5. Corrosão Intergranular
Corrosão localizada na zona ou na vizinhança dos
limites de grão
Em geral os limitres de grão (zonas intercristalinas)
têm energia mais alta e por isso são ligeiramente mais reactivos. Composição também pode variar nos limites de grão.
Regra geral não constitui um problema grave. A
excepção mais comum é a dos:
Aços inoxidáveis austeníticos: AISI 304 (18-8)
0,06 - 0,08% C
Formação de Cr23C6 (carbonetos de Cr), insolúveis
no ferro a T elevada (450ºC- 800ºC)
Vizinhança dos cordões de soldadura - zona
afectada termicamente
5. Corrosão Intergranular
Aço inox 304
Comportamento inox ocorre em ligas de FeCr, para teores de Cr acima de ~13%. Formação de uma pilha entre a zona empobrecida em Cr (que deixa de ter o
5. Efeito térmico na soldadura
Durante a soldadura, o tempo de permanência na gama de temperaturas “perigosa” é maior a uma certa distância do cordão de soldadura do que na zona mais quente ‣ precipitação dos carbonetos de Cr nessa zona.
5. Corrosão Intergranular
Vizinhança dos cordões de soldadura - zona afectada
termicamente.
Prevenção:
1. Usar aços com baixo teor de C (< 0,02%) - aços xxxL
(304L)
2. Adição de estabilizantes (Ta, Ti…)
grande afinidade para o C, formando carbonetos
3. Realização de tratamentos térmicos (dissolução dos
6. Corrosão Selectiva
Dissolução selectiva de um componente (menos nobre) numa liga.
Ex: - Desaluminificação - Descobaltificação
-Dezincificação dos latões (70 Cu 30 Zn) liga toma cor avermelhada (Cu) Mecanismos propostos:
1. Dissolução simples do Zn por efeito galvânico
2. Dissolução conjunta seguida de re-deposição do Cu Dimensões globais da peça mantêm-se.
Zona atacada torna-se porosa, permeável e frágil.
Normalmente associada à existência de fase rica em Zn -Grafitização dos aços (corrosão grafítica), em ferros
6. Corrosão Selectiva
em camadas localizada Alto teor Zn baixo teor Zn
Meios ácidos alcalinos/ neutros
Corrosion Atlas, During, Elsevier
Prevenção:
- Remoção do Oxigénio (apesar de poder ocorrer na sua ausência) - Utilização de ligas com baixo teor de Zn (ex: 15%)
- Cuproníquel (70 - 90% Cu, 30 - 10% Ni)
- Adição de outros elementos de liga: Sn, As, Sb, P…
ex: Liga de almirantado (70Cu 30Zn 1Sn) - Evitar meios estagnados
Corrosão influenciada por Efeitos Mecânicos
7. Corrosão-Erosão
Corrosão- Erosão:
Corrosão provocada/ acelerada por movimento relativo metal/fluido
aumentar corrosão (remoção de óxidos da superfície,
efeito abrasivo…)
Movimento
diminuir a corrosão (caso da corrosão em meios
estagnantes; ex: picadas)
Estrangulamentos, cotovelos, ejectores de vapor...
Agravada pela presença de partículas sólidas
Corrosão influenciada por Efeitos Mecânicos
7. Corrosão-Erosão
Corrosão influenciada por Efeitos Mecânicos
8. Corrosão - Cavitação
Devida ao colapso de bolhas gasosas formadas por abaixamento da pressão abaixo da pressão de vapor
Hélices de navios, turbinas hidráulicas a vapor, bombas hidráulicas Colapso → onda de choque → destruição local do filme
Prevenção:
Aumento da pressão
Diminuição da velocidade Inibidores de corrosão
Corrosão influenciada por Efeitos Mecânicos
9. Corrosão sob Tensão
(stress corrosion cracking)
Fractura de um metal provocada
pelo efeito conjugado de um
meio corrosivo e de tensões de
tracção.
Corrosão sob tensão
Acção conjunta
tensão + processo de dissolução (sinergia) Grave em aços estruturais
com comportamento activo-passivo
(aços inox, estruturas de betão, ligas de Al) Velocidade aumenta com o tempo.
Corrosão influenciada por Efeitos Mecânicos
9. Corrosão sob Tensão
Paredes da fissura: catódicas Frente da fissura: anódica Fissuração (ramificada): Intergranular
Transgranular
Prevenção:
- Baixar a tensão mecânica aplicada
- Aplicar tratamentos térmicos
- Evitar espécies agressivas (ex: Cl- nos aços inox)
- Aplicação de um potencial catódico (
Protecção catódica
)
- Uso de
inibidores de corrosão
Corrosão influenciada por Efeitos Mecânicos
10. Corrosão sob Fadiga
Provocado por tensões cíclicas + meio corrosivo.
A fractura é transgranular e não ramificada.
Difere da fractura por fadiga pela presença de produtos de corrosão. Corrosão sob fadiga: suporta menos ciclos para a mesma tensão.
tensão tensão
Corrosão sob fadiga fadiga
Nº ciclos até fractura Nº ciclos até fractura
Ferrosos
Não-ferrosos Limite de fadiga
fadiga
Corrosão influenciada por Efeitos Mecânicos
10. Corrosão sob Fadiga
Prevenção:
- Uso de metais / ligas com boa resistência à fadiga
- Tratamentos térmicos (diminuir tensões internas)
- Aplicação de tensões de compressão
Corrosão influenciada por Efeitos Mecânicos
11. Corrosão com Fricção
antes depois
Superfícies em contacto sob carga, com vibração intensa ( motores,
carris de caminho-de-ferro, conjuntos metálicos aparafusados…)
Soldadura nos pontos de contacto, com destaque e oxidação
Prevenção:
- Lubrificação
- Fosfatação das superfícies
(acção lubrificante e protectora do fosfato)
- Diminuição da carga
12. Corrosão Biológica
Deterioração de um metal como consequência da actividade de organismos vivos.
Microorganismos: anaeróbios / aeróbios
a. Bactérias redutoras de sulfatos (H2 : r. catódica , celulose, açucares…): SO42- + 4 H
2 → S2- + 4 H2O ↓
sulfuretos de ferro (acelera a r. anódica)
Existem em solos compactos ou saturados de água b. Bactérias oxidantes de S:
2S + 3O2 + 2H2O → 2 H2SO4
campos petrolíferos, industriais, podem viver com pH mto baixo (a) e (b) actuam em ciclos; tubagens enterradas
c. Bactérias do ferro:
Corrosão Exfoliante
alumínio www.corrosion-doctors.org
Efeito do Hidrogénio
1. Empolamentos
(blistering)
:
difusão de H atómico através do
metal com acumulação em vazios no interior do metal, seguida
de deformação do metal
2. Fragilização
(embrittlement)
:
formação de hidretos (Ti, Fe,
aços), com perda de ductilidade e aumento da fragilidade
3. Descarburização
: perda de carbono no aço; altas
temperaturas, com humidade
4. Ataque químico
: altas temperaturas; reacção do hidrogénio
com um componente da liga
Efeito do Hidrogénio / Empolamento
ar electrólito
Tanques, industria petrolífera Protecção catódica com
Efeito do Hidrogénio / Fragilização
Aumenta com:
- concentração de hidrogénio no metal
- grau de tensão do metal
Muito perigosa com protecção catódica
Confunde-se por vezes com CST
Fragilização pelo H:
aumenta com correntes catódicas
Corrosão sob Tensão (CST):
Efeito do Hidrogénio / Prevenção
Uso de aço “limpo”
Aplicação de revestimentos (metálicos, orgânicos, inorgânicos)
Uso de inibidores
Remoção de
venenos
(sulfuretos, cianetos, compostos de As)
Ligas de níquel – baixa difusibilidade do H
Remoção do H por aquecimento
Resumo das principais formas de corrosão
Denny Jones,
Principles and Prevention of Corrosion, Prentice-Hall