Agradecimentos
Sem descurar de todos aqueles que marcaram o meu percurso académico ao longos destes 6 anos, desde os profissionais de saúde, professores, doentes, aos colegas e amigos, a quem deixo um sentido obrigado, gostaria de deixar algumas palavras de agradecimento àqueles que me têm acompanhado neste último ano, particularmente desafiante.
Em primeiro lugar, agradeço aos meus pais, por todo o incrível suporte que me têm dado, direta ou indiretamente, fundamentais no meu percurso académico e de vida, assim como todo o amor e carinho que me foram transmitindo e ensinando a compartilhar.
Ao meu irmão, por todos os conselhos e palavras de encorajamento, por todo o sucesso que sempre teve e continua a ter na vida, sendo um exemplo e servindo de inspiração para mim. Ambiciono tornar-me pelo menos tão grande como ele.
Aos meus amigos de longa data, e àqueles com quem cresci na faculdade, por terem demonstrado ser um pilar fundamental no equilíbrio e no sucesso, e pelo suporte constante e transversal a todo este período de formação.
A todos os orientadores de estágio e profissionais de saúde com quem fui contactando, particularmente aqueles que de forma especial me marcaram pela sua singularidade, não hesitando em abdicar de tempo próprio para investirem na minha formação e fomentarem o meu desenvolvimento.
Por fim mas não menos relevantes, aos doentes que, mesmo não sabendo, se destacaram, não só pelo contexto clínico em que estavam inseridos, como também pelas palavras e experiências que partilharam comigo, em momentos mais informais, mas de uma grande riqueza para a minha formação em ambiente hospitalar.
Índice
Introdução ... 1
Atividades Desenvolvidas ... 2
ESTÁGIO PARCELAR DE MEDICINA INTERNA | HOSPITAL CUF DESCOBERTAS | DRA. CRISTINA DUARTE ... 2
ESTÁGIO PARCIAL CIRURGIA GERAL | HOSPITAL BEATRIZ ÂNGELO | DR. PEDRO AMADO ... 3
ESTÁGIO PARCELAR MEDICINA GERAL E FAMILIAR | UCSP BEJA | DRA. EDITE SPENCER ... 3
ESTÁGIO PARCELAR PEDIATRIA| HOSPITAL CUF DESCOBERTAS| DRA. SÍLVIA BACALHAU ... 4
ESTÁGIO PARCELAR GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA| EM CONTEXTO DE ENSINO À DISTÂNCIA ... 5
ESTÁGIO PARCELAR DE SAÚDE MENTAL| EM CONTEXTO DE ENSINO À DISTÂNCIA ... 5
Elementos Valorativos ... 6
Reflexão Crítica ... 7
Introdução
O Estágio Profissionalizante é uma unidade curricular que se insere na componente formativa do 6º ano do Mestrado Integrado em Medicina (MIM). O presente relatório é centrado maioritariamente na análise e vivência desta mesma unidade curricular. Não obstante, considerando haver todo um percurso prévio de igual relevo, penso ser importante recuar algum tempo atrás, com o intuito de explicar determinados aspetos que estiveram na base da minha escolha e percurso académico. Recuando assim aos meus 17 anos, devido a modificações físicas resultantes de um acidente, fiquei impedido de ingressar em medicina pela Força Aérea. Ser militar fora um sonho tão grande para mim como ser médico. Adolescente, cheio de energia, mas consciente da limitação que agora tinha, lutei pelo que ainda era possível e comprometi-me com a medicina. Queria, e quero, ser um bom médico, um médico de valores, prestável, ao serviço dos outros. Isto leva-me ao livro “O Licenciado Médico em Portugal”1, onde é referido que a medicina requer não só a percepção global do ser humano doente, mas também a sua dimensão pessoal, espiritual, familiar e social. Esta percepção requer, inevitavelmente, por parte do (futuro) médico, uma integração e aperfeiçoamento de componentes culturais, sem as quais a compreensão do indivíduo seria limitada; uma inquestionável e sólida base científica, sem a qual não existiria segurança e fundamentação para a prática da atividade médica, inovação e progressão; sentido moral e ético, sem o qual não é possível um profissional de saúde viver e apreender o imprescindível espírito de serviço, que deve estar presente ao longo da prática da sua atividade. Estes foram, entre outros, os princípios e as ideias que me guiaram ao longo dos últimos 6 anos.
Detalho ainda, no Anexo 1 do presente relatório, os objetivos centrados nas unidades curriculares constituintes do estágio profissionalizante- Medicina Interna, Cirurgia Geral, Medicina Geral e Familiar, Pediatria, Ginecologia e Obstetrícia, Saúde Mental.
Após esta breve introdução, o presente relatório tem como objetivo documentar o meu estágio profissionalizante, naturalmente influenciado por todos os anos de formação que o precederam, e divide-se em três secções principais: A Síntese de atividades desenvolvidas nos estágios do 6º ano; seguida dos Elementos Valorativos, onde se encontram sumarizadas as atividades que considero terem acrescentado mais valor à minha formação; terminando com uma Reflexão crítica, onde é analisado o meu desempenho global.
1 Victorino, R., Jollie, C., e McKimm, J. (2005). O Licenciado médico em Portugal. Core graduates learning project.
Atividades Desenvolvidas
Estágio Parcelar de Medicina Interna | Hospital CUF Descobertas | Dra. Cristina Duarte
O estágio teve duração de 8 semanas, tendo sido realizado no período de 9 de Setembro a 1 de Novembro de 2019. Ao longo do mesmo fui conseguindo, progressivamente, ter mais autonomia, assim como integrar a equipa médica noutras ordens de trabalho, tais como, elaboração de diários clínicos, apresentação de doentes em reuniões clínicas, e discussão de medidas diagnósticas, bem como de medidas terapêuticas, adaptadas à realidade do doente. Tive ainda a oportunidade de praticar técnicas com as quais temos menos contacto ao longo do curso, nomeadamente punções arteriais, venosas, mielograma com biopsia óssea, auxílio na realização punções lombares, entre outras. Sendo a Medicina Interna uma área que centra a sua abordagem na avaliação e compreensão do doente como um todo, o apoio da nossa equipa era muitas vezes requisitado, o que me permitiu acompanhar e contactar com doentes com as mais diversas patologias. Saliento que, ao longo do tempo de estágio que foi destinado à enfermaria, tive oportunidade de acompanhar um total de 44 doentes, não só representativos de patologias mais comuns, como também de patologias menos frequentes, como são exemplo a Miocardite, Rotura espontânea do baço e Lupus Eritematoso Sistémico.
Para além da participação no Serviço de Atendimento Permanente (SAP), espaço este destinado aos doentes que recorrem às urgências daquela instituição, já fora do horário de estágio tive ainda oportunidade de acompanhar a Dra. Inês Figueiredo no Serviço de Urgência do Hospital São Francisco Xavier, por considerar que seria importante e enriquecedor fazê-lo também num ambiente hospitalar público, onde por vezes os recursos diferem e os doentes apresentam outras particularidades. Dada a flexibilidade formativa e a fomentação pela autonomia, tive oportunidade de despender 1 semana na Unidade de Cuidados Intensivos Polivalentes (UCIP), assistir a exames complementares de diagnóstico de Cardiologia, Pneumologia e Gastroenterologia, e participar ainda no Simpósio de Antibioterapia, realizado nos dias 19 e 20 de Setembro - Anexo 8.
Terminei o estágio realizando uma apresentação sobre “Lúpus Eritematoso Sistémico” como parte integrante da avaliação formativa.
Estágio Parcial Cirurgia Geral | Hospital Beatriz Ângelo | Dr. Pedro Amado
O último estágio do 1º semestre do 6º ano, realizou-se de 4 de Novembro a 10 de Janeiro, com interrupção letiva entre 20 de Dezembro e 6 de Janeiro, constituindo um total de 8 semanas. No seu todo, incluiu uma primeira semana de aulas teórico-práticas, que terminou com a frequência do curso TEAM - Anexo 3 e 4, respetivamente; seguida de 1 semana passada no Serviço de Urgência, 4 semanas dedicadas exclusivamente à Cirurgia Geral e 2 semanas opcionais na área de Anestesiologia. Durante o estágio tive a oportunidade de ter um olhar mais próximo do doente cirúrgico, assim como maior participação no ato cirúrgico em si. Permitiu-me ainda contactar com uma variedade de diferentes patologias, nunca antes contactada durante o estágio de cirurgia geral no 3º ano realizado no Hospital Curry Cabral.
Ao longo do estágio acompanhei 22 doentes durante as atividades reservadas à enfermaria, 38 doentes nas consultas externas e ainda acompanhei o meu orientador de estágio e outros médicos da equipa em 14 cirurgias.
No contexto da opcional de Anestesiologia, pude ter uma participação não cirúrgica dentro do bloco operatório. Sob orientação, pude treinar técnicas até então treinadas apenas em modelos de treino, como são exemplos a entubação orotraqueal e a colocação de sonda nasogástrica, essenciais para uma correta estabilização do doente em determinados procedimentos cirúrgicos. Fora do bloco operatório, tive ainda oportunidade de assistir à preparação de doentes que iriam ser submetidos a exames endoscópicos, tanto na área de gastroenterologia como na área de pneumologia, assim como acompanhar os mesmos durante o exame e a sua recuperação. Por outro lado, uma das atividades que mais me fascinou, pela sua singularidade e por nunca antes ter contactado com a sua realização, foi a eletroconvulsoterapia. Neste tipo de terapia, o papel da anestesiologia apresenta algumas particularidades que as distinguem das demais, pelo facto de se utilizarem fármacos depressores do sistema nervoso central de muito curta ação e de rápida reversão.
No final, em contexto do minicongresso, apresentei um caso sobre um doente submetido a uma segmentectomia do segmento IV devido a um carcinoma hepatocelular.
Estágio Parcelar Medicina Geral e Familiar | UCSP Beja | Dra. Edite Spencer
O estágio de Medicina Geral e Familiar teve a duração de 4 semanas, estando compreendido de 13 de Janeiro a 14 de Fevereiro. Ao contrário dos restantes estágios até então realizados durante o curso de medicina, este aconteceu em Beja, fora da região de Lisboa e arredores. Este fator, por si só, diferencia este estágio dos demais. Realizá-lo à distância, e fora da minha zona habitual de conforto, enriqueceu a experiência. É um estágio onde nos foi atribuída autonomia extra,
nomeadamente através da realização de consultas de forma independente, contudo, sem nunca me sentir desamparado ou inseguro por eventual falta de apoio por parte da minha orientadora de estágio. Para além das atividades que normalmente são realizadas nesta área - consultas de planeamento familiar, saúde infantil, agudos, entre outras - tive a oportunidade de integrar uma Equipa de Cuidados Continuados Integrados (ECCI) do meu Centro de Saúde (CS), fora do meu horário estipulado. Aqui, pude acompanhar a equipa em visitas domiciliárias à periferia, assim como acompanhar uma enfermeira especializada em Cuidados Paliativos, possibilitando-me praticar uma medicina diferente daquela a que fui sendo exposto ao longo do curso. Senti especial relevância destas atividades na minha formação e uma humilde importância da minha participação, numa atividade que, para além de carecer de recursos económicos, carece igualmente de recursos humanos, na grande maioria dos casos. Mais concretamente, e a título de exemplo, tive influência direta no aconselhamento e referenciação de 2 doentes a cuidados hospitalares diferenciados, por ter tido oportunidade de enquadrar o aparecimento de nova sintomatologia à patologia de base do doente, recorrendo a técnicas semiológicas simples mas correntes no exercício da prática médica. Tive ainda a oportunidade de assistir a uma conferência no Hospital de Beja, com o tema “Diabetes Mellitus tipo 1 em Pediatria”, onde se discutiu a importância da abordagem eficaz e atenta a este tipo de doentes, não só nas situações agudas como também ao longo do seu desenvolvimento. Na mesma foi relembrado que associados a estes doentes está normalmente um agregado familiar que precisa igualmente de ser cuidado, educado e encorajado, para uma correta vigilância e adaptações fundamentais ao controlo da patologia.
Estágio Parcelar Pediatria| Hospital CUF Descobertas| Dra. Sílvia Bacalhau
O estágio Parcelar de Pediatria realizou-se num período total de 4 semanas, compreendido entre 17 de Fevereiro e 13 de Março, tendo sido o último estágio antes da quarentena imposta devido à Pandemia COVID-19. Tendo em conta o ambiente hospitalar privado em que me encontrava, assim como a população especial a que esta área da medicina diz respeito, a minha autonomia foi mais limitada comparativamente com os outros estágios parcelares. Contudo, não o vejo como uma desvantagem, até porque acompanhava a equipa médica nas mais diversas atividades do serviço, sendo frequentemente questionado e requisitado para participar em variados momentos oportunos. Considero este estágio, acima de tudo, particularmente importante no que diz respeito ao vivenciar daqueles que são os desafios inerentes à gestão não só dos doentes como também dos seus cuidadores. Ao longo das 4 semanas, tive oportunidade de acompanhar um total de 41 doentes na enfermaria, 19 doentes no Serviço de Atendimento Permanente e 18 em ambiente
de consulta externa. Por outro lado, e para valorizar a experiência formativa nesta área da medicina, tive ainda oportunidade de assistir a consultas de Ortopedia Pediátrica, com o Dr. Francisco Sant’Anna; de Cirurgia Pediátrica, com o Dr. João Goulão e ainda, de forma mais breve, de Cardiologia Pediátrica, com o Dr. António Macedo.
Para terminar o estágio, no seguimento de um caso clínico de uma criança que se encontrava internada, realizei uma apresentação em que abordei os temas Síndrome Nefrótico e Síndrome Nefríticos em Pediatria.
Estágio Parcelar Ginecologia e Obstetrícia| Em contexto de ensino à distância
Poucos dias antes de ser decretado o período de quarentena obrigatória, os estágios clínicos do 6º ano da Faculdade Ciências Médicas foram interrompidos. Desta forma, e como método alternativo, foram criadas determinadas atividades com o objetivo de minimizar as implicações naquela que seria a formação prática dos alunos. No caso do estágio de Ginecologia e Obstetrícia, que decorreu entre os dias 16 de Março e 17 de Abril, foi solicitado aos alunos que respondessem a questões após a visualização e estudo mais aprofundado de determinados temas abordados nos workshops disponibilizados na plataforma Moodle pela Dra. Teresinha Simões. Por outro lado, e como mais um método de avaliação, realizei uma apresentação com o tema “Antibioterapia na Rotura Prematura Pré-Termo de Membranas”
Estágio Parcelar de Saúde Mental| Em contexto de ensino à distância
No caso da Saúde Mental, o ensino prático à distância decorreu entre 20 de Abril e 15 de Maio. Foi pedido aos alunos que realizassem duas histórias clínicas com base em duas entrevistas conduzidas pelo Professor Doutor Miguel Cotrim Talina, ambas disponibilizadas na plataforma Moodle. Por outro lado, foi ainda pedido que os alunos construíssem 6 vinhetas clínicas com temas específicos, cada uma delas com 3 questões, compostas por 5 alíneas cada, à semelhança da Prova Nacional de Acesso (PNA). Esta última atividade exigiu, por parte dos alunos, um conhecimento teórico mais aprofundado, assim como rigor na construção das vinhetas, permitindo perceber algumas dificuldades relacionadas com a realização de questões de avaliação. O estágio terminou com uma conversa com o regente da unidade curricular, onde nos foi dada abertura para discutir e propor alternativas e aspetos que poderão vir a ser melhorados.
Elementos Valorativos
Durante o Estágio Profissionalizante, e limitado pelo contexto atual de Pandemia, por forma a consolidar e a aprofundar o conhecimento em áreas do meu interesse, participei de forma voluntária nas seguintes atividades:
- Simpósio Antibioterapia- Hospital CUF Descobertas (Anexo 8) - iMed Conference 11.0 (Anexo 9)
- iMed Conference Workshop- “Insert Here- Vascular Catheterization” (Anexo 10) - iMed Clinical Competition (Anexo 11)
- Conferência via Zoom sobre “Ser Médico no Hospital Prisional” – área de Saúde Mental (Anexo 12)
Por outro lado, defendendo que as atividades desenvolvidas ao longo do MIM têm um papel formativo e valorativo igualmente importante, bem como de relevo no desenvolvimento pessoal, considero fundamental elencar algumas delas:
- Atividade de voluntariado no projeto de voluntariado internacional “Marca Mundos”, criado pela Associação de Estudantes da Faculdade Ciências Médicas (Anexo 15)
- Estágios Pré-Clínicos PecliCUF (Anexo 14) - Hospital da Bonecada (Anexo 6)
- Participação ativa numa Reanimação em ambiente Hospitalar, na área de Medicina Intensiva, em horário extra curricular, no seguimento de uma chamada de urgência intra-hospitalar para a equipa médica em que estava inserido.
- Atividade de voluntariado no projeto de voluntariado “Natal Diferente” , criado pela Faculdade Medicina de Lisboa (Anexo 16)
- Programa Mobilidade Erasmus+ : “Pavol Jozef Safarik University in Kosice, Faculty of Medicine” Kosice, Eslováquia (Período: 11.02.2019 - 26.06.2019) (Anexo 13)
Reflexão Crítica
Terminados os 6 anos de curso, que inicialmente pareciam representar um percurso com um fim longínquo e acabaram a revelar-se uma realidade misteriosamente veloz, resta-me fazer uma reflexão sobre os pontos positivos e aqueles que considero poderem ser melhorados. Olhando para aquela que é a realidade presente, em contexto de pandemia COVID-19, é inevitável não sentir tristeza. A adaptação dos estágios clínicos; a impossibilidade em frequentar novas atividades extracurricular como tinha planeado fazer; não me poder despedir daquela que foi a minha “2ª casa” durante 6 anos - a Faculdade Ciências Médicas - como gostaria de o fazer, juntamente com os meus colegas, em eventos destinados para o efeito; entre outras situações, tornam este ano um ano sem precedentes, quando já era de si só singular. Contudo, em retrospetiva, orgulho-me do meu percurso académico. Sinto que me fui superando a cada ano, que procurei ir mais além e melhorar tanto a nível individual como coletivo. Procurei construir e fortalecer bases que considero úteis para o futuro, não só a nível académico e científico, como também humanitário, nomeadamente em ações de voluntariado. Tenciono expandir horizontes e poder ajudar também lá fora. Não atingi a plenitude, e muito menos a perfeição. Estive longe disso, mas não o vejo como um ponto negativo. O percurso que, há pelo menos 6 anos atrás começou – se bem que me atrevo a dizer que começou muito antes disso, talvez com o processo de desenvolvimento dos traços de personalidade em idade da adolescência – ainda só vai no início. É, e deve ser, um processo contínuo, com reflexões periódicas sobre o passado, mas com constantes ambições para o presente e para o futuro.
Durante o MIM, mais concretamente este ano, pude perceber o porquê de a Faculdade de Ciências Médicas ser reconhecida, nacional e internacionalmente, como uma instituição de excelência na formação dos médicos do futuro. Sem dúvida alguma que termos o melhor rácio tutor-aluno possibilita-nos uma vivência mais ampla e profunda das atividades na área da medicina. Para além de possibilitar ao aluno uma maior capacidade em aprender, praticar e desenvolver técnicas apropriadas, dá ainda ferramentas fundamentais para que se desenvolva uma relação doente-aluno adequada. Por outro lado, gostaria de salientar e louvar o papel de alguns docentes na gestão e criação de alternativas atempadas, tendo em conta a realidade que vivemos nos últimos meses, com o objetivo de minimizar impactos negativos que pudessem ocorrer na formação dos alunos. Para esses docentes, ainda que tenha faltado uma medida por parte dos responsáveis e representantes da faculdade sobre qual a melhor atitude a tomar, e que aquelas tomadas não tenham agradado todos os alunos, o meu sentido obrigado.
Contudo, foi também possível detetar alguns aspetos menos positivos na capacidade formativa da faculdade e das instituições hospitalares. Para que seja possível manter um favorável
rácio tutor-aluno, estes últimos ficam por vezes colocados em regiões bastante afastadas da sua área de residência, exigindo recursos como tempo, económicos e até mesmo físicos por parte dos discentes. Por outro lado, algumas das instituições hospitalares que servem de local de estágio encontram-se sobrelotadas de alunos, internos de ano comum e internos de especialidade. Todos eles, de forma diferente, demonstram uma enorme vontade em estarem na linha da frente, para aprender mais e melhor. Naturalmente, não havendo recursos para todos, a sobrelotação dificulta a aprendizagem e a prática adequada. Este fator foi especialmente evidente no estágio de Cirurgia Geral, que decorreu no Hospital Beatriz Ângelo, onde a autonomia dos alunos foi muitas vezes limitada, assim como a sua participação em atos cirúrgicos, incluindo na pequena cirurgia.
Para finalizar, gostaria de transmitir alguns dos meus sentimentos. Olho para trás e sinto orgulho do caminho percorrido. Orgulho-me de todas as vezes que não desisti, quando esse parecia o caminho mais fácil. me dos momentos de estudo em que não cedi a tentações. Orgulho-me de ter embarcado na aventura de Erasmus, abraçando os desafios que foram surgindo e usando-os como uma plataforma de aprendizagem. Orgulho-me de todas as atividades extracurriculares em que participei, hobbies que desenvolvi, bem como as amizades que nutri, para que pudesse manter um equilíbrio saudável entre aquilo que é a formação de um futuro médico e aquilo que vai para além disso.
Que o longo caminho que é a vida me proporcione mais motivos de orgulho e, acima de tudo, muitos mais motivos para que os outros se orgulhem de mim. Que nunca me falte a capacidade de dar um pouco de mim a todos aqueles que ainda têm um pouco de si.
“Aqueles que passam por nós não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós”- Antoine de Saint-Exupéry.
Anexos
Secção 1- Estágio profissionalizante
➢ Anexo 1- Objetivos mais específicos ao Estágio Profissionalizante e Autoavaliação ➢ Anexo 2- Apresentações realizadas em contexto de Estágio Profissionalizante ➢ Anexo 3- Cirurgia Geral: Sessões Teórico Práticas
➢ Anexo 4- Cirurgia Geral: Curso TEAM
Secção 2- Cursos, Conferências e atividades extracurriculares em que participei ➢ Anexo 5- “Open Day”, Faculdade Ciências Médicas, Maio 2016
➢ Anexo 6- “Hospital da Bonecada”, Maio/Junho 2016
➢ Anexo 7- “Imaging Hallmarks of Cancer”, ESOR/Champalimaud ASKLEPIOS Symposium, Outubro 2017
➢ Anexo 8- Simpósio Antibioterapia, Hospital CUF Descobertas, Setembro 2019 ➢ Anexo 9- iMed Conference 11.0, Outubro 2019
➢ Anexo 10- iMed Conference Workshop- “Insert Here- Vascular Catheterization”
➢ Anexo 11- Clinical Competition, iMed Conference 11.0, Teatro Camões e NOVA Medical School, Outubro 2019
➢ Anexo 12- “Ser Médico no Hospital Prisional”, plataforma Zoom, Maio de 2020 Secção 3- Certificado de aproveitamento Programa Mobilidade Erasmus+
➢ Anexo 13- Certificate for ERASMUS+ student, Pavol Jozef Safarik University in Kosice, Faculty of Medicine, Slovakia
Secção 4- Estágio clínico extracurricular
➢ Anexo 14- Estágios Pré-clínicos PECLICUF, Hospital CUF Infante Santo, Julho de 2016 Secção 5- Projeto de voluntariado em que participei
➢ Anexo 15- Projeto de voluntariado Marca Mundos 2.0, 2015-2016
➢ Anexo 16- Projeto de Voluntariado “Natal Diferente”, Pareceria entre a Associação de estudantes da Faculdade Ciências Médicas e Associação de estudantes Faculdade Medicina de Lisboa, Hospital Santa Maria, 24 de Dezembro 2018
Anexo 1- Objetivos mais específicos referentes ao Estágio Profissionalizante e Autoavaliação
Objetivos Nível atingido
Competências a nível pessoal
Ser capaz de progredir e superar dificuldades encontradas, receios ou angústias Satisfatório Não ter receio em sair da zona de conforto para procurar outras fontes do saber Muito
satisfatório Adaptar às diferentes realidades que caracterizam o ambiente dos diferentes
serviços
Satisfatório
Manter um equilíbrio saudável nas mais diversas vertentes que constituem um indivíduo
Satisfatório
Sentido crítico e de autoavaliação, constantes ao longo do tempo Satisfatório Desenvolvimento atividades extracurriculares, de índole académico, até então não
desenvolvidas
Pouco satisfatório Identificar áreas de menor conhecimento, procurando ativamente colmatar falhas
identificadas
Muito Satisfatório
Ser capaz de trabalhar em equipa Muito
satisfatório Saber adaptar a postura aos diferentes contextos em que me encontro inserido Satisfatório Procurar ativamente adquirir progressivamente maior autonomia, assumindo a
responsabilidade inerente à mesma
Satisfatório
Integração de competências autovalorização, integração e responsabilidade Satisfatório Competências e aptidões de comunicação
Comunicar de forma clara e concisa com os profissionais de saúde 2
Correta comunicação com os doentes e familiares 3
Esclarecer as dúvidas dos doentes de forma clara, adequando a linguagem ao nível de educação de cada um
2
Saber estabelecer uma adequada relação médico-doente 3
Competências de conhecimentos
Identificar as patologias mais prevalentes em diferentes contextos clínicos 3 Procurar ativamente fontes de informação científica fidedignas e atualizadas 3 Conhecer parâmetros de normalidade às funções e desenvolvimento do ser
humano
3
capacidade de as cumprir ativamente
Aquisição e consolidação de competências imprescindíveis para a autonomia em contexto de consulta externa, serviço de urgência, enfermaria
2
Ter um papel ativo sob técnicas apropriadas de investigação científica 1 Aptidões clínicas e técnicas
Realizar o exame físico de forma adequada e apropriada 3
Elaborar uma história clínica completa e rigorosa 3
Elaborar registos clínicos de forma adequada 3
Reconhecer todas as entidades clínicas prioritárias 2
Interpretar de forma correta os exames complementares de diagnóstico e adequar à situação clínica em causa
2
Medição e avaliação dos sinais vitais 3
Medição da glicémia capilar 3
Realização de punções venosas e arteriais 3
Realização de algaliação 1
Realização de ECG de 12 derivações 3
Interpretação de ECG de 12 derivações 2
Prescrição adequada de fármacos 2
Sutura de pequenas feridas, incluído técnicas apropriadas de anestesia local 2 Aconselhar e adaptar conceitos importantes para a prevenção da doença e
promoção da saúde
3
Legenda:
Pouco satisfatório; Satisfatório; Muito satisfatório
1: Sinto-me confortável a ajudar, mas não a executar de forma independente 2: Sinto-me capacitado a efetuar a competência sob supervisão
Anexo 2- Apresentações realizadas em contexto de Estágio Profissionalizante
Estágio Parcelar Tema e autores Descrição breve
Medicina Interna Lúpus Eritematoso Sistémico
Margarida Caldeira, Miguel Pereira
Caso clínico do serviço de Medicina Interna, referente a uma jovem rapariga de 18. Diagnóstico de Lúpus Eritematoso Sistémico, em contexto de clínica
sugestiva e reações serológicas cruzadas, que dificultaram o diagnóstico e a
abordagem clínica. Cirurgia Geral “Fígado- Eleito empregado
do mês de Dezembro”
Inês Gueifão, Miguel Pereira
Um caso clínico referente a um doente submetido a uma segmentectomia do segmento IV. Contextualização teórica breve sobre cirrose hepática e carcinoma hepatocelular.
Pediatria Síndrome Nefrótico e Síndrome Nefrítico
Iolanda Silva, Mónica Cal, Miguel Pereira
Caso clínico referente a uma criança de 6 anos, com síndrome Nefrótico inaugural. Por forma a complementar a apresentação, abordámos ainda o Síndrome Nefrítico, distinguido as duas patologias.
Ginecologia e Obstetrícia
Antibioterapia na Rotura Prematura Pré-Termo de Membranas
Carolina Ribeiro, Laura Fortuna, Miguel Pereira
Em contexto de ensino à distância, foi-nos pedido para realizar este tema, abordando de forma sumária as diferentes situações clínicas e a evidência científica para a melhor abordagem e gestão destas
doentes, nomeadamente no que concerne à realização ou não realização de
Anexo 3- Cirurgia Geral: Sessões Teórico-Práticas
Tema Oradores
1. Liderança e trabalho em equipa Eng.ª Isabel Vaz 2. Princípios de gestão em cuidados de saúde Dr. Artur Vaz 3. Papel da simulação no ensino pré-graduado Dra. Francisca Leite 4. Risco clínico e performance em cirurgia Professor Doutor Rui Maio
5. Técnicas de Comunicação Dra. Graça Rosendo
6. Gestão de stress e prevenção de burnout Dr. Pedro Rocha
7. Nutrição e cirurgia Professora Doutora Marília Cravo
8. Medicina Baseada no Valor Professor Doutor Rui Maio
9. Trauma Evaluation And Management Dr. José Luís Ferreira
10. Programa ERAS Professor Doutor Rui Maio
A. Comportamentos e atitudes numa enfermaria de cirurgia
Enf.ª Teresa Simões e Enf.ª Teresa Afonso
B. Treino, supervisão e aquisição de competências necessárias a quem pratica técnicas invasivas; considerações éticas e consentimento informado
Dr. António Martins Batista
C. Princípios básicos de controlo da infeção; Técnica para realização de procedimentos estéreis
Dr. Carlos Palos e colaboradores
D. Colocação de acesso venoso periférico / venopunção; Manuseamento de sistemas de soros e seringas infusas; Injeção intradérmica, intramuscular, endovenosa, subcutânea; colheira de hemoculturas, sangue arterial; colocação de linha arterial periférica; colocação de cateter venoso central (jugular, subclávia, femoral)
Dr. António Messias e colaboradores
E. Algaliação; Punção suprapúbica Dr. Rui Sousa e colaboradores F. Inserção de sonda nasogástrica; Paracentese; Toque
retal
Professora Doutora Marília Cravo e colaboradores
G. Entubação traqueal; Manuseamento da via aérea difícil; Cricotirotomia de emergência
Professora Doutora Marília Cravo e colaboradores
H. Inserção de dreno torácico; Toracocentese; Biópsia pleural
Legenda:
1-10: Sessões Teóricas
A-J: Sessões Teórico-práticas
Anexo 4- Cirurgia Geral: Curso TEAM
I. Princípio de abordagem de politraumatizado grave Dr. Pedro Amado J. Abordagem primária do politraumatizado Dr. Pedro Amado
Anexo 7- “Imaging Hallmarks of Cancer”, ESOR/Champalimaud ASKLEPIOS Symposium, Outubro 2017
Anexo 11- Clinical Competition, iMed Conference 11.0, Teatro Camões e NOVA Medical School, Outubro 2019
Anexo 13- Certificate for ERASMUS+ student, Pavol Jozef Safarik University in Kosice, Faculty of Medicine, Slovakia
Anexo 16- Projeto de Voluntariado “Natal Diferente”, Pareceria entre a Associação de estudantes da Faculdade Ciências Médicas e Associação de estudantes Faculdade Medicina de Lisboa, Hospital Santa Maria, 24 de Dezembro 2018