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Empreendedorismo e Inovação: Um estudo multicaso em duas empresas colaborativas por meio do método Analytic Hierarchy Process (AHP) / Entrepreneurship and innovation: a multifaceted study in two collaborative companies through the Analytic Hierarchy Proce

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Academic year: 2020

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Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n. 10, p. 79101-79113, oct. 2020. ISSN 2525-8761

Empreendedorismo e Inovação: Um estudo multicaso em duas empresas

colaborativas por meio do método Analytic Hierarchy Process (AHP)

Entrepreneurship and innovation: a multifaceted study in two collaborative

companies through the Analytic Hierarchy Process (AHP) method

DOI:10.34117/bjdv6n10-369

Recebimento dos originais: 08/09/2020 Aceitação para publicação: 16/10/2020

Mikhaela Beatriz Prado de Araújo Dourado

Pós-graduanda em Gestão de Negócios e Empreendedorismo na Universidade Federal do Delta do Parnaíba, Parnaíba-PI

Instituição: UFPI

Endereço: João Batista Rodrigues, Casa 76, Bairro Santa Maria, Parnaíba-PI E-mail: [email protected]

Aluydio Bessa Amaral

Pós-graduando em Gestão de Negócios e Empreendedorismo na Universidade Federal do Delta do Parnaíba, Parnaíba-PI

Instituição: UFPI

Endereço: Conjunto Ipase, Qd. B, Casa 03, Bairro Pindorama, Parnaíba-PI Email: [email protected]

Gladsttone Alves Bezerra da Silva

Pós-graduando em Gestão de negócios e empreendedorismo na Universidade Federal do Delta do Parnaíba, Parnaíba-PI

Instituição: UFPI

Endereço: Rua Aimores 419, casa 05, Bairro Pindorama E-mail: [email protected]

Luiz Sergio Moreira Brito

Pós-graduando em Gestão de negócios e empreendedorismo na Universidade Federal do Delta do Parnaíba, Parnaíba-PI

Instituição: UFPI

Endereço: Rua Borges Machado,1040, apto 1, Bairro Frei Higino, Parnaíba-PI Email: [email protected]

Sabrina Cunha Lacerda

Pós-graduanda em Gestão de negócios e empreendedorismo na Universidade Federal do Delta do Parnaíba, Parnaíba-PI

Instituição: UFPI

Endereço: Quadra 30, casa 05, Bairro São Vicente de Paula. Parnaíba-PI Email: [email protected]

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Simone Soares Silva

Pós-graduanda em Gestão de Negócios e Empreendedorismo na Universidade Federal do Delta do Parnaíba, Parnaíba-PI

Instituição: UFPI

Endereço: Residencial Brisamar Quadra 9, casa 15, Bairro Peito de Moça – Luís Correia-PI Email: [email protected]

Maria Dilma Ponte de Brito

Mestra em Educação pela UFPI Instituição: UFPI

Endereço: Av. São Sebastião, nº 2819 - Nossa Sra. de Fátima, Parnaíba - PI, 64202-020 Email: [email protected]

RESUMO

Para atender as novas mudanças de mercado e os consumidores cada vez mais exigentes, é necessário buscar estratégias que possam inovar e acompanhar esse cenário, assim as economias colaborativas surgem e conquistam mais espaço nos centros urbanos. Para compreender as inovações nesse tipo de negócio, o objetivo geral buscou aplicar o método AHP, para identificar as inovações empreendedoras, bem como o perfil e perspectivas das lojas colaborativas pesquisadas na cidade de Parnaíba-PI. O estudo possui natureza qualitativa e quantitativa, de caráter exploratório, através de questionário aplicado as gestoras das empresas. Os resultados obtidos com análise do método, proporcionaram evidenciar as principais estratégias inovadoras e a importância destas em ambiente competitivo.

Palavras-chave: Lojas Colaborativas, Empreendedorismo, Estratégia Competitiva. ABSTRACT

To meet new market changes and increasingly demanding consumers, it is necessary to seek strategies that can innovate and accompany this scenario, so collaborative economies emerge and gain more space in urban centers. To understand the innovations in this type of business, the general objective sought to apply the AHP method, to identify the entrepreneurial innovations, as well as the profile and perspectives of the collaborative stores researched in the city of Parnaiba-PI. The study has qualitative and quantitative nature, of exploratory character, through a questionnaire applied to the companies' managers. The results obtained with method analysis, provided evidence of the main innovative strategies and their importance in a competitive environment.

Keywords: Collaborative Stores, Entrepreneurship, Competitive Strategy. 1 INTRODUÇÃO

Um novo perfil de consumidor vem surgindo, onde buscam combinar produtos e/ou serviços sustentáveis, de forma econômica e colaborativa. Para atender essa demanda, surge a Economia Criativa, que segundo Macedo (2017), está vinculada ao consumo colaborativo, capaz de impulsionar a reflexão, mudanças na forma de trabalhar, gerenciar negócios, dentre outros.

Dentro desse contexto, surgem as lojas colaborativas, um local voltado para micro e pequenos empreendedores com dificuldades de se inserir no mercado, trazendo a possibilidade de

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locação de um espaço para a comercialização de produtos, ao mesmo tempo em que oferece o compartilhamento de custos de manutenção, marketing, dentre outros (MACEDO, 2017).

Este modelo de negócio está cada vez mais comum, em virtude do aumento de demissões, diminuição do poder de compra ao longo dos anos, e se assemelha a economia do compartilhamento, que já era praticada há muitos anos. Devido às constantes evoluções digitais, maior alcance e popularização da internet, essa modalidade conseguiu se remodelar e surgiu como uma inovação, com a integração dos avanços tecnológicos (FRANKLIN, 2018).

Em face a essa realidade, as empresas devem estar atentas às novas demandas de uma sociedade cada vez mais conectada e informada, e se torna imprescindível a capacidade de inovação. Percebe-se então, que para se manter neste mercado altamente competitivo, é necessário ter profissionais capacitados, criar estratégias empreendedoras e inovadores, a fim de atender esse novo perfil de consumidor (OCA, 2020).

De acordo com Soledade (2015, p.53):

Ter um comportamento estratégico definido é questão de sobrevivência para uma empresa. No caso específico dos pequenos e médios negócios, a formulação de estratégias serve para definir os caminhos que levam a empresa a determinar sua sobrevivência no mercado.

Levando em consideração as novas tendências e a necessidade dos pequenos negócios de manter-se no mercado competitivo, a loja colaborativa é uma opção criativa e inovadora, pois possibilita o compartilhamento de custos, a troca de serviços e produtos em um só espaço. Além disso, permite ao empreendedor crescimento, divulgação da marca, bem como soluções e aperfeiçoamento de produtos (VILARINHO, 2017).

Nessa perspectiva surge o seguinte questionamento: Que tipos de inovação, em lojas colaborativas, se destacam como diferencial competitivo? Este questionamento foi levantado pela necessidade de compreender de que maneira ocorrem as estratégias de inovação e empreendedorismo e as formas diferentes que esta pode assumir, nesse tipo de empreendimento.

Neste trabalho, temos como objetivo geral de aplicar o método AHP para melhor compreensão das inovações nas lojas colaborativas. Conforme tais argumentos, notamos a necessidade de aprofundar sobre o tema com os seguintes objetivos específicos: Identificar as estratégias inovadoras e empreendedoras; traçar o perfil e perspectivas das lojas colaborativas; no que concerne aos tipos de inovação existentes.

Assim, o presente estudo tem como justificativa, a necessidade de analisar quais estratégias inovadoras e empreendedoras, as lojas colaborativas utilizam como diferencial competitivo. Destaca-se também a importância dessa pesquisa, que por sua vez, trata de temas relativamente

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recentes, e espera-se que esta seja uma contribuição para um melhor entendimento desse novo modelo de negócio e os benefícios trazidos pela a economia compartilhada.

2 REFERENCIAL TEÓRICO

2.1 EMPRESAS COLABORATIVAS

A colaboração é algo intrínseco ao ser humano, pois o homem vive e trabalha em conjunto e para tal precisa atuar de forma colaborativa com as pessoas que estão a sua volta. No entanto, sempre esteve presente na vida do homem e nos tempos atuais cada vez mais a comunidade busca maneiras de compartilhar ações que visem melhorias, consumo consciente, sustentabilidade e diminuição do desperdício. Neste cenário, ela surge como um novo movimento que, a partir das tecnologias digitais de informação e comunicação, deu origem a uma outra forma de pensamento, a qual visa à redução do desperdício, ao aumento da eficiência no uso dos recursos naturais e ao combate ao consumismo desenfreado (FNQ, 2018).

A economia colaborativa visa uma mudança na maneira de se relacionar e compartilhar experiências, promove então a ideia de consumo de bens ou serviços de forma compartilhada, sendo que as organizações que trabalham com este conceito apresentam retorno financeiro e social proporcionando melhorias e desenvolvimento local (FNQ, 2018).

Baseado nesta economia, temos as lojas colaborativas, as quais conforme Sebrae (2014, p.1) “consistem em modelo de negócio em que um estabelecimento comercializa trabalhos de diversas pessoas”, sendo que a comercialização pode acontecer por meio de consignação ou locação de espaço. Os empreendedores buscam trabalhar compartilhando espaço para comercialização de produtos e ou serviços, custos, divulgação, atendimento.

Esta parceria proporciona diversas vantagens seja para os empreendedores: divulgação do produto e marca, possibilidade de melhorias na produção, tendo em vista que o empreendedor pode receber feedback da venda de seus produtos, possibilidade de ampliar a manter um bom networking; consumidores: disponibilidade tanto de variedade como de produtos diferenciados em mesmo local; ou mesmo a própria loja: constante atualização e diversidade de produtos e fidelidade da clientela que busca por produtos diferentes (SEBRAE, 2014).

Dentro do contexto atual, este empreendimento apresenta diversas características que proporcionam vantagens para diversas áreas, pois ao possibilitar um compartilhamento do espaço e dos demais custos para manter uma loja física, por exemplo, em funcionamento, muitos empreendedores que não possuíam condições financeiras de abrir seu negócio próprio, podem conquistar e até mesmo fidelizar clientes por meio da disposição de seus produtos e marca em

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ambientes já consolidados e que apresentam uma estrutura que permita o seu crescimento e desenvolvimento profissional.

2.2 EMPREENDEDORISMO

Ao longo do tempo o termo empreendedor passou por diversas evoluções, e dentre estes, já foi atrelado ao risco, apenas ao lucro pessoal, e no decorrer do século XX foi associado com a inovação. Pode ser observado uma diversidade de significados, ligado ao termo empreendedorismo, o qual se diferencia e se adapta de acordo com o tempo em análise (BISPO et al, 2012).

Para Dolabela (2008, p.23) “o empreendedor é alguém que sonha e busca transformar seu sonho em realidade” para o autor o empreendedorismo é algo inerente ao ser humano e existe desde o primeiro ato inovador realizado pelo homem, ele está em qualquer área e não apenas a frente de uma empresa como gestor. Pode se interpretar que o empreendedor é a pessoa que consegue identificar uma oportunidade e colocá-la em prática em busca de uma realização financeira ou pessoal, não podendo se limitar apenas a quem fundou um negócio/empresa, este pode estar em qualquer área, como por exemplo o funcionário que tem visão e consegue melhorar seu ambiente de trabalho colaborando com o sucesso na organização em que trabalha.

No Brasil pode se identificar dois tipos de motivações que impulsionam o empreendedor inicial, são elas: empreendedorismo pela necessidade ou por oportunidade. O primeira, busca alternativa de sobrevivência e o segundo, alcançar o sucesso por meio de uma oportunidade com grande viabilidade de retorno (GLOBAL ENTREPRENEURSHIP MONITOR, 2018).

Na atualidade o empreendedor é aquele que combina recursos, trabalho, materiais e outros ativos para tornar seu valor maior que antes. Pode-se destacar ainda, que este profissional deve ter a capacidade de inovar continuamente, trazendo ideias que revolucionam a organização (BISPO et al; 2012). O mercado de trabalho necessita cada vez mais de pessoas com o perfil empreendedor, tanto para alavancar a economia da região em que vive, com geração de negócios e empregos como também contribuindo com a melhoria das atividades, produtos, ações e demais coisas existentes, pois um dos principais atributos do empreendedor é a inovação.

2.3 ESTRATÉGIAS INOVADORAS

De acordo com Bisneto e Lins (2006), a inovação é parte essencial para que as empresas se mantenham e se renovem constantemente, se mantendo competitivas no mercado de trabalho, e inovar não deve ser referida apenas a algo novo, mas também a algo que foi melhorado, buscando atingir qualquer tipo de grupo de pessoas, sejam estes pequenos ou grandes e tendo como resultados

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não apenas retornos financeiros, como também econômico ou sociais, permitindo alcançar melhorias em diversos âmbitos.

Bessant e Tidd (2009, p. 42), existem várias formas que a inovação pode assumir, mas que é possível resumir em quatro tipos:

1. Inovação de produtos: representada pela mudança de produtos e serviços que a empresa oferece aos consumidores;

2. Inovação de processos: mudanças na forma em que os produtos/serviços são criados e entregues, inclui mudanças significativas nas tecnologias, equipamentos e logística; 3. Inovação de posição: constituída por mudanças no contexto em que produtos e serviços são introduzidos;

4. Inovação de paradigma: deriva de mudanças nos modelos mentais subjacentes que orientam o que a empresa faz.

Levando em consideração as formas de inovação, é importante frisar que esses modelos devem estar alinhados, e quanto mais equilibrados estiverem, maior deverá ser o retorno e a vantagem competitiva da empresa (BESSANT E TIDD, 2009).

Seguindo esse pensamento, ainda é possível destacar diversas ferramentas, para suporte na criação e desenvolvimento de um projeto, tais como: 5W2H “que recebe este nome devido às iniciais de cada uma delas. O quê? Por quê? Onde? Quando? Quem? Como? Quanto custa?” onde as informações obtidas com estes questionamentos norteiam o processo e permitem um planejamento com base em critério mais concisos; outro recurso é o Canvas, com uma abordagem simples visualiza-se através de uma estrutura que apresenta informações que permitem analisar sobre possíveis gargalos ou oportunidades permitindo não só o planejamento de um novo negócio como um atual (SEBRAE, 2018).

3 METODOLOGIA

A pesquisa caracterizou-se como qualitativa e quantitativa, de caráter exploratório, desenvolvida através de um estudo de multicaso. Além de dados primários em livros e artigos, a pesquisa utilizou-se de entrevista estruturada, por meio do método analytic hierarchy process (AHP), que auxilia as pessoas a justificar sua escolha, no processo de tomada de decisão.

Assim sendo, ela é voltada ao material relatado com a intenção de analisar suas características particulares, relacionando-as a aspectos locais e temporais tendo como ponto de partida as expressões e atividades das pessoas em seus contextos, e está vinculada à realização de um estudo de caso (FLICK, 2009).

Para se realizar essa pesquisa foi necessária à utilização de elementos fundamentais como: análise de informações em arquivos, pesquisas históricas, experimentos e levantamentos de dados

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(VERGARA, 2011). Estes estão relacionados ao planejamento e sistematização, utilizando-se, de uma entrevista com as proprietárias e de alguns de seus colaboradores.

Para o desenvolvimento deste projeto, foi realizado uma entrevista estruturada e conduzida em uma ordem predeterminada, cuidadosa e planejada de perguntas elaboradas pela equipe, para extrair o máximo de informações em duas empresas que atuam no ramo colaborativo situada na cidade de Parnaíba-PI, que iremos utilizar os nomes reais. Os instrumentos descritos para a coleta de dados, foram fundamentados com base na ética, mediante autorização dos participantes.

A coleta dos dados realizou-se no mês de março de 2020, e utilizamos e implantamos o modelo AHP, proposto pelo professor Thomas Saaty em 1990. Utiliza-se um exemplo desde a definição dos critérios que seriam utilizados, passando pelas comparações pareadas dos critérios, cálculo dos vetores de prioridade, conferência da consistência, normalização dos dados até o ranking final com as alternativas dispostas para a empresa.

4 ANÁLISE DE DADOS

Para a análise dos dados, utilizou-se um questionário estruturado e direcionado para as empreendedoras entrevistadas, de duas lojas colaborativas distintas. Neste sentido, analisou-se cada estratégia de inovação como critério, e todo questionamento relacionado às categorias inovadoras, como subcritérios. Todos possuíam graus de importância, classificados com uma pontuação de 1 a 6, capaz de definir em uma escala, os pontos mais priorizados na organização em relação a economia do compartilhamento.

A partir disto, pode-se explorar os dados coletados para atingir os objetivos propostos na pesquisa, possibilitando identificar dentre as estratégias inovadoras utilizadas, quais seriam os diferenciais competitivos desse modelo de negócio, tendo em vista, que nos procedimentos, as participantes foram informadas previamente qual pontuação seria relacionada a maior prioridade, a fim de possibilitar a aplicação do método AHP. Mediante o exposto, os resultados estão dispostos através das tabelas, a seguir:

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Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n. 10, p. 79101-79113, oct. 2020. ISSN 2525-8761 Tabela 1 – Atribuição de valores subjetivos aos subcritérios, cálculo do autovetor e A.V.N.

Critérios Cr1 Inovação por Produto/posição Cr2 Inovação por Paradigma Cr3 Inovação por Processo Autovetor A.V.N. Cr1 Inovação por Produto/posição 1 3 2 1,817121 53,96% Cr2 Inovação por Paradigma 1/3 1 1/2 0,550321 16,34% Cr3 Inovação por Processo ½ 2 1 1 29,70% Soma 1,83 6,00 3,50 3,37 1,00

Fonte: Elaborado pelos autores (2020)

Assim, na tabela 1 foi possível identificar e compreender que as duas lojas colaborativas trabalham com a inovação por produto/posição, por paradigma e por processo. Entretanto, dentre estas, a inovação por produto/posição obteve o maior percentual, com 53,96% de priorização da organização, dentro da hierarquia do método AHP. O resultado indica a este estudo que organizações colaborativas possam ter que priorizar esse tipo de inovação, visto que muitas marcas estão iniciando e precisam de apoio para incentivar a constante melhoria no produto e como eles são apresentados ao consumidor final. Nesse contexto, as entrevistadas mencionaram que estão sempre dispostas a aprender, constatando que o processo de aprendizagem pode ser importante para a inovação por produtos (RENNINGS et al., 2006).

Tabela 2– Atribuição de valores subjetivos aos subcritérios, cálculo do autovetor e A.V.N.

Subcritérios Sc1 Aluguel do BOX Sc2 Porcentagem sobre a venda Sc3 Gestão de Vendas Sc4 Consultoria / Assessoria Sc5 Marketing Colaborativo Sc6 Mudança de layout Autovetor A.V.N. Sc1 Aluguel do BOX 1 5 1/3 1/3 ½ 1/4 0,641 9,0% Sc2 Porcentagem sobre a venda 1/5 1 1/3 ¼ 1/5 1/6 0,267 4,0% Sc3 Gestão de Vendas 3 3 1 1 1 3 1,732 24,3%

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Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n. 10, p. 79101-79113, oct. 2020. ISSN 2525-8761 Sc4 Consultoria / Assessoria 3 4 1 1 ½ 1 1,348 18,9% Sc5 Marketing Colaborativo 2 5 1 2 1 2 1,849 25,9% Sc6 Mudança de layout 4 6 1/3 1 ½ 1 1,259 17,7% SOMA: 13,20 24,00 4,00 5,58 3,70 7,42 7,12 1,00

Fonte: Elaborado pelos autores (2020)

Na tabela 2 abaixo, foram descritos e pontuados os subcritérios dentro das estratégias inovadoras, elaborados com os dados das entrevistas. Dentre estes, as empreendedoras destacaram o aluguel de Box, que são espaços alugados a empreendedores parceiros com um preço diferenciado de mercado, para colaborar com as marcas que ainda não podem ter suas lojas físicas, por conta do alto valor financeiro. Destacou-se também, a porcentagem sobre o produto vendido, como forma de gratificação para o empreendedor parceiro que vender. Além disso, foi apontado como consequência da gestão de vendas, pois possuem estratégias próprias, que buscam potencializar as vendas, bem como, levar consultoria/assessoria para auxiliar com a parte mais burocrática, como a contabilidade. Outro subcritério relevante nas organizações é o marketing colaborativo, pois na visão das empreendedoras são extremamente importantes, uma vez que proporcionam as marcas participantes e as lojas em si, uma maior divulgação e aumento das vendas, de forma igualitária. Por outro lado, cabe destacar ainda, a mudança do layout, uma estratégia que ocorre semanalmente com o intuito de impulsionar produtos com baixa nas vendas, garantindo uma rotatividade na vitrine e proporcionando uniformidade entre as marcas.

Dessa forma, pode-se observar que as duas estratégias inovadoras e empreendedoras com maior prioridade para as organizações são estratégias de vendas e marketing colaborativo. Para Bramwell & Lane (2000) argumentam que, por meio da combinação de conhecimento, experiência e capital, a estratégia de marketing colaborativo pode produzir consenso e sinergia, levando a novas oportunidades, soluções inovadoras e um maior nível de eficácia que não seria possível alcançar com os parceiros agindo sozinhos.

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Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n. 10, p. 79101-79113, oct. 2020. ISSN 2525-8761 Tabela 3: Vetor de decisão nos critérios

Critérios Alternativas Sc1 Aluguel do BOX Sc2 Porcentagem sobre a venda Sc3 Gestão de Vendas Sc4 Consultoria / Assessoria Sc5 Marketing Colaborativo Sc6 Mudança de layout Vetor de Decisão Valor de Critérios 9,01% 4,03% 24,3% 18,94% 25,98% 17,70% Cr1 Inovação por Produto Posição 16,67% 16,67% 18,5% 18,52% 16,67% 12,96% 16,81% Cr2 Inovação por Paradigma 15,79% 15,79% 17,5% 17,54% 17,54% 15,79% 17,00% Cr3 Inovação por Processo 16,98% 16,98% 18,8% 16,98% 15,09% 15,09% 16,62%

Fonte: Elaborado pelos autores (2020)

Nesta última tabela, os critérios (estratégias inovadoras), são confrontados com os respectivos subcritérios (inovações utilizadas pelas empresas colaborativas), a fim de definir o perfil e uma perspectiva dessas organizações, por meio do vetor de decisão de critérios, que permite considerar de maneira isolada as decisões, possibilitando um melhor entendimento do diferencial competitivo deste modelo de negócio pesquisado.

Conclui-se, relacionando cada critério a um subcritério, o tipo de inovação que mais se aproxima de todas as estratégias usadas pelas empresas, é a por paradigma, pois conseguiu obter a maior porcentagem dentre as demais, e com isto é considerada de grande relevância também para esse tipo de negócio. A inovação por paradigma é a responsável por “mudanças nos modelos mentais básicos que norteiam o que a empresa faz” (BESSANT E TIDD, 2009, P.30). Neste sentido, a inovação é aquela que busca reescrever e/ou transformar as regras dentro de um negócio.

5 CONCLUSÃO

Em um cenário cada vez mais competitivo, os modelos de negócio devem ficar sempre atentos às mudanças ocorridas no cenário que estão inseridos, e investir em estratégias inovadores que possam garantir continuidade de suas atividades. Neste sentido, identificar as principais características inovadoras utilizadas por empresas, ajudam a entender como elas são cruciais para manutenção do negócio e servem como diferencial competitivo no mercado.

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Verificou-se, que as organizações deste estudo, priorizam às inovações das áreas de marketing colaborativo e gestão de vendas, e incorporado à estas, se destacam à consultoria/assessoria, mudança de layout e aluguel dos boxes, confirmando que todas as estratégias são criadas e pensadas para uma forma de ganhos bilateral. Assim as gestoras proporcionam possibilidade de crescimento e divulgação da marca e produtos de todos os parceiros, permitindo uma melhoria no volume das vendas e um retorno financeiro para ambos.

Ressalta-se que na pesquisa, as proprietárias têm o cuidado e acompanham desde a escolha de novas parcerias, aluguel dos boxes e como será distribuído os produtos com o intuito de favorecer a venda de todos os itens. Outro fator observado neste tipo de negócio é o desenvolvimento e capacitação dos parceiros, uma vez que as gestoras demonstram preocupação e buscam desenvolver ações que visam o acompanhamento e aperfeiçoamento, por meio de consultorias em áreas burocráticas, como a parte contábil e financeira, bem como a apresentação e acabamento dos produtos.

Por meio deste estudo, identificou-se as seguintes inovações nas empresas colaborativas pesquisadas: por produto/posição, por processo e por paradigma. A qual o maior destaque foi direcionado ao produto/posição, e quando comparados entre critério e subcritério, por meio do autovetor, a por paradigma é a que mais se aproxima do perfil desse modelo de negócio. De certo, estas se destacam nas organizações, em decorrência de um portfólio diversificado, no qual esses produtos não são encontrados em outros espaços comerciais, considerados exclusivos, e também pela constante mudança no layout, a fim de permitir visibilidade para todos os produtos de maneira estratégica.

Conclui-se que existe semelhança na forma de gestão destes dois empreendimentos, tendo como destaque o desenvolvimento local e o trabalho compartilhado. Esperamos ainda, que este trabalho possa servir de base em estudos futuros, para a sociedade de maneira em geral, no que diz respeito a um estudo com mais organizações da economia do compartilhamento, com o intuito de um aprofundamento na identificação das estratégias inovadoras e diagnosticando as semelhanças, pontos fortes e oportunidades que tornam este modelo de negócio um diferencial inovador e competitivo.

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REFERÊNCIAS

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Tabela 1 – Atribuição de valores subjetivos aos subcritérios, cálculo do autovetor e A.V.N
Tabela 3: Vetor de decisão nos critérios  Critérios  Alternativas  Sc1  Aluguel  do BOX  Sc2  Porcentagem  sobre a venda  Sc3  Gestão de  Vendas  Sc4  Consultoria / Assessoria  Sc5    Marketing  Colaborativo  Sc6    Mudança de layout  Vetor de  Decisão  Va

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