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ROSA ALUOTTO DE OLIVEIRA

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Academic year: 2018

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PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO

PUC-SP

ROSA ALUOTTO DE OLIVEIRA

Potencialidades e dificuldades no uso dos

tablets

como ferramenta didática:

O estado da arte das pesquisas

MESTRADO EM EDUCAÇÃO MATEMÁTICA

SÃO PAULO

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ROSA ALUOTTO DE OLIVEIRA

Potencialidades e dificuldades no uso dos tablets como

ferramenta didática: O estado da arte das pesquisas

Dissertação apresentada à Banca Examinadora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, como exigência parcial para a obtenção do título de Mestre em Educação Matemática, sob orientação da Profa. Dra. Maria José Ferreira da Silva.

PUC/SP

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Banca Examinadora

____________________________________________

____________________________________________

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Autorizo, exclusivamente para fins acadêmicos e científicos, a reprodução total ou parcial desta Dissertação por processos de fotocopiadoras ou eletrônicos.

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DEDICATÓRIA

Aos meus pais Antonio e Rosaria, por tudo o que sou.

Ao meu marido Carlos, pelo amor, apoio e companheirismo.

Às minhas amadas Júlia e Laura, pela paciência e compreensão.

Às minhas irmãs Assunta e Ana Lucia, pelo carinho e pela amizade.

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AGRADECIMENTOS

Inicialmente agradeço a Deus, pela minha vida e por toda a proteção.

Durante a realização de meu mestrado, muitas pessoas ajudaram de formas diferentes, com contribuições inestimáveis. Certamente, se hoje posso redigir esta página, foi devido ao imenso apoio recebido nessa jornada. Na impossibilidade de citar todos os envolvidos, expresso meus mais profundos agradecimentos aos amigos, colegas e familiares.

Minha especial gratidão ao Sr. Mauro de Salles Aguiar, diretor presidente do Colégio Bandeirantes, pela crença nos seus professores e também por estimular e proporcionar todas as condições necessárias para que eu pudesse realizar meu Mestrado.

Agradeço à Professora Doutora Maria José Ferreira da Silva, pelo carinho, pela atenção, pelo empenho e pela disponibilidade durante todo o processo de elaboração desta dissertação.

Aos Professores Doutores Nilson José Machado e Saddo Ag Almouloud, pela disponibilidade em participar de minha banca examinadora e pelas preciosas contribuições ao trabalho. Meu carinho e minha admiração aos meus dois grandes exemplos de Professores.

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Oliveira, Rosa, Aluotto. Potencialidades e dificuldades no uso dos tablets como ferramenta didática: O estado da arte das pesquisas. 2014. Dissertação (Mestrado). Programa de Estudos Pós-Graduados em Educação Matemática. Pontifícia Universidade católica de São Paulo. PUCSP.

RESUMO

A tecnologia invadiu nossas vidas de forma intensa e ubíqua. Os equipamentos móveis - smartphones e tablets - estão chegando às salas de aula, seja de maneira informal, trazidos pelos alunos, seja de forma institucional, com o aval dos diretores das escolas. No entanto, o fato é que, apesar de especialistas afirmarem que os equipamentos móveis têm potencial significativo para transformar a aprendizagem, pais e professores não estão convencidos disso. Assim, quando se trata de incorporar as novas tecnologias no processo de ensino, parece haver uma imensa barreira a ser ultrapassada. Acreditando que ainda faltam pesquisas nessa área, decidimos por fazer um trabalho bibliográfico para verificar o estado em que se encontram e refletir sobre algumas questões apresentadas nos trabalhos. Após a pesquisa do tipo estado da arte dessa temática, destacamos, ao final, quais as principais observações e conclusões, além de possíveis lacunas de pesquisa como sugestões para trabalhos futuros. Sem a pretensão de esgotarmos o assunto, selecionamos 39 trabalhos entre artigos nacionais e internacionais, dissertações e teses para realizarmos a análise, apontando ao final as principais questões tratadas. Desse análise concluímos que as pesquisas sobre o uso do tablet em sala de aula ainda não avançaram muito e temos poucos resultados concretos, principalmente no que diz respeito à melhora do desempenho acadêmico dos alunos. Se o tablet será ou não uma ferramenta que ajudará a mudar a Educação ainda é uma questão sem resposta, o que podemos inferir é que essa ferramenta tem potencial para apoiar trabalhos colaborativos, possibilitar uma aprendizagem dentro e fora da sala de aula e aumentar a autonomia do aluno na busca de informações e na construção de seu conhecimento.

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Oliveira, Rosa, Aluotto. Possibilities and difficulties in the use of tablets as a teaching tool: The state of the art research. 2014. Dissertation (Master). Postgraduate Studies Program in Mathematics Education. Pontifical Catholic University of São Paulo. PUCSP.

ABSTRACT

Technology has invaded our lives in an intense and ubiquitous way. Mobile devices - smartphones and tablets - are reaching the classrooms, either in an informal way, brought by the students, or in an institutional way, supported by school principals. However, the fact is that although experts assert that mobile devices have a meaningful powerful tools to transform learning, parents and teachers are not fully convinced of it. Thus, when it comes to integrate new technologies in the teaching process, there seems to be a huge barrier to be overcome. In the belief that there is a lack of research in this area, we have decided to do a bibliographical work in order to verify the position in which they stand and reflect on some questions present in these papers. After the research of this kind of state of the art, we highlight, at the end, what the main observations and conclusions are, and also the possible research gaps as suggestions for future papers. Aiming at bringing further discussions, we have selected 39 papers among national and international articles, dissertations and theses to carry out the analysis, indicating towards the end the main questions which were raised. From this analysis we conclude that the researches on the use of tablet in the classroom have not made much progress yet and we have few concrete results, mainly regarding the improvement of students´ academic performance. If the tablet will be a tool to help change education, it is still a question to be answered; what we can infer is that this tool has the capability to support collaborative work, learning in and outside classroom and to increase student´s autonomy in the search of information and knowledge construction.

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LISTA DE FIGURAS

Figura 1 - Página inicial do site Periódicos da CAPES ... 44

Figura 2 - Página inicial da Nuteses ... 45

Figura 3 - Apresentação de um resultado de busca ... 45

Figura 4 - Vantagens na aprendizagem com os equipamentos móveis ... 116

Figura 5- Desvantagens na aprendizagem com os equipamentos móveis ... 120

LISTA DE QUADROS Quadro 1 - Pesquisas encontradas na Biblioteca Virtual da PUC-SP ... 46

Quadro 2 - Artigos científicos, teses e dissertações ... 47

Quadro 3 - Artigos científicos nacionais... 50

Quadro 4 - Artigos científicos internacionais ... 51

Quadro 5 - Dissertações ... 52

Quadro 6 - Teses ... 52

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SUMÁRIO

INTRODUÇÃO ...13

1 –O CONTEXTO...19

1.1UM BREVE HISTÓRICO DOS COMPUTADORES NAS ESCOLAS ... 19

1.2COMO CHEGAMOS AO M-LEARNING ... 23

1.3INFORMAÇÃO, CONHECIMENTO, COMPETÊNCIAS E DISCIPLINAS ... 27

1.4A ERA DAS CONEXÕES ... 31

1.5GERAÇÃO POLEGAR ... 36

2 – PROBLEMÁTICA ...40

2.1JUSTIFICATIVA DA PESQUISA ... 40

2.2QUESTÃO DE PESQUISA E OBJETIVOS ... 41

2.3METODOLOGIA E PROCEDIMENTOS ... 42

3 - A PESQUISA ...47

3.1CRITÉRIOS DE ESCOLHA DOS TRABALHOS ... 47

3.2ORGANIZAÇÃO DOS DADOS ... 47

3.3FICHAMENTOS E RESENHAS CRÍTICAS DOS ARTIGOS NACIONAIS ... 53

3.4FICHAMENTOS E RESENHAS CRÍTICAS DOS ARTIGOS INTERNACIONAIS ... 77

3.5FICHAMENTOS E RESENHAS CRÍTICAS DAS DISSERTAÇÕES ... 93

3.6FICHAMENTOS E RESENHAS CRÍTICAS DAS TESES ... 97

4 – ANÁLISES ... 105

4.1QUANTO AOS SUJEITOS DAS PESQUISAS ... 106

4.1.1 – Artigos Nacionais ... 106

4.1.2 – Artigos Internacionais ... 106

4.1.3 – Dissertações ... 106

4.1.4 – Teses ... 107

4.2QUANTO AO TEMA COLABORAÇÃO ... 107

4.2.1 – Artigos Nacionais ... 108

4.2.2 – Artigos Internacionais ... 108

4.2.3 – Dissertações ... 108

4.2.4 – Teses ... 108

4.3QUANTO AO TEMA FORMAÇÃO DE PROFESSORES ... 110

4.3.1 – Artigos Nacionais ... 110

4.3.2 – Artigos Internacionais ... 110

4.3.3 – Dissertações ... 110

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4.4QUANTO A CONTEÚDOS MATEMÁTICOS ... 112

4.4.1 – Artigos Nacionais ... 112

4.4.2 – Artigos Internacionais ... 112

4.4.3 – Dissertações ... 112

4.4.4 – Teses ... 112

4.5QUANTO ÀS VANTAGENS E DESVANTAGENS ... 114

4.5.1 – Artigos Nacionais ... 114

4.5.2 – Artigos Internacionais ... 114

4.5.3 – Dissertações ... 115

4.5.4 - Teses ... 115

CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 122

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“Ensinaremos melhor se mantivermos uma atitude inquieta, humilde e

confiante para com a vida, com os outros e conosco, tentando sempre aprender, comunicar e praticar o que percebemos até onde nos for possível

em cada momento.”

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INTRODUÇÃO

Os educadores, assim como os empregadores e políticos, estão começando a perguntar que mudanças precisarão fazer para preparar as futuras gerações para uma nova era política e econômica.

Jeremy Rifkin

A tecnologia invadiu nosso cotidiano e vivemos rodeados de aparatos digitais. Os computadores estão por toda parte: nos bancos, supermercados, consultórios médicos e nas instituições de ensino. Na escola também utilizamos computadores, ainda que de forma mais tímida, principalmente quando estamos tratando do uso didático, verifica-se muito mais um uso conservador do que um emprego voltado às transformações didáticas relevantes. Embora a sociedade se aproprie da tecnologia em tarefas cotidianas, nem sempre existe uma transferência desse conhecimento quando o assunto é ensinar por meio de tecnologia.

Quando utilizamos a palavra tecnologia, normalmente, pensamos em computadores. É preciso destacar, porém, que existem diversas tecnologias que já foram incorporadas à sala de aula, como a caneta esferográfica, o caderno e o próprio giz, que ainda são tecnologias muito úteis para a Educação.

Embora nós, professores, não saibamos muito claramente o que fazer com os

smartphones e tablets trazidos à escola, nossa geração de alunos está imersa em

um ambiente tecnológico e é constantemente bombardeada por informações. Na verdade, de acordo com Vieira Pinto (2005), a “natureza” onde esta geração está

vivendo encontra-se repleta de aparatos tecnológicos, ou seja, a tecnologia faz parte da realidade atual dos nossos alunos. Eles lidam com celulares, mp3, mp4, Ipod, computadores, videogames etc.

O homem é um ser destinado a viver necessariamente na natureza.

Apenas, o que se entende por “natureza” em cada fase histórica

corresponde a uma realidade diferente. Se no início era o mundo espontaneamente constituído, agora que o civilizado consegue cercar-se de produtos fabricados pela arte e pela ciência, serão estes que formarão para

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Mais do que a invasão tecnológica, o que nos deixa bastante surpresos é a velocidade com que esses equipamentos tecnológicos evoluem. Para nós, nascidos no século passado, essa velocidade causa estranheza e nos deixa perplexos. Já para os nativos digitais - termo cunhado por Marc Prensky em 2001 para caracterizar os nascidos em um tempo que o mundo já era digital – a habilidade para navegar e ter acesso a inúmeros conteúdos, em diferentes meios e fazendo tudo ao mesmo tempo é natural.

Quando o tema é o uso de tecnologias na Educação, encontramos várias estudos sobre o assunto, mas nos interessaremos nesta pesquisa pelos que enfocam as tecnologias móveis e sem fio, em especial os tablets, por tratar-se de uma tecnologia relativamente nova, criada em 20101, já utilizada em algumas escolas particulares e que começa a fazer parte de projetos de Educação pública.

Os tablets são equipamentos móveis semelhantes a “pequenos computadores”,

leves e com tecnologia que utiliza uma tela sensível a toques para digitar e comandar o aparelho. De acordo com Lima Filho e Waechter (2013), nos primeiros

tablets, a principal interface de entrada e edição de texto se dava por uma caneta

especial; o lançamento do iPad e dos demais dispositivos com tela de toque alteraram essa lógica, incorporando o uso de teclados virtuais como o principal meio de entrada de texto. A tecnologia de “multitoque”, presente na maioria dos tablets do mercado, é um importante componente na experiência desses equipamentos. A partir de 20122 é possível notar a maior popularização dessa tecnologia e não é raro

encontrar crianças utilizando tablets, porém, nos intriga a facilidade com que a

“geração digital (termo cunhado por Tapscott, 1999) utiliza e incorpora esses equipamentos em seu dia a dia. Apenas três anos se passaram a partir da criação

dos tablets e notamos que as mudanças estão ocorrendo em um ritmo cada vez

mais acelerado. Mesmo assim, ainda não temos resposta para a seguinte questão: utilizar essa tecnologia (tablets) modifica algo em sala de aula?

1

http://www.tecmundo.com.br/apple/3534-conheca-o-ipad-o-tao-esperado-tablet-da-apple.htm#ixzz2TNk1qtJD

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A intensidade e a velocidade com que a tecnologia invadiu nosso cotidiano merecerão destaque no trabalho, pois, se estamos na era da conexão, devemos saber o que fazer para trabalhar com alunos “conectados” quase que 24 horas por

dia.

Alguns pesquisadores (VIVANCOS, 2008; WEISER, 1991, apud LEMOS, 2005) utilizam o termo tecnologia transparente ou tecnologia que desaparece para enfatizar que o foco do trabalho deverá ser sempre nas atividades didáticas e não na tecnologia. Assim, os tablets surgem como uma potencial tecnologia transparente com possibilidades promissoras de uso didático. São utilizados de maneira natural pelos estudantes, ou seja, o destaque está na atividade, no conteúdo trabalhado e não na tecnologia. A geração digital praticamente não precisa ser ensinada a utilizar o aparelho, ao contrário, é ela que, na maioria das vezes, dá consultoria aos pais. É uma geração que vai “mexendo” até descobrir como funciona. Porém, embora quase todos os alunos saibam utilizar as tecnologias para realizarem tarefas cotidianas, temos dúvidas se os estudantes sabem como tirar proveito dessas ferramentas em prol de sua aprendizagem. O mesmo ocorre com relação aos

professores. Não é raro encontrar professores que adoram “consumir” produtos

tecnológicos, estão sempre atentos aos novos lançamentos de smartphones, computadores e outros aparelhos, mas, quando se trata de incorporar as tecnologias no processo de ensino, parece haver uma barreira imensa a ser ultrapassada. Por que isso ocorre? Como fazer para que as tecnologias sejam utilizadas de maneira adequada e no momento oportuno em sala de aula? Será o tablet a ferramenta que faltava para uma mudança de paradigmas educacionais? São questões a que gostaríamos de responder, mas que ainda estão sem resposta e são lançadas apenas para nossa reflexão.

O fato é que, apesar de especialistas afirmarem que os equipamentos móveis têm potencial significativo para transformar a aprendizagem, pais e professores não estão convencidos disso.

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está atualmente em seu 11º ano, detalha as tendências tecnológicas sobre as quais os 55 membros do conselho consultivo tinham forte concordância. Esses especialistas (escritores, pensadores, tecnólogos e futuristas da Educação) foram propositadamente escolhidos pela diversidade de experiências e de locais de trabalho. Apesar da diversidade, compartilham a ideia de que as tecnologias elencadas no relatório têm ou terão um impacto significativo na prática da Educação Básica no mundo todo e concordam com ela. Sobre a chamada “aprendizagem

móvel”, encontramos no relatório, como previsão de implantação significativa nas

escolas, o prazo de um ano ou menos, ou seja, já é realidade em muitas escolas do mundo.

A aprendizagem dentro e fora da sala de aula é destacada no documento,

sendo chamada de “aprendizagem híbrida”. Tal aprendizagem pode ocorrer tanto na

forma presencial como online e, de acordo com o relatório, nós, professores, devemos conhecer e descobrir como tirar proveito de cada um dos ambientes. Com relação ao papel da escola e do professor em um mundo no qual há abundância de informações, os especialistas afirmam que o professor deverá passar do papel de transmissor de conteúdo/informações para o papel de orientador. Sua função será ensinar seus alunos a acessar e filtrar as informações primordiais.

Também consta no documento Horizon Report (JOHNSON et al, 2013) a tendência, cada vez mais comum, do BYOD (Bring Your Own Device) que, em tradução livre, significa traga seu próprio dispositivo”. Essa tendência possibilita que o dinheiro economizado pela instituição seja aplicado em outras necessidades, tecnológicas ou não. Concordamos que os equipamentos móveis devem ser sempre do próprio aluno, auxiliando-o na personalização de seu aparelho, de acordo com os seus interesses e as suas necessidades.

Quando o assunto é tecnologia e sua aplicação na Educação, é sempre muito importante elencar os desafios a serem superados. Nesse sentido, os membros do conselho consultivo do Horizon Report não se omitiram e apresentaram uma lista de dificuldades. Algumas delas são:

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- A resistência a mudanças, por parte do professor, muitas vezes limita a absorção mais ampla das novas tecnologias.

- O ensino na escola básica precisa discutir a mistura cada vez maior entre aprendizado formal e informal.

Como potencialidades, o relatório destaca a ubiquidade, isto é, encontrar-se presente em toda parte; o estímulo à exploração, ou seja, durante uma aula, enquanto o professor cita um fato, o aluno pode aprofundar-se no conteúdo fazendo sua própria pesquisa; e as possibilidade de trabalhos colaborativos entre os alunos.

Intriga-nos saber que, embora as tecnologias tenham modificado as formas de comunicação, de busca pelas informações e das relações humanas, sua interferência na escola ainda é tímida, principalmente no que diz respeito às mudanças de paradigmas.

Muitas dúvidas e incertezas existem sobre o uso dos tablets na Educação, mas concordamos com Moran (2011, p.145) com relação aos avanços da sociedade e à velocidade das mudanças em nossas vidas.

Caminhamos aceleradamente rumo a uma sociedade muito diferente que em parte vislumbramos, mas que nos reserva inúmeras surpresas. Será uma sociedade muito mais conectada, móvel, com possibilidades de comunicação, interação e de aprendizagem muito mais fascinantes ainda.

Diante desse cenário, o interesse pela pesquisa a respeito do uso dos tablets

na escola foi aumentando e delimitando-se ao lermos mais sobre o assunto. Uma vez que os tablets, assim como a maioria das tecnologias, foram criados para atender a uma demanda da sociedade e não especificamente a uma demanda da escola, pretendemos investigar como estão as pesquisas sobre o uso dos dispositivos móveis em sala de aula. Realizar esse levantamento bibliográfico nos possibilitará alcançar uma visão mais ampla sobre o que foi produzido nessa área, e descobrir se, com o passar dos anos, existem mais pesquisas sobre o tema, quais as suas características e, além disso, identificar possíveis lacunas para investigações futuras.

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móveis, em particular os tablets; e refletir sobre a finalidade/utilidade da tecnologia em sala de aula.

Utilizaremos uma metodologia de pesquisa qualitativa, de caráter bibliográfico, com o objetivo de compreender e expor as principais discussões presentes nas pesquisas a respeito do uso de tablets nas escolas.

Vale destacar a introdução de Ortega Y Gasset (1991, p. 5) que, em 1939, chamou a atenção para um debate que surgiria nos próximos anos sobre o sentido, as vantagens, os danos e limites da técnica. O autor afirmava que era função do escritor prever, com folgada antecipação, o que, anos mais tarde, poderia tornar-se um problema para seus leitores. Assim, haveria tempo para refletir sobre as implicações da técnica na vida humana. Mais adiante, expõe que a humanidade costuma sentir um misterioso terror cósmico em relação aos descobrimentos, como se, nesses, juntamente com seus benefícios, se escondesse um terrível perigo. Nesse sentido, pretendemos discutir no presente trabalho sobre uma “nova” técnica: os equipamentos móveis e suas implicações na escola, pois não podemos mais negar que a sociedade como um todo apropriou-se da tecnologia e nós, professores, devemos refletir constantemente sobre o seu uso em sala de aula.

A presente pesquisa está organizada da seguinte forma: no primeiro capítulo, apresentamos o contexto da pesquisa, citando um pequeno histórico sobre os computadores nas escolas, como chegamos ao M-Learning, e diferenciamos informação de conhecimento. Finalizamos o capítulo mostrando algumas características da geração atual de alunos e de nossa era.

No segundo capítulo, elencamos a justificativa da pesquisa, apresentando nossa principal questão de estudo, nossos objetivos, assim como a metodologia e os procedimentos utilizados.

O terceiro capítulo foi constituído com a organização dos dados e o fichamento dos trabalhos escolhidos.

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1

O CONTEXTO

A principal meta da Educação é criar homens que sejam capazes de fazer coisas novas, não simplesmente repetir o que outras gerações já fizeram. Homens que sejam criadores, inventores, descobridores. A segunda meta da Educação é formar mentes que estejam em condições de criticar, verificar e não aceitar tudo o que a elas se propõe.

Jean Piaget

Antes de tratarmos especificamente dos tablets, acreditamos ser necessária uma reflexão mais ampla sobre o uso de tecnologias em sala de aula. Para tanto, neste capítulo, trataremos de assuntos que contextualizarão nossa pesquisa. Faz-se necessário apresentar fatos importantes no que diz respeito à área: quando os computadores chegaram às escolas? Quais propostas pedagógicas de uso de tecnologia nas escolas foram relevantes? Quais são os principais termos e siglas relacionados com as tecnologias? Qual o perfil do estudante atual? São questionamentos que pretendemos elucidar ao longo do presente capítulo.

1.1 Um breve histórico dos computadores nas escolas

Os computadores chegaram à escola no final da década de 1970, mas sua presença ainda era tímida na década de 1980 e sua popularização ganhou força a partir da década de 1990. Porém, de acordo com Cysneiros (1999), o uso de tecnologia na escola nunca aconteceu de forma plena, ou seja, embora professores e estudantes utilizem tecnologia na escola, ainda não se vivenciou uma real inovação, apenas uma inovação conservadora. Fazemos o velho utilizando os novos equipamentos tecnológicos.

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do computador fosse encontrado. Ainda hoje presenciamos escolas que trabalham assim, ou seja, adotam imediatamente a nova tecnologia e vão descobrindo aos poucos, por meio de experiências, se é boa ou ruim.

Infelizmente muitos de nós ficamos envolvidos com a ideia de que, por princípio, o novo é sempre desejável e melhor do que o velho. E nos engajamos nessa busca do novo para fazer melhor do que fazíamos e, sem a necessária reflexão, adotamos a tecnologia na esperança de que o novo traga algo melhor para a Educação. Esse pensamento tem bases nas ideias da Modernidade e refletem características citadas por Heidegger (Costa, 2002, p.142). Assim sendo, não é raro encontrar professores afirmando que usam as tecnologias para motivarem os alunos, pois elas representam a modernidade. Para nós, esse é um dos piores argumentos para defender o uso de equipamentos móveis, pois acreditamos que motivação, por si só, não é suficiente para justificar o uso de tecnologia na escola. Antes é preciso que a tecnologia auxilie os alunos na aprendizagem e seja utilizada para tarefas que não seriam possíveis de serem feitas apenas com giz e lousa, que ajudem a mudar paradigmas educacionais e a fazer com que o aluno participe mais ativamente da construção de seus conhecimentos.

Acreditamos que está bastante claro para a maioria dos educadores que não basta equipar as escolas com tecnologia sem que haja uma proposta pedagógica que estruture e encaminhe o trabalho em busca de uma aprendizagem mais efetiva. Nesse sentido, uma das poucas propostas consistentes do uso de computadores nas escolas foi a linguagem LOGO, de Seymour Papert, criada no final da década de 1960, que tinha como objetivo uma mudança de paradigmas na Educação. Papert foi influenciado pelas teorias do construtivismo, uma vez que trabalhara com Piaget. Na década de 1970, começou a ser utilizada em escolas dos Estados Unidos e, na década de 1980, as pesquisas e os trabalhos com o LOGO tiveram início no Brasil.

De acordo com Roszak (1988, p.118 - 119), diante de tantas confusões a respeito do uso de computadores nas escolas, a linguagem LOGO foi uma exceção notável, com uma filosofia educacional consistente.

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da linguagem de programação LOGO, o estudante vivencia as ideias poderosas do planejar, executar, depurar, pensar, refletir e replanejar.

De acordo com Brasão (2010, p.2)

Fundamentado no construtivismo de Piaget, o Logo é uma linguagem simples e poderosa, capaz de ser utilizada por pessoas de qualquer idade. Nela, o aluno é quem controla todo o processo da maneira como ele deseja, não com padrões preestabelecidos pelo professor. No Logo, o aluno aprende princípios, técnicas e habilidades que o ajudam no aprendizado e na resolução de problemas. Com esta ferramenta, é possível criar simulações, animações, apresentações, jogos gráficos, textos, controlar dispositivos externos (robótica), com a vantagem de proporcionar a integração curricular. Outro aspecto importante é que, no ambiente Logo, o aluno aprende com o erro, o que lhe possibilita compreender por que errou e buscar uma nova resolução para o problema. O Logo procura resgatar o conhecimento por intermédio da interação do aluno com objetos do ambiente, o desenvolvimento espontâneo da inteligência e a aquisição de ideias intuitivas sobre um determinado conceito. Nessa ótica, a aprendizagem que decorre do uso do Logo na Educação é por exploração e por descoberta, sendo dado ao aluno, nesse processo, o papel ativo de construtor de sua própria aprendizagem.

Embora estejamos convencidos das possibilidades de uma aprendizagem por descoberta proporcionada pelo ambiente LOGO, Roszak (1988, p.127-137) lança uma crítica ao afirmar que, com o uso do LOGO, algumas ideias humanas não são realizáveis: “se o computador não pode se elevar ao nível do sujeito, então o sujeito deve abaixar-se até o nível do computador”. Isso ocorre porque os “computadores pensam processivamente porque é o melhor que eles podem fazer. As pessoas que os programam têm, portanto, que pensar desta forma”. Para o autor, o ambiente

LOGO não é capaz de dar vazão à fantasia e à imaginação humana, por isso, é limitado e mais adequado a jogos geométricos.

Mesmo assim, a proposta pedagógica que embasou o uso da linguagem LOGO é digna de nota e acreditamos que seja possível a transferência dessa filosofia de trabalho para outras práticas que utilizam tecnologias, principalmente no que diz respeito às posturas de alunos e professores. Alunos mais ativos no processo de aprendizagem, professores que utilizem menos o papel de transmissor de conteúdos e o ciclo pedagógico (ação – reflexão – depuração – ação) são fundamentais para formamos alunos críticos e reflexivos.

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criança e promover atividades que favorecessem o desenvolvimento de habilidades computacionais, de comunicação e interação. No Brasil o projeto UCA foi proposto pelo Governo Federal em 2005, objetivando a inclusão digital, permitindo que professores e alunos de escolas públicas tivessem acesso às novas tecnologias da informação. De 2008 a 2011 algumas escolas públicas brasileiras receberam os equipamentos e cada estado ficou responsável por dar continuidade ao projeto. Sabe-se que pouco foi feito e, segundo Silva e Neto (2012), embora o objetivo de inclusão digital tenha sido atingido nas escolas envolvidas, há falta de evidência empírica sobre seus efeitos na Educação.

Um fato incontestável é que todo bom uso de tecnologia depende da formação do professor. De acordo com Bernardete Gatti, em palestra proferida na PUC-SP em 2013, as políticas públicas são um grande problema da formação de professores no Brasil, pois a cada nova gestão, normalmente, ocorre uma ruptura

dos programas em andamento e os novos dirigentes lançam mão de “grandes”

novas ideias. Por exemplo, o Projeto UCA, no qual foi investido muito dinheiro, está praticamente acabado, sem nunca ter começado de verdade, e a nova proposta é a compra de tablets pelo Governo Federal. Mais uma vez, estamos iniciando uma

nova fase, com uma nova “grande” ideia de “auxílio” à Educação de nossos jovens:

a chegada de tablets às escolas públicas.

Destacamos o que foi dito por Ortega Y Gasset (1991): devemos propiciar a discussão sobre o uso das tecnologias, refletindo sobre seus aspectos positivos e negativos. No caso da Educação, o ideal seria que essa discussão viesse antes da chegada dos equipamentos, pois um professor consciente do uso que deverá fazer da tecnologia em prol da aprendizagem é mais importante do que a simples entrega de computadores nas mãos dos alunos. Lévy (1996, apud SILVA E NETO, 2012) afirma que antes de aderir às cegas à realidade virtual ou de condená-la veementemente, devemos estudá-la, pensá-la, aprendê-la e, principalmente, compreendê-la, para que possamos ter uma opinião formada a respeito. Arriscamos dizer que muitos desses projetos fracassam porque não investem o tempo necessário na formação e reflexão do professor sobre as novas práticas.

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No Brasil, uma pesquisa realizada para conhecer a realidade das escolas públicas com relação ao uso dos computadores e o acesso à Internet3 nos mostrou

que há laboratórios de informática em 73% das escolasentrevistadas e a maioria delas possui, em média, 20 computadores, que são utilizados em duplas de alunos. Entre as atividades mais realizadas estão produção de textos, pesquisa de conteúdo, produção dos próprios conteúdos pelos alunos, uso dos portais educativos e de redes sociais. Com o avanço tecnológico e a popularização dos equipamentos, os computadores não ficaram restritos às escolas, mas também surgiram nas casas das pessoas. Mais recentemente, os celulares com acesso à internet (smartphones) deixaram de fazer parte apenas da rotina de grandes executivos para tornarem-se equipamentos presentes no dia a dia da grande maioria da população. Essa ubiquidade dos smartphones nos oferece um novo cenário de aprendizagem: o chamado M-Learning ou aprendizagem móvel, do qual trataremos a seguir.

1.2 Como chegamos ao M-Learning

Com a popularização da Internet no final dos anos 1990 e a criação de aparelhos celulares com acesso à Internet, muitas mudanças foram acontecendo e de forma bastante rápida. Os primeiros smartphones, criados em 2003, tinham como principais consumidores executivos que precisavam estar conectados com a empresa durante suas viagens de negócios e tinham como desvantagem os pequenos visor e teclado, que dificultavam seu uso. A partir do lançamento do iPhone, em 2006, esse panorama mudou completamente e pessoas comuns, principalmente jovens, deixaram seus celulares antigos e compraram aparelhos que lhes permitiriam a conexão a qualquer tempo e lugar. Criava-se assim o panorama para a aprendizagem móvel (M-Learning).

Porém, essa história de invenções e avanços tecnológico teve sua semente lançada bem antes dos anos 1990.

Parece-nos difícil imaginar que a palavra cibernética tenha surgido em 1948, no trabalho de Norbert Wiener (1949, apud ROSZAK, 1988, p. 25), que viria a ser

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um dos teóricos da tecnologia da informação. De acordo com Roszak (1988, p.25), a palavra cunhada por Wiener para a nova tecnologia de automação trazia consigo traços de uma segunda revolução industrial, embora, nas páginas de seu estudo, o computador fosse ainda uma invenção exótica, sem nome estabelecido ou imagem precisa.

Em 1948, Claude Shannon publicou um trabalho, reconhecido como uma das maiores realizações intelectuais sobre a Teoria da Informação do século XIX,

intitulado “A Mathematical Theory of Comunication”. Shannon foi um dos primeiros a

diferenciar a palavra informação do sentido do senso comum.

Roszak apresenta que, por volta dos anos 1950, começou o debate sobre os sistemas de informação e essa palavra (informação) atingiu o status de quase divina, devido à sua importância na sociedade. Nessa teoria, a informação não é mais ligada ao conteúdo semântico das afirmações. Ao contrário, a informação passa a ser considerada uma medida apenas quantitativa de trocas comunicativas, especialmente aquelas que ocorrem através de algum canal mecânico que exige que a mensagem seja codificada e, a seguir, descodificada em impulsos eletrônicos. Os dados estão por toda parte e os computadores representam um papel importante nesse processo de armazenamento e processamento de dados.

O UNIVAC I (UNIVersal Automatic Computer), primeiro computador comercial fabricado nos Estados Unidos, só seria criado em 1951, ou seja, três anos após o trabalho de Shannon, mas era muito grande e vagaroso para executar programas sofisticados. Graças ao trabalho de Shannon, o computador encontrou seu caminho na rede de telecomunicações mundial que germinava, de forma que poderia estender-se além do uso local.

Nesses anos, muita coisa foi feita no que concerne à computação e ao desenvolvimento das telecomunicações. Com a miniaturização, já citada em 1988 por Roszak, os equipamentos móveis tornaram-se “minicomputadores” conectados

em rede e que se comunicam com máquinas de todo o planeta.

(25)

microcomputadores portáteis e, mais recentemente, para tablets e smartphones. Nesse novo contexto, surge um conceito chamado M-Learning.

Em trabalho realizado em Portugal, Moura (2010, p.39) traz algumas definições de Mobile Learning ou M-Learning. Mobile Learning ou aprendizagem móvel é a expressão didático-pedagógica usada para designar um novo “paradigma”

educacional, baseado na utilização de tecnologias móveis. Em se tratando da mudança de paradigmas educacionais, encontramos outra definição de M-Learning, um pouco mais ampla. Segundo Georgiev et al. (2004, p.2, apud MOURA 2010, p.40) a definição de M-Learning não é apenas baseada na tecnologia, mas deve contemplar:

A possibilidade de aprender em todo lugar e a todo momento sem conexão física permanente à rede por meio de cabos. Isso pode ser alcançado por meio do uso de dispositivos móveis, como palmtops, celulares, computadores portáteis e tablets. Eles precisam ser passíveis de serem conectados a outros dispositivos eletrônicos para oferecerem informações educativas e para concretizarem a troca bilateral de informação entre os alunos e o professor. (Tradução nossa)4

Essa possibilidade de aprendermos em diferentes locais e a qualquer hora resulta em alterações significativas de comportamentos dos estudantes. A esse respeito, de acordo com o relatório da UNESCO (2012), a aprendizagem por meio de dispositivos móveis envolve mais do que simplesmente a incorporação de novas tecnologias para apoiar as estratégias pedagógicas vigentes, ela requer uma mudança de paradigma instrucional que esteja comprometida com mudanças na forma como os estudantes aprendem.

Concordamos com Moura quando afirma que “a tecnologia móvel provocou

diferenças radicais na maneira como a sociedade trabalha, aprende e se diverte”.

Nesse sentido, para Weinberger (apud MOURA, 2009), estamos vivendo a era da conexão, as tecnologias móveis estão em toda a parte e se espalham rapidamente.

Lemos (2005) apresenta como a era da informação passou para a era da conexão e como ocorreram as mudanças nas práticas sociais a partir da mobilidade

4 The ability to learn everywhere at every time without permanent physical connection to cable

(26)

que os equipamentos (celulares, tablets etc) nos proporcionam. Uma característica muito importante da chamada era da conexão é o fato de não precisarmos nos deslocar até a rede, pois a rede está se tornando ubíqua, envolvendo-nos em uma conexão generalizada e tudo isso é efetivamente sem fio.

Segundo o autor, passamos da tecnologia baseada nos PCs (personal

computers) dos anos 1970 para a baseada nos CCs (computadores coletivos) com o

crescimento da Internet nos anos 1990 e agora temos os CCms (computadores coletivos móveis), devido aos avanços tecnológicos e à disponibilidade de conexão em diferentes locais. Nessa era dos computadores coletivos móveis, temos um ambiente generalizado de conexão, de ubiquidade, que foi previsto por Weiser em 1991, quando, em seu trabalho, lançou as bases da computação ubíqua.

Para Weiser, a “Ubicomp” “leva em consideração o ambiente humano natural e permite que os computadores se dissolvam no pano de fundo”.

(LEMOS, 2005, p.2 e p.5)

Quando o assunto é uso de computadores, um dos primeiros termos utilizados foi a sigla TIC – Tecnologias da Informação e Comunicação. Algumas iniciativas com discurso modernizante atribuíram à escola a função de desenvolver habilidades técnicas nos alunos para torná-los aptos ao manuseio de novas ferramentas tecnológicas no mercado de trabalho. Nas décadas de 1980 e 1990 grandes programas governamentais surgiram concebendo as tecnologias como

“ferramentas” que deveriam ser ensinadas aos alunos.

Mais recentemente, outros pesquisadores começaram a se referir às NTICs –

Novas Tecnologias da Informação e Comunicação.

Atualmente encontramos diversos termos para designar as tecnologias digitais:

TIMS Tecnologias da Informação Móveis e Sem fio. TMSF - Tecnologias Móveis e Sem Fio.

TDEs - Tecnologias Digitais Emergentes.

(27)

Apesar de não apresentar um uso didático do celular, Lemos (2005) mostra que os telefones celulares têm sido utilizados com vários propósitos e foram definitivamente transformados em um “teletudo” devido às variedades de uso que

têm apresentado (além de fazer e receber chamadas, é possível ouvir músicas, tirar fotos, acessar a Internet etc.). Para o autor, é característica da pós-modernidade a vontade de conexão a todo o momento e lugar e isso favorece, além da troca de informações rápida e intensa, a possibilidade de organização de movimentos políticos e sociais por meio da Internet (chamados de swarm ou smart mobs).

Nesse novo contexto de conexão ubíqua, temos o desafio de compreendermos as características da era da conexão e suas implicações, pois acreditamos que não seja possível refletir sobre o uso dos equipamentos móveis no contexto didático sem antes reconhecer e compreender como estão as relações dos usuários com a mobilidade. Se o M-Learning mostra-se como mais uma possibilidade de aprendizagem, potencializado pelos novos celulares e tablets, é imprescindível ter claro como professores e estudantes devem comportar-se diante de um cenário no qual as informações são obtidas facilmente e por diferentes meios. Para discutirmos um pouco mais sobre esse assunto, iremos agora diferenciar informação de conhecimento e tratar rapidamente de disciplinas e competências que são, respectivamente, os meios e os fins fundamentais da Educação.

1.3 Informação, conhecimento, competências e disciplinas

(28)

Há muitas pessoas que ainda confundem acumular informação com ter conhecimento. Alguns acreditam que quanto mais informações conseguirmos acumular, mais conhecimento teremos adquirido. Nesse sentido, de maneira provocadora, Roszak (1988, p.13/14) apresenta uma característica bastante singular dos computadores: a capacidade de armazenar grandes quantidades de informação e a compara com a memória dos seres humanos:

Uma vez que a capacidade de armazenar dados corresponde, de certo modo, àquilo que chamamos de memória nos seres humanos, e uma vez que a capacidade para seguir procedimentos lógicos corresponde, de certo modo, àquilo que chamamos de raciocínio nos seres humanos, muitos membros desse culto concluíram que aquilo que fazem os computadores corresponde, de certo modo, ao que chamamos pensamento [...] Meu argumento consiste justamente em insistir que há uma distinção fundamental entre aquilo que faz a máquina [...] e o que faz a mente, quando pensa.

Felizmente, já está claro para muitos que ter conhecimento é muito mais do que organizar um punhado de informações adequadas. Para Valente et al (2007) conhecimento é o que cada indivíduo constrói atribuindo significado às informações que tem, de acordo com sua experiência.

De acordo com Roszak (1988), o problema dessa confusão entre conhecimento e informação deve-se aos empiristas que ajudaram a criar em nossa cultura concepções fortemente reducionistas sobre o conhecimento. Isso nos levou a subestimar o papel da imaginação na produção do conhecimento, fazendo com que algumas pessoas chegassem a acreditar que bastava acumular um número suficiente de informações, para que elas se transformassem em conhecimento. Essa concepção foi questionada e atualmente acredita-se cada vez mais no poder das ideias, das intuições e da criatividade para estimular a pesquisa e a descoberta. Criar ambientes de aprendizagem onde os estudantes possam desenvolver habilidades criativas deve ser a meta. De acordo com Crockett (2012), devemos estimular contextos nos quais a aprendizagem ocorra através de projetos de criação utilizando áudio, vídeo e imagens.

(29)

palavras, “nossas” disciplinas deveriam servir de pretexto para auxiliar nossos

estudantes a desenvolverem competências. Para o autor (MACHADO, 2002, p.139):

O Trivium (lógica, retórica e gramática) não visava qualquer formação específica ou à preparação para o trabalho, destinando-se a todos os

cidadãos; aliás, não é outra a origem da expressão “isto é trivial”. A

subversão das funções das disciplinas, com a transformação do meio em fim, é uma corrupção moderna da ideia original. [...] Aos poucos, o processo de fragmentação do conhecimento caminhou no sentido da crescente subdivisão da própria ciência em múltiplas disciplinas e a supervalorização do conhecimento disciplinar.

Mas, à medida que buscamos definir competências, esbarramos em outro conceito, o de habilidades e, novamente, as disciplinas escolares deverão ser meios para desenvolvê-las, sendo estas consideradas microcompetências.

Concordamos com Machado (2002, p. 153) que o que deverão permanecer no aluno, depois que o tempo apagar da memória alguns conteúdos vistos na escola, são as competências pessoais desenvolvidas tacitamente por meio das disciplinas.

Muitas discussões acontecem quando os professores devem definir quais são os conteúdos essenciais a serem ensinados e isso poderá levar a decisões de eliminar alguns conteúdos do currículo na crença de que são desnecessários para a formação do estudante. O que também é deixada de lado é a ideia de que os conteúdos, quaisquer que sejam, são meios para atingirmos um fim maior: o desenvolvimento de habilidades e competências, cada vez mais necessário na formação dos alunos no atual contexto. Assim sendo, o desenvolvimento de habilidades e competências vai além dos conteúdos disciplinares. Acreditamos que o professor de Matemática poderá utilizar, por exemplo, o conteúdo de PA e PG para desenvolver nos alunos a capacidade de construir e interpretar gráficos e também habilidades de argumentação, ou seja, ao “ler” um gráfico de uma função

linear e outro de uma função exponencial, deverá explicar qual dos dois “cresce”

(30)

Outra expressão utilizada em Educação e que vem ganhando destaque é a

“aprendizagem ao longo da vida” (lifelong learning), que merece maiores explicações, pois nos levará a outros conceitos de informação “empurrada” e

informação “puxada” que utilizaremos em nossas análises.

Para explicar tal termo, José Armando Valente lançou mão de ideias de Delval (2000 apud VALENTE et al, 2007), discípulo de Piaget, sobre a nossa capacidade de aprender e ensinar ao longo da vida, e afirmou que o fazemos sem muitas vezes nos darmos conta disso, na maioria das vezes, em situações prazerosas.

De acordo com Freire (1970, apud VALENTE et al, 2007) quando as pessoas estão no pico da capacidade de aprender, durante o período escolar e de trabalho, na maior parte das vezes elas são ensinadas, no sentido de que a informação é depositada no aprendiz pelo professor.

Embora saibamos que podemos aprender tanto no sistema de ensino dito tradicional quanto no construtivista, Valente et al (2007) define de maneira bastante esclarecedora essas duas formas de aprendizagem. De acordo com o autor, ao longo de nossa vida, aprendemos tanto em situações de puxar a informação quanto em situações em que a informação é “empurrada” e, nesse caso, temos que ter flexibilidade para transformar uma informação “empurrada” em conhecimento. Essa habilidade de converter informação em conhecimento depende de cada indivíduo.

Cabe a nós decidirmos se utilizaremos as tecnologias para proporcionar uma

aprendizagem “empurrada” ou “puxada”. Novamente, qualquer projeto de utilização

de tecnologia em sala de aula deverá colocar a questão da proposta pedagógica para seu uso em primeiro plano, assim como a formação do professor e o papel do aluno nessa nova configuração escolar.

(31)

A experiência pedagógica do professor é fundamental. Conhecendo as técnicas de informática para a realização dessas atividades e sabendo o que significa construir conhecimento, o professor deve indagar se o uso do computador está ou não contribuindo para a construção de novos conhecimentos. (ALMEIDA e MORAN, 2005, p. 23).

Nesse sentido, também Prensky (2010) nos chama atenção para a responsabilidade do professor. Segundo o autor, um professor conhecedor das especificidades de cada tecnologia e suas potencialidades de uso didático será fundamental no planejamento e na condução das atividades em sala de aula.

Assim, devemos ter claro que as tecnologias são apenas meios/ferramentas na construção de conhecimento e nunca um fim em si mesmas, pois, como já apresentamos, elas são ótimas fornecedoras de informações, mas será o professor que deverá auxiliar seus alunos a construírem conhecimento e a desenvolverem habilidades e competências. Nesse sentido, para que a tecnologia não seja utilizada apenas para reproduzir o sistema de ensino dito tradicional e perpetuar a ideia de uma inovação conservadora, a discussão sobre o uso das mesmas deverá ser realizada antes da sua implantação e os professores deverão ter claro a verdadeira razão da utilização das tecnologias e qual o sentido real da Educação. Sem essa reflexão, os computadores, ou quaisquer equipamentos, por mais modernos que sejam, continuarão a sustentar um ensino baseado no acúmulo de informações em detrimento do desenvolvimento de habilidades e competências. Mas, como atingir tais objetivos em um contexto em que o aluno é bombardeado com informações, uma vez que vivemos na era das conexões? Sem a pretensão de responder à presente questão, vamos apresentar, a seguir, algumas características da era das conexões.

1.4 A era das conexões

(32)

Uma vez que já citamos a era das conexões durante o trabalho, apenas para ilustrar e reforçar ainda mais as grandes mudanças nessa nova era, vamos nos valer de uma divisão da história da humanidade em cinco períodos feita por Oliveira (2010). Esses cinco períodos são:

Era da Agricultura (até 1776) – O principal valor atribuído ao ser humano nesse período estava associado à posse da terra. Assim, quem possuía terra tinha mais importância e poder nessa sociedade.

Era do Artesanato (1776 até 1860) – Suas características ficaram mais acentuadas com os movimentos de libertação dos escravos em diversos países. Nessa era, o valor era a força de trabalho.

Era Industrial (1860 até 1970) – Tempo de muitas transformações na sociedade, marcado pelas invenções tecnológicas. Uma grande depressão econômica e duas guerras mundiais promoveram a transição de valor do

“trabalho” para a posse do capital. No final do século 20, devido aos

avanços tecnológicos tão expressivos, a informação transformou-se no principal valor.

Era do conhecimento (1970 até 2000) – a informação passou a ser o único valor de fato. Vale destacar que grande parte dessas informações são virtuais e intangíveis.

Era das conexões (a partir de 2000) – É uma era alavancada por toda a tecnologia proporcionada pelo crescimento dos meios de comunicação, sobretudo telefonia e Internet. O principal valor agora não é a posse de informação, mas o que vale nesse momento é a capacidade de fazer conexões, sejam elas sociais ou entre as informações obtidas. (OLIVEIRA, 2010, p.23 - 25).

Recordemos de um desenho da década de 1960: “Os Jetsons”. Criado por Hanna-Barbera, a família do futuro, que vive no ano de 2062, inundou nossa mente com possibilidades inimagináveis para a época, como conceber o seu chefe telefonando para sua casa e a conversa ocorrendo face a face, um vendo o que o outro fazia. Pois bem, talvez a intenção dos criadores fosse apenas a de serem

engraçados, mas muitas das “invenções” criadas no desenho existem atualmente,

por exemplo, as videoconferências.

As crianças de hoje não se surpreendem com esses avanços tecnológicos como nós, adultos. Enxergam todas as mudanças com a naturalidade de uma geração que nasceu nesse tempo digital e de rápidas mudanças. Mas, nessa atitude existe um problema que precisamos destacar: o descolamento da técnica do técnico. Segundo Ortega y Gasset (1991), há uma fase da técnica em que o técnico não domina mais todo o processo de fabricação e isso lhe dá a impressão de que a máquina é a peça importante.

(33)

novas tecnologias são criações humanas, ou seja, somos nós, os humanos, que planejamos e construímos as máquinas e não o contrário. Talvez, diante desse cenário intensamente tecnológico, seja função da escola e dos professores chamar a atenção dos alunos para o que realmente importa: nós somos os criadores de toda a tecnologia que existe ao nosso redor. Ou seja, ela não existe por uma magia, mas é produto da mente humana. Embora, devido aos avanços tecnológicos, muitas vezes utilizemos tecnologias sem saber exatamente como elas funcionam, devemos deixar claro aos estudantes que é possível compreender toda a tecnologia que está envolvida em novas invenções humanas. Certamente, para isso teremos que

entender e aprender matemática, física, química e outras “disciplinas” que estão

envolvidas nessas invenções.

De acordo com Ortega y Gasset (1991) a técnica não se limita apenas a satisfazer as necessidades básicas humanas, mas também a criar o bem-estar do homem, pois ele não se contenta apenas em viver, mas quer alcançar estados de prazer e bem-estar. É por meio dessa busca do prazer e do bem viver que o homem

aproveita seus momentos “livres” para criar novas tecnologias que lhe proporcionam

o melhor viver no mundo, e, para alcançar o bem viver, são criados os supérfluos. Em nosso contexto, o aparelho celular pode ser considerado um supérfluo sem o qual muitos não conseguem mais viver.

O pensamento do filósofo espanhol é bem retratado na canção: “a gente não

quer só comer, a gente quer comer e quer fazer amor. A gente não quer só comer, a gente quer prazer para aliviar a dor”. Essa busca pelo prazer está se tornando cada vez mais impaciente, principalmente pelos jovens. Essa é mais uma das características da era das conexões.

(34)

Dessa forma, se as novas tecnologias e esse mundo frenético de mudanças nos trouxeram facilidades, também algumas desvantagens surgiram nesse caminho. Complicações que não existiam agora fazem parte do cotidiano das pessoas e chegam às escolas. Com o uso dos dispositivos móveis, a atenção e concentração do estudante são desviadas para os aparelhos. Em público, o excesso do uso dos

smartphones causa constrangimentos ao tocarem em momentos inadequados e

serem utilizados sem o necessário bom senso. Pais têm utilizado os tablets para entreterem seus filhos em restaurantes e poderem comer sem estresse. Com isso, o diálogo e a interação familiar ficam prejudicados.

De acordo com Rifkin (2011, p.268)

É lamentável que hoje as crianças entre oito e dezoito anos nos Estados Unidos gastem seis horas e meia por dia interagindo com mídia eletrônica –

televisão, computadores, vídeo games e outros. No curto período entre 1997 e 2003, houve uma queda de 50% na proporção de crianças de nove a doze anos que brincavam com outras crianças passeando, caminhando, trabalhando no jardim e brincando na praia. Menos de 8% dos jovens agora passam tempo nessas atividades tradicionais ao ar livre.5

Esse aspecto de as crianças optarem por jogos eletrônicos ao invés de por brincadeiras ao ar livre é bem ilustrado na frase: “Gosto mais de brincar em casa,

porque é lá que estão todas as tomadas” Louv (apud RIFKIN, 2012, p.268).

Além do notável poder de distração gerado pelos aparelhos móveis, há também o fenômeno do excesso de informações disponíveis. Nossos jovens estão consumindo informações de maneira expressa, com extrema facilidade na sua obtenção, mas vale lembrar que, muitas vezes, senão na maioria delas, de maneira superficial. Segundo Ascott (apud LÉVY, 2009, p.13-15) o momento em que vivemos é caracterizado como o “segundo dilúvio”, o das informações, gerado pelo avanço das telecomunicações. Para o autor:

A quantidade bruta de dados disponíveis se multiplica e se acelera. A densidade dos links entre as informações aumenta vertiginosamente nos bancos de dados, nos hipertextos e nas redes. [...] O dilúvio informacional jamais cessará. A arca não repousará no topo do monte Ararat. O segundo dilúvio não terá fim. Não há nenhum fundo sólido sob o oceano das informações. Devemos aceitá-lo como nova condição. Temos que ensinar nossos filhos a nadar, a flutuar, talvez a navegar.

5 St. George, D. (19 de junho, 2007). Getting Lost in the Great Outdoors. Washington Post. Acessado

(35)

Uma vez que o “segundo dilúvio” não cessará, torna-se mais do que necessário ensinarmos nossos alunos a buscar e filtrar as informações na rede. Na era das conexões, o professor deverá se comportar como um design do conhecimento (CHINALLI, 2013). De acordo com a pesquisadora, a Internet se apresenta como uma interface com recursos multidimensionais poderosos e terá participação expressiva na construção do novo modelo de Educação no século XXI. Além do acesso facilitado às informações na rede, um novo modelo de cursos on-line está ganhando força, são os MOOCS (Massive Open Online Courses). São cursos elaborados por professores ligados a grandes universidades e que pretendem difundir o conhecimento em grande escala e a qualquer parte do mundo em que as pessoas tenham acesso à Internet. Certamente, são soluções tecnológicas que causarão grande impacto na Educação.

Para Charlot (2008, p.20):

O acesso fácil a inúmeras informações, graças à Internet, faz com que o docente já não seja para o aluno, como foi outrora, a única, nem sequer a principal fonte de informações sobre o mundo. Sendo assim, é preciso redefinir a função do professor, para que este não seja desvalorizado. Mas este trabalho de redefinição ainda não foi esboçado.

Atualmente, o poder e a responsabilidade dos professores será escolher como e quando a tecnologia será útil em sala de aula. Isso significa que devemos conhecer suas potencialidades e também os problemas gerados devido ao uso inadequado para que sejam utilizadas como mais uma ferramenta importante na aprendizagem, pois, de acordo com Lévy (2009), nem a salvação nem a perdição residem na técnica. Os instrumentos são construídos pelos homens e são eles os responsáveis, coletivamente, pelo seu uso adequado.

(36)

1.5 Geração polegar

Esse termo “geração polegar” foi utilizado por Moura (2009) para designar a

atual geração de jovens. O termo representa o dedo mais utilizado por nossos alunos para comandar os aparelhos celulares que já são presença constante nas escolas. Porém, de acordo com a pesquisadora, enquanto a tecnologia avança e se populariza, os conflitos entre pais, filhos e educadores aumentam. Os pais presenteiam seus filhos com celulares (muitas vezes as crianças têm menos de dez anos de idade) com a intenção de ter mais controle sobre eles. Porém, o que ocorre é exatamente o contrário. Com o uso de celulares e tablets conectados à Internet, o mundo dessas crianças se abre, as possibilidades de conexão aumentam substancialmente e consequentemente, ao invés de aumentar, o controle dos pais sobre os filhos fica reduzido.

A autora expõe que esse avanço extremamente rápido nos trouxe alguns problemas, entre eles a falta de uma cultura digital de comunicação e de uso dos aparelhos. Não é raro encontrar alunos que não conseguem abandonar o celular no momento de prestar atenção às explicações do professor. Outras vezes, os próprios pais decidem telefonar para os filhos em horário escolar, atrapalhando assim o andamento das aulas. Pesquisas apontam (EDUTOPIA, UNESCO, 2012) que a maior das preocupações entre pais e professores é que os estudantes distraiam-se demais se estiverem com equipamentos móveis durante as aulas. Embora esse seja um grande problema a ser enfrentado, especialistas na área orientam que o melhor caminho não é banir os equipamentos, mas negociar políticas de uso e, assim, tirar proveito das ferramentas e facilidades proporcionadas pela tecnologia, conseguindo engajar os estudantes nas tarefas da escola.

(37)

Para nós, professores, é importante entender melhor alguns dos comportamentos das novas gerações, principalmente as chamadas Y e Z. Saber como é a dinâmica de suas vidas, como aprendem e como lidam com o excesso de informações causado pela tecnologia torna-se fundamental para pensar em novas estratégias para ensinar. Embora não haja consenso entre os autores, destacamos os nomes dados a algumas das gerações. São elas: Belle Époque (nascidos entre 1920 e 1940), Baby Boomers (nascidos entre 1945 e 1960), Geração X (nascidos entre 1960 e 1980), Geração Y e Geração Z. Vamos destacar algumas características das gerações Y e Z, ou geração polegar como Moura (2009) a designou devido à grande habilidade de escrever em pequenos dispositivos móveis utilizando os polegares. Para compreendermos melhor as mudanças na sociedade e também na Educação quando o assunto é o uso de tecnologias, é necessário, pois, compreender como o jovem de hoje se comporta, quais são algumas de suas crenças, alguns de seus hábitos e algumas de suas ações.

Nascidos entre 1980 e 1999, os jovens da geração Y estão agora no mercado de trabalho e possuem algumas características muito peculiares. São extremamente informados, embora muitas vezes as informações fiquem em um nível bem superficial. Nasceram em uma organização familiar bem diferente das gerações anteriores, muitas vezes em famílias de pais ausentes na Educação dos filhos. Essa ausência foi amenizada com computadores, videogames, cursos extracurriculares de línguas, que, além de substituir a presença dos pais, aumentaram a competitividade desses jovens no mercado de trabalho. A tecnologia, muito presente na vida dessas crianças, determinou algumas características da geração Y: são individualistas, competitivos e adoram desafios (pois se sentem como em um jogo e

querem “passar para outras fases”).

Fazer questionamentos constantemente, demonstrar ansiedade e impaciência em quase todas as situações, desenvolver ideias e pensamentos com superficialidade, buscar viver com intensidade cada experiência, ser transitório e ambíguo em suas decisões e escolhas – essas são algumas das principais características atribuídas à Geração Y. (OLIVEIRA, 2010, p. 63).

(38)

seja, não sabe o que significa viver sem Internet, computadores, celulares etc. Outra característica dessa geração é o fato de realizar várias coisas ao mesmo tempo. Certamente são multitarefas. Assim, diferentemente dos migrantes digitais (todos que nasceram antes do advento das tecnologias digitais – Marck Prensky, 2001) os membros dessa geração não precisam aprender como viver em um ambiente de imersão digital, pois já nasceram nele.

Ao contrário da geração X, que aprendeu a jamais contestar seus

“superiores”, as gerações Y e Z fazem do questionamento e da diferente concepção

de hierarquia (ou da falta dela) características marcantes. Muitas vezes, como professores pertencentes à Geração X, não compreendemos o motivo desses comportamentos e acusamos o aluno de rebelde ou até mesmo de mal educado. Essas características estão muito relacionadas ao fato de que na Web tudo se encontra no mesmo plano e todos podem contribuir para produção de conhecimento sem hierarquia alguma.

De acordo com Oliveira (2010, p.26) “atualmente, há mais informação

publicada na Internet em uma semana do que todo o conteúdo gerado até o século

XIX”.

O autor cita algumas etapas do comportamento humano frente a algo novo. São elas: negação, resistência, exploração, aceitação, envolvimento e comprometimento.

Muitas vezes, ao enfrentarmos uma situação de mudanças, nem sempre podemos adotar uma posição resistente às mesmas. Assim, levianamente adotamos um discurso de aceitação, mas não nos envolvemos de fato, deixando as mudanças a uma distância segura e controlável. Acreditamos que essa seja uma postura muito comum entre os professores: mudamos o discurso mas não mudamos nossa prática. Isso talvez porque, segundo Oliveira (2010, p.34), o tempo que alguém leva para aderir a qualquer mudança varia de pessoa para pessoa. Algumas vão da negação ao comprometimento em segundos; outras precisam de anos. Ousamos afirmar que o professor lança mão do que Peter Woods (1990 apud CHARLOT, 2008, p.22, 23)

chamou de “estratégias de sobrevivência”. Segundo o autor,

(39)

Quanto mais difíceis as condições de trabalho, mais predominam as estratégias de sobrevivência.

Para Charlot (2008, p.23)

São essas estratégias de sobrevivência, e não uma misteriosa “resistência à mudança”, que freiam as tentativas de reforma ou inovação pedagógica. Quem propõe uma mudança significativa desestabiliza as estratégias de sobrevivência do professor e este não recusa a mudança, mas a reinterpreta na lógica de suas estratégias de sobrevivência – o que, muitas vezes, acaba por esvaziar o sentido da inovação.

(40)

2 – PROBLEMÁTICA

“Todo fato surge a partir de uma ideia; é a resposta a uma questão que não poderíamos ter formulado, se em primeiro lugar uma ideia não tivesse sido inventada; esta, ao isolar uma porção do mundo, a torna importante,

chamando nossa atenção e estimulando a pesquisa”

Theodore Roszak

Neste capítulo explicitaremos a problemática que motivou a pesquisa.

2.1 Justificativa da Pesquisa

Em quase 24 anos de magistério, vivenciei as mais diferentes realidades escolares: escolas públicas e particulares, centralizadas e de periferia; curso regular e suplência, aula para estudantes e também professores. Desde 1995, trabalhando com Informática em Educação, presenciei o surgimento da Internet no Brasil, que, inicialmente, estava presente em poucas escolas e restrita a poucas residências, sendo o seu uso bastante esporádico. Em alguns anos o panorama mudou completamente: atualmente são poucos os que não têm acesso à Internet. Os celulares, em aproximadamente dez anos, tornaram-se aparelhos que fazem “quase

tudo”. Gostaríamos de compreender como a escola se comporta diante dessa

revolução tecnológica.

Moura (2010) relata como os jovens portugueses estão utilizando as tecnologias móveis e a introdução dessas tecnologias na Educação, apresentando uma visão da mudança de paradigma, passando do que chamou de sedentarismo à mobilidade educacional. Esse fato tem nos chamado muito a atenção, pois, se até pouco tempo atrás era o professor decidia se queria levar seus alunos ao laboratório de informática, agora, com os smartphones e tablets, o laboratório já está na própria

sala de aula, “levado” pelos alunos. O que fazer com o “laboratório” que está nas

mãos dos alunos?

Imagem

Figura 2 - Página inicial da Nuteses
Figura 4 - Vantagens na aprendizagem com os equipamentos móveis
Figura 5- Desvantagens na aprendizagem com os equipamentos móveis

Referências

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