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O teorema de Toponogov

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Geometria Riemanniana Professor: Dr. Cláudio Gorodski Instituto de Matemática e Estatística Universidade de São Paulo

O teorema de Toponogov

Gabriela Cristina da Silva

Resumo O objetivo deste trabalho é demonstrar uma versão do Teorema de Toponogov apresentada em [1]. Para provar o teorema, apresentamos os conceitos de triân- gulo geodésico, ângulo entre vetores tangentes, dobradiça e seus tipos, bem como resultados derivados dos teoremas de Rauch e Berger.

Sumário

1 Introdução 3

2 Quem foi o matemático Toponogov? 4

3 O Teorema de Toponogov 5

4 Apêndice 19

(2)

Agradecimentos

Gostaria de agradecer ao professor Cláudio Gorodski pelo curso de Geometria Rieman- niana que foi fundamental para o entendimento do teorema e pelo incentivo a estudar o assunto. Também agradeço ao meu orientador Paolo Piccione pelas correções realizadas ao longo do texto. Por fim, agradeço a minha família pelo apoio e paciência devido a minha ausência.

(3)

1 Introdução

Os teoremas de comparação são tópicos fundamentais estudados em Geometria Rie- manniana e podem ser compreendidos usando diversas ferramentas. Sendo assim, um dos resultados clássicos, que foi provado em 1951 pelo matemático americano Harry Rauch, é o chamadoTeorema de Comparação de Rauch, ver [3]. O teorema afirma que dadas M e Mduas variedades Riemannianas,JeJcampos de Jacobi ao longo das geodésicas que pos- suem mesma velocidade, respectivamente,γ: [0,`] → Meγ: [0,`] → Me supondo que γ não possua pontos conjugados em (0,`] e, além disso, que K(x,γ0(t)) > K(x,γ0(t)) para todot, todo x ∈ Tγ(t)Mex ∈ Tγ(t)Mentão|J|6|J|. De modo intuitivo, podemos concluir que se as curvaturas aumentam então os comprimentos diminuem. Isso fica nítido comparando os espaços-forma: espaço euclidiano Rn, espaço hiperbólico realRHn e a esferaSn na qual os campos de Jacobi são conhecidos, ver [2].

Diante isso, uma poderosa ferramenta da Geometria Riemanniana é o teorema de To- ponogov que generaliza o teorema de Rauch. Tendo como objetivo comparar triângulos geodésicos e dobradiças em variedades Riemannianas de curvatura seccional constante (como no teorema de Rauch), com relação a ângulos e comprimentos. Além disso, possui diversas aplicações, sendo utilizado para provar: o Teorema de Gromov que consiste em obter uma estimativa do número de geradores do grupo fundamental; resultados sobre pon- tos críticos de funções distância; o teorema do diâmetro da esfera; o teorema que fornece uma estimava para a soma dos números de Betti; entre outros que podem ser encontrados em [4].

Em suma, existem várias versões do teorema de Toponogov, assim, este trabalho tem por objetivo apresentar uma demonstração para o mesmo baseado na versão abordada em [1]. Na seção 2 é apresentado a origem do teorema e uma breve biografia do matemático Toponogov. Além disso, na seção 3 são apresentadas algumas definições essenciais para a compreensão do teorema, como os conceitos de triângulo geodésico, ângulo entre veto- res tangentes, dobradiça e seus tipos, bem como é apresentada a demonstração do mesmo, consistindo na prova de oito afirmações. Por fim, no apêndice são apresentados todos os resultados, derivados dos teoremas de Rauch e Berger, utilizados para provar o teorema.

(4)

2 Quem foi o matemático Toponogov?

Victor Andreevich Toponogov (1930 – 2004) foi um importante matemático russo autor do teorema de comparação de triângulos que leva seu nome. Seus trabalhos foram de extrema importância no desenvolvimento da Geometria Riemanniana.

Figura 1: Matemático russo Victor Toponogov.

Fonte: Google Imagens.

Toponogov nasceu na cidade de Tomsk, na Rússia, antiga União Soviética. Seu pai era contra o comunismo pregado pelo regime totalitário de Joseph Stálin, porque a coleti- vização de terras diminuiu consideravelmente a qualidade de vida dos cidadãos, e isso fez com que ele sofresse com a repressão militar em 1937. Naquela época, todos os que se opunham ao governo eram tachados de "anti-soviéticos" ou "inimigos do povo". Embora fosse um bom estudante com notas altas, e se graduado com honras a sua continuação nos estudos estava seriamente comprometida, por ser considerado "filho de inimigo do povo"

e, portanto, estar sujeito às restrições impostas pelo governo.

Quando Stálin veio a falecer, em 1953, a repressão russa já não era tão forte e Topo- nogov pôde fazer sua pós graduação na Universidade de Tomsk. Anos depois Toponogov se mudou para a cidade de Novosibirsk, e demonstrou profundo interesse pela Geometria Riemanniana, inspirado por seu orientador, o importante geômetra professor Abram Fet, e sobretudo pelos trabalhos de Alexandrov. Ele teve uma passagem pelo Instituto de Rádio- Fisica e Eletrônica como cientista pesquisador, e mais tarde o teorema que leva seu nome foi sua tese de doutorado na Universidade de Moscou, em 1958.

Toponogov ainda viria a se mudar para o Instituto de Ciências, onde ocupou os cargos de vice diretor, chefe de um dos laboratórios e cientista chefe. Ele também se dedicou ao treinamento de outros jovens matemáticos. Toponogov faleceu na cidade de Novosibirsk,

(5)

3 O Teorema de Toponogov

Umtriângulo geodésicoT em uma variedade RiemannianaMé um conjunto formado por três segmentos de geodésicas minimizantes normalizadas:

γ1 : [0,`1]→ M, γ2: [0,`2] → M,γ3 : [0,`3]→ M,

de comprimentos`1,`2e`3, respectivamente, chamadosladosdo triângulo, como pode ser observado pela figura 2, de modo queγi(`i) = γi+1(0) e satisfazendo as desigualdades triangulares`i+`i+1>`i+2, no qual os índices ao longo do texto são tomados módulo 3.

Figura 2: Triângulo Geodésico.

Fonte: Autora.

Os pontos terminais dos segmentos de geodésicas são chamados vértices de T e o ânguloentre−γ0i+1(`i+1)eγ0i+2(0)será denotado por:

αi =^(γi0+1(`i+1),γ0i+2(0)), com06αi 6π.

Além disso, dadosγ1eγ2segmentos geodésicos emMtal queγ1(`1) = γ2(0)eα =

^(−γ10(`1),γ20(0)). A configuração denotada por (γ1,γ2,α) é chamada de dobradiça, como pode ser observado pela figura3.

(6)

Figura 3: Dobradiça.

Fonte: Autora.

Ademais, define-se por MH a variedade Riemanniana completa de dimensão 2 sim- plesmente conexa com curvatura seccional constanteHe porMa variedade Riemanniana completa com curvatura seccional constante maior ou igual a H denotada por KM > H.

Definimos por:

– dH a distância Riemanniana emMH; – dga distância Riemanniana emM.

Enunciaremos o teorema e em seguida o provaremos.

(Teorema de Toponogov). SejaMuma variedade Riemanniana completa comKM >H.

(A) Seja(γ1,γ2,γ3)um triângulo geodésico em M. Suponha queγ1,γ3são minimizantes e se H > 0, que L[γ2] 6 πH. Então em MH existe um triângulo geodésico(γ1,γ2,γ3) tal que L[γi] = L[γi] parai = 1, 2, 3eαi 6 αi comi = 1, 3. Exceto no caso H > 0 e L[γi] = π

H para algumi, o triângulo emMH está unicamente determinado.

(B) Seja(γ1,γ2,α)uma dobradiça emM, tal queγ1,γ2são segmentos geodésicos, sendo γ1 minimizante, γ1(`1) = γ2(0) e α = ^(γ10(`1),γ20(0)). Se H > 0, suponha que L[γ2] 6 πH. Além disso, sejamγ1,γ2segmentos geodésicos em MH tal queγ1(`1) = γ2(0), L[γi] = L[γi] = `ieα =^(γ01(`1),γ20(0)). Então:

dg(γ1(0),γ2(`2))6dH(γ1(0),γ2(`2).

(7)

A demonstração do teorema consiste na prova de oito afirmações, utilizando argumen- tos citados em partes anteriores, além de demonstrar (B) para casos particulares de dobra- diças. Qualquer condição sobre√

Hdeve ser ignorada seH 60. Durante a demonstração iremos considerar MHε em vez de MH. Isto será crucial nas partes 5 a 7, além de ser essencial para garantir que os triângulos sejam finos na construção da parte 8.

Parte 1. Seja (γ1,γ2,α) uma dobradiça em MHε com L[γi] 6 πH, i = 1, 2. Con- formeα cresce de0aπ, então f(α) = dHε(γ1(0),γ2(`2))cresce de forma monótona de|`1−`2|aD =minn

Hε−`1−`2,`1+`2o

Demonstração. Inicialmente fixe γ1 e deixe γ2 variar. Assim, vamos dividir o argu- mento em duas partes: na primeira parte vamos provar que f é diferenciável em (0,π) e na segunda parte que f é uma função monótona. Na primeira parte, se H 6 0, sendo MHε simplesmente conexa temos que pelo teorema deCartan-Hadamard(ver apêndice) aexpγ

1(0) é um difeomorfismo. No entanto, seH >0, sabemos que a aplicação exponen- cial é um difeomorfismo na bolaB

H−ε

(0) ⊂TpMHε. Dessa forma, é suficiente mostrar quedHε(γ1(0),γ2(`2)) < π

Hε. Para isso vamos supor quedHε(γ1(0),γ2(`2)) =

π

Hε, entãoγ1γ2é a união de dois segmentos geodésicos ligando pontos antípodas em MHεsendo uma esfera de dimensão 2 com curvatura seccionalH−ε. Assim, como cada segmento geodésico tem comprimento menor que π

Hε, podemos concluir queγ1γ2é uma geodésica diferenciável que une γ1(0) eγ2(`2), com isso temos queα = π, o que é uma contradição. Portanto, f é diferenciável em (0,π). Para a segunda parte, vamos mostrar o crescimento de f. Com isso, observe que conforme γ2(`2) se move, ela traça um círculo de raio `2 ao redor de γ2(0) como pode ser observado pela figura 4. Assim, podemos afirmar que a geodésica minimizanteσα ligando os pontosγ1(0)aγ2(`2)é per- pendicular ao círculo citado somente quando α = 0 ou α = π. Nesse caso, σ∪ −γ2 formaria outra geodésica diferenciável de γ1(0) a γ1(`1), diferente de γ1. No entanto, isto é impossível se H 6 0pelo teorema de Cartan-Hadamard e se H > 0teríamos que

`1 = π

Hε > π

H contradizendo a hipótese sobre`1.

(8)

Figura 4: Interpretação geométrica da Parte 1.

Fonte: Autora.

Desta forma, sabemos que a fómula da primeira variação das geodésicasσαé dada por:

d

dαL(σα) α=α0

=−

Z L[σα0] 0

hV,∇σ0

α0σα00ig dt

| {z }

(i)

+hV(L[σα0]),σα00(L[σα0)])ig,

| {z }

(ii)

comα0 >0fixo, Ldenota o funcional de comprimento eV é o campo de variação deσα. Diante disso,(i) é zero, poisσα é geodésica e(ii)é diferente de zero pela “não perpendi- cularidade” das geodésicas σα. Assim, f 0(α) 6= 0paraα ∈ (0,π). Como f(π) = D e

f(0) = |`2−`1|<D, então f é crescente. Portanto, f é estritamente monótona.

Parte 2. Em MHε um triângulo com lados de comprimento menor ou igual a π

H está determinado pelo comprimento de seus lados.

Demonstração.Seja(γ1,γ2,γ3)um triângulo emMHε. Dessa forma, considere(σ1,σ2,σ3) outro triângulo em MHε tal que L[γi] = L[σi]. Assim, fixe L[γ1] e L[γ2] e pela parte 1 sabemos queL[γ3] está determinado de modo único pelo ânguloα3. Diante disso, pela homogeneidade deMHε, existe uma isometria que levaσiemγicomi=1, 2, 3.

(9)

Parte 3. Seja(γ1,γ2,α3)uma dobradiça em Mtal queγ1é minimizante e L[γ2] 6 πH. Então as afirmações (a) e (b) são equivalentes:

(a) Seja γ3 uma geodésica minimizante de γ2(`2) a γ1(0). Então existe um triângulo (γ1,γ2,γ3)emMHε comL[γi] = L[γi]eα36α3.

(b) Seja (γ1,γ2,α3) uma dobradiça em MHε com L[γi] = L[γi], i = 1, 2. Então

`2−`16dg(γ1(0),γ2(`2))6dHε(γ1(0),γ2(`2)).

Demonstração. (a) ⇒(b). Considere (γ1,γ2,α3) uma dobradiça como em (b). Diante disso, podemos construir o triângulo geodésico(γ1,γ2,γ3), na qual γ3é uma geodésica minimizante ligando os extremos γ2(`2) e γ1(0). Com isso, as desigualdades triangula- res são satisfeitas, ou seja, `1+`3 > `2 e `2+`3 > `1. Caso contrário, teríamos que

`3 < `2−`1ou`2−`1 <−`3e além disso, por (a) temos um triângulo(γ1,γ2,γ3) em MHε comL[γi] = L[γi]eα3 6α3. Dessa forma, pela Parte 1 conformeα3aumenta até α3mantendo L[γ1] eL[γ2] constantes, a funçãodHε(γ1(0),γ2(`2))é não-decrescente.

Portanto:

`2−`16`3=dg(γ1(0),γ2(`2))6dHε(γ1(0),γ2(`2)).

(b) ⇒(a). Sejaγ3uma geodésica minimizante ligando os extremosγ2(`2) eγ1(0). Por (b), seγ1, γ2MHε e^(−γ01(`1),γ02(0)) = α3, então:

dHε(γ1(0),γ2(`2))>dg(γ1(0),γ2(`2)) =`3 >`2−`1. Ademais, como(γ1,γ2,γ3)satisfaz a desigualdade triangular, temos que:

`3>`1−`2. (1)

Multiplicando a desigualdade1por−1e tomando o módulo em ambos os lados temos que

|`2−`1| >`3 =dg(γ1(0),γ2(`2)). Com isso e pela Parte 1, podemos reduzir o ângulo α3entreγ1eγ2a um ânguloα3de modo que:

dHε(γ1(0),γ2(`2)) =dg(γ1(0),γ2(`2)).

Então seγ3é uma geodésica minimizante ligando os extremosγ1(0)eγ2(`2), temos que γ1,γ2eγ3formam um triângulo geodésico com L[γi] = L[γi]parai =1, 2, 3eα36α3.

(10)

Para demonstrar a parte 4, precisamos das definições de dobradiça pequena e de tri- ângulo pequeno.

Seja(γ1,γ2,α)uma dobradiça, dizemos que essa dobradiça épequenasemax{L[γi]} =

r

2 parai =1, 2eexpγ

2(0)

Br(0) é um difeomorfismo. Além disso, seja(γ1,γ2,γ3)um tri- ângulo, dizemos que este triângulo épequenose cada uma das dobradiças(γi,γi+1,αi+2) é pequena.

Parte 4. (A) é satisfeito para triângulos pequenos e (B) é satisfeito para dobradiças pe- quenas.

Demonstração. Primeiramente mostraremos que (B) é satisfeito para dobradiças pe- quenas e depois aplicaremos a Parte 3 para provar que (A) é satisfeito para triângulos pequenos. Sejam (γ1,γ2,α3) uma dobradiça pequena em M e (γ1,γ2,α3) uma dobra- diça pequena em MHε tal que L[γi] = L[γi],i = 1, 2. Além disso, p = γ1(`1) e p = γ1(`1). Considere γ3 uma geodésica minimizante que liga os extremos γ2(`2) e γ1(0) e seja i : TpMHε → TpM uma isometria injetora tal que i(γ01(`1)) = γ10(`1) e i(γ02(0)) = γ02(0), como pode ser observado pela figura 5. Definimos a curva em M como:

c =expp◦i◦ expp1(γ3),

que liga os extremos γ2(`2) e γ1(0). Assim, como a dobradiça (γ1,γ2,α3) é pequena podemos aplicar oCorolário do teorema de comparação de Rauch(ver apêndice), obtendo o desejado:

L[c]6L[γ3] Portanto, (B) é satisfeito para dobradiças pequenas.

(11)

Figura 5: Isometriai.

Fonte: Autora.

Para provar que (A) satisfaz para triângulos pequenos, fixe o vértice γ2(0) em um triân- gulo pequeno(γ1,γ2,γ3). Assim, pela parte 3 existe um triângulo(γ1,γ2,γ3)emMHε com L[γi] = L[γi] e α3 6 α3. Além disso, pela parte 2 sabemos que os triângulos em MHε estão determinados pelos comprimentos de seus lados. Assim, tomando qualquer outro vértice e aplicando o procedimento anterior, obtemos o mesmo triângulo. Em con- sequência, existe um único triângulo emMHεcomL[γi] = L[γi]eαi 6αi, ou seja,(A) satisfaz para triângulos pequenos.

(12)

Para dar continuidade vamos definir o conceito de dobradiça fina com ângulo reto.

Seja γ1,γ2, π2

uma dobradiça em M e γ1,γ2,π2

uma dobradiça em MHε com L[γi] = L[γi]. Considere γ3 uma geodésica minimizante ligando os extremosγ1(0) e γ2(`2), definida por:

γ3(t) = expγ

2(t) f(t)E(t),

em que E é um campo vetorial unitário paralelo ao longo de γ2 e perpendicular a γ02 e f : [0,`2] →Ré uma função apropriada. SejaE um campo vetorial unitário paralelo ao longo deγ2e perpendicular aγ02tal queE(0) = −γ01(`1).

Figura 6: Dobradiça fina com ângulo reto.

Fonte: Autora.

Assim, dizemos que γ1,γ2,π2

é umadobradiça fina com ângulo retose na hipótese doCorolário do teorema de Berger(ver apêndice) se aplica as curvasexpγ

2(t)(f(t)E(t))

(13)

Parte 5.(B) satisfaz para dobradiças finas com ângulo reto.

Demonstração. É consequência direta do Corolário do teorema de Berger que pode ser encontrado no apêndice.

Ademais, considere a seguinte definição:

Seja (γ1,γ2,α) uma dobradiça em M com α > π2 e (γ1,γ2,α) a dobradiça corres- pondente em MHε com L[γi] = L[γi]. Considere γ3 a geodésica minimizante ligando os extremosγ2(`2) aγ1(0) eσ : [0,`] → MHε o segmento geodésico, como pode ser observado na figura7, que parte deγ2(0)e satisfaz:

σ0(0),γ02(0)=0;

σ0(0) = −δγ01(`1) +βγ02(0), comδ,β>0;

σ(`)é o primeiro ponto deσque tocaγ3.

Figura 7: Interpretação da definição de dobradiça fina com ângulo obtuso.

Fonte: Autora.

Além disso, seja σ : [0,`] → M o segmento geodésico, como pode ser observado na figura8, que parte deγ2(0)tal que:

– hσ0(0),γ02(0)i =0;

σ0(0) = −δγ10(`1) +βγ02(0); – L[σ] = L[σ].

(14)

Figura 8: Dobradiça fina com ângulo obtuso.

Fonte: Autora.

Dizemos que(γ1,γ2,α)é umadobradiça fina com ângulo obtuso se γ1,σ,απ2 é uma dobradiça pequena e se σ,γ2,π2

é uma dobradiça fina com ângulo reto.

Parte 6.(B) é satisfeito para dobradiças finas com ângulo obtuso.

Demonstração.Pela desigualdade triangular em Mtem-se:

dg(γ1(0),γ2(`2))6dg(γ1(0),σ(`)) +dg(σ(`),γ2(`2)).

Por definição sabemos que(γ1,σ,απ2) é uma dobradiça pequena e pela Parte 4 (B) é satisfeito para dobradiças pequenas, então temos que:

dg(γ1(0),σ(`))6dHε(γ1(0),σ(`)). (2) Além disso, por definição sabemos que(σ,γ2, π2)é uma dobradiça reta fina e pela Parte 5 (B) é satisfeito para dobradiças finas com ângulo reto, então temos que:

dg(σ(`),γ2(`2))6dHε(σ(`),γ2(`2)). (3)

Somando as desigualdades2e3, comodg(γ1(0),σ(`)) +dg(σ(`),γ2(`2)) =dg(γ1(0),γ2(`2)), temos que:

dg(γ1(0),γ2(`2))6dHε(γ1(0),σ(`)) +dHε(σ(`),γ2(`2))

=dHε(γ1(0),γ2(`2)).

(15)

Prosseguindo vamos definir o conceito de dobradiça fina com ângulo agudo para de- monstrar a parte 7.

Sejam(γ1,γ2,α)uma dobradiça comα < π2 eγ2(`)o ponto mais próximo deγ1(0) e defina:

τ =γ2

[0,`] , θ =γ2 [`,`2]

eσ : [0,k] → Muma geodésica minimizante deγ1(0)eγ2(`). Dizemos que (γ1,γ2,α) é uma dobradiça fina com ângulo agudo se (γ1,τ,σ) é um triângulo pequeno tal que 0< ` < `2e(σ,θ, π2)é uma dobradiça fina com ângulo reto.

Figura 9: Dobradiça fina com ângulo agudo.

Fonte: Autora.

Parte 7.(B) é satisfeito para dobradiças finas com ângulo agudo.

Demonstração. Pela Parte 4, sabemos que (A) é satisfeito para triângulos pequenos.

Com isso existe um triângulo (γ1,τ,σ) em MHε com L[γ1] = L[γ1], L[τ] = L[τ], L[σ] = L[σ]e^ −γ10(`1),τ0(0) = α 6α. Além disso,^ −τ0(`),σ0(k) =α1 6 π2. Assim, sejaθ : [`,`2] → MHε uma geodésica definida porθ(`) = τ(`), θ0(`) =τ0(`) eγ2=τθ.

Então:

^σ0(k),θ0(`) =πα1 > π 2. Como σ,θ, π2

é uma dobradiça reta fina e por meio da parte 5, sabemos que (B) é satis- feito para dobradiças finas com ângulo reto, então temos que:

dHε σ(0),θ(`2)>dg(σ(0),θ(`2)). (4)

(16)

Masσ(0) =γ1(0), σ(0) =γ1(0),θ(`2) =γ2(`2)eθ(`2) = γ2(`2). Além disso, como

^(−γ1(`1),γ1(0)) = α6αentão pela Parte 1 podemos aumentar o ânguloαaα. Assim, temos que:

dHε(γ1(0),γ2(`2)) >dg(γ1(0),γ2(`2)).

Agora provaremos o teorema de maneira mais geral. Seja T = (γ1,γ2,γ3) um tri- ângulo geodésico, dizemos queT éfinose(γ1,γ2,α3)e(γ3,γ2,α1)são dobradiças finas.

Com isso, considere uma dobradiça (γ1,γ2,α) como em (B). Seja N ∈ N fixo e defina:

τk,` =γ2"

k`2 N ,

(k+`)`2 N

#,

em queke`são inteiros positivos com0 6k,` 6N. Além disso, sejaσkuma geodésica minimizante ligando os pontosγ1(0)eγ2

k`

2

N

. DefinaTk,`um triângulo da formaTk,` = (σk,τk,`,σk+`)como pode ser observado pela figura10.

Figura 10: Partição em triângulos finos.

Fonte: Autora.

Vamos mostrar que(σk,τk,`,σk+`)é de fato um triângulo, ou seja, todas as desigualda-

(17)

A desigualdadeL[γ1] +L[σN]>L[γ2]é satisfeita, pois caso contrário teríamos que:

L[γ1] +L[σN] <L[γ2]6 √π

H < √ π

H−ε. (5)

As duas últimas desigualdades se cumprem se H > 0 usando o teorema de Bonnet- Myers(ver apêndice) e são necessárias somente neste caso. Em qualquer caso a desigual- dade5 implicaria por sua vez que podemos construir com geodésicas minimizantes uma dobradiça (γ1,γ2,α) em MHε com L[γ1] = L[γ1] e L[γ2] = L[γ2], e usando a desi- gualdade triangular temos:

dHε(γ1(0),γ2(`2))>L[γ2]−L[γ1].

Ou seja, dHε(γ1(0),γ2(`2)) > L[γ2]−L[γ1] = L[γ2]−L[γ1] > L[σN] = dg(γ1(0),γ2(`2))e teríamos (B).

A desigualdade L[τ0,k] +L[σk] > L[γ1] (5) se cumpre porque usando a desigualdade triangular e o fato de queσk eγ1são minimizantes,

L[τ0,k] +L[σk]>dg

γ2(0),γ2

k`2 N

+L[σk] >L[γ1].

E L[τk+`,Nk−`] +L[σk+`] > L[σN](6) segue de σk+1 eσN são minimizantes e pela desigualdade triangular,

L[τk+`,Nk−`] +L[σk+`]>dg

γ2

(k+`)`2 N

,γ2(`2)

+L[σk+`]>L[σN].

Então, somando as desigualdades 5 e 6, e pela desigualdade triangular, temos:

L[τ0,k] +L[σk] +L[τk+`,Nk−`] +L[σk+`]>L[γ1] +L[σN]

> L[γ2]

=L[τ0,k] +L[τk,`] +L[τk+`,Nk−`] Assim, temos que:

L[τ0,k] +L[σk] +

((((((((

L[τk+`,Nk−`] +L[σk+`] >

L[τ0,k] +L[τk,`] +

((((((((

L[τk+`,Nk−`]. Portanto, L[σk] +L[σk+`] >L[τk,`], ou seja,Tk,`é um triângulo. Assim, por compaci- dade temos que para todo`fixado e Nsuficientemente grande,Tk,`é fino para todok.

(18)

Parte 8. Se (A) é verdade para Tk,` com ` fixo para todo k, então (B) é verdade para Tk,`+1com`fixo e para todok.

Demonstração.Suponha que (A) é verdade, então existe um triânguloTk,` = (σk,τk,`,σk+`) emMHεtal que:

L[σk] = L[σk],L[τk,`] = L[τk,`],L[σk+`] = L[σk+`] e

αk 6αk, βk+` 6βk+`

no qualαk =^σk0,τk,0`

eβk+` =^σk0+`,−τk,0`

.

.

Figura 11: Interpretação geométrica da parte 8.

Fonte: Autora.

Observe que βk+`+αk+` = π. Agora se extende τk,` agregando um segmento τk+`,1

de comprimento L[τk+`,1]. Dessa forma, vamos utilizar um argumento análogo a parte 7, uma vez que nas partes 5, 6 e 7 foi provado que (B) é satisfeito para dobradiças finas: reta, obtusa e aguda, respectivamente. Assim, como(σk+`,τk+`,1,αk+`)é uma dobradiça fina

(19)

por definição, então temos que:

dHε

σk(0),τk,`+1

(k+`+1)`2 N

>dg

σk(0),τk,`+1

(k+`+1)`2 N

com a dobradiça(σk,τk,`+1,αk).

Portanto, (B) e (A) são satisfeitos em MHε, pois (B) é satisfeito por indução, a base de indução se tem conforme descrito antes do parte 8 e o passo indutivo pela parte 8. Por fim, (A) é cumprida pelas Partes 3 e 4. Como temos (B) paraMHε, sabe-se que para todo ε>0suficientemente pequeno,

dHε(γε1(0),γε2(`2))>dg(γ1(0),γ2(`2))

ondeγε1,γε2 ⊂ MHε formam um ângulo α3. A funçãodHε é contínua em relação aε, então fazendoε0, temos:

dH(γ1(0),γ2(`2))>dg(γ1(0),γ2(`2))

De modo análogo, pela Partes 3 e 2 (A) é satisfeito. Dessa forma, completa-se a prova do teorema de Toponogov.

4 Apêndice

Os resultados apresentados a seguir podem ser encontrados em [2], [3] e [1].

Teorema de Hadamard. Seja M uma variedade Riemanniana completa, simplesmente conexa, com curvatura seccionalK(p,σ) 60, para todo p ∈ Me todoσ ∈ TpM. Então Mé difeomorfa aRn,n =dimM, mais precisamente,exp : TpM→ Mé um difeomor- fismo.

Teorema de Rauch. Sejam Mn e Mn+k duas variedades Riemannianas com k > 0 e γ : [0,a]→ Meγ : [0,a] → Mgeodésicas unitárias. E sejam Je Jcampos de Jacobi ao longo deγeγ, respectivamente, tais que:

J(0) = J(0) =0,

(20)

g(DtJ(0),γ0(0)) = g(DtJ(0),γ0(0)),

|DtJ(0)|g =|DtJ(0)|g.

Suponha que γ não contém pontos conjugados em (0,a] e que, para todo t, para todo x ∈ Tγ(t)Mex ∈ Tγ(t)M, temos:

K(x,γ0(t))>K(x,γ0(t)),

ondeK(x,y)denota a curvatura seccional com respeito ao plano gerado porxey. Então

|J|g6|J|g.

Ademais, se para algumt0 ∈ (0,a], temos que|J(t0)| =|J(t0)|, então K(J(t),γ0(t)) =K(J(t),γ0(t)), ∀t ∈[0,t0].

Corolário do Teorema do Rauch. Sejam Mn e Mn variedades Riemannianas. Suponha que para todop ∈ M, p ∈ M, σ⊂ TpM, σ ⊂TpM, temos queKp(σ) >Kp(σ).

Sejam p ∈ M, p ∈ M e fixe uma isometria linear i : TpM → TpM. Seja r > 0 tal que as restrições expp

Br(0) seja um difeomorfismo e expp

Br(0) uma aplicação não- singular. Seja c : [0,a] → expp(Br(0)) ⊂ Muma curva diferenciável e defina a curva c : [0,a]→expp(Br(0))⊂ Mcomo:

c(s) =exppiexpp1(c(s)), s∈ [0,a]. EntãoL[c]6L[c].

Para enunciar o segundo teorema convém introduzir as seguintes noções:

Definição. SejaSuma subvariedade da variedade Riemanniana M. Dizemos queq é um ponto focal de S se é valor crítico de expp

NpS para algum p ∈ S, onde NpS denota o complemento ortogonal deTpSemTpM.

Definição. Seja Muma variedade Riemanniana. Sejam p ∈ Me x ∈ TpMfixos. Consi- dere o conjunto:

(21)

Como expp : TpM → Mé um difeomorfismo local ao redor de0, existe uma vizinhança Udo zero emxtal que expp

U é um mergulho. A subvariedadeN =expp(U)se chama subvariedade geodésica definida porx.

Teorema de Berger. Sejam Mn e Mn+k duas variedades Riemannianas, tais quek > 0.

Além disso, considereγ: [0,a] →Meγ : [0,a] → Mgeodésicas unitárias. Suponha que para todot, x ∈ Tγ(t)Mex → Tγ(t)M, temos queK(x,γ0(t)) >K(x,γ0(t)). Ademais, suponha que para nenhumt ∈(0,a]o pontoγ(t)é ponto focal da subvariedade geodésica S definida porγ0(0). Sejam J e J campos de Jacobi ao longo deγ eγ, respectivamente, tal que|J(0)|g =|J(0)|g, g(J(0),γ0(0)) = g(J(0),γ0(0)) e |DtJ(0)|g =|DtJ(0)|g. Então|J(t)|g>|J(t)|g.

Corolário do Teorema de Berger. SejamMn eMn+kduas variedades Riemannianas tais quek > 0. Sejamγ : [0,a] → Me γ : [0,a] → M geodésicas unitárias eE,E campos vetoriais unitários paralelos ao longo deγeγ, tais que são perpendiculares sempre aγ0 e γ0, respectivamente. Além disso, defina a curva diferenciávelc: [0,a] → Mpor:

c(t) = expγ(t)(f(t)E(t)),

em que f : [0,a] → Ré uma função diferenciável. Além disso, defina a curva diferenciá- velc :[0,a] → Mpor:

c(t) = expγ(t)(f(t)E(t)).

Suponha queK>Ke que para cadata geodésicaη :[0,a] → Mdefinida por:

η(s) = expγ(t)(t)(s f(t)E(t)),

não contém pontos focais da subvariedade geodésica definida porη0(0). Então:

L[c]>L[c].

Teorema de Bonnet-Myers. Seja Mn uma variedade Riemanniana completa. Suponha- mos que a curvatura de Ricci deMsatisfaz

Ricp(v) > 1 r2 >0

para todo p∈ Me todov∈ Tp(M),|v| =1. EntãoMé compacta e o diam(M) 6πr.

(22)

Referências

[1] EBIN, D. G; CHEEGER J.Comparison Theorems in Riemannian Geometry. Ams Chelsea Publishing American Mathematical Society Rhode Island.

[2] GORODSKI, C. Notas de aulas. Universdade de São Paulo, Câmpus São Paulo.

Disponível em: <https://www.ime.usp.br/gorodski/teaching/mat5771-2021/riem- geom-gorodski-2016.pdf>. Acesso em: 04 de maio. de 2021.

[3] MANFREDO, do C.,Riemannian Geometry. Mathematics: Theory & Applications, Birkäuser.

[4] MEYER, W. Toponogovs Theorem and Application. Disponível em:

<https://www2.math.upenn.edu/ wziller/math660/TopogonovTheorem-Myer.pdf>.

Acesso em: 04 de maio. de 2021.

[5] TOPONOGOV, V. A., Biography. Disponível em:<

http://math.haifa.ac.il/ROVENSKI/toponogove.htm>. Acesso em: 29, maio de 2021.

Referências

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