Universidade Federal da Bahia Faculdade de Medicina
Departamento de Anatomia Patológica e Medicina Legal Disciplina de Imunologia – MED 194
I – CÉLULAS DO SISTEMA IMUNE
Monitor: Adriana Barreto.
Sumário
1 Conceitos Gerais... 2
2 Linfócitos B ... 2
3 Linfócitos T ... 2
4 Diferenciação de T e B ... 3
5 Outros linfócitos: K, NK e LGL (LAK) ... 4
6 Macrófagos ... 4
7 Outras células apresentadoras de antígeno (APC): ... 4
8 Moléculas de adesão... 4
9 Trafego linfocitário... 5
10 Questões para estudo : ... 5
11 Bibliografia:... 5
1 Conceitos Gerais
Receptores x Marcadores celulares.
2 Linfócitos B
Derivam de células tronco hematopoiéticas através de complexa diferenciação. Sua característica principal é a capacidade de sintetizar proteínas denominadas imunoglobulinas. O tipo de marcador existente em cada estágio de maturação dos linfócitos B é importante no diagnóstico e tratamento corretos dos linfomas ,por exemplo.
Pré-B B imaturo B maduro Plasmócito
cm ; MHC-II sIgM; MHC-II sIgM; sIgD; MHC-II; FcR (CD16); Recep.
EBV
cIg; Neg. para sIg, MHC-II, FcR
3 Linfócitos T
Fazem parte de outra grande classe de linfócitos, derivam de precursores nos tecidos hematopoiéticos que sofreram diferenciação no timo.
Córtex Ext. Cortex Int. Junção Cortico-Med. Medula CD2+ CD2+; CD4+;
CD8+
CD2+; CD4+; CD8+;
TiCD3+
CD2+; TiCD3+; CD4+ (Th) ou CD2+;TiCD3+; CD8+ (Ts/LTC)
T ativada Th1 Th2 T “naive” T de memória
MHC-II; IL-2R Prod. de IFNγ e IL- Prod. de IL-4, IL-5 e IL- CD45RA CD45RO
2 10
4 Diferenciação de T e B
Característica T B
% no sangue periférico 65-80 8-15
Receptor de Ag
sIg - ++
CD3 ++ -
CD19
FcγR + (alguns) ++
Recep. C3B + ++
Recep. EBV (CR2) ou CD21 - ++
MHC
Classe I ++ ++
Classe II somente em céls. ativadas ++
Ativação policlonal anti-CD3; ConA, PHA, PWM
anti-Ig, Staph.aureus, EBV, PWM
5 Outros linfócitos: K, NK e LGL (LAK)
As células Natural Killer( NK) são intimamente relacionadas com os linfócitos T. Estas células estão envolvidas com a proteção contra tumores e infecções virais, citotoxidade celular anticorpo dependente (ADCC) e a produção de IFNγ.
6 Macrófagos
Marcadores: MAC1; FcR; MHC-II.
Apresentação de Antígeno
Ativação do macrófago (espalhamento, aumento do metabolismo respiratório; metabolismo do nitrogênio)
7 Outras células apresentadoras de antígeno (APC):
Linfócitos B e células dendríticas. Estas últimas constituem uma população difusa residente em todos epitélios de superfície e muitos orgãos sólidos, assim ,recebem vários nomes a depender de sua localização: células de Langerhans da pele, céls. “veladas” da linfa, céls. Dendríticas do sangue e céls. Interdigitantes. As céls.
Dendríticas foliculares não são APC.
8 Moléculas de adesão
Th CD40L CD28 LFA-1 CD4 e CD3-TCR CD2
APC CD40 B7-1 e ICAM-1 MHC-II LFA-3
B7-2
LTC LFA-1 CD8 e CD3 TCR CD2
APC ICAM-1 MHC-I LFA-3
9 Trafego linfocitário.
É possível ,pois os linfócitos são células capazes de migrar entre locais específicos .Esta migração tem algumas funções como o monitoramentode todo o organismo à procura de focos de infecções ou de antígenos estranhos.
10 Questões para estudo :
01. Em que diferem um receptor de antígeno de um linfócito de um receptor de hormônio de uma glândula?
02. Em que diferem a ativação do linfócito e do macrófago?
03 Quais as diferenças na apresentação de antígeno feita pelo Macrófago e pelo linfócito B?
04 Qual a importância das moléculas de adesão na ativação do linfócito?
05 Como V. explica a preferência de recirculação linfocitária para áreas específicas?
qual a vantagem evolutiva que isto pode apresentar?
11 Bibliografia:
Básica :
• ROITT, Ivan; BROSTOFF, Jonathan; MALE, David, Imunologia, Ed. Manole STITES
Universidade Federal da Bahia Faculdade de Medicina
Departamento de Anatomia Patológica e Medicina Legal Disciplina de Imunologia – MED 194
V – IMUNIDADE INATA
Monitor: Daniel Gomes
Sumário :
1 Comparação entre os sistemas funcionais da imunidade... 1
2 Componentes da imunidade inata... 2
2.1 Proteínas solúveis: ... 2
2.2 Cascata do Complemento: ... 2
2.3 Quimiocinas:... 2
2.4 Células : ... 2
3 Papel biológico da resposta imune inata... 2
3.1 Controle da infecção... 2
3.2 Controle da resposta imune adaptativa:... 2
4 Bibliografia recomendada... 3
Os dois sistemas funcionais da imunidade: Imunidade Inata x I. Adquirida Componentes da Imunidade Inata:
Resposta de fase aguda Proteínas solúveis Células:
- Fagócitos
- Processo de migração leucocitária Papéis biológicos da resposta imune inata:
Contenção da infecção
Controle da resposta imune adaptativa:
- Conceito de PAMP
- Conceito e classes de receptores de reconhecimento padrão - Controle da ativação e recrutamento de linfócitos ag-específicos
1 Comparação entre os sistemas funcionais da imunidade
IMUNIDADE INATA IMUNIDADE ADQUIRIDA Rápida e não específica Lenta e específica
Não requer esposição prévia Requer exposição prévia Não modificado por exposições repetidas
ao patógeno
Resposta aumentada por exposições repetidas ao patógeno
Apesar de cada sistema possuir fatores solúveis e elementos celulares próprios, existe a necessidade de atuação em conjunto para a máxima eficácia na defesa.
2 Componentes da imunidade inata
Resposta de fase aguda: conceito e importância 2.1 Proteínas solúveis:
Continuamente expressas durante a vida. Podem variar quantitativamente em determinados períodos, porém não mudam qualitativamente.
Exemplos: Lisozima, Proteína ligadora de manose, Proteína C reativa.
2.2 Cascata do Complemento:
Conjunto de proteínas séricas que reagem em cascata (cataliticamente ativadas) e possuem 3 papéis na imunidade inata:
- Formação de poros na superfície de bactérias;
- Opsonização;
- Fator quimiotático.
2.3 Quimiocinas:
Uma família de citocinas, produzidas por uma variedade de tipos celulares (principalmente monócitos, macrófagos e células endoteliais), que têm um papel crucial em atrair tipos celulares específicos para o sítio de lesão tecidual ou inflamação.
Exemplos: IL-8, MIP, MCP, Eotaxina, RANTES.
2.4 Células : Fagócitos:
NEUTRÓFILO MACRÓFAGO
Núcleo segmentado Mononuclear
Abundantes grânulos citoplasmáticos Moderados grânulos citoplasmáticos Capacidade muito limitada de sintetizar
novas proteínas
Podem sintetizar novas proteínas (presença de abundante RER e Complexo de Golgi) Localizam-se no sangue e medula óssea Localizam-se em todos os tecidos
Potencial para secretar citocinas ainda discutível
Papel imunorregulatório importante com secreção de citocinas
Não atuam como APC Atuam como APC
Etapas da migração do leucócito do vaso sangüíneo até o foco inflamatório.
3 Papel biológico da resposta imune inata
3.1 Controle da infecção
Controla a infecção até que os linfócitos sejam ativados, proliferem e comecem a agir, conferindo uma resposta mais específica e eficaz.
3.2 Controle da resposta imune adaptativa:
Enquanto a imunidade adquirida reconhece uma grande variedade de antígenos específicos, a imunidade inata reconhece poucas, mas altamente conservadas, estruturas presentes num grande número de microorganismos.
A essas estruturas, conferiu-se o termo padrões moleculares associado ao patógeno (PAMP). Os receptores presentes nas células da imunidade inata que os reconhecem, denominam-se receptores de reconhecimento padrão (PRR).
Os receptores de reconhecimento padrão podem ser divididos em três classes:
PRR SECRETADOS PRR ENDOCÍTICOS PRR SINALIZADORES Atuam na opsonização e
ativação do complemento
Presente na superfície dos fagócitos
Ativam vias de transdução de sinal
Ex.: Proteína ligadora de manose
Permitem fagocitose e apresentação de antígeno (associado ao MHC)
Induzem a expressão de vários genes responsáveis pela produção de citocinas, quimiocinas e moléculas co- estimulatórias.
Lembrete: Ativação de linfócitos = Necessidade de duplo sinal
(Antígeno + molec. co-estimulatória) (Antígeno + citocina)
Após a ativação, os linfócitos T helper controlam outros componentes da imunidade adaptativa, como a ativação de linfócitos T citotóxicos, células B e macrófagos.
O reconhecimento da imunidade inata, portanto, parece controlar os principais aspectos da resposta adaptativa através do reconhecimento de micróbios infecciosos e da indução dos sinais necessários para a ativação da I. Adaptativa.
Os receptores envolvidos na co-atuação dos sistemas imune inato e adaptativo:
Fig. 1. Fonte: Medzhitov, Ruslan and Janeway, Charles. Innate Immunity. New England Journal of Medicine; 343: 338-344, 2000.
4 Bibliografia recomendada Básica :
• Medical Immunology.Daniel P. Stites, Abba I. Terr, Tristram G. Parslow.
Capítulo 2 Imunidade Inata
Avançada :
• Innate Immunity.Ruslan Medzhitov and Charles Janeway.New England Journal of Medicine; vol. 343: 338-344, 2000.
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UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA
FACULDADE DE MEDICINA
DEPARTAMENTO DE ANATOMIA PATOLÓGICA E MEDICINA LEGAL
DISCIPLINA DE IMUNOLOGIA –MED194
Monitor: Ricardo Souza ÓRGÃOS LINFÓIDES
1-ÓRGÃOS LINFÓIDES PRIMÁRIOS (CENTRAIS) ... 1
1.1-TIMO... 1
1.2-MEDULA ÓSSEA... 2
2-ÓRGÃOS LINFÓIDES SECUNDÁRIOS (PERIFÉRICOS)... 2
2.1-BAÇO... 3
2.2-LINFONODOS... 3
2.3-TECIDO LINFÓIDE ASSOCIADO À MUCOSAS... 4
3-CIRCULAÇÃO DOS LINFÓCITOS ... 4
3.1-FUNÇÕES DA CIRCULAÇÃO DOS LINFÓCITOS... 5
4- QUESTÕES PARA ESTUDO... 5
5-BIBLIOGRAFIA... 5
Apenas 1% da população total de linfócitos é encontrada circulando no sangue. Na sua maioria, os linfócitos são encontrados nos chamados órgãos linfóides.
Os órgãos linfóides são classificados em primários (ou centrais) e secundários (periféricos).
1-Órgãos linfóides primários (centrais) Timo e medula óssea (+ fígado fetal).
Nestes órgãos ocorre a linfopoese (produção de linfócitos), ou seja, as células se diferenciam das células tronco, proliferam e amadurecem em linfócitos funcionais.
Linfócitos T amadurecem no timo.
Linfócitos B amadurecem no fígado fetal e na medula óssea.
Nos órgãos primários os linfócitos adquirem seu repertório de receptores antígeno- específicos e são selecionados de acordo com sua resposta aos autoantígenos (antígenos do próprio organismo).
1.1-Timo
Principal local onde se diferenciam células T.
Localizado na cavidade torácica, próximo ao coração, possui 2 lobos e cada um contêm vários lóbulos (ver Fig.1). Os lóbulos são divididos em córtex e medula interna. As células progenitoras são transportadas do sangue para o timo e formam um conjunto de células em multiplicação localizado no córtex. Dessa forma, o córtex contêm a maioria dos timócitos (linfócitos residentes no timo) imaturos em proliferação; já a medula dos lóbulos
2
possui células maduras. Portanto, há um gradiente de maturação das células do córtex para a medula:
! Córtex externo –
Timócitos CD4- e CD8- (aproximadamente 10%).
! Córtex interno – Rico em timócitos duplo-positivos CD4+ e CD8+ que constituem quase 75 % das células do timo e não são imunologicamente funcionais.
! Medula – Timócitos positivos simples: CD4+
ou CD8+.
Fig.1-Histologia do Timo. Fonte: 2º site da bibliografia
A grande parte dos timócitos duplo-positivos morrem sem nunca terem saído do timo. Desse modo, constata-se que no timo ocorre um intenso processo de seleção dos timócitos baseado na relicação e morte celular.
Ainda não foi confirmado, mas suspeitas indicam que os corpúsculos de Hassal (estruturas queratinizadas localizadas na medula tímica) são timócitos que estão sendo eliminados neste processo de seleção sofrendo apoptose (morte celular programada).
O epitélio do timo é constituído de camadas e ilhas de células escamosas que sustentam os linfócitos e elaboram hormônios peptídicos (timulina, timopoetina, fator humora tímico e variadas formas de timosina) que talvez desempenhem papel na atração de precursores de linf. T ou promovendo a sua maturação.
A circulação de células para dentro ou para fora do timo ocorre através das veias endoteliais altas (HEV).
1.2-Medula Óssea
As células hemopoeticas do fígado fetal e medula óssea dos adultos originam diretamente os linf. B. Um microambiente de direfenciação é estabelecido e mantido por células estromais da medula óssea (rede de células epiteliais). Cada micorambiente é destinado à produção de um tipo celular específico. As células estromais, além de fornecer moléculas de adesão e da matriz extracelular, sintetizam também numerosas citocinas essenciais da hematopoese.
A medula óssea contêm células T maduras (atuando assim também como órgão linfóide secundário).
2-Órgãos linfóides secundários (periféricos)
Baço e linfonodos- encapsulados e pertencem ao sistema linfóide sistêmico.
Tecido linfóide associado a mucosas- MALT (ex: amígdalas, placas de Peyer no intestino, BALT).
Os linfócitos diferenciam-se a partir de células tronco, nos órgãos primários, mas migram para os secundários, locais que os linfócitos interagem entre si, com células acessórias e com antígenos. Assim, as respostas imunes celular e humoral ocorrem nos