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as crescentes demandas e questionamentos sobre a questão.

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FURNAS CENTRAIS ELÉTRICAS S.A

Rua Real Grandeza, 219, bloco B, sala 301, Botafogo, Rio de Janeiro, CEP 22283-900, RJ/Tel.: (021)528-4988/FAX: (021)528-4917/e-mail: [email protected]

21 a 26 de Outubro de 2001 Campinas - São Paulo - Brasil

STE

SESSÃO TÉCNICA ESPECIAL DE INTERFERÊNCIAS, COMPATIBILIDADE ELETROMAGNÉTICA E QUALIDADE DE ENERGIA – SCQ

AVALIAÇÃO DE NÍVEIS DE CAMPOS ELÉTRICOS E MAGNÉTICOS EM INSTALAÇÕES ELÉTRICAS

Alvaro de Mattos Bartholo FURNAS CENTRAIS ELÉTRICAS RESUMO

A ABRICEM – Associação Brasileira de Compatibilidade Eletromagnética, entidade destacada por seu pioneirismo com relação às atividades de pesquisa envolvendo medição e avaliação de efeitos dos campos eletromagnéticos nos organismos vivos vem realizando nos últimos anos, diversos trabalhos de medições de níveis de campos elétricos e magnéticos em subestações, linhas de transmissão e distribuição, tendo inclusive elaborado laudos técnicos em subestações e linhas localizadas em áreas urbanas, atendendo a demandas judiciais. Paralelamente, a Associação está concluindo, com o objetivo de fundamentar os Órgãos Públicos, uma proposta de normalização sobre o assunto junto a ANEEL, similarmente ao que foi realizado para altas freqüências junto a ANATEL, com o estabelecimento de metodologia e critérios para medição e avaliação desses campos e limites de tolerância para exposição aos mesmos, sob as óticas ambiental e ocupacional, procedimento que vem se tornando imperioso, tendo em vista

as crescentes demandas e questionamentos sobre a questão.

O presente trabalho se propõe a apresentar uma síntese desse cenário, abordando aspectos relacionados a recomendações internacionais, resultados de experiências de medição realizadas, metodologia e critérios para avaliação, além de valores limites de tolerância para exposição de trabalhadores e população em geral,

PALAVRAS-CHAVE

Medição - Radiações Não Ionizantes – Campos Eletromagnéticos.

1.0 - INTRODUÇÃO

Os campos elétricos e magnéticos de baixa freqüência estão intimamente presentes em nossas vidas, através da geração, transmissão e distribuição de energia elétrica e da utilização de diversos aparelhos domésticos do nosso cotidiano, além de equipamentos hospitalares, automóveis enfim, no nosso dia a dia. Esses campos também estão presentes, de forma

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natural na terra, e são suficientemente fortes para orientarem uma bússola, por exemplo. No entanto, de forma diferente da corrente alternada, os campos da terra são constantes (corrente contínua) em uma direção.

Os campos elétricos e magnéticos produzidos por instalações elétricas são denominados campos de baixa freqüência e estão enquadrados no elenco das radiações não ionizantes, como também os campos gerados por sistemas de radiofreqüências e microondas, que utilizam freqüências muito mais elevadas.As radiações não ionizantes, como sua própria denominação diz, não são capazes de promover a ionização de átomos, ou seja, arrancar elétrons de átomos ou moléculas, desestabilizando a cadeia atômica. Esse fenômeno de retirada de elétrons ocorre com radiações a partir da faixa de ultravioleta e podem promover danos irreparáveis ao organismo humano, como o câncer e alterações genéticas (má formação de fetos). Diversos estudos sugerem que os campos elétricos e magnéticos de baixas freqüências podem induzir correntes elétricas no corpo humano, gerando efeitos de superfície, como eriçamento de pelos para campos elétricos elevados. Indicam ainda que esses campos podem afetar marcapassos cardíacos ou outros implantes metálicos. Quanto maior a intensidade do campo, mais forte o seu efeito. O organismo humano pode compensar até certo ponto o efeito de correntes induzidas. Existem associações, todas ainda sem a necessária comprovação epidemiológica, com relação a um aumento nos casos de câncer por pessoas expostas ao campo magnético. Atribui-se, embora ainda sem qualquer embasamento científico sustentável, que o campo magnético possa promover uma indução de corrente no organismo, que pode levar ao rompimento da cadeia de DNA, predispondo o aparecimento de alguns tipos de câncer.

2.0 - RECOMENDAÇÕES INTERNACIONAIS A Comissão Internacional de Proteção contra Radiações Não Ionizantes (ICNIRP), através de documentação revisada em 1998, estabeleceu os limites abaixo para exposição a campos elétricos

e magnéticos de 60 Hz, como é o caso aqui abordado, que são recomendados no âmbito mundial, através da OMS (Organização Mundial de Saúde):

Exposição Ocupacional (Trabalhadores, 8 horas/dia).

Campo Elétrico: E= 8.333 V/m Campo Magnético: B= 4.187 mG

Exposição Ambiental (Populações, 24 horas/dia) Campo Elétrico :E=4.166 V/m

Campo Magnético:B= 837 mG

Podemos observar que esses valores são muito maiores que os normalmente encontrados em nossas casas e ao redor das linhas de transmissão e distribuição .Como exemplo, podemos citar alguns valores de campos elétrico e magnético, medidos a uma distancia aproximada de 0,30 cm em relação à fonte: secador de cabelos (E=40 V/m, B=70 mG), televisor (E=30 V/m, B=20 mG), fogão elétrico (E=10 V/m, B=40 mG).

3.0 - INSTRUMENTAÇÃO PARA MEDIÇÃO

Campos elétricos são medidos em V/m (Volt por metro) e campos magnéticos em A/m (Ampère por metro). Uma outra grandeza relacionada ao campo magnético é o fluxo magnético B que é medido em G (Gauss) ou T (Tesla), unidades que apresentam a equivalência: 1 T = 10.000 G. Os campos elétricos e magnéticos podem ser medidos com a utilização de instrumentação para monitoramento de radiações de baixa freqüência, acoplada a antenas isotrópicas. Em função de harmônicos gerados na baixa freqüência, é ainda realizada avaliação espectral, com a utilização de analisadores de espectro. Os campos elétricos são bloqueados por árvores, construções e outros objetos, enquanto que os campos magnéticos atravessam esses meios sem dificuldade. A maioria das pesquisas concentra preocupação com os possíveis efeitos nocivos dos campos magnéticos aos organismos vivos. A intensidade de ambos os campos diminui rapidamente à medida que nos afastamos das

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fontes geradoras dos mesmos. Em linhas de transmissão, por exemplo, o campo magnético pode variar de 1 a 100 mG, em função da distância. Os campos magnéticos em residências podem variar de 1 a centenas de miliGauss, dependendo do aparelho doméstico que seja utilizado e de sua proximidade com o usuário. Além da proximidade à fonte, outro fator relevante é o tempo de exposição.Os níveis de campos gerados por linhas de transmissão e distribuição de energia, também variam durante o dia, em função da carga que está sendo transmitida.

4.0 - METODOLOGIA APLICADA

Os pontos de medição devem ser selecionados de forma a se mapear a distribuição dos campos eletromagnéticos na área avaliada, levando-se em consideração as regiões do terreno onde teoricamente se encontram os campos

eletromagnéticos mais elevados, bem como a utilização futura, no caso de ampliações da área analisada. É importante ainda observar dados da curva de carga do sistema, que apresenta o consumo de energia variando na unidade de tempo. Os pontos de alto consumo em geral estão concentrados entre 18 e 21 horas,

caracterizando o horário de ponta, enquanto que ao longo do dia e particularmente de madrugada, são encontrados pontos de baixo e baixíssimo consumo, respectivamente.Os campos elétricos são medidos com o respectivo sensor instalado sobre tripé específico do instrumental para esse tipo de medição, nivelando a sonda a 1,0 m de altura em relação ao solo, conforme

padronização internacionalmente adotada. A sonda é interligada ao instrumento por intermédio de cabeação em fibra óptica,

viabilizando as medições sem a interferência do corpo humano. Os campos magnéticos são avaliados com o sensor diretamente acoplado ao instrumento, face à inexistência de interferência humana para esse tipo de medição.

5.0 – MEDIÇÕES REALIZADAS SE Bandeirantes (CPFL)

Em meados de 1996, a Prefeitura de Campinas dirigiu à ABRICEM solicitação de parecer técnico com relação à viabilidade, sob o aspecto de saúde ambiental, da implantação do

Residencial Palácios, construção do tipo multi-familiar, em terreno contíguo às instalações da SE Bandeirantes e respectivas linhas de

transmissão e distribuição de energia elétrica no referido município.

A solicitação foi devida ao fato de ter sido esse órgão municipal acionado pela Secretaria de Planejamento e Meio Ambiente, com vistas a avaliação de possíveis impactos dos campos eletromagnéticos emitidos pelo complexo elétrico sobre a saúde da população que ali poderia habitar, uma vez que cálculos teóricos preliminares dessa Secretaria apresentavam , em determinados pontos, níveis de campos

eletromagnéticos que sugeriam a necessidade do mapeamento da região.

A ABRICEM realizou medições de níveis de campos elétricos e magnéticos na região citada, tendo ainda mapeado, para fins de comparação de resultados, outros pontos da cidade de Campinas, onde linhas de transmissão e subestações aproximavam-se de moradias. As medições, realizadas em horários de ponta e fora de ponta, apresentaram em todos os casos valores substancialmente inferiores aos limites recomendados. O maior valor de campo elétrico encontrado foi de 400 V/m, em área contígua ao estacionamento das instalações do futuro

condomínio. Com relação ao campo magnético, o maior valor obtido nas medições situou-se em 31,98 mG, em ponto próximo ao alimentador de 11,9 kV.Foi verificado que os níveis de campos elétricos e magnéticos seriam mantidos ainda em patamares inócuos em relação às recomendações internacionais, mesmo considerando-se a expansão prevista para a Subestação (instalação de transformador de 25 MVA, 138 kV,

totalizando 50 MVA).

LT 138 kV Tanquinho-Trevo (CPFL)

A referida linha de transmissão foi mapeada nos trechos entre as torres 19-3 e 19-4, junto ao

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entroncamento com a LT Paineiras-Campinas (Centro), nos arredores de um shopping center, na cidade de Campinas. O maior valor de campo elétrico encontrado foi de E=1.820 V/m em área sob a linha de transmissão, utilizada como travessia de pedestres. O maior valor de campo magnético (B=15,48 mG) registrou-se próximo à calçada da Rua Joaquim Pinto, sob a linha de distribuição de 11,9 kV, próximo ao

transformador.

Subestação Congonhas (CPFL)

Em 1997, a CPFL solicitou à ABRICEM a realização de medições de níveis de campos elétricos e magnéticos em área próxima à Subestação Congonhas, em São José do Rio Preto, que apresentava características muito semelhantes à Subestação Austa em construção no mesmo município, e que vinha sendo objeto de embargo judicial, em função de reclamatória da Associação de Moradores do Bairro Mançor Daud, região onde a referida Subestação seria implantada.

A ABRICEM realizou as referidas medições e apresentou posteriormente palestra para a comunidade local, com o objetivo de dirimir dúvidas e interpretações equivocadas sobre a questão. Os valores encontrados, tanto para campo elétrico quanto para magnético, igualmente se situaram em patamares substancialmente inferiores aos níveis de exposição internacionalmente recomendados. LT 88 kV Bandeirantes-Pirituba (Eletropaulo) Em abril do corrente ano, a ABRICEM realizou medições de níveis de campos elétricos e

magnéticos no Bairro Alto Pinheiros, São Paulo, SP, em áreas urbanas próximas à referida linha de transmissão, atendendo a solicitação de representantes de segmentos da sociedade local, que encontrava-se alarmada, em função de recentes notícias divulgadas pela imprensa, associando os níveis de campos elétricos e magnéticos presentes na região a riscos

relacionados à saúde ambiental. Os resultados também se apresentaram em níveis

substancialmente inferiores aos

internacionalmente recomendados, contrariando notícias alarmantes veiculadas pela mídia local. O maior valor de campo elétrico (E=860,0 V/m), medido em horário de ponta, foi encontrado em área externa a uma instalação domiciliar,

.aproximadamente 4 m de distancia do portão de acesso, sob a linha de transmissão, entre as torres T92 e T93. Com relação ao campo magnético, o maior valor encontrado também aconteceu nesse mesmo local, tendo sido medido 56,0 mG, no mesmo horário. Os valores medidos no interior do domicílio , situaram-se em patamares sempre inferiores a 3 V/m e 35 mG, respectivamente para campos elétrico e magnético.mesmo em horário de ponta, substancialmente inferiores às recomendações adotadas pela OMS.

6.0-AVALIAÇÃO DOS RESULTADOS

Os resultados encontrados em geral nas medições de subestações, linhas de transmissão e distribuição localizadas em áreas com grande concentração urbana, tem se apresentado em níveis inferiores aos padrões de tolerância internacionalmente recomendados pára exposição a essas radiações, sob o aspecto ambiental.

Tal tendência vem sendo observada em um grande número de avaliações realizadas, com raras exceções, onde a mitigação de eventuais problemas é tecnicamente viabilizada.

7.0 - CONCLUSÕES

Considerando o estado da arte dos estudos desenvolvidos a nível mundial que sugerem serem bastante fracas as evidencias de que campos magnéticos a baixas freqüências possam causar câncer e que o fator de risco, se existe é potencialmente baixo, e considerando ainda que nas medições realizadas vem sendo encontrados valores substancialmente inferiores aos limites internacionalmente recomendados, podemos concluir que dentro do atual estágio do conhecimento humano, não há como imputar danos à saúde da população em geral por conseqüência da exposição a campos elétricos e

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magnéticos de baixas freqüências em subestações e linhas de transmissão e distribuição localizadas em áreas urbanas Todavia, tendo em vista os crescentes

questionamentos por parte da opinião pública sobre o assunto, inclusive acarretando em

dificuldades na implantação de projetos do setor, como é caso da Subestação Austa aqui citada e da linha de transmissão da CHESF passando pelo conjunto Ceará), vem se tornando

extremamente necessário o estabelecimento de normas nacionais, embasadas em

recomendações internacionais já existentes, e referendadas pela OMS, que virão facilitar a defesa do setor em demandas judiciais, tal como vem ocorrendo em relação às atividades de telecomunicações, recentemente equacionadas pela ANATEL . Com esse propósito, a

ABRICEM, através do seu Grupo de Trabalho constituído por equipe multidisciplinar

congregando engenheiros, médicos físicos e biólogos, está elaborando proposta de regulamentação para exposição a campos elétricos e magnéticos na faixa de 60 Hz, que deverá ser encaminhada a ANEEL, ainda no corrente ano

.

8.0 - BIBLIOGRAFIA

(1) Guidelines on limits of exposures to 50/60 Hz electric magnectic fields (2) IRPA/INIRC. Guidelines for Limiting

Exposure to Time Varying Electric, Magnetic and Eletromagnetic Fields (up to 300 GHz) - Health Physics vol. 74, n.4, pp.494-552, april 1998.

(3) Associação Brasileira de

Compatibilidade Eletromagnética – ABRICEM - Relatórios de Laudos Técnicos.

Referências

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