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RELATÓRIO DA DISCIPLINA DE MERCADO DE 2015

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actividade, situação patrimonial e fi nanceira e em cumprimento do Aviso n.º 4/GBM/2007 e da Circular n.º 4/SHC/2007 do Banco de Moçambique, apresenta

de seguida, a informação referente a 30 de Junho de 2015. Esta publicação não é uma versão integral do seu Relatório e Contas de 2015, sendo que o mesmo será disponibilizado no site do Banco.”

INTRODUÇÃO

O presente “Relatório de Disciplina de Mercado de 2015” enquadra-se no âmbito dos requisitos de prestação de informação previstos no Pilar III do acordo de Basileia II e complementa a informação disponibilizada no Relatório e Contas de 2015 do Banco Internacional de Moçambique, S.A. (adiante designado por “Banco” ou “Millennium bim”) relativamente à informação sobre a gestão dos riscos e a adequação do capital, nomeadamente no que se refere à disponibilização de informação detalhada do capital, da solvabilidade e dos riscos assumidos e respectivos processos de controlo e de gestão. Basileia II é a designação do segundo acordo de convergência de capitais e padrões de capital. À se-melhança do primeiro acordo (Basileia I), estabelece princípios de mensuração de riscos e adequação de capitais. Mas mais do que o primeiro acordo, o Basileia II acrescenta maior sensibilidade ao risco (risk-sensibility) na computação dos requisitos de capitais bem como introduz requisitos de capitais para a cobertura dos riscos operacional e de mercado. Através dos três pilares abaixo discriminados, o Basileia II pretende alinhar os requisitos de capital regulamentar aos requisitos de capital económico. Na reformulação do Acordo de Capital, além dos objectivos basilares da sufi ciência de fundos próprios e neutralidade competitiva, foram fi xados os seguintes propósitos:

-

Assegurar maior sensibilidade dos requisitos de capital ao perfi l de risco das instituições, através do reconhecimento para efeitos regulamentares, e desde que cumpridas determinadas condições, dos sistemas de gestão e as medidas de risco das instituições e da autonomização do risco operacional;

-

Alargar o regime de fundos próprios, não o limitando à fi xação de rácios regulamentares mínimos, de modo a reconhecer a relevância da actuação das autoridades de supervisão e da disciplina de mercado; e

-

Difundir as “melhores práticas” no sistema fi nanceiro moçambicano, desenvolvendo um conjunto de incentivos que premeia a capacidade das instituições em mensurar e gerir o risco. Com efeito, as novas regras foram, em princípio, indutoras de alterações na forma como as instituições mensuram e gerem os riscos, o que provocou adaptações nas estruturas organizativas, nomeadamente no que diz respeito ao Corporate Governance relativo a gestão de riscos, entre outros processos internos.

Conforme referido, o novo regime prudencial encontra-se estruturado em três Pilares:

Pilar 1 – Determinação dos Requisitos Mínimos de Fundos Próprios

Neste Pilar estabelecem-se as regras relativas à determinação dos requisitos mínimos de fundos pró-prios para a cobertura dos riscos de crédito, de mercado e operacional.

Para o apuramento da base de cálculo dos requisitos mínimos de Fundos Próprios para a cobertura de risco de crédito e do risco de redução dos montantes a receber, aplica-se o Método Padrão Simplifi cado, conforme estabelece o Aviso 11/GBM/2013 de 31 de Dezembro, baseado, em larga medida, nas nota-ções divulgadas por agências de notação externas reconhecidas para o efeito - este método consiste na ponderação dos riscos em função do tipo de mutuário e do tipo de posição em risco.

No âmbito do enquadramento prudencial defi nido para o tratamento dos riscos de mercado, as insti-tuições devem apurar requisitos de capital para a cobertura:

Do risco de posição de instrumentos incluídos na carteira de negociação (instrumentos de dívida, instrumentos dependentes da taxa de juro, acções e derivados); e

Dos riscos cambial e de mercadorias, relativamente à actividade global. Genericamente, encon-tram-se previstas duas metodologias alternativas para a determinação do capital necessário para a cobertura destes riscos: o método Standard e o método dos Modelos Internos. A utilização de modelos internos encontra-se condicionada ao cumprimento de um conjunto de critérios de na-tureza quantitativa e qualitativa e sujeita à aprovação por parte das autoridades de supervisão. Assim o sistema fi nanceiro moçambicano adoptou o Método Standard (Aviso 13/GBM/2013, de 31 de Dezembro) com base no qual são calculados os requisitos mínimos de fundos próprios relativos aos riscos cambiais (RWArm - Risk Weighted Assets – Activos Ponderados Pelo Risco - risco de mercado). Com base nesta metodologia, a posição líquida global em divisas é determinada do seguinte modo:

-

As posições curtas líquidas e as posições longas líquidas devem ser convertidas em meticais à taxa de câmbio de referência à vista e adicionadas de modo a formar o total das posições curtas líquidas e o total das posições longas líquidas;

-

O mais elevado dos dois totais referidos na alínea anterior constitui a posição líquida global em divisas.

Quanto ao risco operacional estão previstos no Aviso 12/GBM/2013 de 31 de Dezembro, dois métodos principais de determinação dos requisitos mínimos de fundos próprios, aos quais corresponde um grau de sofi sticação e sensibilidade ao risco crescentes e, em consequência, critérios de aprovação e utili-zação mais exigentes. No método do Indicador Básico (BIA), os requisitos são determinados como uma percentagem (15%) de um indicador de exploração relevante (Indicador Relevante). No método Padrão (TSA), os requisitos são determinados como uma percentagem (entre 12% e 18%) de um indicador de exploração relevante para cada um dos segmentos de actividade defi nidos.

-

Entende-se por Indicador Relevante, o resultado da soma da margem líquida de juros com outras receitas líquidas, numa base anual, reportadas ao fi nal do exercício fi nanceiro.

-

Nos casos em que a soma da margem líquida de juros com outras receitas líquidas é negativa, ou igual a zero, esse valor não deve ser tido em conta no cálculo da média dos últimos três anos, quer no numerador quer no denominador.

(Valores em milhares de Meticais)

Actividades

Indicador Relevante Base de Cálculo dos Requisitos Mínimos de Capitais

Ano n-2 Ano n-1 Ano n

(1) (2) (3) (4)

1. Total das Actividades Sujeitas ao

Método do Indicador Básico 7.342.759 7.923.758 8.709.834 1.198.818

A B C

DESCRIÇÃO Ano n-2 Ano n-1 Ano n

(+) Juros e Rendimentos Similares 7.212.488 7.146.505 8.328.838

(-) Juros e Encargos Similares 2.634.487 2.344.971 2.819.775

(+) Rendimentos de Instrumentos de

Capital 317

(+) Comissões Recebidas 1.570.656 1.943.149 2.144.399

(-) Comissões Pagas 117.855 145.315 154.373

(+) Resultados de Operações Financeiras 1.016.302 812.794 937.979

(+) Outros Resultados Operacionais 295.338 511.596 272.766

7.342.759 7.923.758 8.709.834

Pilar 2 – Processo de Avaliação pela Autoridade de Supervisão

O Pilar 2 determina o conceito de “Processo de Supervisão”, o qual agrega um conjunto de princípios destinados, no essencial, a reforçar a ligação entre o capital interno detido por uma instituição e os riscos emergentes da sua actividade. Estes princípios, por um lado, incentivam as instituições a adop-tar sistemas e procedimentos destinados a calcular e manter o capital interno adequado à natureza e magnitude dos riscos incorridos; por outro lado, atribuem às autoridades de supervisão a responsa-bilidade pela avaliação da qualidade de tais sistemas e procedimentos e pela imposição de medidas correctivas caso o capital interno apurado não seja consistente com o perfi l de risco.

No plano das matérias abrangidas pelo Pilar 2 incluem-se, designadamente, os riscos considerados no Pilar 1, mas não captados no respectivo processo (v.g. risco de concentração) e os riscos não conside-rados no Pilar 1 (v.g risco de liquidez, risco de taxa de juro da carteira bancária, risco estratégico, de reputação, de complaince e tecnologias de informação).

A aplicação dos princípios do “Processo de Supervisão” traduziu-se na adopção, pelas instituições, de dispositivos sólidos de governo interno da sociedade e, futuramente, na implementação de proces-sos de auto-avaliação da adequação do capital, que permitem identifi car o nível de capital interno adequado aos riscos decorrentes da respectiva actividade (o designado ICAAP – Internal Adequacy As-sessment Process).

Pilar 3 – Disciplina de Mercado

Este Pilar visa a sufi ciência, consistência e transparência na divulgação de informação pelas insti-tuições em diferentes mercados, com o objectivo de assegurar uma efectiva disciplina de mercado.

Esta é exercida através da monitorização (pelos participantes no mercado, nomeadamente, outras instituições, clientes, contrapartes e investidores) da informação tornada pública sobre a solvabilidade e o perfi l de risco das instituições. Em particular, pretende-se que os participantes no mercado passem a dispor de um leque alargado de informação que lhes permita recompensar ou penalizar as práticas de gestão – em função da respectiva solidez –, através da infl uência que podem exercer ao nível dos custos/capacidade de endividamento e da valorização do capital, contribuindo, desta forma, para a estabilidade e solidez do sistema fi nanceiro.

O presente relatório de disciplina de mercado do Millennium bim incorpora os requisitos de informação solicitados no Aviso do Banco de Moçambique n.º 19/GBM/2013, de 31 de Dezembro, incluindo também informação adicional considerada relevante para avaliar o perfi l de risco e a adequação do capital do Banco, conforme se evidencia no quadro seguinte:

Capítulo do Relatório

Anexo do Aviso do Banco de Moçambique

1. Declaração de responsabilidade do Conselho de Administração Anexo I

2. Âmbito de aplicação Anexo II

3. Gestão de Riscos no Millennium bim Anexo III 4. Estrutura de capital Anexo IV

5. Adequação de capital Anexo V

6. Risco de crédito: divulgações gerais Anexo VI 7. Mitigação do risco de crédito Anexo VII

8. Risco de mercado Anexo VIII

9. Risco operacional Anexo IX

10. Risco de taxa de juro na carteira bancária Anexo X

Metodologias de Cálculo Regulamentares

Sem prejuízo da prestação de informação mais pormenorizada nos capítulos seguintes, apresenta-se no Quadro I um resumo das metodologias de cálculo dos requisitos de capital utilizadas nos reportes regulamentares.

Quadro III - Requisitos de Capital: Metodos de Cálculo

Descrição Método de cálculo Numero do aviso bm

Risco de crédito Método Padrão Simplifi cado 11/GBM/2013 Risco operacional Método do Indicador Básico (BIA) 12/GBM/2013 Risco de mercado (risco cambial) Método Standard 13/GBM/2013

1. DECLARAÇÃO DE RESPONSABILIDADE DO CONSELHO DE

ADMINISTRAÇÃO

I. A presente declaração de responsabilidade emitida pelo Conselho de Administração do Banco Internacional de Moçambique, S.A., incide sobre o “Relatório de Disciplina de Mercado referente ao mês de Junho de 2015”, dando cumprimento aos requisitos descritos no Aviso do Banco de Moçambique n.º 19/GBM/2013.

II. Com a publicação do Aviso nº 3/GBM/2012, de 13 de Dezembro que rege o processo de transição para o segundo acordo de convergência internacional de mensuração de capital e padrões de capitais (Basileia II) e do Aviso nº. 04/GBM/2013 de 18 de Setembro sobre as Directrizes de Gestão de Risco, o regime prudencial das instituições de crédito em Moçambique passou a incorporar as disposições propostas no Acordo de Capital Revisto, habitualmente designado por “Basileia II”, que estabeleceu um novo enquadramento regulamentar para a adequação do capital aplicável às instituições fi nanceiras.

III. O acordo de “Basileia II” assenta em três pilares distintos e complementares:

-

O Pilar I que consiste em regras de determinação dos requisitos mínimos de fundos próprios para a cobertura dos riscos de crédito, de mercado e operacional;

-

O Pilar II que abrange os princípios fundamentais do processo de supervisão e de gestão de riscos, incluindo o processo de auto-avaliação da adequação do capital;

-

O Pilar III que complementa os pilares anteriores com a exigência de prestação de informação sobre a situação fi nanceira e a solvabilidade das instituições de crédito, fi xando requisitos de divulgação pública de processos e sistemas de gestão de riscos e de capital, com o objectivo de reforçar a disciplina de mercado.

IV. O Relatório de Disciplina de Mercado do Millennium bim referente ao mês de Junho de 2015 foi, portanto, preparado no âmbito do Pilar III, sendo a segunda vez que o Banco procede à sua elaboração e publicação, em conformidade com o estabelecido na regulamentação em vigor e em linha com as práticas dos principais bancos internacionais.

V. O relatório está estruturado nos seguintes capítulos:

-

Declaração de responsabilidade do Conselho de Administração

-

Âmbito de aplicação

-

Gestão de Riscos no Millennium bim

-

Risco de Crédito

-

Risco de Crédito de Contraparte

-

Mitigação do risco de crédito

-

Gestão do Risco Operacional

-

Risco de Mercado

-

Adequação de Capitais Componentes e Principais Características dos Fundos Próprios. No que respeita à informação apresentada no “Relatório de Disciplina de Mercado referente ao mês de Junho de 2015”, o Conselho de Administração:

-

Certifi ca que foram desenvolvidos todos os procedimentos considerados necessários e que, tanto quanto é do seu conhecimento, toda a informação divulgada é verdadeira e fi dedigna;

-

Assegura a qualidade de toda a informação divulgada, incluindo a referente ou com origem em entidades englobadas no grupo económico no qual a instituição se insere;

-

Compromete-se a divulgar, tempestivamente, quaisquer alterações signifi cativas que ocorram no decorrer do exercício subsequente àquele a que o presente relatório se refere.

Maputo, 28 de Agosto de 2015

A Comissão Executiva do Banco Internacional de Moçambique, por delegação

2. ÂMBITO DE APLICAÇÃO

2.1. Identifi cação do Banco Internacional de Moçambique, S.A.

O Banco Internacional de Moçambique, SA é uma sociedade anónima constituída e regulada pela lei Moçambicana, com sede na Rua dos Desportistas, número 873/879, em Maputo, matriculada na Con-servatória do Registo de Entidades Legais, sob o nº 6614, contribuinte fi scal número 400001383, en-contrando-se registado no Banco de Moçambique como Banco com o código 000010.

O capital social do Banco em 30 de Junho de 2015 ascendia a 4.500.000.000 de Meticais, integral-mente realizado e representado por 45.000.000 de acções. As acções são tituladas ou escriturais. As acções tituladas revestem a forma de acções nominativas ou ao portador registado, sendo que as acções escriturais revestem sempre a forma de acções nominativas. As acções tituladas podem a todo o tempo ser convertidas em acções escriturais, e vice-versa, desde que obedecidos os requi-sitos fi xados por lei.

Este relatório incorpora os requisitos de informação solicitados no Aviso do Banco de Moçambique n.º 19/GBM/2013, incluindo também informação adicional considerada relevante para avaliar o perfi l de risco e a adequação do capital do Banco em base Individual, conforme se evidencia no quadro. Os Estatutos do Banco, os Relatórios de Gestão e as Contas Individuais e Consolidadas encontram-se à disposição do público, para consulta, na sede do Banco e no seu sítio na internet, em

www.millen-niumbim.co.mz.

3. GESTÃO DE RISCOS NO MILLENNIUM BIM

3.1. Princípios de Gestão de Riscos

O Millennium bim está sujeito a riscos de diversas naturezas relacionados com o desenvolvimento da sua actividade.

A gestão de riscos no Millennium bim obedece a princípios, metodologias e procedimentos de controlo e reporte defi nidos pelo Banco de Moçambique ao nível das Directrizes de Gestão de Risco (Aviso 04/ GBM/2013 de 31 de Dezembro) e a demais legislação divulgada pelo BM em 2013, relativa ao processo de implementação do Basileia II, bem como com os princípios, metodologias e procedimentos de con-trolo e reportes defi nidos centralmente pelo Grupo Millennium bcp.

A política de gestão de riscos do Millennium bim visa a identifi cação, avaliação, controlo e acompanha-mento de todos os riscos materiais a que a instituição se encontra exposta, tanto por via interna como externa, por forma a assegurar que os mesmos se mantêm em níveis compatíveis com a tolerância ao risco pré-defi nida pelo órgão de administração.

Neste âmbito, assume uma particular relevância o acompanhamento e controlo dos principais tipos de riscos “salientando-se os riscos de crédito, de mercado, operacional, de liquidez, de negócio e estra-tégico” que são intrínsecos à actividade do Millennium bim e que se defi nem seguidamente: Risco de crédito – o risco de crédito refl ecte as perdas potenciais e a incerteza quanto aos retornos esperados, por incapacidade do tomador do empréstimo – e do seu garante, se existir – ou do emissor de um título ou da contraparte de um contrato, em cumprir as suas obrigações.

Risco de mercado – o conceito de risco de mercado refl ecte a perda potencial que pode ser registada por uma determinada carteira, em resultado de alterações de taxas de juro e de câmbio, e/ou dos preços dos diferentes instrumentos fi nanceiros que a compõem, considerando quer as correlações existentes entre eles, quer as respectivas volatilidades.

Risco operacional – o risco operacional traduz as perdas potenciais resultantes de falhas ou inadequa-ções dos processos internos, de pessoas ou dos sistemas, ou ainda as perdas potenciais resultantes de eventos externos.

Risco de liquidez – o risco de liquidez refl ecte a incapacidade do Millennium bim em cumprir as suas obrigações no momento do respectivo vencimento sem incorrer em perdas signifi cativas decorrentes de uma degradação das condições de fi nanciamento (risco de fi nanciamento) e/ou de venda dos seus activos por valores inferiores aos valores de mercado (risco de liquidez de mercado).

Risco de negócio e estratégico – o risco de negócio e estratégico concretiza-se quando existem im-pactos negativos em resultados e/ou no capital, resultantes (i) de decisões com efeitos adversos, (ii) da implementação de estratégias de gestão inadequadas ou (iii) da incapacidade de resposta efi caz a alterações e variações no mercado.

Os riscos de crédito, de mercado e operacional foram objecto de cálculo de requisitos de fundos pró-prios no âmbito da informação regulamentar sobre adequação de capital do Pilar I de Basileia II, me-recendo uma abordagem detalhada nos capítulos seguintes deste documento, enquanto os riscos de liquidez, e de negócio e estratégico são tratados exclusivamente a nível do Pilar II.

3.2. Organização Interna

Em 30 de Março de 2012, foi aprovada pela Assembleia Geral do Banco a estrutura dos seus órgãos so-ciais, que vigora actualmente, no âmbito da qual, para além da Assembleia Geral, os órgãos sociais são o Conselho de Administração, composto por administradores não executivos e executivos, formando estes últimos a Comissão Executiva, e a Comissão de Auditoria, composta por administradores execu-tivos e não execuexecu-tivos, a Comissão de Vencimentos e o Conselho Fiscal.

No domínio da gestão dos riscos, o Conselho de Administração do Millennium bim é o órgão responsável pela defi nição da política de risco incluindo-se, neste âmbito, a aprovação dos princípios e regras de mais alto nível que deverão ser seguidos na gestão do mesmo, assim como as linhas de orientação que deverão ditar a alocação do capital económico às linhas de negócio, cabendo à Comissão Executiva a responsabilidade pela condução dessa política e pela decisão executiva relativa às medidas e acções do âmbito da gestão de risco.

A Comissão de Auditoria, que emana do Conselho de Administração é responsável pela fi scalização da gestão, assegurando, nomeadamente, o bom funcionamento dos sistemas de gestão e controlo dos riscos, bem como a existência e o cumprimento de políticas de compliance e de auditoria adequados, a nível do Millennium bim, tem igualmente a responsabilidade de aconselhar o Conselho de Adminis-tração em matérias relacionadas com a defi nição da estratégia de risco, a gestão de capital e liquidez e a gestão dos riscos.

O Comité de Controlo de Risco emana da Comissão Executiva e tem a responsabilidade de acompa-nhar, ao nível executivo, os níveis globais de risco de crédito, de mercado, de liquidez e operacional, assegurando que os mesmos são compatíveis com os objectivos, recursos fi nanceiros disponíveis e es-tratégias aprovados para o desenvolvimento da actividade do Millennium bim, numa perspectiva de apoio à tomada de decisões de gestão e de promoção da melhor articulação das decisões de gestão corrente na organização.

O Group Risk Offi cer tem a responsabilidade pela função de controlo de risco no Millennium bim por forma a garantir a monitorização global do risco e o alinhamento de conceitos, práticas e objectivos. O Group Risk Offi cer apoia o Comité de Controlo de Risco, informando-o sobre o nível de risco do Grupo, propõe medidas para melhorar o seu controlo, implementa os limites de tomada de risco aprovados e tem o poder de veto em qualquer decisão que não esteja sujeita a aprovação pelo Conselho de Admi-nistração ou pela Comissão Executiva e que possa ter impacto nos níveis de risco do Grupo (exemplo: lançamento de novos produtos ou alterações de processos).

GESTÃO DIÁRIA Responsabilidades pela supervisão Direcção Financeira Responsabilidades pela Execusão POLÍTICA DE GESTÃO E CONTROLO DE RISCOS MEDIÇÃO, MONITORIZAÇÃO E CONTROLO DE RISCOS Conselho de Administração Comissão de Auditoria Comissão Executiva Comité de Controlo de Risco

Group Risk Officer

Local Risk Officer Local Risk Office

3.3. Bases e Perímetros de Consolidação para Fins Contabilísticos e

Prudenciais

A informação apresentada no âmbito deste documento refl ecte o perímetro em base Individual para fi ns prudenciais, nos termos do disposto pelo Aviso do Banco de Moçambique n.º 08/GBM/2007, que difere do perímetro de consolidação das contas do Grupo, defi nido de acordo com as Normas Interna-cionais de Relato Financeiro (“IFRS”), dado que a SIM – Seguradora Internacional de Moçambique, SA, não cai no perímetro fi nanceiro.

As principais diferenças verifi cadas no reporte Individual para fi ns prudenciais, face ao perímetro de consolidação das contas do Grupo, estão relacionadas com o tratamento das empresas cuja actividade reveste uma natureza diversa e incompatível com o disposto no Regime Geral das Instituições de Cré-dito e Sociedades Financeiras, no que se refere à supervisão em base consolidada, tal como decorre do Aviso do Banco de Moçambique n.º 08/GBM/2007, nomeadamente em relação às empresas comer-ciais, industriais, agrícolas ou de seguros.

As empresas abrangidas pelo parágrafo anterior são excluídas da consolidação para fi ns prudenciais. As entidades integradas no perímetro de consolidação do Grupo em 30 de Junho de 2015 estão des-critas no Quadro à baixo, indicando-se o método de consolidação contabilístico a que se encontram sujeitas e apresentando-se notas apropriadas para caracterizar as situações das entidades excluídas do perímetro de consolidação para fi ns prudenciais.

(2)

Quadro – Métodos de Consolidação e Tratamento Prudencial 30 de Junho de 2015 Método de Consolidação Sede Actividade económica % de controlo SIM – Seguradora Internacional de Moçambique, SA Integral Moçambique Seguros 89.1

Seguidamente descrevem-se os métodos de consolidação utilizados para efeitos contabilísticos e os respectivos critérios de selecção em vigor no Grupo.

Método de Consolidação Integral

As participações fi nanceiras em empresas subsidiárias em que o Grupo exerce o controlo são consoli-dadas pelo método de consolidação integral, desde a data em que o Grupo assume o controlo sobre as suas actividades fi nanceiras e operacionais até ao momento em que esse controlo cesse. Presume--se a existência de controlo quando o Grupo detém mais de metade dos direitos de voto ou detém o poder, direta ou indirectamente, de gerir a política fi nanceira e operacional de determinada empresa de forma a obter benefícios das suas actividades, mesmo que a percentagem da participação detida seja inferior a 50% do respectivo capital social.

Método de Consolidação por Equivalência Patrimonial

Os investimentos fi nanceiros em associadas são consolidados pelo método de equivalência patrimo-nial, desde a data em que o Grupo adquire uma infl uência signifi cativa até ao momento em que a mesma termina. As empresas associadas são entidades nas quais o Grupo tem infl uência signifi cativa mas não exerce o controlo sobre a sua política fi nanceira e operacional. Presume-se que o Grupo exerce infl uência signifi cativa quando detém o poder de exercer mais de 20% dos direitos de voto da associada. Caso o Grupo detenha, directa ou indirectamente, menos de 20% dos direitos de voto, presume-se que o Grupo não possui infl uência signifi cativa, excepto quando essa infl uência possa ser claramente demonstrada.

A existência de infl uência signifi cativa por parte do Grupo é normalmente demonstrada por uma ou mais das seguintes formas:

-

Representação no órgão de administração ou órgão de direcção equivalente;

-

Participação em processos de defi nição de políticas, incluindo a participação em decisões sobre dividendos ou outras distribuições;

-

Transacções materiais entre o Grupo e a participada;

-

Intercâmbio de pessoal de gestão;

-

Fornecimento de informação técnica essencial.

As participações detidas pelo Grupo em entidades seguradoras consolidadas pelo método integral são relevadas pelo método da equivalência patrimonial para efeitos da apresentação das contas consolidadas.

3.4. Risco de Crédito

A concessão de crédito fundamenta-se na prévia classifi cação de risco dos Clientes e na avaliação rigorosa do nível de protecção proporcionado pelos colaterais subjacentes. Com este objectivo, é utilizado um sistema único de notação de risco, a Rating MasterScale, baseada na Probabilidade de Incumprimento (PD – Probability of Default) esperada, permitindo uma maior capacidade discriminante na avaliação dos Clientes e uma melhor hierarquização do risco associado. A Rating MasterScale permite também identifi car os Clientes que evidenciam sinais de degradação da capacidade creditícia e, em particular, os que estão classifi cados, no âmbito de Basileia II, na situação de incumprimento.

Todos os sistemas e modelos de rating utilizados no Millennium bim foram devidamente calibrados para a Rating MasterScale. O Millennium bim utiliza também uma escala interna de “níveis de pro-tecção” enquanto elemento direccionado para a avaliação da efi cácia dos colaterais na mitigação do risco de crédito, promovendo uma colaterização do crédito mais activa e uma melhor adequação do pricing ao risco incorrido.

A avaliação feita pelos modelos de rating resulta nos graus de risco da MasterScale, com quinze graus, dos quais os três últimos correspondem a situações de degradação relevante da qualidade creditícia dos Clientes e se designam por “graus de risco processuais”. Os graus de risco são atribuídos pelos sistemas de rating automaticamente e, suportam a tomada de decisão de crédito pelos competentes níveis de decisão e, são revistos/actualizados periodicamente, ou sempre que ocorram eventos que o justifi quem. As estimativas internas de Perda em caso de Incumprimento (LGD – Loss Given Default) e de Fac-tores de Conversão de Crédito (CCF) são suportadas por metodologias internas e transversais ao Grupo Millennium. As estimativas das LGD são produzidas com recurso a um modelo que recolhe e analisa os dados históricos de perdas por risco de crédito e desconta todos os cash-fl ows inerentes aos processos de recuperação respectivos, enquanto as estimativas dos CCF resultam da análise de dados relativos à utilização de linhas e limites de crédito no horizonte temporal de um ano antes de ocorridos os defaults.

Para o cálculo de requisitos regulamentares de capital relativo a este tipo de risco, o Millennium bim aplica o Método Padrão Simplifi cado, conforme estabelece o Aviso 11/GBM/2012 de 31 de Dezembro. O Millennium bim adopta uma política de monitorização contínua dos seus processos de gestão de ris-co de crédito, promovendo alterações e melhorias sempre que ris-consideradas necessárias, visando uma maior consistência e efi cácia desses processos.

No Primeiro Semestre de 2015, destacaram-se, particularmente, as seguintes realizações:

Aprovação pela Comissão de Auditoria da contratação de uma consultoria externa local, para a implementação do processo interno de Auto-Avaliação da adequação do Capital Interno (ICAAP) e Stress Tests ajustados à realidade do Millennium bim a nível da exposição do Banco ao risco de crédito, por forma a responder as exigências do Banco de Moçambique sobre esta matéria, ema-nadas na Circular 02/SCO/2013 e 05/SCO/2013 de 31 de Dezembro. A este respeito está em curso o processo de selecção do Consultor Externo a ser contratado para adaptar o modelo do ICAAP transversal ao Grupo a realidade do Millennium bim;

A melhoria dos reportes mensais à Comissão Executiva do Banco sobre o Risco de Concentração de Crédito, nomeadamente, Por Sector Económico, Por Região Geográfi ca e Por Moeda, com a indicação clara das exposições existentes por cada grupo de concentração e o posicionamento das mesmas face aos limites aprovados pelo Conselho de Administração em Dez.14 e Fev.15. São igualmente reportados os níveis de exposição do Banco aos grandes riscos (limiar de grandes riscos), o Risco de Concentração por Tipo de Indexante, o nível de controlo exercido sobre os excessos aos limites de contraparte e aos limites defi nidos para créditos concedidos na modalidades de CCC´s e OVD´s (saldos cristalizados), em resposta a recomendação da Inspecção On-Site do BM, bem como o controlo exercido sobre os clientes com elevados níveis de alerta e negativos (TOP 10 maiores clientes por Nível de Alerta e TOP 10 maiores exposições por Nível de Alerta), no âmbito do Modelo de Sinais de Alerta EWS;

A coordenação de esforços internos entre o Local Risk Offi ce e a Software House que está a desen-volver o aplicativo para a automatização do processo de imparidade, visando a implementação, a nível deste aplicativo, do processo de cálculo dos índices de concentração (sectorial e individual) e dos testes de esforço a nível do risco de crédito, bem como dos reportes mensais de risco para alimentar a matriz de reportes consolidados do Millennium bcp.

A Nível dos Modelos de Rating e Credit Scoring

Destaca-se a conclusão dos estudos técnicos e metodológicos aplicadas para o apuramento das tendências centrais da probabilidade de default por segmento de negócio (Particulares, ENI´s, Pequenas e Médias Empresas), para efeitos de calibração dos Modelos de Rating e Credit Scoring em uso no Banco, visando o cálculo e reporte de Graus de Risco Processuais.

A Nível da Imparidade do Crédito destaca-se:

A melhoria do processo de recolha de Sinais de Alerta - Early Warning Signals (EWS) e defi nição do plano de formação dos intervenientes no Workfl ow (WF) de Planos de Acção.

A conclusão do processo de Análise Conceptual ao Modelo de Imparidade com a defi nição dos requisitos principais tais como os questionários tipo para os processos de revisão da Analise Indi-vidual, a nova metodologia para o calculo da PD e LGD, e para o calculo da imparidade Colectiva, a proposta de alocação de Haircuts às Colaterais, entre outros aspectos fundamentais para a implementação de uma infra-estrutura tecnológica e de um sistema de informação adequado para a realização de análises de sensibilidade periódicas aos parâmetros que suportam o Modelo de Imparidade. O processo de desenvolvimento do novo Modelo para o cálculo das perdas por imparidade do crédito e testes de esforço relacionados com o Risco de Crédito, foi já desen-volvido (30/06/15) encontrando-se pronto para entrar em produção. A entrada em produção deste aplicativo está dependente do processo de formação de Colaboradores do Banco (Risk Offi ce, DAU, DCR, DRC, DSR e Help desk), que decorreu entre os dias 06 e 17-07-15, bem como do acompanhamento, após formação, do processo de utilização do aplicativo pelas diferentes Unidades Orgânicas do Banco, intervenientes neste processo. A Software House está, parale-lamente ao processo de formação, a fi nalizar os temas relacionados com as Probabilidades de Default (PD), Loss Given Default (LGD) e Reportes. Data prevista para implementação efectiva do aplicativo no Mbim: 31-08-2015.

A execução do segundo exercício de análise de sensibilidade ao modelo de imparidade, tendo como base o modelo de imparidade ainda em vigor e referente à Jun.15. Os resultados das análises de sensibilidade atrás referidas constam do quadro abaixo:

Jun-15

SEGMENTO CENÁRIO PARÂMETROS TESTES

Impacto estimado (MZN’000) % s/ imparidade total % s/ imparidade paramétrica IBNR Alteração PI e LGI PI e LGI a) Acréscimo da PI em 100 bp (*) b) Acréscimo da LGI em 100 bp (*) c) Agregação do cenário a) e b) (*) PARAMÉTRICA Alterações modelo paramétrico PD Acréscimo da PD em 10% 4.947 0,13% 0,43% Taxa de perda esperada (PE)

Acréscimo de todas as taxas (PE )

em 10% 2.967 0,08% 0,26%

Execução de colaterais

Alteração do tempo de recuperação

por execução - 12 meses 729 0,02% 0,06%

Haircuts Acréscimo de todos os haircuts de

colaterais em 10% 1.912 0,05% 0,17%

Recuperação normal

Redução da probabilidade de

recuperação normal em 10% 110.855 2,81% 9,68%

Impacto Total estimado - Conjugação dos

parâmetros do modelo 120.867 3,06% 10,56%

3.950.547 1.144.690 (*) Sem impacto visto que o EL fi xado de 2% cobre o acréscimo (EL calculado: 0,524%; EL c/ acréscimo: 0,882%)

A conclusão do processo de estimação dos Parâmetros da Árvore Paramétrica para serem implemen-tados no fecho de contas de Ago.15 após análise e validação dos mesmos pelo Risk Offi ce do Mbcp e aprovação pela Comissão de Controlo de Risco do Banco. Estes parâmetros irão vigorar até Jun.15;

A conclusão do processo de actualização das Probabilidades de Default (PD) e consolidação da metodologia de apuramento das PD´s por produto: (i) Crédito ao Consumo; (ii) Leasing; (iii) Cré-dito habitação e (iv) Restantes créCré-ditos e (v) Global. Os parâmetros resultantes deste processo entraram em produção em Jun.15, devendo vigorar até Set.15. A PD global do Banco passou para 1,6% contra 2,6 % do período anterior:

-

A conclusão da Análise Individual referente a Mar.15 para o fecho de contas de Jun.15, tendo sido seleccionados 545 clientes, dos quais: 359 clientes foram analisados pela DCR (resposta ao questionário) e, 186 em acompanhamento na DRC foram analisados pelo Risk Offi ce, conjuntamente com a área, através do processo de entrevistas aos Gestores;

-

Destaca-se igualmente o contínuo aperfeiçoamento dos mecanismos e instrumentos de gestão e controlo do Risco de Crédito, promovendo e coordenando as acções que tornam efectiva a política de melhor e maior colaterização de créditos, melhor avaliação do nível de liquidez do Banco face as necessidades de transformação dos recursos em crédito;

A Nível Genérico destaca-se:

1. O aperfeiçoamento da gestão dos processos de crédito através de Indicadores Chave de Risco KRI´s (Key Risk Indicators) que permitem avaliar a performance de cada um dos processos da Direcção de Crédito e das áreas de recuperação, baseada na análise da evolução da perda esperada, refl ectindo a exposição creditícia, o nível de colaterização, a antiguidade do default e o resultado do processo de recuperação;

2. O reforço da monitorização da qualidade do crédito através do acompanhamento sistemático pelo Comité de Controlo de Risco e da Comissão de Auditoria da evolução dos indicadores de crédito vencido/imparidade e das principais situações de risco;

3. A introdução de melhorias no processo de crédito visando assegurar uma visão integrada e global do risco de crédito no caso de grupos económicos com envolvimento creditício em várias geografi as em que o Grupo opera.

4. O contínuo aperfeiçoamento dos mecanismos e instrumentos de gestão e controlo do Risco de Crédito, promovendo e coordenando as acções que tornam efectiva a política de melhor e maior colaterização de créditos, melhor avaliação do nível de liquidez do Banco face as necessidades de transformação dos recursos em crédito.

3.4.1. Riscos de Mercado Risco de Taxa de Juro

A avaliação do Risco de Taxa de Juro no Millennium bim é feita com base nas métricas estabelecidas internamente e baseadas nos gap´s construídos por prazos residuais de repricing dos contractos vivos, seguida da análise de sensibilidade.

De modo a garantir que os níveis de risco incorridos pelo Banco estão de acordo com os níveis de tole-rância ao risco defi nidos pelo Conselho de Administração, são defi nidos limites para riscos de mercado (revistos com periodicidade mínima anual). O limite de controlo do nível de exposição do Banco ao Risco de Taxa de Juro, foi igualmente defi nido pelo Conselho de Administração do Banco e alinhado aos limites transversais ao Grupo Millennium para ALM (Asset Liability management & Investment Portfólio e indexados ao nível dos Fundos Próprios do Banco.

Estes limites são defi nidos com base nas métricas de risco de mercado utilizadas pelo Millennium bim, para o controlo e monitorização do mesmo, sendo acompanhados pelo Risk Offi ce numa base mensal. Relativamente ao limite interno VaR (Value at Risk) associado a actividade da Sala de Mercados do Mil-lennium bim no Mercado Financeiro (Financial Market Activity – FMA, incluindo os limites da posição cambial) o controlo é feito diariamente.

A avaliação do risco de taxa de juro originado por operações da carteira bancária é feita através de um processo de análise de sensibilidade ao risco, realizado todos os meses, para o universo de operações que integram o balanço do Millennium bim.

Para esta análise são consideradas as características fi nanceiras dos contractos disponíveis nos siste-mas de informação de gestão do Banco. Com base nestes dados é efectuada a respectiva projecção dos fl uxos de caixa esperados, de acordo com as datas de repricing e eventuais pressupostos de pré--pagamentos considerados.

A agregação, para cada uma das moedas analisadas, dos fl uxos de caixa esperados em cada um dos intervalos de tempo permite determinar os gaps de taxa de juro por prazo residual de repricing. A sensibilidade ao risco de taxa de juro do balanço em cada moeda é calculada através da simulação de um deslocamento paralelo das curvas de rendimento (yield curves) em 200 pontos base, nos gap´s dos cash fl ows gerados. A análise de sensibilidade atrás referida é parte integrante dos testes de es-forço relativos ao Risco de Taxa de Juro, à luz das instruções emanadas na Circular nº. 05/SCO/2013 do Banco de Moçambique de 31 de Dezembro.

Risco Cambial

O Risco Cambial é avaliado através da medida dos indicadores defi nidos nos normativos de âmbito prudencial do Banco de Moçambique (Aviso 15/GBM/13 de 31 de Dezembro), cuja análise é efectuada com recurso a indicadores como:

Posição Cambial Líquida por Divisa (Net open position) - Recolhida ao nível do sistema informático do Banco pelo Risk Offi ce, reportando-se ao último dia de cada mês;

Indicador de Sensibilidade - calculado através da simulação do impacto, nos resultados do Banco, de uma hipotética variação de 1% nas taxas de câmbio de valorimetria.

1.562 4.634

Mar-15 Dez-14

Jun-14 Mai-15 Jun-15

2.815 2.478 1.293 2.174 178 79 69 456 237 33 43 65 54

USD ZAR EUR

-

A análise de sensibilidade acima referida é parte integrante dos testes de esforço relativos ao Risco Cambial, cabendo ao Risk Offi ce, em cada momento da sua actuação e, dependendo das condições do mercado, a responsabilidade de alterar os factores de risco a serem considerados nos referidos testes de esforço, bem como defi nir a magnitude dos choques que deve ser considerada, à luz das instruções emanadas na Circular nº. 05/SCO/2013 do Banco de Moçambique de 31/12/13.

Para o controlo do nível de exposição do Banco ao Risco Cambial os limites defi nidos pelo Conselho de Administração do Banco estão alinhados aos limites defi nidos pelo Banco de Moçambique através do Aviso 15/GBM/13 de 31 de Dezembro.

Para o cálculo dos requisites mínimos de capital para cobertura de risco referente a posições abertas ou tomadas em moeda estrangeira, incluindo o ouro, devido a sua correlação com a moeda estrangei-ra, é estabelecida no Aviso 13/GBM/2013 de 31 de Dezembro.

A posição líquida global em divisas é determinada do seguinte modo:

As posições curtas líquidas e as posições longas líquidas devem ser convertidas em meticais à taxa de câmbio de referência à vista e adicionadas de modo a formar o total das posições curtas líquidas e o total das posições longas líquidas;

O mais elevado dos dois totais referidos na alínea anterior constitui a posição líquida global em divisas.

Destacam-se, no âmbito da gestão do risco de mercado, as seguintes acções e concretizações levadas a cabo no primeiro Semestre de 2015, pelo Millennium bim:

1. A aprovação pelo Comité de Auditoria da contratação de uma consultoria externa local, para a implementação do processo interno de Auto-Avaliação da adequação do Capital Interno (ICAAP) ajustado à realidade do Millennium bim a nível da exposição do Banco ao risco de Taxa de Juro e Cabial, por forma a responder as exigências do Banco de Moçambique sobre esta matéria, emanadas na Circular 02/SCO/2013 de 31 de Dezembro. A este respeito está em curso o processo de selecção do Consultor Externo a ser contratado para adaptar o modelo do ICAAP transversal ao Grupo a realidade do Millennium bim;

2. A articulação com o Group Risk offi ce visando assegurar a articulação técnica e metodológica com a empresa que for seleccionada pelo Mbim para a implementação do ICAAP a nível da exposição do Banco ao Risco de Taxa de Juro e Cambial;

3. A melhoria dos relatórios mensais para Comissão Executiva do Banco sobre o nível de controlo exercido as exposições do Banco ao risco de taxa de juro, face aos limites defi nidos pelo Conselho de Administração do Banco, o controlo dos excessos aos limites defi nidos pelo CA para Financial Market Activity (FMA), o controlo dos excessos de Limites de Contraparte e do nível de Exposição do Banco ao Risco Cambial, reportados no Caderno do Risco de Concentração do Banco à luz das instruções emanadas na Circular nº. 03/SCO/2013 de 31 de Dezembro;

4. A revisão pela Comissão de Risco do Mbcp em Abr.15 do limite para o controlo do Risco de Taxa de Juro, alinhado aos limites transversais ao grupo para ALM (Assets and Liability Management) & PI (Portfólio de Investimento) e indexados ao nível dos Fundos Próprios do Banco. O novo limite aprovado e a vigorar até Mai.16 é de EUR 21,8 mios, correspondente à 7,5% dos FP do Banco à data de 31/12/14.

5. A consolidação do modelo de análise de sensibilidade, de uma variação da taxa de juro de 200 bp, em cumprimento das instruções da Circular 04/SCO/2013, do Banco de Moçambique de 31 de Dezembro;

6. A implementação de condições necessárias com vista a assegurar o Reporte, ao Banco de Moçambique, dos Quadros sobre o Risco de Taxa de Juro da Carteira Bancária, nos moldes impostos pela Circular nº. 04/SCO/2013 do Banco de Moçambique de 31 de Dezembro;

7. O acompanhamento diário rigoroso do grau de cumprimento dos limites de exposição cambial, defi nidos pelo Aviso número 15/GBM/2013 do Banco de Moçambique de 31 de Dezembro, sobre rácios e limites prudenciais.

Quadro IV - Evolução da Posição Cambial Liquida, à luz do Aviso 15/GBM/2013 do Banco de Moçambique de 31 de Dezembro.

(Valores em milhares de Meticais)

PAÍSES DIVISAS

Tipos de Posições

Das quais:

Posições não

Compensáveis Posições Líquidas Posições Estruturais

e elementos deduzidos aos Fundos Próprios

Longa Curta Longas Curtas Longas Curtas Longas Curtas 1 2 3 4 5 6 7 8

Estados Unidos

da América Dólar USD 124.908 254.221 124.908 254.221

União Europeia Euro EUR 76.283 69.816 76.283 69.816

África do Sul Rand ZAR 48.351 24.617 48.351 24.617

Canadá Dólar CAD 793 - 793 -

Dinamarca Coroa DKK 406 - 406 -

Reino Unido Libra GBP 2.439 - 2.439 -

Japão Iene JPY 1.158 - 1.158 -

Malawi Kwacha NWK 2 - 2 -

Noruega Coroa NOK 1.096 0 1.096 0

Suécia Coroa SEK 1.569 0 1.569 0

Suíça Franco CHF 4.790 0 4.790 0

Zâmbia Kwacha ZMK - - - -

Zimbabwe Dólar ZWD 0 - 0 -

Mauritius Rupee MUR - - - -

Australia Dólar AUD 965 - 965 -

Ouro Ouro

Total (9) 262.760 348.653 262.760 348.654 Base de Incidência para o Cálculo de Requisitos de Capitais para a Cobertura do Risco Cambial (6) 348 654

3.4.2. Risco Operacional

Na gestão e controlo do risco operacional, o Millennium Bim tem vindo a adoptar, de forma crescente e muito relevante, um conjunto de princípios, práticas e mecanismos de controlo claramente defi nidos, documentados e implementados, de que são exemplos: a segregação de funções; as linhas de respon-sabilidade e respectivas autorizações; a defi nição de limites de tolerância e de exposição aos riscos; os códigos deontológicos e de conduta; os indicadores-chave de risco (KRI – key risk indicators); os contro-los de acessos, físicos e lógicos; as actividades de reconciliação; os relatórios de excepção; os planos de contingência; a contratação de seguros; e a formação interna sobre processos, produtos e sistemas. O aumento da efi ciência na identifi cação, avaliação, controlo e mitigação das exposições ao risco tem passado também, desde 2007, pelo reforço do sistema de gestão de risco operacional do Millennium bim, benefi ciando-se de uma aplicação de suporte comum a todo Grupo Millennium.

Estrutura de Gestão do Risco Operacional

O sistema de gestão do risco operacional assenta numa estrutura de processos end-to-end, conside-rando-se que uma visão transversal às unidades funcionais da estrutura organizacional é a abordagem mais adequada para percepcionar os riscos e estimar o efeito das medidas correctivas introduzidas para os mitigar. Além disso, este modelo de processos suporta também outras iniciativas estratégicas relacionadas com a gestão deste risco, como são o caso das acções para melhoria da efi ciência opera-tiva e da gestão da continuidade do negócio.

O conjunto dos processos defi nidos é dinâmico, sendo adequado em função das alterações de práticas operacionais e de negócio, por forma a cobrir todas as actividades relevantes desenvolvidas. Assim, o Millennium bim, tem defi nida a sua própria estrutura de processos, a qual é periodicamente ajustada em função da evolução do negócio do Banco, para assegurar uma adequada cobertura das actividades de negócio (ou de suporte ao negócio) desenvolvidas.

A responsabilidade pela gestão dos processos foi atribuída a Process Owners (secundados por Process Managers), que têm por missão caracterizar as perdas operacionais capturadas no contexto dos seus processos, monitorar os respectivos KRI´s, realizar os exercícios de RSA (Risk Self Assessment), bem como identifi car e implementar as acções adequadas para mitigação das exposições ao risco opera-cional, contribuindo assim para o reforço dos mecanismos de controlo e para a melhoria do ambiente de controlo interno.

O Process Owner, é nomeado pela Comissão Executiva do Banco no momento da aprovação do processo, ou durante a vida útil do processo, com base no reconhecimento dos seus conhecimentos e experiência profi ssional no domínio das actividades desenvolvidas no seio dos processos pelos quais são responsá-veis. Em detalhe as responsabilidades dos Process Owners são as seguintes:

1. Manter e coordenar a estrutura do processo, garantindo níveis adequados de controlo; 2. Coordenar o envolvimento das Unidades Orgânicas que intervêm no processo,

3. Defi nir os objectivos do processo, conjuntamente com as Unidades Orgânicas intervenientes no mesmo;

4. Avaliar os riscos e controlos inerentes ao processo, bem como implementar as acções de mitigação ajustadas à materialidade do risco residual;

Referências

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