DeR
OSE
YÔGA SÚTRA
DE
PÁTAÑJALI
O
LIVRO DEY
ÔGA MAIS CONHECIDO,
RESPEITADO,
LIDO ETRADUZIDO EM TODO O MUNDO
.
U
NIVERSIDADE DE
Y
ÔGA
registrada nos termos dos artigos 45 e 46 do Código Civil Brasileiro sob o no. 37959 no 6o. Ofício
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Resguardados os direitos do Editor, o autor concede autorização de uso e transcrição de trechos desta obra, desde que seja solicitada autorização por escrito e que se cite a fonte.
DeR
OSE
Doutor Honoris Causa, Comendador e Notório Saber por diversas entidades culturais e acadêmicas, Conselheiro da Ordem dos Parla-mentares do Brasil, DeRose é o fundador da Universidade de Yôga. Com quase 50 anos de magistério, mais de 20 livros escritos e 24 anos de viagens à Índia, recebeu o reconhecimento do título de Mestre em Yôga (não-acadêmico) e Notório Saber pela FATEA – Faculdades Inte-gradas Teresa d’Ávila (SP), pela Universidade do Porto (Portugal), pela Universidade Lusófona, de Lisboa (Portugal), pela Universidade Es-tácio de Sá (MG), pela UniCruz (RS) e pelas Faculdades Integradas Coração de Jesus (SP). Possui título de Comendador e Notório Saber em Yôga pela Sociedade Brasileira de Educação e Integração; e de Comendador pela Academia Brasileira de Arte, Cultura e História. Foi fundador do Sindicato Nacional dos Profissionais de Yôga e da primeira Confederação Nacional de Yôga do Brasil. Introdutor do Curso de Formação de Instrutores de Yôga nas Universidades Federais do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais, Mato Grosso, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Piauí, Pernambuco, Rio Grande do Norte etc.; Universidades Estaduais do Rio de Janeiro, San-ta CaSan-tarina, Bahia etc.; PUCs – Pontifícias Universidades Católicas do Rio Grande do Sul, Paraná, Minas Gerais, Bahia, São Paulo e outras. Em Portugal, foi introdutor do Curso de Formação de Instrutores de Yôga na Universidade Lusófona, de Lisboa, e na Universidade do Porto. Na Argentina foi introdutor do Curso de Formação de Instrutores de Yôga na Universidade Tecnológica Nacional. É aclamado como o pai da Regulamentação dos Profissionais de Yôga cujo primeiro projeto de lei elaborou em 1978. Por lei estadual a data do aniversário do Mestre DeRose, 18 de fevereiro, foi instituída como o Dia do Yôga em DEZ ESTADOS: São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina, Minas Gerais, Bahia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Goiás. E mais o Distrito Federal.
YÔGA SÚTRA
DE
PÁTAÑJALI
U
NIVERSIDADE DE
Y
ÔGA
registrada nos termos dos artigos 45 e 46 do Código Civil Brasileiro sob o no. 37959 no 6o. Ofício
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Esta é uma co-edição Uni-Yôga*/Nobel (Nobel é um selo editorial da AMPUB Comercial Ltda.) Direitos desta edição reservados à União Nacional de Yôga.
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Projeto editorial, digitação, diagramação, ilustração e paginação em Word: DeRose
Capa: Takeshita
Revisão: Diana Raschelli de Ferraris, Melina Flores
Revisão desta edição: Fernanda Neis
Produção gráfica: Editora Uni-Yôga*
Impressão diretamente de arquivo em Word: Cromosete Gráfica e Editora Ltda.
8ª. edição - Edição especial para colecionadores: 2006
DADOS INTERNACIONAIS DE CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO (CIP)
ELABORADO PELO AUTOR De Rose, L.S.A., 1944 -
Yôga Sútra de Pátañjali / De Rose. - São Paulo : Nobel
1. Yôga 2. DeRose 3. Yôga na literatura 4. Mestres de Yôga. I. Título
CDD- 181.45
Senhor Livreiro,
Este livro não é sobre auto-ajuda, nem terapias e, muito menos, esoterismo. Não tem nada a ver com Educação Física nem com esportes. O tema Yôga merece, por si só, uma classificação à parte.
Assim, agradeço se esta obra puder ser catalogada como Yôga e exposta numa estante de Yôga. Estou certo de que os leitores agradecem também.
O Autor *AEDITORA UNI-YÔGA,
é um órgão de divulgação cultural da
PRIMEIRA UNIVERSIDADE DE YÔGA DO BRASIL,
Registrada nos termos dos artigos 45 e 46 do Código Civil Brasileiro sob o nº 37959 no 6º Ofício,
divisão da
UNIÃO INTERNACIONAL DE YÔGA
www.uni-yoga.org
Al. Jaú, 2.000 – São Paulo – Brasil – Tel: (11) 3064-3949 e 3082-4514
Devo render aqui uma homenagem de gratidão a Srí Yôgêndra e ao Dr. Jayadêva, dos quais tive o
privilégio de receber, pessoalmente, instruções sobre o Yôga Clássico de Pátañjali, no Yôga Institute, em Bombaim (hoje, Mumbai). E a Srí Krishnánandají, que me concedeu a graça do seu ensinamento, de 1975 a 1994, no
Shivanánda Ashram, em Rishikesh, Himalaya.
Para o sânscrito, recorri ao Sanskrit-English .
Dictionary, de Monier- Williams, publicado pela Oxford University; ao Manuel de Grammaire Elémentaire de Ia Langue Sanskrite, de J. Gonda; e ao Introdução ao Sânscrito Clássico, de Carlos Alberto da Fonseca e Mario Ferreira, do Departamento de Lingüística e Línguas Orientais da USP – Universidade de São Paulo.
SUMÁRIO
Introdução
A História do Yôga no Brasil...11
Do porquê desta interpretação ...17
O Yôga e Pátañjali...19
A verdade sobre o Yôga Clássico ...25
Frases diferentes, significado igual? ...29
A razão de tantas divergências ...35
Exemplos de discrepâncias ...37
A transliteração do sânscrito ...39
Yôga Sútra – texto original de mais de dois mil anos Samádhi Páda ... ... 53 Sádhana Páda... 67 Vibhuti Páda ... 81 Kaivalya Páda... 97 Apêndice Recomendações finais ... Código de Ética do Yôga ...125
Juramento do yôgin ...123
O que é ÔM ... , ...119
Complemento pedagógico Anexo Material didático (livros, CDs, vídeos, etc.)...149 Endereços de escolas e instrutores de Yôga ...,
S
UMÁRIO DOL
EITOREste sumário é para ser utilizado pelo leitor, anotando as passagens que precisa-rão ser localizadas rapidamente para referências posteriores. O cérebro esquece 90% do que lê, 80% do que ouve, 70% do que vê. Portanto, vale a pena utilizar este sumário e reler o livro de tempos em tempos.
ASSUNTOS QUE MAIS INTERESSARAM PÁGINAS
Ao ler, sublinhe os trechos mais importantes para recordar ou que suscitem dúvi-das, a fim de localizá-los com facilidade numa releitura.
D
EFINIÇÕES
Yôga
1é qualquer metodologia estritamente prática que
conduza ao samádhi.
Samádhi é o estado de hiperconsciência e autoconhecimento que só o Yôga proporciona.
SwáSthya Yôga é o nome da sistematização do Yôga Antigo,
Pré-Clássico, o Yôga mais completo do mundo.
As características principais do SwáSthya Yôga (ashtánga guna) são: 1. sua prática extremamente completa, integrada por oito
modali-dades de técnicas;
2. a codificação das regras gerais;
3. resgate do conceito arcaico de seqüências encadeadas sem re-petição;
4. direcionamento a pessoas especiais, que nasceram para o SwáSthya Yôga;
5. valorização do sentimento gregário; 6. seriedade superlativa;
7. alegria sincera;
8. lealdade inquebrantável.
1 O acento indica apenas onde está a sílaba longa, mas ocorre que, muitas vezes, a tônica está noutro lugar. Por exemplo: Pátañjali pronuncia-se “Patânjali”; e kundaliní pronuncia-se “kúndaliní”. O efeito fonético aproxima-se mais de “kún-daliníí” (jamais pronuncie “kundalíni”). Para sinalizar is-so aos nosis-sos leitores, vamos sublinhar a sílaba tônica de cada palavra. Se o leitor desejar esclare-cimentos sobre os termos sânscritos, recomendamos que consulte o Glossário, do livro Faça Yôga
antes que você precise. Sobre a pronúncia, ouça o CD Sânscrito - Treinamento de Pronúncia,
D
EMONSTRAÇÃO
DE QUE A PALAVRA
Y
ÔGA TEM ACENTO
NO SEU ORIGINAL EM ALFABETO DÊVANÁGARÍ
:
Extraído do livro Faça Yôga antes que você precise, deste autor.
y
= YA (curta).ya
= YAA ∴∴∴∴ YÁ (longa).yae
= YOO* ∴∴∴∴ YÔ (longa).yaeg
= YÔGA C.Q.D.* Embora grafemos didaticamente acima YOO, este artifício é utilizado apenas pa-ra o melhor entendimento do leitor leigo em sânscrito. Devemos esclarecer que o fonema ô é resultante da fusão do a com o u e, por isso, é sempre longo, pois contém duas letras. Nesta convenção, o acento agudo é aplicado sobre as letras longas quando ocorre crase ou fusão de letras iguais (á, í, ú). O acento circunflexo é aplicado quando ocorre crase ou fusão de letras diferentes (a + i = ê; a + u = ô), por exemplo, em sa+íshwara=sêshwara e AUM, que se pronuncia ÔM. Daí gra-farmos Vêdánta. O acento circunflexo não é usado para fechar a pronúncia do ô ou do ê, já que esses fonemas são sempre fechados. Não existe, portanto, a pro-núncia “véda” nem “yóga”.
BIBLIOGRAFIA PARA O IDIOMA ESPANHOL:
Léxico de Filosofía Hindú, de Kastberger, Editorial Kier, Buenos Aires.
BIBLIOGRAFIA PARA O IDIOMA INGLÊS:
Aphorisms of Yôga, de Srí Purôhit Swámi, Faber and Faber, Londres.
BIBLIOGRAFIA PARA O IDIOMA PORTUGUÊS:
Poema do Senhor, de Vyasa, Editora Relógio d’Água, Lisboa.
Se alguém declarar que a palavra Yôga não tem acento, peça-lhe para mostrar como se escreve o ô-ki-matra (o-ki-matra é um termo hindi utilizado atualmente na Índia para sinalizar a sílaba forte). Depois, peça-lhe para indicar onde o ô-ki-matra aparece na palavra Yôga (ele aparece logo depois da letra y). Em seguida, pergunte-lhe o que significa cada uma das três partes do termo ô-ki-matra. Ele deverá responder que ô é a letra o; ki significa de; e matra tra-duz-se como acento, pausa ou intervalo. Logo, ô-ki-matra tratra-duz-se como “acento do o”. Então, mais uma vez, provado está que a palavra Yôga tem acento.
C
OMO LER ESTE LIVROJamais pegue um livro didático para ler se não tiver papel e caneta com que possa fazer anotações. Caso contrário, você pensa que aprendeu e esquece tudo mais tarde.
Sublinhe e faça anotações também no próprio livro. Organize um sumário dos assuntos que mais lhe interessaram, com as respecti-vas páginas, e anote isso na página de abertura do livro estudado para ter tais dados sempre à mão.
No final de cada capítulo pare e releia-o, observando as anotações feitas.
a
I
NTRODUÇÃO
Este livro pertence à coleção Curso Básico da Uni-Yôga.
Alguns livros do Mestre DeRose são obras de fôlego, com 400 a 700 pá-ginas. Por esse motivo, em atenção ao leitor interessado num tema espe-cífico, decidimos lançar uma coleção de livros menores, em que cada vo-lume aborde um tema em particular, pertinente ao Curso de Formação de Instrutores, que o Mestre ministra desde a década de 70 nas Universida-des Federais, Estaduais e Católicas de vários estados do Brasil, bem co-mo em Universidades da Europa. Isso nos permitirá editar livros mais acessíveis, que possibilitarão ao público travar contato com o Yôga Anti-go mais facilmente.
Este opúsculo tratará de mais um tema que desperta muito interesse e que as pessoas, geralmente, interpretam de uma forma um tanto limitada, deixando que suas crenças ou sua cultura regional interfiram na visão mais clara do assunto. Como sempre, o Mestre DeRose abordará a maté-ria sob um prisma diferente, novo e mais abrangente.
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a
A
PROPOSTA DOS LIVROS
DA
U
NIVERSIDADE DE
Y
ÔGA
A proposta desta coleção é proporcionar aos estudiosos o resultado de uma pesquisa desenvolvida durante mais de 40 anos, sendo 24 anos de vi-agens à Índia. É o resgate da imagem de um Yôga Ancestral que, fora da nossa linhagem, já não se encontra em parte alguma.
Muito se escreveu e escreve-se sobre o Yôga Moderno, mas quase nada há escrito sobre o Yôga Antigo, que é muito mais fascinante. O Yôga Pré-Clássico é uma peça viva de arqueologia cultural, considerada extinta na própria Índia, seu país de origem há mais de 5.000 anos. O que é raro é mais valioso, no entanto, independentemente desse valor como raridade, o Yôga Pré-Clássico é extremamente completo e diferente de tudo o que você possa estereotipar com o cliché “Yôga”. Além disso, ao estudar essa modalidade, temos ainda a satisfação incontida de estar dedicando-nos ao Yôga original, logo, o mais autêntico de todos. Não obstante, como estu-dar o Yôga mais antigo se não há quase nenhuma bibliografia disponível? No início não existia a escrita e o conhecimento era passado por transmis-são oral. Depois, na fase do Yôga Clássico, por volta do século III a.C., não existia a imprensa, os livros tinham de ser escritos a mão e reproduzi-dos um a um pelos copistas, o que tornava o produto literário muito caro e as edições bem restritas. Por essa época havia uma quantidade irrisória de obras e uma tiragem de sucesso teria algo como uma centena de exempla-res. Dessa forma, foi relativamente fácil perderem-se obras inteiras, por
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incêndios, terremotos, enchentes, guerras ou, simplesmente, por persegui-ções ideológicas. Não nos restou quase nada.
Por outro lado, do Yôga Moderno praticamente tudo foi preservado. Pri-meiro, devido ao menor decurso de tempo que transcorreu entre a época da publicação e o momento presente. Depois, com o barateamento dos li-vros, graças ao advento da tipografia, muito mais obras foram escritas e suas tiragens alcançaram a cifra dos milhares de cópias. Assim, sempre haveria uns quantos exemplares em outro local quando ocorressem os in-cêndios, os terremotos, as enchentes, as guerras ou as perseguições.
O resultado disso é que hoje quase todos os livros, escolas e instrutores de Yôga são de linha Medieval2 ou fortemente influenciados por ela. O Yôga Contemporâneo ainda não teve tempo suficiente para uma produção edito-rial relevante. Pior: a maior parte está contaminada pelos paradigmas da fase anterior e confunde-se com o Medieval, até pelos próprios jargões u-tilizados e pela distorção do significado dos termos técnicos aplicados. Assim sendo, sem dispor de vias já trilhadas de acesso ao Yôga mais anti-go, para chegar aonde cheguei foi necessário ir revolvendo, polegada por polegada, o entulho dos séculos. Primeiramente analisei o Yôga Contem-porâneo. Depois, voltando para o passado mais próximo, esquadrinhei a vertente do período anterior, o Yôga Medieval. Passados uns bons 15 a-nos de estudos, tendo esgotado a literatura disponível, estava na hora de viajar à Índia para pesquisar in loco. Em Bombaim enfurnei-me no Yôga Clássico e nos Himalayas em tradições, talvez, mais antigas. Um belo dia, descortinei uma modalidade que ficara perdida durante séculos, o Yôga Pré-Clássico. Mais 20 anos se passaram, durante os quais, indo e vindo da Índia, tratei de aprofundar minha pesquisa nos Shástras, na meditação e nos debates com swámis e saddhus de várias Escolas. O resultado foi im-pactante e pode mudar a História do Yôga.
É esse resultado que vou expor no texto desta coleção de trinta títulos pu-blicados sob a chancela da Universidade de Yôga. Dentre eles, mais de
2 Numa história de 5.000 anos, Medieval é considerado Moderno. Estude o quadro da Cronologia Histórica, que é explicado em detalhe no livro Origens do Yôga.
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dez livros de minha autoria encontram-se disponíveis para download gra-tuito no website www.uni-yoga.org. Eles podem ser acessados sem custo porque o meu trabalho é cultural e não comercial.
Desejo uma boa leitura para você.
COLEÇÃO UNI-YÔGA
1. DeRose, Faça Yôga antes que você precise, Nobel (Brasil), Afrontamento (Portugal) e Longseller (Argentina). 2. DeRose, Yôga, Mitos e Verdades, Nobel (Brasil) e Afrontamento (Portugal).
3. DeRose, Tudo o que você nunca quis saber sobre Yôga, L&PM. 4. DeRose, Programa do Curso Básico de Yôga, Uni-Yôga. 5. DeRose, Boas Maneiras no Yôga, Nobel.
6. DeRose, Eu me lembro..., Nobel.
7. DeRose, Encontro com o Mestre, Matrix (Brasil), Kier (Argentina). 8. DeRose, Sútras – máximas de lucidez e êxtase, Nobel. 9. DeRose, Alimentação vegetariana: chega de abobrinha!, Nobel. 10. DeRose, Origens do Yôga Antigo, Nobel.
11. DeRose, Alternativas de relacionamento afetivo, Nobel (Brasil) e Afrontamento (Portugal). 12. DeRose, Tantra, a sexualidade sacralizada, Uni-Yôga e Longseller (Argentina). 13. DeRose, Yôga Sútra de Pátañjali, Uni-Yôga.
14. DeRose, Mensagens do Yôga, Uni-Yôga.
15. DeRose, Karma e dharma – transforme a sua vida, Nobel. 16. DeRose, Chakras e kundaliní, Nobel.
17. DeRose, Meditação, Uni-Yôga.
18. DeRose, Corpos do Homem e Planos do Universo, Uni-Yôga. 19. DeRose, Guia do Instrutor de Yôga, Uni-Yôga (esgotado).
20. DeRose, Prontuário de Yôga Antigo, (edição histórica só para colecionadores). 21. DeRose, A regulamentação dos profissionais de Yôga, Uni-Yôga.
22. De Bona, Rodrigo, A parábola do croissant, Uni-Yôga. 23. Santos, Sérgio, Yôga, Sámkhya e Tantra, Uni-Yôga. 24. Santos, Sérgio, Escala Evolutiva, Uni-Yôga. 25. Flores, Anahí, Coreografias, Uni-Yôga.
26. Flores, Melina, 108 Famílias de ásanas, edição da autora. 27. Marengo, Joris, 50 Aulas práticas de SwáSthya Yôga, Nobel. 28. Castro, Rosângela, Gourmet vegetariano, Nobel.
29. Caramella, Edgardo, La dieta del Yôga, Kier, Buenos Aires.
30. Barcesat, Yael, Complementación pedagogica, Uni-Yôga, Buenos Aires.
SE DESEJAR UMA BIBLIOGRAFIA COM MUITOS OUTROS AUTORES E SOBRE DIVERSOS OUTROS RAMOS DE YÔGA, CONSULTE O CAPÍTULO BIBLIOGRAFIA DO LIVRO YÔGA,MITOS E VERDADES.
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DeR
OSEO autor com as insígnias de Comendador da Sociedade Brasileira de Educação e Inte-gração; Comendador da Academia Brasileira de Arte, Cultura e História; Grau de Cava-leiro, pela Ordem dos Nobres Cavaleiros de São Paulo, reconhecida pelo Comando do Regimento de Cavalaria Nove de Julho, da Polícia Militar do Estado de S. Paulo.
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A
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ISTÓRIA DO
Y
ÔGA NO
B
RASIL
Texto escrito na década de 1970 pela Comissão Editorial do Prontuário de Yôga Antigo, atualizado com os eventos que ocorreram posteriormente.
Há muita estória mal contada, muita afirmação reticente sobre este tema polêmico. Os verdadeiros introdutores do Yôga no nosso país estão mortos e há muito pouca gente disposta a defendê-los publicamente.
Afinal, quem foi o primeiro a ensinar Yôga no Brasil? De quem foi o primeiro livro de Yôga de autor brasileiro? Quem lançou a campanha para a regulamentação da pro-fissão? Quem introduziu o Curso de Extensão Universitária para a Formação de Ins-trutores de Yôga nas Universidades Federais, Estaduais e Católicas? Quem fundou a Primeira Universidade de Yôga do Brasil? Já está na hora de divulgarmos esses fatos.
QUEM INTRODUZIU O YÔGA NO BRASIL
Quem inaugurou oficialmente a existência do Yôga no Brasil foi Sêvánanda Swámi, um francês cujo nome verdadeiro era Léo Costet de Mascheville. Ele colocava o termo swámi no final do nome, o que era uma declaração de que não se tratava de um swámi (monge hindu), mas que usava essa palavra como sobrenome, e isso confundia os leigos. Muitos desses leigos se referiam a ele como “Swámi” Sêvá-nanda, pois um dos mais relevantes Mestres de Yôga da Índia, que viveu na época, chamava-se Swámi Sivánanda.
Sêvánanda viajou por várias cidades fazendo conferências, fundou um grupo em Lages (SC) e um mosteiro em Resende (RJ). Ele era um líder natural e sua voz era suficiente para arrebatar corações e mentes. Com Sêvánanda aprenderam Yôga to-dos os instrutores da velha guarda. E quando dizemos velha guarda, estamos nos referindo aos que lecionavam na década de 1960, cuja maioria já partiu para os pla-nos invisíveis.
Sêvánanda enfrentou muitos obstáculos e incompreensões durante sua árdua ca-minhada. Enfim, esse é o preço que se paga pelo pioneirismo. Todos os precurso-res pagaram esse pesado tributo.
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Ao considerar sua obra bem alicerçada e concluída, o Mestre Sêvánanda recolheu-se para viver em paz recolheu-seus últimos anos. Todos quantos o conheceram de perto guardam-lhe uma grande admiração e afeto, independentemente dos defeitos que pudesse ter tido ou dos erros que houvesse cometido, afinal, errar, erramos todos.QUEM ESCREVEU O PRIMEIRO LIVRO DE YÔGA
Sêvánanda introduzira o Yôga sob uma conotação pesadamente mística e em clima de monastério. Quem iniciou o Yôga como trabalho profissional no Brasil, foi o grande Caio Miranda. Dele foi o primeiro livro de Yôga de autor brasileiro. Escreveu vários livros, fundou perto de vinte institutos de Yôga em diversas cidades e formou os primeiros instrutores de Yôga. Assim como Sêvánanda, Caio Miranda tinha forte carisma que não deixava ninguém ficar indiferente: ou o amavam e seguiam, ou o odiavam e perseguiam.
Na década de 1960, desgostoso pelas incompreensões que sofrera, morreu com a enfermidade que ceifa todos aqueles que não utilizam pújá em suas aulas, pois es-sa técnica contribui para com a proteção do instrutor e os que não a aplicam ficam mais vulneráveis.
A partir da morte do Mestre Caio Miranda ocorreu um cisma. Antes, haviam-se unido todos contra ele, já que sozinhos não poderiam fazer frente ao seu conhecimento e ao seu carisma. Isso mantinha um equilíbrio de forças. De um lado, um forte e do outro, vários fracos...
Mas a partir do momento em que estava vago o trono, dividiram-se todos. Por essa razão, os nomes desses profissionais serão omitidos, pois não merecem ser citados nem lembrados. Pessoas que vivem falando de Deus e de tolerância, mas por trás semeiam a discórdia no seio do Yôga não merecem ser mencionadas. São exem-plos de incoerência.
QUEM REALIZOU A OBRA MAIS EXPRESSIVA
Em 1960 surgiu o mais jovem professor de Yôga do Brasil. Era DeRose, então com 16 anos de idade, que começara a lecionar numa conhecida sociedade filosófica. Em 1964 fundou o Instituto Brasileiro de Yôga. Em 1969 publicou o primeiro livro (Prontuário de Yôga Antigo), que foi elogiado pelo próprio Ravi Shankar, pela Mestra Chiang Sing e por outras autoridades. Em 1975, já consagrado como um Mestre sincero, encontrou o apoio para fundar a União Nacional de Yôga, a primeira entidade a congregar instrutores e escolas de todas as modalidades de Yôga sem discriminação. Foi a União Nacional de Yôga que desencadeou o movimento de u-nião, ética e respeito mútuo entre os profissionais dessa área de ensino. Desde en-tão, a União cresceu muito e conta hoje com centenas de escolas, praticamente no Brasil todo, e ainda em outros países das Américas e Europa.
Em 1978 DeRose liderou a campanha pela criação e divulgação do Primeiro Proje-to de Lei visando à Regulamentação da Profissão de Professor de Yôga, o qual despertou viva movimentação e acalorados debates de Norte a Sul do país. A partir da década de setenta introduziu os Cursos de Extensão Universitária para a
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Formação de Instrutores de Yôga em praticamente todas as Universidades Fede-rais, Estaduais e Católicas. Em 1980 começou a ministrar cursos na própria Índia e a lecionar para instrutores de Yôga na Europa. Em 1982 realizou o Primeiro Con-gresso Brasileiro de Yôga. Ainda em 82 lançou o primeiro livro voltado especial-mente para a orientação de instrutores, o Guia do Instrutor de Yôga; e a primeira tradução do Yôga Sútra de Pátañjali, a mais importante obra do Yôga Clássico, já feita por professor de Yôga brasileiro. Desafortunadamente, quanto mais sobressaí-a, mais tornava-se alvo de uma perseguição impiedosa movida pelos concorrentes menos honestos que sentiam-se prejudicados com a campanha de esclarecimento movida pelo Mestre DeRose, a qual dificultava as falcatruas dos vigaristas. Em 1994, completando 20 anos de viagens à Índia, fundou a Primeira Universidade de Yôga do Brasil e a Universidade Internacional de Yôga em Portugal e na Argen-tina. Em 1997 o Mestre DeRose lançou os alicerces do Conselho Federal de Yôga e do Sindicato Nacional dos Profissionais de Yôga.
Comemorando 40 anos de magistério no ano 2.000, recebeu em 2.001 e 2.002 o re-conhecimento do título de Mestre em Yôga (não-acadêmico) e Notório Saber em Yôga pela FATEA – Faculdades Integradas Teresa d’Ávila (SP), pela Universidade Lusófona, de Lisboa (Portugal), pela Universidade do Porto (Portugal), pela Univer-sidade de Cruz Alta (RS), pela UniverUniver-sidade Estácio de Sá (MG), pelas Faculdades Integradas Coração de Jesus (SP), pela Câmara Municipal de Curitiba (PR) e pela Sociedade Brasileira de Educação e Integração, a qual também lhe conferiu uma Comenda.
Em 2.003 recebeu outro certificado de Mestre em Yôga (não-acadêmico) e Notório Saber em Yôga pela Universidade Estácio de Sá (SC) e mais um título de Comen-dador, agora pela Academia Brasileira de Arte, Cultura e História.
Em 2004 recebeu o grau de Cavaleiro, pela Ordem dos Nobres Cavaleiros de São Paulo, reconhecida pelo Comando do Regimento de Cavalaria Nove de Julho, da Polícia Militar do Estado de São Paulo, e o Colar de José Bonifácio conferido pela Sociedade Brasileira de Heráldica e Medalhística.
Em 2005, recebeu o título de Doutor Honoris Causa pela Ordem dos Parlamenta-res do Brasil, outro pela Câmara Brasileira de Cultura, outro pela Soberana Ordem D. Pedro I e outros por diversas entidades acadêmicas.
Em 2006, recebeu o Diploma do Mérito Histórico e Cultural no grau de Grande Ofi-cial. Foi nomeado Conselheiro da Ordem dos Parlamentares do Brasil. No mesmo ano recebeu a Medalha Tiradentes pela Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro e a Medalha das Forças de Paz da ONU Brasil.
Por lei estadual a data do aniversário do Mestre DeRose, 18 de fevereiro, foi institu-ída como o Dia do Yôga em DEZ ESTADOS: São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina, Minas Gerais, Bahia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Goiás; e mais o Distrito Federal.
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Atualmente, DeRose comemora 22 livros escritos, publicados em vários países e mais de um milhão de exemplares vendidos. Por sua postura avessa ao mercantilismo, conseguiu o que nenhum autor obtivera antes do seu editor: a autorização para permi-tir free download de 15 dos seus livros pela internet, bem como MP3, sem ônus, dos CDs de prática e disponibilizou dezenas de webclasses gratuitamente no site www.Uni-Yoga.org, site esse que não vende nada.Todas essas coisas foram precedentes históricos. Isso fez de DeRose o mais discuti-do e, sem dúvida, o mais importante Mestre de Yôga discuti-do Brasil, pela energia incansá-vel com que tem divulgado o Yôga nos últimos quase 50 anos em livros, jornais, revis-tas, rádio, televisão, conferências, cursos, viagens e formação de novos instrutores. Formou mais de 5.000 bons instrutores e ajudou a fundar milhares de centros de Yô-ga, associações profissionais, Federações, Confederações e Sindicatos de Yôga no Brasil e noutros países. Hoje tem sua obra expandida por Portugal, Argentina, Espa-nha, França, Itália, Inglaterra, AlemaEspa-nha, Estados Unidos etc.
Sempre exigiu muita disciplina e correção daqueles que trabalham com o seu méto-do de Yôga Antigo, o SwáSthya Yôga, o que lhe valeu a reputação de perfeccionis-ta, bem como muita oposição dos que iam sendo reprovados nas avaliações das Federações lideradas por ele.
Defende categoricamente o Yôga Antigo, pré-clássico, pré-vêdico, denominado Dakshinacharatántrika-Niríshwarasámkhya Yôga, o qual sistematizou e denominou SwáSthya Yôga, o Yôga Ultra-Integral.
Exemplo de seriedade, tornou-se célebre pela corajosa autocrítica com que sempre denunciou as falhas do métier sem, todavia, faltar com a ética profissional e jamais atacando outros professores. Isso despertou um novo espírito, combativo e elegan-te, em todos aqueles que são de fato seus discípulos.
O PRATICANTE DEVE TER OPINIÃO PRÓPRIA
Está morto: podemos elogiá-lo à vontade.
Machado de Assis
Quem pratica Yôga ou filosofias correlatas tem que ter opinião própria e não se dei-xar influenciar por especulações sem fundamento.
Dois dos Mestres aqui mencionados já são falecidos e foram cruelmente incompre-endidos enquanto estavam vivos. Será que teremos de esperar que morram todos para então lamentarmos a sua falta? Será que vamos continuar, como sempre, su-jeitando os precursores à incompreensão, injustiça e desapoio para louvá-los e re-conhecer seu mérito só depois de mortos?
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DOCUMENTAÇÃO DO TÍTULO DE MESTRE,NOTÓRIO SABER, COMENDADOR E DOUTOR HONORIS CAUSA.
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O PORQUÊ DESTA INTERPRETAÇÃO
O que me levou a editar esta obra originalmente em 1982 foi o fato curioso de que a maior parte das traduções do Yôga Sútra que se tomaram populares no Ocidente foi feita sem a assistência de um Mestre de Yôga! Tal consultoria é absolutamente imprescindível, pois não basta conhecer a língua sânscrita para conseguir uma tradução correta. É preciso conhecer a filosofia de que o texto está tratando para que seja coerente.
Imagine o leitor se seria possível a uma pessoa que conhecesse bem o la-tim (o sânscrito também é língua morta), traduzir desse idioma um texto de mais de dois mil anos sobre medicina antiga sem o auxílio de um mé-dico e mais: um que fosse versado na linguagem acadêmica daquela épo-ca. O resultado seria uma coletânea de impropriedades como as que coa-lham as versões dos livros de Yôga nas línguas modernas e, mormente, as da obra clássica de Pátañjali. Tal importância fica mais aparente quando se sabe que no sânscrito cada vocábulo pode ter muitos significados dife-rentes. Esse é o caso da própria palavra Yôga. Por isso, quando Pátañjali diz, no capítulo I, sútra 1, que vai falar de Yôga, no versículo imediato ele se apressa em definir o que entende por esse termo.
A ignorância do sânscrito e do Yôga foi atroz em algumas traduções, nu-ma flagrante falta de respeito para com o leitor que, ao ler um livro, em-presta seu voto de confiança pelo que lá está escrito. Esse é um dos moti-vos pelos quais recomendo que, em se tratando do Yôga Sútra, procure-se comparar sempre o máximo de traduções para poder ter uma idéia mais abrangente do assunto.
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Não basta, tampouco, conhecer o Yôga, simplesmente. Torna-se necessá-rio levar em conta as várias linhas que existiram nas diversas épocas. Não se pode ignorar que, na época de Pátañjali, o Yôga seguia as tendências Brahmáchárya e Sámkhya (Sêshwarasámkhya). Essa é uma questão da mais alta importância uma vez que os tradutores em geral cometem dis-torções pela influência do seu próprio tipo de Yôga, quase sempre Vêdán-ta, ou seja, nada menos que o oposto filosófico do Sámkhya que preten-dem explicar... Seria algo como uma tradução dos Evangelhos feita por Karl Marx.
Tempo, paciência e investimento financeiro também são necessários para se obter uma boa tradução. No meu caso, precisei de 22 anos de trabalho e várias viagens à Índia para concluir a versão provisória, que editei em 1982, numa pequena tiragem. Essa primeira edição foi realizada apenas para poder submeter o resultado obtido a estudiosos de várias partes do mundo. Com os subsídios assim angariados, pude prosseguir por outros dez anos. A presente edição é o que consegui de mais fiel ao texto original e, ao mesmo tempo, inteligível para quem tenha um mínimo de estudo sé-rio sobre o Yôga Clássico. Procurei evitar termos desnecessariamente complicados, e se restaram alguns, foi por absoluta contingência.
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Y
ÔGA E
P
ÁTAÑJALI
O Yôga é dividido em dois grandes grupos: Yôga Antigo e Yôga Moder-no. O Yôga Antigo subdivide-se em Pré-clássico e Clássico. O Yôga Moderno, em Medieval e Contemporâneo. Cada uma dessas subdivisões tem características que a distinguem tanto das demais, que passaram as quatro a ser conhecidas como troncos. De cada tronco, nasceram vários ramos de Yôga.
Os ramos de Yôga são as diversas modalidades, tais como: Ásana Yôga, Rája Yôga, Bhakti Yôga, Karma Yôga, Jñána Yôga, ;Layá Yôga, Mantra Yôga, Tantra Yôga, etc. Em princípio, cada um desses ramos pode per-tencer a qualquer tronco (fora as exceções). Os troncos determinam a fun-damentação filosófica global e a postura comportamental genérica. Por outro lado, os ramos definem que técnicas vão ser utilizadas e em que proporção.
Por exemplo, os troncos determinam se a fundamentação será Sámkhya (Yôga Antigo) ou Vêdánta (Yôga Moderno); e se a atitude comportamen-tal adotada será Tantra (Yôga Pré-clássico) ou Brahmáchárya (Yôga Clás-sico e Medieval).
Já os ramos definem se as técnicas serão constituídas por mudrás, pújás, mantras, pránáyámas, kriyás, ásanas, yôganidrás, dháranás, dhyánas, etc. Ou ainda, se serão utilizados dois ou mais desses grupos de técnicas em diferentes combinações e em específicas proporções. Caso todos esses re-cursos sejam utilizados juntos no sádhana, a prática regular, então nós te-remos o Yôga mais antigo, do qual nasceram todos os ramos e que,
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tanto, continha em si todas as técnicas. Esse é o Pré-clássico.
Sabendo-se que o Sámkhya é naturalista e o Vêdánta, espiritualista; que o Tantra é matriarcal; e que o Brahmáchárya, ao contrário, é patriarcal, per-cebe-se que cada tronco confere cores bem distintas a cada modalidade. Noutras palavras, o mesmo conjunto de técnicas (Ásana Yôga, Rája Yôga, Bhakti Yôga, etc.) poderá ser professado sob uma interpretação cultural absolutamente diferente e, com freqüência, até divergente das demais. Um Bhakti Yôga (devocional) de linha Vêdánta será espiritualista e cultu-ará santos e deuses. Em contrapartida, o mesmo ramo, Bhakti Yôga, de li-nha Sámkhya, antiga e autêntica, será naturalista e reverenciará a Nature-za. O Sámkhya mais primitivo é o Niríshwarasámkhya e essa modalidade tem muitos conceitos que lembram os ambientalistas e os ecologistas do século XXI.
Essas criativas receitas foram elaboradas empiricamente ao longo de 5.000 anos para adaptar-se a diferentes tipos de praticantes. As combina-ções entre si alcançam uma variedade incalculável e, pode-se dizer, há pe-lo menos uma modalidade de Yôga perfeita para cada pessoa. Ou seja, um método ideal para conduzi-la à meta, que é o samádhi (a hiperconsciên-cia), desenvolvendo adicionalmente, durante a jornada, uma série de be-nefícios colaterais para a saúde que o leigo confunde com a finalidade do Yôga em si. Confunde os meios com os fins.
Onde entra o Yôga Sútra nesse complexo cenário? Os Aforismos (Sútras) do Yôga e seu autor, o sábio Pátañjali, foram responsáveis pela formaliza-ção do Yôga Clássico. Sua importância foi muito grande, pois graças a Pátañjali o Yôga passou a ser reconhecido pelos indianos de então como um darshana, um dos seis pontos de vista da filosofia hindu.
A maior parte dos escritores da Índia atribui uma idade de mais de 2.000 anos à obra de Pátañjali. Menciona-se o século III ou II antes de Cristo como a época em que o Yôga Sútra foi elaborado. No Ocidente, porém, é popular a opinião de que teria sido estruturado seiscentos ou setecentos anos depois, lá pelo século IV d.C.
De qualquer forma é um dos livros de Yôga mais antigos e detém o méri-to de ter constituído a codificação dó Yôga Clássico, portanméri-to, ter
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rado a tradição de Yôga Sámkhya-Brahmáchárya. Assim sendo, o Yôga Sútra é literatura obrigatória para os estudiosos que buscam as raízes mais antigas a caminho das origens do Yôga. Seria arriscado direcionar nossas lunetas para o Yôga Pré-Clássico sem ter passado antes pela erudição do Clássico.
O que havia antes do Yôga Clássico? Existiria algo ainda mais ancestral? Por certo que sim. A cultura indiana é extremamente antiga. Historica-mente podemos ultrapassar 4.000 anos sem nenhum receio. Arqueologi-camente conseguimos recuar muito mais.
Se Pátañjali codificou algo que passou a denominar-se Yôga Clássico, es-sa é a maior demonstração de que existira antes um Yôga mais arcaico. Nada nasce já clássico. Antes da música clássica existiu música primitiva. Antes da dança clássica existiu a dança primitiva. Da mesma forma, antes do Yôga Clássico existiu um Yôga primitivo. Por isso, não é correto cha-mar Pátañjali de "Pai do Yôga", como ocorre com certa freqüência, uma vez que ele não criou o Yôga e que essa filosofia já tinha milênios quando o autor do Yôga Sútra nasceu.
A conscientização deste fato é parâmetro fundamental na busca das ori-gens3. Muitos estudiosos só recuaram até Pátañjali em suas pesquisas e por ali ficaram, supondo que tinham chegado ao que havia de mais remo-to. Isso induziu ao erro muita gente bem intencionada que se convenceu de que o Yôga mais antigo era de fundamentação Sêshwarasámkhya e Brahmáchárya.
Contudo, se realizarmos uma busca mais profunda, vamos descobrir que o Yôga original era de tradição Tantra-Sámkhya (Dakshinacharatántrika-Niríshwarasámkhya Yôga). Essa estirpe surgiu na civilização drávida, mi-lênios mais antiga do que a cultura ariana que se instalou na Índia por vol-ta de 1.500 a.C. Dela nasceram os oito ramos mais antigos: Ásana Yôga, Rája Yôga, Bhakti Yôga, Karma Yôga, Jñána Yôga, Layá Yôga, Mantra Yôga e Tantra Yôga. Destes, nasceram todos os demais. Logo, o Yôga Pré-Clássico possuía em seu patrimônio o germe de todas as demais
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dalidades.
É interessante porque, ao mesmo tempo em que todos os autores a-firmam que o Yôga tem mais de 5.000 anos de existência, a maioria declara que o Yôga mais antigo é o Clássico, o qual foi surgir apenas no século terceiro antes da Era Cristã, criando uma lacuna de 3.000 anos, o que constitui incoerência, no mínimo, em termos de matemá-tica!
Mas como doutos escritores e Mestres honestos puderam cometer um erro tão primário?
Acontece que a Índia foi ocupada pelos áryas, cujas últimas vagas de ocu-pação ocorreram em cerca de 1.500 a.C. Isso foi o golpe de misericórdia na Civilização Harappiana, de etnia dravídica. Conforme registraram mui-tos historiadores, os áryas eram na época um povo nômade guerreiro sub-bárbaro. Precisou evoluir mil e quinhentos anos para ascender à categoria de bárbaro durante o Império Romano. A Índia foi o único país que, de-pois de haver conquistado a arte da arquitetura, após a ocupação ariana passou séculos sem arquitetura alguma, pois seus dominadores sabiam destruir, mas não sabiam construir, já que eram nômades e viviam em tendas de peles de animais.
Como sempre, “ai dos vencidos”. Os arianos aclamaram-se raça superior (isto lembra-nos algum evento mais recente envolvendo os mesmos aria-nos?) promoveram uma “limpeza étnica” e destruíram todas as evidências da civilização anterior. Essa eliminação de evidências foi tão eficiente que ninguém na Índia e no mundo inteiro sabia da existência da Civilização Harappiana, até o final do século XIX, quando o arqueólogo inglês Ale-xander Cunningham começou a investigar umas ruínas em 1873. Por isso, as Escrituras hindus ignoram o Yôga Primitivo e começam a História no meio do caminho, quando o Yôga já havia sido arianizado.
Tudo o que fosse dravídico era considerado inferior, assim como o fize-ram nossos antepassados europeus ao dizimar os aborígines das Américas e usurpar suas terras. O que era da cultura indígena passou a ser conside-rado selvagem, inferior, primitivo, indigno e, até mesmo, pecaminoso e sacrílego. Faz pouco menos de quinhentos anos que a cultura européia
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destruiu as Civilizações Pré-Colombianas e já quase não há vestígio das línguas (a maioria foi extinta), assim como da sua medicina, das suas crenças e da sua engenharia que construiu Machu Picchu, as pirâmides, os templos e as fortalezas, cortando a rocha com tanta perfeição sem o co-nhecimento do ferro e movendo-as sem o coco-nhecimento da roda.
Da mesma forma, na Índia, após mil e tantos anos de dominação ariana, não restara vestígio algum da extinta Civilização Dravídica. O Yôga mais antigo? “Só podia ser ariano!” Descoberto o erro histórico há mais de cem anos, já era hora de os autores de livros sobre o assunto pararem de sim-plesmente repetir o que outros escreveram antes dessa descoberta e admi-tirem que existira, sim, um Yôga arcaico, Pré-Clássico, vêdico, pré-ariano, que era muito mais completo, mais forte e mais autêntico, justa-mente por ser o original.
Recordando, temos um tronco de Yôga Pré-clássico, que é de linha Tan-tra-Sámkhya (TS); um de Yôga Clássico, que é Brahmáchárya-Sámkhya (BS); um de Yôga Medieval, que é Brahmáchárya- Vêdánta (BV); e um de Yôga Contemporâneo, que é Tantra- Vêdánta (TV).
O Yôga Contemporâneo, instaurado a partir do século XIX, é praticamen-te desconhecido, pois ainda não praticamen-teve praticamen-tempo para fazer frenpraticamen-te à enorme produção literária do período precedente, o medieval. Este contou com os últimos mil anos para gerar uma quantidade inimaginável de livros, Mes-tres e escolas, que ainda constituem maioria absoluta.
Além de haver poucas obras e escolas representantes do período contem-porâneo, ainda contamos com mais um inconveniente que é a aparição de um deterioramento consumista que surgiu no Ocidente em pleno século XX. Ela é formada por uma absurda inversão de valores cometida em função da barbárie da desinformação e interesses pecuniários. Essa ver-tente não tem nada a ver com o Yôga legítimo e chega a lhe ser franca-mente antagônica. Trata-se de uma crassa deturpação ensinada por ensi-nantes sem habilitação e consumida por um público pouco exigente Felizmente um número cada vez maior de pessoas está se interessando mais, procurando bons livros e professores formados. A prova disso é que
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você está lendo esta interpretação do livro clássico de Pátañjali, cujo estu-do não deixa de ser uma empreitada difícil.
CRONOLOGIA HISTÓRICA DO YÔGA
Divisão YÔGA ANTIGO YÔGA MODERNO
Tendência Sámkhya Vêdánta
Período Yôga Pré-Clássico Yôga Clássico Yôga Medieval Yôga Contemporâneo Época Mais de 5.000 anos séc. III a.C. séc. VIII d.C. séc. XI d.C. Século XX Mestre Shiva Pátañjali Shankara Gôrakshanatha
Literatura Upanishad Yôga Sútra Vivêka Chudamani Hatha Yôga
Aurobindo Rámakrishna Vivêkánanda Shivánanda Chidánanda Krishnánanda Yôgêndra Fase Proto-Histórica Histórica
Fonte Shruti Smriti
Povo Drávida Árya
Linha Tantra Brahmáchárya
QUADRO EXTRAÍDO DO LIVRO YÔGA,MITOS E VERDADES, DESTE AUTOR. Notas do quadro acima
1. No quadro acima, o Yôga Pré-Clássico está sombreado por se encontrar no limbo da História oficial, conquanto continuem surgindo mais e mais evidências da existência de um Yôga ante-rior ao Clássico.
2. O Yôga Antigo, Pré-Clássico, hoje é conhecido como SwáSthya Yôga. Se em algum debate acadêmico você precisar de elementos para demonstrar que o SwáSthya é de estrutura pré-clássica, utilize o presente quadro sinótico. Ele demonstra que a única linhagem Sámkhya-Tantra é a pré-clássica. Ora, essa é a estrutura do SwáSthya Yôga (Dakshinacharatántrika-Niríshwarasámkhya Yôga). Mais esclarecimentos na nossa obra Origens do Yôga Antigo. 3. Embora a tendência da maior parte dos Mestres e Escolas continue sendo brahmáchárya, no
período contemporâneo começa a se instalar uma tendência tântrica (dakshinachara) repre-sentada por Aurobindo e Rámakrishna.
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a
A
VERDADE SOBRE O
Y
ÔGA
C
LÁSSICO
O Yôga Clássico, ou Rája Yôga, é o Yôga de Pátañjali e seu texto básico é o Yôga Sútra. O Yôga Clássico, ou Ashtánga Yôga, é constituído pelas oito partes mencionadas no capítulo I, sútra 29, do Yôga Sútra:
l) yama - cinco proscrições éticas; 2) niyama - cinco prescrições éticas; 3) ásana - técnicas orgânicas;
4) pránáyáma - expansão da bioenergia através de respiratórios; 5) pratyáhára - abstração dos sentidos externos;
6) dháraná - concentração mental; 7) dhyána - meditação;
8) samádhi - estado de hiperconsciência.
De acordo com a tradição do verdadeiro Yôga Clássico, o discípulo so-mente passa ao anga seguinte quando já dominou o precedente. Isso signi-fica que, no Rája Yôga, antes de praticar técnicas corporais ou respirató-rias, o instrutor só pode ensinar a parte ética – cinco yamas e cinco niya-mas – e assim permanecer durante, anos, até que os discípulos já tenham assimilado na sua vida cotidiana esses rígidos princípios morais. Acontece que muitos ensinantes de Yôga Clássico não cumprem tais normas éticas e nem mesmo as conhecem. São elas:
Yamas- ahimsá (não agredir);
satya (não mentir);
astêya (não roubar);
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aparigraha (não cobiçar).
Niyamas - shaucha (limpeza);
santôsha (alegria);
tápas (auto-superação);
swádhyáya (auto-estudo); íshwara pranidhána (auto-entrega).
No que concerne ao ahimsá, a não-agressão, conhecemos um bom número de supostos yôgins e ensinantes que agridem seus colegas só porque pro-fessam outra linha de Yôga.
Quanto ao satya, não mentir, muitos são os que afirmam inverdades bem graves sobre o Yôga e sobre os seus colegas. Como acreditar num instru-tor que mente?
Mais freqüente ainda é o desrespeito ao astêya, não roubar, pois cotidia-namente detectamos o roubo de idéias, métodos, conceitos, frases e até textos inteiros, utilizados por um instrutor ou escritor, sem render o devi-do crédito autoral a quem de direito. Um caso vergonhoso foi um livro de
"yóga", assinado por alguém que usava nome suposto, e que era o plágio despudorado de um livro espírita sobre um assunto que nada tinha a ver com o Yôga nem com "a yóga", copiado na íntegra. O leitor leigo, que não entende coisa alguma, compra, lê e baralha tudo.
Não apenas o Yôga Clássico, mas qualquer ramo de Yôga de linha Brah-máchárya, reconhece o quarto yama como sendo uma restrição clara e ab-soluta à atividade sexual. Somente as modalidades de Yôga de tradição tântrica é que admitem um sentido mais tolerante, de
"castidade-nos-atos-sexuais", pois utilizam a sexualidade como ferramenta para alavancar a evolução interior.
O exercício tântrico denominado maithuna, longe de podar a sexualidade, amplia sua força e canaliza-a para fins de desenvolvimento pessoal. Essa prática permite direcionar a libido para o melhor rendimento na profissão, nos estudos e no esporte. Incrementa a vitalidade e a saúde como um todo. Por isso proporciona rejuvenescimento e expande a expectativa de vida. A finalidade, porém, é fornecer mais energia para a kundaliní e, conseqüen-temente, facilitar a conquista do samádhi. Contudo, não nos esqueçamos,
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esta é uma visão Tántrika da sexualidade. O Yôga Clássico é Brahmá-chárya: determina que o sexo seja evitado até em pensamentos. Mesmo na seleção dos alimentos proíbe sumariamente, por exemplo, a ingestão do alho e da cebola por estimularem a sexualidade. Um praticante autêntico de Yôga Clássico não deveria ser casado. Muito menos um instrutor dessa modalidade.
Fora isso, o fato de o candidato à prática do Yôga Clássico ter que iniciar por um demorado processo de reeducação moral antes de aprender qual-quer técnica; estabelece uma verdadeira barreira que bloqueia o interesse do público.
Mesmo na etapa seguinte, a das técnicas corporais, o Yôga Clássico não possui em seu acervo mais do que posturas de meditação, sentadas e para-das. Isso constitui outro obstáculo para a captação de alunos em número suficiente para manter um estabelecimento que se dedicasse a essa moda-lidade de Yôga. Somente os Yôgas de tradição tântrica possuem uma grande variedade de técnicas orgânicas. E todos sabem, ou deveriam sa-ber, que não se podem misturar práticas tântricas com outras de tradição antitântrica!
A conclusão é a de que o Yôga Clássico possui uma tal profundidade e complexidade que é simplesmente impraticável sua aplicação em "acade-mias de yóga" ocidentais. Preconceito? De forma alguma. Sou o primeiro a defender a igualdade dos homens, sejam eles orientais ou ocidentais e, como tal, o Yôga como um patrimônio da Humanidade. No entanto, pelos fatores meramente culturais que foram mencionados, o público não des-penderia tempo e dinheiro para dedicar-se a um trabalho tão sério quanto sem atrativos consumistas. Somente estudiosos de alto padrão conseguem entender as propostas do Yôga de Pátañjali. Ele é produto de uma codifi-cação que não apela para a terapia nem para o misticismo. Como se sabe, estas duas abordagens (terapia e misticismo) são altamente comerciais e o Yôga Antigo não compreendia tais propostas. O Yôga da antiguidade clássica e pré-clássica situa-se como uma filosofia técnica de bases natu-ralistas (Sámkhya), portanto, sem o espiritualismo que lhe foi atribuído a posteriori.
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a
F
RASES DIFERENTES
,
SIGNIFICADO IGUAL
?
A mesma coisa pode ser dita com várias construções diferentes. Essas dis-tintas formatações podem estar sujeitas a uma quantidade de variáveis, tais como:
1) a época em que a tradução foi feita – levando-se em conta as tendên-cias filosóficas vigentes e os modismos da linguagem (por exemplo, na transição ao século XXI os termos que sugerem misticismo devem ser evitados na literatura mais séria de Yôga, para distingui-la da onda de eso-terismo barato, misturança consumista e charlatanismo, que vem se to-mando uma pandemia mundial);
2) o lugar onde o texto vai ser lido – se estiver em português, será o fa-lado na América (Brasil), na China (Macau), na Índia (Goa), na África (Angola, Moçambique) ou na Europa (Portugal)? Tomemos como exem-plo as frases lusitanas: "leve ao lume até que deite fumo" e "carregue no
autoclismo da retrete" que significam para a vertente brasileira, respecti-vamente" leve ao fogo até que saia fumaça" e "dê a descarga no vaso
sa-nitário". Inclusive dentro do mesmo país, é comum uma palavra mudar completamente de sentido, dependendo da região.
3) o públiço a que se destina - uma tradução do Yôga Sútra, feita para eruditos em Yôga será forçosamente diversa de uma outra dirigida a sans-critistas, que estão bastante interessados nos aspectos lingüísticos, mas não detêm um conhecimento profundo do Yôga. Muito menos sobre as fi-ligranas que distinguem, notavelmente para nós, um Yôga de tendência Sámkhya-Tantra (pré-clássico) de um outro Sámkhya-Brahmáchárya (clássico), ou mesmo Vêdánta-Brahmáchárya (medieval). Cada linha de
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Yôga confere aos sútras interpretações bem particulares, que chegam mesmo a ser inconciliáveis entre si. Um exemplo disso é a tradução do yama brahmáchárya. Os vêdánta-brahmácháryas atribuem-lhe o sentido de
celibato, com total abstinência sexual, até em pensamentos. Os tântricos traduzem como castidade-nos-atos-sexuais, ou seja, cultivar uma sexuali-dade sadia, atuando intensamente, mas com pureza e sob determinados princípios morais, técnicos e filosóficos. Sendo o Yôga Sútra um livro de linha Sámkhya-Brahmáchárya, optei por traduzir esse mandamento ético como não-dissipação da sexualidade, o que tem a vantagem de satisfazer as duas correntes.
Também devemos ter presente o fato de que a maior parte das traduções disponíveis faz concessões a um espiritualismo que, no entanto, não exis-tia no período clássico. Tais conotações foram instiladas por comentaris-tas impregnados de conceitos Vêdánta, bem como por espiritualiscomentaris-tas oci-dentais, que cristianizaram o Yôga durante e após a dominação britânica na Índia.
Nesta edição, com mais de 40 anos de estudo e 24 anos de viagens àquele país, permito-me exercer uma postura mais crítica e categórica com rela-ção a determinadas discrepâncias. Por exemplo, enquanto é quase unâni-me os autores traduzirem chitta como unâni-mente, os unâni-meus estudos unâni-me conce-dem hoje o privilégio de discordar.
Chitta não pode ser identificado mediante a palavra mente. Ele é muito
mais do que isso: chitta designa todo um psiquismo, todo um complexo mente-personalidade, que se constitui veículo da consciência e pode ser entendido como o próprio princípio consciente (no nível da personalida-de, não no da individualidade): mente, ademais, é a tradução de um outro termo sânscrito (manas).
Chitta, neste contexto, é composto de três partes, a saber: ahamkára (e-go), buddhi (inteligência) e manas (mente) o que, convenhamos, é muito mais abrangente do que o conceito espelhado pela simples palavra mente para os ocidentais modernos. Além disso, o vocábulo chitta provém da ra-iz chit, que também significa "ver, observar, perceber". Logo, é mais fa-cilmente associável à idéia de consciência. É o caso dos atributos sat, chit,
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ananda – existência, consciência, bem-aventurança.
Como suporte a estas afirmações podemos citar o Léxico de Filosofia
Hindú, de Kastberger, que define chitta como "a consciência, o princípio consciente".
Uma proposta conciliatória é admitir-se que se o praticante "parar as on-das mentais", controla o pensamento e, conseqüentemente, estabiliza a consciência. Esta última alternativa foi minha opção para a presente edi-ção.
Contudo, se daqui a mais dez anos de estudos e de pesquisas na Índia, eu fizer outra revisão deste trabalho, com certeza terei melhoramentos a inse-rir.
Ainda bem que é assim. Os demais comentaristas de Pátañjali nunca mais modificaram sua primeira versão. Alguns, possivelmente, com receio de perder o respeito do seu público, supondo que este os acusaria de terem sido menos fiéis na vez anterior. O meu leitor é diferente, ele valoriza mais o aprimoramento constante e não a sabedoria estagnada, por melhor que pareça. Prefere a honestidade do Mestre que reconhece: nada é tão perfeito e acabado que não comporte uma superação. Nós, no SwáSthya Yôga, temos por hábito estarmos todo o tempo a nos auto-superar. Por is-so, temos que admitir várias interpretações diferentes como sendo verda-deiras. Em minhas aulas, muitas vezes, dou uma definição que algum alu-no gosta e pede para repetir... mas na segunda vez sai diferente! Nem por isso uma das duas é menos verdadeira. São apenas maneiras diferentes de explanar.
Portanto, em alguns versículos, podemos aceitar que mais de uma forma de escrever seja expressão coerente do sútra respectivo. Afinal, como já vimos, é possível dizer a mesma coisa com diferentes frases e até com construções verbais de distintos níveis culturais. Em outras circunstâncias, porém, tal interpretação não cabe e precisamos reconhecer as divergências de opinião. Para que você tenha uma idéia do que acabo de expor, cito a-baixo nada menos que 21 traduções diferentes da definição do Yôga, no capítulo I, sútra 2.
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Yôgash chitta vritti nirôdha. 1. Para Sivánanda, Yôgash chitta vritti nirôdha, significa: O Yôga é a supressão dos turbilhões mentais.
2. Para Vishnudêvánanda, Yôgash chitta vritti nirôdha, significa: O Yôga consiste em suprimir a atividade da mente.
3. Para Satchidánanda, Yôgash chitta vritti nirôdha, significa: Yôga é a restrição das modificações da matéria mental.
4. Para Vivêkánanda, Yôgash chitta vritti nirôdha, significa: Yôga é impedir que a matéria mental tome formas variadas. 5. Para Lin Yutang, Yôgash chitta vritti nirôdha, significa: Yôga é impedir que a substância mental tome formas variadas. 6. Para Satya Prakash, Yôgash chitta vritti nirôdha, significa: Yôga é a inibição das funções da mente.
7. Para Padmánanda, Yôgash chitta vritti nirôdha, significa: Yôga é o controle das idéias no espírito.
8. Para Prabhávánanda, Yôgash chitta vritti nirôdha, significa: Yôga é o controle das ondas-pensamento na mente.
9. Para Taimni, Yôgash chitta vritti nirôdha, significa: Yôga é a inibição das modificações da mente.
10. Para Purôhit Swámi, Yôgash chitta vritti nirôdha, significa: Yôga é controlar as atividades da mente.
11. Para Yôgêndra, Yôgash chitta vritti nirôdha, significa: Yôga é restringir de modificações o complexo-perso.nalidade. 12. Para Dêsikachar, Yôgash chitta vritti nirôdha, significa:
Yôga é a habilidade de dirigir a mente exclusivamente para um objeto e suster essa direção sem quaisquer distrações.
13. Para Dêshpandê, Yôgash chitta vritti nirôdha, significa:
O Yôga é o estado do ser em que o movimento ideacional e1etivo da mente retarda-se e chega a deter-se.
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14. Para Eliade, Yôgash chitta vritti nirôdha, significa: Yôga é a supressão dos estados de consciência.
15. Para Stephen, Yôgash chitta vritti nirôdha, significa:
O Yôga pode ser atingido pelo domínio da tendência natural da mente de reagir a impressões.
16. Para Bailey, Yôgash chitta vritti nirôdha, significa:
O Yôga alcança-se mediante a subjugação da natureza psíquica e a sujei-ção da mente.
17. Para Gardini, Yôgash chitta vritti nirôdha, significa: O Yôga é a supressão das modificações da mente.
18. Para Johnston, Yôgash chitta vritti nirôdha, significa:
A União, a consciência espiritual, logra-se por meio do domínio da versá-til natureza psíquica.
19. Para Tola e Dragonetti, Yôgash chitta vritti nirôdha, significa: Yôga é a restrição dos processos da mente.
20. Para Ernest E. Wood, Yôgash chitta vritti nirôdha, significa: Yôga é o controle das idéias na mente.
21. Para DeRose, Yôgash chitta vritti nirôdha, significa: Yôga é a supressão da instabilidade da consciência.
Como o leitor pode notar, as discrepâncias não são poucas. No restante da obra elas se tomam ainda mais gritantes. Por esse motivo, insisto para que o pesquisador consciencioso constate-as num estudo comparativo com o maior número possível de traduções da obra de Pátañjali.
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A
RAZÃO DE TANTAS DIVERGÊNCIAS
Os sútras são aforismos extremamente concisos, pílulas de sabedoria "de-sidratada", para que possam ser facilmente memorizados em pouquíssi-mas palavras. Por outro lado, são bastante sintéticos para conferir um ca-ráter hermético ao texto. Um leitor leigo, que não tenha sido iniciado nas chaves dessa linha específica de Yôga, ficará frente à frente com uma cha-rada gramatical, em que as palavras bóiam sem sentido na superfície, sem que o profano consiga atingir as profundezas do significado real.
Isso protegia, no passado, o ensinamento original contra a ameaça de des-virtuamento pela intromissão de pessoas desautorizadas. Estas ficavam tão desconcertadas que desistiam ou procuravam um Mestre qualificado. Mas, com o passar do tempo, a disseminação da escrita e da cultura, a cri-ação da imprensa e, acima de tudo, uma radical mudança nos conceitos é-ticos, terminou por tornar o sistema cifrado dos sútras mais um estorvo do que uma vantagem. Assim foi porque, a partir de uma certa época, todos passaram a ter acesso ao texto de Pátañjali e a publicar seus comentários, nem sempre adequados. Das muitas dezenas de comentários ao Yôga Sú-tra que já foram escritos até hoje, não há dois que estejam de acordo entre si.
Para exemplificar, consideremos o Vêdánta Sútra 11, versículo 2: Texto do sútra
Payô'mbuvach chêt tatrápi.
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O leitor leigo jamais vai entender o que esse sútra significa, a menos que ele seja interpretado por um conhecedor do ensinamento em questão. En-tão, tem lugar uma tradução interpretativa, que ficaria assim:
Tradução interpretativa: Se (o partidário do Sámkhya objeta que o "pré-formado" se move por sua própria natureza), à maneira da água ou do
lei-te (quando derramados, responderemos que) também nesse caso (o mo-vimento é devido a uma vontade inteligente que dirige a água e o leite). Com isto, creio que o leitor passa a compreender porque levei tantos anos a traduzir um livro tão pequeno. E também fica em condições de saborear cada sútra, pois agora já sabe o trabalho que deu esculpir-lhe a forma. Foi tal como o trabalho do arqueólogo a esculpir a rocha que envolve um fós-sil. Ele não pode tirar de mais nem de menos sob pena de desfigurar a he-rança do passado. Essa foi a minha preocupação e espero ter sido bem su-cedido.
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E
XEMPLOS DE DISCREPÂNCIAS
No capítulo I sútra 26, encontram-se versões que se iniciam com a palavra
sa, outras com as palavras sa êsha, e outras com nenhuma das duas. Alguns autores, como Yôgêndra e Satchidánanda, fazem constar como texto original no capítulo II, sútra 54, a palavra chitta. Outros, como Dê-sikachar, apresentam a mesma palavra com uma terminação diferente:
chittasya.
Além disso, à altura do capítulo III, sútra 20, instala-se uma divergência coletiva, com várias opiniões bem discrepantes. Alguns autores suprimem um e até dois versículos inteiros. Sua ordem também aparece alterada, de-pendendo da fonte que se estuda. Como é consideravelmente difícil sa-bermos qual é a forma primitiva, optamos por esta que julgamos correta, não só pela maioria que a apóia, como também pela reputação dos Mes-tres que a defendem.
Assim sendo, não fizemos constar no sútra 22 a seguinte frase, que apare-ce, por exemplo, na versão de Vishnudêvánanda e na de Satchidánanda: Êtênê shabdadi antardhanam uktam.
Da mesma maneira, também se alcança a desaparição do som e outros fenômenos físicos.
Outra divergência é observada no capítulo III, sútra 40. Na maior parte dos textos sânscritos consultados o sútra é o seguinte:
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Contudo, na versão de Srí Yôgendra, encontra-se: Samána jayat prajvalanam.
Estas não são as únicas divergências, mas com elas já podemos ter uma idéia dos problemas que precisamos superar. Servem também de refrea-mento à crítica fácil e compulsiva, que induz o estudioso a rapidamente tachar de errada uma versão que esteja diferente da que seja do seu co-nhecimento anterior.
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A
TRANSLITERAÇÃO DO SÂNSCRITO
Nesta obra aplico uma pequena diferença em relação aos meus outros li-vros no que concerne à transliteração do idioma sânscrito para caracteres latinos. O motivo desta variação é o fato de que nos meus demais livros só uso o sânscrito como referência a palavras que não podem. ou que não devem ser traduzidas.
Aqui o sânscrito tem uma importância maior por tratar-se de obra clássica e possuidora de traduções controvertidas. Por isso, observo a distinção en-tre o r consoante (viryá) e o r vogal (vrtti); enen-tre o sh (s com um acento em cima) e o sh (s com um ponto embaixo); e outras minúcias, como uma acentuação mais detalhada, desnecessária em um outro tipo de trabalho. Quando se escreve o sânscrito em caracteres latinos, chama-se transli-teração. Existem várias transliterações, convencionadas para o inglês, para o francês, para o português, etc. Quem lê livros de Yôga, geralmente fica desorientado ao ver a mesma palavra sendo grafada das mais variadas e estranhas maneiras; e acaba, não raro, assimilando uma forma menos cor-reta, mas que tenha logrado tornar-se mais popular. Nesta obra optamos pela transliteração mais usada na Índia, pois, se o Yôga vem de lá, faz sentido não modificar a forma de escrever seus termos. Além disso, esta que adotamos é mais fácil e muito mais lógica, haja vista o nome do cria-dor do Yôga. Ele aparece nos diversos livros com as seguintes grafias:
Shiva, Śiva, Siva, Çiva, Civa, Shiv, Siwa, Xiva e outras...
A primeira das variações acima é a que adotamos, pois, além de ser uma forma largamente utilizada na Índia e no inglês, permite imediata compre-ensão da pronúncia chiada da primeira sílaba, em quase todos os idiomas.