2 – PROBLEMÁTICA
3.6 Fichamentos e resenhas críticas das Teses
Título do trabalho 36: Apropriação do Telemóvel como Ferramenta de
Mediação em Mobile Learning. Estudos de Caso em Contexto Educativo
Programa/ Instituição: Doutorado em Ciências da Educação, na
Especialidade de Tecnologia Educativa - Instituto de Educação - Universidade do Minho - Portugual
Objetivo(s): Analisar como os alunos se apropriam do telemóvel como
ferramenta de aprendizagem; avaliar como o telemóvel medeia (molda) as atividades de aprendizagem; estudar as implicações das tecnologias móveis em atividades de aprendizagem; propor um quadro referencial teórico para integração de tecnologias móveis (telemóvel) num contexto de M-Learning que oriente o aluno para a aprendizagem autônoma e ao longo da vida; analisar as potencialidades e limitações da integração de tecnologias móveis no processo de ensino e aprendizagem, em particular, de línguas.
Sujeitos: 68 alunos do ensino secundário geral e profissional, diurno e
noturno, de duas escolas urbanas, uma pública e outra semiprivada.
Vantagens/ facilidades: Colaboração, maior atividade do aluno, ubiquidade,
aprendizagem em qualquer tempo e em qualquer espaço, motivação e concentração dos alunos, aumento a diversidade de propostas, possibilidade de o aluno melhorar aorganização e o armazenamento da informação.
Desvantagens/ problemas: Professores não querem sair da zona de
conforto.
Resenha crítica: Os dispositivos móveis têm sido usados como ferramentas
de aprendizagem em mobile learning. A emergência de novos cenários educativos levou a pesquisadora a tentar compreender os desafios e as oportunidades da integração de dispositivos móveis, como o telemóvel, no processo de ensino e aprendizagem.
Segundo Sharples et al. (2005, apud MOURA, 2010, p.43), em virtude da utilização de uma tecnologia pessoal, centrada no utilizador, móvel, potencializadora do trabalho em rede, ubíqua e durável, a aprendizagem tornar-se-á personalizada, centrada no estudante, situada, colaborativa, ubíqua e ao longo da vida. Essas previsões de Sharples muito nos chamaram a atenção e nos provocaram reflexões sobre o futuro da Educação e sobre a utilização dos equipamentos móveis em sala de aula. De acordo com Gagnon (2009, apud MOURA 2010, p.83), a penetração dos
equipamentos móveis é aproximadamente três vezes maior do que a dos computadores fixos e portáteis.
O estudo analisou como os alunos se apropriaram do telemóvel como ferramenta de aprendizagem, avaliou o telemóvel como ferramenta de mediação em atividades de aprendizagem e analisou as potencialidades e limitações da sua integração no processo de ensino e aprendizagem.
A análise dos dados obtidos permitiu concluir que os alunos aceitaram usar os seus próprios telemóveis, que incorporaram naturalmente nas suas práticas de estudo, explorando as várias funcionalidades durante as atividades curriculares, realizadas dentro e fora da sala de aula, de forma individual e colaborativa. O telemóvel usado como ferramenta mediadora de aprendizagem possibilitou tirar dúvidas e aprender quando era mais conveniente, permitiu contato permanente com os conteúdos curriculares, aumentou a motivação do aluno pela disciplina e aperfeiçoou a leitura em língua estrangeira. Os dados revelaram ainda grande satisfação dos alunos pelas tarefas realizadas, que tornaram o processo de ensino e aprendizagem mais atrativo, e o reconhecimento do potencial educacional do telemóvel para apoio ao estudo. Porém, seu uso obriga o professor e o aluno a definirem um papel novo tanto, ao impor a ambos os desafios renovados e constantes. O objetivo é que o aluno participe do jogo da aprendizagem e que essa participação seja efetiva, tanto na resolução de tarefas, como na sugestão de atividades. A implementação de um contexto de aprendizagem móvel deve proporcionar a concretização de um sistema de ensino mais flexível, em que o estudante possa gerir com responsabilidade a aquisição de conhecimentos e compreender melhor as dificuldades acadêmicas e os modos de agir sobre elas num contexto de natureza não avaliativa. Deve tornar possível a criação de uma comunidade escolar móvel, um espaço virtual escolar gratuito, fácil e ubíquo. Quando todos os alunos tiverem Internet no seu telemóvel, poderão facilmente continuar conectados aos colegas, professores, outros elementos da comunidade educativa e conteúdos curriculares, sem precisarem estar num local fixo.
Título do trabalho 37: M-LearnMat: Modelo pedagógico para atividades de M-Learning em Matemática
Autor(es): Batista, Silvia C. F.
Programa/ Instituição: Doutorado no Programa de Pós-Graduação em
Informática na Educação. Centro de Estudos Interdisciplinares em Novas Tecnologias da Educação. Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Objetivo(s): Verificar como o M-LearnMat pode contribuir para o
planejamento de atividades de M-Learning em Matemática, no Ensino Superior.
Sujeitos: Alunos do curso de Cálculo I do Ensino Superior
Vantagens/ facilidades: Autonomia na exploração de conteúdos.
Colaboração. Acesso aos materiais de acordo com a necessidade individual do estudante.
Desvantagens/ problemas: Custo dos aparelhos. Tamanho da tela (nos
celulares). Falta de aparelhos adequados à atividade. Presença de diferentes aparelhos com diferentes plataformas.
Resenha crítica: A autora propôs um modelo pedagógico para atividades de M-Learning em Matemática. Tal modelo tem por objetivo orientar práticas educativas que envolvam o uso de dispositivos móveis no Ensino Superior. A revisão bibliográfica, a pesquisa exploratória e um estudo de caso piloto forneceram dados para melhor compreensão do uso educacional dos celulares.
A experimentação sinalizou que o M-LearnMat tem potencial para orientar as atividades a que se destina, colaborando para que as mesmas sejam desenvolvidas segundo estratégias definidas.
Quando questionados se o uso de diversos recursos tecnológicos no apoio à disciplina contribuiu para a aprendizagem, um percentual superior a 90% respondeu afirmativamente.
A pesquisadora conclui seu trabalho mostrando que utilizar celulares para fins educativos ainda implica enfrentar algumas dificuldades, que tendem a diminuir com os avanços tecnológicos e com a diminuição dos preços dos aparelhos. Afirma também que na Matemática, em geral, as tecnologias digitais possibilitam simulações, visualizações, experimentações, levantamento de hipóteses entre outros. Como M-Learning, adicionam-se possibilidades extras, tais como praticidade,
mobilidade, alcance ao maior número de pessoas, aprendizagens em contextos reais etc. Nesse sentido, o uso de dispositivos móveis pode contribuir para que o processo de ensino e de aprendizagem de Matemática se torne mais acessível e próximo da realidade do aluno. Como sugestões a pesquisadora propôs: a realização de novas experimentações em diferentes contextos envolvendo outros professores; a adaptação do M-LearnMat para outros níveis de ensino; a ampliação do escopo da pesquisa, incluindo questões relacionadas ao tema sensibilidade ao contexto e Educação ubíqua; o desenvolvimento de aplicativos para Matemática, gratuitos, para dispositivos móveis; e a elaboração de uma metodologia de avaliação da qualidade de aplicativos para dispositivos móveis, direcionados à Matemática.
Título do trabalho 38: O processo de construção do conhecimento por meio
das novas tecnologias no contexto da conexão sem fio
Autor(es): Ono, Arnaldo Turuo
Programa/ Instituição: Doutorado em Educação: Currículo/ PUC - SP
Objetivo(s): Entender como os indivíduos constroem conhecimento por meio
das novas tecnologias, à luz da proposta de inter-relação da Espiral da Aprendizagem e da Teoria de Criação do Conhecimento.
Sujeitos: 65 sujeitos (participantes do Campus Party, profissionais da Business School São Paulo e especialistas em Educação de uma Comunidade Virtual).
Vantagens/ facilidades: Potencializar as oportunidades de construção do
conhecimento.
Desvantagens/ problemas: As tecnologias móveis ainda são caras e não
acessíveis a todos.
Resenha crítica: Segundo o autor, entender como os indivíduos estão se
apropriando das novas tecnologias é questão importante para o desenvolvimento de projetos educacionais que considerem esses recursos.
Por melhor que seja o ambiente de aprendizagem virtual, é fundamental o interesse pela participação, pela interação e pelo compartilhamento, para que os indivíduos construam o conhecimento.
As novas tecnologias, quando reconhecidas como agregadoras de valor para determinada atividade, são integradas às estruturas existentes e sua “existência” passa a ser transparente para esta comunidade, compondo o meio onde as interações ocorrem e os conhecimentos são construídos.
Em suas conclusões o pesquisador ressalta que as novas tecnologias não substituem as anteriores, são integradas e muitas vezes utilizadas de maneiras mais criativas do que as originalmente pensadas. E sugere a realização de uma pesquisa- ação sobre tecnologias móveis e sem fio, além de uma pesquisa experimental com estudantes utilizando smartphones e realizando atividades em um ambiente virtual.
Título do trabalho 39: Indicadores de mudanças nas práticas pedagógicas
com o uso do computador portátil em escolas do Brasil e de Portugal.
Autor(es): Weckelmann, Valéria Faria
Programa/ Instituição: Doutorado em Educação: Currículo/ PUC – SP
Objetivo(s): Identificar mudanças nas práticas pedagógicas de professores
com o uso de computadores portáteis em escolas do Brasil e de Portugal. Apreender se a integração do computador portátil nas práticas pedagógicas implica mudanças no relacionamento entre os alunos e destes com os professores e se ocorreram alterações nas estratégias didáticas. Identificar os aspectos que as dificultam e as contribuições da utilização deste dispositivo móvel na Educação, buscando constatar as condições necessárias para que os professores se sintam motivados e seguros para utilizar esta tecnologia em suas práticas pedagógicas.
Sujeitos: 17 alunos do 4.o ano (9 a 10 anos) de uma escola pública do 1.o
ciclo da Educação Básica de Portugal e a professora da turma mencionada. No Brasil, uma turma de 21 alunos do 4.o ano do EF (8 a 9 anos) em uma escola municipal no Interior de São Paulo e sua respectiva professora.
Vantagens/ facilidades: Reorganização do espaço e do tempo de sala de
aula. A horizontalização das relações entre professores e alunos. A percepção do erro como hipótese de reflexão e o aumento da motivação dos alunos e professores. O desenvolvimento do trabalho colaborativo, do pensamento crítico e reflexivo. A iniciativa para a pesquisa e a inclusão digital das famílias. O aumento da autoestima dos alunos.
Desvantagens/ problemas: Falta de conexão com Internet. Fragilidade do
computador portátil adotado. Falta de estrutura na formação de professores. Dificuldades de aprendizagem nos fundamentos da língua Portuguesa e Matemática. Ausência de articulação entre as instâncias política, administrativa, de gestão da escola, da escola e da comunidade.
Resenha crítica: De acordo com a pesquisadora, a integração de novas
tecnologias ao currículo e, portanto, às práticas pedagógicas provoca tensões (VALENTE, 2011 apud WECKELMANN, 2012), pois implica uma nova perspectiva de ensino e de aprendizagem que modifica o trabalho docente (WECKELMANN, 2006, 2008). Tais mudanças não acontecem repentinamente, são um processo lento, do qual faz parte a conscientização dos professores sobre as transformações sociais e os reflexos destas nas práticas de ensino e aprendizagem, contextualizando os docentes em um novo cenário, fomentando nele a vontade de construir algo novo a partir do compartilhamento das dúvidas, angústias, questionamentos e incertezas de maneira reflexiva, com o objetivo de reconstruir novos referenciais pedagógicos.
Além de todos os quadros já apresentados, optamos pela realização de um último quadro com os trabalhos mais relacionados com o ensino de Matemática.
Como, desde o início, gostaríamos de identificar as pesquisas que tratavam de equipamentos móveis no ensino e na aprendizagem de Matemática, decidimos realizar o quadro 7 para dar destaque aos trabalhos encontrados. Vale destacar que apenas 8 dos 39 trabalhos selecionados para análise trataram de conteúdos matemáticos.
Autor (es) Nome do trabalho Ano
Araujo Jr, C. F.; Dias, E. J.; Cerri, M. S.; Cenatti, A.
Mobile Learning no Ensino de Matemática: um framework
conceitual para uso dos tablets na Educação Básica 2012
Bernardo, J. C. O.
Dispositivos móveis digitais na incrementação do processo de ensino e aprendizagem: mobile learning no
rompimento de paradigmas 2013 Cavalcante, R. C.; Oliveira,
E. A.; Ayres, P. A. A.
Apoiando o processo de Ensino/Aprendizado da lógica
formal usando tablets 2011 Neto, J.F.B.; Fonseca,
F.S.da
Jogos educativos em dispositivos móveis como auxílio ao
ensino de Matemática 2013 Oliveira, J. B.; Santana, A.
M.
Reali, G. A.; Oliveira, M. C. D.;
Silva, D. L.; Queiroz, F. N.
O uso de tablets e o Geogebra como ferramentas
auxiliadoras no Ensino de Matemática 2012
Hunger, G.; Hodges, C. Using tablets for collaborative problem-based learning in Mathematics specialist program 2009
Pelton, T. W.; Pelton, L. F. Building mobile apps to support sense-making in Mathematics 2012
Batista, Sílvia C. F. M-LearnMat: Modelo pedagógico para atividades de M-Learning em Matemática 2011 FONTE: produção da autora
4 – ANÁLISES
Introduzir novas tecnologias na sala de aula não melhora o aprendizado automaticamente, porque a tecnologia dá apoio à pedagogia, e não vice- versa. Infelizmente, a tecnologia não serve de apoio para a velha aula expositiva, a não ser da forma mais trivial, como passar fotos e filmes. Para que a tecnologia tenha efeito positivo no aprendizado, os professores precisam primeiro mudar o jeito de dar aula.
Marck Prensky
Tínhamos como objetivo responder às questões: como se encontra o estado atual das pesquisas sobre os equipamentos móveis na Educação? Quais as principais vantagens do uso de equipamentos móveis na sala de aula? Quais as desvantagens do uso de equipamentos móveis na sala de aula? Quais os principais aspectos que devem ser levados em conta quando tratamos do uso das novas tecnologias móveis na escola? São elas meios ou fins?
Para tanto, organizamos as informações obtidas após a leitura e o fichamento dos trabalhos e vamos apresentar algumas conclusões que nos auxiliarão na análise e nas reflexões sobre como os dispositivos móveis têm sido utilizados no contexto educacional.
Vale destacar que a quantidade de artigos (nacionais e internacionais) encontrada sobre o tema foi expressivamente maior do que a de teses e dissertações. Arriscamos dizer que esse fato é devido à novidade do tema, uma vez que as tecnologias móveis são bastante recentes. Assim sendo, é natural que haja mais artigos publicados do que teses e dissertações, uma vez que as mesmas exigem um maior tempo de pesquisa e maior aprofundamento teórico.
A velocidade na qual surgem as tecnologias é consideravelmente superior à necessária para a realização das pesquisas e a destas estas, por sua vez, superior à aplicação dessas tecnologias em sala de aula. De acordo com Mandaio (2011), a inovação tecnológica pode impulsionar a inovação pedagógica, embora esta seja mais difícil de ser implementada do que a primeira.
Optamos por realizar a análise inicial dividindo os trabalhos em artigos nacionais, artigos internacionais, dissertações e teses.