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Rev. Bras. Enferm. vol.45 número1

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Academic year: 2018

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MARCO C O N C E ITUAL PARA A PRÁTICA AS SISTE N CIAL DE E N FE RMAGE M

E N QUANTO PROC E S S O E DUCATIVO E M SAÚDE

Maria Elisabeth Kleba da Silva * Flávia R.S.Ramos Gonzaga * Mta Machado Verdi *

R E S U MO

- Parti n d o d o princípio que o processo educativo em saúde é um dos processos de trabalho d a enfermagem, e que o a profu n d a mento e busca de definições qua nto a o mesmo é uma d a s gra n des necessida des da pro­ fissão, as autora s a presenta m co nceito s básicos para uma fun d a mentação d a a ssistência de enfermagem que recupere a articulação educação-cida d a­ nia, n a pers pectiva de uma visão dialética d o processo de trabalho d a en­ fermagem. O marco pro posto inclui os co nceitos de ho mem, socied ade, pro­ cesso saúde-doença, sistema s de saúde, enfermagem, educação, partici­ pação, práxis e cid a d a nia.

ABSTRACT

- The purpose of this study wa s to develo p a co nceptual fra mework for nursin g pratice including a educatio n health processo The fra mework focuses o n an educatio n a nd citizen ship articula tio n in the pers pective of a dialetic view of nursing work processo The Co nceptual fra mework includes the con�epts of huma n, society, health-illnes process, systems of health, nursing, education, p a rticipatio n, praxis a n d citizen ship.

1 I N T R O D U ÇÁO

A prática de enfenagem tem sido tema de muitos debates denro da categoria, que busca amplir e deinir seu espaço como proissão de saber esecico. Este saber, que iluencia de­ cisivaente as ações a serem desenvolvidas, necessita deinições clras, objetivas e abran­ gentes, para que possa sustentr com coerência e tneza a atuação que impulsiona.

Segundo NEVES e GONÇALVES12 a pr­ r dos eventos preocupntes, a proissão fonu­ la postulados, proposições e princípios com o objetivo de fonar um corpo de conhecimentos referencial te6rico ou conceitual, adequando sua intervenção. No entanto, para que as idéias se tonem operantes, como nos refere CASTO­ RIADIS3, "devem encanar-se em instumentos e étodos de trabalho", que são considerados novos na medida em que realizam "uma nova maneira de conceber as relações da atividade produtiva com seus meios e seu ohjeto".

Nesta persectiva, este trabalho apresenta alguns conceitos, na intenção de contribuir para o ediensionaento da enfenagem enquanto prática social inserida no processo maior de tra­ balho em saúde. Denro deste processo , enten­ demos a educação em saúde como um dos pro­ cessos particulres a ser realizado pela enfer­ magem, de fona articulada aos objetivos gerais da assistência.

Para ALMEIDA et alii1, a educação, en­ quanto processo de trabalho da enfenagem, é

visualizada como um "insumental - objeto que pecisa ser mais estudado e que possibilita um avanço no modelo de saúde coletiva pra o tra­ balho em enfenagem". Isto relete um momen­ to hist6rico da proissão, que busca, entre ou­ tras questões, compreender melhor os potenciais da educação enquanto dimensão da pr6pia as­ sistência.

Este estudo inicial é resultado de uma ca­ minhada conjunta das autoras, no curso de Mes­ trado em Enfenagem da UFSC. Durante tês semeses de aprendizagem te6rica, construimos as concepções aqui expostas através de muitas leituras e discussões, especilmente dentro ds disciplinas de Fundamentos Filos6icos e Te6ri­ cos da Enfenagem, Met,odologia da Assistên­ cia de Enfenagem em Saúde Coletiva e Prática Assistencial de Enfenagem. Neste processo, foi de undmental importância a paticipação , incentivo e apoio das professoras Eloita Perera Neves. Arruda, Eliana Marlia Faia, Lygia Paim Müller Dias e Maria Teesa Leopardi.

O objetivo principal deste rabalho é apre­ sentar um Marco Conceitul , buscando cons­ truir um referencial para a assistência de enfer­ magem, principalente enquanto processo de educação em saúde. Os conceitos trabalhados são: homem, sociedade, processo saúde-doença, sistema de saúde, enfenagem, educação, pti­ cipação, práxis e cidadania, que serão apresen­ tados a seguir, nesta seqüência.

* Aluns do Cuso de Mesrado em Enfenagem da Universidade Federal de Sana Caarina

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2 CONCEITOS

Hoem

a homem é "simultaneamente ser particu­ lar e ser genérico" (HELLER").

um ser, não absração, ois através de seu copo materializa sua existência que adquie signiicado por meio de sua consciência.

E

genérico enquanto ex­ pressão de suas relações sociais e é prticulr a medida em que airma e exprime sua individua­ lidade em cada uma de suas elações com o mundo.

Em sua essência social, o homem atrma-se como sujeito, relacionando-se ativaente com o. mundo, ransformando a natueza, os ouros hoens e a si mesmo. "Cada hoem se rans­ foa em si esmo, se modilca, na medida em que tansforma e modilca todo o conjunto de. elações do qual ele é o onto cental" GRAM-. scra.

Segundo Fromm ,apud VEIA20, "o ho­ mem é o único ser capaz de compeender as póprias forças a que está subodinado e que or meio dessa compeensão pode toar pte ativa no pr6prio destino" .

Com base nos autores acima referidos po­ de-se destacar alguns pessupostos acerca do hoem:

- o homem é social e hist6rico, pois viven­ cia condições deerminadas hist6rica e socil­ ente;

- o homem é produtivo, sendo que através do trabalho apeende e se apropria da ealidade;

- o homem possui consciência e liberdade, o que imprime seu potencial pra, na unidade de suas elaçes sociais e por meio de sua natu­ reza política, ransfor as condições objetivas

e subjetivas de sua existência; .

- o homem é um ser em movimento, inte­ gante da dinâmica da construção da hist6ria, ou seja, está "no rimo e luxo da vida, sempe em mutação" (HA YIO).

Sciedade

Sendo o hoem de natureza essencialmente social, constitui em seu processo hist6rico, a partir de suas relaçes com ouros homens, es­ utura que viabilizam a produção e eprodução de sua vida. Tais esuturas condicionam de ua certa forma a vida dos indivíduos, pois conrolam seus conlitos através de valoes, nomas e leis constituídos forml e informl­ mente, suil ou explicitamene.

A sociedade é entendida então como a toa­ liade das relações que o indivíduo faz pe, ou seja, o conjunto das elações sociais dos hoens ene si e destes com a natueza. Tal concepção subenende um processo dinâmico e dialéico, onde as forças individuais e sciais são ao mesmo temo condicionadas e condicio­ nanes.

A base da esutura socil é "a totalidade das elções de produção e das forças produti­ vas, que fom sua esutua conômica ( ••• ) à qual coespondem deerminadas fomas de consciência scial" (Hhn e Kosing, apud QUEIROZ e EGR y16. Refoçando tal conceito, GRAMSCra nos colca que a sociedade adquie dois comonentes básicos: ma inaestrutua baseada na produção, ou seja, na maneira como as pessoas se organizm pra sobreviver; e a sueestrutura - ciada forml e infomalmene, com ingedientes culturais e polticos que efor­ çam e estabilizam a ifestrutura.

As elações sociis vigentes em nossa so­ cieade, determinam a existência de classes e grupos sociis que êm signilcados diferentes. Pode-se entender classe socil como a foma de os indivíduos estem inseridos no prcesso de prdução numa sciedade. Por ouro lado, os indivíduos se eúnem em gruos sciais moti­ vados por alguma identidade que, além de os agrupr em sua classe, os une em tomo de inte­ esses e valores comuns.

Saóe - Dença

a conceito de saúde e doença é a expessão de a complexa ede de signitcações conce­ bidas elo homem em suas elações sociais.

?

u seja, este conceito está vinculado às pr6pnas conceções tlos6tcas, portanto, devido a sua subjetividade e complexidade pode ser melhor taduzido aávés de alguns pressupostos:

- saúde e doença constituem uma unidade ao mesmo tempo indissciável e contadit6ria, pois fazem pte de um mesmo pocesso;

- o pocessõ saúde-dença expressa uma to­ talidade socil em suas dimensões coletiva e in­ dividual, que exraola a noção liner de cau­ saefeito, s evidencia o enente conlito e movimento da vida social;

- o prcesso saúde-doença possui funda­ mento material - traduz condições objetivas da vida social, mas está innsicamene elaciona­ do a subjetividade humana;

- a condição objetiva do pocesso saúde­ doença não se limita aos copos dos indivíduos, mas relete a dinâmica de suas elações num momento ist6rico e numa sociedade conceta;

- a conJição subjetiva do processo saúde­ doença se expressa nos signiicados que as condições objetivas adquirem nas elações so­ ciais, através da mediação da consciência;

- o homem como ser prático e consciene, integrado ao pocesso hist6rico de uma totli­ dade socil mais ampla, tem potencial de ação e ansfomação sobe esa sociedade e, poanto, sobe o prcesso saúde-doença.

Sisema de Sa4de

Entende-se por Sistema de Saúde o conjun­ to de olíicas. pos, serviços e ações que

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se desenvolvem de acordo com a fora pópria de aiculação' das necessidades populres de saúde com os inteesses hegemônicos, ou seja, as espostas instituCionais ou não a esas neces­ sidades, dentro de ua organiação econômico - olítico - scial concea.

Sisema cl de Sa4de

o Sistea ocal de Saúde, por sua vez, como nos refere MACEO apud PAGANINP', "compeende a aticulação de todos os recursos existentes em uma zona pra sua melhor utili­ zação, adequação a ealidade local e sobretudo o estabelecimento de uma elação de mútua res­ onsabilidade com a população adscrita".

Unidade Bsica de Sa4de

A Unidade Básica de Saúde é então com­ peendida como a esruura adminisrativa na qual se organizam um conjunto de ecursos e mecanismos com a Ímalidade de desenvolver ações de promoção da saúde, adequada a uma ealidade especica. Entende-se aqui, que a pomoção da saúde engloba todos os níveis de ação.

Os sistemas locais e unidades básics de saúde epresentam difeentes instâncias . de gestão, planiicação e oeracionalização do Sis­ ema Nacional de Saúde. u seja, possuem es­ peciicidade e vaiáveis focos de abrangência, ao esmo tempo em que fazem parte de uma dinâmica mais global da qual emanam as die­ izes fundamentais de suas ações.

Efemagem

A enfemagem é uma prática scial que se "articula como as demais práticas t socieda­ de" (CASTLLANOS et alli4), se concretiza em todos os moentos da vida individual e co­ leiva e é detenada pela pópria organização scial em deteninado momento hist6rico.

Desenvolve um saer e prática póprios com a inlidade de atur no processo saúde­ dença, pois, enquanto prática dirigida para um resultado pessupõe um saber, que por si s6 não modiica a realidade, s constiui o conheci­

mento indispensável que efetiva a prática rans: fomadora. Pra PIRES15 'a enfemagem ao pestar cuidados ao hoem �sá ealizando um abalho qu� tem uma �ção (objeto), petende chegar a um Ín (inalidade), utiliza conheci­ entos e técnicas (nstimentos de tabalho) pa­ ra provocar mudanças".

Segundo S ANCHZ V AZQUEZl1, "o obje­ to da prática pode ser a natureza, a sciedade que os homens eais, segundo deteminada ne­ cessidade de ansfomação onde o esultado é uma nova ealidade". Neste sentido, a enferma­ gem ode ser inepetada coo uma uidade de

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páticas podutiva, scial e cientica. Produtiva or ser um prcesso de rabalho inseido nas e­ laçes de produção que mantém em seu seio uma divisão scial e técnica e que possui objeto e Ímaliade deinidos" bem como insumentos de transfomação e autoransformação. Social por esar inserida numa organização social, pr­ ticipando s lutas de classe, ideol6gicas e de oder. E como prática cientíica porque em seu desenvolvimento refoça ou reformula a teoia que susenta suas conceçes noteadors da prática.

A pática de enfemagem se dá em difeen­ es dimensões, quis sejm, assistencil, adi­ nisrativa, educativa e organizativa. Na verda­ de, a deÍmição de is dimensões em sido foco de debaes na atualidade, pois sua compeensão ainda não está suicientemente clra. Ou seja, é necessáio deÍmir não s6 o que as compõem, em como as difeentes e iculaçes existentes ente si.

ducação

Segundo SAVIANpe, a educação "é uma prática scial mediadora no seio da prática so­

cial global".

É

um prcesso de constituição do

homem e da sciedade, onto é um movimen­ to de tonar-se, guiado por um projeto hist6ico e políico.

eendendo do pojeto olítico que a die­ ciona, a educação pode sevr pra alienar o vi­ ver dos homens, acomodando-os às "cir­ cunstâncias", ou pode ser um elo para a sua li­ betação, na conquista da autonomia coletiva.

Aesar desa subordinação da educação à atividade poltica, ela traz em si um potencial de mudar os umos esabelcidos, através ds mudanças de concepção de mundo que acompa­ ham o movimento da . sciedade. Conforme CASTORIADIS", um fazer lúcido não se aliena na imagem do que está or vir, mas é redimen­ sionado à medida em que se efetiva e que se desvenda um novo saber.

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dife-enes mOlentos ou até simultnemente, ser nsumento, elemento, ou o próprio pocesso de cosução da práxis.

Tendo como inalidade a emancipação do homem aravés de uma pática crítica e criativa, a educação se dá como um prcesso por não oder ser concebida estaticamente, nem desvin­ culada das conadições presentes na dinica social. Poranto, é um contnuo movmento de erceção, relexão e ação, diecionado por um pojeto histórico e político em seus momentos de conscienização, organizção e capacitação pra a sformação da realidade.

Pticipação

Paticipação é um processo dinâmico, se­ gundo SOUZ A 1Q "é o próprio prcesso de criação do homem ao pensar e agir sobre os de­ saios da natueza e sobe os desaios sciais nos quais ele próprio está situado". Deste con­ ceito se depeendem duas dimensões da pici­ pação: a participação como processo scial' ("esulado da ação de forças sociais") e parti­ cipação como "equisito de realização do ser humano" (SOUZA 19).

Tais dimensões se conapõem à noção de paticipação comp fenôeno de simples inte­ gração ou adesão, pois este repesenta formas das po}{ticas sociais obeem legitimação popu­ lar. Ao conário de smples concessão, parici­ pação pessupõe, segundo SOUZA 19, conscien­ tização, orgnização e capacitação, onde possa ocorer a redefição dos inteesses e mecanis­ mos de enfentamento social.

Baseando-se em DEMO·, pod--se levanar os seguintes pressupostos:

- participação é um processo, pois nunca está acabada ou suiciente; mas é um constante vir a ser onde se movimentam forças sociais ;

- participação é histórica e se expressa no cotidiano da dinâmica social;

- participação é uma dimensão básica da ci­ dadania e um eixo fundamental da po}{tica so­ cial;

- participação é conquista, pois possui co­ mo sentido básico o conlito, a luta de interes­ ses e a autopromoção (no sentido de ser sujei­ to);

- participação é uma forma de poder, pois visa intervir na ealidade, desocultar os modos de epessão e garantir, atavés de formas de re­ sistência e ansfomação, a articulação de no­ vos poderes;

- paticipação possui vários canais de ex­ pessão (organização da sociedade civil, edu­ cação, cultura, movimentos sciais, ec).

Portanto, a pticipação como uma prática social consciente é a foma de o ser humano unir-se à dinâmica das elações sociais em bus­ ca da ealização de objetivos comuns à coletivi- , dade.

Pxis

Segundo SANCHEZ V AZQUEZI7, a práxis é a "atividade prática social, ransfomadora, que coesonde à necessidades

p

ráticas e im­ plica em ceto grau de conhciento da reali­ dade que transfoma e das necessidades que sa­ tisfaz". Para ele, a fmalidade que impulsiona e direciona a prática é elaborada antecipadamen­ te, como um produto a ser alcançado por meio da ação ransfomadora. Esta elaboração dá-se por meio da consciência, que, a partr da pó­ pria prática e do objeto eal passível de trns­ formação, produz o conhecmento que' funda­ ena a ação humana.

Para CASTOIADIS3, a prática é atividade consciente, mas ifeentemente da tCnica, não utiliza a teoria como um código preliinar em que o objetivo se alcança com um saber já ape­ endido. Ela se dá numa prática que desvenda ao mesmo tempo em que transfoma. "Ela se aoia sobre um saber ( •.. ) sempe fragmentáio e po­ visório ( •.. ). Elucidação e transfomação do real pogidem, na práxis, num condicionamento ecípoco" (Ibidem: 95).

A pxis humana se siua smulaneamente na esfera da consciência (subjetivo) e da ação (objetivo).

Na esfera da consciência a práxis requer: a. Conhecimento do objeto a ser transfor­ mado (e do seu potencial de tnsfomação);

b. mediação das inalidades projetadas; c. conhecmento dos meios e instumentos que ,odem ser utilizados na ransfomação;

d. conhecimento "das condições que abem ou fecham as possibilidades dessa ealização"

(SANCHEZ V AZQUEZI7); Na esfera da ação a práxis :

a. parte de um objeto real (natureza, socie­ dade ou os hoens eais) e tem como produto um objeto tansfomado;

b. se concetiza aravés de um trabalho hu­ mano, utilizando insumentos de trabalho;

c. é ciadora, pois, através dela o homem constrói a si e a ealidade, num prcesso de transfomção.

Assim, a práxis não pode ser considerada uma prática puramente mateial, nem puramente teóica, mas "requer um constante vai e vem de um plano a ouro, o que só ode ser assegurado se a consciência se mostrar ativa, ao longo' de todo um pocesso" ( • • • ) onde teoria e prática "convergem no poduto objetivo" ( ... ) ex­ pressão de sua unidade. (SANCHEZ VAr QUZ17).

Como nos refee CASTORIADIS3:

"a consciência humana como agente trans­ formador e criador ( .•• ), é essencialmente

uma consciência pática, uma rzão ope­ rante - ativa ( ... ). Mas esta prática não é exclusivamente uma modicação do

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do material, ela é tmbém ainda mais, mo­ diicação das condutas dos homens e suas elações". (p.33)

O pocesso de trabalho de educação em saúde tem como objeto a pr6pria práxis indivi­ dual e coletiva, já que não se lmita a simples trnsmissão de conhecmentos ou a momentos estanques de conscientização ou de ação sobe as condições objetivas de vida, mas supõe uma pática que visa a capacitação dos homens, num processo indissociável de relexão e ação pra a trnsfomação da realidade. Como nos efere CASTORIADIS3, a práxis consiste neste "fazer no qual o outro ou os outros são visados como seres autônomos e considerados como o agente essencial do desenvolvimento de sua própia autonomia" (p.94).

Cidadania

Segundo FERREIRA 7, cidadania é a qualidade ou estado do cidadão, que , como l,

goza dos direitos civis e olíticos de um Estado e desempenha seus devees para com este. As­ sim, como expessão das relações ente indiví­ duo e Estado, cidadania adquire as seguintes cracterísticas :

- é histoicamente determinada, pois acom­ panha a dinâmica das ransformações s6cio -político - econômicas que configuram o Estado; - é um processo de conquista, pois nas raí­ zes de toda trnsformação e obtenção de cida­ dania está o conlito de inteesses, a relação en­ e podees.

A cidadania "tem seu copo e os seus lmi­ tes como uma situação scial, jurídica e políti­ ca", que expessa a metamofose de uma igul­ dade e liberdade absrata e/ou te6rica (enraizada na culura', em um estado de dieito (PACHE­ CO' 3 Como esta concetizção depende de condições objeivas como a natueza do Estado e do regie, o ipo de sociedade estabelecida e o nível de consciência da sociedade civil, as distoções da vida econômica e social geam fomas distintas de econhecimento da cidada­ nia. Ese econhecimento ocoe de acordo com a posição ocupda elo indivíduo no modo de proqução, a sua maior ou menor proximidade com a classe hegemônica e ela utilização de mecanismos de pessão que edmensionem a dinmica das elações sociais.

2

INTE R R E lAÇÁO DOS CO N C E ITOS

O homem, por sua essência, não pode ser

concebido isolado das relaçes sociais histori­ caente determinadas. Assim tmém o poces­

so saúde-doença s6 pode ser compeendido em

sua deteminação social. Não apens as causas do processo saúde-doença são sociis, como também as necessidade de saúde por ele geradas

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serão duplente condicionadas ela estutua social: na forma como estas ncessidades se ex­ pessão e serão percebidas pelos indivíduos e classes sciais, bem como na foma como serão atendidas através da organização de Sistemas de saúde e de pocessos de trabalhos especicos.

A enfermagem, como um deses pocessos de rabalho esecicos da saúde é, ortanto, uma pática social que, alicerçada em um mode­ lo de saúde hegemônico, possui um sentido político, ao reforçar ou entar suerar o pojeto político dominante.

Podem-se distinguir difeenes dimensões que compõem esta prática, como a assistencil, a administraiva, a educativa e a organizativa. No entanto, a pr6pria proissão vem buscando apo­ undr tais dimensões, no sentido de melhor compeender suas aiculações e os possíveis processos particulaes de tabalho que estas ossam gear, como por exemplo, o processo de rabalho em educação e saúde.

A prática educaiva em saúde, por sua vez, em como um princípio ou elemento cental a paticipação, já que a sua conquista passa a ser fator neente ao prcesso de nsforação da práxis, objeto de rabalho do poissional na educação em saúde. Ese processo de transfor­ mação da práxis em práxis crítica e criativa, não aenas incorpora a paticipação, mas tem como erspectiva e possibilidade a pópia conquista da cidadania.

3

CO N S IDE RAÇÕE S FINAIS

Entendendo a prática educaiva como um dos principais pocessos de ablho da enfer­ magem é que apresentamos este Marco Concei­ tual, cujo eixo cenal localiza-se no conceito de educação enquanto pocesso que tem como tmalidade a emancipação do homem.

Procurou-se evidencir também, que as e­ lações entre os conceitos que comõem o pre­ sente marco, não se dão, linear ou seqüencial­ mente, mas fazem pte de um todo iculado e indicoomizável. Apesr da exigência didática de sua apresentação, que pode sugeir a cono­ tação de conceitos estanques, somente uma lei­ tura dilética de suas relaçes, poderá o enfer­ meiro utilizá-lo como uma base te6rica que pos­ sibilite uma efetiva relação teoia - pática. Por­ tanto, na comprensão das autoras, o raciocnio dilético não deve ser exercitado apenas na fomulação e intepetação de mrcos concei­ tuis pra a prática, como também, deve aco­ panhá-la ao longo de seu curso, no contato diá­ rio com a realidade.

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