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ECOTURISMO, CONSERVAÇÃO E SUSTENTABILIDADE

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ECOTURISMO, CONSERVAÇÃO E SUSTENTABILIDADE

Autoria: Liz Ehlke Cidreira

Indaial - 2021 UNIASSELVI-PÓS

1ª Edição

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CENTRO UNIVERSITÁRIO LEONARDO DA VINCI Rodovia BR 470, Km 71, n

o

1.040, Bairro Benedito

Cx. P. 191 - 89.130-000 – INDAIAL/SC Fone Fax: (47) 3281-9000/3281-9090

Copyright © UNIASSELVI 2021

Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri UNIASSELVI – Indaial.

C568e

Cidreira, Liz Ehlke

Ecoturismo, conservação e sustentabilidade. / Liz Ehlke Cidreira – Indaial: UNIASSELVI, 2021.

146 p.; il.

ISBN 978-65-5646-426-8 ISBN Digital 978-65-5646-427-5

1. Meio ambiente. - Brasil. II. Centro Universitário Leonardo da Vinci.

CDD 577

Reitor: Prof. Hermínio Kloch

Diretor UNIASSELVI-PÓS: Prof. Carlos Fabiano Fistarol Equipe Multidisciplinar da Pós-Graduação EAD:

Carlos Fabiano Fistarol

Ilana Gunilda Gerber Cavichioli Norberto Siegel

Julia dos Santos Ariana Monique Dalri Jairo Martins

Marcio Kisner Marcelo Bucci

Revisão Gramatical: Equipe Produção de Materiais Diagramação e Capa:

Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI

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Sumário

APRESENTAÇÃO ...5

CAPÍTULO 1

Ecoturismo e Unidades de Conservação ... 7

CAPÍTULO 2

Bases Para Desenvolver o Ecoturismo ... 55

CAPÍTULO 3

Planejamento e Gestão do Ecoturismo ... 101

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APRESENTAÇÃO

Seja bem-vindo ao Livro de Ecoturismo, Conservação e Sustentabilidade. Este livro contribui para a sua formação pessoal e profissional através de algumas refle- xões e absorção de conhecimentos sobre o meio ambiente e a comunidade, sem dei- xar de lado o desenvolvimento econômico. Diante disso e para que ocorra tal aprimo- ramento, faz-se necessário conhecermos a história do ecoturismo, os seus conceitos, a conservação da natureza e os elementos que permeiam a sustentabilidade.

Este livro está estruturado em 3 capítulos principais, que são subdivididos em tópicos para facilitar a absorção de conhecimento e permitir que o leito realize reflexões e pesquisas complementares referentes aos assuntos aqui abordados.

Desta maneira, ao estudar o Capítulo 1 – Ecoturismo e unidades de conser- vação –, será possível encontrar informações referentes às unidades de conser- vação existentes e criadas por meio da Lei Federal nº 9.985/2000, a chamada SNUC – Sistema Nacional de Unidades de Conservação. Além disso será possí- vel encontrar o conceito, a história e a legislação no Brasil aplicada ao Ecoturis- mo. Bem como, será possível estudar o turismo em áreas naturais protegidas e a aplicação da Educação Ambiental na atividade turística.

Já no Capítulo 2 – Bases para desenvolver o ecoturismo –, serão encontra- das as leis aplicadas ao ecoturismo, as Políticas Públicas voltadas a valorização do ecoturismo e também algumas boas práticas ambientais para o desenvolvi- mento e o aproveitamento da atividade de ecoturismo da melhor maneira.

Por fim, no Capítulo 3 – Planejamento e Gestão do Ecoturismo –, serão ex- planados os temas referentes ao planejamento e gestão do ecoturismo, a gestão do ecoturismo aplicado às unidades de conservação, o planejamento do ecoturis- mo para proteção de culturas tradicionais, bem como serão estudados os cases e os modelos de sucesso do turismo sustentável no Brasil e no mundo.

Além dos textos do livro, você encontrará, no decorrer dos capítulos, suges- tões para complementação dos seus estudos, como indicação de livros, filmes, si- tes, bem como uma gama de opções de referências bibliográficas e autores concei- tuados, que ampliarão ainda mais os seus estudos sobre os temas aqui abordados.

Organize seus horários, pratique o autoestudo e embarque nesse novo desa- fio de conhecimentos.

Bons estudos!

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C APÍTULO 1

Ecoturismo e Unidades de Conservação

A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes objetivos de aprendizagem:

� Definir o ecoturismo, sua história e sua legislação.

� Debater sobre os conceitos de ecoturismo, bem como sua história e a legisla-

ção aplicada a ele.

� Conhecer as unidades de conservação e as leis que as regem.

� Comparar os tipos de unidades de conservação existentes e discutir as suas

criações através da Lei Federal nº 9985/2000.

� Conhecer o turismo aplicado às áreas naturais protegidas.

� Demonstrar o turismo aplicado às áreas de conservação.

� Compreender como a educação ambiental pode ser aplicada à atividade turística.

� Valorizar a educação ambiental que é aplicada e desenvolvida nas atividades

turísticas.

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Ecoturismo, Conservação e Sustentabilidade

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Ecoturismo e Unidades de Conservação Ecoturismo e Unidades de Conservação

Capítulo 1

1 CONTEXTUALIZAÇÃO

Quem nunca idealizou ou realizou um passeio turístico em meio a natureza? Nes- tes passeios conseguimos os desconectar do urbano, do caos das cidades, e consegui- mos nos conectar com a qualidade de vida que a natureza tem para nos oferecer.

Nesse contexto, o ecoturismo tende a trazer benefícios diretos para a saúde do homem, bem como permitir a apreciação da natureza utilizando os princípios do desenvolvimento responsável e o respeito à natureza.

Desta maneira, iniciaremos o nosso estudo adentrando nos temas das uni- dades de conservação, o ecoturismo, o turismo nas áreas naturais protegidas e a educação ambiental voltada à atividade turística.

2 UNIDADES DE CONSERVAÇÃO E A LEI FEDERAL Nº 9.985/2000

2.1 MEIO AMBIENTE E

DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

Os anos 1960 e 1970 foram marcados não só pelos períodos de industrializa- ção no mundo, mas também pelo início da percepção populacional dos impactos ambientais, por meio de adventos como alterações na qualidade da água e do ar, os quais fizeram com que a população começasse a sentir os resultados de anos de degradação ambiental desenfreada. Partindo deste pressuposto, órgãos mundiais iniciaram uma série de eventos e reuniões que buscavam alternativas e soluções para estes problemas recém descobertos.

O órgão mundial que tomou frente aos eventos de caráter ambiental foi a Organização das Nações Unidas (ONU), a qual sugeriu uma conferência inter- nacional com o intuito de relacionar temas referentes à preservação e proteção ambiental no âmbito mundial.

Uma das consequências das conferências ambientais aconteceu no ano de

1972, no qual ocorreu a criação do PNUMA – Programa das Nações Unidas sobre

o Meio Ambiente, o órgão ambiental ligado à ONU é existente até hoje e é consi-

derado a principal autoridade ambiental global e que possui o intuito de defender

o meio ambiente no mundo.

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Ecoturismo, Conservação e Sustentabilidade

CONHEÇA MAIS SOBRE O PNUMA EM: https://uniasselvi.

me/3yEsP9C

FIGURA 1 – CAMPANHA DO PNUMA PARA O DIA MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE

FONTE: <www.paho.org>. Acesso em: 9 mar. 2021.

Descrição da imagem: campanha do PNUMA realizado para chamar atenção ao Dia Mun- dial do Meio Ambiente, comemorado em 5 de junho devido à importância da conferência de

Estocolmo, que ocorreu nesta data.

Um dos relatórios mais importantes já redigidos sobre a causa ambiental foi o chamado Relatório de Brundtland. Neste relatório, escrito em 1987 e elaborado pela Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento (CMMAD), foi onde surgiu o conceito de Desenvolvimento Sustentável e onde ele foi utilizado pela primeira vez. Cabe ressaltar que o conceito se encontra no documento cha- mado “Nosso futuro comum”, elemento resultante da reunião da comissão cita- da. Sua definição foi entendida como: “aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem às suas necessidades” (ONU, 1987).

Segundo Gomes e Ferreira (2018, p. 159), “É nesse momento que a comuni- dade mundial passa a conceber a possibilidade de se desenvolver sem degradar de modo excessivo e insustentável o planeta, entrando em cena a preocupação com as gerações presentes e futuras.”.

Ainda, conforme o referido relatório, o qual levou o nome da então primei-

ra-ministra da Noruega, Gro Harlem Brundtland, o Desenvolvimento Sustentável

deve contribuir para retomar o crescimento possibilitando as condições necessá-

rias para:

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Ecoturismo e Unidades de Conservação Ecoturismo e Unidades de Conservação

Capítulo 1

• promover a erradicação da pobreza;

• alterar a qualidade do crescimento para torná-lo mais justo, equitativo e menos intensivo no uso de energias e matérias-primas;

• assistir às necessidades humanas essenciais de: emprego, energia, ali- mentação, água potável e saneamento;

• manter um nível populacional sustentável;

• melhorar e conservar a base de recursos;

• reorientar a tecnologia e administrar os riscos; e

• incluir o meio ambiente e a economia no processo de tomada de decisões.

A empreitada mundial em prol da preservação ambiental vem sendo grande e durante todo o percurso percorrido, diversos termos de compromisso, relatórios, tratados e acordos foram assinados por diversos países a fim de buscar um meio ambiente equilibrado, justo e saudável para todos. A criação do termo “desenvolvi- mento sustentável” foi um dos principais ganhos das conferências internacionais e hoje é um termo muito utilizado e difundido.

Japiassú e Gerra (2017, p. 1885), ao discutirem sobre o desenvolvimento sustentável e o papel do homem neste conceito, afirmam que:

O homem, como agente dotado de racionalidade, é, ao mesmo tempo, responsável por si mesmo e também tem responsabili- dade em relação ao outro. A sustentabilidade ambiental reafirma essa responsabilidade do homem em relação à manutenção da higidez ambiental, das condições estéticas e sanitárias do meio ambiente, da preservação da biodiversidade, que é tanto uma responsabilidade para consigo mesmo, já que são condições para a sadia qualidade de vida, como configura uma responsabi- lidade para com aqueles que ainda virão, havendo a solene res- ponsabilidade de legar às futuras gerações no mínimo o mesmo grau de acesso aos recursos ambientais que recebeu, tendo ain- da um dever de buscar promover a melhoria das condições do meio ambiente. Daí os laços de solidariedade intergeracionais.

O desenvolvimento sustentável, em seu conceito mais amplo, engloba três principais dimensões, também conhecido como os três pilares da sustentabilida- de: ambiental, social e econômico.

A intenção primordial do desenvolvimento sustentável é promover o cres- cimento econômico sem esgotar os recursos naturais para as gerações futuras.

Partindo dessa premissa, a ONU lançou em 2015 durante a Cúpula das Nações

Unidas para o Desenvolvimento Sustentável os objetivos do desenvolvimento

sustentável (ODS), os quais somam 17 objetivos e são um apelo global para atin-

gir os objetivos iniciais do conceito de desenvolvimento sustável, porém, trazido

para a realidade atual do mundo. Além dos 17 objetivos, os ODS contam com 169

metas a serem alcançadas até o ano de 2030.

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Ecoturismo, Conservação e Sustentabilidade

O antigo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, em entrevista afirmou que:

“os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) são a visão comum para a humanidade e um contrato social entre os líderes mundiais e os povos” e in- formou que os ODS “são uma lista das coisas a fazer em nome dos povos e do planeta, e um plano para o sucesso!” (ONU, 2015).

FIGURA 2 – OBJETIVOS DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

FONTE: <https://brasil.un.org/pt-br/sdgs>. Acesso em: 10 mar. 2021.

Descrição da imagem: imagem ilustrativa dos 17 objetivos do de- senvolvimento sustável elaborados pela ONU.

Conheça como o Brasil está se preparando para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e conheça cada uma dos 17 ODS em: https://brasil.un.org/pt-br/sdgs

Vamos compreender melhor as dimensões do desenvolvimento sustentável?

No vídeo abaixo, a ONU Brasil (Organização das Nações Uni-

das) demonstra que a Agenda 2030 da ONU e os Objetivos de De-

senvolvimento Sustentável não são apenas itens de uma lista. Repre-

sentam uma abordagem holística para a compreensão e a resolução

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Ecoturismo e Unidades de Conservação Ecoturismo e Unidades de Conservação

Capítulo 1

de problemas da atualidade, ao nos orientar a fazer as perguntas certas no momento certo.

Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=pZ2RsinirlA

Ao analisar os 17 objetivos do desenvolvimento sustentável, pode-se citar alguns dos objetivos que se enquadram diretamente com a atividade de promover o turismo sustentável, sendo eles: saúde e bem estar; cidades e comunidades sustentáveis; ação contra a mudança global do clima, vida na água, vida terrestre, entre outros.

É possível perceber, ao analisar o conceito e o conteúdo acerca do desenvol- vimento sustentável, bem como conhecendo os 17 objetivos do desenvolvimento sustentável, que estes conceitos estão estritamente relacionados com o que se espera do Ecoturismo. Sendo assim analisaremos, no próximo tópico, as unida- des de conservação e as suas aplicações e legislações e, na sequência, aborda- remos sobre o ecoturismo.

1 Com relação à definição de Desenvolvimento Sustentável, com- plete a frase abaixo preenchendo corretamente as lacunas.

A definição de desenvolvimento sustentável foi entendida como:

“aquele que atende às necessidades do _____________ sem comprometer a possibilidade de as _______________ atenderem às suas _________________”.

2.2 UNIDADES DE CONSERVAÇÃO

Antes de entrarmos no assunto unidades de conservação e para que seja

possível entender a fundo alguns outros conceitos relacionados à área ambiental,

pode-se citar a Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA), descrita por meio da

Lei Federal nº 6.938/1981.

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Ecoturismo, Conservação e Sustentabilidade

A Política Nacional do Meio Ambiente tem por objetivo: a preservação, me- lhoria e recuperação da qualidade ambiental propícia à vida, visando assegurar, no País, condições ao desenvolvimento socioeconômico, aos interesses da se- gurança nacional e à proteção da dignidade da vida humana. A PNMA elenca al- guns conceitos específicos e importantes para aguçar o entendimento, sendo eles (BRASIL, 1981):

Art. 3º - Para os fins previstos nesta Lei, entende-se por:

I - meio ambiente, o conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física, química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas;

II - degradação da qualidade ambiental, a alteração adversa das característi- cas do meio ambiente;

III - poluição, a degradação da qualidade ambiental resultante de atividades que direta ou indiretamente:

a) prejudiquem a saúde, a segurança e o bem-estar da população;

b) criem condições adversas às atividades sociais e econômicas;

c) afetem desfavoravelmente a biota;

d) afetem as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente;

e) lancem matérias ou energia em desacordo com os padrões ambientais estabelecidos;

IV - poluidor, a pessoa física ou jurídica, de direito público ou privado, respon- sável, direta ou indiretamente, por atividade causadora de degradação ambiental;

V - recursos ambientais, a atmosfera, as águas interiores, superficiais e sub- terrâneas, os estuários, o mar territorial, o solo, o subsolo, os elementos da bios- fera, a fauna e a flora. (Redação dada pela Lei nº 7.804, de 1989).

Com a finalidade de preservação e conservação ambiental, nos moldes em que a PNMA foi descrita, foi instituído no País algumas regras e definições sobre estes assuntos. Sendo assim, por meio da Lei Federal Nº 9.985, de 18 de julho de 2000, foi regulamentado o art. 225, § 1º, incisos I, II, III e VII da Constituição Fede- ral, institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC) e dá outras providências.

O artigo citado no caput da Lei nº 9985 informa que: “Art. 225. Todos têm di- reito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletivi- dade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”

(BRASIL, 1988). E seu parágrafo primeiro cita que:

§ 1º Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao poder público:

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Ecoturismo e Unidades de Conservação Ecoturismo e Unidades de Conservação

Capítulo 1

I - preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e prover o manejo ecológico das espécies e ecossistemas;

II - preservar a diversidade e a integridade do patrimônio gené- tico do País e fiscalizar as entidades dedicadas à pesquisa e manipulação de material genético;

III - definir, em todas as unidades da Federação, espaços terri- toriais e seus componentes a serem especialmente protegidos, sendo a alteração e a supressão permitidas somente através de lei, vedada qualquer utilização que comprometa a integrida- de dos atributos que justifiquem sua proteção;

[...]

VII - proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provo- quem a extinção de espécies ou submetam os animais a cruel- dade (BRASIL, 1988).

Portanto, analisando os deveres do poder público em relação ao meio am- biente, a Lei nº 9.985 institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza – SNUC, e estabelece critérios e normas para a criação, implantação e gestão das unidades de conservação. Com relação aos conceitos definidos pela Lei, o Art. 2º informa que se entende por:

I - unidade de conservação: espaço territorial e seus recursos ambientais, incluindo as águas jurisdicionais, com característi- cas naturais relevantes, legalmente instituído pelo Poder Públi- co, com objetivos de conservação e limites definidos, sob regime especial de administração, ao qual se aplicam garantias ade- quadas de proteção;

II - conservação da natureza: o manejo do uso humano da na- tureza, compreendendo a preservação, a manutenção, a utili- zação sustentável, a restauração e a recuperação do ambiente natural, para que possa produzir o maior benefício, em bases sustentáveis, às atuais gerações, mantendo seu potencial de sa- tisfazer as necessidades e aspirações das gerações futuras, e garantindo a sobrevivência dos seres vivos em geral;

III - diversidade biológica: a variabilidade de organismos vivos de todas as origens, compreendendo, dentre outros, os ecossistemas terrestres, marinhos e outros ecossistemas aquáticos e os comple- xos ecológicos de que fazem parte; compreendendo ainda a diver- sidade dentro de espécies, entre espécies e de ecossistemas;

IV - recurso ambiental: a atmosfera, as águas interiores, super- ficiais e subterrâneas, os estuários, o mar territorial, o solo, o subsolo, os elementos da biosfera, a fauna e a flora;

V - preservação: conjunto de métodos, procedimentos e políti- cas que visem a proteção a longo prazo das espécies, habitats e ecossistemas, além da manutenção dos processos ecológicos, prevenindo a simplificação dos sistemas naturais;

VI - proteção integral: manutenção dos ecossistemas livres de alterações causadas por interferência humana, admitido apenas o uso indireto dos seus atributos naturais;

VII - conservação in situ: conservação de ecossistemas e habi- tats naturais e a manutenção e recuperação de populações viá- veis de espécies em seus meios naturais e, no caso de espécies

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Ecoturismo, Conservação e Sustentabilidade

domesticadas ou cultivadas, nos meios onde tenham desenvol- vido suas propriedades características;

VIII - manejo: todo e qualquer procedimento que vise assegurar a conservação da diversidade biológica e dos ecossistemas;

IX - uso indireto: aquele que não envolve consumo, coleta, dano ou destruição dos recursos naturais;

X - uso direto: aquele que envolve coleta e uso, comercial ou não, dos recursos naturais;

XI - uso sustentável: exploração do ambiente de maneira a ga- rantir a perenidade dos recursos ambientais renováveis e dos processos ecológicos, mantendo a biodiversidade e os demais atributos ecológicos, de forma socialmente justa e economica- mente viável;

XII - extrativismo: sistema de exploração baseado na coleta e extração, de modo sustentável, de recursos naturais renováveis;

XIII - recuperação: restituição de um ecossistema ou de uma população silvestre degradada a uma condição não degradada, que pode ser diferente de sua condição original;

XIV - restauração: restituição de um ecossistema ou de uma população silvestre degradada o mais próximo possível da sua condição original;

XV - (VETADO)

XVI - zoneamento: definição de setores ou zonas em uma unida- de de conservação com objetivos de manejo e normas especí- ficos, com o propósito de proporcionar os meios e as condições para que todos os objetivos da unidade possam ser alcançados de forma harmônica e eficaz;

XVII - plano de manejo: documento técnico mediante o qual, com fundamento nos objetivos gerais de uma unidade de con- servação, se estabelece o seu zoneamento e as normas que devem presidir o uso da área e o manejo dos recursos naturais, inclusive a implantação das estruturas físicas necessárias à ges- tão da unidade;

XVIII - zona de amortecimento: o entorno de uma unidade de conservação, onde as atividades humanas estão sujeitas a nor- mas e restrições específicas, com o propósito de minimizar os impactos negativos sobre a unidade; e

XIX - corredores ecológicos: porções de ecossistemas naturais ou seminaturais, ligando unidades de conservação, que pos- sibilitam entre elas o fluxo de genes e o movimento da biota, facilitando a dispersão de espécies e a recolonização de áreas degradadas, bem como a manutenção de populações que de- mandam para sua sobrevivência áreas com extensão maior do que aquela das unidades individuais.

Conforme visto acima, as unidades de conservação são um espaço territorial e seus recursos ambientais, com objetivos de conservação e limites definidos. O SNUC é constituído pelo conjunto das unidades de conservação federais, estadu- ais e municipais, de acordo com o disposto nesta Lei. Entende-se, portanto, que é possível encontrar unidades de conversação em todos os âmbitos (Municipal, Estadual e Federal).

Os órgãos que gerenciam as unidades de conservação, são (BRASIL, 2000):

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Ecoturismo e Unidades de Conservação Ecoturismo e Unidades de Conservação

Capítulo 1

• Órgão consultivo e deliberativo: o Conselho Nacional do Meio Ambiente - CONAMA, com as atribuições de acompanhar a implementação do Sis- tema.

• Órgão central: o Ministério do Meio Ambiente, com a finalidade de coor- denar o Sistema.

• Órgãos executores: o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodi- versidade (ICMBio) e o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Re- cursos Naturais Renováveis (IBAMA), em caráter supletivo, os órgãos estaduais e municipais, com a função de implementar o SNUC, subsidiar as propostas de criação e administrar as unidades de conservação fede- rais, estaduais e municipais, nas respectivas esferas de atuação.

Você sabe o que é o CONAMA?

O Conselho Nacional do Meio Ambiente - CONAMA é o órgão consultivo e deliberativo do Sistema Nacional do Meio Ambiente - SIS- NAMA, foi instituído pela Lei Federal nº 6.938/81, que dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, regulamentada pelo Decreto Fe- deral nº 99.274/90 (MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE, 2021).

Conheça o CONAMA em: http://www2.mma.gov.br/port/conama/

Em seu artigo 4º a lei traz os objetivos do SNUC, os quais são (BRASIL, 2000):

I - contribuir para a manutenção da diversidade biológica e dos re- cursos genéticos no território nacional e nas águas jurisdicionais;

II - proteger as espécies ameaçadas de extinção no âmbito regional e nacional;

III - contribuir para a preservação e a restauração da diversida- de de ecossistemas naturais;

IV - promover o desenvolvimento sustentável a partir dos re- cursos naturais;

V - promover a utilização dos princípios e práticas de conserva- ção da natureza no processo de desenvolvimento;

VI - proteger paisagens naturais e pouco alteradas de notável beleza cênica;

VII - proteger as características relevantes de natureza geoló- gica, geomorfológica, espeleológica, arqueológica, paleontoló- gica e cultural;

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Ecoturismo, Conservação e Sustentabilidade

VIII - proteger e recuperar recursos hídricos e edáficos;

IX - recuperar ou restaurar ecossistemas degradados;

X - proporcionar meios e incentivos para atividades de pesqui- sa científica, estudos e monitoramento ambiental;

XI - valorizar econômica e socialmente a diversidade biológica;

XII - favorecer condições e promover a educação e interpre- tação ambiental, a recreação em contato com a natureza e o turismo ecológico;

XIII - proteger os recursos naturais necessários à subsistên- cia de populações tradicionais, respeitando e valorizando seu conhecimento e sua cultura e promovendo-as social e econo- micamente.

O SNUC também define as categorias de unidades de conversação (UC) existentes e as classifica em dois grupos principais: Unidades de Proteção Inte- gral e Unidades de Uso Sustentável. Esses grupos também são subdivididos em outras categorias. Existem diferenças entre esses grupos e a principal é o tipo de utilização do espaço que é permitido. Na sequência será apresentado cada um desses grupos e subgrupos.

Os objetivos básicos dos dois grupos principais das UCs são:

• Unidades de Proteção Integral: preservar a natureza, sendo admitido apenas o uso indireto dos seus recursos naturais, com exceção dos ca- sos previstos nesta Lei.

• Unidades de Uso Sustentável: compatibilizar a conservação da natureza com o uso sustentável de parcela dos seus recursos naturais.

O grupo das Unidades de Proteção Integral é composto pelas seguintes ca- tegorias de unidade de conservação e seus objetivos são:

I - Estação Ecológica: é de posse e domínio públicos e tem como objetivo a preservação da natureza e a realização de pesquisas científicas;

II - Reserva Biológica: é de posse e domínio públicos e tem como objetivo a preservação integral da biota e demais atributos naturais existentes em seus limites, sem interferência humana direta ou modificações ambientais, excetuan- do-se as medidas de recuperação de seus ecossistemas alterados e as ações de manejo necessárias para recuperar e preservar o equilíbrio natural, a diversidade biológica e os processos ecológicos naturais;

III - Parque Nacional: é de posse e domínio públicos e tem como objetivo

básico a preservação de ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e

beleza cênica, possibilitando a realização de pesquisas científicas e o desenvol-

vimento de atividades de educação e interpretação ambiental, de recreação em

contato com a natureza e de turismo ecológico;

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Ecoturismo e Unidades de Conservação Ecoturismo e Unidades de Conservação

Capítulo 1

IV - Monumento Natural: pode ser constituído por áreas particulares e tem como objetivo básico preservar sítios naturais raros, singulares ou de grande be- leza cênica;

V - Refúgio de Vida Silvestre: pode ser constituído por áreas particulares e tem como objetivo proteger ambientes naturais onde se asseguram condições para a existência ou reprodução de espécies ou comunidades da flora local e da fauna residente ou migratória.

Com relação ao Grupo das Unidades de Uso Sustentável as seguintes cate- gorias compreendem estas unidades de conservação, bem como suas peculiari- dades e objetivos são:

I - Área de Proteção Ambiental (APA): podem ser constituídas por terras públi- cas ou privadas e é uma área em geral extensa, com um certo grau de ocupação humana, dotada de atributos abióticos, bióticos, estéticos ou culturais especialmen- te importantes para a qualidade de vida e o bem-estar das populações humanas, e tem como objetivos básicos proteger a diversidade biológica, disciplinar o processo de ocupação e assegurar a sustentabilidade do uso dos recursos naturais;

II - Área de Relevante Interesse Ecológico: pode ser constituída por terras públicas ou privadas e é uma área em geral de pequena extensão, com pouca ou nenhuma ocupação humana, com características naturais extraordinárias ou que abriga exemplares raros da biota regional, e tem como objetivo manter os ecossis- temas naturais de importância regional ou local e regular o uso admissível dessas áreas, de modo a compatibilizá-lo com os objetivos de conservação da natureza;

III - Floresta Nacional: é de posse e domínio públicos e é uma área com cobertura florestal de espécies predominantemente nativas e tem como objetivo básico o uso múltiplo sustentável dos recursos florestais e a pesquisa científica, com ênfase em métodos para exploração sustentável de florestas nativas;

IV - Reserva Extrativista: é de domínio público, com uso concedido às popu- lações extrativistas tradicionais, e é uma área utilizada por populações extrativis- tas tradicionais, cuja subsistência baseia-se no extrativismo e, complementarmen- te, na agricultura de subsistência e na criação de animais de pequeno porte, e tem como objetivos básicos proteger os meios de vida e a cultura dessas populações, e assegurar o uso sustentável dos recursos naturais da unidade;

V - Reserva de Fauna: é de posse e domínios públicos e é uma área natural

com populações animais de espécies nativas, terrestres ou aquáticas, residentes

ou migratórias, adequadas para estudos técnico-científicos sobre o manejo eco-

nômico sustentável de recursos faunísticos;

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Ecoturismo, Conservação e Sustentabilidade

VI - Reserva de Desenvolvimento Sustentável: é de domínio público e é uma área natural que abriga populações tradicionais, cuja existência baseia-se em sis- temas sustentáveis de exploração dos recursos naturais, desenvolvidos ao longo de gerações e adaptados às condições ecológicas locais e que desempenham um papel fundamental na proteção da natureza e na manutenção da diversidade biológica A Reserva de Desenvolvimento Sustentável tem como objetivo básico preservar a natureza e, ao mesmo tempo, assegurar as condições e os meios ne- cessários para a reprodução e a melhoria dos modos e da qualidade de vida e ex- ploração dos recursos naturais das populações tradicionais, bem como valorizar, conservar e aperfeiçoar o conhecimento e as técnicas de manejo do ambiente, desenvolvido por estas populações; e

VII - Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN): é uma área privada e tem como objetivo conservar a diversidade biológica.

Todas as unidades de conservação possuem peculiaridades que as distin- guem, com relação ao seu domínio, seus objetivos, e os seus tipos de usos per- mitidos e proibidos. Levando em conta essas características quanto aos usos, o Quadro 1 abaixo, reúne estas informações.

QUADRO 1 – USOS PERMITIDOS E PROIBIDOS NAS UCS

Tipo de UC Usos Permitidos e Proibidos

Unidades de Proteção Integral

Estação Ecológica

Pesquisa científica: dependendo de autorização prévia do órgão responsá- vel pela administração da unidade e está sujeita às condições e restrições

por este estabelecidas.

Alterações dos ecossistemas no caso de: medidas que visem a restauração de ecossistemas modificados; manejo de espécies com o fim de preservar a diversidade biológica; coleta de componentes dos ecossistemas com fi- nalidades científicas; e pesquisas científicas cujo impacto sobre o ambiente seja maior do que aquele causado pela simples observação ou pela coleta controlada de componentes dos ecossistemas, em uma área correspon- dente a no máximo três por cento da extensão total da unidade e até o limite

de um mil e quinhentos hectares.

Visitação pública: proibida, exceto quando possuir objetivo educacional.

Reserva Biológica

Pesquisa científica: dependendo de autorização prévia do órgão responsá- vel pela administração da unidade e está sujeita às condições e restrições por este estabelecidas, bem como àquelas previstas em regulamento.

Visitação pública: proibida, exceto quando possuir objetivo educacional.

Parque Nacional

Visitação pública: está sujeita às normas e restrições estabelecidas no Pla-

no de Manejo da unidade, às normas estabelecidas pelo órgão responsável

por sua administração, e àquelas previstas em regulamento.

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Ecoturismo e Unidades de Conservação Ecoturismo e Unidades de Conservação

Capítulo 1

Pesquisa científica: dependendo de autorização prévia do órgão responsá- vel pela administração da unidade e está sujeita às condições e restrições por este estabelecidas, bem como àquelas previstas em regulamento.

Monumento Natural

Visitação pública: sujeita às condições e restrições estabelecidas no Plano de Manejo da unidade, às normas estabelecidas pelo órgão responsável por sua administração e àquelas previstas em regulamento.

Refúgio de Vida

Silvestre

Visitação pública: sujeita às normas e restrições estabelecidas no Plano de Manejo da unidade, às normas estabelecidas pelo órgão responsável por sua administração, e àquelas previstas em regulamento.

Pesquisa científica: dependendo de autorização prévia do órgão responsá- vel pela administração da unidade e está sujeita às condições e restrições por este estabelecidas, bem como àquelas previstas em regulamento.

Unidades de Uso Sustentável

Área de Proteção

Ambiental

Pesquisa científica e visitação pública: nas áreas sob domínio público serão estabelecidas pelo órgão gestor da unidade e nas áreas sob propriedade privada, cabe ao proprietário estabelecer as condições para pesquisa e visitação pelo público, observadas as exigências e restrições legais.

Área de Relevante

Interesse Ecológico

Podem ser estabelecidas normas e restrições para a utilização de uma pro-

priedade privada localizada em uma Área de Relevante Interesse Ecológico.

Floresta Nacional

Permanência de populações tradicionais: É admitida para as que a habitam

quando de sua criação, em conformidade com o disposto em regulamento

e no Plano de Manejo da unidade.

Visitação pública: é permitida, condicionada às normas estabelecidas para o manejo da unidade pelo órgão responsável por sua administração.

Pesquisa científica: é permitida e incentivada, sujeitando-se à prévia auto- rização do órgão responsável pela administração da unidade, às condições e restrições por este estabelecidas e àquelas previstas em regulamento.

Reserva Extrativista

Visitação pública: é permitida, desde que compatível com os interesses lo- cais e de acordo com o disposto no Plano de Manejo da área.

Pesquisa científica: é permitida e incentivada, sujeitando-se à prévia auto- rização do órgão responsável pela administração da unidade, às condições e restrições por este estabelecidas e às normas previstas em regulamento.

Proibido: a exploração de recursos minerais e a caça amadorística ou pro- fissional.

Exploração comercial de recursos madeireiros: só será admitida em bases sustentáveis e em situações especiais e complementares às demais ativi- dades desenvolvidas na Reserva Extrativista.

Reserva de Fauna

Visitação pública: pode ser permitida, desde que compatível com o manejo

da unidade e de acordo com as normas estabelecidas pelo órgão respon-

sável por sua administração.

Proibido: o exercício da caça amadorística ou profissional.

Comercialização dos produtos e subprodutos resultantes das pesquisas:

obedecerá ao disposto nas leis sobre fauna e regulamentos.

(22)

Ecoturismo, Conservação e Sustentabilidade

Reserva de Desen- volvimento Susten-

tável

Visitação pública: é permitida e incentivada, desde que compatível com os interesses locais e de acordo com o disposto no Plano de Manejo da área.

Pesquisa científica: é permitida desde que seja voltada à conservação da natureza, à melhor relação das populações residentes com seu meio e à educação ambiental, sujeitando-se à prévia autorização do órgão respon- sável pela administração da unidade, às condições e restrições por este estabelecidas e às normas previstas em regulamento.

Exploração de componentes dos ecossistemas naturais em regime de ma- nejo sustentável e a substituição da cobertura vegetal por espécies cultivá- veis: é admitida a desde que sujeitas ao zoneamento, às limitações legais e ao Plano de Manejo da área.

Reserva Particular do

Patrimônio Natural

Permitidas: pesquisa científica e a visitação com objetivos turísticos, recre- ativos e educacionais.

FONTE: Adaptado de Lei Federal nº 9985/2000 (2021)

Um dos principais objetivos do SNUC é favorecer condições e promover a educação e interpretação ambiental, a recreação em contato com a natureza e o turismo ecológico, e, através do quadro 1 apresentado acima, é possível perce- ber que diversos tipos de unidades de conservação permitem que essa prática ocorra de maneira sustentável e em consonância com os objetivos de cada uma dessas unidades.

2 O SNUC divide as unidades de conservação em dois grandes grupos. Relembre quais são eles e quais são os objetivos básicos dos dois grupos principais das UCs. Além disso, descreva quais são as unidades de conservação que permitem visitação para ecoturismo, ainda que por meio de autorização prévia.

Prezado acadêmico, conheça um pouco sobre a RPPN Estadual MO’Ã, localizada no Rio Grande do Sul e as estratégia para a conserva- ção, através do artigo: “Divulgação da RPPN Estadual MO ́Ã como es- tratégia para a conservação” (CORRÊA, L.R.; RODRIGUES, T.T, 2021).

Disponível em : <https://uniasselvi.me/3kTExs6>

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Ecoturismo e Unidades de Conservação Ecoturismo e Unidades de Conservação

Capítulo 1

3 ECOTURISMO: CONCEITO,

HISTÓRIA E LEGISLAÇÃO NO BRASIL

Como pudemos ver nos tópicos anteriores, o Brasil possui uma história muito ligada ao meio ambiente, incluindo a preservação de áreas naturais e com isso, aumentam as chances e as possibilidades de promover e desenvolver o turismo e o ecoturismo. Neste tópico, aprenderemos um pouco mais sobre o ecoturismo, estudando como ele se desenvolveu, sua história e a legislação bra- sileira que o permeia.

A questão ambiental que nos primórdios era debatida na visão da ecologia ge- ral, após algum tempo ampliou as discussões para os sistemas ambientais, nascen- do processos em que os sistemas humanos (as economias, populações, culturas, governos e organizações) podem fazer escolhas visando à conservação ambiental e à sustentabilidade. Os temas ambientais ganham espaço nas discussões científi- cas e nas esferas políticas e sociais, surgindo uma nova ética do desenvolvimento que incorpora a qualidade ambiental e a inclusão social. É fundamentado nessa premissa que se compreende o ecoturismo, como uma atividade que se materializa pela interação com o ambiente de uma forma sustentável (BRASIL, 2008).

Na opinião de Damas (2020), o vínculo entre turismo e natureza se comple- menta, ou pelo menos deveria também complementar-se em um sentido mais in- tenso, seja pelo fato da riqueza da biodiversidade existente em todo o mundo, como também pelo fato do turismo ganhar maior abrangência e atratividade quando aliado aos encantos e cenários que a natureza proporciona, no qual devem vir aliado tanto pela Educação Ambiental, conscientização e preserva- ção dos recursos naturais existentes.

Embora o termo “ecoturismo” seja recente, a natureza já atrai viajantes há mui- to tempo. Datam do século XV as primeiras investidas aos picos da região dos Al- pes, na fronteira entre a França, Itália e Suíça. Nos Estados Unidos, desde a segun- da metade do século XIX, milhares de turistas já visitavam os Parques Nacionais de Yellowstone (criado em 1872) e Yosemite (criado em 1890). No Brasil, existem re- gistros de expedições à região de Itatiaia (RJ), realizadas no fim do século XIX, sen- do que, em 1919, foi fundado, na cidade do Rio de Janeiro, o Centro Excursionista Brasileiro (CEB), primeiro grupo de montanhismo do país (SÃO PAULO, 2014).

Foi apenas no início da década de 1980 que o termo “ecoturismo” começou a

ser utilizado. Ele surgiu como um conceito de atividade diferente, em que o turista

também é responsável pelo ambiente e a sociedade que visita, em oposição ao

modelo de turismo de massa desenvolvido desde o pós-guerra até os dias atuais.

(24)

Ecoturismo, Conservação e Sustentabilidade

A nível de Brasil, existe um instrumento chamado Plano Nacional de Turismo (PNT) (sendo o mais recente abrangendo os anos 2018 a 2022), e se trata de um instrumento que estabelece diretrizes e estratégias para a implementação da Política Nacional de Turismo. O objetivo principal desse documento é ordenar as ações do setor público, orientando o esforço do Estado e a utilização dos recursos públicos para o desenvolvimento do turismo. Segundo esse plano, o turismo será cada vez mais importante no contexto da economia nacional, à medida em que conseguir avançar nos objetivos da Política Nacional de Turismo, os quais são:

contribuir para a redução das desigualdades sociais e econômicas regionais, pro- mover a inclusão pelo crescimento da oferta de trabalho e melhorar a distribuição de renda (BRASIL, 2018).

Desta maneira, o PNT propõe modernizar e desburocratizar o setor; ampliar investimentos e o acesso a crédito; estimular a competividade e a inovação; in- vestir na promoção do destino Brasil, interna e internacionalmente; na qualifica- ção profissional e de serviços e fortalecer a gestão descentralizada e a regionali- zação do turismo (BRASIL, 2018).

Conheça o Plano Nacional do Turismo em: https://www.gov.br/

turismo/pt-br/centrais-de-conteudo/pnt-2018-2022-pdf

Segundo o PNT (2018), para tornar os destinos, produtos e serviços turísticos cada vez mais competitivos e sustentáveis, em um mercado que se transforma a uma velocidade nunca vista, é imprescindível que se compreenda o processo de desenvolvimento territorial regionalizado e cooperado, assim como se observe e invista em inovações contínuas no setor, respeitando os princípios da sustentabi- lidade no turismo.

Nesse sentido, o Plano Nacional de Turismo estabeleceu, para o desenvolvi- mento do turismo nacional no período de 2018-2022, as seguintes diretrizes: for- talecimento da regionalização; melhoria da qualidade e competitividade; incentivo à inovação; e promoção da sustentabilidade.

Com relação à promoção da sustentabilidade, o PNT informou que:

A Assembleia Geral das Nações Unidas declarou o ano de 2017 como o “Ano

Internacional do Turismo Sustentável”. Atividades foram realizadas em todo o mun-

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Ecoturismo e Unidades de Conservação Ecoturismo e Unidades de Conservação

Capítulo 1

do para discutir a importância da promoção da sustentabilidade no turismo e se efe- tivar uma transformação no setor que contribua para o alcance de um futuro melhor.

A iniciativa somou-se ao esforço das Nações Unidas em promover o desen- volvimento sustentável do planeta, por meio da consecução da Agenda 2030, um conjunto de 17 objetivos e 169 metas a serem perseguidas por todos os atores desde o nível local, regional, nacional até o supranacional. Tais objetivos são inte- grados e indivisíveis e equilibram as três dimensões do desenvolvimento susten- tável: a econômica, a social e a ambiental.

Essa importante celebração ocorreu 50 anos após o Ano Internacional do Turismo - Passaporte para a Paz (1967) e quinze anos após o Ano Internacional do Ecoturismo (2002). Veio em um momento crítico para todos, uma vez que a comunidade global trabalha a nível regional, nacional e local para contribuir com o cumprimento da Agenda para o Desenvolvimento Sustentável de 2030.

No ano de 2002 ocorreu a chamada “Cúpula Mundial de Ecoturismo”, em Quebec-Canadá, por meio da recomendação da OMT – Organização Mundial do Turismo e do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), e nesta reunião os representantes internacionais da iniciativa pública, empreende- dores do turismo, do meio acadêmico, do terceiro setor e representantes das co- munidades “tradicionais” discutiram diversos assuntos ligados ao tema.

O evento se deu juntamente com as comemorações pelo Ano Internacional do Ecoturismo e possibilitou que diversos participantes, de aproximadamente 130 países, através da troca de experiências, aprendessem uns com os outros e iden- tificando os princípios e prioridades que foram acordadas para o desenvolvimento e gestão do ecoturismo, sempre levando em conta os pilares da sustentabilidade.

Como resultado desta conferência, foi elaborado um documento final chama- do de “A Declaração de Quebec sobre Ecoturismo” e essa declaração reconheceu que o ecoturismo envolve os princípios do turismo sustentável, no que diz respeito aos impactos econômicos, sociais e ambientais do turismo, abrangendo também alguns princípios específicos que o distinguem do conceito mais amplo de turis- mo. Estes princípios do ecoturismo, que se deram a partir de várias ideias e refle- xões dos participantes, são:

• contribui ativamente para a conservação do meio natural e cultural her- dados;

• inclui comunidades locais tradicionais em seu planejamento, desenvolvi- mento e operação, e contribuindo para o seu bem-estar;

• interpreta o patrimônio natural e cultural do destino para os visitantes;

• se adequa melhor para viajantes independentes, bem como para pesso-

as organizadas em grupos de pequeno porte.

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Ecoturismo, Conservação e Sustentabilidade

A Declaração de Ecoturismo de Quebec, apresentou 41 recomendações aos governos, setor privado, organizações não governamentais, associações de base comunitária, instituições de ensino e pesquisa, instituições internacionais de finan- ciamento, agências de assistência ao desenvolvimento, comunidades e organiza- ções locais. Dentre as recomendações destacam-se: o incentivo ao planejamento participativo, o processo de certificação voluntária, o desenvolvimento de práticas de mínimo impacto e a implantação de estratégias que aumentem os benefícios nas localidades receptoras (SÃO PAULO, 2014).

Já, no ano de 2007, foi realizada, na Noruega, a Global Ecotourism Confe-

rence (GEC07), com o objetivo de discutir os resultados e os novos desafios no

campo do Ecoturismo. Nessa conferência também foi produzido um documento - Oslo Statement on Ecotourism. Esse documento apresenta quatro recomenda- ções: reconhecer o papel do ecoturismo no desenvolvimento sustentável local;

maximizar o potencial do ecoturismo bem gerido como um meio de conservação dos recursos naturais e culturais, tangíveis e intangíveis; apoiar a viabilidade e o desenvolvimento de empresas e atividades de ecoturismo, por meio de ações de marketing, educação e capacitação; e, finalmente, tratar as questões críticas do ecoturismo para o fortalecimento de sua sustentabilidade (SÃO PAULO, 2014).

A OMT ou também chamada de UNWTO (The World Tourism Organization) informa que o turismo sustentável é o “turismo que leva em consideração os im- pactos econômicos, sociais e ambientais atuais e futuros para atender às necessi- dades dos visitantes, da indústria, do meio ambiente e das comunidades anfitriãs”

(UNWTO, 2021).

Vale ressaltar que a sustentabilidade no turismo é entendida de forma ampla, de maneira a garantir a preservação não apenas dos recursos naturais, mas da cultura e da integridade das comunidades visitadas. Esses princípios permeiam os planos nacionais de turismo e o Programa de Regionalização do Turismo.

Derivado da palavra turismo sustentável surgiu o termo ecoturismo. Ao pen- sar na origem da palavra ecoturismo, pode-se descobrir que “a mesma é originá- ria de um neologismo entre o prefixo “eco” derivado da palavra grega “oikos” que significa “casa”, e a palavra de origem francesa “turismo”, que se relaciona com sentimento de prazer, usada pela primeira vez por Hector Ceballos na década de 80” (MEDEIROS, 2006, p. 91).

Para Mohr (2011), a compreensão do conceito de Ecoturismo é fundamental

para aprofundar o tema. Seguindo a tendência mundial de valorização do meio

ambiente, no final dos anos 1980, o termo Ecoturismo foi introduzido no Brasil. Na

mesma década, a EMBRATUR – Instituto Brasileiro de Turismo iniciou o “Projeto

Turismo Ecológico” e criou a Comissão Técnica Nacional, esta, constituída em

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Ecoturismo e Unidades de Conservação Ecoturismo e Unidades de Conservação

Capítulo 1

conjunto com o IBAMA – Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis. Historicamente, esta foi a primeira iniciativa voltada a orga- nizar o segmento.

Segundo os Cadernos de Educação Ambiental – Ecoturismo, do Governo de São Paulo (SÃO PAULO, 2014, p. 11):

“Ecoturismo” ou “Turismo Ecológico” é um tipo de turismo, que promove um maior contato do homem com a natureza e com os seus habitantes, para sensibilizá-lo e conscientizá-lo quanto à importância da preservação e da conservação do meio ambiente e das tradições culturais, por meio de práticas e atitudes susten- táveis. O ecoturismo representa uma nova forma de usufruir os locais visitados, sejam eles florestas, áreas costeiras, unidades de conservação e outros ecossistemas. Ele é, também, o res- peito e a responsabilidade com a biodiversidade encontrada na região visitada e com o patrimônio natural e cultural existentes.

E em 1994, através da publicação das Diretrizes para uma Política Nacional de Ecoturismo pela EMBRATUR e Ministério do Meio Ambiente, o então “turismo ecológico” passou a se denominar e foi conceituado da seguinte maneira:

Para a EMBRATUR (1994) “ecoturismo é um segmento da ativi- dade turística que utiliza, de forma sustentável, o patrimônio natural e cultural, incentiva sua conservação e busca a formação de uma consciência ambientalista por meio da interpretação do ambiente, promovendo o bem-estar das populações”

Já para a OMT (2002) ecoturismo são “todas as formas de turis-

mo em que a motivação principal do turista é a observação e apre-

ciação da natureza, de forma a contribuir para a sua preservação e

minimizar os impactos negativos no meio ambiente natural e socio-

cultural onde se desenvolve”.

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Ecoturismo, Conservação e Sustentabilidade

FIGURA 3 – ECOTURISMO

FONTE: <http://www.turismo.pr.gov.br/Pagina/ECOTURISMO>. Acesso em: 25 mar. 2021.

Descrição da imagem: exemplo de atividade voltada ao ecoturismo.

Para a Organização Mundial do Turismo (UNTWO, 2021):

As diretrizes para o desenvolvimento do turismo sustentável e práticas de gestão sustentável se aplicam a todas as formas de turismo em todos os tipos de destinos, incluindo o turismo de massa e vários segmentos de turismo. Os princípios da sus- tentabilidade referem-se aos aspectos ambientais, económicos e socioculturais do desenvolvimento do turismo, devendo es- tabelecer um equilíbrio adequado entre estas três dimensões para garantir a sua sustentabilidade a longo prazo. Portanto, o turismo sustentável deve:

- Aproveitar ao máximo os recursos ambientais, que constituem um elemento fundamental do desenvolvimento do turismo, man- tendo os processos ecológicos essenciais e contribuindo para a conservação dos recursos naturais e da diversidade biológica.

- Respeitar a autenticidade sociocultural das comunidades an- fitriãs, preservar seus ativos culturais e arquitetônicos e valores tradicionais, e contribuir para a compreensão intercultural e a tolerância.

- Assegurar as atividades económicas viáveis a longo prazo, que reportem a todos os agentes benefícios socioeconómicos bem distribuídos, entre os que procuram oportunidades de emprego estável, geração de renda e que os serviços sociais sejam fornecidos às comunidades anfitriãs, contribuindo para a redução da pobreza.

Para a EMBRATUR, o Ecoturismo caracteriza-se pelo contato com ambien-

tes naturais, pela realização de atividades que possam proporcionar a vivência e o

conhecimento da natureza e pela proteção das áreas onde ocorre. Ou seja, assen-

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Ecoturismo e Unidades de Conservação Ecoturismo e Unidades de Conservação

Capítulo 1

ta-se sobre o tripé interpretação, conservação e sustentabilidade. Assim, o Ecoturis- mo pode ser entendido como as atividades turísticas baseadas na relação susten- tável com a natureza, comprometidas com a conservação e a educação ambiental.

A EMBRATUR afirma que: “o Ecoturismo assenta-se no tripé (pilares): inter- pretação, conservação e sustentabilidade”.

A EMBRATUR é a Agência Brasileira de Promação Internacional do Turismo. Conheça mais sobre a EMBRATUR em: https://embratur.com.br/

A atividade de Ecoturismo aparece, também, como uma alternativa de apoio ao desenvolvimento sustentável, frente às outras atividades potencialmente mais impactantes, principalmente para aquelas comunidades inseridas em ambientes naturais conservados ou que apresentam fragilidades. Porém, apenas por meio de um processo de planejamento, o ecoturismo pode funcionar efetivamente como uma ferramenta para o alcance da sustentabilidade. Esse planejamento, associado à conscientização ambiental, fará com que as pessoas tenham atitudes que assegurem as condições necessárias para que esta e as próximas gerações usufruam dos recursos naturais de modo pleno, saudável, equilibrado e harmôni- co (SÃO PAULO, 2014).

Damas (2020, p. 312) descreve que:

Ao pensar em alternativas práticas para o turismo sobre o viés da sustentabilidade, tem-se primeiramente um questionamento sobre a dependência massiva do turismo pela questão econô- mica, porém com a evolução das preocupações voltadas aos impactos negativos ao meio ambiente, o turismo merece total atenção, principalmente pelas novas formas de práticas sus- tentáveis que surgiram.

Assista o vídeo abaixo para entender melhor sobre os Impactos ambientais negativos causados pelo homem.

O vídeo ilustra, através de um desenho animado, os impactos ambientais que são causados pelo homem a partir do consumo de- senfreado.

Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=zkQu0QNcWjA

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Ecoturismo, Conservação e Sustentabilidade

Para a OMT (2002) são objetivos do Ecoturismo:

• a preservação da biodiversidade e dos habitats naturais;

• a conservação do contexto natural, cultural e construído;

• o esclarecimento sobre o uso ilegal dos recursos naturais, bem como sobre o abuso na sua exploração; e

• a integração das áreas naturais protegidas, com os objetivos de conser- vação nos planos e programas de desenvolvimento locais e regionais.

Ao analisar os conceitos acima e o estudo abordado até o presente momento, pode-se perceber como o papel humano torna-se parte fundamental no processo de mudança, seja na cooperação, no respeito e ética da vida humana, buscando o equilíbrio na relação a natureza, da importância tanto de questões econômicas e ambientais praticadas em consonância e com o mesmo grau de importância (DAMAS, 2020).

Antes de aprofundar as questões que norteiam o ecoturismo, é interessante conhecer um pouco mais da sua história.

A história do turismo remonta a história da própria humanidade. Os povos gregos e romanos já realizavam viagens para desfrutar de atividades culturais e artísticas, encontros, solenidades e festividades. Um dos maiores exemplos foram os Jogos Olímpicos, realizados na Grécia Antiga, no século VIII a.C. Já, nos sécu- los XVI e XVII, no período do Renascimento, houve registros de viagens turísticas na Europa, feitas por jovens, artistas, intelectuais e cientistas, que buscavam am- pliar seus conhecimentos acerca de outras culturas (SÃO PAULO, 2014).

Com a Revolução industrial e o surgimento da classe média, na segunda metade do século XVIII, houve um grande estímulo ao turismo. Ainda nesse sé- culo se apontam ocorrências de viagens relacionadas à natureza, e os ambientes naturais passaram a ser o foco central das viagens. Por outro lado, a Revolução industrial marcou, na Europa, o aumento da degradação ambiental. A classe que emergiu dessa transformação econômica aumentou o consumo e passou a fazer, também, mais deslocamentos. Consequentemente, causou mais danos ao meio natural (SÃO PAULO, 2014).

Bezerra (s.d.) afirma que:

na década de 1980, põe-se em evidência a expressão Eco- turismo utilizado em termos práticos, como atividade turística realizada em ambientes naturais cujo diferencial era a valori- zação das comunidades locais. Com o aumento das práticas intituladas de Ecoturismo registra-se nas décadas seguintes uma discussão que ganha importância nos debates da comu-

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Ecoturismo e Unidades de Conservação Ecoturismo e Unidades de Conservação

Capítulo 1

nidade acadêmica, governo e ONGs. Tais debates ocorreram na perspectiva da elaboração de uma definição concreta para o termo Ecoturismo com seus princípios e características. Mas, entretanto, mesmo com a prática do Ecoturismo em ambientes naturais e em comunidades percebe-se ainda a inexistência de clareza quanto a definição cientifica deste termo.

Desde 1985, no Brasil, o ecoturismo vem tomando espaço e vem sendo dis- cutido no âmbito governamental. A primeira iniciativa formal ocorreu em 1987, através da criação da Comissão Técnica Nacional, a qual era constituída por téc- nicos no IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e do EMBRATUR (na época, Instituto Brasileiro de Turismo). Esta iniciativa promovia o monitoramento do Projeto Turismo Ecológico, o qual estava iniciando e não possuía organização adequada e práticas sustentáveis.

A EMBRATUR em 1994 (p. 9) descreve que existiam diversas barreiras entre a teoria e a prática do ecoturismo como: ausência de consenso sobre a conceitu- ação do segmento, falta de critérios, regulamentações e incentivos que orientem os empresários, investidores e o próprio Governo, a fim de estimular a exploração do potencial das belezas naturais e os valores culturais disponíveis no País, ao mesmo tempo em que promove a sua conservação.

Estes motivos foram suficientes para que o Ministério da Indústria, do Co- mércio e do Turismo e o Ministério do Meio Ambiente a criassem a Portaria Inter- ministerial nº 0001 de 1994 e também um Grupo de Trabalho, que era integrado por representantes dos Ministérios anteriormente citados, IBAMA e EMBRATUR, o qual instituiu e desenvolveu uma Política e um Programa Nacional de Ecoturis- mo (EMBRATUR, 1994).

Como resultado deste envolvimento e participação multidisciplinar surgiu a ideia da criação de uma Política Nacional de Ecoturismo, a qual deveria assegurar:

• À comunidade: melhores condições de vida e reais benefícios;

• Ao meio ambiente: uma poderosa ferramenta que valorize os recursos naturais;

• À nação: uma fonte de riqueza, divisas e geração de empregos; e

• Ao mundo: a oportunidade de conhecer e utilizar o patrimônio natural dos ecossistemas onde convergem a economia e a ecologia, para o conheci- mento e uso das gerações futuras.

Cabe ressaltar, que o Projeto Iniciado em 1994, citado acima e denominado

“Projeto Turismo Ecológico” o qual motivou uma possível criação de uma Política

Nacional de Ecoturismo não prosperou, portanto, não é possível encontrar, até o

presente momento, legislações específicas sobre este tema em âmbito Nacional.

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Ecoturismo, Conservação e Sustentabilidade

O Ministério de Turismo, através do PNT, destaca que, além da sustenta- bilidade ambiental, que assegura a compatibilidade do desenvolvimento com a manutenção de processos ecológicos essenciais à diversidade dos recursos na- turais, há outros aspectos da sustentabilidade a considerar. Cite-se a sustenta- bilidade sociocultural, que assegura que o desenvolvimento preserve a cultura local e os valores morais da população, fortalece a identidade da comunidade e contribui para o seu desenvolvimento. Há também a sustentabilidade econômica, que assegura o desenvolvimento economicamente eficaz, garante a equidade na distribuição dos benefícios advindos desse desenvolvimento e gera recursos de modo que possam suportar as necessidades das gerações futuras. Por fim, tem- -se a sustentabilidade político-institucional, que assegura a solidez e a continuida- de das parcerias e dos compromissos estabelecidos entre os diversos agentes e agências governamentais dos três níveis de governo e nas três esferas de poder, além dos atores situados no âmbito da sociedade civil (BRASIL, 2018).

Mas você, acadêmico, pode estar se perguntando: por que o Ecoturismo se destaca no Brasil?

Inicialmente, devemos fazer uma abordagem sobre um dos principais fatores do desenvolvimento da atividade do Ecoturismo no Brasil, que se refere a biodi- versidade encontrada em território brasileiro, fator que contribui para o país figurar como o maior possuidor de riquezas e diversidades naturais do mundo.

Destaca-se ainda, como outro fator preponderante para o desenvolvimento da atividade do Ecoturismo no Brasil, a extensão territorial, tendo em vista a sua dimensão, o país atinge várias regiões equatoriais, caracterizando-se por diversos climas e geomorfologias.

Segundo a publicação do Ministério do Turismo (BRASIL, 2018), o Brasil

exibe uma impressionante diversidade biológica, paisagística, histórica e cultural

que, frequentemente, é utilizada como atrativo pelos turistas nacionais e inter-

nacionais interessados em conhecer os destinos brasileiros. A valorização desse

patrimônio, bem como seu aproveitamento como atrativo turístico, perpassa pela

capacitação dos membros da comunidade, onde os bens culturais e naturais es-

tão assentados, para capacitá-los a perceber o ambiente que os cerca e criar uma

relação de pertencimento. Dessa forma, educação patrimonial e ambiental são te-

mas que podem contribuir não só para a assimilação da importância desses bens,

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Ecoturismo e Unidades de Conservação Ecoturismo e Unidades de Conservação

Capítulo 1

como também para a criação de novos produtos turísticos, tornando-os mais atra- tivos ao público e gerar mais fluxo e renda na cadeia turística.

A atuação conjunta com órgãos responsáveis pelo meio ambiente e pela cul- tura se torna imprescindível para implementar uma política de gestão das áreas de uso público das Unidades de Conservação Federais, em parceria com o setor privado e o terceiro setor, e promover a inovação, a criatividade, o aprimoramento e a qualificação de produtos e serviços turísticos culturais e criativos.

Sob a ótica da inserção social, Layrargues (2004 p. 3-4) informa que sob a perspectiva que envolve uma dinâmica de correlação de forças entre capital e tra- balho, existem dois modelos de ecoturismo, que devem ser aqui entendidos como duas categorias possíveis apenas como tipo-ideal, ou seja, que representam pa- res binários que no real podem conter elementos comuns imbricados entre si: o ecoturismo empreendedor e o ecoturismo de base comunitária, cujas característi- cas básicas estão descritas na Figura 4.

FIGURA 4 – TIPOS DE ECOTURISMO

FONTE: Layrargues (2004, p. 4)

Descrição da imagem: a imagem representa as diferenças entre o eco- turismo de base comunitária e o ecoturismo empreendedor.

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Ecoturismo, Conservação e Sustentabilidade

Diante desse quadro, o qual expõe os dois modelos de ecoturismo, é ne- cessário reconhecer que enquanto o ecoturismo de base comunitária possibilita converter os fatores socioeconômicos em favor da mudança social, o ecoturismo empreendedor age em função da manutenção das condições sociais historica- mente inalteradas. Sendo, portanto, a forma com que a parte social é inserida no ecoturismo, a diferença principal entre eles.

Nesse sentido, é interessante ainda tecer considerações a respeito da for- mação profissional de recursos humanos para atuar no ecoturismo. Dependen- do do enfoque que se implemente, é possível identificar duas possibilidades, de acordo com os dois modelos: uma que prepara recursos humanos para geração de empregos (considerados como trabalhadores subordinados ao capital) para o ecoturismo empreendedor, outra que prepara recursos humanos para ascensão social (considerados como trabalhadores em busca da emancipação política e au- tonomia econômica), para o ecoturismo de base comunitária. Para uns, cursos de culinária, recepção, hospedagem, guia, entre outros, que mantêm inalterada a relação capital e trabalho; para outros, cursos de associativismo, empreende- dorismo e gestão de negócios, além, evidentemente de linhas de crédito popular, subsidiando a mudança social (LAYRARGUES, 2004).

Prezado acadêmico, acesse o artigo: “Turismo Sustentável: Refle- xões, avanços e perspectivas.” (Damas, M.T., 2020), para obter informa- ções sobre o ponto de vista do autor, em relação ao turismo sustentável.

Disponível em : <https://uniasselvi.me/38Iu11e>

3 Tanto o desenvolvimento sustentável quanto o ecoturismo pos- suem pilares que sustentam o seu conceito e sua aplicação.

Quais são esses pilares e como eles se relacionam?

4 Como resultado da Conferência de Quebec, foi elaborado um do-

cumento final chamado de “A Declaração de Quebec sobre Ecotu-

rismo” e essa declaração reconheceu que o ecoturismo envolve os

princípios do turismo sustentável, no que diz respeito aos impactos

econômicos, sociais e ambientais do turismo, abrangendo também

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Ecoturismo e Unidades de Conservação Ecoturismo e Unidades de Conservação

Capítulo 1

alguns princípios específicos que o distinguem do conceito mais amplo de turismo. Cite quais são estes princípios do ecoturismo.

4 TURISMO EM ÁREAS NATURAIS PROTEGIDAS

Estudos mostram que o turismo pode proporcionar uma contribuição para a proteção continuada do meio ambiente, criando valor econômico para as espécies endêmicas ou em risco de extinção e, também, para os habitats naturais. Alguns casos atestam a efetividade do ecoturismo como um instrumento de persuasão para a conservação da natureza, substituindo atividades agrícolas e extrativistas não sustentáveis, por atividades que levem em conta a preservação e a conser- vação dos recursos naturais, como é o caso do projeto “Turismo no Rio e na Vila Cambuhat”, nas Filipinas, e o “Desenvolvimento e Conservação do Ecoturismo Comunitário”, nas ilhas Togean, na indonésia (SÃO PAULO, 2014).

Como um estudo de caso, vamos utilizar o caso da Pousada Uacari, a qual está localizada na Reserva de Desenvolvimento Sus- tentável (RDS) Mamirauá, que é uma unidade de conservação esta- dual, com uma área de 1.124.000 hectares, na várzea do Médio Rio Solimões, limitada pelos rios Solimões, Japurá e Auati-paraná.

Juntamente com outras duas unidades de conservação, a RDS Amanã e o Parque Nacional do Jaú, formam uma das maiores áreas contínuas de floresta tropical protegidas do mundo. A RDS Mamirauá está inserida no Corredor Central da Amazônia, é um dos Sítios do Patrimônio Natural da UNESCO e faz parte da Reserva da Biosfera da Amazônia.

Na região é desenvolvido o Turismo de Base Comunitária (TBC),

o qual é construído através de um longo processo, com o objetivo de

consolidar uma atividade sustentável, tendo o protagonismo comu-

nitário como condição, e trabalhando para que maior parte da renda

gerada pela atividade permaneça na comunidade.

Referências

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