REVISTA
BRASILEIRA
DE
ANESTESIOLOGIA
PublicaçãoOficialdaSociedadeBrasileiradeAnestesiologiawww.sba.com.br
ARTIGO
CIENTÍFICO
Correlac
¸ão
entre
a
escala
de
sedac
¸ão
de
Ramsay,
escala
de
sedac
¸ão-agitac
¸ão
de
Richmond
e
escala
de
sedac
¸ão-agitac
¸ão
de
Riker
durante
sedac
¸ão
com
midazolam-remifentanil
Turgut
Namigar
a,∗,
Karacalar
Serap
a,
Akdas
¸
Tekin
Esra
a,
Odacılar
Özgül
a,
Öztürk
Ali
Can
a,
Ak
Aysel
ae
Ali
Achmet
baOkmeydaniTrainingandResearchHospital,DepartmentofAnesthesiologyandIntensiveCare,Istanbul,Turquia bIstanbulUniversity,IstanbulMedicalFaculty,DepartmentofAnesthesiologyandIntensiveCare,Istanbul,Turquia
Recebidoem11dejunhode2015;aceitoem19dejulhode2016 DisponívelnaInternetem12deabrilde2017
PALAVRAS-CHAVE
Estadocrítico; Escaladesedac¸ão; Validade;
Confiabilidade
Resumo
Justificativaeobjetivos: Otratamentodepacientesemestadocríticocomsedativose analgé-sicosdeveserregularmenteavaliadoparagarantirqueasmetaspré-definidassejamatingidas, bemcomominimizaroriscodecomplicac¸õesresultantesdesedac¸ãoemexcesso.Conduzimos umarevisãoetestamosprospectivamenteaEscaladeSedac¸ãodeRamsay(RamsaySedation Scale[RSS])paraaconfiabilidadeinteravaliadoreacomparamoscomaEscaladeSedac¸ãoe Agitac¸ãodeRiker(RikerSedation-AgitationScale[RRSAS])eaEscaladeSedac¸ãoeAgitac¸ão deRichmond(RichmondAgitationSedationScale[RASS])paratestaravalidadedeconstruto duranteasedac¸ãocommidazolam-remifentanil.
Métodos: UmaamostradeconveniênciadepacientesdeUTIfoisimultâneae independente-menteexaminadaporparesdeavaliadorestreinadoscomousodasescalasrevisadasRRSAS, RSSeRASS.Foramexaminados92pacientesdeUTIporparesdeavaliadoresem276momentos.
Resultados: A médiadospacientesfoi de61,32±18,68 anos; 45,7%eramdo sexofeminino (n=42)e54,3% domasculino(n=50).SeusescoresAPACHEvariaramentre3-39,commédia de13,27±7,86,e75%doscasosreceberamventilac¸ãomecânica.QuandoRSSfoiusadapara aclassificac¸ão(2,70±1,28),10,9%dospacientesestavamansiososouagitados(RSS1),68,5% estavamcalmos(RSS2a3)e20,6%estavamsedados(RSS4a6).QuandoRASSfoiusadaparaa classificac¸ão(-0,64±1,58),20,7%dospacientesestavamansiososouagitados(RASS+1a+4), 63,0%estavamcalmos(RASS0a-2)e16,3%estavamsedados(RASS-3a-5).QuandoRSASfoi usadaparaaclassificac¸ão(2,63±1,00),12%dospacientesestavamansiososouagitados(RSAS 5a7),57,6%estavamcalmos(RSAS4)e30,4%estavamsedados(RSAS1a3).Houvecorrelac¸ão deRSScomRSAS(r=-0,656,p<0,001)edeRASScomRSAS(r=0,565,p<0,001).Houveforte correlac¸ãodeRSScomRASS(r=-0,664,p<0,001).
∗Autorparacorrespondência.
E-mails:[email protected],[email protected](T.Namigar). http://dx.doi.org/10.1016/j.bjan.2017.03.006
Conclusões:ARSSéconfiáveleválida(fortecorrelac¸ãocomRASSeRSAS)paraavaliarasedac¸ão eagitac¸ãoempacientesadultosinternadosemUTI.
©2016SociedadeBrasileiradeAnestesiologia.PublicadoporElsevierEditoraLtda.Este ´eum artigoOpen Accesssobumalicenc¸aCCBY-NC-ND(
http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).
KEYWORDS
Criticallyill; Sedationscale; Validity; Reliability
ThecorrelationamongtheRamsaysedationscale,Richmondagitationsedationscale andRikersedationagitationscaleduringmidazolam-remifentanilsedation
Abstract
Backgroundandobjectives: Sedativeandanalgesictreatmentadministeredtocriticallyill pati-entsneedtoberegularlyassessedtoensurethatpreviouslystatedgoalsarewellachievedas theriskofcomplicationsofoversedationisminimized.Werevisedandprospectivelytestedthe RamsaySedationScale(RSS)forinterraterreliabilityandcompareditwiththeRiker Sedation--Agitation Scale(RSAS) andthe RichmondAgitationSedationScale (RASS) totest construct validityduringmidazolam-remifentanilsedation.
Methods:AconveniencesampleofICUpatientswassimultaneouslyandindependently exami-nedbypairsoftrainedevaluatorsbyusingtherevisedRSAS,RSS,andRASS.Ninety-twoICU patientswereexaminedatotalof276timesbyevaluatorpairs.
Results:Themeanpatientagewas61.32±18.68years,45,7%werefemale(n=42),54.3%male (n=50).TheirAPACHEvaluesvariedbetween3and39withanaverageof13.27±7.86and75%of thecaseswereundermechanicalventilation.WhenclassifiedbyusingRSS(2.70±1.28),10.9% wereanxiousoragitated(RSS1),68.5%werecalm(RSS2---3),and20.6%weresedated(RSS4---6). WhenclassifiedbyusingRASS(−0.64±1.58),20.7%wereanxiousoragitated(RASS+1to+4), 63.0%werecalm(RASS0to−2),and16.3%weresedated(RASS−3to−5).Whenclassifiedby usingRSAS(2.63±1.00),12%wereanxiousoragitated(RSAS5---7),57.6%werecalm(RSAS4), and30.4%weresedated(RSAS1---3).RSSwascorrelatedwiththeRSAS(r=−0.656,p<0.001) andRASSwascorrelatedwiththeRSAS(r=0.565,p<0.001).RSSwashighlycorrelatedwiththe RASS(r=−0.664,p<0.001).
Conclusions:Ramsayisbothreliableandvalid(highcorrelationwiththeRASSandRSASscales) inassessingagitationandsedationinadultICUpatients.
©2016SociedadeBrasileiradeAnestesiologia.PublishedbyElsevierEditoraLtda.Thisisan openaccessarticleundertheCCBY-NC-NDlicense(
http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).
Introduc
¸ão
Aadministrac¸ãodeanalgesiaesedac¸ãoemUnidadede Tera-pia Intensiva (UTI) é feita para melhorar o conforto e a seguranc¸adospacientes.Porém,aadministrac¸ãocontínua desedativosprolongaotempodeventilac¸ãomecânicaea permanênciaemUTI.Essesefeitosadversospodemser redu-zidosmedianteadefinic¸ãoclaradosobjetivosemassociac¸ão com um protocolo de sedac¸ão.1 Devido à multiplicidade dospacientesinternados emUTI, é difícildefinirum
pro-cedimentopadrãoparaasedac¸ão emUTI. Umavariedade
depatologiascom diferentesgrausdegravidadepodeser
encontrada; além disso, a morbidade associada, a
insta-bilidadecirculatória easalterac¸õesfarmacodinâmicas em pacientescriticamente enfermos podem dificultaro esta-belecimentoeaaplicac¸ãodasdiretrizesdetratamento.2O controle rígido daprofundidade dasedac¸ão muitas vezes
não é bem executado; os pacientes são com frequência
sedadosemexcessoouinsuficientementesedados,com
con-sequente aumento de morbidade, mortalidade e custos.3
O tratamento com sedativos e analgésicos
administra-dos a pacientes criticamente enfermos deve ser avaliado
regularmente para garantir que as metas pré-definidas
sejamatingidaseminimizaroriscodecomplicac¸ões oriun-dasdesedac¸ãoexcessiva.4
Asintervenc¸õesquefacilitamareduc¸ãodadosetotalde analgésicos esedativos,por exemplo,o usodeum proto-colo para orientara sedac¸ão controlada porenfermeiros, a combinac¸ão de testes de despertar e respirar
esponta-neamente e o usodemedicamentos de ac¸ãocurta,estão
associadasamelhoresresultados,comoareduc¸ãodotempo deventilac¸ãomecânicaedapermanênciaemUTI.5---7
Recentemente, oito novos sistemas de classificac¸ão à cabeceira para monitorar a sedac¸ão foram desenvolvidos
e testados principalmente para confiabilidade e
vali-dade. A escolha de uma escala de sedac¸ão para medir
o nível de consciência pode ser feita entre a Escala
de Sedac¸ão de Ramsay (RSS), a Escala de Agitac¸ão e
Sedac¸ão de Richmond (RASS)e a Escala deAdaptac¸ão ao Ambiente de Terapia Intensiva (ATICE).4 Defato, estudos
randômicos e controlados são necessários para avaliar a
potencial superioridade de uma escala sobre as outras,
Revisamos e testamos prospectivamente a Escala de Sedac¸ãodeRamsay(RSS)paraaconfiabilidadeentre avali-adoreseacomparamoscomaEscaladeAgitac¸ãoeSedac¸ão deRiker(RSAS)eaEscaladeAgitac¸ãoeSedac¸ãode Rich-mond(RASS)paratestaravalidadedeconstrutodurantea sedac¸ãocommidazolam-remifentanil.
Todasasescalasforamaplicadasa92pacientesportrês membrosdaequipadeUTIcomdiferentesespecializac¸ões
(enfermeiro, médico sênior e residente). Testamos cada
escalapara aconfiabilidade interavaliadore a validadee avaliamosacorrelac¸ãoentreasescalas.
Métodos
Este foi um estudo prospectivo e aberto, aprovado pelo
ComitêdeÉticaemPesquisadoMinistryofHealth Okmey-danıResearch&TeachingHospital,emIstanbul,Turquia.O estudofoiconduzidoemUTIde19leitosdohospital menci-onadoacima.Foramincluídos92pacientesnoestudo,feito de1◦demarc¸oa30deabrilde2015.Dospacientesincluídos,
75% receberamventilac¸ão mecânica nomodo decontrole
pressão-suporte(PC/PSV).
Critériosdeinclusão
Pacientescom18anosoumaisqueprecisavamdeventilac¸ão mecânicaesedac¸ão.
Critériosdeexclusão
Pacientes com menos de 18 anos, doenc¸a neuromuscular,
medicadoscombloqueadoresneuromusculares,comalergia
conhecidaoususpeitaouintolerânciaamidazolame remi-fentanil, queforam aóbito durante o períodode estudo, quefaziamusodesubstânciastóxicas,alcoólatras,com sus-peita de gravidez, moribundos (i.e., estado físico ASA V, deacordocoma classificac¸ãodaSociedadeAmericanade Anestesiologistas).
Remifentanil e midazolam foram usados para
anal-gesia e sedac¸ão dos pacientes em ventilac¸ão mecânica
admitidos na UTI após cirurgias de grande porte (não
cardíacas) ou que precisaram de ventilac¸ão devido à
insuficiência respiratória. A infusão de remifentanil foi iniciada com 0,15g.kg−1.min−1 e ajustada em doses de
0,05g.kg−1.min−1deacordocomanecessidadeclínica.Em
casodealíviosuficientedador,massedac¸ãoinadequada,os
pacientespoderiamreceberdosesem bolusdemidazolam
(1-3mg)ouumainfusãodemidazolam(0,1mg.kg−1.h−1).
Após a admissão na UTI, a profundidade da sedac¸ão
foi ajustada para o Grau 4da RSS (paciente dorme, mas
responde imediatamente)e, em seguida, ajustada parao
Grau2-3(pacienteacordado,cooperativoetranquiloouque apenasatendiaaoscomandos).Apósoiníciodoprotocolo,a interrupc¸ãodiáriadaanalgesiaesedac¸ãofoifeita.Quando oprocedimentodeinterrupc¸ãodiáriafoiconcluído,as dosa-gensdosanalgésicosopioidesesedativosforamajustadasde
acordocom asnecessidadesdos pacientes,como descrito
acima.
Tabela1 Característicasbasaisdospacientes
Idade(anos)a 61,32±18,68(18-89)
Sexo
Masculino,n(%) 50(54,3)
Feminino,n(%) 42(45,7)
APACHEa 13,27±7,86(3-39)
Ventilac¸ãomecânica,n(%) 75
APACHE, avaliac¸ãodasvariáveisfisiológicascrônicaseagudas emrelac¸ãoàsaúde.
a Dadosexpressosemmedianaseintervalos.
Tabela 2 Média da distribuic¸ão dos escores das escalas RSS,RASSeRSAS
RSS RASS RSAS
Média 2,70 −0,64 2,63
DP 1,28 1,58 1,00
Mediana 2 0 3
Mínimo 1 −4 0
Máximo 6 2 5
Mensurac¸õeseregistros
Testamos cada escala (RSAS, RSS e RASS) para a confi-abilidade interavaliador e para a validade, avaliamos a correlac¸ão entre as escalas. Todas as escalas foram apli-cadasa 92 pacientespor três membros daequipede UTI comdiferentesespecializac¸ões(enfermeiro,médicosênior eresidente).
Cadaescalaofereceu276escores.
Osdadosdemográficose ashistóriasmédicasdos paci-entes,bemcomoosdetalhesdeseusexamesfísicos,foram registradosantesdeiniciaraterapiadesedac¸ãoeanalgesia. EscoresdoAPACHEIIforamcalculadosparaavaliara gravi-dadedacondic¸ãodopacienteeregistrados.Excetoquando especificadosdeoutraforma,osescoresdeRSS,RASSeRSAS (paraavaliaraqualidadedasedac¸ão)foramregistrados.
Análiseestatística
Foramnecessários 92pacientes.O cálculodotamanhoda amostrafoibaseadonoestudodeThuongetal.4Oestudo foiestimadoemintervalodeconfianc¸ade95%ep=0,05.
Todas as variáveis foram expressas em média±DP. Os
coeficientesdecorrelac¸ãoforamcalculadoscomaanálise decorrelac¸ãodeSpearman.Umvalordep<0,05foi consi-deradoestatisticamentesignificativo.
Resultados
O estudo foi conduzido entre 1◦ de marc¸o e 30 de abril
Tabela3 Distribuic¸ãodosescoresdasescalasRSS,RASSe RSAS
n(%)
RSS
Escore1 Ansioso,agitado,inquieto 10(10,9) Escore2 Cooperativo,orientado,tranquilo 44(47,8) Escore3 Respondeapenasacomandos 19(20,7) Escore4 Respostarápidaaleveestímulo
glabelarouestímuloauditivoalto
4(4,3)
Escore5 Respostalentaaleveestímulo glabelarouestímuloauditivoalto
13(14,1)
Escore6 Nãorespondealeveestímulo glabelarouestímuloauditivoalto
2(2,2)
RASS
Escore−4 Nãorespondeaosomdavoz,mas movimentaouabreosolhosao estímulofísico
10(10,9)
Escore−3 Movimentaouabreosolhosaosom davoz,massemcontatovisual
5(5,4)
Escore−2 Acordarapidamenteaosomdavoz (contatovisual<10s)
5(5,4)
Escore−1 Parcialmentealerta, facil-mentedespertável(contato visual>10s)
15(16,3)
Escore0 Espontaneamenteprestaatenc¸ão aocuidador
38(41,3)
Escore1 Ansioso,apreensivo,movimentos nãoagressivos
17(18,5)
Escore2 Movimentosfrequentesnão intencionais;debate-secomo ventilador
2(2,2)
RSAS
Escore1 Respostamínimaounenhumaa estímulosnocivos,nãose comunicaouseguecomandos
4(4,3)
Escore2 Despertacomestímulosfísicos, masnãosecomunicaousegue comandos,podesemover espontaneamente
10(10,9)
Escore3 Difícildedespertar,masdesperta comestímulosverbaisou sacudidelas,seguecomandos simples,masvoltaadormir
14(15,2)
Escore4 Calmo,facilmentedespertável, seguecomandos
53(57,6)
Escore5 Ansiosooufisicamenteagitado, acalma-secominstruc¸õesverbais
10(10,9)
Escore6 Requerercontenc¸ãoefrequente avisoverbaldoslimites,mordeo TET
1(1,1)
TET,tubodeintubac¸ãotraqueal.
de3-39,commédiade13,27±7,86;75%doscasos recebe-ramventilac¸ãomecânica(tabela1).
Astabelas2e3efiguras1-3mostramosresultadosdos
participantesdoestudonasavaliac¸õesdastrêsescalas(RSS, RSASe RASS)ea distribuic¸ãoem porcentagem.A relac¸ão direcionalnegativa(reduc¸ãodovalorRSSpeloaumentodo valorRASS)de66,4%entreosresultadosdaRASSedaRSSdos
0 5 10,9 Escore 1 RSS Pacientes, %
Escala de Sedação de Ramsay (RSS)
47,8 20,7 4,3 14,1 2,2 10 15 20 25 30 35 40 45 50
Escore 2 Escore 3 Escore 4 Escore 5 Escore 6
Figura 1 Distribuic¸ão dosescores daEscala de Sedac¸ão de Ramsay. 10,9 5,4 5,4 16,3 41,3 18,5 2,2
Escore -4Escore -3Escore -2Escore -1
RASS
Pacientes, %
Escala de Agitação e Sedação de Richmond (RASS)
Escore 0 Escore 1 Escore 2 0 10 20 30 40 50
Figura 2 Distribuic¸ão dos escores daEscala de Agitac¸ão e Sedac¸ãodeRichmond.
0 4,3 10,9 15,2 57,6 10,9 1,1 10 20 30 40 50 60
Escore 1 Escore 2 Escore 3 Escore 4 Escore 5 Escore 6 SAS
Pacientes, %
Escala de Agitação-Sedação (SAS)
Figura 3 Distribuic¸ão dos escores da Escala de Agitac ¸ão--Sedac¸ão.
casosavaliadosfoiestatisticamentesignificativa(r=-0,664;
Tabela4 Avaliac¸ãodacorrelac¸ãodosescoresRASS,RSSeRSAS
RASS RSS RSAS
r p r p r p
RASS --- --- −0,664 0,001a 0,565 0,001a
RSS −0,664 0,001a ---
---−0,656 0,001a
RSAS 0,565 0,001a −0,656 0,001a ---
---r,coeficientedecorrelac¸ãodeSpearman.
Correlac¸ãomedidacomcoeficientedecorrelac¸ãodeSpearman.
a p<0,01.
Tabela5 Tabulac¸ãocruzadadosescoresRASSeRSSnapopulac¸ãogeraldepacientes
RASS Total
Escore−4 Escore−3 Escore−2 Escore−1 Escore0 Escore1 Escore2
RSS
Escore1 1 0 0 1 0 7 1 10
Escore2 0 0 0 4 32 7 1 44
Escore3 0 1 5 8 3 2 0 19
Escore4 0 1 0 0 2 1 0 4
Escore5 8 3 0 2 0 0 0 13
Escore6 1 0 0 0 1 0 0 2
Total 10 5 5 15 38 17 2 92
Tabela6 Tabulac¸ãocruzadadosescoresRASSeRSASnapopulac¸ãogeraldepacientes
RASS Total
Escore−4 Escore−3 Escore−2 Escore−1 Escore0 Escore1 Escore2
RSAS
Escore1 4 0 0 0 0 0 0 4
Escore2 5 2 0 1 0 2 0 10
Escore3 0 1 2 9 0 1 1 14
Escore4 0 1 3 5 37 7 0 53
Escore5 0 1 0 0 1 7 1 10
Escore6 1 0 0 0 0 0 0 1
Total 10 5 5 15 38 17 2 92
Tabela7 Tabulac¸ãocruzadadosescoresRSSeRSASnapopulac¸ãogeraldepacientes
RSS Total
Escore1 Escore2 Escore3 Escore4 Escore5 Escore6
RSAS
Escore1 0 0 0 0 3 1 4
Escore2 1 0 0 2 7 0 10
Escore3 1 1 10 0 2 0 14
Escore4 2 40 7 2 1 1 53
Escore5 5 3 2 0 0 0 10
Escore6 1 0 0 0 0 0 1
6
4 5
3
2
1
–4 –3 –2 –1 0 1 2
Escala de Agitação e Sedação de Richmond (RASS)
Escala de Sedação de Ramsay (RSS)
Figura4 Correlac¸õesentreRSSeRASS.
6
4 5
3
2
1
1 2 3 4
Escala de Sedação de Ramsay (RSS)
Escala de Agitação-Sedação (SAS)
Figura5 Correlac¸õesentreRSSeRSAS.
(r=0,565;p=0,001;p<0,01).Porúltimo,arelac¸ão direcio-nalnegativa(reduc¸ãodovalorRSASpeloaumentodovalor RASS)de65,6%entreaRSSeaRSASdoscasosavaliadosfoi estatisticamentesignificativa(r=---0,656;p=0,001;p<0,01) (tabela4,fig.5).Atabela5mostraadistribuic¸ãodos
esco-resdaRASSedaRSS.Atabela6mostraadistribuic¸ãodos
escoresdaRASSedaRSAS.Atabela7mostraadistribuic¸ão dosescoresdaRSSedaRSAS.
Discussão
Naavaliac¸ão deagitac¸ão e sedac¸ão em pacientesadultos internadosemUTI,aRSSétantoconfiável(grande concor-dânciainteravaliador)quantoválida(grandecorrelac¸ãocom asescalasRASSeRSAS).
Para proporcionar conforto e sedac¸ão ideais aos
paci-entes de UTI, estabelecer um objetivo terapêutico,
geralmentedefinidoporumníveldesejadodeconsciência, comtitulac¸ãodosmedicamentosparaatingiresseobjetivo éimportante.Umaavaliac¸ãodoníveldeconsciênciaémais
eficientecomousodeumaferramentasimples,comouma
escaladesedac¸ãoquecontacomaobservac¸ãodopaciente paraestabelecerumníveldeconsciênciaquevariedealerta anãodespertável.8
Por ser de fácil titulac¸ão e ter ummetabolismo
inde-pendentemente doórgão, remifentanil éumagente ideal
paraanalgesia-sedac¸ão.Emcomparac¸ãocomosregimesde sedativoshipnóticos,osregimesbaseadosemremifentanil foramassociadosàreduc¸ãodotempodeventilac¸ão mecâ-nica,desmamemaisrápidodoventiladoremenostempode permanêncianaUTI.9
Paraumaanalgesia-sedac¸ãoideal,asescalasde analge-siaesedac¸ãodesempenhamumpapelimportantereferente à ventilac¸ão mecânica e ao tempode alta daUTI. Botha
et al. demonstraram que a introduc¸ão de uma escala de
sedac¸ão levou a uma reduc¸ão do tempo de ventilac¸ão mecânica.6,10 Breenet al.demonstraram umareduc¸ão do tempodeventilac¸ãomecânicaquandousaram analgesiae sedac¸ãobaseadasemremifentanil.11
A aplicac¸ão de escalas de sedac¸ão foi relacionada a melhores resultados e a avaliac¸ão frequente do nível de consciência comescaladesedac¸ão éaltamente recomen-dadaemdiretrizesdepráticaclínica.8
Estudosrecentes mostraramqueanalgésicos e
medica-mentossedativospodemtrazerconsequênciasadversaspara os pacientes. As intervenc¸ões que facilitam umareduc¸ão total dadose de analgésicos e sedativos; porexemplo, o usodeumprotocoloparaorientarasedac¸ãocontroladapor enfermeiros,acombinac¸ãodetestesdedespertarerespirar
espontaneamente eousodemedicamentosdeac¸ãocurta
estãorelacionadosamelhoresresultados,como areduc¸ão dotempodeventilac¸ãomecânicaedepermanêncianaUTI.5
O principal objetivo de todos os sistemas de saúde é
fornecer atendimento de alta qualidade nas unidades de
terapia intensiva. Para atingir essa meta, os enfermeiros
desempenhamumpapelcrucial.Umadasmaisimportantes
responsabilidadesdosenfermeiroséasedac¸ãoeocontrole dadordospacientes.12
O uso de uma ferramenta observacional validada para
avaliara sedac¸ão éummétodo paraaprimorara sedac¸ão
do paciente. Porém, o instrumento ideal disponível para
usoclíniconessecontextoaindanãofoideterminado. Varn-delletal.identificaramde27instrumentosdeclassificac¸ão observacional da sedac¸ão em uma revisão sistemática da literatura. ARASS foi identificada como a maisadequada
para ser testada prospectivamente em uma unidade de
emergênciaaustraliana.13
Comoosenfermeirosestãoconstantementeemcontato
com os pacientes de UTI, a sua prática em protocolo de
sedac¸ãopoderesultarem umcontrolemelhordadoreda sedac¸ãodospacientes,oquereduzasdosesadministradas desedativos eanalgésicos.12 Riker etal.sugeriram que a RSAS,umadasescalassubjetivasusadasparaaavaliac¸ãode agitac¸ãoesedac¸ãoempacientesdeUTI,estácorrelacionada comasescalasdeHarriseRamsay.14Khanetal.descobriram umaltoníveldeconcordânciaentreRASSeRSASpara identi-ficarpacienteselegíveisparaaavaliac¸ãodedelírionaICU.15 Emnossoestudo,escoresRASSde3ou4nãoforam observa-dosemqualquerdospacientescomaterapiaadministrada deacordocomonossoprotocolodeanalgesia-sedac¸ão.
Para medir o nível de consciência, a escolha de uma
a Escala de Adaptac¸ão ao Ambiente de Terapia Intensiva (ATICE).4Emnossoestudo,asedac¸ãoinduzidacom midazo-lamfoiavaliadacomasescalasvalidadasRSS,RASSeRSAS.
Riker et al. demonstraram boa validade e confiabilidade
comRSASe boacorrelac¸ãoentreRSASe RSS.Alémdisso,
observamos em nosso estudo uma forte correlac¸ão
nega-tivaentreRSS eRASS(r=-0,664;p=0,001; p<0,01),uma correlac¸ãopositivaentreRASSeRSAS(r=0,565;p=0,001;
p<0,01)eumacorrelac¸ãonegativa entreRSSeRSAS(r= -0,656;p=0,001;p<0,01).
Mirskietal.16relataramqueaescaladesetepontos(+3
‘‘perigosamente agitado’’ a -3 ‘‘profundamente sedado’’
--- Nursing Instrumentfor the Communication ofSedation
[NICS]) --- pode ser facilmente aplicada por enfermeiros e sugeriram que a RASS apresentou excelente correlac¸ão (r=0,98,p<0,001).ONICSéumaescaladesedac¸ãoválidae confiávelparausoempopulac¸ãomistadepacientesemUTI. Aescalacomoescoremaisaltona preferênciados enfer-meirose na facilidadedecomunicac¸ãofoio NICS,porque permiteumcontrolemaisinterativoeeficazdasedac¸ão.
Todas asescalasdemonstraramboaconfiabilidade
inte-ravaliadoreeramcomparáveis.RASSeRSASapresentaram
asmelhorescorrelac¸õese osmelhores resultadosde con-cordânciaemtodasascategoriasprofissionais.Todasessas
características indicam RASS e RSAS como boas escalas
quanto à validade, confiabilidade e aplicabilidade para
avaliac¸ões à cabeceira deagitac¸ão-sedac¸ão em pacientes críticos.17
Emboranãosejaumapráticacomum,recomenda-seque
asedac¸ãosejarotineiramenteavaliadaempacientes criti-camenteenfermos,poisafalta deavaliac¸ãorotineiratem consequênciaspotencialmenteprejudiciais.
Embora mais de dois terc¸os dos que responderam em
UTIstenham relatadoo usode escalasde dore sedac¸ão, afrequênciadaavaliac¸ão foibaixae aavaliac¸ão objetiva
dadorempacientesnãocomunicativosfoiextremamente
rara.Da mesmaforma,ousodeprocedimentoporescrito
foibaixo.Ousodeprocedimentodesedac¸ão-analgesiapor escritoemumaUTIparecefortementeinfluenciadoporum envolvimentomaisglobal daUTInaprotocolizac¸ãodo tra-tamentocomplexo.18
O efeito positivo da avaliac¸ão sistemática da dor e agitac¸ãoemUTIsfoirecentementedemonstrado.Portanto, é muito importante avaliar rotineiramente a sedac¸ão em pacientesgravemente enfermose as escalasde agitac
¸ão--sedac¸ão são instrumentos que permitem proporcionar
sedac¸ãoadequada.
Éimportanteressaltarqueessasescalassãousadaspara avaliar nãoapenas os níveis de sedac¸ão, mastambém os níveisdeagitac¸ão.Portanto,sãocomumenteaplicadascom
ospacientes desentubados em quasetodos osestudos de
validac¸ãoeservemcomoferramentasdetriagempara ava-liardelírio.3 Em nossoestudo,75% dospacientes estavam
entubados. RSAS e RASSapresentaram taxas semelhantes
naavaliac¸ãodedelíriocomousodoConfusionAssessment Method(CAM)paraUTI.15
Entreasescalasdesedac¸ão,adeRamsayéamaisusada emUTI.Porseramaisantiga,tambéméumadasmaisusadas emestudosclínicos.Essaescalapropiciaidentificar visual-menteasonolênciaeaagitac¸ão.19Contudo,algunsautores sugeriramqueosníveisdesedac¸ãodeRamsaynãosão con-clusivos.Emnossoestudo,asescalasRSSeRASSobtiveram
a melhor concordância entre os observadores. Esse dado
indicaque RASSeRSASsão fáceisdeaplicar à cabeceira. Essasescalasmaisrecentestambémpodemdefinirosníveis deagitac¸ão.
Ao usar uma instruc¸ão gradual por escrito com a RSS, aconfiabilidadeinterobservador dasmensurac¸õesdonível desedac¸ão,feitasnapráticaclínicadiáriaporumagrande equipedeenfermagemdeUTI,mostrouserquaseperfeita.19
Tambémem nossoestudo,RSS,RSASeRASSforam
clinica-menteaplicáveispelosenfermeirosdeUTI.
Robinsonetal.20descreverameanalisaramo desenvolvi-mentoeaspropriedadespsicométricasdeescalassubjetivas desedac¸ãodesenvolvidasparapacientesadultosemestado crítico.36 Estudos foramrevisadose 11escalasdesedac¸ão forampesquisadas.Oprocessodedesenvolvimento,as pro-priedades psicométricas, a viabilidade e a aplicac¸ão das
escalas de sedac¸ão foram analisados com um sistema de
classificac¸ão de 0-20. No estudo, a RASS(19,5) e a RSAS (19)apresentaramescoresqueindicarampropriedades psi-cométricas‘‘muitoboas’’.Asescalasqueobtiveramescores
queindicarampropriedades‘‘moderadas’’foram:
Vancou-verInteractionandCalmnessScale(14,3),Adaptationtothe IntensiveCare Environment(13,7), RSS (13,2), Minnesota SedationAssessmentTool(13)eNursingInstrumentforthe CommunicationofSedation(12,8).Asescalasqueobtiveram escoresqueindicaram‘‘poucaspropriedades’’foram:Motor ActivityAssessmentScale(11,5)eSedationIntensiveCare Score(10,5).AsescalasNewSheffieldSedationScale(8,5) eObserver’sAssessmentofAlertness/SedationScale(3,7) obtiveramescoresqueindicaram‘‘muitopoucas proprieda-des’’.Aocontrárioeapesardostrêsmesesdetreinamentoe dousodeumprotocolopadrãoemseuestudo,Haddadetal. encontraramdiferenc¸asnaRSAS,determinadascomo desfe-choeobtidos.Osautoresenfatizaramqueabordagensmais delicadaseramnecessáriasparaatitulac¸ãodasedac¸ão.21
Analgésicos e sedativos são comumente prescritos em
UTIs para o conforto do paciente. No entanto, estudos
recentesdemonstraramqueessesmedicamentospodem
tra-zerconsequênciasadversasparaospacientes.Intervenc¸ões comoousodeumprotocoloparaorientara sedac¸ão con-troladaporenfermeiroseumaequipeespecializadadeUTI, inclusivemédicos,enfermeirosefarmacêuticos,facilitama reduc¸ãodadosetotaldemedicamentosanalgésicose seda-tivos.Portanto,oefeitoclínicodosmedicamentosmaximiza oriscodeefeitosadversosinduzidospelotratamento.
Em nossoestudo, três membrosdaequipe deUTI com
diferentes especializac¸ões (enfermeiro, médico sênior e residente) avaliaram três escalas de sedac¸ão, de forma
simultânea e independentemente um do outro. Testamos
cadaescalaparaconfiabilidadeinteravaliadorevalidadee avaliamosacorrelac¸ãoentreasescalas.4
Conclusão
Umafortecorrelac¸ãoentreasescalasRSSeRASSfoi obser-vadanesteestudo,oqueconfirmaovalordessescritériosde mensurac¸ão.Essasferramentaspodem,portanto,serusadas pelaequipedeUTIparagarantiroconfortodopacientesem oexcessodesedac¸ão.
desedac¸ãoeminimizaroriscodeefeitosadversosinduzidos pelotratamento,asescalasdesedac¸ãodevemserfáceisde usarpelosenfermeirosemédicosdeUTIefornecerprecisão eseguranc¸a.
Comoresultado, estudosrandômicos e controlados são
necessáriosparaavaliara potencialsuperioridade deuma escalaemrelac¸ãoaoutras,inclusiveaavaliac¸ãoda confia-bilidadeeconformidadedaescala.
Conflitos
de
interesse
Osautoresdeclaramnãohaverconflitosdeinteresse.
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