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Embargos de Terceiro e outros Luciano Tadeu Telles

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Academic year: 2021

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Embargos de Terceiro e outros

Luciano Tadeu Telles

Advogado; Especialista e Mestre em Direito Processual Civil pela PUC-SP; Professor Universitário; Professor dos Cursos de Pós-Graduação em Direito Processual Civil da PUC-SP.

(2)

Dos Embargos de Terceiro

Conceito – Ação cognitiva, com viés declaratório e constitutivo

negativo, de procedimento especial de jurisdição contenciosa,

destinado ao combate de atos de constrição patrimonial que incidam

sobre a posse ou a propriedade alheias.

Previsão legal – a) Código de Processo Civil em vigor: os embargos de

terceiro estão disciplinados nos artigos 1046 até 1.054; b) Novo Código

de Processo Civil: estão indicados nos artigos 674 até 681.

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Espécies

Os embargos de terceiro podem ser totais ou parciais.

Totais quando recairem sobre todos os bens constritos nos autos principais; parciais quando recairem sobre parte dos bens constritos.

Os embargos de terceiro, de acordo com a redação imposta ao artigo 674, caput, do NCPC, poderão ser repressivos ou preventivos

Repressivos são aqueles opostos contra o ato de constrição já consumado; preventivos, a saber, são aqueles destinados a evitar a consumação dos atos de constrição.

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Legitimidade Ativa: os embargos de terceiro podem ser ajuizados por todo aquele que, não

sendo parte no processo, sofrer as consequências negativas da prática de ato de constrição patrimonial, a incidir sobre a sua posse ou propriedade. Assim, é possível ao possuidor, ao proprietário, bem como ao credor com garantia real, a oposição de embargos de terceiro. O Novo Código de Processo Civil, especialmente em seu artigo 674 e parágrafos, permite que os embargos sejam opostos: a) pelo terceiro proprietário, inclusive fiduciário ou possuidor; b) pelo cônjuge ou companheiro, na defesa da posse de bens próprios ou da sua meação; c) o adquirente de bens cuja constrição decorreu da decisão que reconheceu a ineficácia do ato praticado em fraude de execução; d) por aquele que sofre constrição judicial de seus bens, em razão da desconsideração da personalidade jurídica, de cujo incidente não fez parte; e) o

credor com garantia real para obstar expropriação judicial do objeto de direito real de garantia, caso não tenha sido intimado do ato de constrição.

O juiz poderá, ainda, nos moldes do parágrafo 1º. do artigo 675 do NCPC, determinar a

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Legitimidade Passiva: os embargos de terceiro podem ser manejados em face de

quem deu causa à prática do ato de constrição patrimonial.

Assim e a princípio, o devedor que deu causa ao ato de constrição, ao não cumprir a obrigação alvo de processo alheio, deve figurar no polo passivo da demanda.

Entretanto, registro a existência de discreto dissídio doutrinário, no sentido de que os embargos podem ser manejados em face do devedor da ação principal ou que devem ser opostos tanto em face do devedor principal quanto do credor, esse último

beneficiário do ato de constrição impugnado.

O Novo Código de Processo Civil, em seu artigo 677, parágrafo 4º., coaduna-se com a segunda corrente doutrinária citada, para esclarecer que os embargos serão opostos em face de quem o ato de constrição aproveita, bem como de seu adversário no

processo principal, quando este último for o responsável pela indicação do bem constrito.

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Prazo para oposição dos embargos de terceiro

No processo de conhecimento, os embargos de terceiro podem ser manejados enquanto não transitada em julgado a sentença.

No cumprimento de sentença ou na execução de título extrajudicial, os embargos podem ser manejados a qualquer tempo, inclusive em até 05 (cinco) dias após a arrematação ou adjudicação, desde que não expedida a respectiva carta.

O NCPC mantém praticamente a mesma redação imposta ao atual artigo 1048, estabelecendo apenas e tão somente no seu artigo 675, caput, que os embargos

podem ser opostos em até 05 (cinco) dias após a adjudicação, alienação por iniciativa particular ou da arrematação, mas sempre antes da assinatura da respectiva carta.

(7)

Competência

Na atual sistemática e na forma do artigo 1049 do Código de Processo Civil, os

embargos devem ser opostos por dependência e correrão em autos distintos perante o mesmo juiz que ordenou a apreensão.

Na sistemática futura e nos termos do artigo 676 e seu parágrafo único, os embargos de terceiro devem ser distribuídos por dependência ao juízo que ordenou a constrição e autuados em apartado.

Também de acordo com a nova sistemática, cuidando-se de constrição realizada por carta, os embargos serão oferecidos no juízo deprecado, salvo se indicado pelo juízo deprecante o bem constrito ou se devolvida a carta precatória.

(8)

Procedimento

Petição inicial: na forma do artigo 1050 do atual CPC, deve ser elaborada de acordo

com o artigo 282 daquele diploma legal, competindo ao embargante promover a prova sumária de sua posse e a qualidade de terceiro, oferecendo documentos e rol de

testemunhas. O valor da causa deve corresponder ao valor do be m sobre o qual incidem os embargos.

No contexto do NCPC, o artigo 677 daquele diploma esclarece que na petição inicial deverá o embargante fazer prova sumária da sua posse ou de seu domínio e da

qualidade de terceiro, oferecendo documentos e rol de testemunhas.

A prova da posse também poderá ser feita em audiência preliminar, inexistindo

distinções entre o parágrafo 1º. do artigo 1050 do atual CPC e do artigo 677 do NCPC. Também é possível que o embargante prove, além da sua posse, domínio alheio (CPC, artigo 1050, parágrafo 2º.; NCPC, artigo 677, parágrafo 2º.)

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Controle de admissibilidade

A petição inicial dos embargos de terceiro está sujeita a controle de admissibilidade, podendo haver indeferimento liminar, cujo pronunciamento desafia recurso de

apelação.

A petição inicial dos embargos também sujeita-se a emendas por vícios sanáveis. Estando em termos a petição inicial, o juiz poderá deferir medida liminar para imediata liberação dos bens constritos e ordenar a citação do embargado.

O indeferimento de medida liminar requerida desafia recurso de agravo por instrumento, tanto na atual quanto na nova sistemática recursal.

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Contraditório

Deve ser necessariamente observado, em homenagem ao princípio constitucional insculpido artigo 5º., inciso LV, da Constituição Federal.

Citação

Tanto na atual sistemática, quanto na sistemática projetada, a citação para responder aos

embargos de terceiro deverá recair sobre o procurador constituído nos autos da ação principal (CPC, art. 1050, parágrafo terceiro; NCPC, art. 677, parágrafo terceiro).

Não havendo procurador constituído, a citação deverá recair pessoalmente sobre a figura dos embargados.

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Procedimento Resposta

Na sistemática processual civil em vigor, os embargos poderão ser contestados no prazo de 10 (dez) dias, findo o qual proceder-se-á de acordo com o disposto no artigo 803 do CPC. (CPC, art. 1053).

Na sistemática futura, os embargos poderão ser contestados no prazo de 15 (quinze) dias, findo o qual se seguirá o procedimento comum.

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Matérias arguíveis em sede de embargos de terceiro

Em razão da natureza especial dos embargos de terceiro, há fundamentação vinculada das matérias arguíveis em contestação, que devem voltar-se para a falta de condições da ação, pressupostos processuais ou da legitimidade do ato de constrição.

Assim, por exemplo, não se admite a apresentação de contestação, para alegar que o imóvel constrito foi adquirido em fraude contra credores. A esse propósito, firme é a Súmula 195 do C. Superior Tribunal de Justiça.

Na hipótese de embargos de terceiro opostos por credor com garantia real, as matérias arguíveis são aquelas inseridas no artigo 1053 do CPC e do artigo 680 do NCPC.

Não se admitem também outras espécies de intervenção de terceiros.

As defesas limitam-se, pois, à contestação e às exceções de incompetência, suspeição ou impedimento.

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Ausência de impugnação

Cuidando-se de ação autônoma, de natureza incidental e de procedimento especial, a eventual não apresentação de resposta pelo embargado, a princípio, pode implicar na configuração da revelia e na produção dos seus efeitos primários e secundários.

Entretanto e considerando que o ato de constrição impugnado emerge do próprio Poder Judiciário e reveste-se de presunção de legalidade e legitimidade, entendo que o efeito primário da revelia não se aplica de plano; desta forma, compete ao

embargante fazer prova da ilegalidade do ato de constrição, independentemente da ausência de resposta do embargado.

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Dilação probatória

A princípio e considerando que a petição inicial dos embargos de terceiro, bem como a resposta, devem estar instruídas com documentos, não será necessária a realização de audiência de instrução e julgamento.

Entretanto, se as alegações dependerem de prova testemunhal e o rol for apresentado com a petição inicial ou com a defesa, deverá ser realizada audiência.

Também é possível a utilização de quaisquer outros meios de prova para formação do livre convencimento motivado do juiz, desde que a colheita tenha sido legítima.

(15)

Sentença

A sentença que julgar o mérito dos embargos de terceiro deve atender aos ditames do artigo 458 do CPC, bem como do artigo 489 do NCPC.

No que toca a eficácia da decisão, entende-se que o pronunciamento é híbrido: ao mesmo tempo em que declara a legalidade ou ilegalidade, a eficácia ou ineficácia do ato de constrição, pode liberar os bens penhorados, para que deles possa fazer uso o embargante ou determinar que continuem vinculados ao processo.

O julgamento de procedência implica na liberação dos bens constritos e produz efeitos no processo principal; a rejeição autoriza que se dê continuidade aos atos de

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Sucumbência

O vencido nos embargos de terceiro, sem dúvida, deve efetuar o pagamento das despesas processuais alvo de adiantamento.

Também deve efetuar o pagamento dos honorários advocatícios, em observância ao princípio da causalide.

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Recursos

A decisão que resolve os embargos de terceiro é sentença e, como tal, pode ser impugnada pelos seguintes recursos:

Embargos de declaração (desde que satisfeitos os requisitos dos artigos 535 e seguintes do CPC e dos artigos 1.022 e seguintes do NCPC);

Apelação (nos moldes dos artigos 513 e seguintes do CPC e dos artigos 1009 e seguintes do NCPC).

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Efeitos do recurso de apelação

O apelo deverá ser recebido no duplo efeito, eis que o recurso não se enquadra nas exceções indicadas nos incisos do artigo 520 do CPC e nos incisos do artigo 1012, parágrafo 1º. do NCPC

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Polêmica:

Há utilidade dos embargos de terceiro opostos pelo cônjuge do devedor em razão do disposto no artigo 655-B do CPC e do artigo 843 do NCPC ?????

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Procedimento Resposta

Na sistemática processual civil em vigor, os embargos poderão ser contestados no prazo de 10 (dez) dias, findo o qual proceder-se-á de acordo com o disposto no artigo 803 do CPC. (CPC, art. 1053).

Na sistemática futura, os embargos poderão ser contestados no prazo de 15 (quinze) dias, findo o qual se seguirá o procedimento comum.

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AÇÃO DE IMISSÃO NA POSSE Conceito

Ação destinada a conferir posse a quem ainda não a tem, ou,ainda, a ação que visa proteger o direito a adquirir uma posse da qual o seu titular ainda não desfruta.

A ação de imissão na posse deve ser utilizada por quem faz jus e está privado da posse de determinado bem imóvel.

Trata-se, em última instância, de ação destinada à aquisição da posse por quem ainda não a obteve.

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Previsão Legal

A ação de imissão na posse não está explicitamente prevista no ordenamento processual civil em vigor, nem tampouco no NCPC.

Entretanto, da análise do artigo 461-A do CPC, bem como do artigo 498 do NCPC, é possível falar-se na possibilidade de ajuizamento de ação de ação dessa natureza.

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Natureza jurídica

Existem discussões a respeito da natureza da ação de imissão na posse, no sentido da demanda assumir contornos possessórios ou petitórios.

A despeito dessa divergência, nosso entendimento é no sentido de que a ação de imissão na posse tem CUNHO PETITÓRIO, na medida em que postula-se a concessão da posse com base na propriedade.

(24)

Cabimento

A ação de imissão na posse pode ser utilizada para:

-Permitir ao adquirente a obtenção da posse diante do alienante;

-Permitir ao novo proprietário, diante da cláusula do constituto possessório, a obtenção da posse em face do antigo proprietário, ora mero detentor;

- Permitir que os herdeiros do compromissário comprador que cumpriu integralmente as obrigações e que faleceu no curso do contrato preliminar, sejam imitidos na posse do bem adquirido

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Procedimento

A ação de imissão na posse deve observar as disposições consignadas no procedimento comum ordinário.

No NCPC, não há mais a classificação do procedimento comum em ordinário e sumário, mas sim entre o procedimento comum e o especial.

Nessa hipótese e à luz do novo codex, a ação de imissão na posse observará o procedimento comum.

(26)

Petição inicial

Deverá observar os requisitos indicados nos artigos 282 e seguintes do CPC e 319 e seguintes do NCPC.

O valor da causa deverá corresponder ao valor do bem cuja posse é pretendida, cabendo ao autor indicar que faz jus à imissão na posse, em razão da propriedade.

(27)

Legitimidade

A ação deve ser proposta pelo titular do direito de propriedade, que viu-se alijado de obter pelas vias normais a posse do imóvel adquirido.

A demanda deve ser proposta em face de quem tem o dever de transmitir a posse, em razão da transferência da propriedade.

Competência

A ação de imissão na posse é fundada em direito real, razão pela qual deve ser

(28)

Controle de admissibilidade

Estando em termos a petição inicial, o juiz a receberá e determinará a citação do Réu, para cumprir a obrigação (isto se houver a concessão de medida liminar) e apresentar resposta no prazo de 15 (quinze) dias, à luz do artigo 297 do CPC.

Cuidando-se de demanda proposta sob o jugo do NCPC, o Réu será citado para

comparecer à audiência de conciliação, que não se realizará se o requerido assim não o desejar, nos termos do artigos 334 e 335 da novel legislação.

É possível, ainda, o deferimento de medida liminar antecipatória de tutela, desde que presentes os requisitos exigidos pelo parágrafo 3º. do artigo 461 do CPC e 536 e

(29)

Posturas a serem adotadas pelo Réu

Regularmente citado, o réu poderá apresentar contestação, cujas matérias a serem arguíveis são aquelas indicadas 300 e 301 do CPC e 336 e 337 do NCPC.

Na sistemática do CPC de 1939, era restrito o rol de matérias de defesa para as ações de imissáo na posse.

Entretanto, considerando a supressão explícita da ação de imissão na posse do sistema em vigor, bem como do futuro, admite-se a dedução de toda e qualquer matéria de defesa, inclusive a retenção por benfeitorias.

Também é possível a arguição das exceções de incompetência do juízo, bem como de suspeição ou impedimento do juiz.

Admite-se a apresentação de impugnação ao valor da causa e de assistência; as demais modalidades de intervenção de terceiros, em tese, também são cabíveis.

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Na hipótese de deferimento de medida liminar, o réu poderá insurgir-se contra a providência por meio de agravo de instrumento.

Na sistemática do novo CPC, além da possibilidade de interposição de agravo por instrumento, nos moldes do inciso XIII do artigo 1015.

(31)

Dilação probatória

Cuidando-se de demanda que observa o procedimento comum ordinário, não há

limitações quanto à realização de audiência de instrução e julgamento para colheita de prova oral, nem tampouco restrições quanto à utilização dos demais meios de prova.

Julgamento antecipado da lide

Também é cabível, desde que estejam presentes os requisitos previstos no artigo 330 e incisos do CPC e 335 e incisos do NCPC.

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Sentença

Ultrapassada a fase probatória, o juiz proferirá sentença, acolhendo ou rejeitando o pedido do autor.

A decisão que julgar procedente a ação de imissão concederá a posse a favor do autor; julgada improcedente a demanda, indicará as razões pelas quais o autor não tem

direito à imissão na posse.

A decisão ainda deverá condenar o vencido ao pagamento de custas processuais e honorários advocatícios.

Para permitir o cumprimento da obrigação de imissão na posse, a decisão poderá impor as medidas de apoio previstas no artigo 461, parágrafo 5º. e 536, parágrafo 1º. do NCPC.

(33)

A decisão que julgar a ação de imissão na posse está sujeita à oposição de embargos de declaração, desde que presentes os pressupostos legais.

Sujeita-se, ainda, ao recurso de apelação, que será recebido no duplo efeito, salvo se houver antecipação de tutela (a esse respeito, confira-se o disposto no artigo 520, VII do CPC e 1.012, parágrafo 1º. Inciso IV, do NCPC)

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Execução

Cuidando-se de decisão concessiva de providência executiva lanto sensu para imissão na posse do autor, a execução se dará sob a forma de cumprimento de sentença,

observados os ditames consignados nos artigos 475-I e seguintes do CPC e 513 e seguintes do NCPC.

O executado poderá defender-se por meio de impugnação ao cumprimento de sentença, nos moldes do artigo 475-L do CPC e e 525, parágrafo 1º. do NCPC.

(35)

Da Ação Negatória Conceito

Trata-se de ação do proprietário possuidor contra quem, alegando ter um direito real sobre a coisa, violava, parcialmente, o exercício do direito de propriedade.

Por meio desta ação, o proprietário obtém a cessão das turbações por parte de quem se diz titular do direito real sobre a coisa dele.

A ação negatória é movida pelo proprietário que sofrer atos de turbação da posse, visando a cessão dessa turbação.

O pedido assemelha-se à ação de manutenção na posse; entretanto, a coisa de pedir é distinta, já que fundada na propriedade.

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Escopo

A ação negatória tem por escoplo a proteção do direito de propriedade.

Essa proteção poderá recair sobre a declaração da inexistência de uma servidão ou até mesmo de um usufruto, reivindicados por terceiros.

É possível, por exemplo, ajuizar ação negatória contra alguém que alegue ter o direito de servidão ou usufruto sobre uma propriedade alheia, quando a bem da verdade o proprietário entende que esses direitos reais inexistem.

Nessa hipótese, o proprietário pode lançar mão da ação negatória para declarar-se oficialmente a inexistência do usufruto ou da servidão propagada.

(37)

Natureza jurídica

Trata-se de ação de natureza petitória, eis que fundada no direito real de propriedade e destinada à tutela desse direito.

A ação negatória poderá assumir contornos: a) meramente declaratória da liberdade do imóvel, quando houver uma simples pretensão da existência da servidão,

desacompanhada de qualquer ato que importe em seu efetivo exercício; b) petitória e

condenatória quando, a título de servidão, o proprietário do prédio (pretenso

dominante) praticar atos de esbulho ou turbativos da posse plena do proprietário e com ela este pleitear o reestabelecimento do status quo ante e o pagament o das perdas e danos

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Previsão Legal

Não há, no sistema processual civil em vigor, nem tampouco no futuro, previsão explícita a respeito da ação negatória.

Registro que o artigo 1388 do Código Civil faz referência à possibilidade de extinção da servidão; todavia, as hipóteses lá elencadas são distintas daquelas indicadas para essa demanda.

Procedimento

Não havendo expressa previsão legal ou restrição procedimental, a demanda deverá observar o procedimento comum ordinário.

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Legitimidade

A ação negatória somente pode ser ajuizada pelo proprietário do imóvel.

Por conseguinte, deverá figurar no polo passivo o responsável pela prática do ato de turbação, que traga consequências sobre a propriedade do autor.

Petição inicial

Deverá observar as disposições consignadas no artigo 282 e seguintes do CPC e 319 e seguintes do NCPC.

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Controle de admissibilidade da petição inicial

A petição inicial, que preencher os requisitos legais, será recebida; em seguida, o juiz deverá ordenar a citação do Réu, para oferecimento de resposta.

Contendo a petição inicial vícios sanáveis, nos termos do artigo 284 do CPC e 321 do NCPC, o juiz assinalará prazo (10 dias atuais e 15 no CPC projetado) para que os vícios sejam sanados.

Contendo a petição inicial vícios que revelem sua imprestabilidade, competirá ao juiz indeferí-la; nessa hipótese, o autor poderá insurgir-se através da interposição de

(41)

Contraditório

O réu será citado para responder aos termos dessa demanda, podendo apresentar resposta no prazo de 15 (quinze) dias.

Cuidando-se de demanda que observa o procedimento comum ordinário, não há

quaisquer restrições quanto à utilização dos meios indiretos de defesa, bem como dos expedientes de intervenção de terceiros.

Ausência de resposta e revelia

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Dilação probatória

Cuidando-se de demanda que tramita sob a égide do procedimento comum ordinário, serão admissíveis todos os meios de prova em direito admitidos.

Julgamento antecipado da lide

Não se descarta, a depender das circunstâncias, a possibilidade de julgamento antecipado da lide (CPC, artigo 330 e NCPC, artigo 335)

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Decisão

O pronunciamento que analisar o mérito da ação negatória e julgá-la procedente,

conforme dito alhures, declarará a inexistência da servidão e do usufruto, determinará as medidas práticas necessárias ao afastamento dos atos de turbação e sua respectiva cessação, bem como condenará o vencido ao pagamento das custas processuais e honorários advocatícios.

Nada impede, frise-se, a imposição das medidas de apoio previstas no artigo 461, parágrafo 5º. do CPC e 536, parágrafo 1º. do CPC.

Julgada improcedente, automaticamente a pretensão do autor será rejeitada e, por conseguinte, os atos de turbação serão considerados como legítimos.

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Recursos

A petição inicial, que preencher os requisitos legais, será recebida; em seguida, o juiz deverá ordenar a citação do Réu, para oferecimento de resposta.

Contendo a petição inicial vícios sanáveis, nos termos do artigo 284 do CPC e 321 do NCPC, o juiz assinalará prazo (10 dias atuais e 15 no CPC projetado) para que os vícios sejam sanados.

Contendo a petição inicial vícios que revelem sua imprestabilidade, competirá ao juiz indeferí-la; nessa hipótese, o autor poderá insurgir-se através da interposição de

(45)

Recursos

A sentença que acolher ou rejeitar as pretensões formuladas pelo autor desafiará, desde que preenchidos os pressupostos legais, o recurso de embargos de declaração (CPC, artigos 535 e seguintes e NCPC, artigos 1022 e seguintes).

Além disso, a sentença desafiará recurso de apelação, ser interposto na forma dos artigos 513 e seguintes do CPC e 1009 e seguintes do NCPC).

(46)

Execução

A efetivação da decisão proferida em sede de ação negatória se fará nos termos dos artigos 461 e 475-I e seguintes do CPC e 497 e seguintes e 513 e seguintes do NCPC. O executado poderá insurgir-se por meio de impugnação ao cumprimento de

sentença, observados os limites previstos nos artigos 475-L do CPC e 525, parágrafo 1º., do NCPC.

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