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1. Apostila Vpt 2018-1

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PROFISSIONAL DE VIGILANTE

PROFISSIONAL DE VIGILANTE

PENITENCIÁRIO

PENITENCIÁRIO

TEMPORÁRIO

TEMPORÁRIO

2018

2018

(2)
(3)

Módulo I

Módulo I

 Administração Penitenciária

 Administração Penitenciária

 Apostila

 Apostila

Goiânia

Goiânia

2018

2018

Estado de Goiás

Estado de Goiás

Diretoria-Geral de Administração

Diretoria-Geral de Administração

Penitenciária

Penitenciária

(4)

LEI DE

LEI DE EXECUÇÃO PENAL ...

EXECUÇÃO PENAL ... 13

... 13

NOÇÕES DE

NOÇÕES DE DIREITO ADMINISTRATIVO ...

DIREITO ADMINISTRATIVO ... 24

... 24

PROCEDIMENTOS CARTORÁRIOS E PLATAFORMAS DE

PROCEDIMENTOS CARTORÁRIOS E PLATAFORMAS DE DADOS PENAIS ... 49

DADOS PENAIS ... 49

COMUNICAÇÃO E

COMUNICAÇÃO E POSTURA ...

POSTURA ...

... 64

... 64

ÉTICA E

ÉTICA E TRATAMENTO PENAL ... 67

TRATAMENTO PENAL ... 67

QUALIDADE DE

QUALIDADE DE VIDA E

VIDA E SAÚDE MENTAL ...

SAÚDE MENTAL ...

... 78

... 78

EXECUÇÃO

EXECUÇÃO PENAL

PENAL GOIANA

GOIANA ...

... 84

... 84

MEDIAÇÃO DE CONFLITOS E

MEDIAÇÃO DE CONFLITOS E GERENCIAMENTO DE CRISE ...

GERENCIAMENTO DE CRISE ... 91

91

REINTEGRAÇÃO SOCIAL E

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DIREITO PENAL

CAPÍTULO 1 - DIREITO PENAL -PARTE GERAL E ESPECIAL

1.1 Exclusão de ilicitude

Art. 23 - Não há crime quando o agente pratica o fato:

I -em estado de necessidade; II -em legítima defesa;

III -  em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular de direito.

Excesso punível

§ único -  O agente, em qualquer das hipóteses deste artigo, responderá pelo excesso doloso ou culposo.

1.1.1 Estado de Necessidade

Art. 24 -  Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato para salvar de perigo atual, que não provocou por sua vontade, nem podia de outro modo evitar, direito próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas circunstâncias, não era razoável exigir-se.

§ 1º -  Não pode alegar estado de necessidade quem tinha o dever legal de enfrentar o perigo.

§ 2º -  Embora seja razoável exigir-se o sacrifício do direito ameaçado, a pena poderá ser reduzida de um a dois terços. 1.1.2 Legítima Defesa

Art. 25 - Entende-se em legítima defesa quem, usando moderadamente dos meios necessários, repele injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de outrem. 1.1.3 Estrito Cumprimento do Dever Legal

Apesar de praticar uma conduta típica, quem age em estrito cumprimento de um dever que lhe é imposto por lei (lei, aqui, no sentido genérico de qualquer norma legal) não pratica crime, uma vez que a excludente tira o caráter ilícito de sua conduta. O agente conduz-se estritamente segundo o permissivo legal, respondendo pelos excessos que vier a cometer.

Ex.: o policial que, no estrito cumprimento de seu dever, pratica lesão em delinquente que, após receber ordem de prisão, não cessa sua ação fugitiva.

O estrito cumprimento do dever legal não pode ser invocado nos delitos praticados na modalidade culposa.

1.1.4 Exercício Regular de um Direito Caracteriza-se pela utilização de um direito ou faculdade que pode decorrer da lei, de um fim social ou dos costumes, dando ao agente a permissão para que pratique condutas dentro dos limites estabelecidos e com finalidades diversas.

Exs.: corretivo aplicado pelos pais aos filhos, desde que moderadamente; lutador de boxe que causa lesões no adversário.

1.2 Sanção Penal

1.2.1 Pena: é a sanção penal imposta pelo Estado, mediante o devido processo legal, ao autor de um fato típico e ilícito que foi reconhecido culpado, tendo como finalidade puni-lo e ressocializá-lo, bem como prevenir a prática de novas infrações mediante a intimidação penal. 1.2.2 Espécies de penas

Art. 32 - As penas são: I - privativas de liberdade; II - restritivas de direitos; III - de multa.

1.2.3 Das Penas Privativas de Liberdade Reclusão  (destinada a crimes dolosos; cumprida em regime fechado, semiaberto ou aberto), detenção (destinada a crimes dolosos e culposos; cumprida em regime semiaberto ou aberto, salvo a hipótese de transferência excepcional para o regime fechado, por incidente da execução) e prisão simples  (destinada a contravenções penais).

ESTABELECIMENTOS PENAIS

▪ Penitenciária  –  destina-se ao cumprimento da reclusão em regime fechado.

▪ Colônia agrícola, industrial ou similar  – destina-se ao cumprimento da reclusão

ou detenção em regime semiaberto. ▪  Casa do albergado  –  destina-se ao cumprimento da reclusão ou detenção em regime aberto.

▪ Cadeia pública  –  destina-se ao recolhimento de presos provisórios. REGIMES PRISIONAIS

São impostos segundo as regras do art. 33, §2º, do CP, que determina o regime inicial conforme o mérito do condenado, observando-se também a quantidade de pena imposta e a reincidência.

Fechado (art. 33, §1º, "a" - CP): consiste no cumprimento da pena em estabelecimento de segurança máxima ou média;

“Condenado a pena superior a 8 (oito) anos deverá começar a cumpri-la em regime fechado”.Art. 33, § 2º, “a”, CP.

Semiaberto (art. 33, §1º, "b" - CP): consiste no cumprimento da pena em colônia agrícola, industrial ou estabelecimento similar.

“Condenado não reincidente, cuja pena seja superior a 4 (quatro) anos e não exceda a 8 (oito)”.Art. 33, § 2º, “b”, CP.

Aberto (art. 33, §1º, "c" - CP): consiste no cumprimento da pena em casa de albergado ou estabelecimento adequado. “Condenado não reincidente, cuja pena seja igual ou inferior a 4 (quatro) anos”.

Art. 33, § 2º, “c”, CP.

PROGRESSÃO DE REGIME PRISIONAL É uma regra prevista no artigo 33, §2º, do CP, em que as penas privativas de liberdade devem ser executadas progressivamente, ou seja, o condenado passará de um regime mais severo para um mais brando de forma gradativa, conforme o preenchimento dos requisitos legais, que são: cumprimento de 1/6 da pena  no regime anterior e ostentar bom comportamento carcerário, comprovado pelo diretor do estabelecimento (art. 112,caput  - Lei de Execuções Penais). PROGRESSÃO DE REGIME CRIMES HEDIONDOS

LEI Nº 8.072, DE 25 DE JULHO DE 1990.

“Lei dos Crimes Hediondos”

Art. 2º[...]

§ 1o A pena por crime previsto neste artigo será cumprida inicialmente em regime fechado.

§ 2o A progressão de regime, no caso dos condenados aos crimes previstos neste artigo, dar-se-á após o cumprimento de 2/5 (dois quintos) da pena, se o apenado for primário, e de 3/5 (três quintos), se reincidente.

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CAPÍTULO 2 - DIREITO PENAL - PARTE ESPECIAL

DOS CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

DOS CRIMES PRATICADOS POR FUNCIONÁRIO PÚBLICO CONTRA A ADMINISTRAÇÃO EM GERAL PROGRESSÃO DE REGIME PRISIONAL

O condenado por crime contra a administração pública terá a progressão de regime do cumprimento da pena condicionada à reparação do dano que causou ou à devolução do produto do ilícito praticado, com os acréscimos legais.

Código Penal Art. 33...

§ 4oO condenado por crime contra a administração pública terá a progressão de regime do cumprimento da pena condicionada à reparação do dano que causou, ou à devolução do produto do ilícito praticado, com os acréscimos legais.

EFEITOS DA CONDENAÇÃO

Art. 92 (Código Penal) -  São também efeitos da condenação:

I -a perda de cargo, função pública ou mandato eletivo:

a)  quando aplicada pena privativa de liberdade por tempo igual ou superior a um ano,  nos crimes praticados com abuso de poder ou violação de dever para com a Administração Pública;

b) quando for aplicada pena privativa de liberdade por tempo superior a 4 (quatro) anos nos demais casos.

II -a incapacidade para o exercício do pátrio poder, tutela ou curatela, nos crimes dolosos, sujeitos à pena de reclusão, cometidos contra filho, tutelado ou curatelado;

III -  a inabilitação para dirigir veículo, quando utilizado como meio para a prática de crime doloso.

Parágrafo único -  Os efeitos de que trata este artigo não são automáticos, devendo ser motivadamente declarados na sentença.

CRIMES FUNCIONAIS

  Só podem ser praticados de forma direta por funcionário público, daí serem chamados de crimes funcionais; é possível que pessoa que não seja funcionário público responda por crime funcional, como coautor ou partícipe (art. 30 - as circunstâncias de caráter pessoal, quando elementares do crime, comunicam-se a todas as pessoas que dele participem);

exige-se que o terceiro saiba da qualidade de funcionário público do outro.

PECULATO APROPRIAÇÃO E DESVIO Art. 312 - (apropriação / desvio)

Apropriar-se o funcionário público de dinheiro, valor ou qualquer outro bem móvel, público ou particular, de que tem a posse em razão do cargo  (a expressão

“posse”, nesse crime, abrange também a

detenção e a posse indireta; ela deve ter sido obtida de forma lícita) (apropriação -o funci-onári-o tem a p-osse d-o bem, mas  passa a atuar como se fosse seu dono -ex.: carcereiro que recebe os objetos do  preso e os toma para si; policial que apreende objeto do bandido e fica com ele etc.), ou desviá-lo, em proveito próprio ou alheio (desvio - é alterar o destino - ex. o  funcionário público que paga alguém por serviço não prestado ou objeto não vendido à Administração Pública; o que empresta dinheiro público de que tem a guarda para ajudar amigos etc.; se o desvio for em proveito da própria administração haverá o crime do art. 315

-“emprego irregular de verbas ou rendas

 públicas”):

Pena - reclusão, de 2 a 12 anos, e multa.   Os prefeitos municipais não responderão pelo “peculato-apropriação” ou desvio”, só pelo “peculato-furto”; nos dois primeiros casos eles respondem pelo crime do art. 1°, I, do Decreto-Lei n. 201/67.

PECULATO FURTO

§ 1º(furto) - Aplica-se a mesma pena, se o funcionário público, embora não tendo a posse do dinheiro, valor ou bem, o subtrai  (ex.: funcionário público abre o cofre da repartição em que trabalha e leva os valores que nele estavam guardados;  policial subtrai toca-fitas de carro apreendido que está no pátio da delegacia), ou concorre para que seja subtraído, em proveito próprio ou alheio, valendo-se de facilidade que lhe proporciona a qualidade de funcionário

(ex.: intencionalmente o funcionário  público deixa a porta aberta para que à noite alguém entre e furte -há “peculato

- furto” por parte do funcionário e do

terceiro).

  Funcionário público que vai à repartição à noite e arromba a janela para poder subtrair objetos, comete “furto qualificado” e não “peculato-furto”, pois o delito foi realizado de uma maneira tal que qualquer outra pessoa poderia tê-lo praticado, ou seja, a qualidade de

funcionário público em nada ajudou na subtração; se um funcionário público, por outro lado, consegue entrar na repartição durante a noite, utilizando-se de uma chave que possui em razão de suas funções, e subtrai valores ali existentes, comente “peculato-furto”.

PECULATO CULPOSO

§ 2º (culposo)  - Se o funcionário concorre culposamente para o crime de outrem (ex.: funcionário público esquece a  porta aberta e alguém se aproveita da situação e furta objeto da repartição

-haverá apenas “peculato culposo” por

 parte do funcionário relapso, enquanto o terceiro, evidentemente, responderá pelo

“furto”):

Pena - detenção, de 3 meses a 1 ano. § 3º - No caso do § anterior, a reparação do dano, se precede à sentença irrecorrível, extingue a punibilidade; se lhe é posterior, reduz e metade a pena imposta.

 Dentre os “crimes contra a Administração Pública”, só o “peculato” admite a conduta culposa.

  Se uma pessoa produzir bens e explorar matéria-prima pertencente à União, sem a devida autorização, não é “peculato” e sim “usurpação”.

 O uso de bem público por funcionário público para fins particulares, qualquer que seja a hipótese, caracteriza ato de improbidade administrativa, previsto no art. 9°, IV, da Lei n. 8.492/92.

PECULATO MEDIANTE ERRO DE OUTREM (ou “peculato-estelionato”)

Art. 313  - Apropriar-sede dinheiro ou qualquer utilidade que, no exercício do cargo, recebeu por erro de outrem (a vítima entrega um bem ao agente por estar em erro, não provocado por este -ex.: alguém entrega objeto ao funcionário B quando deveria tê-lo entregue ao  funcionário A, e o funcionário B,  percebendo o equívoco, fica com o

objeto):

Pena - reclusão, de 1 a 4 anos, e multa. CONCUSSÃO

Art. 316 - Exigir, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la  (ex.: quando já passou no concurso, mas ainda não tomou posse), mas em razão dela, vantagem indevida  (a vantagem exigida tem de ser indevida; se for devida, haverá

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crime de “abuso de autoridade” do art. 4°, “h”, da Lei n. 4.898/65):

Pena - reclusão, de 2 a 8 anos, e multa.  Se o funcionário público cometer essa ação extorsiva, tendo a específica intenção de deixar de lançar ou recobrar tributo ou contribuição social, ou cobrá-los, parcialmente, não é “concussão” e sim “crime funcional contra a ordem tributária”.

CORRUPÇÃO PASSIVA

Art. 317 - Solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida, ou aceitar promessa de tal vantagem:

Pena - reclusão, de 2 a 12 anos, e multa. § 1º -  A pena é aumentada de 1/3, se, em consequência da vantagem ou promessa, o funcionário retarda ou deixa de praticar qualquer ato de ofício ou o pratica infringindo dever funcional.

§ 2º  (privilegiada) - Se o funcionário pratica, deixa de praticar ou retarda ato de ofício, com infração de dever funcional, cedendo a pedido ou influência de outrem:

Pena - detenção, de 3 meses a 1 ano, ou multa.

 É possível que exista “corrupção passiva” ainda que a vantagem indevida seja entregue para que o funcionário pratique ato não ilegal; tal entendimento doutrinário e jurisprudencial reside no fato de que a punição dessa conduta visa resguardar a probidade administrativa, sendo que o funcionário público já recebe seu salário para praticar os atos inerentes ao seu cargo, e não pode receber quantias extras para realizar o seu trabalho; nesses casos, há crime, pois o funcionário público poderia acostumar-se e deixar de trabalhar sempre que não lhe oferecessem dinheiro; por todo o exposto, existe crime na conduta de receber o policial dinheiro para fazer ronda em certo quarteirão ou receber o gerente de banco público dinheiro para liberar um empréstimo ainda que lícito etc.

PREVARICAÇÃO

Art. 319 -  Retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo contra disposição expressa de lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal:

Pena - detenção, de 3 meses a 1 ano, e multa.

 Na “corrupção passiva”, o funcionário público negocia seus atos, visando uma vantagem indevida; na “prevaricação” isso não ocorre; aqui, o funcionário público viola sua função para atender a objetivos pessoais. - ex.: permitir que amigos pesquem em local público proibido, demorar para expedir documento solicitado por um inimigo (o sentimento, aqui, é do agente, mas o benefício pode ser de terceiro).

  O atraso no serviço por desleixo ou preguiça não constitui crime; se fica caracterizado, todavia, que o agente, por preguiça, rotineiramente deixa de praticar ato de ofício, responde pelo crime - ex.: delegado que nunca instaura IP para apurar crime de “furto”, por considerá-lo pouco grave.

 A “prevaricação” não se confunde com a “corrupção passiva privilegiada”; nesta, o agente atende a pedido ou influência de outrem; naquela não há tal pedido de influência, o agente visa satisfazer interesse ou sentimento pessoal.

Art. 319-A. Deixar o Diretor de Penitenciária e/ou agente público, de cumprir seu dever de vedar ao preso o acesso a aparelho telefônico, de rádio ou similar, que permita a comunicação com outros presos ou com o ambiente externo:

Pena:  detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano.

  A Lei n. 11.466/2007, que entrou em vigor no dia 29 de março de 2007, acrescentou o inciso VII ao artigo 50 da Lei de Execução Penal, estabelecendo que constitui falta grave no cumprimento de pena privativa de liberdade, ter o preso em sua posse, utilizar ou fornecer aparelho telefônico, de rádio ou similar, que permita a comunicação com outros presos ou com o ambiente externo. CONDESCENDÊNCIA CRIMINOSA

Art. 320 –Deixar o funcionário, por indulgência (clemência, por tolerância), de responsabilizar subordinado que cometeu infração  (administrativa ou penal) no exercício do cargo ou, quando lhe falte competência, não levar o fato ao conhecimento da autoridade competente: Pena - detenção, de 15 dias a 1 mês, ou multa.

ADVOCACIA ADMINISTRATIVA

Art. 321 – Patrocinar  (advogar, pleitear,  facilitar), direta ou indiretamente,

interesse privado (se for próprio, não há o crime)  perante a administração pública, valendo-se da qualidade de funcionário:

Pena -  detenção, de 1 a 3 meses, ou multa.

§ único - Se o interesse é ilegítimo: Pena - detenção, de 3 meses a 1 ano, além da multa.

  Ele se aperfeiçoa quando, um funcionário público, valendo-se de sua condição (amizade, prestígio junto a outros funcionários), defende interesse alheio, legítimo ou ilegítimo, perante a Administração Pública.

ABANDONO DE FUNÇÃO

Art. 323 - Abandonar  cargo público

(criado por lei, com denominação própria, em número certo e pago pelos cofres  públicos), fora dos casos permitidos em lei

(+ de 30 dias consecutivos):

Pena - detenção, de 15 dias a 1 mês, ou multa.

§ 1º -  Se do fato resulta prejuízo público:

Pena - detenção, de 3 meses a 1 ano, e multa.

§ 2º -  Se o fato ocorre em lugar compreendido na faixa de fronteira

(compreende a faixa de 150 km ao longo das fronteiras nacionais - Lei n. 6.634/79):

Pena - detenção, de 1 a 3 anos, e multa.   Para que esteja configurado o abandono é necessário que o agente se afaste do seu cargo por tempo  juridicamente relevante, de forma a colocar em risco a regularidade dos serviços prestados (assim, não há crime na falta eventual, bem como no desleixo na realização de parte do serviço, que caracteriza apenas falta funcional, punível na esfera administrativa); não há crime quando o abandono se dá nos casos permitidos em lei (ex.: autorização da autoridade competente, para prestação de serviço militar).

EXERCÍCIO FUNCIONAL ILEGALMENTE ANTECIPADO OU PROLONGADO

Art. 324 - Entrar no exercício de função pública antes de satisfeitas as exigências legais, ou continuar a exercê-la, sem autorização, depois de saber oficialmente que foi exonerado, removido, substituído ou suspenso:

Pena - detenção, de 15 dias a 1 mês, ou multa.

VIOLAÇÃO DE SIGILO FUNCIONAL

Art. 325 -  Revelar fato de que tem ciência em razão do cargo e que deva

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permanecer em segredo, ou facilitar-lhe a revelação:

Pena -  detenção, de 6 meses a 2 anos, ou multa, se o fato não constitui crime mais grave.

§ 1º -  Nas mesmas penas deste artigo incorre quem:

I  – permite ou facilita, mediante atribuição, fornecimento e empréstimo de senha ou qualquer outra forma, o acesso de pessoas não autorizadas a sistemas de informações ou banco de dados da Administração Pública;

II –se utiliza, indevidamente, do acesso

restrito.

§ 2º - Se da ação ou omissão resulta dano à Administração Pública ou a outrem:

Pena - reclusão, de 2 a 6 anos, e multa. FUNCIONÁRIO PÚBLICO

Art. 327 -  Considera-se funcionário público, para os efeitos penais, quem, embora transitoriamente ou sem remuneração, exerce cargo  (são criados  por lei, com denominação própria, em número certo e pagos pelos cofres  públicos), emprego  (para serviço temporário, com contrato em regime especial ou pela CLT - ex.: diaristas, mensalistas, contratados)  ou função pública  (abrange qualquer conjunto de atribuições públicas que não correspondam a cargo ou emprego  público - ex.: jurados, mesários etc.).

§ 1º - Equipara-se a funcionário público quem exerce cargo, emprego ou função em entidade paraestatal, e quem trabalha para empresa prestadora de serviço contratada ou conveniada para a execução de atividade típica da Administração Pública (só se aplica quando se refere ao sujeito ativo e nunca em relação ao sujeito passivo - ex.: ofender funcionário de uma autarquia é

“crime contra a honra” e não “desacato”;

se o mesmo funcionário apropriar-se de

um bem da autarquia, haverá “peculato”, não mera “apropriação indébita”).

§ 2º - A pena será aumentada da terça parte quando os autores dos crimes previstos neste Capítulo forem ocupantes de cargos em comissão  (é o cargo para o qual o sujeito é nomeado em confiança, sem a necessidade de concurso público)

ou de função de direção ou assessoramento de órgão da administração direta, sociedade de economia mista, empresa pública ou fundação instituída pelo poder público.

DOS CRIMES PRATICADOS POR PARTICULAR CONTRA A ADMINISTRAÇÃO

EM GERAL

USURPAÇÃO DE FUNÇÃO PÚBLICA

Art. 328  –  Usurpar(desempenhar indevidamente)o exercício de função pública:

Pena - detenção, de 3 meses a 2 anos, e multa.

§ único -  Se do fato o agente aufere vantagem:

Pena - reclusão, de 2 a 5 anos, e multa.  O sujeito assume uma função pública, vindo a executar atos inerentes ao ofício, sem que tenha sido aprovado em concurso ou nomeado para tal função; parte da doutrina entende que também comete o crime um funcionário público que assuma, indevidamente, as funções de outro.

  A simples conduta de se intitular funcionário público perante terceiros, sem praticar atos inerentes ao ofício, pode constituir apenas a contravenção descrita no art. 45 da LCP (“simulação da qualidade de funcionário” - fingir-se funcionário público).

RESISTÊNCIA

Art. 329 -  Opor-se-á execução de ato legal, mediante violência ou ameaça a funcionário competente para executá-lo ou a quem lhe esteja prestando auxílio:

Pena - detenção, de 2 meses a 2 anos. § 1º - Se o ato, em razão da resistência, não se executa:

Pena - reclusão, de 1 a 3 anos.

§ 2º -  As penas deste artigo são aplicáveis sem prejuízo das correspondentes à violência.

  O particular pode efetuar prisão em flagrante, nos termos do art. 301 do CPP; se ele o fizer, desacompanhado de algum funcionário público, e contra ele for empregada violência ou ameaça, não haverá crime de “resistência”, já que não é funcionário público.

Violência: agressão, desforço físico etc.; o tipo refere-se à violência contra a pessoa do funcionário público ou do terceiro que o auxilia; eventual violência empregada contra coisa (ex.: viatura policial) caracteriza crime de “dano qualificado”; a chamada resistência passiva (sem o emprego de violência ou ameaça), não é crime - ex.: segurar-se em um poste para não ser conduzido, jogar-se

no chão para não ser preso, sair correndo etc.

Ameaça: ao contrário do que ocorre normalmente no CP, a lei não exige que a ameaça seja grave; ela pode ser escrita ou verbal.

  Se a violência for empregada com o fim de fuga, após a prisão ter sido efetuada, o crime será o do art. 352 (“evasão mediante violência contra a pessoa”).

  O ato a ser cumprido deve ser legal quanto ao conteúdo e a forma (modo de execução); se a ordem for ilegal, a oposição mediante violência ou ameaça não tipifica a “resistência” - ex.: prender alguém sem que haja mandado de prisão; prisão para averiguação etc.

 O mero xingamento contra funcionário público constitui crime de “desacato”; se, no caso concreto, o agente xinga e emprega violência contra o funcionário público, teria cometido dois crimes, mas a  jurisprudência firmou entendimento de

que, nesse caso, o “desacato” fica absorvido pela “resistência”.

DESOBEDIÊNCIA

Art. 330 –  Desobedecer(não cumprir, não atender) a ordem legal de funcionário público:

Pena - detenção, de 15 dias a 6 meses, e multa.

  Deve haver uma ordem: significa determinação, mandamento; o não atendimento de mero pedido ou solicitação não caracteriza o crime.

  A ordem deve ser legal: material e formalmente; pode até ser injusta; só não pode ser ilegal.

  Deve ser emanada de funcionário público competente para proferi-la - ex.: Delegado de Polícia requisita informação bancária e o gerente do banco não atende (não há crime, pois o gerente só está obrigado a fornecer a informação se houver determinação judicial).

 É necessário que o destinatário tenha o dever jurídico de cumprir a ordem; além disso, não haverá crime se a recusa se der por motivo de força maior ou por ser impossível por algum motivo o seu cumprimento.

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Art. 331  –  Desacatar(humilhar, desprestigiar, ofender)funcionário públicono exercício da função(esteja trabalhando, dentro ou fora da repartição)  ou em razão dela(está de  folga, mas a ofensa se refira às suas  funções):

Pena -  detenção, de 6 meses a 2 anos, ou multa.

  Admite qualquer meio de execução: palavras, gestos, ameaças, vias de fato, agressão ou qualquer outro meio que evidencie a intenção de desprestigiar o funcionário público - ex.: xingar o policial que o está multando, fazer sinais ofensivos, rasgar mandado de intimação entregue pelo Oficial de Justiça e atirá-lo ao chão, passar a mão no rosto do policial, atirar seu quepe no chão etc.

  A caracterização do crime independe de o funcionário público se julgar ou não ofendido, pois o que a lei visa é prestigiar e dar dignidade ao cargo.

 A ofensa deve ser feita na presença do funcionário, pois somente assim ficará tipificada a intenção de desprestigiar a função; a ofensa feita contra funcionário em razão de suas funções, mas em sua ausência, caracteriza crime de “injúria qualificada” (art. 140 c/c o art. 141, II); por isso, não há “desacato” se a ofensa é feita por carta; a existência do “desacato” não pressupõe que o agente e o funcionário estejam face a face, havendo o crime se estiverem, em salas separadas, com as portas abertas, e o agente falar algo para o funcionário ouvir.

 Existirá o crime mesmo que o fato não seja presenciado por terceiras pessoas, porque a publicidade da ofensa não é requisito do crime.

Um funcionário público pode cometer “desacato” contra outro?

- Nélson HungriA: não, pois ele está contido no capítulo dos “crimes praticados por particular contra a administração em geral”; assim, a ofensa de um funcionário contra outro caracteriza sempre crime de “injúria”.

- Bento de Faria: só será possível se o ofensor for subordinado hierarquicamente ao ofendido.

- Damásio E. de Jesus, Heleno C. Fragoso, Magalhães Noronha e Júlio F. Mirabete: sim, sempre, pois o funcionário,

ao ofender o outro, se despe da qualidade de funcionário público e se equipara a um particular; esta é a opinião majoritária.

O advogado pode cometer “desacato”?  – o Estatuto da OAB, em seu art. 7°, § 2°, estabelece que o advogado não comete crimes de “injúria”, “difamação” ou “desacato” quando no exercício de suas funções, em juízo ou fora, sem prejuízo das sanções disciplinares junto à OAB; entende-se, entretanto, que esse dispositivo é inconstitucional no que tange ao “desacato”, pois a imunidade dos advogados prevista no art. 133 da CF somente poderia abranger os “crimes contra a honra” e não os “crimes contra a Administração” (STF), sendo assim, ele poderá cometer “desacato”.

A embriaguez exclui o “desacato”? - Não, nos termos do art. 28, II, que estabelece que a embriaguez não exclui o crime.

- Nélson Hungria: sim, pois o “desacato” exige dolo específico, consistente na intenção de humilhar, ofender, que é incompatível com o estado de embriaguez.

- Damásio E. de Jesus: sim, desde que seja completa, capaz de eliminar a capacidade intelectual e volitiva do sujeito.

TRÁFICO DE INFLUÊNCIA

Art. 332 -  Solicitar, exigir, cobrar ou obter, para si ou para outrem, vantagem ou promessa de vantagem, a pretexto de influir em ato praticado por funcionário público no exercício da função:

Pena - reclusão, de 2 a 5 anos, e multa. § único -  A pena é aumentada da metade, se o agente alega ou insinua que a vantagem é também destinada ao funcionário(se a vantagem efetivamente se destina ao funcionário público, que está mancomunado com o agente, há crimes

de “corrupção passiva e ativa”).

 Ex.: autoescola que cobram dos alunos “caixinhas” para aprovação em exame de motorista e alegam que elas serão dadas aos examinadores.

 Se o agente visa vantagem patrimonial a pretexto de influir especificamente em  juiz, jurado, órgão do MP, funcionário da  justiça, perito, tradutor, intérprete ou testemunha, o crime é o do art. 357 (“exploração de prestígio”).

CORRUPÇÃO ATIVA

Art. 333 -  Oferecer ou prometer vantagem indevida a funcionário público, para determiná-lo a praticar, omitir ou retardar ato de ofício:

Pena - reclusão, de 2 anos a 12 anos, e multa.

§ único -  A pena é aumentada de 1/3, se, em razão da vantagem ou promessa, o funcionário retarda(ex.: para que um Delegado de Polícia demore a concluir um IP, visando a prescrição)  ou omite(ex.:  para que o policial não o multe)  ato de ofício, ou o pratica infringindo dever funcional(ex.: para Delegado de Polícia emitir CNH para quem não passou no exame - nesse caso, há também crime de

“falsidade ideológica”).

 De acordo com a “teoria monista ou unitária”, todos os que contribuírem para um crime responderão por esse mesmo crime; às vezes, entretanto, a lei cria exceção a essa teoria, como ocorre com a “corrupção passiva e ativa”; assim, o funcionário público que solicita, recebe ou aceita promessa de vantagem indevida comete a “corrupção passiva”, enquanto o particular que oferece ou promete essa vantagem pratica “corrupção ativa”.

 Na modalidade “solicitar” da “corrupção passiva”, não existe figura correlata na “corrupção ativa”; com efeito, na solicitação a iniciativa é do funcionário público, que se adianta e pede alguma vantagem ao particular; em razão disso, se o particular dá, entrega o dinheiro, só existe a “corrupção passiva”; o fato é atípico quanto ao particular, pois ele não ofereceu nem mesmo prometeu, mas tão-somente entregou o que lhe foi solicitado.

Existem duas hipóteses de “corrupção passiva” sem “corrupção ativa”: quando o funcionário solicita e o particular dá ou se recusa a entregar o que foi pedido.

 Existe “corrupção ativa” sem “corrupção passiva”: quando o funcionário público não recebe e não aceita a promessa de vantagem ilícita.

  Se o agente se limita a pedir para o funcionário “dar um jeitinho”, não há “corrupção ativa”, pelo fato de não ter oferecido nem prometido qualquer vantagem indevida; se o funcionário público “dá o jeitinho” e não pratica o ato que deveria, responde pelo crime do art. 317, § 2° (“corrupção passiva privilegiada”) e o particular figura como

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partícipe; se ele não dá o jeitinho, o fato é atípico.

DOS CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO DA JUSTIÇA

EXERCÍCIO ARBITRÁRIO DAS PRÓPRIAS RAZÕES

Art. 345 –  Fazer justiça pelas próprias mãos, para satisfazer pretensão, embora legítima, salvo quando a lei o permite(ex.: direito de retenção, desforço imediato e legítima defesa da posse - art. 502 CC):

Pena - detenção, de 15 dias a 1 mês, ou multa, além da pena correspondente à violência.

§ único -  Se não há emprego de violência, somente se procede mediante queixa.

FAVORECIMENTO PESSOAL

Art. 348 - Auxiliara subtrair-se à ação de autoridade pública(policiais civis ou militares, membro do Judiciário, autoridades administrativas)  autor de crime(de contravenção, o fato é atípico) a que é cominada pena de reclusão:

Pena -  detenção, de 1 a 6 meses, e multa.

§ 1º(favorecimento pessoal privilegiado)

- Se ao crime não é cominada pena de reclusão:

Pena - detenção, de 15 dias a 3 meses, e multa.

§ 2º -  Se quem presta o auxílio é ascendente, descendente, cônjuge ou irmão do criminoso, fica isento de pena.

 Ex.: ajudar na fuga, emprestando carro ou dinheiro ou, ainda, por qualquer outra forma (só se aplica quando o autor do crime anterior está solto; se está preso e alguém o ajuda a fugir, ocorre o crime do art. 351 - “facilitação de fuga de pessoa presa”); esconder a pessoa em algum lugar para que não seja encontrada; enganar a autoridade dando informações falsas acerca do paradeiro do autor do delito (despistar) etc.

  O advogado não é obrigado a dizer onde se encontra escondido o seu cliente; pode, todavia, cometer o crime se o auxilia na fuga, se o esconde em sua casa etc.

 Se o autor do crime antecedente vier a ser absolvido por qualquer motivo (exceto na absolvição imprópria, em que há aplicação de medida de segurança), o juiz não poderá condenar o réu acusado de auxiliá-lo.

FAVORECIMENTO REAL

Art. 349 – Prestar a criminoso, fora dos

casos de coautoria (foi aqui utilizada em sentido amplo, de forma a abranger também a participação) ou de receptação, auxílio destinado a tornar seguro o proveito do crime(é apenas aquilo que advém da prática do crime e não o meio utilizado para praticá-lo):

Pena -  detenção, de 1 a 6 meses, e multa.

  Ex.: esconder o objeto do crime para que o autor do delito venha buscá-lo posteriormente, transportar os objetos do crime; guardar para o homicida dinheiro que este recebeu para matar alguém etc.

Art. 349-A.  Ingressar, promover, intermediar, auxiliar ou facilitar a entrada de aparelho telefônico de comunicação móvel, de rádio ou similar, sem autorização legal, em estabelecimento prisional.

Pena:  detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano.

 Só é punível a conduta dolosa. É de se exigir, ainda, a demonstração de dolo específico, evidenciado na intenção dirigida de fazer com que o aparato termine em mãos de quem não poderia recebê-lo em razão de estar submetido a estabelecimento penal. A regra não alcança o simples incauto.

 Nesta exata medida, não pode se ver exposto à acusação criminal aquele que simplesmente ingressa ou tenta ingressar no estabelecimento penal trazendo consigo aparelho de telefonia celular, v.g.

A regra, de tal maneira interpretada, não alcança os funcionários da administração penitenciária, os advogados ou qualquer outra pessoa que trabalhe ou se encontre nas dependências de determinado estabelecimento penal, exceto quando demonstrada a intenção de fazer com que o aparato eletrônico vá desaguar em mãos de qualquer pessoa submetida ao confinamento por decisão  judicial.

FUGA DE PESSOA PRESA OU SUBMETIDA À MEDIDA DE SEGURANÇA

Art. 351 – Promover(o agente provoca, orquestra, dá causa a fuga; é desnecessária ciência prévia por parte do detento) ou facilitar(exige-se colaboração, cooperação de alguém para a iniciativa de  fuga do preso; a lei não abrange a  facilitação de fuga de menor internado em

razão de medida socioeducativa pela  prática do ato infracional)  a fuga de pessoa legalmente presa ou submetida a medida de segurança detentiva:

Pena - detenção, de 6 meses a 2 anos. § 1º -  Se o crime é praticado a mão armada, ou por mais de uma pessoa(não se computando o preso nesse total), ou mediante arrombamento(de cadeado, grades etc.), a pena é de reclusão, de 2 a 6 anos.

§ 2º - Se há emprego de violência contra pessoa, aplica-se também a pena correspondente à violência.

§ 3º -  A pena é de reclusão, de 1 a 4 anos, se o crime é praticado por pessoa sob cuja custódia ou guarda está o preso ou o internado(carcereiro policial, agente  penitenciário etc.).

§ 4º -  No caso de culpa do funcionário incumbido da custódia ou guarda, aplica-se a pena de detenção, de 3 meaplica-ses a 1 ano, ou multa (comete um descuido quanto à segurança, de forma a permitir a  fuga - ex.: esquecer destrancada a porta da cela, deixar de colocar o cadeado na  porta, sair do local da guarda para

lanchar etc.).

 O fato pode dar-se em penitenciárias ou cadeias públicas, ou em qualquer outro local (viatura em que o preso é escoltado, hospital onde recebe tratamento etc.). EVASÃO MEDIANTE VIOLÊNCIA CONTRA PESSOA

Art. 352 - Evadir-se ou tentar evadir-se o preso ou o indivíduo submetido a medida de segurança detentiva, usando de violência contra a pessoa:

Pena -  detenção, de 3 meses a 1 ano, além da pena correspondente à violência.

 O legislador pune apenas o preso que foge ou tenta fugir com emprego de violência contra pessoa; a fuga pura e simples constitui mera falta disciplinar (art. 50, II, da LEP); o emprego de grave ameaça não caracteriza o delito em análise, constituindo apenas crime de “ameaça” (art. 147); o emprego de violência contra coisa pode caracterizar crime de “dano qualificado” (art. 163, § único, III), mas há opinião no sentido de ser o fato atípico.

 Se a violência for empregada para impedir a efetivação da prisão, haverá, entretanto, crime de “resistência”.

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Art. 353 -  Arrebatar preso, a fim de maltratá-lo, do poder de quem o tenha sob custódia ou guarda:

Pena - reclusão, de 1 a 4 anos, além da pena correspondente à violência.

  Arrebatar significa tirar o preso, com emprego de violência ou grave ameaça, de quem tenha sob custódia ou guarda, a fim de maltratá-lo - ex.: tirar o preso do interior da delegacia de polícia para ser linchado por populares.

MOTIM DE PRESOS

Art. 354 -  Amotinarem-se presos, perturbando a ordem ou disciplina da prisão:

Pena -  detenção, de 6 meses a 2 anos, além da pena correspondente à violência.

 Motim é a revolta conjunta de grande número de presos em que os participantes assumem posição de violência contra os funcionários, provocando depredações com prejuízos ao Estado e à ordem e disciplina da cadeia.

USO DE ALGEMAS (ART. 199 LEP):

Art. 199.  O emprego de algemas será disciplinado por decreto federal.(Lei nº 7.210/84 – Lei de Execução Penal)

Depois de um julgamento do Tribunal do Júri da Comarca Laranjal Paulista (SP) ter sido anulado por ter havido abuso na utilização de algemas (HC 91.952-SP,  rel. Min. Marco Aurélio, j. 07.08.08), o STFeditou a Súmula Vinculante 11, com o seguinte teor:

"Só é lícito o em caso de resistência e fundado receio de fuga ou perigo à integridade física própria ou alheia, por parte do preso ou terceiros, justificada a excepcionalidade por escrito, sob pena responsabilidade disciplinar, civil e penal do agente ou da autoridade e nulidade da prisão ou do ato processual a que se refere, sem prejuízo da responsabilidade civil do Estado".

DECRETO Nº 8.858, DE 26 DE SETEMBRO DE 2016

Regulamenta o disposto no art. 199 da Lei nº 7.210, de 11 de julho de 1984 - Lei de Execução Penal.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, caput, inciso IV, da Constituição, e tendo em vista o disposto no art. 199 da Lei nº 7.210, de 11 de  julho de 1984 - Lei de Execução Penal,

DECRETA:

Art. 1º O emprego de algemas observará o disposto neste Decreto e terá como diretrizes:

I -o inciso III do caput do art. 1º e o inciso III do caput do art. 5º da Constituição, que dispõem sobre a proteção e a promoção da dignidade da pessoa humana e sobre a proibição de submissão ao tratamento desumano e degradante;

II -a Resolução no 2010/16, de 22 de  julho de 2010, das Nações Unidas sobre o tratamento de mulheres presas e medidas não privativas de liberdade para mulheres infratoras (Regras de Bangkok); e

III -  o Pacto de San José da Costa Rica, que determina o tratamento humanitário dos presos e, em especial, das mulheres em condição de vulnerabilidade.

Art. 2º É permitido o emprego de algemas apenas em casos de resistência e de fundado receio de fuga ou de perigo à integridade física própria ou alheia, causado pelo preso ou por terceiros,  justificada a sua excepcionalidade por

escrito.

Art. 3º  É vedado emprego de algemas em mulheres presas em qualquer unidade do sistema penitenciário nacional durante o trabalho de parto, no trajeto da parturiente entre a unidade prisional e a unidade hospitalar e após o parto, durante o período em que se encontrar hospitalizada.

Art. 4º Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 26 de setembro de 2016; 195º da Independência e 128º da República.

MICHEL TEMER Alexandre de Moraes SIGILO DE CORRESPONDÊNCIA

O eminente Ministro CELSO DE MELLO, ex-presidente do Egrégio STF, relatando pedido de habeas corpus, assinalou que “a administração penitenciária, com fundamento em razões de segurança pública, de disciplina prisional ou de preservação da ordem jurídica, pode, sempre excepcionalmente, e desde que respeitada a norma inscrita no art. 41, parágrafo único, da Lei nº 7.210/84, proceder a interceptação da correspondência remetida pelos sentenciados, eis que a cláusula tutelar da inviolabilidade do sigilo epistolar não pode constituir instrumento de salvaguarda de práticas ilícitas”. (HC 70.814/SP, 1ª Turma do STF, Relator Min. Celso de Mello).

ABUSO DE AUTORIDADE

LEI Nº 4.898, DE 9 DE DEZEMBRO DE 1965.

Regula o Direito de Representação e o processo de Responsabilidade Administrativa Civil e Penal, nos casos de abuso de autoridade.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1º  O direito de representação e o processo de responsabilidade administrativa civil e penal, contra as autoridades que, no exercício de suas funções, cometerem abusos, são regulados pela presente lei.

Art. 2º O direito de representação será exercido por meio de petição:

a)  dirigida à autoridade superior que tiver competência legal para aplicar, à autoridade civil ou militar culpada, a respectiva sanção;

b)  dirigida ao órgão do Ministério Público que tiver competência para iniciar processo-crime contra a autoridade culpada.

Parágrafo único.  A representação será feita em duas vias e conterá a exposição do fato constitutivo do abuso de autoridade, com todas as suas circunstâncias, a qualificação do acusado e o rol de testemunhas, no máximo de três, se as houver.

Art. 3º.  Constitui abuso de autoridade qualquer atentado:

a) à liberdade de locomoção; b) à inviolabilidade do domicílio; c) ao sigilo da correspondência;

d)  à liberdade de consciência e de crença;

e) ao livre exercício do culto religioso; f) à liberdade de associação;

g)  aos direitos e garantias legais assegurados ao exercício do voto;

h) ao direito de reunião;

i) à incolumidade física do indivíduo;  j)  aos direitos e garantias legais assegurados ao exercício profissional. (Incluído pela Lei nº 6.657,de 05/06/79)

Art. 4º  Constitui também abuso de autoridade:

a) ordenar ou executar medida privativa da liberdade individual, sem as formalidades legais ou com abuso de poder;

b)  submeter pessoa sob sua guarda ou custódia a vexame ou a constrangimento não autorizado em lei;

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c) deixar de comunicar, imediatamente, ao juiz competente a prisão ou detenção de qualquer pessoa;

d)  deixar o Juiz de ordenar o relaxamento de prisão ou detenção ilegal que lhe seja comunicada;

e) levar à prisão e nela deter quem quer que se proponha a prestar fiança, permitida em lei;

f)  cobrar o carcereiro ou agente de autoridade policial carceragem, custas, emolumentos ou qualquer outra despesa, desde que a cobrança não tenha apoio em lei, quer quanto à espécie quer quanto ao seu valor;

g)  recusar o carcereiro ou agente de autoridade policial recibo de importância recebida a título de carceragem, custas, emolumentos ou de qualquer outra despesa;

h)  o ato lesivo da honra ou do patrimônio de pessoa natural ou jurídica, quando praticado com abuso ou desvio de poder ou sem competência legal;

i)  prolongar a execução de prisão temporária, de pena ou de medida de segurança, deixando de expedir em tempo oportuno ou de cumprir imediatamente ordem de liberdade. (Incluído pela Medida Provisória nº 111, de 1989)

i)  prolongar a execução de prisão temporária, de pena ou de medida de segurança, deixando de expedir em tempo oportuno ou de cumprir imediatamente ordem de liberdade. (Incluído pela Lei nº 7.960, de 21/12/89)

Art. 5º Considera-se autoridade, para os efeitos desta lei, quem exerce cargo, emprego ou função pública, de natureza civil, ou militar, ainda que transitoriamente e sem remuneração.

Art. 6º O abuso de autoridade sujeitará o seu autor à sanção administrativa civil e penal.

§ 1º  A sanção administrativa será aplicada de acordo com a gravidade do abuso cometido e consistirá em:

a) advertência; b) repreensão;

c) suspensão do cargo, função ou posto por prazo de cinco a cento e oitenta dias, com perda de vencimentos e vantagens;

d) destituição de função; e) demissão;

f) demissão, a bem do serviço público. § 2º  A sanção civil, caso não seja possível fixar o valor do dano, consistirá no pagamento de uma indenização de quinhentos a dez mil cruzeiros.

§ 3º  A sanção penal será aplicada de acordo com as regras dos artigos 42 a 56 do Código Penal e consistirá em:

a) multa de cem a cinco mil cruzeiros;

b) detenção por dez dias a seis meses; c) perda do cargo e a inabilitação para o exercício de qualquer outra função pública por prazo até três anos.

§ 4º  As penas previstas no parágrafo anterior poderão ser aplicadas autônoma ou cumulativamente.

§ 5º Quando o abuso for cometido por agente de autoridade policial, civil ou militar, de qualquer categoria, poderá ser cominada a pena autônoma ou acessória, de não poder o acusado exercer funções de natureza policial ou militar no município da culpa, por prazo de um a cinco anos.

Art. 7º  recebida a representação em que for solicitada a aplicação de sanção administrativa, a autoridade civil ou militar competente determinará a instauração de inquérito para apurar o fato.

§ 1º  O inquérito administrativo obedecerá às normas estabelecidas nas leis municipais, estaduais ou federais, civis ou militares, que estabeleçam o respectivo processo.

§ 2º  não existindo no município no Estado ou na legislação militar normas reguladoras do inquérito administrativo serão aplicadas supletivamente, as disposições dos arts. 219 a 225 da Lei nº 1.711, de 28 de outubro de 1952 (Estatuto dos Funcionários Públicos Civis da União).

§ 3º  O processo administrativo não poderá ser sobrestado para o fim de aguardar a decisão da ação penal ou civil.

Art. 8º  A sanção aplicada será anotada na ficha funcional da autoridade civil ou militar.

Art. 9º  Simultaneamente com a representação dirigida à autoridade administrativa ou independentemente dela, poderá ser promovida pela vítima do abuso, a responsabilidade civil ou penal ou ambas, da autoridade culpada.

Art. 10. Vetado

Art. 11.  À ação civil serão aplicáveis as normas do Código de Processo Civil.

Art. 12.  A ação penal será iniciada, independentemente de inquérito policial ou justificação por denúncia do Ministério Público, instruída com a representação da vítima do abuso.

Art. 13.  Apresentada ao Ministério Público a representação da vítima, aquele, no prazo de quarenta e oito horas, denunciará o réu, desde que o fato narrado constitua abuso de autoridade, e requererá ao Juiz a sua citação, e, bem assim, a designação de audiência de instrução e julgamento.

§ 1º  A denúncia do Ministério Público será apresentada em duas vias.

Art. 14. Se a ato ou fato constitutivo do abuso de autoridade houver deixado vestígios o ofendido ou o acusado poderá: a)  promover a comprovação da existência de tais vestígios, por meio de duas testemunhas qualificadas;

b)  requerer ao Juiz, até setenta e duas horas antes da audiência de instrução e  julgamento, a designação de um perito

para fazer as verificações necessárias. § 1º O perito ou as testemunhas farão o seu relatório e prestarão seus depoimentos verbalmente, ou o apresentarão por escrito, querendo, na audiência de instrução e julgamento.

§ 2º  No caso previsto na letra a deste artigo a representação poderá conter a indicação de mais duas testemunhas.

Art. 15.  Se o órgão do Ministério Público, ao invés de apresentar a denúncia requerer o arquivamento da representação, o Juiz, no caso de considerar improcedentes as razões invocadas, fará remessa da representação ao Procurador-Geral e este oferecerá a denúncia, ou designará outro órgão do Ministério Público para oferecê-la ou insistirá no arquivamento, ao qual só então deverá o Juiz atender.

Art. 16. Se o órgão do Ministério Público não oferecer a denúncia no prazo fixado nesta lei, será admitida ação privada. O órgão do Ministério Público poderá, porém, aditar a queixa, repudiá-la e oferecer denúncia substitutiva e intervir em todos os termos do processo, interpor recursos e, a todo tempo, no caso de negligência do querelante, retomar a ação como parte principal.

Art. 17.  Recebidos os autos, o Juiz, dentro do prazo de quarenta e oito horas, proferirá despacho, recebendo ou rejeitando a denúncia.

§ 1º  No despacho em que receber a denúncia, o Juiz designará, desde logo, dia e hora para a audiência de instrução e  julgamento, que deverá ser realizada, improrrogavelmente. dentro de cinco dias.

§ 2º  A citação do réu para se ver processar, até julgamento final e para comparecer à audiência de instrução e  julgamento, será feita por mandado sucinto que, será acompanhado da segunda via da representação e da denúncia.

Art. 18.  As testemunhas de acusação e defesa poderão ser apresentada em juízo, independentemente de intimação.

Parágrafo único.  Não serão deferidos pedidos de precatória para a audiência ou a intimação de testemunhas ou, salvo o caso previsto no artigo 14, letra "b",

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requerimentos para a realização de diligências, perícias ou exames, a não ser que o Juiz, em despacho motivado, considere indispensáveis tais providências.

Art. 19. A hora marcada, o Juiz mandará que o porteiro dos auditórios ou o oficial de justiça declare aberta a audiência, apregoando em seguida o réu, as testemunhas, o perito, o representante do Ministério Público ou o advogado que tenha subscrito a queixa e o advogado ou defensor do réu.

Parágrafo único.  A audiência somente deixará de realizar-se se ausente o Juiz.

Art. 20. Se até meia hora depois da hora marcada o Juiz não houver comparecido, os presentes poderão retirar-se, devendo o ocorrido constar do livro de termos de audiência.

Art. 21.  A audiência de instrução e  julgamento será pública, se contrariamente não dispuser o Juiz, e realizar-se-á em dia útil, entre dez (10) e dezoito (18) horas, na sede do Juízo ou, excepcionalmente, no local que o Juiz designar.

Art. 22. Aberta a audiência o Juiz fará a qualificação e o interrogatório do réu, se estiver presente.

Parágrafo único.  Não comparecendo o réu nem seu advogado, o Juiz nomeará imediatamente defensor para funcionar na audiência e nos ulteriores termos do processo.

Art. 23.  Depois de ouvidas as testemunhas e o perito, o Juiz dará a palavra sucessivamente, ao Ministério Público ou ao advogado que houver subscrito a queixa e ao advogado ou defensor do réu, pelo prazo de quinze minutos para cada um, prorrogável por mais dez (10), a critério do Juiz.

Art. 24.  Encerrado o debate, o Juiz proferirá imediatamente a sentença.

Art. 25.  Do ocorrido na audiência o escrivão lavrará no livro próprio, ditado pelo Juiz, termo que conterá, em resumo, os depoimentos e as alegações da acusação e da defesa, os requerimentos e, por extenso, os despachos e a sentença.

Art. 26. Subscreverão o termo o Juiz, o representante do Ministério Público ou o advogado que houver subscrito a queixa, o advogado ou defensor do réu e o escrivão.

Art. 27. Nas comarcas onde os meios de transporte forem difíceis e não permitirem a observância dos prazos fixados nesta lei, o juiz poderá aumentá-las, sempre motivadamente, até o dobro.

Art. 28.  Nos casos omissos, serão aplicáveis as normas do Código de

Processo Penal, sempre que compatíveis com o sistema de instrução e julgamento regulado por esta lei.

Parágrafo único.  Das decisões, despachos e sentenças, caberão os recursos e apelações previstas no Código de Processo Penal.

Art. 29.  Revogam-se as disposições em contrário. Brasília, 9 de dezembro de 1965; 144º da Independência e 77º da República. H. CASTELLO BRANCO Juracy Magalhães TORTURA LEI Nº 9.455, DE 7 DE ABRIL DE 1997. Define os crimes de tortura e dá outras providências.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1º Constitui crime de tortura: I -constranger alguém com emprego de violência ou grave ameaça, causando-lhe sofrimento físico ou mental:

a)  com o fim de obter informação, declaração ou confissão da vítima ou de terceira pessoa;

b)  para provocar ação ou omissão de natureza criminosa;

c)  em razão de discriminação racial ou religiosa;

II -submeter alguém, sob sua guarda, poder ou autoridade, com emprego de violência ou grave ameaça, a intenso sofrimento físico ou mental, como forma de aplicar castigo pessoal ou medida de caráter preventivo.

Pena - reclusão, de dois a oito anos. § 1º  Na mesma pena incorre quem submete pessoa presa ou sujeita a medida de segurança a sofrimento físico ou mental, por intermédio da prática de ato não previsto em lei ou não resultante de medida legal.

§ 2º  Aquele que se omite em face dessas condutas, quando tinha o dever de evitá-las ou apurá-las, incorre na pena de detenção de um a quatro anos.

§ 3º  Se resulta lesão corporal de natureza grave ou gravíssima, a pena é de reclusão de quatro a dez anos; se resulta morte, a reclusão é de oito a dezesseis anos.

§ 4º Aumenta-se a pena de um sexto até um terço:

I -se o crime é cometido por agente público;

II -se o crime é cometido contra criança, gestante, deficiente e adolescente;

II –se o crime é cometido contra criança, gestante, portador de deficiência, adolescente ou maior de 60 (sessenta) anos; (Redação dada pela Lei nº 10.741, de 2003)

III -  se o crime é cometido mediante sequestro.

§ 5º  A condenação acarretará a perda do cargo, função ou emprego público e a interdição para seu exercício pelo dobro do prazo da pena aplicada.

§ 6º O crime de tortura é inafiançável e insuscetível de graça ou anistia.

§ 7º  O condenado por crime previsto nesta Lei, salvo a hipótese do § 2º, iniciará o cumprimento da pena em regime fechado.

Art. 2º  O disposto nesta Lei aplica-se ainda quando o crime não tenha sido cometido em território nacional, sendo a vítima brasileira ou encontrando-se o agente em local sob jurisdição brasileira.

Art. 3º  Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Art. 4º  Revoga-se o art. 233 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990 - Estatuto da Criança e do Adolescente.

Brasília, 7 de abril de 1997; 176º da Independência e 109º da República.

FERNANDO HENRIQUE CARDOSO Nelson A. Jobim

 __________________________ REFERÊNCIAS

BECCARIA, Cesare. Dos delitos e das penas. São Paulo: Martin Claret, 2002. 128p

BRASIL. Lei 7.210, de 11 de julho de 1984. Institui a Lei de Execução Penal.

Disponível em:

<http://www.planalto.gov.br/ccivil/leis/L7 210.htm>. Acesso em: 13/11/2011.

CARNELUTTI, Francesco. As Misérias do Processo Penal. 6.ed. Campinas: Bookseller, 2005. 86p.

CNPCP - CONSELHO NACIONAL DE POLÍTICA CRIMINAL E PENITENCIÁRIA. Regras Mínimas para o Tratamento do Preso no Brasil. Brasília: Ministério da Justiça, 2007. 24p.

FESURV - UNIVERSIDADE DE RIO VERDE. Normas e Padrões para Elaboração de Trabalhos Acadêmicos. Rio Verde: Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa, 2008. 40p.

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FOUCAULT, Michel. Vigiar e Punir: história da violência nas prisões. 29.ed. Petrópolis: Vozes, 2004. 262p.

LEMGRUBER, Julita. Cemitério dos Vivos: análise sociológica de uma prisão de mulheres. 2. ed. Rio de Janeiro: Forense, 1999.

MARCÃO, Renato. Curso de Execução Penal. 5. ed. rev. e atual. São Paulo: Saraiva, 2007. 25p.

SILVA, Anderson Luiz Brasil. Ambiente Criminógeno da Prisão: A ineficácia da pena privativa de liberdade como remédio para reeducar delinquentes. Goiânia: Artigo científico apresentado à Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação da UFG - Pós-graduação lato sensu em Gestão Prisional, 2008. 09p.

SILVA, Haroldo Caetano da. Execução Penal: com as inovações da Lei n° 10.792, de 1° de dezembro de 2003. 3. ed. Porto Alegre: Magister, 2006. 364p.

LEI DE EXECUÇÃO PENAL

Até a entrada em vigor da Lei n° 7.210, de 11 de julho de 1984, houve várias tentativas de se criar uma lei que regulamentasse a execução penal. Em 1933, foi apresentado ao Governo o Anteprojeto do Código de Execuções Criminais da República, entretanto, com a promulgação do Código Penal de 1940 e a chegada do Estado Novo, a matéria não foi discutida em decorrência da supressão das atividades parlamentares.

O Anteprojeto era revolucionário e previa o princípio a individualização da pena e tratamento penal distinto  –  caso de toxicômanos e psicopatas. A suspensão condicional da pena, o livramento condicional e figura das Colônias Penais Agrícolas eram previstos pelo Anteprojeto.

Em 1951, o então deputado Carvalho Neto produziu um projeto que previa normas gerais de direito penitenciário, que se converteu na Lei n° 3.274, de 02 de outubro de 1957. A referida lei tornou-se ineficaz por falta de previsão de sanções pelo descumprimento dos princípios nela estabelecidos.

O Professor Oscar Stevenson, em 1957, elaborou a pedido do ministro da justiça um novo projeto de um código penitenciário, entretanto, não foi aproveitado. Roberto Lyra, em 1963, apresentou um anteprojeto de Código de

Execuções Penais. Projeto este que dispunha sobre o tratamento distinto sobre as questões relativas aos reeducandos do sexo feminino e de a um tratamento com legalidade na execução penal. Este projeto devido ao Golpe Militar, foi desprezado.

O anteprojeto de Código de Execuções Penais do professor Benjamim Moraes Filho (1970), inspirado numa Resolução das Nações Unidas - Regras Mínimas para o Tratamento de Reclusos, também não se transformou em lei.

Mesmo o Brasil carecendo de uma legislação que tratasse de forma especifica da Execução penal, somente em 1983 é aprovado o projeto de lei do Ministro da Justiça Ibrahim Abi Hackel, o qual se converteu na Lei de Execução Penal - Lei nº 7.210 de 11 de Julho de 1984. A Lei de Execução Penal passou a vigorar concomitantemente com a Lei nº 7.209, de 11.7.1984 - Reforma da Parte Geral do Código Penal.

Acerca da Lei de Execução Penal, Lei nº 7.210 de 11 de Julho de

1984, SILVA (2006, p.41) ensina que: Inspirada na Nova Defesa Social (ou Escola do Neodefensismo Social), que instaurou um movimento de política criminal humanista baseado na ideia de que sociedade somente é defendida quando se busca a reinclusão do condenado ao meio livre, a LEP prevê sejam proporcionadas condições para a harmônica integração social do condenado e do internado, evidenciando o seu objetivo de cuidar não apenas deste, mas também da defesa da sociedade. A reinclusão social, enquanto finalidade principal da execução penal, já era recomendada desde o Pacto de San José de Costa Rica, de 1969, que estabeleceu, em seu art. 5, item 6: “as penas privativas da liberdade devem ter por finalidade essencial a reforma e a readaptação social dos condenados”.

A Lei nº 7.210/84 é hodierna e avançada, e está em harmonia com a filosofia reinserção social da pena privativa de liberdade. Entretanto, atualmente, enfrenta-se o grande problema da ausência de efetividade no cumprimento e na aplicação da Lei de Execução Penal.

 _________________________________ LEI Nº 7.210, DE 11 DE JULHO DE 1984.

Institui a Lei de Execução Penal.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

TÍTULO I

Do Objeto e da Aplicação da Lei de Execução Penal

Art. 1º A execução penal tem por objetivo efetivar as disposições de sentença ou decisão criminal e proporcionar condições para a harmônica integração social do condenado e do internado.

Art. 2º A jurisdição penal dos Juízes ou Tribunais da Justiça ordinária, em todo o Território Nacional, será exercida, no processo de execução, na conformidade desta Lei e do Código de Processo Penal.

Parágrafo único. Esta Lei aplicar-se-á igualmente ao preso provisório e ao condenado pela Justiça Eleitoral ou Militar, quando recolhido a estabelecimento sujeito à jurisdição ordinária.

Art. 3º Ao condenado e ao internado serão assegurados todos os direitos não atingidos pela sentença ou pela lei.

Parágrafo único. Não haverá qualquer distinção de natureza racial, social, religiosa ou política.

Art. 4º O Estado deverá recorrer à cooperação da comunidade nas atividades de execução da pena e da medida de segurança.

TÍTULO II

Do Condenado e do Internado CAPÍTULO I

Da Classificação

Art. 5º Os condenados serão classificados, segundo os seus antecedentes e personalidade, para orientar a individualização da execução penal.

Art. 6º A classificação será feita por Comissão Técnica de Classificação que elaborará o programa individualizador da pena privativa de liberdade adequada ao condenado ou preso provisório. (Redação dada pela Lei nº 10.792, de 2003)

Art. 7º A Comissão Técnica de Classificação, existente em cada estabelecimento, será presidida pelo diretor e composta, no mínimo, por 2 (dois) chefes de serviço, 1 (um) psiquiatra, 1 (um) psicólogo e 1 (um) assistente social, quando se tratar de condenado à pena privativa de liberdade.

Parágrafo único. Nos demais casos a Comissão atuará junto ao Juízo da

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Execução e será integrada por fiscais do serviço social.

Art. 8º O condenado ao cumprimento de pena privativa de liberdade, em regime fechado, será submetido a exame criminológico para a obtenção dos elementos necessários a uma adequada classificação e com vistas à individualização da execução.

Parágrafo único. Ao exame de que trata este artigo poderá ser submetido o condenado ao cumprimento da pena privativa de liberdade em regime semiaberto.

Art. 9º A Comissão, no exame para a obtenção de dados reveladores da personalidade, observando a ética profissional e tendo sempre presentes peças ou informações do processo, poderá:

I - entrevistar pessoas;

II - requisitar, de repartições ou estabelecimentos privados, dados e informações a respeito do condenado;

III - realizar outras diligências e exames necessários.

Art. 9-A. Os condenados por crime praticado, dolosamente, com violência de natureza grave contra pessoa, ou por qualquer dos crimes previstos no art. 1o da Lei no 8.072, de 25 de julho de 1990, serão submetidos, obrigatoriamente, à identificação do perfil genético, mediante extração de DNA - ácido desoxirribonucleico, por técnica adequada e indolor. (Incluído pela Lei nº 12.654, de 2012)

§ 1o A identificação do perfil genético será armazenada em banco de dados sigiloso, conforme regulamento a ser expedido pelo Poder Executivo. (Incluído pela Lei nº 12.654, de 2012)

§ 2o A autoridade policial, federal ou estadual, poderá requerer ao juiz competente, no caso de inquérito instaurado, o acesso ao banco de dados de identificação de perfil genético. (Incluído pela Lei nº 12.654, de 2012)

CAPÍTULO II Da Assistência SEÇÃO I

Disposições Gerais

Art. 10. A assistência ao preso e ao internado é dever do Estado, objetivando prevenir o crime e orientar o retorno à convivência em sociedade.

Parágrafo único. A assistência estende-se ao egresso.

Art. 11. A assistência será: I - material; II - à saúde; III -jurídica; IV - educacional; V - social; VI - religiosa. SEÇÃO II Da Assistência Material

Art. 12. A assistência material ao preso e ao internado consistirá no fornecimento de alimentação, vestuário e instalações higiênicas.

Art. 13. O estabelecimento disporá de instalações e serviços que atendam aos presos nas suas necessidades pessoais, além de locais destinados à venda de produtos e objetos permitidos e não fornecidos pela Administração.

SEÇÃO III

Da Assistência à Saúde

Art. 14. A assistência à saúde do preso e do internado de caráter preventivo e curativo, compreenderá atendimento médico, farmacêutico e odontológico.

§ 1º (Vetado).

§ 2º Quando o estabelecimento penal não estiver aparelhado para prover a assistência médica necessária, esta será prestada em outro local, mediante autorização da direção do estabelecimento.

§ 3ºSerá assegurado acompanhamento médico à mulher, principalmente no pré-natal e no pós-parto, extensivo ao recém-nascido. (Incluído pela Lei nº 11.942, de 2009)

SEÇÃO IV

Da Assistência Jurídica

Art. 15. A assistência jurídica é destinada aos presos e aos internados sem recursos financeiros para constituir advogado.

Art. 16. As Unidades da Federação deverão ter serviços de assistência  jurídica, integral e gratuita, pela Defensoria Pública, dentro e fora dos estabelecimentos penais. (Redação dada pela Lei nº 12.313, de 2010).

§ 1ºAs Unidades da Federação deverão prestar auxílio estrutural, pessoal e material à Defensoria Pública, no exercício de suas funções, dentro e fora dos estabelecimentos penais. (Incluído pela Lei nº 12.313, de 2010).

§ 2ºEm todos os estabelecimentos penais, haverá local apropriado destinado ao atendimento pelo Defensor Público. (Incluído pela Lei nº 12.313, de 2010).

§ 3ºFora dos estabelecimentos penais, serão implementados Núcleos Especializados da Defensoria Pública para

a prestação de assistência jurídica integral e gratuita aos réus, sentenciados em liberdade, egressos e seus familiares, sem recursos financeiros para constituir advogado. (Incluído pela Lei nº 12.313, de 2010).

SEÇÃO V

Da Assistência Educacional

Art. 17. A assistência educacional compreenderá a instrução escolar e a formação profissional do preso e do internado.

Art. 18. O ensino de 1º grau será obrigatório, integrando-se no sistema escolar da Unidade Federativa.

Art. 19. O ensino profissional será ministrado em nível de iniciação ou de aperfeiçoamento técnico.

Parágrafo único. A mulher condenada terá ensino profissional adequado à sua condição.

Art. 20. As atividades educacionais podem ser objeto de convênio com entidades públicas ou particulares, que instalem escolas ou ofereçam cursos especializados.

Art. 21. Em atendimento às condições locais, dotar-se-á cada estabelecimento de uma biblioteca, para uso de todas as categorias de reclusos, provida de livros instrutivos, recreativos e didáticos.

SEÇÃO VI

Da Assistência Social

Art. 22. A assistência social tem por finalidade amparar o preso e o internado e prepará-los para o retorno à liberdade.

Art. 23. Incumbe ao serviço de assistência social:

I - conhecer os resultados dos diagnósticos ou exames;

II - relatar, por escrito, ao Diretor do estabelecimento, os problemas e as dificuldades enfrentadas pelo assistido;

III - acompanhar o resultado das permissões de saídas e das saídas temporárias;

IV - promover, no estabelecimento, pelos meios disponíveis, a recreação;

V - promover a orientação do assistido, na fase final do cumprimento da pena, e do liberando, de modo a facilitar o seu retorno à liberdade;

VI - providenciar a obtenção de documentos, dos benefícios da Previdência Social e do seguro por acidente no trabalho;

VII - orientar e amparar, quando necessário, a família do preso, do internado e da vítima.

Referências

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