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Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira

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Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira

Mudanças Cambiais e o Efeito dos Fatores de

Crescimento ou Declínio das Receitas de Exportações

Brasileiras de Cacau em Amêndoas.

Antonio César Costa Zugaib

MS Economia Rural

Especialização em Comércio Exterior

FGV e FUNCEX

Ilhéus – Bahia

Junho - 2008

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Mudanças Cambiais e o Efeito dos Fatores de Crescimento ou Declínio das Receitas de Exportações Brasileiras de Cacau em Amêndoas.

Antonio César Costa Zugaib - Técnico em planejamento da CEPLAC-MAPA e Profº do Departamento de Economia da UESC-Ba.

Resumo - Neste artigo são analisados os efeitos da taxa de câmbio, da

quantidade exportada e do preço internacional do cacau em amêndoas sobre a receita de exportação dessa commodity, no período de 1993/94 a 2007/08. A análise foi feita através do método shift-share, que permite verificar o efeito isolado de cada uma das variáveis estudadas sobre a referida receita. Os resultados apontaram que, mesmo diante de uma situação às vezes adversas do câmbio e do preço internacional, a quantidade exportada foi condição predominante para que as receitas com exportações de cacau em amêndoas se mantivessem em declínio por quase todo o período. Pode-se observar ainda que a desvalorização do câmbio adotada pelo governo brasileiro a partir de 1999 foi decisiva no crescimento das receitas e atualmente a valorização do câmbio está sendo nociva ao crescimento dessas mesmas receitas com exportações de cacau em amêndoas.

Palavras-chave: taxa de câmbio, receita de exportação, cacau em amêndoas. 1. Introdução

As exportações do agronegócio continuam apresentando um excelente desempenho. O saldo da balança comercial global do país continua sendo sustentado pelo saldo da balança comercial do agronegócio. Um dos mais significativos aspectos da transformação que a economia brasileira vem experimentando é o crescimento da importância do agronegócio nacional no cenário mundial. Hoje, assim como se reconhece que a China caminha para dominar o setor industrial e a Índia, o segmento de serviços associado à tecnologia da informação, existe uma disseminada percepção de que o Brasil é um importante agente em boa parte do ramo do setor agroalimentar e agroenergético (Conjuntura Econômica, 2006).

Diante de um quadro em que a receita brasileira com as exportações de cacau em amêndoas nos anos 90 e no começo do século XXI, apresentou uma queda significativa, pretendeu-se analisar os fatores que têm afetado as receitas brasileiras de cacau em amêndoas no período analisado. Portanto, o presente trabalho teve por objetivo geral identificar os fatores que têm afetado as receitas de exportação de cacau em amêndoas e, mais especificamente, quantificar as variações nas receitas dos produtores provenientes da taxa de câmbio, do preço e da quantidade exportada.

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Para decompor os efeitos do câmbio, do preço e da quantidade na receita de exportação, foi utilizado o método diferencial-estrutural, também designado

shift-share, detalhado na metodologia. Segundo Shikida e Alves (2001), o estudo

pioneiro com o modelo foi elaborado por Curtis (1972) para analisar o desempenho das variáveis renda e emprego, decompostas em três efeitos — crescimento nacional, composição das atividades econômicas e diferenciação regional das atividades econômicas — para o período de 1960 a 1969.

Dentre os trabalhos analisados que utilizaram o modelo shift-share estão os de Igreja et al. (2005), Silva (1999), Santos e Silva (2001), Silva et al. (1999), Romão et al. (1989), Shikida e Alves (2001), Souza et al. (2002), Canuto e Xavier (1999) e Reis e Campos (1998). Segundo Romão et al. (1989), o método tem inúmeras possibilidades de aplicação, especialmente em economia regional, e, devido a essa vantagem, tem resistido ao tempo e à crítica. Aqueles que mais especificamente serviram de base para a elaboração deste trabalho foram os de Filgueiras et al. (2003) e Igreja et al. (2005) e Souza et al, (2007), sendo o último que usou este método para avaliar os mesmos objetivos deste trabalho com a cultura da soja.

Dessa forma, contribui-se com a literatura em economia agrícola ao abordar a análise das variações nas receitas de exportações de cacau em amêndoas considerando o detalhamento de seus componentes.

A seguir é feito um retrospecto do mercado nacional e internacional de cacau em amêndoas até período recente. Na seção 2, têm-se uma descrição do modelo analítico diferencial-estrutural e as fontes dos dados. Na terceira seção estão os resultados e a discussão, seguida da seção de conclusões.

1.1. Comportamento do Mercado Internacional e Nacional de Cacau em Amêndoas.

O mercado de cacau tem se caracterizado por ter suas principais variáveis envolvidas um comportamento muito variado e cíclico. Na década de 70, mais especificamente na safra 19776/77, o estoque mundial era muito baixo, em torno de 276 mil toneladas de cacau em amêndoas. Isto só era suficiente para abastecer as indústrias em 2,3 meses de operação. Os preços internacionais experimentavam uma alta jamais presenciada na história, preços médios de US$ 3.622/t. Estes preços serviram para incentivar o aumento na produção de cacau em amêndoas em todo o mundo. O Brasil, a Malásia e principalmente a Costa do Marfim aumentaram muito a sua produção e conseqüentemente a produção mundial deu um salto significante, saltando de 1.342 mil toneladas em 1976/77 para 2.506 mil toneladas em 1990/91. Foram sete superávits seguidos entre 1984/85 e 1990/91. Os estoques mundiais cresceram vertiginosamente para 1.663 mil toneladas de cacau em amêndoas, e as indústrias aumentaram sua margem de segurança para operar com estes estoques durante 8,6 meses. A lei da oferta e da procura funcionou plenamente e os preços internacionais despencaram para US$ 1.193/t. A safra 2006/07 encerrou com um déficit de 255 mil toneladas, os

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estoques caíram para 1.587 mil toneladas, 5,2 meses de operação das indústrias e os preços subiram para US$ 1.854/t. Atualmente, o mercado opera com previsão de déficit de 41 mil toneladas e os preços estão girando em torno de US$ 2.500/t. (Figura 1).

Figura 1 –Comportamento do Mercado Internacional de Cacau em Amêndoas

A situação do mercado interno de cacau em amêndoas se apresenta em um cenário um pouco diferente do mercado internacional. Em virtude dos preços internacionais baixos experimentados principalmente na década de 90, condições climáticas desfavoráveis e principalmente o aparecimento da doença vassoura-de-bruxa no estado da Bahia, a produção brasileira declinou de 384 mil toneladas em 1990/91 para 123 mil toneladas em 1999/2000. Nesta situação, o Brasil se viu obrigado a importar cacau em amêndoas para abastecer suas indústrias e preservar os empregos dos funcionários existentes no parque industrial do cacau, e em 1992/93 realizou sua primeira importação significativa, 2.171 toneladas de cacau em amêndoas. É necessário frisar que este trabalho tomou como base à safra brasileira que começa em 1 de maio e se encerra em 30 de abril. De acordo com a tabela 1, verifica-se que o déficit existente no mercado interno situa-se em torno de 82 mil toneladas. As conseqüências deste cenário é que o Brasil reduziu bastante suas exportações de cacau em amêndoas para atender a necessidade de suas indústrias que operam no mercado interno. As exportações que em 1990/91 atingiam 112 mil toneladas se reduziram vertiginosamente para 764 toneladas em 2007/08. As indústrias necessitando de cacau em amêndoas para suprir seu parque moageiro estão pagando cerca de US$ 300 a 400 acima do preço internacional cotado na Bolsa de mercadorias de Nova York.

-1000 -500 0 500 1000 1500 2000 2500 3000 3500 4000 1 9 6 0 /6 1 1 9 6 2 /6 3 1 9 6 4 /6 5 1 9 6 6 /6 7 1 9 6 8 /6 9 1 9 7 0 /7 1 1 9 7 2 /7 3 1 9 7 4 /7 5 1 9 7 6 /7 7 1 9 7 8 /7 9 1 9 8 0 /8 1 1 9 8 2 /8 3 1 9 8 4 /8 5 1 9 8 6 /8 7 1 9 8 8 /8 9 1 9 9 0 /9 1 1 9 9 2 /9 3 1 9 9 4 /9 5 1 9 9 6 /9 7 1 9 9 8 /9 9 2 0 0 0 /0 1 2 0 0 2 /0 3 2 0 0 4 /0 5 2 0 0 6 /0 7 Anos Q u a n tid a d e e m M il T

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Tabela 1 - Comportamento do Mercado Interno de Cacau em Amêndoas.

Além disso, o Brasil mudou também de comportamento, ou seja, ao invés de exportar matéria-prima, passou a exportar produtos semi-industrializados ou processados com maior valor agregado. Em 1983 o Brasil exportava 55% de cacau em amêndoas passou a exportar 1% em 2007. Neste mesmo período, o produto processado manteiga de cacau que se exportava 12%, passou a ser exportado 39%. O líquor saiu de 19% para 15%. A torta de cacau se manteve estabilizada em 10% e o cacau em pó passou de 4% para 35%. (Figura 2)

Consumo Aparente

Ano safra Prod. Bras. + Moagem Sup/Def Sup/Def

brasileiro Bahia Brasil Importação Exportação Import - Export Brasil Antes Imp Depois Imp

90/91 356.327 384.327 0 111.952 272.375 224.884 47.491 47.491 91/92 253.796 280.796 0 67.688 213.108 205.744 7.364 7.364 92/93 245.997 271.997 2.171 88.805 185.363 190.552 -7.360 -5.189 93/94 294.775 319.775 1.402 105.422 215.755 219.770 -5.417 -4.015 94/95 234.504 257.504 8.278 67.841 197.941 190.843 -1.180 7.098 95/96 160.390 181.390 259 15.345 166.304 173.687 -7.642 -7.383 96/97 177.315 199.815 29.501 29.026 200.290 179.812 -9.023 20.478 97/98 152.381 180.049 23.765 5.550 198.264 182.458 -7.959 15.806 98/99 134.383 164.750 20.886 4.171 181.465 188.092 -27.513 -6.627 99/00 98.617 123.006 85.102 3.888 204.220 199.487 -80.369 4.733 00/01 105.454 129.347 60.865 2.064 188.148 194.068 -66.785 -5.920 01/02 129.329 157.209 32.996 3.204 187.001 179.605 -25.600 7.396 02/03 101.118 130.334 75.461 3.285 202.510 190.394 -63.345 12.116 03/04 144.195 175.567 40.100 1.676 213.991 206.117 -32.226 7.874 04/05 122.344 170.800 47.303 983 217.120 201.474 -31.657 15.646 05/06 139.584 164.773 53.695 1.035 217.433 215.000 -51.262 2.433 06/07 110.244 137.946 74.712 397 212.261 220.000 -82.451 -7.739 ´07/08 104.681 142.974 69.643 764 211.853 225.000 -82.790 -13.147 Safra de 01/05 a 30/04 Exp e Import 07/08 até Fev 2008 Produção até Mar 2008 Fonte: CEPLAC/Cacaunet

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Figura 2 – Comportamento das Exportações Brasileiras de Cacau em Amêndoas e Derivados. (%)

Conforme Couto, (2000), encontra-se na literatura várias formas de se abordar a estrutura da cadeia produtiva do cacau e do chocolate. A forma predominante, que certamente decorre da convergência de interesses mais explícitos, é a análise que identifica e separa, de um lado, a lavoura, de outro, a indústria. Esta última subdivide-se em indústria processadora e indústria chocolateira. Nagai et al. (1998), analisando a produção industrial do chocolate cobertura, definem uma tipologia onde pelo menos quatro segmentos constituem a cadeia produtiva do chocolate no Brasil: 1) fazendas de cacau; 2) indústria processadora de amêndoas; 3) indústria de chocolate cobertura; 4) indústria chocolateira.

De acordo com Zugaib (2006), o mercado de cacau é caracterizado pela alta

concentração, caracterizando um mercado oligopsônico, no trabalho em referência deduz-se que, um aumento no preço do produto final, por exemplo, manteiga de cacau contribuirá para aumentar o lucro do oligopsônio, no caso as indústrias processadoras e caso aumente o preço do chocolate os beneficiados serão às indústrias chocolateiras, ficando o produtor agrícola com a mesma receita anterior. A estrutura de mercado de cacau determina ou fortemente influencia como as firmas se comportam neste mercado, ou seja, como elas fixam preço, determinam o nível de produto, adotam novas tecnologias, realizam propaganda, diferenciam o produto, entre outras práticas. Dependendo de como as firmas se comportam (conduta), chega-se à performance do mercado. Nesse sentido, o produtor da matéria-prima cacau em amêndoas sempre saiu prejudicado na cadeia produtiva.

0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007

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2. Metodologia

2.1 Modelo analítico

A análise das variações na receita de exportação brasileira de cacau em amêndoas foi feita pelo método diferencial-estrutural, também designado

shift-share. Este método permite decompor o efeito de algumas variáveis sobre a

receita das exportações da referida commodity.

Silva e Carvalho (1995 apud Reis; Campos, 1998) afirmam que esta metodologia permite mensurar os efeitos da variação cambial sobre os preços entre diferentes momentos no tempo. Com isso, é possível verificar o efeito das diferentes políticas cambiais sobre um mercado específico, como o de cacau em amêndoas. Os efeitos são captados pelas variações de seus componentes no tempo, e não se considera a interação entre as fontes; por isso, quando se analisa um dos efeitos, o outro é dado como constante. Este estudo se diferencia dos anteriormente citados por tratar da receita de exportação de cacau em amêndoas no período de 1993/1994 a 2007/08 e pelo fato de os efeitos aqui estudados serem decompostos em efeito preço, efeito câmbio e efeito quantidade, os quais serão mais bem detalhados adiante.

A receita da exportação de cacau em amêndoas é definida da seguinte forma:

R = Q.PR$ (1)

em que R é a receita em real decorrente da exportação de cacau em amêndoas; Q, a quantidade de cacau em amêndoas exportado em tonelada; e PR$, o preço da

tonelada de cacau em amêndoas em reais recebido pelo exportador brasileiro. Como o preço do cacau em amêndoas é definido no mercado internacional, a conversão para preço em reais é obtida pelo produto da taxa de câmbio real pelo preço em dólares:

PR$ = λ. PUS$ (2)

em que PUS$ é o preço em dólar recebido pelo exportador brasileiro e λ, a taxa de

câmbio real (R$/US$).

Substituindo (2) em (1), tem-se que a receita da exportação de cacau em amêndoas é resultante da quantidade exportada, da taxa de câmbio e do preço internacional do cacau em amêndoas, ou seja:

R = Q . (λ. PUS$) (3)

A análise será anual, ou seja, será obtida a taxa anual de crescimento ou decrescimento da receita das exportações de cacau em amêndoas, resultante da variação ocorrida entre o ano analisado (t) e o ano anterior (0). As expressões (4)

(8)

e (5) apresentam a variação da receita de exportação de cacau em amêndoas em reais, respectivamente, para o período inicial “0” e o período final “t”:

R0 = Q0. (PUS$0 . λ0) (4)

Rt = Qt . (P US$t . λt) (5)

Na expressão (6), tem-se o “efeito preço”, que indica a variação na receita em reais ocorrida devido à variação no preço em dólares, e na expressão (7), o “efeito câmbio”, que capta o efeito da variação da taxa de câmbio sobre a receita. Observe que, ao calcular cada um dos efeitos, os demais serão sempre considerados constantes:

RPt = Q0 . (PUS$t . λo) (6)

Rλt = Q0 . (PUS$t . λt) (7)

O efeito total ou a variação total na receita das exportações de cacau em amêndoas, em reais, do período inicial para o final, é definido por:

Rt – Ro = (RPt - Ro) + (Rλt - RPt) + (Rt - Rλt) (8)

em que Rt – Ro é a variação total na receita em reais; (RPt - Ro) mede a

contribuição do preço internacional para a variação da receita; (Rλt - RPt) mede a

contribuição do efeito câmbio e (Rt - Rλt) afere a contribuição da variação no

volume exportado, ou seja, o “efeito quantidade”, representando a variação da receita devido à variação do volume exportado.

Na expressão (8), é possível observar cada um dos três efeitos individualmente ou somados como a expressão apresenta, sendo, nesse caso, a taxa anual de crescimento da receita de exportação. Para descobrir a participação de cada um dos efeitos na variação total das receitas de exportação, multiplicam-se ambos os lados da expressão (8) por 1/(Rt - Ro); logo, tem-se:

(RPt - Ro) (Rλt - RPt) (Rt - Rλt)

1 = --- + --- + --- (9) ( Rt – Ro) ( Rt – Ro) ( Rt – Ro)

Pode-se ainda representar cada um dos efeitos estudados em percentual do efeito total, realizando a multiplicação dos dois lados da identidade (9) por:

i = (t√Rt – Ro – 1).100, e, com t = 1, tem-se [(Rt / Ro) - 1].100, em que i

representa a taxa média anual (em %) de variação da receita das exportações, ou seja, o efeito total. Assim, os efeitos que atuam sobre a receita de exportação, em percentual, são dados por:

(RPt - Ro) (Rλt - RPt) (Rt - Rλt)

i = --- i + --- i + --- i (10) ( Rt – Ro) ( Rt – Ro) ( Rt – Ro)

(9)

em que os três termos à direita do sinal de igualdade representam os três efeitos, em percentual, na mesma seqüência da expressão (8).

2.2. Coeficiente de Variação

Se dispomos apenas dos valores das estimativas e da média (xﺒ) e do desvio padrão (ô), podemos obter a estimativa do coeficiente de variação, dada por: ô

CV = --- __ X

2.3. Taxa média geométrica de crescimento

Para caracterizar a evolução das séries de preços, utilizou-se a taxa média geométrica de crescimento, cujo cálculo foi possível mediante o ajustamento, a partir da série de pontos observados, da função exponencial.

Yi = abt (1)

em que:

Yi = variável dependente b = (1+r)

t = tempo

Com o auxílio de logaritmos, pode-se linearizar a

função: logYi = loga + t(logb) (2) ou fazendo:

logYi = y ’ log a = a ’ logb = log(1+ r ) = b ’ tem-se:

y ’ = a ’ +b ’ t (3)

Após o ajustamento (pelo método dos mínimos quadrados), encontra-se a taxa média (anual) geométrica de crescimento (r), identificando-se o antilog de b’ [ou antilog (1+r)] e reduzindo-se 1:

(10)

2.4. Taxa de Câmbio Real

O período estudado correspondeu aos anos de 1993/94 a 2007/08, razão pela qual todos os dados têm o ano de 2007/2008 como base para deflacionamento. A taxa de câmbio real foi obtida a partir de taxas médias anuais para o período de 1993/94 a 2007/08, deflacionadas pelo critério da paridade do poder de compra da moeda, conforme a expressão (11), considerando a inflação doméstica e a inflação internacional:

p

λ = e --- (11)

P*

em que λ é a taxa real de câmbio do Brasil (R$/US$, base 2007/08); e, a taxa nominal de câmbio do Brasil (R$/US$); P*, a variação do índice de preços internacionais (IPC dos Estados Unidos, 2007/08 = 100); e p, o índice de preços domésticos (IGP-DI, 2007/08 = 100).

2.4 Fonte dos Dados

Os dados de quantidade exportada, preço e receita de exportação de cacau em amêndoas são da Secretaria do Comércio Exterior (MDIC, 2008); a taxa de câmbio nominal (R$/US$) foi obtida no site do Banco Central do Brasil; o Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna (IGP-DI), utilizado como Proxy para a inflação do Brasil, foi obtido na Fundação Getúlio Vargas (FGV-Dados, 2008); e, por fim, o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) dos Estados Unidos foi obtido no site do Banco Central dos Estados Unidos, 2008).

3. Resultados e Discussão

As quantidades exportadas de cacau em amêndoas no Brasil tiveram uma queda considerável, saindo de 105.422 toneladas em 1993/94 para apenas 764 toneladas em 2007/08, apresentando uma taxa geométrica de crescimento de -54,82% a.a. Essa queda nas quantidades exportadas de cacau em amêndoas foi em virtude da queda na produção de cacau em amêndoas na Bahia.

De acordo com Almeida, et al (2006), no caso do cacau, a forte redução da produção sul baiana foi decorrente de queda do preço do produto no mercado internacional, do acirramento da concorrência e da infestação da vassoura-de-bruxa nos plantios. Houve um declínio considerável da área destinada à cultura, especialmente no subperíodo 2000/2002, tanto pela redução natural (efeito escala) como pela reconversão via efeito substituição. No total do período, de 1985/2002, somente as culturas do cacau e da laranja sofreram redução na produção. Esse declínio ocorreu, especialmente, a partir da implantação do Plano

(11)

Real, que pode estar associado, em parte, as políticas cambiais de valorização da moeda nacional, implicando perdas para produtos exportáveis.

Os preços internacionais iniciaram com US$ 1.034/t em 1993/94 passaram para US$ 2.151/t em 2002/03 caiu no ano seguinte para US$ 1.493/t para depois se recuperar em 2007/08 com US$ 2.500/t., apresentando uma taxa de crescimento no período 1993/94 a 2007/08 de 9,19% a. a..

A taxa de câmbio real teve um comportamento variado, iniciou valorizada em 1994/95 com R$ 1,00 valendo US$ 0,91, desvalorizou em seguida em 1999/00 com US$ 1,00 valendo R$3,17, atingiu o ápice em 2002/03 com US$1,00 valendo R$ 4,09 e posteriormente em 2007/08 se valorizou com US$ 1,00 passando a valer R$ 1,83. O câmbio real teve uma taxa geométrica de crescimento de 13,58% a.a.

As receitas com exportações de cacau em amêndoas, principalmente em função da queda na quantidade exportada, também teve uma redução considerável. Iniciou com R$ 82 milhões exportados, foi a R$ 6 milhões em 2000/01, recuperou-se em 2002/03 com R$ 29 milhões para em recuperou-seguida cair para R$ 3 milhões em 2007/08. As receitas com exportações com cacau em amêndoas tiveram uma taxa geométrica de crescimento de -43,96% a.a.. (Figura 3 e tabela 2).

(12)

Figura 3 – Receita de exportação de cacau em amêndoas, taxa de câmbio real, preço de cacau em amêndoas em US$/t e volume exportado – 1993/94 – 2007/08.

Conclusões

Referências

De acordo com a tabela 2 ao analisar o coeficiente de variação (C.V), pode-se observar que a quantidade exportada foi a variável que apresentou maior variação (186,10%). Os dados mostram que o preço foi cíclico, provavelmente em virtude da apresentação de superávits intercalados pela apresentação de déficits no mercado internacional de cacau em amêndoas. Para esta variável observou-se um coeficiente de variação de 26,85% entre 1993/94 e 2007/08

A taxa de câmbio refletiu-se claramente na política adotada nos primeiros anos do Plano Real, inicialmente valorizado, com forte desvalorização a partir de 1999. Essa desvalorização é refletida na média do período, pois os anos em que a taxa de câmbio esteve acima da média condizem com a desvalorização do real. Seu coeficiente de variação reflete uma oscilação média comparativamente às demais variáveis, e o coeficiente de variação representa essa oscilação, com percentual de 37,02%. Essa política, ora desvalorizando ora valorizando a moeda nacional, reflete uma indecisão quanto à valorização dos produtos a ser exportados ou importados no país.

Volume de Cacau em Amêndoas Exportado pelo Brasil - Período 1993/94 a 2007/08

0 20.000 40.000 60.000 80.000 100.000 120.000 1993/94 1994/95 1995/96 1996/97 1997/98 1998/99 1999/00 2000/01 2001/02 2002/03 2003/04 2004/05 2005/06 2006/07 2007/08 Volume de Cacau em Amêndoas em t

Taxa de Câmbio Real

0,00 0,50 1,00 1,50 2,00 2,50 3,00 3,50 4,00 4,50 1993/94 1994/95 1995/96 1996/97 1997/98 1998/99 1999/00 2000/01 2001/02 2002/03 2003/04 2004/05 2005/06 2006/07 2007/08 Câmbio R$/US$

Preço de Cacau em Amêndoas Exportados pelo Brasil - Período 1993/94 a 2007/08

0 500 1.000 1.500 2.000 2.500 3.000 1993/94 1994/95 1995/96 1996/97 1997/98 1998/99 1999/00 2000/01 2001/02 2002/03 2003/04 2004/05 2005/06 2006/07 2007/08 Preço de Cacau em Amêndoas em US$/t

Receita Brasileira com Exportação de Cacau em Amêndoas

0,00 10.000.000,00 20.000.000,00 30.000.000,00 40.000.000,00 50.000.000,00 60.000.000,00 70.000.000,00 80.000.000,00 90.000.000,00 100.000.000,00 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15

(13)

Toda essa variação nas quantidades exportadas, nos preços internacionais e no câmbio se refletiu nas receitas brasileiras com cacau em amêndoas que teve no período analisado um coeficiente de variação de 110,36%, considerado alto.

Tabela 2 – Quantidade, Preço, e Receita das Exportações Brasileiras de Cacau em Amêndoas e Câmbio Real – 1993/94 a 2007/08

Ano Quantidade Preço Câmbio Real Receita em R$

(1.000 t) (US$/t) US$/R$ 1993/94 105.422 1.034 0,76 82.633.993,59 1994/95 67.841 1.281 0,91 79.044.423,66 1995/96 15.345 1.351 2,10 43.566.868,67 1996/97 29.026 1.413 2,13 87.230.763,49 1997/98 5.550 1.688 2,18 20.416.151,07 1998/99 4.171 1.601 2,64 17.613.552,03 1999/00 3.888 1.156 3,17 14.245.348,31 2000/01 2.064 1.022 3,07 6.474.087,22 2001/02 3.204 1.243 3,62 14.409.001,19 2002/03 3.285 2.151 4,09 28.894.982,99 2003/04 1.676 1.453 3,23 7.863.394,89 2004/05 983 1.721 2,92 4.937.063,96 2005/06 1.035 1.655 2,35 4.024.057,68 2006/07 397 1.945 2,21 1.706.019,34 2007/08 764 2.500 1,83 3.488.868,66 Média 16.310 1.548 2,48 27.769.905,12 Desvio Padrão 30.353 415 0,92 30.645.536 CV (%) 186,10 26,85 37,02 110,36 TGC -54,82 9,19 13,58 -43,96

Na Tabela 3 são apresentados os resultados da decomposição dos três efeitos sobre a receita de exportação de cacau em amêndoas. É possível observar cada um dos três efeitos individualmente ou somados como a expressão apresenta, sendo, nesse caso, a taxa anual de crescimento da receita de exportação. A análise será anual, ou seja, será obtida a taxa anual de crescimento ou decrescimento da receita das exportações de cacau em amêndoas.

As receitas com exportações de cacau em amêndoas apresentaram em quase todo o período um efeito total negativo. Na Tabela 2 são apresentados os resultados da decomposição dos três efeitos sobre a receita de exportação de cacau em amêndoas. O efeito total mostra que a receita de exportação apresentou declínio em quase todos os anos, com quedas acentuadas em 1997/98, 2003/04 e 2006/07, de -76,60%, -72,79% e -57,60%, respectivamente. Em 1997/98, a forte queda nas quantidades exportadas (-99,00%) não pôde ser sustentada pela melhor posição dos preços internacionais (19,49%) e pela taxa de câmbio (2,91%) suavemente desvalorizada.

(14)

Uma segunda redução na receita comparativamente ao ano anterior foi em 2003/04, ocasionada pela situação adversa nas três variáveis que a determinam: a quantidade exportada caiu (-26,13%), o câmbio se valorizou (-14,22%) e o preço internacional declinou mais acentuadamente (-32,44%), sendo a principal causadora da queda na receita.

O terceiro e último retrocesso na receita aconteceu em 2006/07, proporcionado pela pequena valorização da taxa de câmbio (-7,03) e queda acentuada das quantidades exportadas (-68,13), uma vez que o crescimento dos preços internacionais (17,56%) não foi suficiente para sustentar a receita, que declinou em –57,60% com relação ao ano anterior.

Tabela 3 – Decomposição da taxa anual de crescimento das receitas de exportação de cacau em amêndoas (em %) de 1993/94 a 2007/08

Ano Efeito Quantidade Efeito Preço Efeito Câmbio Efeito Total

1994/95 -52,99 23,89 24,76 -4,34 1995/96 -188,56 5,46 138,21 -44,88 1996/97 94,37 4,56 1,29 100,22 1997/98 -99,00 19,49 2,91 -76,60 1998/99 -28,52 -5,12 19,92 -13,73 1999/00 -5,89 -27,85 14,61 -19,12 2000/01 -40,16 -11,57 -2,82 -54,55 2001/02 79,19 21,66 21,71 122,56 2002/03 4,94 72,98 22,60 100,53 2003/04 -26,13 -32,44 -14,22 -72,79 2004/05 -44,26 18,46 -11,41 -37,21 2005/06 4,10 -3,87 -18,72 -18,49 2006/07 -68,13 17,56 -7,03 -57,60 2007/08 98,24 28,55 -22,28 104,50

Como podemos verificar as receitas com exportações de cacau só tiveram um efeito total positivo nos anos de 1996/97, 2001/02, 2002/03 e 2007/08, nos outros anos o efeito total foram todos negativos. Se fizermos uma análise mais detalhada nos anos em que os efeitos foram positivos podemos verificar que no ano 1996/97, os efeitos preço e câmbio pouco contribuíram para o crescimento das receitas com exportações de cacau em amêndoas, respectivamente 4,56% e 1,29%, sendo o efeito quantidade (94,37%), o que mais contribuiu. Já no ano de 2001/02 apesar dos efeitos preço e câmbio contribuírem positivamente para o crescimento das receitas com exportações com 21,66% e 21,71%, respectivamente, o efeito quantidade mais uma vez foi que mais contribuiu com 79,19%. Porém, no período 2002/03, todos os três efeitos contribuíram para aumento das receitas com exportações de cacau em amêndoas, mas foi o efeito preço e câmbio que foram decisivos com 72,98% e 22,60%, respectivamente. Os preços internacionais chegaram a US$ 2.151/t e o real apresentava a sua maior desvalorização no período. O efeito quantidade contribuiu muito pouco, 4,94%. No

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ano de 2007/08 apesar do câmbio se encontrar valorizado tendo apresentado um efeito negativo de –22,28%, o efeito quantidade e o efeito preço positivos, 98,24% e 28,55%, respectivamente, fizeram com que o efeito total das exportações tivessem um crescimento de 104,50%. O aumento do efeito preço nas exportações brasileiras deve ter sido influenciado pelo aumento dos preços no mercado internacional.

Não houve predomínio integral de nenhum efeito por todo o período analisado, conforme a figura 5; como foram anos de grandes variações na taxa de câmbio, na quantidade exportada e nos preços, houve variação de efeito total dominante ano a ano. Porém, notou-se um maior predomínio negativo do efeito quantidade sobre a receita de exportação de cacau em amêndoas na maior parte do período analisado, com exceção dos anos 1996/97, 2002/03 e 2007/08 .

Figura 5 - Decomposição da taxa anual de crescimento das receitas de exportação de soja em grão (em %) — 1995 a 2005.

O efeito preço, ou seja, as variações do preço internacional do cacau em amêndoas sobre a receita de exportação, predominaram nos anos de 2001/02 e 2002/03, de plausível crescimento nas receitas proporcionado pela melhoria das três variáveis.

Em janeiro de 1999, a política de preservação do câmbio valorizado chegou ao seu fim, principalmente por causa da crise russa, que provocou a aceleração na perda de reservas internacionais. Como a política se tornou insustentável, os responsáveis pela política macroeconômica permitiram a livre flutuação do câmbio

-100% -80% -60% -40% -20% 0% 20% 40% 60% 80% 100% 1994/95 1995/96 1996/97 1997/98 1998/99 1999/00 2000/01 2001/02 2002/03 2003/04 2004/05 2005/06 2006/07 2007/08 Efeito Câmbio Efeito Preço Efeito Quantidade

(16)

brasileiro. Como conseqüência às variações no efeito câmbio contribuíram para melhoria das receitas com exportações nos anos de 2001/02 e 2002/03, quando ocorreram desvalorizações cambiais significantes.

Como demonstrado nos dados, desde o pico máximo do câmbio real, em 2002/03, o real tem se valorizado diante do dólar, o que tem prejudicado acentuadamente as receitas dos exportadores de commodities, como os cacauicultores brasileiros. Observe que, devido a elevações do volume exportado e ao preço internacional, a receita ainda cresceu em 2001/02 e 2002/03, a partir daí sucessivas valorizações cambiais foram decisivas para reduzir as receitas com exportações brasileiras de cacau em amêndoas.

Observa-se que a taxa de câmbio é uma variável-chave para a agricultura de exportação, tendo considerável efeito sobre a competitividade dos produtos brasileiros no exterior. O efeito da taxa de câmbio sobre o mercado de cacau em amêndoas foi evidente em 1995/96, em 2001/02 e 2002/03, mostrando correlação direta entre a taxa de câmbio e a receita das exportações de cacau em amêndoas. Sabe-se que a quantidade ofertada é largamente influenciada pelo preço e pela taxa de câmbio; porém a redução na quantidade ofertada foi em grande parte proveniente da doença vassoura-de-bruxa.

Conclusões

Analisando os resultados obtidos, pode-se verificar que o efeito quantidade, ou seja, a quantidade exportada de cacau em amêndoas, foi a variável mais relevante para explicar o declínio das receitas brasileiras de exportação da referida

commodity. Esse decréscimo nas quantidades exportadas de cacau em amêndoas

foi em conseqüência da baixa dos preços internacionais, de condições climáticas adversas e principalmente da doença vassoura-de-bruxa que contribuíram reduzir a produção brasileira de cacau em amêndoas.

Destaca-se o período 2001/02 e 2002/03 para o crescimento das receitas com exportações de cacau em amêndoas. No ano de 2001/02 apesar dos efeitos preço e câmbio contribuírem positivamente para o crescimento das receitas com exportações com 21,66% e 21,71%, respectivamente, o efeito quantidade foi que mais contribuiu com 79,19%. Porém, no período 2002/03, todos os três efeitos contribuíram para aumento das receitas com exportações de cacau em amêndoas, mas foi o efeito preço e câmbio que foram decisivos com 72,98% e 22,60%, respectivamente.

Isto significa que o câmbio tem um efeito positivo e a sua desvalorização contribui enormemente com os produtos de exportação. Atualmente o mercado tem experimentado altas, como em 2007/08, US$ 2.500/t, com um câmbio cotado a US$ 1,0=R$ 1,83, e um ágio no mercado interno estipulado em US$ 400, o preço

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estaria em R$ 71,00/@, mas o mercado interno poderia estar pagando um valor superior se o câmbio estivesse por exemplo, a mesma cotação cambial real de 2002/03, US$ 1,00=R$4,09. Isto significaria para o produtor estar recebendo internamente R$ 160,00 por arroba de cacau exportada, o que aumentaria a sua renda e contribuiria para compensar as perdas na receita ocorridas com o aparecimento da doença vassoura-de-bruxa.

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