Universidade de São Paulo
Escola de Artes, Ciências e Humanidades
Programa de Educação Tutorial – Sistemas de Informação (PET-SI) Data: 13 de março de 2016
De: Profa. Dra. Sarajane Marques Peres – Tutora do grupo PET-SI Para: Prof. Dr. Júlio Cerca Serrão – Presidente do CLAA-PET
Assunto: Documento complementar – Relatório 2016 do Grupo PET-SI
Em atendimento à solicitação de complementação do Relatório 2016 do grupo PET-SI, submetido no sistema SIGPET e anexado a este documento, seguem as considerações do grupo PET-SI sobre os aspectos do trabalho que vem sendo desenvolvido pelo grupo referentes a:
• Atividades de maior destaque • Impacto na graduação
• Aderência ao Projeto Político Pedagógico (PPP) • Inovação
Ressalta-se que as considerações aqui delineadas foram elaboradas em conjunto pelos atuais alunos integrantes do grupo PET-SI, sob orientação e com a colaboração da tutora do grupo.
Atividades de maior destaque
Dentre as várias atividades exercidas pelo grupo PET-SI, três se destacam: o Campeonato de Programação para Calouros do curso de Bacharelado em Sistemas de Informação (BXCOMP); a parceria com as escolas de ensino médio-técnico (ETECs) para Ensino de Programação (COMPETEC); e o Mapeamento sobre grupos PET da área de Computação. O conjunto dessas três atividades caracterizam a atuação do grupo PET-SI no ensino, pesquisa e extensão dentro da Universidade de São Paulo.
BXCOMP – Campeonato de Programação para Calouros do Curso de Bacharelado em Sistemas de Informação
O BXCOMP é o campeonato de programação para calouros de Sistemas de Informação. Trata-se de uma atividade anual, realizada sempre no segundo semestre do ano, constituída de sete etapas semanais de duração de duas horas nas quais em média 70 alunos ingressantes se envolvem com atividades de resolução de problemas via programação. A cada etapa, de dois a quatro problemas (desafios de programação) são propostos aos calouros, que trabalham em grupos de três a quatro alunos na busca de uma solução.
O objetivo do BXCOMP é proporcionar um ambiente lúdico de ensino e prática de programação para os calouros. O campeonato promove também a integração entre alunos e o trabalho em equipe para resolução de problemas. Além disso, existem alguns outros objetivos indiretos relacionados a essa atividade, como o estímulo e a preparação dos alunos para competições de programação e a contribuição para a redução no número de evasões comuns no primeiro ano do curso.
O BXCOMP é considerado a principal atividade realizada pelo grupo PET-SI e a mesma faz parte do calendário oficial de atividades do curso de bacharelado em Sistemas de Informação. Todo ano, alunos e professores esperam a realização do campeonato no segundo semestre. Em 2016 o campeonato teve sua sexta edição com a participação de 77 alunos calouros do curso. O maior indicador do destaque da atividade são os feedbacks positivos sobre a atividade, recebidos de participantes e professores. A figura 1 ilustra o ambiente de execução da atividade e também a foto final com todos os participantes da atividade.
Essa atividade tem produzido resultados bastante interessantes. A qualidade dos resultados tem possibilitado, inclusive, a elaboração de artigos científicos. Em anos anteriores, os resultados foram apresentados em eventos científicos da área de Sistemas de Informação e publicados em revistas da mesma área. Especificamente no ano de 2016, um artigo intitulado “The Freshmen Programming Competition in the Information Systems Undergraduate Program: A Longitudinal Analysis (2011--2015)” foi elaborado e está sob avaliação em um periódico internacional da área de educação em computação.
(a)
(b)
Figura 1: Ambiente de realização de uma etapa do BXCOMP (a); foto final da sexta edição do campeonato (b)
Mais informações sobre o campeonato podem ser obtidas nos seguintes sítios: • http://www.each.usp.br/petsi/bxcomp2016/
• http://www.each.usp.br/petsi/?page_id=5502 (publicações do grupo) COMPETEC – Parceria com ETECs para Ensino de Programação
A atividade COMPETEC se constitui de uma parceria firmada entre o grupo PET-SI e algumas escolas técnicas estaduais (ETECs) de ensino médio e técnico em informática, com o objetivo de potencializar o ensino de programação. Essa atividade é a que melhor representa o caráter de extensão das atividades realizadas pelo grupo, pois se estende para além do espaço da universidade, sendo realizada com professores
e para alunos de ensino médio técnico. O COMPETEC vem sendo realizado desde o segundo semestre de 2014.
Por meio da atividade COMPETEC, fazendo uso da dinâmica de dojos de programação, é possibilitado aos alunos um ambiente lúdico, cooperativo e colaborativo de aquisição de conhecimento sobre lógica de programação. Ainda, devido às características da dinâmica de dojos, os alunos também são motivados a promover o aprendizado em conjunto. O ambiente de execução da atividade COMPETEC segue ilustrado nas imagens da figura 2.
Figura 2: Ambiente de realização da atividade COMPETEC
Um objetivo marginal desta atividade é aproximar os alunos das ETECS à Universidade de São Paulo e ao curso de Sistemas de Informação, colocando o curso e a própria universidade dentro do rol de possibilidades de escolha para a continuidade de suas formações.
O COMPETEC ocorre em sessões aos sábados, no campus leste da USP. Em média, são realizadas 10 sessões de dojô por semestre. Atualmente, a atividade é realizada juntamente a cinco ETECs:
• ETEC Vila Formosa, • ETEC Zona Leste,
• ETEC Camargo Aranha, • ETEC Parque Belém, • ETEC Itaquera.
Assim como o BXCOMP, essa atividade também tem produzido resultados que estão sendo aceitos para divulgação acadêmica e científica. Os resultados foram apresentados no EPETUSP de 2016 e também organizados em um artigo científico aprovado para publicação na Revista ComInG (https://periodicos.ufsm.br/coming).
Mapeamento sobre grupos PET da área de Computação
O artigo intitulado "O programa de educação tutorial no contexto da graduação em computação: Perfis, percepções e reflexões", publicado no 22° WEI (Workshop sobre Educação em Computação da Sociedade Brasileira de Computação), e articulado e desenvolvido por membros do PET-Sistemas de Informação da Universidade de São Paulo juntamente com o PET-Computação da Universidade Estadual do Oeste do Paraná, foi o primeiro resultado obtido em uma atividade que objetivou mapear os grupos PET da área de Computação. Nesse mapeamento foram identificados e contatados 37 grupos PET da área de computação e sobre eles foram levantadas informações referentes às expectativas de seus atores (petianos, ex-petianos, tutores, coordenadores de curso e presidentes do CLAA), atividades realizadas, dificuldades encontradas e principais impeditivos para a obtenção de melhores resultados do PET.
Como resultado também desse mapeamento, uma aproximação dos 37 grupos foi possível, e também uma aproximação desses grupos à Sociedade Brasileira de Computação. Hoje, os grupos PET da área de computação tem um espaço permanente de discussão no Workshop sobre Educação em Computação da Sociedade Brasileira de Computação: a Reunião de Tutores dos Grupos PET da área de Computação.
Especificamente no ano de 2016, várias ações decorrentes desse mapeamento foram realizadas junto à SBC, ao WEI e ao CSBC – Congresso da Sociedade Brasileira de Computação:
• II Reunião de Tutores dos Grupos PET da área de Computação no WEI-CSBC; • Estande dos grupos PET da área de Computação, no CSBC (Figura 3)
• Estabelecimento de uma coluna na revista SBC Horizontes (http://horizontes.sbc.org.br)
• Edição especial da revista Computação Brasil (http://www.sbc.org.br/images/flippingbook/computacaobrasil/computa_32/CompBrasi l03_2016.pdf) (Figura 3) (a) (b) (c) (d)
Figura 3: Capa da revista Computação Brasil, edição especial sobre o Programa PET (a); imagem de petianos junto ao estande dos grupos PET no CSBC 2016; imagem dos petianos
junto ao portal do congresso CSBC 2016 (c); identidade visual criada pelo PET-SI para os grupos PET da área de computação (d).
Impacto na graduação
O grupo PET-SI entende que seu trabalho vem impactando a graduação sob dois aspectos: o primeiro diz respeito ao apoio que vem sendo dado ao ensino de programação e à motivação aos alunos do primeiro ano para o maior envolvimento com atividades de programação (essenciais para o desenvolvimento de um profissional competente em qualquer área da computação e de sistemas de informação); o segundo diz respeito à confiança adquirida em relação aos professores do curso e em especial em relação à comissão coordenadora de curso.
O impacto referente ao ensino de programação é decorrente da atividade BXCOMP. Por meio dela, alunos do primeiro ano do curso têm uma oportunidade de, fora da sala de aula, se envolver com atividades de programação aplicada. Os problemas resolvidos no campeonato são sempre contextualizados em situações reais. O campeonato permite que o aluno enxergue um lado da atividade de programação que é difícil de ser mostrado em sala de aula e, portanto, o BXCOMP cumpre um papel de reforço ao ensino em sala de aula e também de, eventualmente, desmotivação à evasão precoce do curso de Sistemas de Informação.
Há alguns indicadores quantitativos que mostram a eficiência da atividade. Esses indicadores foram obtidos por meio de uma análise longitudinal dos resultados do campeonato e compõem o conteúdo de um artigo científico que está em análise em um periódico internacional. De maneira resumida, esses indicadores mostram que os alunos que participam do campeonato de programação possuem um desempenho melhor do que aqueles que não participam, nas disciplinas de Introdução à Programação, Introdução à Análise de Algoritmos e Algoritmos e Estruturas de Dado I. Há também um dado referente a evasão. Segundo a análise realizada, que envolve dados dos anos de 2011 a 2015, a taxa de evasão em relação aos alunos que competem na atividade BXCOMP é de 6,45% enquanto que a taxa no grupo de alunos que não participam do BXCOMP é de 25,29%.
O segundo aspecto está ligado ao envolvimento do grupo PET-SI em atividades de apoio à Comissão Coordenadora de Curso. Os alunos do grupo PET-SI estão sempre à disposição da comissão para participar de atividades nas quais o curso precisa ser representado como: Feira de Profissões, visita de alunos do ensino médio ao campus da EACH ou recepção de calouros. Além disso, o PET-SI desenvolveu e mantem a homepage
do curso de Sistemas de Informação, a qual é constantemente alimentada por informações enviados aos alunos do PET pela própria comissão (http://www.each.usp.br/si/).
Ainda, sob uma perspectiva histórica e neste caso sob a visão da tutora do grupo, a implantação do grupo PET-SI impactou também no desenvolvimento de outras entidades do curso de SI (Diretório Acadêmico e Empresa Junior). Até o ano de 2010, embora ambas entidades citadas já existissem, sua atuação era tímida e desacoplada dos objetivos do curso de SI. Com a chegada do Programa PET, um grupo de alunos orientados por um professor (a tutora do grupo) começou a se destacar em termos de realização de atividades em benefício do curso de graduação, e naturalmente irradiou às outras entidades o entendimento de que todas poderiam e deveriam contribuir diretamente para o curso de graduação em aspectos acadêmicos.
Aderência ao Projeto Político Pedagógico (PPP)
Para analisar a aderência do trabalho do grupo PET-SI com as prerrogativas do PPP do curso de Sistemas de Informação, o grupo PET-SI decidiu fazer uma análise sob o ponto de vista do PPDP estabelecido para o grupo, em 2012 (http://www.each.usp.br/petsi/wp-content/uploads/2013/09/PPDP-PET-SI.pdf).
O Projeto de Políticas e Diretrizes Pedagógicas (PPDP) do Programa de Educação Tutorial-Sistemas de Informação (PET-SI) correlaciona-se com o Projeto Político Pedagógico (PPP) do curso em diversos aspectos. Há um forte alinhamento entre o perfil do aluno do grupo com o perfil do egresso proposto pelo PPP, visto que de ambos é esperado:
• qualidade técnica, desenvolvida pelos integrantes do grupo, por exemplo, por meio da excelência de trabalho buscada no desenvolvimento e manutenção de vários sítios web;
• qualidade científica, por meio da elaboração de uma iniciação cientifica das quais frequentemente decorrem artigos científicos;
• elevada habilidade ao contextualizar e resolver problemas via programação de computadores, aprimorada em atividades como Campeonato de Programação para Calouros (BXCOMP) e Dojos com ETECs (COMPETEC);
• habilidade e intenção de manter-se atualizado perante aos avanços na Computação, a qual é alcançada pelos integrantes do grupo e disseminada aos demais integrantes do curso via elaboração e publicação do jornal Coruja Informa.
O PET-SI também busca promover aos seus integrantes e aos demais alunos da graduação éticas e morais da prática profissional em Sistemas de Informação, visão estratégica e espírito empreendedor e inovador, de forma a buscar sempre o pioneirismo. O PPP carrega consigo a visão interdisciplinar que é diferencial da EACH através do Ciclo Básico e do incentivo do desenvolvimento humanístico do aluno. O PPDP partilha dessa visão, buscando sempre incentivar atividades inter e transdisciplinares por parte dos membros do grupo PET-SI. Nesse contexto, o PET-SI destaca que promove atividades inter e transdisciplinar principalmente em duas das suas atividades: na elaboração Coruja Informa (informativo) e na atividade de Café Filosófico.
Outrossim, os dois documentos valorizam o impacto positivo do curso de Sistemas de Informação na região ao redor do campus, estimulando sempre a difusão do conhecimento e do desenvolvimento científico e acadêmico. Corroborando com esse impacto, o Grupo PET-SI desenvolve atividades (COMPETEC e PET-VISITA) em escolas públicas da Zona Leste, e deve ainda aumentar sua atuação nesse contexto com a atividade referente à valorização da presença feminina na área da computação.
Em todos aspectos sob consideração, ocorre razoável integração entre os dois documentos, concluindo-se que o PPDP do grupo PET-SI cumpre a função de incentivar a agregação de valor ao curso por meio do trabalho do grupo PET.
Inovação
Considerando o ano de 2016, e sob um aspecto de inovação, o grupo PET-SI considera que a atividade de Mapeamento sobre grupos PET da área de Computação, é a que mais bem representa um caráter inovador no trabalho do grupo. Ela é a atividade que tem produzido os resultados mais inovadores, não apenas para o grupo PET-SI e seu entorno, como também para os demais grupos da área de computação. Essa atividade foi reconhecida pelo grupo de tutores da USP como o melhor trabalho apresentado no último EPETUSP.
A pesquisa realizada nesta atividade permitiu entender melhor os benefícios e as dificuldades do Programa PET dentro do contexto da computação, e incentivou uma troca de informações e ideias entre os grupos PET, fator que motivou parcerias e está ainda iniciando o desenvolvimento de toda a sua potencialidade.
O grupo PET-SI acredita que essa foi a primeira iniciativa do tipo realizada no Programa PET. Tendo partido de um levantamento de dados, tendo alcançado todo o território nacional, tendo produzido resultados muito bem recebidos por uma sociedade de representação da área acadêmica e industrial (SBC), tendo fisicamente aproximado vários grupos da área e tendo produzido meios para a continuidade do trabalho colaborativo. As próximas ações, além de terem o objetivo de continuar com as atividades junto à SBC, também promoverão reuniões entre os grupos PET da área da computação via videoconferência.
Ainda, no ano de 2016, o grupo PET-SI também iniciou ações para a realização de uma atividade de valorização da presença feminina no contexto da computação (acadêmico e profissional). Embora esse tipo de atividade não seja novidade, havendo muitas iniciativas parecidas, para o contexto do curso de bacharelado em Sistemas de Informação da EACH/USP, e para o contexto em que se pretende atuar nesta atividade – junto a alunas do ensino fundamental de escolas da Zona Leste de São Paulo, a atividade assume um caráter inovador. A atividade se encontra ainda em fase embrionária, de forma que não apresenta ainda resultados a serem relatados.
Sarajane Marques Peres, Dra. Tutora do grupo PET-SI