UNIVERSIDADE ESTADUAL DE FEIRA DE SANTANA
Departamento de Ciˆencias Exatas
Trabalho de Conclus˜ao de Curso
GRUPOS LIVRES: CONSTRUC
¸ ˜
AO E
PROPRIEDADES
Wallace de Oliveira
Feira de Santana Agosto de 2014
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE FEIRA DE SANTANA
Departamento de Ciˆencias Exatas
Trabalho de Conclus˜ao de Curso
GRUPOS LIVRES: CONSTRUC
¸ ˜
AO E
PROPRIEDADES
Trabalho de conclus˜ao de curso realizado sob a orienta¸c˜ao do Prof. Dr. Kisnney Emiliano de Almeida, como requisito parcial para a ob-ten¸c˜ao do t´ıtulo de Especialista em Matema-tica junto ao Departamento de Ciˆencias Exatas da Universidade Estadual de Feira de Santana.
Feira de Santana Agosto de 2014
Resumo
Grupos livres s˜ao grupos constru´ıdos de maneira abstrata que satisfazem duas impor-tantes propriedades: Qualquer fun¸c˜ao definida em um certo conjunto de geradores do grupo livre em um grupo qualquer pode ser estendida para um homomorfismo; e qualquer grupo pode ser escrito como quociente de um grupo livre. Nesse trabalho, faremos a constru¸c˜ao dos grupos livres e provaremos ambas as propriedades. Daremos mais foco `a primeira propriedade, chamada Propriedade Universal de Grupos Livres, com motiva¸c˜ao e exemplos.
Agradecimentos
Agrade¸co:
Primeiramente a Deus por ter me guiado em todos os momentos dessa dif´ıcil tarefa, pois sem ele o que eu poderia fazer? Afinal, se estou aqui nessa mesa descrevendo estes ´
ultimos momentos dessa aventura que ´e viver essa realidade matem´atica o principal cau-sador dessa busca minha pelo conhecimento foi O Senhor, ao Deus da minha Salva¸c˜ao
GL ´ORIAS, HONRA, MAJESTADE E PODER QUE VIVE E REINA PARA
TODO SEMPRE AM´EM. Nele sim posso falar como Paulo. “Posso Todas as coisas naquele que me fortalece.”
Em Segundo lugar, como n˜ao lembrar da minha amada esposa que tanto tem me agra-ciado com a sua paciˆencia, em me suportar mais um ano e meio na especializa¸c˜ao, e o seu amor por mim como entender?! Fato ´e que eu n˜ao mere¸co, por´em mesmo assim ela me ama e me faz compreender o que ´e viver um intenso amor. Mara, te amo! E, se consegui completar mais esta tarefa vocˆe tem grande culpa nisto. Obrigado por tudo e por ser t˜ao especial para mim.
Em terceiro lugar vem meus filhos queridos Wallace Jr. e Helo´a, onde relato as minhas falhas devido aos estudos, filho, filha; vocˆes tamb´em fazem “arte na minha hist´oria”.
Al´em dessas pessoas, n˜ao devo deixar de mencionar o meu excelso Prof. Dr. Kisn-ney Emiliano de Almeida que me ajudou bastante e soube me compreender ante a minha afli¸c˜ao que passei durante este curto per´ıodo do curso. “Professor vou continuar orando por vocˆe obrigado por acreditar em mim”.
Enfim, a todos que de forma direta e indireta me ajudarm, meus professores, meus colegas de curso, amigos que encontrei nesta casa, meu muit´ıssimo obrigado que Deus aben¸coe a todos. N˜ao posso deixar de mencionar novamente o que a B´ıblia diz a respeito do ensino a qual est´a arraigado no meu cora¸c˜ao:“De modo que, tendo diferentes dons
segundo a gra¸ca que nos foi dada, se ´e profecia, seja ela segundo a medida da f´e; se ´e minist´erio, seja em ministrar; SE ´E ENSINAR, HAJA DEDICAC¸ ˜AO AO ENSINO”; e finalizo com um singelo por´em grandioso Am´em.
Sum´
ario
1 Introdu¸c˜ao 7
2 Constru¸c˜ao de grupos livres 9
Cap´ıtulo 1
Introdu¸
c˜
ao
Um teorema ([2] pg, 40) bastante importante no estudo de transforma¸c˜oes lineares diz o seguinte:
Sejam E, F espa¸cos vetoriais e U = {u1, ..., un} uma base de E. A cada vetor
ui ∈ U , fa¸camos corresponder (de maneira arbitraria) um vetor u0i ∈ F . Ent˜ao
existe uma ´unica transforma¸c˜ao linear T : E → F tal que para todo i ∈ {1, ..., n}, T (ui) = u0i.
Uma quest˜ao que pode ser formulada ´e: O comportamento dessa transforma¸c˜ao linear com rela¸c˜ao a base U do espa¸co vetorial E seria o mesmo para um homomorfismo de grupos em rela¸c˜ao a um conjunto gerador A? Ou seja, dados um grupo G gerado por um conjunto A = {ai, i ∈ I}, um grupo H qualquer e um conjunto B = {bi, i ∈ I} ⊆ H,
existir´a sempre um homomorfismo de grupos η : G → H tal que η(ai) = bi para todo
i ∈ I ? Se n˜ao, para quais grupos G? Quanto `a quest˜ao se “existir´a sempre”, a resposta ´e n˜ao! Basta considerarmos o seguinte contra-exemplo:
Seja G = Z3 que ´e gerado por A = {1} e o grupo H = (R, +). Suponha que existe um
homomorfismo de grupos η : Z3 → R tal que η(1) = 2, ent˜ao ter´ıamos o seguinte:
6 = 2 + 2 + 2 = η(1) + η(1) + η(1) = η(1 + 1 + 1) = η(3) = η(0) = 0, o que ´e absurdo!
Agora se usassemos no lugar de Z3 o grupo G = Z ent˜ao existe um homomorfismo
de grupos η : Z → R tal que η(1) = 2; de fato basta definir η(l) = 2l para todo l ∈ Z tendo ent˜ao um homomorfismo. Isso nos leva a pensar no seguinte: O que torna Z mais
apropriado para que exista esse homomorfismo do que Z3? Veremos que a resposta est´a
nas suas rela¸c˜oes, que s˜ao equa¸c˜oes satisfeitas por elementos do grupo, enquanto que Z ´e livre de rela¸c˜oes o Z3 possui uma que o prende, definida por a3 = 0, onde a ´e o gerador
de Z3. Assim, podemos dizer que Z ´e “mais livre” do que Z3.
A partir dessa ideia, faremos no cap´ıtulo 2 a constru¸c˜ao de grupos livres, grupos sem rela¸c˜oes (n˜ao-triviais) constru´ıdos a partir de um mon´oide abstratamente baseado em um alfabeto arbitr´ario; e no cap´ıtulo 3 apresentaremos duas propriedades essenciais de grupos livres: a propriedade universal, que ´e um resultado semelhante ao teorema de ´algebra linear mencionado acima, e o fato de que todo grupo pode ser escrito como quociente de um grupo livre.
Cap´ıtulo 2
Constru¸
c˜
ao de grupos livres
O conceito de grupo livre surge a partir da necessidade de se construir um grupo sem condi¸c˜oes desnecess´arias que relacionem seus elementos, ou seja, cujos elementos n˜ao satisfazem nenhuma equa¸c˜ao al´em das que s˜ao satisfeitas por todos os grupos.
Exemplo 2.1. Seja (G, ·) um grupo, com elemento neutro 1 ∈ G, e g ∈ G. Ent˜ao, necessariamente
gg−1 = g−1g = 1.
Por outro lado, n˜ao necessariamente existe um n´umero natural n ∈ N tal que gn= 1.
Sejam g, h ∈ G. Necessariamente a equa¸c˜ao
ghg−5h9h−9g5h−1g−1 = 1
´e satisfeita. Por outro lado, existem muitas equa¸c˜oes envolvendo g e h que n˜ao neces-sariamente s˜ao v´alidas em G.
Defini¸c˜ao 2.2. Seja G um grupo. Chamamos as equa¸c˜oes envolvendo a opera¸c˜ao de G e seus elementos que s˜ao satisfeitas em G de rela¸c˜oes de G.
Exemplo 2.3. Seja G: = hai = {..., a−2, a−1, a0 = 1, a1, a2...} o grupo c´ıclico gerado por
a. Ent˜ao, Z ∼= hai.
Por´em, se nesse exemplo “modificarmos” o grupo G adicionando a ele a rela¸c˜ao a3 = 1,
ent˜ao teremos:
G ∼= Z 3Z
∼ = Z3.
Sendo assim, vamos, a partir de um conjunto denominado alfabeto A, montar uma estrutura abstrata de grupos livres de rela¸c˜oes.
Defini¸c˜ao 2.4. Seja A um conjunto finito chamado Alfabeto. Os elementos de A ser˜ao chamados de letras.
Exemplo 2.5. A = {a} neste caso o alfabeto ´e formado somente por uma ´unica letra “a”.
Exemplo 2.6. A = {a,b} neste caso o alfabeto ´e formado pelas letras “a” e “b”.
Exemplo 2.7. A = {a,b,c,d} neste caso o alfabeto ´e formado pelas letras “a”, “b”, “c” e “d”.
Defini¸c˜ao 2.8. Seja A um alfabeto. Uma palavra em A ´e uma sequˆencia finita de elementos de A.
Exemplo 2.9. Se A = {a,b,c}, ent˜ao ter´ıamos como exemplo as seguintes palavras: ∗ baabcabab que vamos notacionar da seguinte forma: ba2bcabab;
∗ aaabbbbb que vamos nota¸cionar da seguinte forma: a3b5,
ou seja, quando uma letra se repetir em uma palavra, em vez de escrevermos a letra repetida elevaremos a letra ao n´umero de repeti¸c˜oes, como j´a apresentado acima.
Defini¸c˜ao 2.10. Uma palavra que n˜ao tem letras ´e chamada de palavra vazia e deno-taremos por “1”.
Defini¸c˜ao 2.11. Seja u uma palavra, v ´e subpalavra de u se existe u1, u2 tamb´em
palavras tal que u1vu2 = u.
Exemplo 2.12. Na palavra ba2bcabab temos como subpalavras a2bcaba e abcab, entre outras.
Defini¸c˜ao 2.13. Definimos um mon´oide como um conjunto M 6= ∅, com uma opera¸c˜ao
• : M × M −→ M tal que, para todo a, b, c ∈ M:
(i) a • (b • c) = (a • b) • c
Exemplo 2.14. Todo grupo ´e um mon´oide, pois vale a associatividade e a existˆencia de elemento neutro, ou seja, um grupo ´e um mon´oide onde todo elemento tem inverso. Exemplo 2.15. Seja N o conjunto dos n´umeros naturais. Ent˜ao, (N, +) ´e um mon´oide. Exemplo 2.16. Seja W = {1, 2}. Seja P (W ) = {∅, {1}, {2}, {1, 2}} o conjunto das partes de W. Ent˜ao, (P (W ), ∪) ´e um mon´oide.
∪ ∅ {1} {2} {1, 2}
∅ ∅ {1} {2} {1, 2}
{1} {1} {1} {1, 2} {1, 2}
{2} {2} {1, 2} {2} {1, 2}
{1, 2} {1, 2} {1, 2} {1, 2} {1, 2}
Exemplo 2.17. Seja W = {1, 2}. Seja P (W ) = {∅, {1}, {2}, {1, 2}} o conjunto das partes de W. Ent˜ao, (P (W ), ∩) ´e um mon´oide.
∩ ∅ {1} {2} {1, 2}
∅ ∅ ∅ ∅ ∅
{1} ∅ {1} ∅ {1}
{2} ∅ ∅ {2} {2}
{1, 2} ∅ {1} {2} {1, 2}
Seja A∗ o conjunto formado pelas palavras obtidas atrav´es dos elementos de um alfa-beto A. Definimos a opera¸c˜ao de aglutina¸c˜ao da seguinte maneira:
Sejam u, v ∈ A∗ palavras do alfabeto A, de forma que u = a1a2...an e v = b1b2...bm,
com a1, a2, ..., an, b1, b2, ..., bm ∈ A. Ent˜ao, a aglutina¸c˜ao de u e v ´e definida por:
u • v := (a1a2...an) • (b1b2...bm) = (a1a2...anb1b2...bm).
Mostraremos que A∗, equipado com a opera¸c˜ao de aglutina¸c˜ao, ´e um mon´oide. Sejam a1a2...an , b1b2...bm e c1c2...cp palavras de A∗. Ent˜ao,
(a1a2...an) • [(b1b2...bm) • (c1c2...cp)] = (a1a2...an) • (b1b2...bmc1c2...cp)
= a1a2...anb1b2...bmc1c2...cp
= (a1a2...anb1b2...bm) • (c1c2...cp)
O elemento neutro ´e a palavra vazia que denotamos anteriormente por “1”:
Se P ∈ A∗ ent˜ao 1 • P = P • 1 = P.
Dessa forma, temos que A∗ pode ser visto como um mon´oide, chamado de mon´oide gerado pelo alfabeto A.
Observa¸c˜ao 2.18. Omitiremos • para facilitar a nota¸c˜ao.
Nossa inten¸c˜ao ´e formar um grupo a partir desse mon´oide. Para isso, precisamos estender o alfabeto A a um novo alfabeto que inclua “letras inversas”:
e
A := A ∪ A−1, onde A−1 := {a−1| a ∈ A}.
Exemplo 2.19. Seja o alfabeto A = {a, b} ent˜ao eA = {a, a−1, b, b−1}. Podemos ent˜ao construir o mon´oide eA∗, gerado por eA.
Exemplo 2.20. Seja A = {a, b, c} ent˜ao a−1baa−1bbb−1c ∈ eA∗pode ser escrito da seguinte forma:
(a−1b)(aa−1b)(bb−1c).
Exemplo 2.21. Seja A = {a, b} ent˜ao aba−1b−1a ∈ eA∗pode ser escrito da seguinte forma: (ab)(a−1b−1)(a).
Buscamos agora relacionar elementos eA∗ em eA∗ atrav´es de uma involu¸c˜ao que nos possibilitar´a a defini¸c˜ao de palavras inversas a partir das letras inversas do nosso novo alfabeto eA.
Defina a fun¸c˜ao ϕ : eA → eA dada por:
ϕ(a) = a−1 ϕ(a−1) = (a−1)−1 := a, para todo a ∈ A.
Temos que
ϕ2(a) = ϕ(ϕ(a)) = ϕ(a−1) = a ϕ2(a−1) = ϕ(ϕ(a−1)) = ϕ(a) = a−1.
Logo, ϕ2 ´e a Identidade de eA, e, portanto, ϕ ´e involu¸c˜ao.
Podemos ent˜ao estender a aplica¸c˜ao ϕ : eA −→ eA para uma aplica¸c˜ao ϕ : eA∗ −→ eA∗ de modo que:
ϕ(a1...an) = ϕ(an)...ϕ(a1)
E, como consequˆencia, para todo u, v ∈ eA∗ temos que ϕ(uv) = ϕ(v)ϕ(u). Se u ∈ eA∗, definimos u−1 := ϕ(u) como a palavra inversa de u.
Exemplo 2.22. Seja aba−1bc uma palavra e apliquemos ϕ sobre ela, ent˜ao: ϕ(aba−1bc) = ϕ(c)ϕ(b)ϕ(a−1)ϕ(b)ϕ(a) = c−1b−1ab−1a−1.
A defini¸c˜ao de letras e palavras inversas dar´a origem a palavras e subpalavras que contenham letras inversas em suas composi¸c˜oes, gerando assim, palavras que por intui¸c˜ao podem ser reduzidas a outras cada vez menores, para este fim, usaremos uma aplica¸c˜ao que denominaremos de redu¸c˜ao elementar.
Defini¸c˜ao 2.23. Uma redu¸c˜ao elementar (em eA∗ → eA∗) ´e uma transforma¸c˜ao da forma:
uaa−1v //uv onde a ∈ eA e u, v ∈ eA∗
Observa¸c˜ao 2.24. Por praticidade, tamb´em chamamos de redu¸c˜ao elementar de u qual-quer palavra obtida de u ap´os uma redu¸c˜ao elementar.
Observa¸c˜ao 2.25. Por conven¸c˜ao, consideremas que toda palavra ´e a redu¸c˜ao elementar trivial de si pr´opria - basta considerar a = 1.
Defini¸c˜ao 2.26. Uma redu¸c˜ao ´e a transforma¸c˜ao obtida por uma sequˆencia de redu¸c˜oes elementares. Por praticidade, tamb´em chamamos de redu¸c˜ao de u qualquer palavra obtida de u ap´os uma redu¸c˜ao.
Exemplo 2.27. Considere a palavra p = abcb−1bcc−1ba. Ent˜ao, podemos aplicar as seguintes redu¸c˜oes em p:
p = abcb−1bcc−1ba re ?? re p1 = abccc−1ba re p2 = abcbb−1ba re ?? abcba = q .
As palavras p1, p2, p, q s˜ao redu¸c˜oes de p, sendo que p1 e p2 s˜ao redu¸c˜oes elementares
de p.
Note que, independentemente da ordem escolhida para as redu¸c˜oes elementares acima, a palavra q obtida ao final ser´a a mesma.
Defini¸c˜ao 2.28. Seja u ∈ eA∗ e u = a1a2...an; ai ∈ eA ∀i = 1, ..., n. Dizemos que o
comprimento da palavra u ´e o n´umero natural n. Nota¸c˜ao: | u | = n
Claro que se v ´e uma redu¸c˜ao n˜ao-trivial de u ent˜ao
| v |<| u | .
Lema 2.29. A redu¸c˜ao ´e um processo confluente, ou seja, se v e w s˜ao redu¸c˜oes de u ent˜ao existe uma palavra p que ´e redu¸c˜ao de v e w.
u
//v
w //p
Demonstra¸c˜ao. O diagrama abaixo mostra que basta provar que a redu¸c˜ao elementar ´e um processo confluente. De fato, se a redu¸c˜ao elementar ´e confluente ent˜ao podemos construir as palavras uij sucessivamente, de modo a construirmos a palavra p como redu¸c˜ao de v e
u re re // u1 re // u2 re // re // v u01 re //u11 //u12 // //v1 u02 re //u21 //u22 // //v2 // // // re w //un1 //un2 // //p
Provaremos a seguir que a redu¸c˜ao elementar ´e um processo confluente. Sejam u, v, w ∈ eA∗ tais que
u re re // v w
Temos que existem x1, y1 ∈ eA∗ e a1 ∈ eA tais que v = x1y1 e u = x1a1a−11 y1.
Analoga-mente, existem x2, y2 ∈ eA∗ e a2 ∈ eA tais que w = x2y2 e u = x2a2a−12 y2.
• Se a1a−11 e a2a−12 s˜ao disjuntos, basta retirar de v a subpalavra a2a−12 e retirar da
palavra resultante a subpalavra a1a−11 , obtendo a redu¸c˜ao P .
• Caso a1a−11 e a2a−12 sejam a mesma sub palavra, fa¸ca v = w = P .
• Caso a1a−11 e a2a−12 se sobreponham, ent˜ao uma das letras coincidem, digamos a −1
1 =
a2, de modo que v = x1y1 = x1a−12 y2 e w = x2y2 = x1a1y2. Como a−11 = a2 implica
a−12 = a1, temos que v = w. Dessa forma, basta definir P = v = w.
Defini¸c˜ao 2.30. Dizemos que uma palavra ´e irredut´ıvel ou reduzida se ela n˜ao admite redu¸c˜ao n˜ao-trivial, ou seja, n˜ao possui subpalavras do tipo aa−1, a ∈ eA. Dizemos que uma palavra ´e redut´ıvel se admite redu¸c˜ao n˜ao-trivial.
Exemplo 2.31. As palavras abac, aba−1cbc−1 s˜ao reduzidas e as palavras abb−1ca−1, abb−1ac−1c s˜ao redut´ıveis.
Proposi¸c˜ao 2.32. Toda palavra pode ser reduzida a exatamente uma palavra irredut´ıvel. Demonstra¸c˜ao. Existˆencia
Seja u ∈ eA∗.
Se u for irredut´ıvel, n˜ao h´a o que provar.
Se u n˜ao for irredut´ıvel ent˜ao u possui uma redu¸c˜ao n˜ao-trivial u1. Se u1 for
irre-dut´ıvel, acabou. Se n˜ao for, ent˜ao u1 possui uma redu¸c˜ao n˜ao-trivial u2. Continuando
esse processo, formamos uma sequˆencia de palavras (ui), i ∈ N de forma que
| u |>| u1 |>| u2 |> ....
O processo precisa terminar porque o tamanho da palavra atrav´es do processo de redu¸c˜oes elementares n˜ao triviais sempre diminui. Como o comprimento ´e sempre um n´umero natural, existir´a algum i ∈ N tal que ui n˜ao possui redu¸c˜oes n˜ao-triviais. Logo,
vale a existˆencia. Unicidade
Suponha que v e w sejam redu¸c˜oes irredut´ıveis de u:
u
//v
w
Pela confluˆencia, existe um p onde p ´e uma redu¸c˜ao de v e w.
u
//v
w //p
No entanto, v e w s˜ao irredut´ıveis. Logo, v = p = w , e portanto vale a unicidade.
Exemplo 2.33. Considere a palavra u = abb−1ab3b−1a−1aaa−1bca−1. Aplicando redu¸c˜oes sucessivas temos que o seu comprimento diminui at´e ser uma palavra irredut´ıvel.
u1 =| abb−1ab3b−1a−1aaa−1bca−1 |= 15
u3 =| aab2a−1aaa−1bca−1 |= 11
u4 =| aab2aa−1bca−1 |= 9
u5 =| aab2bca−1 |= 7
u6 = a2b3ca−1
u6 ´e irredut´ıvel, pois n˜ao possui mais subpalavras com letras inversas consecutivas.
Seja A um alfabeto e u ∈ eA∗. Denotaremos por u a redu¸c˜ao irredut´ıvel de u, ou seja, u ´e a palavra irredut´ıvel obtida a partir de u, via redu¸c˜ao, conforme proposi¸c˜ao 2.32.
Definamos a seguinte rela¸c˜ao: Se u, v ∈ eA∗ ent˜ao u ∼ v se, somente se u = v .
Observa¸c˜ao 2.34. Temos que a rela¸c˜ao ∼ ´e uma Rela¸c˜ao de Equivalˆencia; pois para todo u, v, w ∈ eA∗ se verificam as propriedades:
• Reflexividade u ∼ u • Simetria u ∼ v se, somente se v ∼ u • Transitividade u ∼ v, v ∼ w ent˜ao ∼ w.
A classe de equivalˆencia de uma palavra com rela¸c˜ao a ∼ ser´a denotada por ρ(u). Como cada classe possui exatamente uma palavra irredut´ıvel, tamb´em denotamos ρ(u) por seu representante u.
O conjunto (quociente) de todas as classes de equivalˆencia acima ser´a denotado por
FA:=
e A∗
∼ = {ρ(u); u ∈ eA
∗}.
Mostraremos que FA, com a opera¸c˜ao bin˜aria ρ(u) · ρ(v) := ρ(uv) ´e um grupo e este
grupo ´e que chamaremos de Grupo Livre gerado por A ou com base A. Teorema 2.35. O par (FA, ·), onde
ρ(u) · ρ(v) = ρ(uv), ´e um grupo.
Demonstra¸c˜ao. A opera¸c˜ao est´a bem-definida, pois se u ∼ u0 e v ∼ v0 ent˜ao ρ(uv) = ρ(u) · ρ(v) = ρ(u0) · ρ(v0) = ρ(u0v0)
• Associatividade.
[ρ(u)ρ(v)]ρ(w) = (ρ(uv))ρ(w) = ρ(uvw) = ρ(u)(ρ(vw)) = ρ(u)[ρ(v)ρ(w)] • Existˆencia de elemento neutro.
O elemento neutro de FA ´e a classe ρ(1). De fato,
ρ(u)ρ(1) = ρ(u1) = ρ(u) = ρ(1u) = ρ(1)ρ(u) • Existˆencia de Elemento Inverso.
Seja u ∈ eA∗, onde u = a1a2...an; com ai ∈ eA. Ent˜ao,
ρ(ϕ(u)) = ρ(ϕ(a1a2...an)) = ρ(a−1n ...a −1
2 a
−1 1 ) ∈ eA
∗
´e o elemento inverso de ρ(u). De fato,
ρ(u)ρ(ϕ(u)) = ρ(uϕ(u)) = ρ(a1a2...ana−1n a −1
n−1...a
−1
1 ) = ρ(a1a2...an−1(1)a−1n−1...a −1
1 ) =
ρ(a1a2...an−2(1)a−1n−2...a −1
1 ) = ... = ρ(a1a2(1)a−12 a −1
1 ) = ρ(a1(1)a−11 ) = ρ(1).
Por outro lado,
ρ(ϕ(u))ρ(u) = ρ(ϕ(u)u) = ρ(a−1n a−1n−1...a−11 a1a2...an) = ρ(a−1n a −1
n−1...a
−1
2 (1)a2...an) =
ρ(a−1n a−1n−1...a3−1(1)a3...an) = ... = ρ(a−1n a −1
n−1an−1an) = ρ(a−1n an) = ρ(1).
Isso mostra que FA ´e grupo.
Defini¸c˜ao 2.36. Um grupo G ´e dito grupo livre se G ∼= FA para algum alfabeto A.
Exemplo 2.37. Seja A um alfabeto sem nenhum elemento, temos que:
Se A = ∅ ent˜ao A∗ = {(1)}. Logo, FA = {ρ(1)}.
Assim, FA´e o que chamamos de grupo trivial.
Exemplo 2.38. Seja A = {a} um alfabeto unit´ario, temos que:
Se A = {a} ent˜ao A∗ = {(1), a, a2, ...an, ..., a−1, a−2, ..., a−n, ..., aa−1a, aaaaa−1, ...}. Logo, FA = {ρ(an); an∈ A∗ e n ∈ Z}
Exemplo 2.39. Seja A = {a, b} um alfabeto com dois elementos, isto implica que:
A∗ = {(1), a, an, b, bm, aba−1ab, ababaaa−1b, ...}.
Embora n˜ao seja ´obvio descrever formalmente os elementos de FA, a intui¸c˜ao e o
teorema da forma normal (cf. [1]) nos permitem concluir que
Cap´ıtulo 3
Propriedades de Grupos Livres
O teorema abaixo nos d´a uma vers˜ao para teoria de grupos do conhecido teorema de ´
algebra linear que permite definir uma transforma¸c˜ao linear a partir de sua imagem com rela¸c˜ao aos elementos de uma base do dom´ınio. Dessa forma, se FA ´e um grupo livre e
G ´e um grupo qualquer, podemos estender qualquer fun¸c˜ao f : A → G para um ´unico homomorfismo ϕ : FA→ G. Esse fato tem grande importˆancia para a teoria de grupos e
tem o nome de Propriedade Universal dos Grupos Livres. Teorema 3.1. Seja A um alfabeto. Ent˜ao,
1. A fun¸c˜ao ρ dada por:
ρ : A → FA
a 7→ ρ(a) ´
e injetiva.
2. Propriedade Universal de grupos livres : Seja f : A → G uma fun¸c˜ao, onde G ´e um grupo qualquer. Ent˜ao, existe um ´unico homomorfismo ϕ : FA→ G tal que
ϕ ◦ ρ = f, de acordo com o seguinte diagrama:
A_ ρ f // G FA ϕ >> .
Demonstra¸c˜ao. A demonstra¸c˜ao do item (a) ´e imediata:
Sejam a, b ∈ A tal que ρ(a) = ρ(b). Como as palavras a e b s˜ao irredut´ıveis e equiva-lentes, ent˜ao a = b.
Para o item (b), seja f : A → G uma fun¸c˜ao de um alfabeto A num grupo G qualquer. Podemos ent˜ao estender a fun¸c˜ao f para uma fun¸c˜ao
f0 : eA = A ∪ A−1 → G, fazendo a correspondˆencia da seguinte forma:
Se a ∈ A, ent˜ao f0(a−1) := f (a)−1 ∈ G, onde i1 e i2 s˜ao inclus˜oes.
A_ i1 f // G e A f0 ??
Novamente podemos estender f0 : eA → G para uma fun¸c˜ao f∗ : eA∗ → G, da seguinte forma:
Se a1, a2, ..., an ∈ eA ent˜ao,
f∗(a1a2...an) := f0(a1)f0(a2)...f0(an) ∈ G.
Note que: para todo u, v ∈ eA∗ tal que u = a1a2...an e v = b1b2...bn temos que
f∗(uv) = f∗(a1a2...anb1b2...bn) = f0(a1)f0(a2)...f0(an)f0(b1)f0(b2)...f0(bn) = f∗(a1a2...an)f∗(b1b2...bn) = f∗(u)f∗(v). A_ i1 f // G e A f0 ?? i2 //Ae∗ f ∗ OO Defina ϕ : FA→ G
Precisamos provar que ϕ est´a bem-definida. Mostraremos primeiramente que f∗(u) = f∗(u) para toda palavra u ∈ eA∗.
Seja u ∈ eA∗. Se u for irredut´ıvel, ent˜ao u = u e n˜ao h´a o que provar. Se u ∈ eA∗ ´e redut´ıvel, seja u1 uma redu¸c˜ao elementar n˜ao-trivial de u. Ent˜ao, u = x1aa−1y1, com
a ∈ eA e u1 = x1y1. Temos ent˜ao que
f∗(u) = f∗(x1aa−1y1) = f∗(x1)f∗(a)f∗(a−1)f∗(y1) = f∗(x1)f∗(a) (f∗(a)) −1
f∗(y1) =
= f∗(x1)1f∗(y1) = f∗(x1y1) = f∗(u1).
Assim, como u ´e obtida de u ap´os uma quantidade finita de redu¸c˜oes elementares n˜ao-triviais, temos que f∗(u) = f∗(u).
Dessa forma,
Se ρ(u) = ρ(v) ent˜ao u = v, o que implica f∗(u) = f∗(v), e mais uma vez implica que f∗(u) = f∗(v), logo ϕ(ρ(u)) = ϕ(ρ(v)).
Portanto, ϕ est´a bem-definida.
Temos que ϕ ´e homomorfismo de grupos, pois
ϕ(ρ(u)ρ(v)) = ϕ(ρ(uv)) = f∗(uv) = f∗(u)f∗(v) = ϕ(ρ(u))ϕ(ρ(v)). Temos, portanto, o seguinte diagrama:
A_ i1 f // G e A f0 ?? i2 //Ae∗ f ∗ OO ρ //FA ϕ ``
onde i1 e i2 s˜ao inclus˜oes.
Note que
ρ ◦ i2◦ i1 = ρ : A → FA,
e, aplicando ϕ em ambos os lados, temos que
Como ϕ ◦ ρ = f∗, ent˜ao
f∗ ◦ i2 ◦ i1 = ϕ ◦ ρ.
Uma vez que f∗◦ i2 = f0, temos que
f0 ◦ i1 = ϕ ◦ ρ
, e, uma vez que f0 ◦ i1 = f , conclu´ımos que
f = ϕ ◦ ρ Suponha
ϕ1◦ ρ = f
Seja a ∈ A ent˜ao:
(ϕ1◦ ρ)(a) = f (a) = (ϕ ◦ ρ)(a)
Seja ρ(a1...an) ∈ FA; a1, ..., an∈ eA
ϕ1(ρ(a1...an)) = ϕ1(ρ(a1))...ϕ1(ρ(an)) = f (a1)...f (an) = ϕ(ρ(a1))...ϕ(ρ(an)) = ϕ(ρ(a1...an))
Abaixo mostramos algumas aplica¸c˜oes e exemplos relacionados `a propriedade univer-sal.
Proposi¸c˜ao 3.2. Seja A = {a} e FAo grupo livre gerado por A. Ent˜ao, FA=Z. Portanto,e Z ´e um grupo livre.
Demonstra¸c˜ao. Para mostrar que FA´e isomorfo a Z basta que tenhamos um isomorfismo
ϕ : FA→ Z.
Defina
f : A → Z a 7→ f (a) = 1.
Ent˜ao, pelo teorema 3.1, existe um ´unico homomorfismo ϕ : FA→ Z tal que ϕ ◦ ρ = f.
• Injetividade
Vamos mostrar que Ker(ϕ) = {ρ(1)}. ´
E f´acil ver que
Ker(ϕ) = {ρ(an) ∈ FA; onde an ∈ A∗ e ϕ(ρ(an)) = 0}.
Suponha que ϕ(ρ(an)) = 0 e n > 0. Ent˜ao,
ϕ(ρ(an)) = ϕ(ρ(a)ρ(a) · · · ρ(a))
| {z }
n parcelas
= ϕ(ρ(a)) + ϕ(ρ(a)) + · · · + ϕ(ρ(a))
| {z }
n parcelas
=
= f (a) + f (a) + · · · + f (a)
| {z }
n parcelas
= nf (a) = n 6= 0.
Se, por outro lado, n < 0, ent˜ao
ϕ(ρ(an)) = ϕ(ρ(a−1)ρ(a−1) · · · ρ(a−1))
| {z }
−n parcelas
= −ϕ(ρ(a)) − ϕ(ρ(a)) − · · · − ϕ(ρ(a))
| {z }
−n parcelas
=
= −f (a) − f (a) − · · · − f (a)
| {z } −n parcelas = (−n)(−f (a)) = n 6= 0. Logo, ϕ(ρ(an)) = 0 ent˜ao n = 0, e, portanto,
Ker(ϕ) = {ρ(ao) ∈ FA; onde a0 ∈ A∗}
= {ρ(1)}. • Sobrejetividade
Vamos mostrar que a imagem =(ϕ) = Z Seja n ∈ Z. Ent˜ao,
ϕ(ρ(an)) = ϕ(ρ(a)n) = nϕ(ρ(a)) = nf (a) = n Logo, ϕ ´e sobrejetiva.
Assim, temos que FA∼= Z e, pela defini¸c˜ao 2.36, temos que Z ´e grupo livre.
Exemplo 3.3. Seja A = {a, b} um alfabeto. Queremos definir um homomorfismo FA→
(Z8, +).
Defina
f : A → Z8
a 7→ f (a) = 3 b 7→ f (b) = 5.
Ent˜ao, pelo teorema 3.1, existe um ´unico homomorfismo ϕ : FA→ Z8 tal que:
ϕ ◦ ρ = f
Ent˜ao, ϕ(ρ(a)) = 3 e ϕ(ρ(b)) = 5, onde ρ(a), ρ(b) ∈ FA.
Logo, se tomarmos qualquer classe de palavra formada a partir do alfabeto A, por exemplo a3b−1a−2 e aplicarmos ϕ temos ent˜ao que :
ϕ(ρ(a3b−1a−2)) = ϕ(ρ(a3)) + ϕ(ρ(b−1)) + ϕ(ρ(a−2)) =
3ϕ(ρ(a))−ϕ(ρ(b))−2ϕ(ρ(a)) = 3·f (a)−f (b)−2·f (a) = 3·3−5−2·3 = 9−5−6 = −2 = 6 Exemplo 3.4. Seja A = {x, y, z} e S3 = {1, a, a2, b, ba, ba2} o grupo de simetrias do
triˆangulo. Queremos definir um homomorfismo ϕ : FA→ S3.
Defina
f : A → S3
x 7→ f (x) = a2 y 7→ f (y) = b z 7→ f (z) = ba
Ent˜ao, pelo teorema 3.1, existe um ´unico homomorfismo ϕ : FA→ Z8 tal que:
ϕ ◦ ρ = f.
Logo, se tomarmos qualquer classe de palavra formada a partir do alfabeto A, por exemplo xyz−1 e aplicarmos ϕ, temos ent˜ao que :
ϕ(ρ(x)) ◦ ϕ(ρ(y)) ◦ ϕ(ρ(z))−1 = f (x) · f (y) · f (z)−1 = a2· b · (ba)−1 = a2ba−1b−1 = a2abb = a3b2 = 1
O teorema 3.1 evidencia que FA n˜ao possui rela¸c˜oes entre os geradores e, portanto, o
homomomorfismo existe e fica unicamente determinado. Isso ´e poss´ıvel, pois os elementos da imagem n˜ao precisam “herdar” nenhuma das rela¸c˜oes do dom´ınio, visto que FA n˜ao
tem nenhuma rela¸c˜ao n˜ao-trivial.
Exemplo 3.5. Suponha que exista um homomorfismo ϕ : Z3 → Z
1 7→ ϕ(1) = 3. Assim, temos que:
ϕ(1) + ϕ(1) + ϕ(1) = ϕ(3) = ϕ(0) = 0 3 + 3 + 3 = 0
9 = 0
o que ´e contradi¸c˜ao, ent˜ao n˜ao vale a Propriedade Universal para o grupo Z3, pois ele n˜ao
´e livre.
Exemplo 3.6. Suponha que exista um homomorfismo ϕ : S3 → Z
a 7→ ϕ(a) = 4. Assim, temos que:
ϕ(a3) = ϕ(1) = 0 3ϕ(a) = 0 3 · 4 = 0 ⇒ 12 = 0.
o que ´e contradi¸c˜ao, ent˜ao n˜ao vale a Propriedade Universal para o grupo S3, pois ele n˜ao
Isso acontece nos exemplos 3.5 e 3.6 pois os grupos considerados possuem rela¸c˜oes que o prendem, ou seja, o homomorfismo existir´a apenas se os elementos da imagem satisfazem rela¸c˜oes correspondentes `as satisfeitas pelos elementos do dom´ınio, o que n˜ao ocorre nos casos acima.
Outra propriedade muito importante de grupos livres ´e exibida a seguir: Proposi¸c˜ao 3.7. Todo grupo ´e isomorfo a algum quociente de um grupo livre.
Demonstra¸c˜ao. Seja G um grupo e seja A um conjunto de geradores de G (podemos considerar A = G). Seja f : A −→ G a fun¸c˜ao inclus˜ao de A em G. Pelo teorema 3.1, existe um ´unico homomorfismo ϕ : FA → G tal que ϕ ◦ ρ = f . Temos que ϕ ´e sobrejetivo,
dado que G ´e gerado por A. Logo, G ∼= FA/ Ker(ϕ), pelo teorema dos homomorfismos.
O resultado acima ´e essencial para a defini¸c˜ao de apresenta¸c˜ao de um grupo, que ´e uma maneira canˆonica de representar um grupo atrav´es de seus geradores e rela¸c˜oes. Para mais detalhes sobre apresenta¸c˜oes de grupos, cf. [1].
Referˆ
encias Bibliogr´
aficas
[1] COHEN, D. E. Combinatorial group theory: a topological approach. Cam-bridge University Press, 1989.
[2] LIMA, E. L. ´Algebra linear. IMPA, 2012.
[3] ROTMAN, J. J. A Introduction to the Theory of Groups. Springer, 1995. [4] SILVA, P. V. Teoria Geom´etrica de Grupos. Dispon´ıvel em: http://www.