 temos acréscimo em d. Deste modo,
conjunturas recessivas tendem a fazer crescer o valor da razão ri { a( l-d) }; o que tem como consequência um aumento da alíquota 1.
Quanto ao último fator, a razão m/s, temos também influência da conjuntura econômica. Nas situações de recessão, que implicam em queda do nível dos salários médios reais, a menos que tenhamos uma redução compensatória no valor dos beneficios médios, será necessário um aumento em 1. Entretanto, não devemos nos esquecer, que aumentos da alíquota t têm como consequência usual, uma fuga para a economia informal. Deste modo, há como que um círculo vicioso.
A análise apresentada indica que, devido a fatores demográficos, há uma tendência de necessidade de aumento de t; o que é agravado por conjunturas econômicas recessivas.
Para que se tenha uma indicação quantitativa, considere-se a situação
onde a razão VIA seja igual a 0,4; que corresponde ao caso onde existam 2,5 vezes mais pessoas na vida ativa de que o número de aposentados. 2 Sendo r
=
a=
1, o queimplica dizer em que não há economia informal, e d = 8%, se os beneficios forem fixados em 700!ó, em média, da massa salarial, deveremos ter a alíquota de contribuiçio igual a 30,43%. Valor esse que sobe para 33,82% se 10% da força de
trabalIiii
ativa optar por ingressar na economia informal.Para efeito de comparação, consideremos agora o regime de capitalização, com contas individuais. Neste caso, o beneficio de aposentadoria é diretamente vinculado ao montante das contribuições efetuadas pelo contribuinte ao
1 Adicionalmente, podc-se esperar que c::onjunturas recessivas, implicando em queda de salários reais,
reduzem o inteIase de ingresso 00 men:ado formal. Ou seja, devemos ter também uma reduçIo em a,
c::om resultante necessidade de acréscimo de aliquota t
2 Esta ~ é a que, presentemente, se observa entre os totais de c::ontribuintes e de beDcficiários 00
sistema previdenciário brasileiro, cf. Figura A4 em J.L. Carvalho e C. de Faro, Prevideocia ~ D2
longo de sua vida ativa, e que são depositadas, em um fundo de capitaliução. Remetendo o leitor para o Apêndice, onde são apresentados os detalhes das correspondentes deduções, bem como tabelas ilustrativas, a relação básica que define o valor da alíquota de contribuição t pode ser escrita como: 1
O" { 1 -( 1 + i /,flll }, n ia se P
=
la t= o(l+p)"-l(ja-P) { 1-(I+i,;rlll } ia (l+iJ"-(I+p)" , se p*
ia onden - número de anos de vida ativa; m - número de anos como beneficiário~
p - taxa de crescimento anual, do valor real dos salários~
cr - porção do último salário recebido na ativa que é pago como beneficio valor real constante;
la - taxa anual de juros, em termos reais, que é paga no fundo de capita1izaçlo.
(2)
Para fins de ilustração, consideremos o caso de um indivíduo que ingresse no mercado de trabalho aos 18 anos e que tenha seus salários crescentes à
taxa de 3% ao ano. Fixando em 60 anos a idade limite para aposentadoria, o que
1 Note que, embora auáloga à reIaçIo apn:scntada por Fábio Giambiagi, "A Contribuiçlo Previdenciária no Regime de Capita1izaçlo", em Conjuntura Ecxmômica. vol.46,no 3 (1IW9O de 1m), PIS 44-47, a
versio aqui considerada é deduzida em condiçaes mais gerais, pois que parte de contribuiç(ies e beoeftcios em termos mensais.
implica em se ter n
=
42, e tendo em vista que sua expectativa condicional de vida, dado que tem 18 anos, é de viver até a idade de 69 anos, o que significa que m=
9,suponhamos a situação onde as contribuições são depositadas em um fundo equivalente à uma Caderneta de Poupança. Observando que o último salário recebido na ativa será 3,3599 vezes maior do que o salário inicial, admita-se que o indivíduo deseja receber uma aposentadoria que equivalha a 70010 do seu último salário. Nesta situação, notando que a taxa anual de juros é da ordem de 6% ao ano, o que implica em que se tenha ia"* P , a alíquota de contribuição será de somente 6,66%. Sendo que, se m- for feito igual ã 16, de modo a incluir uma provisão para dependentes, -a alíquota t subirá para 10,16%; valor este substancialmente inferior ao exigido, como vimos, no caso do regime de repartição simples.
Mesmo na manutenção da situação vigente, que é uma aberração,
de aposentadoria por tempo de serviço, onde n
=
35 e que implica em que m=
16 (ou m=
23 no caso.da inclusão de provisão para dependentes), teriamos-t=
15,33% (ou t = 19,09%); ou seja, a alíqu0t2!-·de contribuição seria ainda bastante.menor do que aque ..
-seria exigicif.-no regim~· de rePart!çio siinpl~.
Po
exPost~,
eleVan~o
em.Co~
que .. -em~bQs
ostàso~-
temós~
-que considerar o custo de administração do próprio sistema, bem como incluir uma provislo para os casos de invalidez, permanente ou temporária, podemos concluir que, em princípio, o regime de capjtalizaçlo afigura-se como o mais indicado.
4. Capitalização ou Repartição : Considerações Adicionais
Como visto na seção precedente, podemos esperar que, ao menos em termos médios, as alíquotas incidentes sobre os salários, para efeito previdenciário, sejam menores no caso de adoçlo do sistema de capjtalização do que no regime de
repartição. Alem desta óbvia vantagem. cabem ainda algumas qualificações adicionai~ que reforçam o argumento.
A primeira grande vantagem do sistema de capitalinção é o próprio princípio de vinculação dos beneficios. Havendo vinculação, passa a existir a necessidade de um cadastro de contribuintes, o que por si só é uma vantagem. pois que fica minimizada a possibilidade de fraudes.
A observação acima não é trivial. No nosso atual modelo de financiamento da Previdência Social, baseado no sistema de repartição simples e com contribuições de empregados e de empregadores, com o Estado, via recursos fiscai~ atuando de forma complementar, não há vinculação de beneficios a contribuições. Tal fato, não acarretando a necessidade de um cadastro de contribuint~ tem dado margem a um formidável volume de fraudes. Isto porque, sendo facilitado pela atual
sistemática de aposentadoria por tempo de serviço, tem sido recorrente a constataçio de casos onde individuos, falsificando documentos que comprovam o exercício de vida profissional, têm obtido beneficios de aposentadoria sem nunca trem sido contribuintes.
Uma outra distorção, baseada na atua1 sistemática de que somente os últimos salários recebidos sejam determinantes do valor dos beneficios, é a possibilidade de que sejam cometidos flagrantes casos de injustiça. Por exemplo, consideremos a situação onde um indivíduo, começando a trabalhar aos 2S anos, faça
jus a salários da ordem de 30 salários mínimos. Suponha que esta situaçio mantenha-se ao longo dos primeiros 30 anos de sua vida profissional. Entretanto, por ter falido, por exemplo, a empresa onde trabalhava, aos SS anos é obrigado a procurar outro emprego. Dada sua idade à esta época, considerada de uma maneira bastante discriminatória no nosso tacanho mercado de trabalho, pode vir a ser obrigado a aceitar empregos que não paguem mais do que, digamos, S salários mínimos. Nesta eventualidade, ao chegar aos 60 anos, irá aposentar-se com beneficios determinados
com base nos últimos salários de contribuição; muito embora, durante mais de 85% de sua vida ativa, tenha efetuado contribuições calculados sobre salários muito maiores.
Estas duas razões, acopladas à análise apresentada na seção precedente, permitem-nos afirmar a superioridade do esquema de financiamento baseado no regime de capitalização. Obviamente, dado o caráter de universalidade da cobertura, dentro do conceito de cidadania, há ainda a necessidade de provisão para fazer face aos beneficios mínimos de todos os cidadãos, mesmo aqueles que ou não
tenham capacidade contributiva ou que não consigam acumular valores suficientes. Para estes casos, seguindo a sugestão apresentada por Oliveira e outros,l devem ser
destinados recursos fiscais.
Mencionando que a contribuição deve ser obrigatória, ao menos alcançando todas as rendas de trabalho até um certo limite máximo, para evitar que, contando com a sempre presente caracteristica de solidariedade humana, os indivíduos que nada tenham contribuido venham a solicitar a concessão de beneficios além dos mínimos universais, um outro ponto que deve ser destacado, e que é independente do sistema de financiamento da previdência, é o que diz respeito à aposentadoria por tempo de serviço. Urge eliminar esta distorção, passando-se a ser exigido uma idade mínima de aposentadoria, como acontece na quase totalidade dos países mais desenvolvidos.
Em primeiro lugar, desmitificando a falácia do argumento de que a eliminação da aposentadoria por tempo de serviço, fixando-se uma idade mínima,
digamos 60 anos, somente irá beneficiar os mortos, consideremos os dados do mGE.2
Embora a esperança de vida do brasileiro ao nascer seja efetivamente muito baixa,
1 L.G. S. de Oliveira, RF. Cardoso, U. de Maga1bles e H.P. de Castro, RdormulacãodilPrevidência~dil
~, Convênio FGVIFUNDAP, 1IIimeo, 1992.
principalmente se comparada em termos internacionais, ela não é relevante para o argumento. Isto porque, fundamentalmente, ela é muito baixa devida à elevadíssima taxa de mortalidade nos primeiros anos de vida. Ultrapassada esta barreira, se o indivíduo alcançar a idade de 14 anos, que é a , usualmente, principalmente para trabalhos não qualificados, de ingresso no setor formal de mercado de trabalho (no sentido de poder haver Carteira Profissional assinada), a esperança condicional de sobrevida é de 54 anos, se for do sexo masculino, ou de 57 anos, se for do sexo feminino. Ou seja, começando a trabalhar aos 14 anos, o indivíduo deverá viver até os 68 anos, se homem, ou até os 71 anos, se mulher. Como·os dados são algo antigos, e tem sido observado um processo de envelhecimento da população, é bastante provável que, hoje, a sobrevida esperada seja tal que os indivíduos que cheguem aos 14 anos de vida só venham a falecer após 75 anos. Deste modo, a idade mínima de 60 anos, para ambos os sexos, não é, de maneira nenhuma, exagerada.
Em segundo lugar, cabe aqui mencionar os resultados de um modelo desenvolvído em Rio Nogueira. 1 Para certas ativídades profissionais, tais como
administrativa, intelectual e de chefia, aos 60 anos de idade os indivíduos apresentam ainda 1'1%, 970A, e 99% do valor de suas respectivas produtividades máximas. Ou seja, ao menos para tais atividades, 60 anos pode ser ainda considerada como uma idade altamente produtiva.
5. Uma Proposta
Inspirada na experiência chilena, que tem apresentado resultados mais do que compensatórios no processo de substituir o regime de repartição pelo de capitalização, 1 nossa proposta também fundamenta-se no regime de capitalização.
De uma maneira sucinta, podemos esquematizar nossa proposta de acordo com os seguintes componentes:2
a) Previdência Bóia
Financiada com recursos fiscais, este componente cobriria todo o umverso. Isto é, independentemente de haver ou não participado do mercado formal de trabalho , todo indivíduo, ao atingir uma certa idade mínima, digamos 65 anos, faz
jus a requerer uma renda vitalícia, não transferível a dependentes, cujo valor corresponda ao de uma cesta básica, adredemente definida, e sempre inferior ao do
salário mínimo.
Embora de caráter universal, é de se esperar que os indivíduos de renda mais alta abram mio de tal beneficio. Nestas eventualidades, o possível excesso de . receita seria capitalizado, sendo constituido um fundo que compense quedas de arrecadaçio em conjunturas recessivas, e atendam, subsidiariamente, os caso de insufici&1cia mencionados no item b.
b) Previdência Compulsória Individualizada
Financiada com base em alíquotas estritamente incidentes sobre os rendimentos do fator trabalho, e para rendas limitadas até um certo valor seria
1 Para uma apreciaçio rcJativamente recente veja-se a exposiçIo de ADdrés C. MacdUavcllo, "Previdência Social: a Experiência Chilena", em BmsI di TndnSriJ : Ngm ~ , Ano 1, nO 2 (abr.ljun.,l992),pgs 11'-123.
2 A proposta aqui apra;entada é uma simbiose das formuladas por I.L. Carvalho e C. de Faro,
Preyidência ~ DQ D!HÜ : 1lmI PlOJ)OSta ~ Reforma, op.clt e por L.G. S. de Oliveira e outros,
constituidas contas individuais em fundos de capitalização, de livre escolha por parte dos contribuintes.
Uma vez alcançado certo valor acumulado mínimo, que seja suficiente para a aquisição de uma renda vitalicia de valor não inferior ao de 5 salários mínimos, o indivíduo, ao chegar a idade de aposentadoria, pode dispor livremente do excesso.
Para aqueles indivíduos que não consigam acumular no fundo uma quantia suficiente para que, ao atingirem a idade de 60 anos, possam adquirir uma renda que equivalha ao valor da cesta básica, durante 5 anos, teríamos um financiamento com base em recursos, fiscais.
c) Previdência Complementar, Voluntária
Tanto sob a forma de fundos fechados ou abertos, todo indivíduo, que assim o desejar, pode contribuir para contas individuais de previdência complementar.
Deve-se resssaltar que no sistema proposto as contribuições são de responsabilidade somente dos empregados. Os empregadores farão contribuições unicamente de maneira voluntária. Deste modo, reduzindo-se a atual tributação sobre a folha salarial das empresas, deve ocorrer um forte incentivo à reformalinçio da economia. Afinal de contas, o grande motivador da economia informal é o excesso de regulamentações e de tributação.
Em contrapartida, as empresas devem adquirir, junto a companhias seguradoras especializadas, apólices que cubram os acidentes de trabalho. Assim, a invalidez, seja a permanente ou a temporária, que seja associada a acidentes de trabalho, será de responsabilidade das empresas. Como vantagem de tal sistema temos o fato de que, buscando não acarretar aumento nos prêmios, as próprias empresas zelarão para a redução dos acidentes.
Obviamente, os demais casos de invalidez deveria ser cobertos por recursos fiscais.
6. Conclusão
Reconhecido o acesso à Previdência Social como um direito de cidadania. discutimos aqui como provisiona-Io. Pelas razões expostas, e respondendo ao argumento que afirma que o regime de repartição é um instrumento de redistribuição de renda, o que é, como vimos, falacioso, optamos pelo regime de capitalização, em contas individuais. As contribuições devem ser de responsabilidade exclusiva dos trabalhadores, sem ônus para as empresas, Eventuais insuficiências devendo ser cobertas por recursos fiscais.
Fica faltando aqui descrever como fazer a transição do sistema atual,
baseado no regime de repartição, para o que foi proposto. Neste ponto, remetemos o leitor interessado aos já mencionados trabalhos de I.L.Carvalho e C. de Faro, e o de L.G. S. de Oliveira de outros. Nestes, com riqueza de detalhes e contemplando os direitos dos atuais contribuintes e beneficiários, são efetuadas estimativas dos custos de transição. Estes serão bastante elevados, da ordem de 8,4% do Pffi, em termos de valor presente e no caso mais ácido, mas que mesmo assim serão inferiores aos valores que se estimam como deficits do sistema atual.
A
APENDICE
o
Regime de Capitalizaçio no Caso de Salários Reais Crescentes
Admitindo ausência de inflação ou, equivalentemente, que os salários tenham indexação mensal, imaginemos a situação em que os salários mensais, mantidos constantes, em termos reais, ao longo de cada ano, sofram um acréscimo real, anual. Nestas condições, a preços da data origem (que será tomada como o início do mes de janeiro de um ano qualquer), se a taxa de crescimento real dos salários, em termos anuais, for igual a p , e se denotarmos por P 1 o valor do salário mensal que é recebido no primeiro ano, teremos que o valor do salário mensal que será pago no k-ésimo ano será dado por:
,k
=
1,2, ... (1)Sendo
p
a proporção de cada salário mensal. inclusive do 13° salário (que é suposto ser recebido juntamente com o salário de dezembro) , que é depositaada em um fundo de capitalivtção que paga a taxa mensal, em termos reais, igual a i , teremos que o valor acumulado no fim do k-ésimo ano, relativo a somente este ano, na hipótese de que os salários tenham vencimento no fim de cada mês, será igual a:SI:
=
ft.PI:
{(1
~i)12
+
I}
I , k
=
1, 2, ...(2)
Por conseguinte, o total geral acumulado no fundo, no fim de n anos, será:
"
S,,= LSi
1+iJIt-I:
(3)1:=1
para
onde ia denota a taxa anual equivalente à taxa mensal i .
Logo, tendo em vista as expressões (1) e (2) , e distinguindo as situações onde a
taxa p de crescimento dos salários iguala ou nio a taxa de juros ia ' podemos escrever: a) p
=
ia(5)
(6)
Admita-se, agora, que o fundo acumulado nos n anos considerados como de vida ativa, deva prover uma renda mensal de aposentadoria, R, cujo valor constante seja igual à proporção a do último salário recebido. Ou seja, R deve ser tal que:
R
= u.p~.1+
p)lf-l (7)Deste modo, incluindo-se um possível "13°" salário, suposto pago juntamente com a renda de dezembro, na hipótese de que todas as rendas sejam pagas no fim do respectivo
mês, segue-se que o dispêncio total equivalente, relativo à um ano qualquer, no início deste ano, será igual a:
(8)
Portanto, para que o valor acumulado no fundo seja exatamente suficiente para
permitir retiradas ao longo de cada um dos m anos admitidos como de aposentadoria, devemos ter a igualdade:
-
'"8ft
=
LA(I +;a)I-J
(9)j=1
Ou seja, distinguindo os dois casos anteriormente considerados, segue-se que, tendo em vista (7) e (8):
a) p
=
ian.p= u{l-(l+iar"'}
;a
(10)(11)
As relações acima, que, mse-se, não dependem do valor do salário inicial, permite-nos, uma vez fixados os valores dos parametros n,m,i.., p e a , determinar a proporção
f3
dos salários que deve ser depositada no fundo de capita1i78ção.Para que se tenha uma ilustração numérica, as tabelas A~ A2, A3 e A4 mostram o comportamento do percentual
f3
para algumas situações particulares. Em especial, quanto à evolução do valor real dos salários, foram consideradas 4 distintas situações:salários constantes, e salários respectivamente crescendo às taxas anuais de 1 %, 3% e 6%. Para cada uma destas situações, foram examinados, para valores de a variando de 60010 a 1 ()()% do valor do último salário mensal, os casos onde, respectivamente, a taxa anual de capitalização do fundo é igual a 5%, 6%, 8% e 10010. Para cada uma das possíveis 80 combinações resultantes, foram ainda comtempladas as seguintes possibilidades para o número m de anos de aposentadoria, que dizem. todas, respeito ao caso de um indivíduo que ingressa no mercado de trabalho aos 18 anos:
a) aposentadoria por tempo de serviço
Admitindo que o indivíduo em questão seja do sexo masculino, decorre, de acordo com a atual sistemática de aposentadoria por tempo de serviço, que n = 35 anos.
Dado que, aos 18 anos, a expectativa condicional de vida de um indivíduo do sexo masculino é de alcançar a idade de 69 anosl , segue-se que devendo aposentar-se aos 51 anos, terá m = 16 anos de aposentadoria.
Adicionalmente, e isto valendo também para cada um dos dois outros casos considerados, o valor de m foi também fixado de modo a incluir 7 anos de cobertura pra dependentes. Ou seja, foi também incluído o caso onde m = 23 anos.
b) aposentadoria com idade mínima de 55 anos.
Em sendo fixada como idade mínima de aposentadoria a de 55 anos, que nos parece demuiadamente baixa, teremos n = 37 anos e, respectivamente, conforme seja considerada ou nIo a cobertura de dependentes, m = 21 e m= 14 anos.
c) aposentadoria com idade mínima de 60 anos
Na hipótese, que nos parece ser a mais adequada na situação atual, em que a idade mínima de aposentadoria seja de 60 anos, o que implica em n = 42 anos de vida ativa, teremos, respectivamente, em função da ausência ou nIo de cobertura de dependentes, m = 9 e m = 16 anos.
Como se verifica, a atual sistemática de aposentadoria por tempo de serviço pode
exigir que a proporção do salário que tenha que ser depositada no fundo de capitalização, principalmente nos casos de baixa taxa de juros e de alta taxa de crescimento dos salários, seja excessivamente elevada. Assim, por exemplo, se p
=
6% a.a., o que implica em que o último salário da vida ativa seja mais de 7 vezes superior ao valor do salário inici~devemos terJ3
=
31,55% se ia=
5% a.a., a=
70010 e m=
23 anos.Em contrapartida, se for adotada a idade mínima de 60 anos para a aposentadoria, o valor de
J3,
na situação correspondente à acima considerada (com agora o último salário sendo quase 11 vezes maior do que o inicial), cai para 21,79%. Sendo que, na hipótese, mais realista, em que a taxa de crescimento do valor do salário seja de 3% a.a., o valor deJ3
reduz-se para 11,85%, se ia=
5% a.a.; caindo para o tolerável valor de 8,85%, se a taxa de juros do fundo de capitalização for igual ao dos rendimentos reais dos depósitos em Cadernetas de Poupança (ia = 6% a.a.).TabelaA.l
Percentual J3 no caso de Salários Constantes (p
=
O)Pn IpI = 1 (]' n=35 n=35 n=37 n=37 n=42 n=42 m=16 m=23 m=14 m=21 m=9 m=16 i. = 5% 0,6 7,20 8,96 5,84 7,57 3,15 4,81 0,7 8,40 10,45 6,82 8,83 3,68 5,61 0,8 9,60 11,95 7,79 10,09 4,20 6,41 0,9 10,80 13,44 8,77 11,35 - 4,73 7,21 1 12,00 14,93 9,74 12,62 5.26 8,01 i. =6% 0,6 5,44 6,62 4,38 5,55 2,32 3,45 0,7 6,35 7,73 5,11 6,47 2,71 4,02 0,8 7,26 8,83 5,84 7,39 3,09 4,59 0,9 8,16 9,94 6,57 8,32 3,48 5,17 1 9,07 11,04 7,30 9,24 3,87 5,74 ia. =8% 0,6 3,08 3,61 2,43 2,96 1,23 1,75 0,7 3,60 4,21 2,84 3,45 1,44 2,04 0,8 4,11 4,81 3,25 3,95 1,64 2,33 0,9 4,62 5,42 3,65 4,43 1,85 2,62 1 5,14 6,02 4,06 4,93 2,05 2,91 i. = l00A. 0,6 1,73 1,97 1,34 1,57 0,64 0,87 0,7 2,02 2,29 1,56 1,83 0,75 1,02 0,8 2,31 2,62 1,79 -2,10 0,86 1,16 0,9 2,60 2,95 2,01 2,36 0,96 1,31 1 2,87 3,28 2,23 2,62 1,07 1,46
TabelaA.2
Percentual 13 no Caso de Salários Crescendo à 1% a.a.
pjPl = 1,4026 pjPl =1,4308 P./Pl = 1,5038 a n=35 n=35 n=37 n=37 n=42 n=42 m=16 m=23 m=14 m=21 m=9 m=16 i.=5% 0,6 8,90 11,08 7,33 9,50 4,11 6,27 0,7 10,38 12,92 8,55 11,08 4,79 7,31 0,8 11,87 14,77 9,78 12,66 5,48 8,35 0,9 13,35 16,61 11,00 14,24 6,16 9,40 1 14,83 18,46 12,22 15,83 6,85 10,44 i.=6% 0,6 6,78 8,26 5,55 7,02 3,06 4,54 0,7 7,91 9,63 6,47 8,19 3,57 5,30 0,8 9,04 11,01 7,40 9,36 4,08 6,06 0,9 10,17 12,39 8,32 10,53 4,59 6,81 1 11,30 13,76 9,25 11,70 5,09 7,57 i.=8% 0,6 3,90 4,57 3,14 3,81 1,66 2,35 0,7 4,55 5,33 3,66 4,44 1,93 2,74 0,8 '~ 5,20 6,09 4,18 5,08 2,21 3,13 0,9 5,85 6,85 4,70 5,71 2,48 3,52 1 6,50 7,62 5,23 6,35 2,76 3,91 i. = l00/Ó 0,6 2,22 2,52 1,75 2,05 0,88 1,19 0,7 2,59 2,94 2,04 2,39 1,02 1,39 0,8 2,96 3,36 2,33 2,74 1,17 1,59 0,9 3,33 3,78 2,62 3,08 1,32 1,79 1 3,70 4,20 2,91 3,42 1,46 1,99
Tabela A.3
Percentual
J3
no Caso de Salários Crescendo à 3% a.a.pjPI = 2.7319 pjPI = 2.8983 pjPI = 3.3599
a n=35 n=35 n=37 n=37 n=42 n=42 m=16 m=23 m=14 m=21 m=9 m=16 i.= 5% 0,6 13.15 16.36 11.12 14.40 6.66 10.16 0.7 15.33 19.09 12,97 16,80 7.77 11,85 0.8 17,53 21,82 14,83 19,20 8,88 13,55 0.9 19,72 24.55 16,68 21,60 9,99 15,24 1 21,91 27,27 18,53 24,00 11,11 16,93 i.=6% 0,6 10,20 12,42 8,58 10,86 5,08 7,55 0,7 11,90 14,49 10,01 12,67 5,93 8,81 0,8 13,60 16,56 11,44 14,41 6,77 10,07 0.9 15,30 18,63 12,87 16,29 7,62 11,32 1 17,00 20,70 14,30 18,10 8,47 12,58 i.=8% 0,6 6,06 7,10 5,03 6,11 2,88 4,08 0,7 7,07 8,28 5,86 7,13 3,36 4,76 0,8 8.08 9,47 6,70 8,14 3,84 5,44 0,9 9,09 10,65 7,54 9,16 4,32 6,12 1 10,10 11,83 8,38 10,18 4,80 6,80 i. = 10010 0.6 3,55 4,03 2.89 3,39 1,58 2.15 0,7 4,14 4,70 3,37 3,96 1,85 2,51 0,8 4,73 5,37 3,85 4,53 2,11 2,87 0,9 5,32 6,05 4,34 5,09 2.38 3,23 1 5,91 6.72 4,82 5,66 2,64 3,59
TabelaA.4
Percentual J3 no Caso de Salários Crescendo à 6% a.a.
pjPl = 7,2510 pjPl = 8,1473 pjPl = 10,9029 a n=35 n=35 n=37 n=37 n=42 n=42 m=16 m=23 m=14 m=21 m=9 m=16 i.= 5% 0,6 21,73 27,04 18,94 24,53 12,25 18,68 0,7 25,35 31,55 22,10 28,62 14,29 21,79 0,8 28,97 36,06 25,25 32,71 16,33 24,91 0,9 32,59 40,56 28,41 36,80 18,38 28,02 1 21,91 27,27 18,53 24,00 11,11 16,93 i.=6% 0,6 17,32 21,09 15,07 19,08 9,72 14,44 0,7 20,21 24,61 17,59 22,26 11,34 16,84 0,8 23,10 28,12 20,10 25,44 12,96 19,25 0,9 25,99 31,64 22,61 28,62 14,58 21,66 1 28,87 35,15 25,12 31,79 16,19 24,06 i.=8% 0,6 10,85 12,71 9,36 11,37 5,93 8,40 0,7 12,66 14,83 10,92 13,27 6,92 9,80 0,8 14,46 16,95 12,48 15,17 7,91 11,20 0,9 16,27 19,07 14,04 17,06 8,90 12,60 1 18,08 21,19 15,60 18,96 9,88 14,00
i.
= 10010 0,6 6,67 7,57 5,68 6,67 3,49 4,74 0,7 7,78 8,83 6,62 7,78 4,07 5,53 0,8 8,89 10,10 7,57 8,89 4,65 6,32 0,9 10,00 11,36 8,52 10,00 5,23 7,11 1 11,11 12,62 9,46 11,11 5,81 7,90é:NSAI OS ECONOMI COS DA E?GE
100. JUROS. PRECOS E; DI VI DA PUBLI CA - VOL I: ASPECTOS TEORI COS - Marco Antonio C. MarT.ins e CIOV1S de Fa.ro - 1987(esgot.ado).
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104. BRAZILIAN EXPERIENCE WITH EXTERNAL DEBT ANO PROSPECTS FOR GRQWTH - Fernando de Holanda Barbosa and Manuel Sanches de La Cal - 1987 (esgot.ado).
105. KEYNES NA SEDICAO DA ESCOLHA PUBLICA Ant.onio Maria da Sil veira - 1Q87 (esgot.ado).
106. O TEOREMA DE FROBENI US-PERRON - Car 1 os I van Si monsen Leal 1987. C esgot.ado)
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'1 OQ. MACRQECONONI A - CAPI TULO VI I : "DEMANDA AGREGADA E A CURVA I S" -Mario Henrique Simonsen e Rubens Penha Cysne - 1987 Cesgo~ado).
110. MACROECONONI A - MODELOS DE EQUI LI BRIO AGREGA TI VO A CURTO PRAZO - Mario Henrique Simonsen e Rubens Penha Cysne 1987 (esgot.ado) .
111. mE BAYESIAN FOUNDATIONS OF SOLUTIONS CONCEPTS CF GANES sergio Ribeiro da Cost.a Werlang e Tommy Chin-Chiu Tan
<: esgot.ado) .
112. PRECOS LIQUIOOS (PRECes DE VALOR ADICIONADO)
1987
E SEUS DETERMINANTES. DE PRODUTOS SELECIONADOS. NO PERIODO 1980/1· SENESTRE/l986 - Raul Ekerman - 1987. (esgot.ado)
113. EMPRESTIMCJS BANCARIOS E SALDO-MEDI O: O CASCJ DE PRESTACOES Clovis de Faro - 1988 (esgot.ado).
·114. A DINAMICA DA INFLACAO Mario Henrique Simonsen ( esgot.ado) .
115. UNCERT AI NTY A VERSI ONS ANO THE OPTMAL CHOI SE OF OPRTFOLIO James Dow e Serglo Ribeiro da Cos~a Werlang - 1988 (esgo~ado) 116. O CICLO ECQNOM[CO - Mario Henrlque Simonsen - lQ88 (esgo~ado) 117. FOREIGN CAPITAL AND ECONOMIC GROWTH - THE BRASlLIAN CASE STUDY
- Mario Henrlque Simonsen - 1988 (esgo~ado)
118. COMMON KNOWLEDGE - Sergio Ribelro da Cos~a Werlang (esgot.ado) .
"1988
11 Q. OS FUNDAMENTOS DA ANALI SE MACROECONOMI CA Mario Henrique
Simonsen e Rubens Penha Cysne - 1988 (esgotado).
120. CAPITULO XII - ESPECTA TI V AS RACIONAl S - Mar i o Henrique Simonsen 1 Q88 (esgot.ado:>.
121. A OFERTA AGREGADA E O MERCAOO DE TRABALHO Mario Henrique Simonsen e Rubens Penha Cysne - 1988 (esgot.ado).
122. INERCIA INFLACIONARIA E INFLACAO INERCIAL Mario Henrlque Simonsen - "1988 (esgot.ado).
123. MODELOS DO HOMEM: ECONOMIA E ADMINISTRACAO - Antonio Maria da Sllveira - 1988. (esgot.ado)
124. UNDERI NVOI CI NG CF EXPORTS. OVERI NVOI NCI NG OF I MPORTS. ANO THE DOLLAR PREMIUN ON THE BLACK MARKET Fernando de Holanda Barbosa. Rubens Penha Cysne e Marcos Costa Holanda
C esgotado) .
lQ88
125. O REINO MAGICO DO CHOQUE HETERODOXO Fernando de Holanda Barbosa. Ant.onio Salazar Pessoa Brandao e Clovis de Faro - 1988 (esgotado) .
126. PLANO CRUZADO: CONCEPCAO E O ERRO DE POLI TI CA FI SCAL Rubens Penha Cysne - lQ88. (esgotado)
127 . TAXA DE JUROS FLUTUANTE VERSUS CORRECAO MONETARI A DAS PRESTACOES: UMA COMPARACAO NO CASO DO SAO E INFLACAO CONSTANTE
- Clovis de Faro - 1988. (esgo~ado)
128. CAPI TULO I I - MONET ARY CORRECTI ON ANO REAL I NTEREST ACCOUNTI NG - Rubens Penha Cysne - 1988. (esgotado)
12Q. CAPI TULO I I I - I NCOME ANDOEMANO POLI CI ES I N BRAZ! L Rubens Penha Cysne - 1988. (esgot.ado) .
130. CAPI TULO I V - BRAZ! LI AN ECONOMY IN THE EI GHTI ES ANO THE DEBT CRISIS - Rubens Penha Cysne - lQ88.(esgo~ado)
131. THE BRAZILIAN AGRICULTURAL POLICY EXPERIENCE: RATIONALE AND FUTURE DI RECTI ONS Ant.onio Sé.. 1 azar Pessoa Brandao 1988. (esgot.ado)
132. MORATORI A I NTERNA. DI VI DA PUBLI CA E JUROS REAI S - Mar 1 a Si 1 vi a.
Bast.os Marques e Sergio Ribelro da Cost.a Wer1 ang
1 Q88. (esgot.ado)
13-3. CAPI TULO I X - TEOR I A 00 CRESCI MENTO ECONOMI CO - Mar i o Henr 1 que Simonsen - lQ88. (esgot.ado)
134. CONGELAMENTO COM ABONO SALARIAL GERANDO EXCESSO DE DEMANDA Joaquim Vieira Ferreira Levy e Sergio Ribeiro da Cos~a Werlang
-1Q88. (esgo~ado)
135. AS ORIGENS E CONSEQUENCIAS DA INFLACAO NA AMERICA LATINA Fernando de Holanda Barbosa - 1988. (esgot.ado)
136. A CONTA-CORRENTE 00 GOVERNO -1970/1988 Marlo Henrique Simonsen - 1Q89. (esgot.ado)
137. A REVIEW ON THE THEORY CF COMMON KNOWLEDGE - Sergio Ribeiro da Cost.a Werlang - 198Q. (esgot.ado)
138. NACROECONOMIA - Fernando de Holanda Barbosa - 1989 (esgot.ado) 139. TEORI A DO BALANCO DE PAGAMENTOS: UNA ABORDAGEM SI MPLI FI CADA
Joao Luiz Tenreiro Barroso - 1989.Cesgot.ado)
140. CONTABILIDADE COM JUROS REAIS Rubens Penha Cysne 1 Q8Q. Cesgot.ado)
141. CREDIT RATIONING ANO THE PERMANENT INCOME HYPOTHESIS Vicent.e Madrigal. Tommy Tan. Daniel Vlcent.. Sergio Ribeiro da Cost.a Werlang - 1989. (esgot.ado)
142. A ANA20NIA BRASILEIRA - Ney Coe de Oliveira - 1989. (esgot.ado)
143. IMPLICITA DE MORATORIA
Maria Sllvia Bast.os Marques e Sergio Ribeiro da Cost.a Werlang
-r
1Q8Q. Cesgotado)
144. THE LDC DEBT PROBLEM: A GAME-THEORETICAL ANALYSIS Mario Henrique Slmonsen e
1989. C esgot.ado)
Sergio Ribeiro da Cost.a
Werlang-145. ANAL! SE CONVEXA NO Rn Mario Henrique Simonsen 198Q. C esgot.ado)
146. A CONTROVERSI A MONET ARI
sr
A NO HEM! SFERI O NORTE Holanda Barbosa - 1Q8Q. (esgot.ado)Fernando de
I
US2. SUBAODI TI VE PROBASI LI TI ES ANO PORTFOLIO I NERTI A Mario Henrique Simonsen e Sergio Ribeiro da Cost.a Werlang lQQO. (esgot.ado)
163. MACROECONOMI A COM M4 - Carlos Ivan Simonsen Leal e Sergl.o Ribeiro da Cos~a Werlang - 1990. (esgot.ado)
164. A RE-EXAMINATION CF SOLOW·S GROWTH MODEL WITH APPLICATIONS TO
165.
CAPI TAL MOVEMENTS -THE PUBLIC CHOICE SCIENTIFIC WARFARE 1 QQO. (esgot.a.do)
Neant.ro Saaveàra Rivano - 19QO.Cesgo~ado)
SEDI TI ON: V ARI A TI ONS ON THE THEME OF Ant.onio Maria. da Sil veira
166. THE PUBLIC CHOPICE PERSPECTIVE ANO KNIGHT·S INSTITUTIONALIST BENT - Ant.onio Maria da Silveira - 1990. (esgot.ado)
167. THE INDETERMINATION OF SENIOR ~ Ant.onio Marl.a da Silveira 1990. (esgot.ado)
168. lAPANESE DIRECT INVESTMENT IN BRAZIL - Neant.ro Saavedra Rivano - lQQO.(esgot.ado)
169. A CARTEIRA DE ACOES DA CORRETORA: UMA ANALISE ECONOMICA - Luiz Guilherme Schymura de Oli veira - lQQ1. (esgotado)
170. PLANO COLLOR: OS PRIMEIROS NOVE MESES - Clovis de Faro - lQQ1. (E)
171. PERCALCOS DA INDEXACAO EX-ANTE - Clovis de Faro - lQQ1. (E)
1 72. NOVE PONTO SOBRE O PLANO COLLOR I I - Rubens Penha, Cysne - 1991 (E)
173. A DINANrrCA DA HIPERINFLACAO Fernando de Holanda Barbosa. Wal dyr Muni z 01 i va e El vi a Mur eb Sal 1 um - 1 ggl . (esgot.ado)
174. LOCAL CONCAVIFIABILITY CF PREFERENCES ANO DETERMINACY OF EQU[LIBRIUM - Mario Rui Pascoa e Sergio Ribeiro da Cost.a Warlang - maio de 1QQ1. (esgotado)
1 76. A CONTASI LI DADE DOS AGREGADOS MONET ARIOS NO BRASI L Carlos Ivan Simonsen Leal e Sergio Ribeiro da Cost.a Werlang - maio de 1991. C esgot.ado)
170. HOMOTHE1!C PREFRENCES - lamas Dow e Sergio Ribeiro da Cost.a Werlang - 1QQ1. (esgotado)
177. BARREIRAS A ENTRADA NAS INDUSTRIAS: O PAPEL DA FIRMA PIONEIRA -Luiz Guilherme SChymura de Oliveira - 19Q1.Cesgot.ado)
178. POUPANGA E CRESCIMENTO ECONOMICO - -
CASo
BRASILEIRA Mario Henrique Simonsen - agost..o de 1991. (esgotado)179. EXCESS VOLATILITY CF srOCK PRICES ANO KNIGHTIAN UNCERTAINTY lamas Dow e Sergl.o Ribeiro da Cost..a Werlang - 1QQ1. (esgotado)
180. BRAZIL - CONDITIONS FOR RECOVERY - Mario Henrique Simonsen - 1991. (esgotado) 181. THE BRAZILIAN EXPERIENCE WITH ECONOMIC POLICY REFORMS AND PROSPECTS
FOR THE FUTURE - Fernando de Holanda Barbosa - Dezembro de 1991. (esgotado) 182. MACRODINÃMICA: OS SISTEMAS DINÂMICOS NA MACROECONOMIA - Fernando de
Holanda Barbosa - Dezembro de 1991. (esgotado)
183. A EFICIÊNCIA DA INTERVENÇÃO DO ESTADO NA ECONOMIA - Fernando de Holanda Barbosa - Dezembro de 1991. (esgotado)
184. ASPECTOS EcoNOMICOS DAS EMPRESAS ESTATAIS NO BRASIL: TELE COMUNICA-~ÕES, ELETRICIDADE - Fernando de Holanda Barbosa, Nanue1 Jeremias Leite Caldas, ~.ario Jorge Pina e Helio Lechuga Arteiro - Dezembro de 1991. (esgotado)
185. "THE EX-ANTE NON-OPTIMALITY OF TOE DEMPSTER-SCHAFER UPDATING RULE FOR AMBIGUOUS BELIEFS" - Sergio Ribeiro da Costa Wer1ang e James Dow - Fevereiro de 1992. (esgotado)
186. NASH EQUILIBRIUM UNDER KNIGHTIAN UNCERTAINTY: BREAKING DOWN BACXWARD INDUCTION - James Dow e Sérgio Ribeiro da Costa Wer1ang - Fevereiro de 1992. (esgotado)
187. REFORMA DO SISTEMA FINANCEIRO NO BRASIL E "CENTRAL BANKING" "TA ALEMA-NHA E NA ÁUSTRIA - Rubens Penha Cysne - Fevereiro de 1992. (esgotado) 188. A INDETERMINAÇÃO DE SENIOR: ENSAIOS NORMATIVOS - Antonio Maria da
Silveira - Março de 1992. ( esgotado)
189. REFORMA TRIBUTÁRIA - Mario Henrique Simonsen - Março de 1992. (esgotado) 190. HIPERINFLAÇÃO E O REGIME DAS POLÍTICAS MONETÁRIA-FISCAL - Fernando de
Holanda Barbosa e Elvia Mureb Sallum - Março de 1992. (esgotado)
191. A CONSTITUIÇÃO, OS JUROS E A ECONOMIA - Clovis de Faro - Abril de 1992. 192. APLICABILIDADE DE TEORIAS: MlCROECONOMIA E ESTRAmCIA EMPRESARIAL
Antonio Maria da Silveira - Haio de 1992. (esgotado)
193. INFLAÇÃO E CIDADANIA - ~ emando de Holanda Barbosa - Julho de 1992. 194. A INDEXAÇÃO OOS ATIVOS FINANCEIROS: A EXPERIFNCIA BRASILEIRA - rernando
195. INFLAÇÃO E CREDIBILIDADE - Sergio Ribeiro da Costa Wer1ang - Agosto de 1992.
196. A RESPOSTA JAPONESA AOS CHOQUES DE OFERTA. 1973-1981 - Fernando Antônio Hadba - agosto de 1992.
197. UM MODELO GERAL DE NEGOCIAÇÃO EM UM MERCADO DE CAPITAIS EM QUE NÃo
EXISTEM INVESTIDORES IRRACIONAIS Luiz Guilherme Schymura de 01i -veira - Setembro de 1992.
198. SISTEMA FINANCEIRO DE HABITAÇÃO: A NECESSIDADE DE REFORMA - Clovis de Faro - Setembro de 1992.
199. BRASIL: BASES PARA A RETOMADA DE DESENVOLVIMENTO - Rubens Penha Cysne - Outubro de 1992.
200. A VISÃO TEORICA SOBRE MODELOS PREVIDENCIÃRIOS: O CASO BRASILEIRO -Luiz Guilherme Schymura de Oliveira - Outubro de 1992.
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Fernando 'de
202. PREVID!NCIA SOCIAL: CIDADANIA E PROVISÃO Clovis de Faro Novem -bro de 1992.