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Rev. Assoc. Med. Bras. vol.54 número3

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Academic year: 2018

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Rev Assoc Med Bras 2008; 54(3): 189-201 190

P

anorama I nternacional

M edicina F armacêutica

DESAFIOS PARA A AUTORIZAÇÃO E ACOMPANHAMENTO DE ENSAIOS CLÍNICOS COM MEDICAMENTOS PRODUZIDOS NO BRASIL

O co m itê so bre pro duto s m é dico s para uso hum ano (C H MP), que dá subsídio s té cnico s à C o m issão Euro pé ia para o re gistro na União Euro pé ia de m e dicam e nto s e pro duto s bio ló gico s, publico u e m 2005 do is guias (o u dire trize s) re lativo s a e nsaio s clínico s, um de le s so bre C o m itê s de Mo nito ram e nto de D ado s, e o utro so bre e sco lha de m arge m de não -infe rio ri-dade . Am bo s o s do cum e nto s fo ram tam bé m publicado s no

me smo núme ro da re vista Statistics in Medicine, pre ce dido s

po r um a no ta intro dutó ria que histo ria o s guias do C H MP, e

co me nta o s do is e m que stão1.

Coment ário

Embora os dois guias do CHMP sejam independentes um do outro, a coincidência de sua publicação simultânea serve de pretexto para uma reflexão sobre o atual cenário da pesquisa clínica no Brasil, e na sua interface com o registro de medicamen-tos novos neste país. A publicação, em 2003, pela Agência N acional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de um pacote de regula-mentos sobre registro de medicaregula-mentos representou um gran-de avanço em relação à situação regulatória anterior, e entre outros impactos no setor produtor de medicamentos, está tendo o de exigir, por ocasião de seu registro ou renovação do mesmo, a apresentação de estudos clínicos que subsidiem a eficácia e segurança desses produtos2-4. Vários medicamentos que estão

no mercado brasileiro há anos, e não podem ser reenquadrados como medicamentos genéricos e similares, só estão podendo renovar seu registro, que é condição necessária para que conti-nuem sendo comercializados, mediante a apresentação para a Anvisa de estudos clínicos realizados com os seus próprios produtos, não lhes sendo permitido apenas emprestar evidênci-as obtidevidênci-as com outros produtos com o mesmo princípio ativo. N a maioria dos casos dos medicamentos descritos acima pode-se demonstrar sua eficácia e, em menor grau, segurança, por meio de ensaios clínicos de não-inferioridade, sem ter que passar pelos estudos não-clínicos e estudos clínicos de fases I e II, indispensáveis para o registro de m edicam entos inovadores. Dados de farmacovigilância podem suprir as necessárias evi-dências de segurança desses produtos que, lem bre-se, já estão no m ercado. Grande parte desses m edicam entos são produ-zidos pela indústria farmacêutica nacional, que não tem tradição de realizar ensaios clínicos com seus produtos, mas que, em função da regulamentação vigente, está sendo obrigada a fazê-lo, sob a pena de não poder comercializar seus produtos quando vencer a validade de seu registro, que tem que ser renovado a cada cinco anos.

Q uando se discute pesquisa clínica no Brasil, fala-se muito da pesquisa patrocinada pela indústria farmacêutica internacional, com produtos inovadores. Há, porém, um número crescente de estudos clínicos com medicamentos brasileiros que deles necessitam para renovação de seu registro, aos quais se agre-gam estudos com vacinas que passam a ser fabricadas no país por transferência de tecnologia de laboratórios estrangeiros, e que tam bém têm que dem onstrar sua eficácia e segurança por estudos de não-inferioridade. Há, por fim, um número ainda mínimo de produtos em desenvolvimento no país que, de fato, representam inovação. N o que diz respeito a esses produtos, é da Anvisa a responsabilidade de aceitar sua introdução ou manutenção no mercado, e nesses casos ela não conta com a vantagem de poder se apoiar em pareceres de agências regu-ladoras mais avançadas de outros países, como no caso de medicamentos inovadores também registrados na Europa e América do N orte. É também dela a responsabilidade de avaliar os protocolos desses ensaios clínicos com um olhar técnico sobre a sua capacidade de dem onstrar que os produtos estuda-dos funcionam e são seguros. Além disso, não basta aprovar os protocolos, os ensaios clínicos devem ser acompanhados e os eventos adversos neles observados devem monitorados2-4.

Entram aqui os Comitês de Monitoramento de Dados, virtual-mente inexistentes hoje no nosso meio para os estudos com produtos nacionais, mas essenciais para o acompanhamento dos ensaios clínicos, e eventual intervenção no andamento dos mesmos, por parte do patrocinador.

A Anvisa tem que estar atenta aos estudos com medicamen-tos e produmedicamen-tos biológicos desenvolvidos no país, particularmen-te pela indústria nacional, e para isso deve desenvolver guias para a sua realização e monitoramento, ou adotar/adaptar as já existentes. Apenas se corretamente delineados e conduzidos estudos clínicos poderão produzir evidências válidas para dar subsídio ao registro desses produto, ou renovação dos mes-mos. É essencial que a agência reguladora brasileira esteja tecnicamente bem preparada para aprovar estudos com poten-cial de demonstração de eficácia e segurança dos produtos avaliados, e com base em seus resultados tomar decisões bem embasadas sobre o seu registro ou renovação.

SÉRG I O NI SH I O KA

Re fe rê ncias

1. Bro wn D , Vo lke rs P, D ay S. An intro ducto ry no te to C H MP guide line s: cho ice o f the no n-infe rio rity m argin and data m o nito ring co m m itte e s. Stat Me d. 2006;25(10):1628-45.

2. N ishio ka SA. C o m o é fe ito o re gistro de m e dicam e nto s no vo s no Brasil. Prat H o sp. 2006;8(45):13-7.

3. N ishio ka SA, Sá PFG . A Agê ncia N acio nal de Vigilância Sanitária e a pe squisa clínica no Brasil. Re v Asso c Me d Bras. 2006;52(1):60-2.

Referências

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