MONIQUE MARCELINO DA SILVA
SUSTENTABILIDADE EM EDIFICAÇÕES PÚBLICAS:
ITENS SUSTENTÁVEIS APLICADOS COMO BÁSICOS E ESSENCIAIS NA PADRONIZAÇÃO DAS CONSTRUÇÕES DE EDIFICAÇÕES PÚBLICAS NO
MUNICÍPIO DE ARMAZÉM/SC
Tubarão 2017
MONIQUE MARCELINO DA SILVA
SUSTENTABILIDADE EM EDIFICAÇÕES PÚBLICAS:
ITENS SUSTENTÁVEIS APLICADOS COMO BÁSICOS E ESSENCIAIS NA PADRONIZAÇÃO DAS CONSTRUÇÕES DE EDIFICAÇÕES PÚBLICAS NO
MUNICÍPIO DE ARMAZÉM/SC
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Engenharia Civil da Universidade do Sul de Santa Catarina como requisito parcial à obtenção do título de Engenheira Civil.
Orientador: Prof. Norma Beatriz Camisão Schwinden, Esp.
Tubarão 2017
Aos meus pais:
Francisco Santos da Silva e Adriana Cardoso Marcelino da Silva.
AGRADECIMENTOS
Agradeço aos meus pais Francisco Santos da Silva e Adriana Cardoso Marcelino da Silva, juntamente com minha irmã Jackeline Marcelino da Silva Kerber, que me acompanharam e incentivaram durante toda a graduação.
Um agradecimento especial a minha orientadora Norma Beatriz Camisão Schwinden, que gentilmente me auxiliou em todos os processos de elaboração deste trabalho.
Não poderia deixar de agradecer aos entrevistados que participaram do estudo de caso, no qual dispuseram de seus tempos para contribuir com a pesquisa, fundamentando o cumprimento do objetivo principal.
“O conhecimento humanista produz ideias. As ideias produzem sonhos. Os sonhos transformam a sociedade.” (AUGUSTO CURY, 2005)
RESUMO
Administrações públicas abrangem responsabilidades gerais em torno dos âmbitos sociais, econômicos, culturais e ambientais, com o pensamento voltado ao bem da população, criados a partir de recursos públicos. Empresas privadas abrangem responsabilidades dos mesmos âmbitos das administrações públicas, porém, com o pensamento voltado para o bem de seus clientes, a partir de recursos particulares. No ramo da construção civil não é diferente. As gestões públicas possuem as mesmas responsabilidades das construtoras, e sempre devem estar atentas às novas maneiras de implantarem elementos sustentáveis em suas edificações, visando o baixo impacto ambiental. Para realização desse trabalho, foi selecionado como principal alvo um município no sul do estado Santa Catarina, Armazém. Optou-se por um município pequeno, uma vez que, a iniciação à mudança na cultura sustentável em lugares desse porte é de suma importância para que se crie uma base fortificada no desenvolvimento do país. A metodologia aplicada foi de nível exploratório e de abordagem qualitativa. Para tal, foi elaborado um estudo de caso, envolvendo levantamentos de práticas sustentáveis em construções de edificações públicas, baseado em entrevistas e aplicação de questionário. Todavia, o estudo de caso foi caracterizado como de amostra intencional. Foram interrogados os dezoito municípios integrantes da Associação de Municípios da Região de Laguna (AMUREL), no qual o município de estudo é associado. Além destes, também foram interrogados os doze municípios da Associação dos Municípios da Região Carbonífera (AMREC), alcançando assim trinta municípios da região sul de Santa Catarina. Contudo, no período da aplicação da pesquisa, exclusivamente treze municípios da AMUREL e oito municípios da AMREC colaboraram. As entrevistas foram direcionadas aos engenheiros civis responsáveis por cada prefeitura participante, no qual ficou evidente a deficiência de aplicação de estratégias sustentáveis, como também, no progresso da sustentabilidade dentro dos municípios. Com base nos resultados obtidos, foi possível alcançar o objetivo desta pesquisa, o qual se resume na elaboração de um checklist. O checklist contém as principais estratégias sustentáveis, consideradas como básicas e essenciais, para serem introduzidas em editais e documentos para licitações públicas. O mesmo foi subdividido em fases, englobando assim as principais etapas da construção de uma edificação pública, que são: projeto, execução e fiscalização.
Palavras-chave: Edificação pública. Sustentabilidade. Administração pública. Projeto. Execução. Fiscalização.
ABSTRACT
Public administrations encompass general responsibilities around the social, economic, cultural and environmental spheres, aiming population well-being, created from public resources. Private companies covers the same responsibilities as public administrations, however, with thinking geared towards the good of their clients, from private resources. In the construction field is no different. Public administrations have the same responsibilities as construction companies, and must always be aware of new ways of implementing sustainable elements in their buildings, aiming low environmental impact. For the accomplishment of this research, a municipality in the southern state of Santa Catarina, Armazém, has been chosen as the main target. This small municipality has been chosen, since the initiation to the change in the sustainable culture in places of this size is of paramount importance in order to create a fortified base in the development of the country. The applied methodology was of exploratory level and qualitative approach. In order to find results, one case study was elaborated, involving surveys of sustainable practices in construction of public buildings, based on interviews and questionnaire application. However, the case study was labeled as an intentional sample. Eighteen municipalities belonging to the “Associação de Municípios da Região de Laguna (AMUREL)” (Association of Municipalities of the Laguna Region (AMUREL)) were interviewed, in which the municipality of Armazém is associated. In addition, the twelve municipalities of the “Associação dos Municípios da Região Carbonífera (AMREC)” (Association of Municipalities of the Carboniferous Region (AMREC)) were also questioned, reaching thirty municipalities in the southern region of Santa Catarina. However, during the application period of the research, only 13 municipalities of AMUREL and eight municipalities of AMREC cooperated. The interviews were directed to the civil engineers responsible for each participating city hall, where the deficiency of application of sustainable elements was evident, as well as the progress of sustainability within the municipalities. Based on the results obtained, it was possible to reach the objective of this research, which is summarized in the elaboration of a checklist. The checklist contains the main sustainable strategies, considered as basic and essential, to be introduced in public notices and documents for public bids. It was subdivided into phases, thus encompassing the main stages of the construction of a public building, which are: project, execution and oversight.
Keywords: Public building. Sustainability. Public Administration. Project. Execution. Oversight.
LISTA DE ILUSTRAÇÕES
Figura 1 – Triple Bottom Line (tripé da sustentabilidade) ... 22
Figura 2 – Inclusão da Cultura da Sustentabilidade na gestão pública ... 28
Figura 3 – Elos que se completam ... 32
Figura 4 – Fluxograma de planejamento resumido ... 35
Figura 5 – Fluxograma de procedimentos licitatórios ... 46
Figura 6 – Mapa de abrangência dos municípios associados na AMUREL ... 57
LISTA DE GRÁFICOS
Gráfico 1 – Municípios que possuem algum requisito sustentável adotado como essencial na fase de elaboração dos projetos de edificações públicas ... 60 Gráfico 2 – Municípios que acompanham o processo de compra dos materiais usados nas obras de edificações públicas ... 61 Gráfico 3 – Municípios que acompanham a destinação dos Resíduos da Construção Civil (RCC) ... 62 Gráfico 4 – Municípios que preveem requisitos sustentáveis nos editais de licitações para projetos e execuções de edificações públicas ... 63 Gráfico 5 – Municípios que avaliam as características sustentáveis nas empresas participantes nas licitações de construções de edificações públicas ... 63 Gráfico 6 – Avaliações adotadas pelos engenheiros civis responsáveis de cada município participante perante a atividade de fiscalização de obras ... 64 Gráfico 7 – Avaliações das gestões municipais participantes perante o avanço da sustentabilidade no município ... 65 Gráfico 8 – Expectativa das gestões municipais para o desenvolvimento das construções de edificações públicas sustentáveis ... 66 Gráfico 9 – Municípios que possuem algum requisito sustentável adotado como essencial na fase de elaboração dos projetos de edificações públicas ... 67 Gráfico 10 – Municípios que acompanham o processo de compra dos materiais usados nas obras de edificações públicas ... 68 Gráfico 11 – Municípios que acompanham a destinação dos Resíduos da Construção Civil (RCC) ... 69 Gráfico 12 – Municípios que preveem requisitos sustentáveis nos editais de licitações para projetos e execuções de edificações públicas ... 70 Gráfico 13 – Municípios que avaliam as características sustentáveis nas empresas participantes nas licitações de construções de edificações públicas ... 70 Gráfico 14 – Avaliações adotadas pelos engenheiros civis responsáveis de cada município participante perante a atividade de fiscalização de obras ... 71 Gráfico 15 – Avaliações das gestões municipais participantes perante o avanço da sustentabilidade no município ... 72 Gráfico 16 – Expectativa das gestões municipais para o desenvolvimento das construções de edificações públicas sustentáveis ... 73
LISTA DE TABELAS
Tabela 1 – Municípios associados na AMUREL e na AMREC... 56 Tabela 2 – Municípios participantes da pesquisa ... 58 Tabela 3 – Checklist para inclusão em editais e documentos de licitações públicas municipais ... 75
LISTA DE SIGLAS
A3P – Agenda Ambiental na Administração Pública ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas AGU – Advocacia Geral da União
AIA – Avaliação de Impacto Ambiental
AMREC – Associação dos Municípios da Região Carbonífera AMUREL – Associação de Municípios da Região de Laguna ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária
ART – Anotação de Responsabilidade Técnica
CASAN – Companhia Catarinense de Águas e Saneamento CBIC – Câmara Brasileira da Indústria da Construção CCA – Arseniato de Cobre Cromatado
CFC – Clorofluorcarboneto
CIB – Conselho Internacional da Construção
CMMD – Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento CO2 – Dióxido de Carbono
CONAMA – Conselho Nacional do Meio Ambiente
CREA/SC – Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Santa Catarina EIA – Estudo de Impacto Ambiental
EPI – Equipamento de Proteção Individual FATMA – Fundação do Meio Ambiente GPS – Gestão Pública Sustentável HCFC – Hidroclorofluorcarbono
IBAMA – Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IDMS – Índice de Desenvolvimento Municipal Sustentável
IN – Instrução Normativa
INMETRO – Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia LAP – Licença Ambiental Prévia
LEED – Leadership in Energy and Environmental Design MMA – Ministério do Meio Ambiente
MME – Ministério de Minas e Energia MT – Ministério do Trabalho
NR – Norma Regulamentadora
ONU – Organização das Nações Unidas PCS – Programa Cidades Sustentáveis
PDCA – Plan, Do, Check, Action (Planejar, Fazer, Verificar e Agir) PES – Projeto da Esplanada Sustentável
PGRCC – Plano de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil PMCMV – Programa Minha Casa Minha Vida
PNEf – Plano Nacional de Eficiência Energética
PNUMA – Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente PVC – Policloreto de Vinila
RCC – Resíduos da Construção Civil
RCD – Resíduos de Construção e Demolição RIMA – Relatório de Impacto Ambiental
Rio 92 – Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento Rio+20 – Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável RTQ – Regulamento Técnico da Qualidade
TCE/SC – Tribunal de Contas de Santa Catarina
SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO... 17 1.1 JUSTIFICATIVA E PROBLEMA ... 17 1.2 OBJETIVOS ... 18 1.2.1 Objetivo Geral ... 18 1.2.1.1 Objetivos Específicos ... 18 1.3 ESTRUTURA DO TRABALHO ... 19
1.4 RELEVÂNCIA CIENTÍFICA E SOCIAL DA PESQUISA ... 19
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ... 20
2.1 CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL ... 20
2.1.1 História da sustentabilidade ... 20
2.1.2 A chegada da sustentabilidade na construção civil ... 23
2.1.3 A essência da sustentabilidade em obras públicas ... 25
2.2 DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL NA GESTÃO PÚBLICA BRASILEIRA ... 28
2.2.1 Planejamento de edificações públicas no estado de Santa Catarina ... 33
2.2.2 Estratégias sustentáveis aplicáveis aos projetos e execuções de edificações públicas municipais ... 36
2.2.3 Licitações para construção de edifícios públicos sustentáveis ... 44
2.3 FISCALIZAÇÃO NA EXECUÇÃO DE CONSTRUÇÕES PÚBLICAS... 47
2.3.1 Premissas para uma fiscalização de qualidade ... 49
3 METODOLOGIA DA PESQUISA ... 51
3.1 TIPO DE PESQUISA ... 51
3.2 ESTUDO DE CASO ... 52
3.2.1 Município de estudo ... 53
3.2.1.1 Índice de Desenvolvimento Municipal Sustentável ... 53
3.2.1.2 Legislação Vigente ... 54
3.2.2 Municípios participantes da pesquisa ... 56
3.2.3 Questionário ... 58
3.2.4 Apresentação dos resultados ... 59
3.2.4.1 Apresentação dos resultados obtidos nos municípios participantes da região da AMUREL ... 59
3.2.4.2 Apresentação dos resultados obtidos nos municípios participantes da região da AMREC ... 67
4 ESTRATÉGIAS SUSTENTÁVEIS CONSOLIDADAS ... 74
5 CONCLUSÃO ... 83
REFERÊNCIAS ... 85
1 INTRODUÇÃO
Este estudo tem como tema principal as premissas básicas e essenciais de sustentabilidade para a construção de edificações públicas a serem desenvolvidas pelo município de Armazém/SC.
Considerando que a área sustentável em obras particulares está atualmente em alta no país, mas que, grande proporção das obras construídas são públicas, o foco deste estudo será relacionar as estratégias sustentáveis básicas para padronizar os parâmetros estabelecidos em editais e documentos para licitações municipais. Os documentos legislativos são referentes aos projetos e execuções de edificações públicas no município de estudo.
1.1 JUSTIFICATIVA E PROBLEMA
Com os avanços industriais e o crescimento da população, proliferou nas últimas décadas o aumento da degradação ambiental. O termo sustentabilidade veio ser citado pela primeira vez, por Gro Brundtland, norueguesa e ex-ministra de seu país, onde foi presidente da Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (CMMD), entre os anos de 1983 e 1987. Como presidente dessa comissão, lançou em 1987 um livreto chamado Our Common Future (Nosso Futuro Comum), no qual mencionou o conceito de desenvolvimento sustentável. Ela afirmou que, sustentabilidade representa o suprimento de necessidades do presente sem atingir as gerações futuras de suprirem as próprias necessidades (BRUNDTLAND, et al., 1991).
Como o setor de construção civil possui um amplo contato com o meio ambiente, o termo sustentabilidade veio para atualizar e trazer uma postura comprometida das empresas e governos com a responsabilidade socioambiental. Como as cidades possuem um sistema maior de produção, a área de sustentabilidade é algo inovador e essencial para adoção nos governos. Para tais ações, devem adotar sistemas sustentáveis para padronizar suas cidades e garantir um futuro melhor para a população.
No Brasil, o estádio Mineirão em Belo Horizonte, ganhou destaque como obra sustentável no ano de 2014, tendo recebido o selo de categoria máxima da Leadership in Energy and Environmental Design (LEED). Contém em seu projeto uma usina solar fotovoltaica, com capacidade de gerar energia equivalente ao consumo médio de mil casas, sendo destinada à iluminação do estádio. Também foi desenvolvido um sistema que reutiliza água da chuva em sanitários. Além dos itens de energia e reutilização da água da chuva, o
gramado e as cadeiras do estádio antigo foram doados para diversas entidades (BRASIL, 2014).
É de conhecimento público que, no Brasil já se reconhecem algumas obras sustentáveis. Contudo, as cidades ainda não possuem um padrão de desenvolvimento em edificações públicas. Enfim, pode-se dizer que ainda falta muito para o país progredir nessa área.
Este quesito motivou a elaboração de uma pesquisa que contivesse como escopo um pequeno município do sul de Santa Catarina, Armazém, para que se estabelecessem as premissas básicas e essenciais de sustentabilidade com vista a padronizar as construções de edificações públicas desenvolvidas futuramente pela gestão municipal.
Diante disso, buscou-se saber quais serão os itens referentes à sustentabilidade que podem ser utilizados como básicos e essenciais na padronização das construções de edificações públicas no município de Armazém/SC, em estudo bibliográfico de nível exploratório. O tema reúne estudos do objeto, tornando-se uma fonte de pesquisa a ser consultada juntamente com outras bibliografias que discorrem o mesmo assunto.
1.2 OBJETIVOS
Foi definido o objetivo geral e os objetivos específicos dessa pesquisa a partir das necessidades sustentáveis encontradas em municípios do sul de Santa Catarina.
1.2.1 Objetivo Geral
Avaliar os itens referentes à sustentabilidade que podem ser utilizados como básicos e essenciais na padronização das construções de edificações públicas no município de Armazém/SC, buscando a elaboração de um checklist básico que possa ser introduzido nos editais e em documentos para futuras licitações de projetos e execuções de obras com essa característica.
1.2.1.1 Objetivos Específicos
Apresentar a importância da sustentabilidade na construção civil;
Identificar itens sustentáveis aplicáveis em construções de edificações públicas municipais para inclusão em editais e documentos para licitações;
Apresentar princípios de fiscalização, destacando sua importância para as construções de edificações públicas;
Identificar as práticas sustentáveis adotadas em projetos e execuções de construções de edificações públicas nos municípios vizinhos de Armazém/SC; Elaborar um checklist básico, aplicável em editais e documentos para licitação de projetos e execuções de construções de edificações públicas municipais.
1.3 ESTRUTURA DO TRABALHO
O presente trabalho está organizado em cinco capítulos, cujo conteúdo será descrito a seguir:
No capítulo 01 a autora contextualiza a pesquisa e aponta a justificativa, problema e objetivo necessário para o desenvolvimento do trabalho.
No capítulo 02 a autora apresenta a fundamentação teórica para apresentar sua pesquisa.
No capítulo 03 a autora retrata a metodologia da pesquisa, composta pelo estudo de caso e a apresentação dos resultados para fundamentação no desenvolvimento do objetivo geral.
No capítulo 04 a autora exibe as estratégias sustentáveis consolidadas. No capítulo 05 a autora realiza as conclusões da pesquisa realizada.
1.4 RELEVÂNCIA CIENTÍFICA E SOCIAL DA PESQUISA
A avaliação dos elementos referentes à sustentabilidade em edificações confere ao estudo elevada importância quando se considera, no mundo hodierno, a necessidade de ações e processos sustentáveis em função dos problemas ambientais que sofre o planeta e que refletem diretamente na população. Nesse sentido, garante-se a relevância científica deste estudo.
Simultaneamente, a resposta ao problema central deverá contribuir para que as discussões acadêmicas sejam realizadas sob fundamentação teórica adequada e, também, permitirá que empresas construtoras, órgãos públicos e privados, possuam referência científica para suas construções na perspectiva atual e sustentável. Aí está a caracterização da relevância deste estudo para a ciência.
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
Pretende-se com a fundamentação teórica sintetizar e compatibilizar as principais ideias desenvolvidas no objetivo citado, para que possa fundamentar cientificamente os resultados obtidos a partir da metodologia adequada, respondendo ao problema central desta pesquisa.
2.1 CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL
Durante anos, os elementos de sustentabilidade não obtiveram muita presença em construções privadas e públicas, principalmente no Brasil. Apesar do termo ser reconhecido há décadas, o emprego em obras não se desenvolveu a partir de sua descoberta. Um dos motivos dessa ausência foi à constatação de que, apenas nos últimos anos, a população está se conscientizando e presenciando o aumento da degradação ambiental.
Com o recente crescimento populacional, os recursos naturais estão sendo mais visados atualmente. Segundo Pinheiro (2006, p.17) “estes dados traduzem-se em importantes alterações, conduzindo a maiores necessidades de acesso aos recursos naturais e às atividades construtivas com efeitos ambientais”.
2.1.1 História da sustentabilidade
O emprego do termo sustentabilidade foi originalmente proposto pela Presidente da Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (CMMD), a norueguesa Gro Harlem Brundtland, no ano de 1987. Em publicação ao livro, Our Common Future (Nosso Futuro Comum), a presidente mencionada pronunciou sobre a situação ambiental e as descobertas da década de 70.
A Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, em 1972, levou os países em desenvolvimento e os industrializados a traçarem juntos, os “direitos” da família humana a um meio ambiente saudável e produtivo. Várias reuniões desse tipo se sucederam: sobre os direitos das pessoas a uma alimentação adequada, a boas moradias, a água de boa qualidade, ao acesso aos meios de escolher o tamanho das famílias (BRUNDTLAND et al., 1991, p. XIII).
Ela afirma que recebeu uma urgência da Assembleia Geral das Nações Unidas em desenvolver, juntamente com a CMMD a qual presidia elementos que incluíssem a
sustentabilidade na vida da sociedade. De acordo com Brundtland et al. (1991), o desafio foi aceito com o intuito de gerar benefícios e proteger os interesses das próximas gerações, propiciando soluções multilaterais e um desenvolvimento sustentável.
Com o desafio aceito, toda a reforma realizada pela comissão de Brundtland foi descrita no livro Our Common Future. Essa reforma, mesmo elaborada no século passado cabe ainda para a atualidade, principalmente quanto às preocupações ambientais e sociais.
Nos dizeres do livro, salienta-se o depoimento dado pela ex-ministra norueguesa do meio ambiente:
A demanda de matérias-primas, maior produtividade e bens materiais, por parte do mundo industrializado, tiveram sérios impactos sobre o meio ambiente e custos econômicos muito elevados não só em nossos países, mas também no mundo em desenvolvimento. As atuais políticas internacionais financeiras, econômicas, comerciais e de investimento agravam ainda mais os problemas. Todos precisamos estar dispostos a examinar nossas relações no âmbito do comércio internacional, dos investimentos, da assistência ao desenvolvimento, da indústria, às consequências que elas podem ter para o subdesenvolvimento e a destruição do meio ambiente no Terceiro Mundo. Temos de estar dispostos a ir ainda mais longe e adotar os meios necessários para atenuar esses sintomas (BRUNDTLAND et al., 1991, p.83).
Após o lançamento do livro da CMMD citado anteriormente, onde foi proposto um conjunto de iniciativas sobre os tipos de desenvolvimentos que levavam em conta os riscos do uso de recursos naturais sem considerar a capacidade de renovação desses bens; provocou de certa forma, a atenção geral da população para o tema sustentabilidade.
Durante a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, chamada também de Rio 92, desenvolvida pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1992, houve uma discussão para desenvolverem uma carta, com a finalidade de descrever de forma pontual a necessidade da compreensão geral em torno do meio ambiente. Desse modo, após algumas delongas, em 2000 a Carta da Terra foi ratificada. O representante da América Latina na Comissão da Carta da Terra na época, Leonardo Boff, apresentou-a narrando que, a Carta da Terra simboliza um grito de urgência perante os riscos sobre a biosfera e o planetário humano; como também uma queixa a favor da esperança entre o bem comum da Terra e da Humanidade (BRASIL, 2017).
Houve em 2012, no Rio de Janeiro, uma Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, Rio+20, com a finalidade de conciliar desenvolvimento, qualidade de vida e preservação ambiental, dos 20 anos que se passaram da Rio 92. Além disso, foram discutidos dois temas principais: economia verde e a estrutura institucional para
o desenvolvimento sustentável. A conferência teve como objetivo o aprimoramento dos compromissos políticos com o desenvolvimento sustentável, tendo em vista a avaliação perante o progresso e decisões já realizadas (BRASIL, 2017).
A população ainda possui um modo de vida em que se provem da grande utilização de recursos naturais para sua sobrevivência. As indústrias possuem como material primário para sua produção, elementos de animais, vegetais e água potável; gerando uma gama de poluição e degradação ambiental. E como se pode perceber, todas essas produções apenas consomem a matéria natural, mas não a repõem.
De acordo com a Universidade Federal de Santa Catarina (2012, p.03), “a humanidade, pela primeira vez, percebeu que os recursos naturais são finitos e que seu uso incorreto pode representar o fim de sua própria existência. Com o surgimento da consciência ambiental, a ciência e a tecnologia passaram a ser questionadas”.
Segundo Roos e Becker (2012, p. 858), “com tal fato, ou mudamos a forma como exploramos os recursos naturais, e passamos a viver a sustentabilidade ou pereceremos de forma brutal e emersa em nossos próprios resíduos”.
Da mesma maneira, o pronunciamento de Brundtland et al. (1991, p. XVII) traduz “o que importa é estimular a compreensão comum e o espírito de responsabilidade comum, tão evidentemente necessários num mundo dividido”.
O conceito de sustentabilidade conforme mencionado anteriormente, se resume na combinação de três fatores: social, econômico e ambiental, conforme representado na figura 1.
Figura 1 – Triple Bottom Line (tripé da sustentabilidade)
De acordo com Oliveira o conceito do Triple Bottom Line (tripé da sustentabilidade), vem do estudo realizado por Elkington em 1994, e tem-se que:
Econômico, cujo propósito é a criação de empreendimentos viáveis, atraentes para os investidores; Ambiental, cujo objetivo é analisar a interação de processos com o meio ambiente sem lhe causar danos permanentes; e Social, que se preocupa com o estabelecimento de ações justas para trabalhadores, parceiros e sociedade (OLIVEIRA, et al., 2012, p. 73).
Nas palavras de Lugoboni et al. (2013, p.67) “ atualmente a sustentabilidade, continua sendo um tema amplamente discutido e muito se tem argumentado sobre a importância, bem como o impacto das práticas de sustentabilidade no cenário organizacional”. A questão ambiental deve ser elencada como um princípio, tendo em qualquer planejamento que envolva o desenvolvimento de uma sociedade.
2.1.2 A chegada da sustentabilidade na construção civil
A construção civil é essencial para à sociedade. Desde o planejamento do projeto de uma residência familiar, até a execução de grandes obras de arte como pontes e túneis, as obras civis são realizadas para a melhor locomoção e conforto do corpo social.
Nas palavras de Laruccia (2014), a construção civil é uma atividade necessária que emite benefícios à sociedade, não apenas no setor econômico, mas também na questão social. O setor da construção civil possui grande valia no desenvolvimento do país, onde promove além da comodidade, a geração de empregos, implantações de comércios de materiais, vendas e locações de imóveis.
A evolução da construção civil no Brasil é destaque no Palácio do Planalto, onde após a criação do Programa Minha Casa Minha Vida (PMCMV), ampliou-se no país a demanda de obras no setor civil. Em entrevista recente, o Presidente da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias, Rubens Menin, afirma:
Não existe crescimento econômico no Brasil sem o crescimento da indústria da construção civil. O setor da construção representa 8% do PIB e é o que mais emprega [...] Esse é um pilar importante para o país voltar a crescer sustentavelmente, voltar a empregar, criar desenvolvimento social (BRASIL, 2017, p.01).
Porém, existem muitos elementos negativos entre a compatibilização da construção civil com o meio ambiente. Em obras de menor e maior escala, os impactos
ambientais surgem desde o processo fabril dos insumos essenciais até o transporte dos mesmos, passando pela degradação ambiental, como o consumo de madeiras, o uso excessivo de água potável e de energia no período de obra, chegando ao acúmulo de resíduos sólidos nos canteiros de obras.
Para afirmar tal condição:
O crescimento urbano é uma realidade, o que faz ser inevitável a geração de resíduos. A solução para acabar com esses resíduos não consiste em segurar o crescimento das cidades, mas em levá-las a se desenvolverem de maneira que o meio ambiente seja capaz de absorver seus impactos, ou seja, sustentável. A obra na cidade é uma imagem constante, e o que se tem presenciado é que, apesar do setor da construção civil ser um forte expoente na economia nacional, é também um grande responsável pelos impactos causados ao meio ambiente (AMADEI et al., 2011, p.197).
O Ministério do Meio Ambiente (MMA) cita que a construção civil é um dos setores primordiais na decorrência de impactos ambientais.
O Conselho Internacional da Construção (CIB) aponta a indústria da construção como o setor de atividades humanas que mais consome recursos naturais e utiliza energia de forma intensiva, gerando consideráveis impactos ambientais. Além dos impactos relacionados ao consumo de matéria e energia, há aqueles associados à geração de resíduos sólidos, líquidos e gasosos. Estima-se que mais de 50% dos resíduos sólidos gerados pelo conjunto das atividades humanas sejam provenientes da construção. Tais aspectos ambientais, somados à qualidade de vida que o ambiente construído proporciona, sintetizam as relações entre construção e meio ambiente (BRASIL, 2017, p 01).
Como base na afirmação anterior do MMA, a construção civil explora de recursos naturais e energia para sua execução. Tendo em vista esse impacto ambiental oriundo de obras, iniciou-se a implantação de ideias sustentáveis no planejamento e execução das construções civis. Sendo que o setor abrange a economia e o âmbito social, as empresas de construções observaram como uma oportunidade e uma inovação ter a aplicação de elementos sustentáveis nos projetos e execuções de obras.
Tendo a afirmação da necessidade de introdução de itens sustentáveis no mercado de construção civil, segundo informações de Brasil (2017), o desafio se resume de forma geral em reduzir e planejar o consumo de materiais e energias, reduzir os resíduos gerados nas obras, preservar o ambiente natural e melhorar a qualidade do ambiente construído.
Além disso, a mesma fonte, ainda recomenda a necessidade de haver mudanças de conceitos.
Para tanto, recomenda-se: Mudança dos conceitos da arquitetura convencional na direção de projetos flexíveis com possibilidade de readequação para futuras mudanças de uso e atendimento às novas necessidades, reduzindo as demolições; busca por soluções que potencializem o uso racional de energia ou de energias renováveis; planejamento de gestão ecológica da água; redução do uso de materiais com alto impacto ambiental; redução de resíduos da construção com modulação de componentes para diminuírem as perdas e especificações que permitam a reutilização de materiais (BRASIL, 2017, p.01).
De acordo com as recomendações sugeridas, vale ressaltar a importância do pensamento coletivo, entre gestores, profissionais e funcionários, para que se obtenha um resultado conforme planejado. O Congresso Nacional de Excelência em Gestão (2014, p.22) nos diz que “os profissionais da construção civil, e principalmente os servidores públicos, devem-se atentar para sua responsabilidade com a sociedade [...] comprometidos com a garantia de construções e um meio ambiente de qualidade para as gerações futuras”.
A partir dos conceitos do desenvolvimento sustentável, sabe-se que a engenharia civil possui o poder de tornar realidade a implantação de elementos sustentáveis nas construções. Obras para habitação, produção industrial, lazer, esporte, comércio, saúde, saneamento e infraestrutura são indispensáveis e necessárias para o desenvolvimento de todas as nações. São construções desse porte que se deve pensar no presente, projetar e introduzir elementos sustentáveis, para garantir o futuro próximo (DEGANI, 2010).
Tendo em vista os dados apresentados, sabe-se que é de necessidade geral a implantação de elementos sustentáveis no planejamento e projetos de construção civil para um desenvolvimento de qualidade para a população.
2.1.3 A essência da sustentabilidade em obras públicas
As gestões públicas administram cidades, estados e países, por este motivo, podem considerá-las empresas. Todas as empresas possuem a responsabilidade de procurar o melhor método ambiental, econômico e social para o seu desenvolvimento.
Sobre a inserção de elementos sustentáveis nas empresas, Ciofi (2010, p. 16) relata que “sustentabilidade implica planejamento por parte das entidades de maneira a consumir recursos com eficiência e responsabilidade, como também, gerir impactos no ambiente”.
Na concepção do Tribunal de Contas da União (2013, p.11) “obra pública é considerada toda construção, reforma, fabricação, recuperação ou ampliação de bem público”.
O poder público atua com a responsabilidade de uma empresa, administrando sua região. Desse modo, o gestor deve contratar os serviços para a construção de uma edificação pública de acordo com as leis dispostas. Contudo, Silva afirma:
Uma edificação pública pode ser contratada pelo regime de execução direta ou indireta, conforme dispõe a Lei Federal Nº 8.666/93, que trata das licitações e contratos da Administração Pública. Na forma direta a execução é realizada pela própria administração, ou seja, com seus próprios recursos. Já na forma indireta, ocorre a contratação de terceiros para a realização das atividades. Tanto na forma direta quanto na indireta, cabe à administração pública planejar e controlar a execução das obras, de modo que as mesmas sejam concluídas dentro do prazo, no valor estimado e em conformidade com a legislação e os parâmetros especificados no edital de licitação (SILVA, 2012, p.21).
No Brasil, grande partes das construções são executadas pelas gestões públicas, no qual destaca- se o depoimento dado por Viggiano (2010, p. 05) à cartilha Edifícios Públicos Sustentáveis, “países, governos, pessoas estão mudando suas práticas para diminuir danos ao meio ambiente. É nesse caminho que também deve caminhar a administração Pública”.
Conforme o Programa de Construção Sustentável elaborado pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), uma das estratégias principais aplicadas às políticas são destacar nas contratações públicas o emprego de produtos compostos por itens sustentáveis. No programa, foram eleitos sete objetivos, que são a redução de emissões na cadeia produtiva; uso de eficiência energética nas edificações; uso racional de água potável; uso de materiais e equipamentos sustentáveis; elaborar uma gestão de resíduos sólidos; viabilizar o desenvolvimento sustentável no espaço urbano e valorizar o ser humano. (CBIC, 2017).
Todavia, o Congresso Nacional de Excelência em Gestão (2014, p.05) demonstra que a realidade está longe de concretizar essas estratégias, “embora a sustentabilidade venha
sendo amplamente discutida nos últimos tempos em diversas áreas, às instituições públicas têm aplicado muito pouco desses conhecimentos em suas práticas, principalmente nas obras”.
Especificamente no caso das obras, além do problema da falta de planejamento, há também os problemas causados pela falta de treinamento dos funcionários que muitas vezes não conseguem ter uma boa visibilidade do projeto a fim de atender as necessidades atuais, sem esquecer de considerar as possibilidades futuras para àquele espaço. Outro problema é a pressão política, que através de seus interesses nas inaugurações das obras, acabam comprimindo a fase de projeto gerando diversas pendências para serem resolvidas na obra, já que não puderem ser pensadas na fase de planejamento. [...] Principalmente nas etapas de projeto, que quando executadas adequadamente, consequentemente sua obra demandará um número muito menor de imprevistos que geralmente acabam em prejuízos financeiros (CONGRESSO NACIONAL DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO, 2014, p.05).
Como dito nas citações acima, existem vários fatores que polemizam as construções de edificações públicas em relação ao desenvolvimento sustentável. Mas, existem ganhos econômicos com um bom planejamento e com a introdução desses elementos que ainda não estão nos olhos de quem administra.
O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) desenvolveu em 2011 o programa Rumo a uma Economia Verde, com o qual contribuiu para a Conferência das Nações Unidas no Rio+20. O ganho econômico vindo das construções públicas sustentáveis traz resultados em longo prazo, tendo isso, o programa apresentou:
A iniciativa para a Construção Sustentável do PNUMA e parceiros tem demonstrado que em meio a uma série de instrumentos políticos potenciais, as políticas mais eficientes e rentáveis são aquelas relacionadas à aplicação de padrões sustentáveis no setor de construção civil, muitas vezes apoiadas por incentivos econômicos e fiscais, assim como capacitação. Embora esses instrumentos impliquem na necessidade de investimento adicional no custo das construções, eles normalmente geram ciclos econômicos, através da redução do uso de energia, fortalecimento da economia doméstica e melhoria da saúde ambiental. Além da economia de energia, o processo de tornar o setor de construção civil verde também pode contribuir para aumentar a eficiência do uso de materiais, terra e água, e para reduzir o desperdício e os riscos associados a resíduos perigosos (PNUMA, 2011, p.22).
Neste cenário, onde já existem programas e diretrizes sustentáveis a serem seguidos para a idealização de projetos de edificações públicas, com o intuito de desenvolver a região empregada para o bem comum da sociedade; fica cada vez mais clara a necessidade de os órgãos públicos se conscientizarem de que não é possível manter o atual modelo de desenvolvimento. É indispensável uma transição para um desenvolvimento sustentável, que agrega as dimensões ambientais, éticas e sociais (PROGRAMA CIDADES SUSTENTÁVEIS, 2017).
Sendo assim, Silva (2015, p.23) menciona que “os projetos de construir sustentavelmente é uma ideia que visa melhorar, aperfeiçoar e compartilhar ideias e soluções, mostrando à sociedade brasileira que esse caminho é mais do que imprescindível, é inevitável tanto para o Brasil como para o Mundo”.
É indispensável à implantação de características sustentáveis nas edificações públicas, porque as mesmas irão trazer qualidade de vida para toda sociedade. O exemplo dessa implantação deve ser vindo do poder público, pois todas as administrações são eleitas a partir de uma população, para que assumem e comandem com responsabilidade ambiental, econômica e social a gestão atribuída.
2.2 DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL NA GESTÃO PÚBLICA BRASILEIRA
Sabe-se a necessidade de implantação de elementos sustentáveis em projetos e execuções de edificações públicas. Porém, muitas das cidades brasileiras ainda não possuem estratégias e planejamentos sustentáveis introduzidos em suas gestões.
Há muitos problemas, como a pressão política e a falta de treinamento dos funcionários que minimizam as cidades de oportunizarem esses novos meios de desenvolvimento (CONGRESSO NACIONAL DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO, 2014).
Vale ao governo compreender as necessidades atuais e estabelecer critérios de inclusão da cultura da sustentabilidade em suas administrações, controlar suas ações e balancear os benefícios gerados, conforme figura 2.
Figura 2 – Inclusão da Cultura da Sustentabilidade na gestão pública
Como descrito na Cartilha de Edifícios Públicos Sustentáveis, Viggiano (2010), é importante que o gestor público inclua os conceitos de sustentabilidade em sua administração por três motivos principais:
Economia futura com o retorno do investimento obtido com o projeto diferenciado; Redução do impacto ambiental e a minimização das emissões de carbono; Concretização das ideias e conceitos de economia mediante o exemplo para a sociedade do uso dos sistemas sustentáveis, disseminando, assim, o que chamamos de “Cultura da Sustentabilidade”. A “Cultura da Sustentabilidade” são conjunto de atitudes simples, diretas e diárias que visam promover a redução do impacto imediato das ações cotidianas dos seres humanos no meio ambiente. Exemplo: utilização de lâmpadas econômicas, redução do consumo de água, plantio de árvores nativas da região, respeito à fauna e flora e educação ambiental (VIGGIANO, 2010, p.10).
Em 1993 criou-se no Brasil um dos programas mais marcantes sobre o desempenho sustentável. Desenvolvido pelo MMA, a Agenda Ambiental na Administração Pública (A3P), foi criada com o intuito de incorporar os princípios da responsabilidade socioambiental na administração pública. Foi premiada em 2002 pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), como o melhor dos exemplos da categoria Meio Ambiente. Após esse marco, a A3P foi integrante de muitos programas de educação ambiental, sendo o seu último em 2012 no Projeto da Esplanada Sustentável (PES). A PES aplica sobre os órgãos instalados na Esplanada dos Ministérios em Brasília, metas de redução nos gastos e consumo gerados pela administração pública federal (BRASIL, 2017).
Os objetivos principais da A3P de acordo com Cavalcante (2012, p.197) são “sensibilizar os gestores públicos para as questões socioambientais; estimular a incorporação de critérios para gestão social e ambiental nas atividades públicas; promover a economia de recursos naturais e redução de gastos institucionais; contribuir para os padrões de produção”.
Segundo Brasil (2017, p. 01), a A3P oferece aos parceiros “acesso à Rede A3P – uma plataforma para troca de informações e experiências da qual fazem parte instituições públicas e privadas, além de pessoas física e jurídica.”.
No Rio 92 foi aprovada pelos países da ONU a Agenda 21, um documento que funciona como “leis” internacionais, tendo como objetivo elaborar estratégias para o desenvolvimento sustentável do país, a partir de uma compatibilização de ideias entre a sociedade e o governo (CAVALCANTE, 2012).
A metodologia em destaque para o Brasil conforme a Agenda 21 refere-se às áreas que refletem um problema socioambiental, para definir assim as necessidades de implantações de novos métodos de acompanhar diante das políticas públicas o desenvolvimento sustentável do país (CAVALCANTE, 2012).
Há também o Programa Cidades Sustentáveis (2012), desenvolvido pelo governo brasileiro no ano de 2012, no qual propõe a transição entre a teoria e a prática de exercer sustentabilidade nos governos municipais brasileiros. O programa dispõe uma série de ferramentas e dicas que incluem elementos sustentáveis no desenvolvimento das cidades, sendo também outro objetivo, o estimulo da sociedade em participar e contribuir para a melhoria da qualidade de vida, usando como procedimento para essa ação a troca de opiniões e experiências.
O Programa Cidades Sustentáveis (2012) ainda dispõe metas sustentáveis a serem aplicadas nos municípios brasileiros, onde apresentam como exemplos cidades do mundo todo, que praticam essas melhorias e adaptações sustentáveis. Na área de engenharia, se destacam as metas de cidade com: 100% da população urbana do município atendida pelo abastecimento público de água potável; 100% de domicílios urbanos ligados à rede de esgoto; 100% do esgoto tratado e fazer o levantamento das fontes da energia consumida pelo município e incentivar a geração por fontes renováveis.
Outro programa brasileiro desenvolvido em 2016, denominado Gestão Pública Sustentável (GPS), mostra que, nos dias atuais é visível a transformação ambiental, cultural, socioeconômica e tecnológica que o mundo está enfrentando. Tendo em vista essa problemática, agregam-se os desafios oriundos da intensa urbanização. O problema é mundial, portanto, o Brasil se enquadra perfeitamente nele (PROGRAMA CIDADES SUSTENTÁVEIS, 2016).
A primeira norma brasileira referente ao desenvolvimento sustentável de cidades, denominada NBR ISO 37120, foi exibida pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) em janeiro de 2017. A norma possui como primórdio um conjunto de indicadores com o intuito de ajudar a colocar em prática as ideias de desenvolvimento sustentável nas políticas brasileiras. A mesma destaca de maneira geral a importância de promover habitabilidade, inclusão, sustentabilidade e tolerância para tornar as cidades padrões e prósperas pelo mundo. Ainda, enfatiza a necessidade de possuir indicadores para medirem os desempenhos das ações, garantido uma melhor qualidade de vida para toda a população, sendo desde os aspectos de bem estar em sociedade até o reuso e desempenhos econômicos (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2017).
De acordo com o Programa Gestão Pública e Cidadania de São Paulo, na sua primeira edição do Compra Sustentável em 2012, a força do consumo público empresarial para uma economia verde e inclusiva foram evidenciados como os atores mais importantes no desenvolvimento da sustentabilidade em obras públicas (BETIOL et al., 2012).
Para que haja um bom planejamento de cidade com desenvolvimento sustentável é necessário à contribuição de muitos fatores, dentre eles, enquadram-se a gestão municipal, a empresa licitante e a própria sociedade. Esses fatores se completam para manter a obra no estado que foi planejada, pois a gestão emite o edital para licitação com os parâmetros a serem seguidos; a empresa executa da maneira licitada e respeita esses parâmetros de contratação e, a sociedade (para quem a obra foi realizada), após a execução, manuseia-a conforme foi planificada.
destaque na figura 3. Ainda, referente à mesma fonte citada, as conexões desses atores podem ser sintetizadas por fluxos de articulação e mobilização, instrumentos econômicos, regulatórios e informacionais.
Ciofi (2010, p. 16) afirma que “a concepção que embasa a sustentabilidade é a consciência de que as entidades são partes integrantes do mundo e não somente agentes consumidores”.
A maior dependência para se obter um desenvolvimento sustentável vem da organização pública. “A busca do setor público pelo desenvolvimento sustentável, a partir de novas estratégias para projetar, orçar e comprar nas obras públicas torna esse mercado mais aquecido, pressionando as empresas interessadas para que adotem práticas sustentáveis em sua organização” (CONGRESSO NACIONAL DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO, 2014, p. 07).
Com todos os dados apresentados e sabendo da responsabilidade dos governos perante o planejamento e desenvolvimento de suas regiões, no qual os mesmos são os protagonistas nos processos de decisões, o Programa Cidades Sustentáveis (PCS) em seu guia GPS confirma que “é justamente por isso, pelo poder que um bom planejamento possui perante a qualidade de vida dos cidadãos, que um novo modelo de governar deve ser introduzido nos municípios brasileiros”. (PROGRAMA CIDADES SUSTENTÁVEIS, 2016, p.07).
Um bom planejamento deve constar uma visão de curto, médio e longo prazo de vida útil do projeto, sendo fundamental a introdução de sustentabilidade para garantir a melhor funcionalidade e contribuição para a diminuição dos impactos ambientais.
2.2.1 Planejamento de edificações públicas no estado de Santa Catarina
Ao se realizar uma edificação pública, ou qualquer outra obra, é necessário que a administração possua planejamento de suas ações, com bases em cronogramas de atividades para que a construção seja entregue conforme o idealizado.
O Manual de Licitações e Contratos de Obras Públicas, desenvolvido pelo Governo do Estado de Santa Catarina (2016, p.12), atestou que “o planejamento de obra é etapa fundamental para a adequada gestão pública. Deve iniciar-se muito antes da obra, buscando respostas às questões essenciais à decisão de qual empreendimento será priorizado”.
PDCA, no qual que significa Plan, Do, Check, Action (Planejar, Fazer, Verificar e Agir). Nas palavras de Fraga (2011, p.33) “foi criado por Shewhart e popularizado por Deming baseado na sequência Plan–Do–Control–Act [...] refletindo, nessas quatro fases, a filosofia do melhoramento contínuo. O ciclo PDCA é um método gerencial que visa controlar e conseguir resultados eficazes”.
Em outra citação, o ciclo PDCA objetiva:
O Ciclo PDCA tem como objetivo exercer o controle dos processos, podendo ser usado de forma contínua para seu gerenciamento em uma organização, por meio do estabelecimento de uma diretriz de controle (planejamento da qualidade), do monitoramento do nível de controle a partir de padrões e da manutenção da diretriz atualizada, resguardando as necessidades do público alvo (PACHECO et al., 2012, p. 03).
Com a consideração dos objetivos do ciclo PDCA mencionadas, volta-se a citar Fraga, no qual destaca as suas qualidades de inserção.
Este ciclo é um modelo de abordagem de processo proposto pela ISO que descreve a forma como as mudanças devem ocorrer numa organização de qualidade – incluindo não apenas os passos do planejamento e implementação de uma mudança, mas também a verificação posterior de se as alterações produziram a melhoria esperada, atuando então para ajustar, corrigir ou iniciar uma melhoria adicional com base no passo de verificação (FRAGA, 2011, p. 33).
Com o incremento das características do ciclo PDCA no planejamento das administrações públicas, naturalmente haverá uma melhora sustentável entorno das atividades. Segundo o Governo do Estado de Santa Catarina (2016, p. 12), “um planejamento eficaz otimiza a aplicação dos recursos (eficiência), por melhorar os resultados da gestão (eficácia). Deve ser o mais completo possível, podendo, em muitos casos, demorar mais que a própria fase da execução da obra.”
FonteGOVERNO DO ESTADO DE SANTA CATARINA, 2016, p. 11.
As etapas demonstradas na figura 4, baseados no Governo do Estado de Santa Catarina (2016), se resumem em todas as fases importantes para serem consideradas no ato do planejamento. São examinados os seguintes dados: custo-benefício da obra; área de influência do empreendimento; definição de métodos, materiais, local, prazo de execução, entre outros. Todos esses levantamentos dão ênfase em evitar desperdícios de tempo e de metas, procurando sempre encontrar a melhor solução para a população beneficiada.
Ainda, a mesma fonte criou em seu manual checklist para planejamento, licitação, execução e fiscalização da obra, contendo em cada um deles as rotinas, processos e documentos básicos de cada etapa. Estes foram elaborados com o intuito de auxiliar nas organizações de obras públicas.
Depois de finalizado o planejamento, inicia-se o processo de licitação de empresas para realizarem o projeto. Para que haja uma construção de edificação sustentável, são de grande importância à introdução de estratégias sustentáveis na fase de concepção dos editais e/ou documentos legais.
públicas municipais
Toda forma de reduzir impacto ambiental a partir da construção de uma edificação pública é considerada como um componente sustentável, desde seu planejamento até a entrega da obra.
Nas palavras de Silva (2012, p.28), “para uma edificação ser sustentável é necessário buscar soluções que priorizem o baixo impacto ao meio ambiente, desde a concepção do projeto, a especificação dos materiais, a construção e operação/manutenção da edificação”.
O edifício sustentável é aquele que traz privilégios para o usuário como uma boa funcionalidade em sua estrutura, oferecendo conforto, economia, qualidade de vida e satisfação, sem prejudicar a infraestrutura do empreendimento e gerando o mínimo de impactos ambientais (VIGGIANO, 2010).
A Lei Nacional nº 6938/81, que aborda sobre Política Nacional do Meio Ambiente, nos traz orientações e conceitos de planejamento, racionalização no uso dos solos, proteção dos ecossistemas, visando à segurança nacional e à proteção da vida humana. Essas orientações são destinadas aos governos, nos quais devem garantir um desenvolvimento sustentável no país (BRASIL, 1981).
Outra referência que atua sobre a preservação ambiental é a Lei Complementar nº 140, desenvolvida pelo Planalto Nacional. A mesma fixa normas a serem seguidas pelos governos brasileiros, em “ações administrativas decorrentes do exercício da competência comum relativas à proteção das paisagens naturais notáveis, à proteção do meio ambiente, ao combate à poluição em qualquer de suas formas e à preservação das florestas, da fauna e da flora” (BRASIL, 2011, p. 02).
A Resolução nº 001 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), desenvolvido pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) em 1986, cita critérios básicos para o uso da Avaliação de Impacto Ambiental (AIA), como uma das ferramentas da Política Nacional do Meio Ambiente. Nela priorizam a importância da preservação ambiental dentro das atividades humanas (BRASIL, 1986).
Já Instrução Normativa nº 06 da Fundação do Meio Ambiente (FATMA) contempla as etapas de documentação para a licença ambiental de casas, edifícios, e outros.
apresentação dos planos, programas e projetos ambientais de condomínios de casas ou edifícios, atividade de hotelaria e condomínios comerciais horizontais e verticais, localizados em municípios da Zona Costeira, assim definidos pela legislação específica, ou em municípios onde se observe pelo menos uma das seguintes condições: a) não possua Plano Diretor, b) não exista sistema de coleta e tratamento de esgoto na área objeto da atividade, bem como de estabelecimentos prisionais, e de complexos turísticos e de lazer, inclusive parques temáticos incluindo tratamento de resíduos líquidos, disposição de resíduos sólidos e outros passivos ambientais (FUNDAÇÃO DO MEIO AMBIENTE, 2013).
No planejamento de uma edificação pública sustentável, o princípio da sustentabilidade deve ser iniciado, nas palavras do Congresso Nacional de Excelência em Gestão (2014, p. 07) “para se conquistar o desempenho desejado em uma obra ambientalmente correta, além de todas as medidas que devem ser aplicadas conforme suas etapas há uma delas que tem o maior papel para implantação de todas essas ideias sustentáveis, que é a etapa de projeto”.
Para classificar um projeto como sustentável, Jereissati (2011, p. 55) afirma que “todas as ações que resultem em redução do aquecimento solar, preservação das fontes naturais de energia e dos insumos da construção civil e a melhores condições de vida para as pessoas devem ser consideradas para que um projeto seja dito sustentável”.
Nas construções de edificações públicas, de acordo com o Art. 4º da Instrução Normativa nº 01 do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão; os elementos sustentáveis a serem aplicados nos projetos são:
Art. 4º. Nos termos do art. 12 da Lei nº 8.666, de 1993, as especificações e demais exigências do projeto básico ou executivo, para contratação de obras e serviços de engenharia, devem ser elaborados visando à economia da manutenção e operacionalização da edificação, a redução do consumo de energia e água, bem como a utilização de tecnologias e materiais que reduzam o impacto ambiental, tais como: I uso de equipamentos de climatização mecânica, ou de novas tecnologias de resfriamento do ar, que utilizem energia elétrica, apenas nos ambientes aonde for indispensável; II automação da iluminação do prédio, projetos de iluminação, interruptores, iluminação ambiental, iluminação tarefa, uso de sensores de presença; III uso exclusivo de lâmpadas fluorescentes compactas ou tubulares de alto rendimento e de luminárias eficientes; IV energia solar, ou outra energia limpa para aquecimento de água; V sistema de medição individualizado de consumo de água e energia; VI sistema de reuso de água e de tratamento de efluentes gerados; VII aproveitamento da água da chuva, agregando ao sistema hidráulico elementos que possibilitem a captação, transporte, armazenamento e seu aproveitamento; VIII utilização de materiais que sejam reciclados, reutilizados e biodegradáveis, e que reduzam a necessidade de manutenção; IX e comprovação da origem da madeira a ser utilizada na execução da obra ou serviço (BRASIL, 2010, p.03).
nas obras são os que possibilitam as seguintes ações: organização nos canteiros de obra, diminuindo assim a quantidade de resíduos e despesas; conscientização no uso da água potável, utilizando aparelhos economizadores, criando o reuso das águas cinzas e pluviais; implantação de cobertura verde nos edifícios; geração de energia a partir do aquecimento solar e a seleção de materiais baseados em critérios sustentáveis.
De acordo com o Plano Nacional de Eficiência Energética (PNEf), desenvolvido pelo Ministério de Minas e Energia (MME), algumas das premissas adequadas à serem introduzidas principalmente em construções de edificações públicas são: diminuir os gastos dos prédios públicos a partir da redução do consumo de energia elétrica; melhorar as condições de trabalho, segurança e conforto dos servidores; substituir tecnologias obsoletas por eficientes e realizar um plano de capacitação de administradores de prédios públicos em eficiência energética (BRASIL, 2015).
Segundo o Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (2014), em seu capítulo III, nas construções de edificações públicas devem-se seguir de maneira rigorosa os cumprimentos dos editais e leis do município. Para que se introduza a eficiência energética nessas edificações, são de suma importância à introdução das estratégias de economia de energia na envoltória da edificação, no ar-condicionado, equipamentos de escritório, nos sistemas de iluminação, transporte vertical e nos sistemas de bombeamento.
De maneira geral, o livro Contratações Sustentáveis do Ministério da Fazenda aponta.
Podendo assim, a revisão das especificações do objeto de licitação abranger, cumulativa ou estrategicamente, fatores como: especificação de materiais, minimizando impactos socioambientais e aumentando a durabilidade da obra pública; especificação de processos produtivos e de meios e condições de execução, valorizando práticas que minimizem a geração de impactos, o consumo de recursos e a produção de resíduos; especificação de condições de gerenciamento, controle e supervisão ambiental da execução das obras, favorecendo a qualidade e a sustentabilidade ao longo de todo o processo produtivo; qualificação de empresas construtoras, valorizando aquelas com práticas de qualidade e de responsabilidade socioambiental; e fornecimento de insumos para orientação aos beneficiários finais da intervenção e/ou aos gestores públicos responsáveis, propiciando que a sustentabilidade se estenda às fases de uso e manutenção do bem público(BRASIL, 2014, p. 26).
Um dos métodos de racionalizar os materiais empregados na construção civil é evitando o amianto. Em Santa Catarina foi elaborada em 2017, a Lei Estadual nº 17076/2017,
amianto ou outros minerais que contenham fibras de amianto na sua constituição (GOVERNO DO ESTADO DE SANTA CATARINA, 2017).
No momento de elaboração do projeto é de grande importância a priorização das características modulares em sua estrutura. A norma ABNT NBR 15873/2010 embasa as principais coordenações modulares que uma edificação deve conter, garantindo sua melhor flexibilidade para futuras mudanças (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2010).
O conceito de construção modular, nas palavras da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (2009, p. 10) “trata-se de um enorme desafio, cuja superação requer mudanças significativas nos processos construtivos, que precisam migrar do método artesanal para a construção industrializada aberta”.
Outra estratégia sustentável importante é a implantação de painéis fotovoltaicos na edificação pública. De acordo com América do Sol (2013) em seu guia, os equipamentos como painéis e controladores, no qual compõem o sistema, devem ser certificados pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (INMETRO). A vantagem principal desse sistema se resume em, como o consumo de energia solar está conectado a rede elétrica, automaticamente as energias geradas ficarão como um crédito. Em outras palavras, será quitada em cada mês somente a quantia da diferença entre a energia consumida pela rede elétrica e a energia gerada pelo sistema solar aplicada na rede.
Foi desenvolvido pelo INMETRO em 2010 o Regulamento Técnico da Qualidade (RTQ), no qual destacam os principais requisitos técnicos de eficiência energética para aplicação nos edifícios comerciais e públicos. O mesmo afirma que equipamentos economizadores de água são aqueles os quais racionalizam o seu uso, tais como sanitários com sensores e torneiras com temporizadores. Já os equipamentos economizadores de energia são oriundos de novas técnicas, como por exemplo, a preservação de iluminação natural e o uso de lâmpadas com alto rendimento (INSTITUTO NACIONAL DE METROLOGIA, NORMALIZAÇÃO E QUALIDADE INDUSTRIAL, 2010).
No quesito acessibilidade, Brasil (2015) em seu Manual de Acessibilidade para Prédios Públicos, afirma que a introdução de características acessíveis é considerada imprescindível ao público, pois abrange toda a diversidade de usuários.
Em Santa Catarina, o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA/SC), informou em sua cartilha de acessibilidade que, além da importância em praticar
valor compreender e respeitar as pessoas que ali habitam (CREASC, 2017).
Outra norma vigente a respeito de acessibilidade é a ABNT NBR 9080, na qual apresenta informações e medidas padrões para edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2015).
Também no estado de Santa Catarina, a Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (CASAN), mencionou no seu Manual de Serviços de Instalação Predial de Água e Esgotos Sanitários os procedimentos necessários para a instalação de água potável e esgoto sanitário nas edificações. Nele foi destacada também a importância da correta instalação para a preservação ambiental da região, pois, em municípios que não possuem a rede de esgoto sanitário, sua destinação deve estar dentro das conformidades ambientais da região. (CASAN, 2014).
Sobre destinação de esgoto sanitário, vale salientar as normas brasileiras vigentes. A norma ABNT NBR 8160, no que se refere a Sistemas Prediais de Esgoto Sanitário, mostra as recomendações e como devem ser elaborados, dimensionados, executados todos os sistemas da edificação (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 1999). Já a norma ABNT NBR 7229, no que se refere a Projeto, Construção e Operação de Sistemas de Tanques Sépticos, mostra como devem ser dimensionados o conjunto de unidades destinadas ao esgoto sanitário, que é composto por fossa séptica, filtro e sumidouro (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 1993).
Outra estratégia sustentável básica é a inclusão de compostagem na edificação pública. Segundo o Manual para Implantação de Compostagem e de Coleta Seletiva no Âmbito de Consórcios Públicos, desenvolvido pelo MMA, Brasil (2010, p.08), “para os serviços de manejo de resíduos sólidos, o objetivo não é exatamente produzir adubo [...], mas o fato de que a matéria orgânica presente no lixo pode ser transformada e reaproveitada, desviando resíduos que normalmente teriam que ser aterrados”.
A coleta de resíduos sólidos, de acordo com o Art. nº 03 da Lei Federal nº 12305/2010, Brasil (2010, p. 02) menciona que devem ocorrer a “destinação final ambientalmente adequada: destinação de resíduos que inclui a reutilização, a reciclagem, a compostagem, a recuperação e o aproveitamento energético ou outras destinações admitidas pelos órgãos competentes”.
A Resolução nº 307 do CONAMA, desenvolvido pelo IBAMA em 2002, cita critérios para gestão de resíduos sólidos da construção civil. Contudo, Brasil (2002, p. 01) afirma em seu Art. nº 01 que se deve “estabelecer diretrizes, critérios e procedimentos para a