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HABEAS CORPUS PERNAMBUCO Princípios Processuais do Devido Processo Legal e do Contraditório e Ampla Defesa

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Academic year: 2021

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TEMA GERAL: COMENTÁRIOS A ACÓRDÃOS DO STF

Marina Trindade Magalhães- 12/0129221

Victor Gabriel Boson Silva Almeida- 12/0174073

HABEAS CORPUS 116.985 PERNAMBUCO

Princípios Processuais do Devido Processo Legal e do Contraditório e Ampla Defesa

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EMENTA

HABEAS CORPUS. PROCESSO PENAL. INTIMAÇÃO IRREGULAR, PROCEDIDA EM NOME DA DEFENSORIA PÚBLICA DA UNIÃO. DEFENSORA DATIVA CONSTITUÍDA

NOS AUTOS. NULIDADE. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. ORDEM

CONCEDIDA.

1. O contraditório e a ampla defesa são princípios cardeais da persecução penal, consectários lógicos do due process of law. O devido processo legal é processo pautado no contraditório e na ampla defesa, no intuito de garantir aos acusados em geral o direito não só de participar do feito, mas de fazê-lo de forma efetiva, com o poder de influenciar na formação da convicção do magistrado.

2. Nulidade da intimação que se reconhece, pois direcionada à Defensoria Pública da União, quando patrocinado o ora paciente por defensor dativo (art. 370, § 4º, do Código de Processo Penal). Necessidade de realização de novo julgamento, com a intimação da defensora nomeada da data da sessão a ser designada.

3. Habeas corpus concedido.

COMENTÁRIO E ANÁLISE DOS PRINCÍPIOS

Na ementa do acórdão supracitado, referente ao Habeas Corpus de número: 116.985 impetrado por Alex Duarte Santana Barros em favor de Enock Rodrigues Soares Filho, o colegiado dos egrégios Ministros do Supremo Tribunal Federal concordaram com o voto da Ministra Relatora Rosa Weber e deferiram a ordem de habeas corpus. Em ordem de chegar a tal decisão a Min. Relatora citou, principalmente, dois princípios que foram o do devido processo

legal e do contraditório e da ampla defesa.

O contraditório e a ampla defesa são princípios inerentes e intrínsecos a uma persecução penal. Assim, o devido processo legal é necessariamente pautado no processo da contradição e, conseguinte, ampla defesa, no intuito de garantir aos acusados em geral o direito não só de

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participar do feito, mas de fazê-lo de forma efetiva, com o poder de influenciar na formação da convicção do magistrado.

No entanto não foi o que ocorreu na decisão anterior, quando o paciente havia sido sentenciado à pena de 5 (cinco) anos e 4 (quatro) meses de reclusão, no regime inicial semiaberto, pela prática do crime previsto no art. 19, parágrafo único, da Lei n.º 7.492/86 (obtenção, mediante fraude, de financiamento em instituição financeira). Pois, não ocorreu a intimação pessoal do Impetrante desde o recebimento do recurso especial pelo tribunal de origem, cerceando o seu direito à defesa. Como foi explicitado no voto da Min. Relatora.

“HABEAS CORPUS. PENAL. PROCESSO PENAL. REVOGAÇÃO DE MANDATO E CONSTITUIÇÃO DE NOVOS ADVOGADOS. INTIMAÇÃO IRREGULAR. NULIDADE DOS ATOS SUBSEQUENTES. PRINCÍPIO DA AMPLA DEFESA. ORDEM CONCEDIDA. 1. É nula a intimação de ato processual feita apenas em nome de advogado, cujo mandato havia sido revogado pela parte, que constitui novos procuradores. 2. Constatada a omissão do Poder Judiciário em juntar ao processo a nova procuração outorgada pela parte, assim como o ato de revogação do anterior mandato, impõe-se, em respeito ao princípio da ampla defesa, o reconhecimento da nulidade das intimações de todos os atos processuais feitas em nome de advogado que não mais detinha poder de representação. 3. Ordem concedida” (HC 113.408/RS, Rel. Min. Cármen Lúcia, 2ª Turma, DJe 02.5.2013).”

“PENAL. PROCESSUAL PENAL. HABEAS CORPUS. PREFEITO MUNICIPAL. CONDENAÇÃO PELO TRIBUNAL DE JUSTIÇA. LEI 201, DE 1967, ART. 1º. RENÚNCIA DO ADVOGADO CONSTITUÍDO PELO PACIENTE.

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INTIMAÇÃO PARA CONSTITUIÇÃO DE NOVO DEFENSOR. REPUBLICAÇÃO DO ACÓRDÃO REQUERIDA PELOS NOVOS DEFENSORES, PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO. INDEFERIMENTO.

CERCEAMENTO DE DEFESA. I. - Tendo o advogado constituído pela defesa renunciado ao mandato, após a prolação do acórdão condenatório, os novos defensores requereram a republicação do referido acórdão, para restabelecimento do prazo recursal, dado que, quando de sua publicação, o paciente não possuía defensor constituído. O indeferimento do pedido constitui cerceamento de defesa. II. - HC deferido” (HC 77.717/RS, Rel. Min. Carlos Velloso, 2ª Turma, DJ 26.2.1999).”

Com essa decisão, foi ferido o due processo of law, ou devido processo legal, um princípio instituído pela primeira vez na Magna Carta de 1215, quando o parlamento britânico limitou o poder do rei Guilherme de Orange e criando um artifício com o intuito de acabar com as injustiças nos julgamentos legais. Portanto, não haveria a possibilidade de condenação de alguém sem que passasse por todas as etapas processuais. No Brasil, ele foi introduzido pela primeira vez na Constituição de 1988.

É do princípio do devido processo legal que decorrem inúmeros outros princípios e garantias constitucionais. Ele é a base legal para aplicação de todos os demais princípios, seja direito processual, material ou administrativo. E, aliado aos princípios do contraditório, ampla defesa e da motivação, ajuda a garantir a tutela dos interesses individuais, coletivos e difusos.

Além de garantir também a eficácia dos direitos garantidos ao cidadão pela Constituição Federal, uma vez que seria sem nexo os demais direitos sem um processo coeso e com práticas já definidas para os atos processuais e administrativos. Ou seja, ele possibilita o controle das decisões, mantendo a eficácia do Estado Democrático de Direito, no qual o indivíduo tem a

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possibilidade de participar de forma justa da decisão judicial e assegura os trâmites legais do processo, proibindo decisões arbitrárias.

Corolário do princípio do devido processo legal, surge o princípio do contraditório e ampla defesa. Assegurados pela Constituição Federal Brasileira de 1988, no artigo 5º inciso LV:

“Aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes” (CF/88, art.5º, LV)

Ambos princípios devem estar presentes em qualquer forma de acusação, mesmo que inicial, o que permita ao acusado defender-se ou ter um terceiro representando-lhe legalmente. Este direito possui o intuito de assegurar a igualdade entre as partes e fornecer, principalmente ao acusado, um julgamento imparcial, liderado por um juíz, o qual deve analisar as provas e contraprovas a fim de chegar a uma conclusão do modo mais justo possível, pautado nos ideais do Estado Democrático de Direito no qual o Brasil se insere.

Ao contraditório cabe formalizar a igualdade de direitos dentro de um processo entre as partes litigantes. A qualquer acusação, corresponde o direito de defesa da outra parte, e assim sucessivamente durante todo o processo, até transitar em julgado, quando, aí sim, não há mais possibilidades de recurso ou revisão. Em outras palavras, o direito de oitiva (conhecimento e possibilidade de reação). Pode-se analisar a presença do princípio do contraditório do voto da Min. Rosa Weber relatora do Habeas Corpus supracitado:

“Essencial à validade do processo penal, portanto, oportunizar defesa mediante citação, contraditório, direito de produção de provas e direito de confrontar as provas da Acusação. Pessoa alguma poderá ser prejudicada em seus próprios interesses sem a efetiva celebração de um processo justo (Giulio Ubertis. Principi di procedura penale europea: le regole del giusto processo . Milano: Raffaello Cortina, 2000.

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A ampla-defesa, por sua vez, caracteriza-se pelo direito de defender-se efetivamente e utilizando-se dos meios disponíveis e legais, e pode ser aplicado em qualquer processo que envolva o poder sancionatório do Estado sobre pessoas físicas ou jurídicas. A ampla-defesa traduz a liberdade do indivíduo em prover provas e alegar fatos, permitindo que o litigante possa defender-se sem limitações. Desta forma, torna-se impossível de dissociar o Contraditório da Ampla Defesa, visto que a possibilidade de defesa apenas se dá a partir o momento em que o acusado tem acesso a toda a movimentação processual, por isto, a Constituição de 88 os agrupou em um mesmo princípio.

Com o acima exposto, conclui-se que os princípios presentes na Ementa do Habeas

Corpus 116.985 resumem-se na expressão: audiatur et altera pars (“ouça-se também a outra

parte”). Os princípios do devido processo legal e do contraditório e ampla defesa representam evoluções do Estado Democrático de Direito e da Constituição de 1988, ao assegurar a imparcialidade do judiciário, submetendo-a a acariação de provas favoráveis e contrárias, impedindo a decisão unilateral por parte do juíz. Esta garantia corrobora com a presunção de inocência, presente no artigo 5.°, inciso LVII da CF/88, e certifica a igualdade entre as partes no que concerne o direito de acusar, bem como de se defender, sem os quais o processo torna-se nulo.

BIBLIOGRAFIA

ANDRADE, Karine Araújo. A inconstitucionalidade do interrogatório por videoconferência

à luz do princípio da ampla defesa e do contraditório. Juspodivm. Salvador. 2009. Disponível

em: <http://www.juspodivm.com.br/i/a/A_INC_VIDEOCONFERENCIA.pdf>. Acesso em 22 de abril de 2014.

BRASIL. Constituição Federal de 1988

BRASIL. HABEAS CORPUS 116.985 PERNAMBUCO. Disponível em:

<http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=TP&docID=5634366> Acesso em: 22 de abril de 2014

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FILHO, Alberto Deodata Maia Barreto. Contraditório e Ampla Defesa. Revista da Faculdade de Direito, 1991. Disponível em: <file:///C:/Users/owners/Downloads/1422-2706-1-SM.pdf> Acesso em: 21 de abril de 2014.

LEITE, Ruano Fernando da Silva. Princípio do Contraditório. Jurisway. São Paulo. 2010. Disponível em: <http://www.jurisway.org.br/v2/dhall.asp?id_dh=754>. Acesso em: 22 de abril de 2014.

OLIVEIRA, Vallisney. Princípios Processuais. Disponível em:

<http://vallisneyoliveira.com/direito-unb/tgpii-ponto1-principios-processuais/> Acesso em: 21 de abril de 2014

PAÚL, Paulo Ricardo. Princípio do Contraditório e da Ampla Defesa. Blogpost. Rio de Janeiro. Março de 201º. Disponível em: <http://celprpaul.blogspot.com/2011/03/principio-do-contraditorio-e-ampla.html>. Acesso em: 22 de abril de 2014.

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