UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO CIÊNCIAS DA SAÚDE
DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO FÍSICA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO SENSU EM EDUCAÇÃO FÍSICA
LEVI DE HOLANDA FRANCALINO
PROJETO VIVER MAIS: RESGATE HISTÓRICO E SUA REPERCUSSÃO NA APTIDÃO FÍSICA DE PESSOAS VIVENDO COM HIV/AIDS
NATAL 2020
LEVI DE HOLANDA FRANCALINO
PROJETO VIVER MAIS: RESGATE HISTÓRICO E SUA REPERCUSSÃO NA APTIDÃO FÍSICA DE PESSOAS VIVENDO COM HIV/AIDS
Trabalho apresentado ao curso de Pós-Graduação em Educação Física, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, como requisito parcial à obtenção do título de Mestre em Educação Física.
Orientado: Prof. Dr. Paulo Moreira Silva Dantas
NATAL 2020
Francalino, Levi de Holanda.
Projeto viver mais: resgate histórico e sua repercussão na aptidão física de pessoas vivendo com HIV e AIDS / Levi de Holanda Francalino. - 2020.
139f.: il.
Dissertação (Mestrado em Educação Física) - Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Centro de Ciências da Saúde, Programa de Pós-Graduação em Educação Física. Natal, RN, 2020. Orientador: Paulo Moreira Silva Dantas.
1. Síndrome de Imunodeficiência Adquirida (HIV/AIDS) Dissertação. 2. Exercício Físico Dissertação. 3. Pesquisa -Dissertação. 4. Extensão - -Dissertação. 5. Ensino - -Dissertação. I. Dantas, Paulo Moreira Silva. II. Título.
RN/UF/BS-CCS CDU 616.98:578.828
LEVI DE HOLANDA FRANCALINO
PROJETO VIVER MAIS: RESGATE HISTÓRICO E SUA REPERCUSSÃO NA APTIDÃO FÍSICA DE PESSOAS VIVENDO COM HIV/AIDS
Aprovado em: ___ / ___ / ___
Banca examinadora:
Presidente da banca:
Prof. Dr. Paulo Moreira Silva Dantas
Membros da banca
Prof. Dra. Maria Irany Knackfuss
Prof. Dr. Breno Guilherme de Araújo Tinoco Cabral
Prof. Dra. Tatiane Andreza Lima da Silva
Prof. Dra. Hunaway Albuquerque Galvão de Souza
Prof. Dra. Themis Cristina Mesquita Soares
NATAL 2020
DEDICATÓRIA
Á minha esposa Camilae à minha filha Mariana, que vivenciaram comigo minhas lutas
AGRADECIMENTOS
Á minha família de berço: minha mãe Lucianita, meu pai Aldemir, meus irmãos Aldemir Jr, João Marcos e Gabriel, que formaram um lar onde pude crescer rodeado de amor e dos mais belos valores.
À família que estou construindo: minha esposa, melhor amiga, companheira, que me deu todo suporte para enfrentar essa jornada; minha filha, parceira de brincadeiras e aventuras, da qual eu falei para todas as pessoas com quem convivi nesse período; minha amiga Fernanda, que partilhou comigo os mesmos desafios.
Ao meu orientador, Paulo Moreira Silva Dantas, por todo suporte e confiança entregues a mim, como também pelo convívio leve que tivemos, no qual eu não encontrei somente um professor, mas um amigo. E por, juntamente à professora Vera, ter me recebido em sua casa de forma tão acolhedora.
À professora Rafaela, que me ajudou durante todo o meu percurso no mestrado, onde cada vez que conversávamos era como uma aula que eu recebia. E professora Tatiane, que abraçou com entusiasmo meu projeto de pesquisa e se empenhou em contribuir ao máximo comigo.
Às professoras Sara e Ana Luisa, que me ajudaram durante a fase da análise qualitativa.
Aos meus amigos do Viver Mais, Phelipe, Jean, João Victor, Thiago, Nayara, Gabriel, Juliany, Ana Luisa, só os “chapas”, que vivenciaram as dificuldades e alegrias de participar do projeto de extensão. À minha amiga de treino Isis Kelly e todos os colegas da base de pesquisa Atividade Física e Saúde.
Aos meus amigos Rômulo, Flávio, Fernanda, Glauber, Natália, Carlos, Bérgson, Guzzo e demais da turma de mestrado, que compartilharam conhecimento e ideias, mas também os sonhos e as risadas que fazem parte desse período tão especial.
Aos meus amigos da Residência Universitária, Sérgio, Nilo, Michel, Pedro, Vivi, Monique, Raille, Josi, Fatinha, Raimundo, Yuri, Ítalo, Tamires, que partilharam comigo as mesmas dificuldades, os mesmos sonhos, anseios, medos, refeições, sorrisos, me oportunizando a mais inesperada e intensa
experiência de convivência que pude viver, da qual sou eternamente grato por ter passado.
Aos voluntários do Viver Mais, também meus amigos, por confiarem em mim, não só como profissional, mas como pessoa. Por confiarem suas histórias, medos, alegrias, tristezas, criando um vínculo que foi muito além do esperado.
À todos aqueles profissionais que fizeram e fazem parte do projeto Viver Mais, em especial, os que abriram o coração para participarem dessa pesquisa.
A todos que direta ou indiretamente me ajudaram, desde as dezenas de motoristas dos ônibus Fortaleza/Natal/Fortaleza, aos professores do Departamento de Educação Física, meus sinceros agradecimentos.
RESUMO
A Extensão Universitária articula de forma indissociável Ensino e Pesquisa, tendo em seus princípios a formação do estudante e a transformação social. Nessa perspectiva, o projeto de extensão “VIVER MAIS”, criado desde 2007, objetiva promover prática de exercícios físicos e aconselhamento dietético para a melhoria da qualidade de vida de pessoas vivendo com HIV/Aids e aumento da adesão ao tratamento medicamentoso tradicional. Dessa forma, o presente estudo objetivou realizar o resgate histórico dos 12 anos do Projeto VIVER MAIS nos âmbitos de Ensino, Pesquisa e Extensão. Trata-se de uma pesquisa descritiva com uma abordagem histórica, realizada com 12 profissionais e 13 voluntários, participantes do Projeto. Para a coleta de dados foram entrevistas com os profissionais e voluntários, além das análises dos trabalhos acadêmicos (TCC, Dissertações e Teses) e artigos científicos publicados, durante o período de 2007 a 2018. Encontramos contribuições do projeto na formação dos professores, técnica e cidadã, bem como na produção e divulgação de conhecimentos sobre pessoas vivendo com HIV e AIDS (PVHA). As intervenções realizadas contribuíram para a melhora da aptidão física dos indivíduos, especialmente em termos de força muscular e aptidão cardiorrespiratória que refletem em aumento do desempenho para as atividades da vida diária. Concluímos que o projeto Viver Mais atingiu os objetivos propostos de um projeto de extensão, na medida em que modifica a comunidade e contribui para o Ensino e à Pesquisa.
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS DXA - Absortometria Radiológica de Dupla Energia
HDL – Lipoproteína de alta densidade HF – High Frequency
HIV – Vírus da Imunodeficiência Humana LDL – Lipoproteína de baixa densidade LF – Low Frequency
PVHA – Pessoas Vivendo com HIV e AIDS RM – Repetição Máxima
SAE – Serviço de Assistência Especializada VO2 pico – Maior Consumo de oxigênio atingido VO2 máx – Consumo máximo de oxigênio TARV – Terapia Antirretroviral
SUMÁRIO 1 INTRODUCÃO... 9 2 OBJETIVOS... 11 2.1 GERAL... 11 2.2 ESPECÍFICOS... 11 3 METODOLOGIA... 12 3.1 AMOSTRA... 12 3.2 COLETA DE DADOS... 12
3.3 ANÁLISE DOS DADOS... 13
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO... 16
4.1 CAMINHOS HISTÓRICOS DO PROJETO... 16
4.2 DESDOBRAMENTOS EM PESQUISA... 27
4.3 CONTRIBUIÇÕES DE UM PROJETO DE EXTENSÃO NA FORMAÇÃO PROFISSIONAL... 79 4.4 O PROJETO DE EXTENSÃO NA VIDA DE PVHA... 106
5 CONCLUSÃO... 125
1 INTRODUÇÃO
Ao processo interdisciplinar educativo, cultural, científico e político que articula de forma indissociável Ensino e Pesquisa, e promove a ação transformadora entre a Universidade e outros setores da sociedade, dá-se o nome de Extensão Universitária (FORPROEX, 2012).
As Diretrizes para as Políticas de Extensão da Educação Superior Brasileira concebem a extensão universitária como tendo “função potencializadora na formação dos estudantes e na capacidade de intervir em benefício da sociedade”. Em seus fundamentos teóricos, estão os princípios de “Indissociabilidade entre Ensino-Pesquisa-Extensão”, a “Formação do estudante” e a “Transformação Social”. Ainda, em sua resolução, Art.6°, constam como estrutura da concepção e prática das Diretrizes “a contribuição na formação integral do estudante”, “a promoção da reflexão ética quanto à dimensão social do ensino e da pesquisa” bem como a “atuação na produção e na construção de conhecimentos” (BRASIL, 2018a).
A integração Universidade/comunidade se fortalece no trabalho de acadêmicos diretamente com indivíduos, constituindo uma maior formação para os alunos (MAZO et al., 2013).
O contato direto do aluno com o “mundo real” a partir das práticas de extensão, permite ao aluno a aplicação dos conhecimentos teóricos em situações do dia-a-dia (HENNINGTON, 2005).
A pesquisa e a extensão se tornam estratégias preponderantes para o ensino e aprendizagem, tendo o aluno a oportunidade de aprender na ação e na reflexão sobre a prática (GESSER, RANGHETTI, 2011).
A partir da extensão, o aluno torna-se protagonista de sua formação técnica. Deve estimular também sua formação integral, como cidadão crítico e responsável (BRASIL, 2018 b), lhe permitindo reconhecer-se como agente na garantia de direitos e deveres e de transformação social (FORPROEX, 2012)
No âmbito da relação Extensão-Pesquisa, propôs-se ainda a incorporação dos estudantes de pós-graduação nas atividades de extensão, e a produção acadêmica a partir destas, seja na forma de livros, artigos, apresentações em eventos ou outros produtos artísticos e culturais (BRASIL, 2018a; FORPROEX, 2012).
Nessa perspectiva, o projeto de extensão “VIVER MAIS”, proposto pelo Departamento de Educação Física, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, em 2007, objetiva promover prática de exercícios físicos e aconselhamento dietético para a melhoria da qualidade de vida de pessoas vivendo com HIV/Aids (PVHA) e aumento da adesão ao tratamento medicamentoso tradicional.
Através da instituição de um programa de fluxo contínuo de atendimento para pessoas vivendo com HIV/Aids e em consonância com as Diretrizes para as Políticas de Extensão da Educação Superior Brasileira (BRASIL, 2018a), o
projeto busca concretizar a relação imbricada entre ensino-pesquisa-extensão, de forma interdisciplinar, estimulando a participação de alunos de graduação e pós-graduação lato e stricto sensu, estimulando a produção científica através de trabalhos de conclusão de curso, artigos científicos, apresentações em congressos, dentre outros.
Diante da compreensão das relações entre ensino-pesquisa-extensão, surge o seguinte questionamento: quais são as contribuições do projeto viver mais, nas dimensões ensino, pesquisa e extensão,no período de 2007 a 2019 ?
Desta forma, justifica-se a realização de um resgate histórico acerca da repercussão dos 12 anos do projeto “VIVER MAIS”, em suas dimensões de ensino, pesquisa e extensão. Acredita-se que a partir de nossos resultados poderemos não somente refletir sobre o projeto a partir de dados concretos, de modo a ajustar as ações desenvolvidas, como também apresentar um modelo para trabalhar a Extensão Universitária em suas mais ricas possibilidades.
2 OBJETIVOS 2.1 GERAL
Analisar as contribuições do projeto viver mais, nas dimensões ensino, pesquisa e extensão, no período de 2007 a 2018.
2.2 ESPECÍFICOS
- Descrever o processo histórico do Projeto VIVER MAIS, no DEF/ UFRN;
- Verificar a contribuição científica do projeto frente ao Estado da Arte;
- Estabelecer a relação do projeto com a formação profissional;
- Identificar a repercussão extensionista do projeto na promoção da saúde para a aptidão física, bem-estar/qualidade de vida,dos participantes do projeto.
3 METODOLOGIA
Trata-se de uma pesquisa descritiva com uma abordagem histórica, que visa registrar eventos do passado, além de compreender melhor esses eventos e, por extensão, a situação atual e projetar o futuro (THOMAS, NELSON, SILVERMAN, 2012).
Para a realização dos objetivos da pesquisa, foram feitas revisões críticas dos trabalhos acadêmicos apresentados em níveis de graduação, especialização, mestrado e doutorado.
Além disso, ocorreram entrevistas semiestruturadas com os profissionais, alunos(graduação, mestrado, doutorado) e participantes que fizeram ou fazem parte do projeto
3.1 AMOSTRA
Participaram do grupo amostral, 13 profissionais (professores n = 9), nutricionistas (n = 2), coordenadores (n = 2), que participaram do projeto, estando ou não ativos atualmente, bem como os participantes (PVHA) do projeto
O estudo foi realizado de forma não probabilística intencional, começando com os profissionais que estiveram no início do projeto até chegar aos dias atuais, de forma a possibilitar a construção histórica do projeto.
A elegibilidade para a participação dos profissionais para as entrevistas se deu pela realização de seu trabalho acadêmico (Monografia, Dissertação ou Tese) com foco no tema e participação no projeto.
Em relação aos participantes do projeto, foram elegíveis aqueles ativos durante o período de coleta de dados e que participam há pelo menos um ano no projeto.
A quantidade de entrevistas seguiu o critério de saturação, sendo este “a percepção formada pelo pesquisador, no campo, de sua compreensão da lógica interna do grupo ou da coletividade em estudo” (MINAYO, 2013, p.197-8).
3.2 COLETA DE DADOS 3.2.1 Análise documental 3.2.1.1 Trabalhos acadêmicos
Inicialmente, a fim de levantar a quantidade de pessoas que apresentaram trabalhos acadêmicos realizou-se o contato com o coordenador do projeto, que enviou uma lista dos trabalhos orientados por ele e uma lista dos profissionais que vieram também a orientar TCCs no projeto. A partir de então, a busca
seguiu-se através da plataforma Lattes de cada um, para encontrar os trabalhos orientados. Após a conclusão do levantamento, deu-se início ao processo de busca desses trabalhos.
A busca pelos trabalhos acadêmicos ocorreu da seguinte maneira: primeiramente, solicitou-se aos orientadores o envio dos trabalhos apresentados.
Posteriormente, buscou-se as teses e dissertações através do Repositório institucional da UFRN (https://repositorio.ufrn.br/jspui/) e as monografias através da Biblioteca Digital de Monografias da UFRN (https://monografias.ufrn.br/jspui/). Alguns alunos vieram de outras instituições. Sendo assim, os trabalhos não encontrados por esses meios foram solicitados diretamente aos autores principais.
Para análise dos Trabalhos Acadêmicos organizou-se no Microsoft Excel uma planilha contendo as principais informações: autor, ano, nível acadêmico, título, objetivos, tipo de estudo, participantes, perdas amostrais e motivo alegado, intervenção, variáveis estudadas, métodos e instrumentos, principais achados e limitações.
Posteriormente, realizou-se uma revisão crítica dos trabalhos, levando-se em consideração os temas: qualidade de vida, qualidade do sono, imagem corporal, composição corporal, controle postural, força muscular, aptidão aeróbia e parâmetros cardiorrespiratórios, metabolismo, parâmetros virológicos e imunológicos e intervenções realizadas. Por considerarmos assunto relevante ao exercício físico para PVHA, abordaremos também questões relacionadas a número e perda amostral, bem como limitações dos estudos.
3.2.2 Entrevistas
3.2.2.1 Entrevista com profissionais
Para analisar o marco histórico do projeto, realizou-se uma entrevista semiestruturada, que combinou perguntas fechadas e abertas (MINAYO, 2013).
O local e horário de entrevista dependeu da disponibilidade do entrevistado, sendo, portanto, um local de sua escolha.
Todas as entrevistas tiveram seu áudio gravado para posterior transcrição e análise. Com o objetivo de realizar possíveis ajustes no roteiro de entrevistas, duas entrevistas-piloto foram realizadas.
A ordem das entrevistas ocorreu de forma intencional, priorizando aqueles que participaram do projeto por pelo menos dois anos e contendo pelo menos um profissional que concluiu seu estudo em cada ano. O roteiro para as entrevistas foi desenvolvido pelo próprio autor e contou com os seguintes 14 tópicos (Apêndice A).
3.2.2.1 Entrevista com participantes do projeto
A entrevista com os participantes do projeto aconteceu nas dependências do Departamento de Educação Física da UFRN, local onde ocorre o projeto, sendo familiar para esses. A ordem seguiu um sorteio e as entrevistas ocorreram no horário anterior à sessão de treino. A quantidade das entrevistas seguiu o critério de saturação.
É relevante citar que o presente pesquisador se inseriu no projeto VIVER MAIS em março de 2018, sendo um dos professores responsáveis. Dessa forma, a observação direta dos participantes possibilita atenção em questões como a organização prática dos processos investigativos, incongruências entre o dito nas entrevistas e o visto na prática, como ocorrem as relações, sejam entre pares ou aluno/professor e quais símbolos e sinais são emitidos no cotidiano e são significativos para a pesquisa (MINAYO, 2013).
O roteiro para as entrevistas foi desenvolvido pelo próprio autor e contou com 15 tópicos (Apêndice B).
3.3 ANÁLISE DAS ENTREVISTAS
Utilizou-se a técnica da Análise de conteúdo, a qual busca analisar as comunicações, o que foi dito nas entrevistas ou observado pelo pesquisador (SILVA, FOSSÁ, 2015) e permitiu “tornar replicáveis e válidas inferências sobre dados de determinado contexto, por meio de procedimentos especializados e científicos” (MINAYO, 2013, p.303).
A entrevista foi dividida nas três fases propostas inicialmente por Bardin e posteriormente por Silva e Fossá (2015), sendo estas:
a) Pré-análise: que teve como objetivo a leitura geral do material a ser investigado e sua organização, sistematizando-o para a condução das sucessivas operações de análise (SILVA, 2015). O pesquisador, portanto, escolheu os documentos a serem analisados e retomou hipóteses e objetivos iniciais da pesquisa, elaborando indicadores para orientar a compreensão do material (MINAYO, 2013). Esta fase pode ser dividida, segundo Silva e Fossá (2015), nas seguintes tarefas:
- Leitura flutuante: contato direto e intenso com o material de campo, para absorvê-lo. O confronto entre as hipóteses iniciais e emergentes tornarão a leitura mais clara superando a sensação de “caos” inicial (MINAYO, 2013)
- Escolha dos documentos: definição do corpus a ser utilizado na análise (SILVA, FOSSÁ, 2015)
- Formulação das hipóteses e objetivos: retomada da etapa exploratória, a partir da leitura inicial do material. Fala-se também em reformulação das hipóteses, sendo uma possibilidade de alteração nos rumos interpretativos ou abertura para outros questionamentos (MINAYO, 2013)
- Elaboração de indicadores: para a posterior interpretação do material coletado.
b)Exploração do Material: nessa fase houve a agregação das informações em categorias temáticas. O texto foi recortado em unidades de registro (parágrafos), e destas encontradas as palavras-chave, resultando em um resumo para primeira categorização.
Dessa forma, reuniram-se essas unidades em temas correlatos, dando início às categorias iniciais. Essas se aproximam de acordo com os temas, dando origem às categorias intermediárias que, por fim, se aglutinam para criar as categorias finais.
c)Tratamento dos resultados, inferência e interpretação: os dados brutos foram interpretados a fim de se tornarem significativos (BARDIN, 2011), captando os conteúdos contidos em todo o material coletado.
A apresentação e discussão dos resultados se dividiram em quatro partes, sendo elas o “Histórico do Projeto” e sua repercussão nos âmbitos de Ensino, de Pesquisa e de Extensão.
4 – RESULTADOS E DISCUSSÃO
Foram realizadas 12 entrevistas com professores, nutricionistas e coordenadores do projeto, com média de 40 minutos de duração e contabilizando um total de oito horas de gravação. Em relação aos alunos, foram realizadas 13 entrevistas, com média de 13 minutos e totalizando duas horas e 49 minutos de gravação. Para não identificar os entrevistados, utilizamos uma numeração de 1 a 12, precedido de uma letra “P” para os professores, nutricionistas e coordenadores, e uma numeração de 1 a 13 precedido da letra “A” para os alunos.
A apresentação deste capítulo ficou dividida em quatro tópicos. O primeiro sobre o histórico do projeto, e um para cada parte do tripé universitário: Ensino, Pesquisa e Extensão.
Essa divisão se dá apenas de maneira didática, para facilitar a visualização de como o projeto interage com cada um desses aspectos sendo que, na realidade, tudo acontece de maneira intimamente relacionada.
Inicialmente apresentamos a história do projeto. Como se deu sua concepção, os passos até efetivamente iniciar, as dificuldades enfrentadas e as mudanças realizadas. Contamos também sobre a chegada de alguns membros históricos do projeto.
O tópico sobre Ensino aborda de que maneira a participação no projeto modificou os profissionais formados, em nível técnico e cidadão/humano. Além disso, comentamos sobre a atuação do projeto na divulgação de conteúdos relacionados à PVHA no âmbito universitário.
Em relação à Pesquisa, apresentamos os artigos publicados e os trabalhos acadêmicos realizados, discutindo os principais temas pesquisados ao longo dos anos no projeto e comparando nossos resultados à literatura internacional. Neste tópico também abordamos os principais desafios enfrentados pelo nosso grupo no tocante a realização de pesquisas científicas com PVHA.
Por fim, o tópico sobre a Extensão buscou-se demonstrar o perfil de pessoas que procuram o projeto, suas motivações e expectativas além de discorrer sobre os motivos que facilitam a permanência dos alunos ao longo dos anos e a importância do projeto em suas vidas.
4.1 CAMINHOS HISTÓRICOS DO PROJETO
Concepção e passos iniciais
Em meados de 2006, a professora Dra Maria Irany Knackfuss foi convidada por seu professor orientador, Dr José Fernandes Filho, a fazer parte da Rede Euroamericana de Motricidade Humana. Esta era uma rede internacional sem fins lucrativos criada pelo professor Dr Estélio Henrique Martin Dantas e que reunia diversas Universidades de diferentes países no intuito de reunir esforços para a produção e divulgação da pesquisa científica, de forma que os dados computados pudessem ser relacionados aos de várias instituições parceiras, espalhadas pelo mundo.
Entre os dias 24 e 27 de abril de 2006, a UFRN sediou a I Reunião da Rede Euro-americana de Motricidade Humana (REMH), coordenada pelo Professor Doutor Estélio Dantas, sendo aprovada a indicação da UFRN como Universidade âncora da Rede. Dessa forma, a UFRN juntamente com outras instituições de ensino superior da Europa (Itália, Hungria, Espanha, Portugal), América do Norte (México) e América do Sul (Brasil, Chile, Paraguai) estaria vinculada ao Projeto América Latina Formação Acadêmica -ALFA (NERIS, 2006), para captação de recursos financeiros junto a Comunidade Europeia que financiava o desenvolvimento de pesquisas em redes temáticas sendo criada inicialmente a expectativa de que a REHM pudesse obter recursos que somariam quatro milhões e trezentos mil euros durante um período de 6 anos (2007- 20012)1.
No referido encontro, também se fazia presente o professor Paulo Dantas, ainda sem vínculo institucional com a UFRN. Durante esse período inicial, o professor fazia visitas pontuais a instituição e participava de maneira colaborativa, em forma de assessoria.
Após essa primeira reunião, a professora Maria Irany Knackfuss e o Prof Dr José Brandão Neto, designados pelo Reitor da UFRN, Prof Dr Ivanildo Rêgo,
1
Notícia do site Universia, disponível em < https://noticias.universia.com.br/tempo- livre/noticia/2006/04/10/444346/ufrn-e-sede-do-simposio-euro-americano-cincia-e-tecnologia.html>. Acesso em 22/08/2019
como coordenadores técnico e científico, respectivamente, participaram da II Reunião da Rede Euro-americana de Motricidade Humana (REMH),na Universidade Trás-os-Montes e Alto Douro – UTAD, na cidade de Vila Real - Portugal onde foi definido que o tema central do projeto ALFA seria obesidade.
Dessa forma, pesquisadores de programas de mestrado e doutorado das instituições integrantes da REMH desenvolveriam projetos dentro dessa temática para intercâmbio mundial, e cada local teria autonomia nesse desenvolvimento.
Ao retornar ao Brasil, a Profa Maria Irany teve a iniciativa de pesquisar a temática da obesidade relacionada ao HIV e exercício físico:
“Quando eu voltei então (estalo de dedos) deu instalo de trabalhar a questão da obesidade com HIV. Era uma temática que como professora nunca tinha estudado aqui no DEF UFRN. Mas foi instalo mesmo, um insight que me deu, e aí eu criei um projeto para doutorado onde nós iríamos trabalhar com pessoas que viviam com HIV/Aids, nós iríamos colocar no exercício e aí nós iríamos ver os parâmetros hematológicos, morfológicos, nutricionais.” (KNACKFUSS, 2019).
Formou-se, então, no Programa de Pós Graduação em Ciências da Saúde-PPGSSa/ UFRN, vários projetos, orientados por professores do Programa composta por médicos, cardiologistas, imunologista, psicólogos, fisioterapeuta e professor de Educação Física).
Na área da Educação Física, vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde, o projeto criado e orientado pela Profa Dra Maria Irany Knackfuss, fez parte da intervenção do projeto de Doutorado da Profa Themis Cristina Mesquita Soares e dos projetos de Mestrado dos Profs Luís Marcos de Medeiros Guerra e Hunaway de Albuquerque Galvão de Souza, representando um marco histórico e teórico nos estudos da Atividade física, Saúde e Hiv/Aids.
“O que aconteceu: no percurso, ao longo das disciplinas que a gente foi dialogando e tendo as primeiras aproximações,
muitos estudantes e profissionais que se envolveram inicialmente, desistiram. E nesse meio tempo, o projeto maior (ALFA) que ia ser implantado no programa de Ciências da Saúde, ele não foi né, que era um projeto... não lembra como se diz negócio era alguma coisa internacional entendeu, era um projeto de fora do país para se instalar aqui através de algumas pessoas conhecidas de Irany, pessoas da área e não deu certo essa implantação” (SOARES, 2019).
Devido ao fato do projeto ALFA não ter sido implantado, a pesquisa inicialmente proposta, sofreu importantes alterações. A equipe multidisciplinar
de desfez, os mestrandos e doutorandos do PPGSSa, pertencentes a outras áreas desistiram do projeto, visto que seus objetivos estariam relacionados à exames laboratoriais que necessitariam de recursos para acontecerem.
“Então como esse objeto de estudo, já estava todo desenhado, Irany disse ‘vamos tocar a bola’, a gente já tinha umas aproximações com algumas pessoas e tocou a bola, mas o projeto maior mesmo com todo mundo, com esse grande grupo, com essa equipe, ele não aconteceu. Primeiro porque já começou a levar os foras com relação à questão das finanças né, como o projeto não ia se instalar a gente não ia ter poder aquisitivo para fazer o que estava previsto. Então, o meu projeto inicial que tinha toda uma parte de laboratório, que tinha um médico envolvido entre outras coisas a partir da imunologia, não pode acontecer porque não tinha condições. Irany ainda tentou uma aproximação com os departamentos com outros médicos pessoas do conhecimento dela, mas a gente não tinha como, não teve... quem financiasse na verdade. A gente tentou outros caminhos, inclusive restringindo algumas coisas do objetivo e não teve. Ele teve que ser muito readequado para aquilo que a gente estava pensando no primeiro momento. ” (SOARES, 2019).
Caminhada até o início do Pró Saúde e Atividade Física
Para iniciar as atividades de intervenção dos projetos de Doutorado e Mestrado dos profs Themis Cristina Mesquita Soares, Luís Marcos de Medeiros Guerra e Hunaway de Albuquerque Galvão de Souza, no Departamento de Educação Física da UFRN, se fez necessário a institucionalização em 2007, do Projeto de Extensão denominado Pró Saúde e Atividade Física, sob a coordenação da Profa Maria Irany Knackfuss.
Para a aprovação do Projeto de Extensão no departamento de Educação Física-UFRN, algumas dificuldades foram encontradas para a utilização da sala, como equipamentos com pouca manutenção; necessidade de dividir o espaço com outros grupos, além do preconceito de alguns professores do Departamento de Educação Física, como professores e funcionários, tendo sido até mesmo sugerido limpar as máquinas com álcool pelo ‘risco’ de contágio.
Para iniciar a captação dos pacientes de HIV, houve uma aproximação com os médicos do Hospital Giselda Trigueiro. Eles abriram as portas do hospital e passaram a trocar informações sobre HIV com os membros do projeto. Professora Themis passou a frequentar o hospital também por cuidar
de um membro da família, e assim encontrou maior aproximação com Dr Tereza, que passou a ser uma apoiadora do projeto.
As professoras Themis e Hunaway, também procuraram Organizações Não Governamentais (ONGs), o Serviço de Assistência Especializada (SAE), grupo de teatro, associações e o Programa Estadual de DST e AIDS.
A psicóloga do programa passou a auxiliar na busca de patrocínio para o projeto, visto que, a essa altura, as professoras já entendiam que as dificuldades socioeconômicas dos pacientes com HIV poderiam ser um empecilho para a realização do projeto. Dessa forma, puderam conseguir a doação de 20 pares de tênis para aqueles que pudessem vir a participar.
Apesar dessas aproximações, muitas barreiras estavam sendo enfrentadas. Para que os alunos pudessem confiar nas profissionais do projeto, era necessário o aval do médico, e isso nem sempre era possível:
“Uma segunda maior barreira foi o profissional. Era preciso que os profissionais médicos liberassem seus pacientes para
fazer parte desse processo. Não esqueço nunca das falas do Doutor, foi muito forte. Era como se eles não tivessem confiança que a gente tinha conhecimento mínimo para montar um programa de treinamento para aquele sujeito, era como se a gente fosse matar o paciente dele. Chegou ao ponto da gente chorar, (eu chorei com Hunaway) assim, pelo mal tratamento deles para com a gente. Mas assim, umas duas pessoas isoladas, pela arrogância, por se achar o rei da cocada preta aqui, os demais não, nos acolheram muito bem, assim, não teve mais barreira não.” (SOARES, 2019).
O início do processo de aproximação com o hospital e demais locais se deu em março de 2007, e apenas em novembro daquele ano, após oito meses, iniciou-se de fato a intervenção, com dois alunos. Destaca-se o fato de que a aluna que iniciou permanece até os dias de hoje no projeto.
As primeiras avaliações físicas foram realizadas em parceria com um professor da UNP. Nessa época, os treinos eram realizados em uma sala de musculação localizada no Ginásio da UFRN e a intervenção acontecia três vezes por semana, tendo por base o treinamento de musculação.
Em meados de 2008, o professor Paulo Dantas chegava à UFRN como professor substituto. Sua participação no projeto passava então a ser maior, sendo ele responsável pelas avaliações físicas da base de pesquisa Atividade Física e Saúde (AFISA).
Ao final desse mesmo ano, a professora Maria Irany iniciaria seu processo de aposentadoria enquanto Paulo Dantas se tornaria professor efetivo e passaria assim a assumir a coordenação dos projetos da AFISA, tendo como linha de pesquisa, o estudo da atividade física, saúde e HIV. A partir de então, passaria a buscar recursos financeiros em editais para a compra de equipamentos.
Em 2009 foi defendido o primeiro trabalho acadêmico pelo projeto, intitulado “Exercícios anaeróbios, padrão morfofuncional e os marcadores hematológicos em pessoas vivendo com HIV e AIDS”, de autoria da professora Hunaway, com o objetivo de avaliar a alteração dessas variáveis a partir da participação de um programa de exercícios físicos.
Começou a surgir a necessidade de apoio de outros profissionais:
“Quando então... a gente ia até atrás das pessoas na verdade pra virem ‘ei, vamos ali ajudar’ né e tal. Fomos atrás também, não foi só atrás de paciente, foi atrás de profissional que viesse ajudar a gente também dentro da realidade, certo? ” (SOUZA, 2019).
Nessa época, a busca foi por profissionais renovados na área de Nutrição, que não puderam se disponibilizar para o projeto. No Hospital Giselda não havia um trabalho específico para aconselhamento dietético para essa população. Então havia uma enorme expectativa para a chegada de um profissional de nutrição no projeto. Recém-formada, a professora Tatiane Andreza Lima da Silva chegou ao projeto através do contato que teve com a base de pesquisa AFISA no projeto Jangadeiros, e em 2011, após conhecer os diferentes projetos da base, se inseriu no projeto com pessoas com HIV (SILVA, 2018). Ela foi a primeira mestranda no projeto sob a orientação de Paulo Dantas, e seria também a primeira a concluir o doutorado, no ano de 2018.
Para criar uma estratégia para se inserir no grupo, a professora Tatiane ouviu o relato de experiência das professoras Themis e Hunaway, analisou relatos gravados dos participantes sobre confidencialidade do diagnóstico e sobre as mudanças decorrentes da participação no projeto, bem como realizou uma revisão de literatura sobre orientação dietética em PVHA (Pessoas Vivendo com HIV e AIDS).
Diante desse contexto, decidiu-se por realizar uma palestra que contou com a presença do coordenador do projeto, das professoras e dos integrantes, cujo tema foi “Alimentação e Saúde” (SILVA et al., 2012).
A necessidade de mais profissionais ia aumentando. Como trabalhava em outra cidade, A Prof Themis Cristina não conseguia dar suporte ao projeto todos os dias de treino. Começaram a surgir alunos bolsistas e, ao final de 2011, a professora Daniele Coutinho de Medeiros passou a fazer parte do projeto. Juntamente com o professor Jason Azevedo de Madeiros, ingressaram no curso de Mestrado no início de 2012 e suas pesquisas passaram a definir os rumos do projeto naquele período.
A mudança para Projeto Viver Mais
A chegada da nutricionista e desses outros professores representou uma mudança na perspectiva do projeto, que passou a ter uma abordagem multidisciplinar (MEDEIROS, C. 2014). Foi esse momento em que o professor Paulo Dantas submeteu um projeto de extensão com o nome Viver Mais, e, a partir de então, seria o nome do projeto.
Nesse período, paralelamente ao projeto, acontecia uma coleta de dados no Hospital Giselda Trigueiro como parte do projeto de Mestrado de Tatiane e, devido a constante presença no hospital, houve uma maior possibilidade de captação de novos voluntários.
Entre os anos de 2011 e 2012, a intervenção aconteceu por meio do treinamento de musculação, por atividades aquáticas e por atividades de consciência corporal, que faziam parte do processo de Doutorado em Educação da professora Hunaway, sob a orientação do Prof. Dr José Pereira de Melo (SOUZA, 2014).
Nesse período, a Profa Themis terminou seu Doutorado e teve de retornar à Pau dos Ferros. Após um período, foi cedida para a Secretaria de Saúde, durante três anos. Nesse período, esteve como articuladora no Programa Estadual de DST e AIDS como uma pessoa responsável pelas capacitações profissionais. Participou de diversas reuniões e cursos, sempre falando sobre a
importância da atividade física e mencionando a experiência do projeto na UFRN.
Através desse contato, foi possível a participação de uma capacitação no SAE com uma mesa composta por Themis, Hunaway e Tatiane, sendo o primeiro grande evento em que ocorreu uma explanação do projeto.
Além disso, professora Themis abriu um projeto de extensão pela Universidade Estadual do Rio Grande do Norte (UERN), que embora não seja exclusivamente para pessoas vivendo com HIV e AIDS e englobe outros grupos especiais, representou mais uma possibilidade de atendimento às PVHA.
Como o desejo do professor Jason era pesquisar sobre treinamento de força e o projeto, naquele período, era desenvolvido em turno único, com treinamento combinado e práticas de consciência corporal, buscou-se então a possibilidade de formar uma nova turma de participantes. Então, no final de 2012, saiu um edital que possibilitou a aquisição de uma nova academia, em que o próprio Prof Jason junto com seus colegas chegou a montar, chamada “Cad1”. Dessa forma, deu-se início a um movimento para conseguir uma nova turma para a realização de objetivos específicos relacionados ao treinamento de força.
Juntamente com professora Tatiane e alguns alunos de graduação, o Prof Jason buscou novas captações no Hospital Giselda Trigueiro, no SAE e também no SAE de Parnamirim.
Quando se deu início ao protocolo de exercícios, haviam então duas turmas: uma realizada seu treino na academia do Ginásio da UFRN sob supervisão de Danielle e a outra ficava no chamado Cad1 com Jason. Também nessa época criou-se o turno da noite, configuração que dura até hoje.
O final de 2012 e início de 2013 representou também um período em que chegaram mais pessoas para contribuir, e alguns nomes também passaram a fazer parte do projeto: professoras Rafaela Catherine da Silva Cunha de Medeiros e Juliany de Souza Araújo e o professor Ricardo Dias de Andrade. Na nutrição, chegaram alunos como Janaina Bezerra de Lima, Paloma Emanuelle Do Nascimento Queiros e Evelyn Larissa Gouveia Machado.
Ainda nesse período, o projeto sofria por diferentes questões. Greves no sistema de saúde e, especialmente, no Hospital Giselda Trigueiro dificultaram as captações de participantes para o projeto.
Em relação à pesquisa, o adipômetro era o equipamento mais utilizado ainda, além de que havia poucas possibilidades de bolsa remunerada para alunos de graduação.
A academia era vista como algo “do projeto” e, dessa forma, os funcionários do Departamento de Educação Física não realizavam a limpeza, que era feita pelos próprios professores. Em determinado momento, o telhado da academia começou a cair, e ela teve de ser fechada:
“A gente tinha dificuldade muito grande de manter o projeto ativo, então a gente tinha que se preocupar em ter o espaço, começou a cair o telhado fecharam a academia... é algo obvio, mas a gente ficava frustrado por que a gente não tinha o que fazer, e ai o que a gente fazia? A gente entrava na academia pela porta de fora, sem ninguém saber, a gente pegava os pesos botava do lado de fora e treinava com eles aqui fora no chão, a gente tinha que carregar todos os pesos para fora da academia, treinar eles, barra, anilha, halter, step, tinha que colocar tudo ali fora e depois botar tudo para dentro, e se chovesse não tinha treino era assim, (...) a gente tinha que treinar aqui em baixo, escondido e no escuro para poder manter o projeto” (ANDRADE, 2019).
Ao final das pesquisas de Jason e Danielle, e também do Doutorado de Hunaway, no fim de 2013, surgiu a necessidade de reunir novamente as turmas em um único grupo, mas mantendo os dois turnos.
Em torno de 2015, o projeto já havia avançado em diversos aspectos: a estrutura da academia era melhor, bem como o relacionamento com o sistema de saúde.
Nesse período, eram realizadas reuniões com a equipe médica do Hospital Giselda Trigueiro com o intuito de apresentar os resultados obtidos no projeto, artigos publicados, bem como novos objetivos de pesquisa.
Academicamente, já havia alguns Mestres e Doutores formados pelo projeto, o que aumentava sua força para publicações e editais. Além disso, o treinamento e as pesquisas puderam avançar a partir do que já se tinha realizado anteriormente.
O ano de 2015 também representou o período em que os primeiros trabalhos de conclusão de curso de graduação foram orientados pelos professores do projeto, especialmente professora Rafaela Medeiros e Jason Azevedo. Entre esses trabalhos, havia o de Álan Daniel Santos, que posteriormente viria a ingressar no mestrado e permaneceria no projeto até 2018.
Havia inicialmente análises bioquímicas no projeto, que foi perdido devido a dificuldade de parcerias para a análise sanguínea. Um fato curioso é que, nesse período, foi necessária a realização de um curso de punção venosa por parte dos professores do projeto.
As professoras procuraram o curso de Enfermagem e não obtiveram auxílio prático, ou seja, não houve a possibilidade de que os alunos de Enfermagem pudessem vir realizar as coletas de sangue.
Dessa forma, procurou-se os conselhos de Enfermagem e de Educação Física para saber se havia a possibilidade de realização de um curso de capacitação para punção venosa para os professores do projeto, de modo que isso não caracterizasse exercício ilegal da profissão.
Após a liberação dos conselhos, realizou-se esse curso, e os próprios professores do projeto, a partir de então, passaram a realizar a coleta sanguínea dos participantes.
O primeiro semestre de 2016 foi uma época de adaptação, em que a pesquisa ainda não havia iniciado. Chegaram alunos bolsistas de graduação como Carlos Jean Damasceno de Goes, além de que, Jason continuou a enviar alunos da universidade particular que atuava, como Phelipe Wilde de Alcântara Varela. Esses dois permaneceram no projeto e chegaram ao mestrado no ano de 2019.
Atualmente, em 2019, o Projeto Viver Mais conta com três professores alunos de mestrado, quatro bolsistas de graduação, dois estagiários, duas nutricionistas e uma professora de Educação Física como voluntária. Além disso, conta com um projeto de doutorado da professora Rafaela acontecendo paralelamente à intervenção com os adultos.
As crianças e adolescentes: uma história (quase) à parte
Durante seu Mestrado, a professora Rafaela Medeiros realizou um trabalho de levantamento com mais de 200 pacientes com HIV nos hospitais de referência, além de participar do projeto de extensão na UFRN. A partir dessa experiência, percebendo as dificuldades enfrentadas pelos adultos vivendo com HIV/AIDS, ela se perguntou “Como será para as crianças? Deve ser um impacto muito maior...”. Percebendo que a literatura carecia de estudos com a temática e com o desejo de realizar um trabalho com crianças novamente, algo que já havia acontecido durante sua graduação, Rafaela decidiu prosseguir sua pesquisa investigando sobre as condições de vida de crianças e adolescentes com HIV/AIDS.
Inicialmente, passou-se a ir ao Hospital Giselda Trigueiro para a captação de participantes. As enfermeiras disponibilizavam uma sala no hospital, e os pacientes em espera eram convidados juntamente com seus responsáveis a conversar com os professores do projeto. Eram feitas entrevistas, aferidos peso, altura, circunferência de cintura e quadril. Posteriormente havia o convite para a participação das avaliações físicas a serem realizadas no laboratório na UFRN.
As avaliações eram marcadas de três crianças/adolescentes por dia. Os familiares eram bastante solícitos, os pacientes eram de fácil trato e os encontros ocorriam de maneira tranquila.
Apesar disso, algumas dificuldades precisaram ser vencidas. A realização de coleta sanguínea incomodou algumas das crianças. O perfil das pessoas que vinham era de vulnerabilidade socioeconômica. Dessa forma houve a necessidade de pagar passagens de ônibus ou de comprar um tênis para que o participante pudesse realizar as avaliações.
“Porque eu lembro que uma coisa que me marcou que eu acho que ninguém nunca vai esquecer é um menino que nunca tinha comido presunto boy, o menino sabia nem o que era presunto, e na hora que Ana disse, Ana fazendo o recordatório alimentar disse que ia trazer presunto para ele, vixe o menino enlouqueceu dizendo ‘caramba vou comer presunto, coisa que passa na televisão’, e para mim é uma coisa que tipo, caramba, presunto, é tão fácil comer, assim, é tão simples. Um menino que não tinha uma bola, eu comprei uma bola no supermercado e dei o menino, porque eu me comovi com a situação dele, ele era tão pobre, tão pobre, tão pobre mesmo
que o menino não tinha nem tênis para fazer avaliação na esteira, Rafa comprou um tênis e deu para ele o tênis. (...) A gente fazia do dia da avaliação um dos melhores dias da vida das crianças que vinham pra cá (...)” (GOES, 2019).
As crianças e adolescentes com HIV parecem ser um público, de modo geral, esquecido, tanto pela comunidade científica como pela sociedade. O intuito de Rafaela era, após esse acompanhamento, levar benefícios a esse público através da atividade física. Haveria, então, a realização de um programa de exercícios, projeto que seria levado à frente pelo aluno de mestrado que chegou em 2018, Levi de Holanda. Infelizmente, após o contato com as famílias, constatou-se uma impossibilidade de realização visto o baixo interesse e as dificuldades encontradas para vir regularmente à Universidade.
“A impressão é que justamente essa população ela é prejudicada não só pela infecção, mas pela condição socioeconômica, que deixam eles cada vez mais prejudicados por não poder participar de outras ações, como por exemplo, ter condições de se locomover até a UFRN para participar das práticas de exercício físico que foram propostas pelo nosso grupo” (MEDEIROS, 2019).
4.2 – Desdobramentos do projeto, na pesquisa
A tabela 1 e o quadro 1 mostram um resumo do levantamento sobre os trabalhos acadêmicos e artigos publicados pelos profissionais envolvidos no projeto até o ano de 2018. Foram publicados nove artigos, sendo quatro em revistas internacionais e cinco em revistas nacionais.
Tabela 1 – Desdobramentos do projeto em pesquisa Trabalhos acadêmicos (n) Artigos (n) Anos e quantidades
Níveis Tipos de estudos
30 09 2010: um; 2012: dois; 2013: um; 2014: três; 2015: sete; 2016: um; 2017: cinco; 2018: seis. OBS.: Quatro não constam o ano Graduação: 17; Especialização: 01; Mestrado: 09; Doutorado: 03. Longitudinal prospectivo: 02 Experimental Longitudinal: 03 Quase-experimental: 05 Experimental cross over: 01 Transversal descritivo: 16 Qualitativo fenomenológico: 01 Relato de caso:02
Quadro 1 Produção científica sobre a Temática HIV/Aids, publicadas no período 2007-2018
Autor (ano) Título Objetivos Tipo de
estudo
Participantes Intervenção Variáveis
estudadas Métodos e instrumentos Principais Achados Soares, Themis (2011) Morphology and biochemical markers of people living with HIV/AIDS undergoing a resistance exercise program: clinical series Analisar o perfil lipídico e imunológico e parâmetros morfológicos de PVHA participantes de programa de exercício resistido Estudo de caso 1 homem e 1 mulher 16 semanas de treino resistido, 3x por semana, 1h, grandes e pequenos grupos musculares, Perfil lipídico, parâmetros imunológicos e morfológicos Análise laboratorial, perimetria e 3 dobras Manutenção da carga viral indetectável, manutenção e aumento de CD4, diminuição da gordura e aumento da massa magra. Diminuição da RCQ Silva, Tatiane (2012) Inserção de profissional de saúde em grupo de
pessoas vivendo com HIV: relato de experiência ... Relato de experiência ... Palestra "Alimentação e Saúde" ... Relatos de Experiência, análise documental, revisão de literatura Importância da melhoria anatomofisiológica e elevação da autoestima pelo exercício físico; do vínculo profissional-paciente e de iniciar o contato com temas não relacionados ao HIV.
Souza, Hunaway (2012)
RESSIGNIFICANDO AS VIVÊNCIAS DO LAZER: POR UMA CONCEPÇÃO AUTOTÉLICA NO CONTEXTO DA SÍNDROME DA IMUNODEFICIÊNCIA HUMANA ADQUIRIDA Analisar as práticas de lazer de seis indivíduos, antes e depois de se descobrirem portadores do HIV
Exploratório 6 indivíduos ... Práticas de lazer Contato direto, com uma questão norteadora respondida por escrito
ANTES: lazer voltado para a diversão pura e simples, de caráter individualista, a liberdade de escolha e a satisfação como
fim. Lazer como sinônimo de atividade física para manutenção e saúde e qualidade e vida. APÓS: o lazer passou a ter uma função de divertimento e descanso, ou seja, atividades/ atitudes as quais os indivíduos se entregam de bom grado; ao
incorporarem o lazer ativo em suas vidas, esse passa a ter influência direta no estilo de vida desses indivíduos; lazer como desenvolvimento pessoal.
Silva, Tatiane (2014)
Relationship between dietary intake and use of protease inhibitors with anthropometric and biochemical parameters of lipodystrophy in people
living with HIV
Avaliar a relação entre ingestão dietética e uso de Inibidores de Protease com parâmetros antropométricos e bioquímicos em PVHA Estudo descritivo e transversal 26 homens e 24 mulheres
... Dieta, IMC, área muscular corrigida, circunferência de cintura, glicemia de jejum, colesterol tota, LDL-c, HDL-c, VLDL-c e triglicerídeos, TCD4 e carga viral Anamnese, antropometria, questionário de frequencia alimentar do SISVAN do Ministério da Saúde do Brasil, análise bioquímica Melhor consumo alimentar relacionava-se a maiores níveis de HDL; quem usava IP mostrou ter maiores níveis de triglicerídeos e VLDL. Apenas 37% foram classificados como "bom". Não houve diferença nos parâmetros antropométricos
Medeiros, D. (2014) Efeitos do treinamento concorrente e aconselhamento dietético na lipodistrofia e sua repercussão na adesão ao tratamento do HIV/aids: um relato de caso Descrever as mudanças corporais relacionadas à lipodistrofia após um programa de treinamento concorrente e aconselhamento dietético, e suas repercussões na adesão ao tratamento. Relato de caso 1 homem, 48 anos Treinamento concorrente (25min caminhada + resistido PSE 8, AB) e aconselhamento dietético Composição Corporal; parâmetros imunológicos e virológicos - TCD$ e carga viral; Perimetria e dobras cutâneas; exames laboratoriais; Redução de perimetria e dobras cutâneas, aumento da massa muscular, aumento (discreto) no CD4 e manutenção da carga viral indetectável. Silva, Tatiane (2015) CONCURRENT TRAINING AND NUTRITION ADVISING AS A STRATEGY OF ADHERENCE TO THE TREATMENT OF HIV POSITIVE Avaliar alterações em variáveis antropométricas e bioquímicas relacionadas à lipodistrofia após programa de exercício físico e aconselhamento nutricional como uma estratégia para adesão ao tratamento do HIV Relato de caso Homem, 48 anos, com diagnóstico desde 2000 e sem infecção oportunista Da 1° à 8° intervenção de exercícios; a partir da 9° semana houve a inclusão do acompanhamento nutricional. Treinamento combinado 3x por semana. A orientação nutricional encorajou o aumento no consumo de fibras e diminuição na ingestão de gorduras saturadas, colesterol e carboidratos Composição Corporal, colesterol total, triglicerídeos e glicose de jejum, contagem de CD4, carga viral Antropometria, testes bioquímicos e registros fotográficos Diminuição do peso e circunferência abdominal e espessura de dobras cutâneas, diminuição dos triglicerídeos. O registro fotográfico se mostrou interessante ferramenta para continuar o programa de atividade física e incluir a orientação nutricional.
refinados. Guerra, Luís (2015) Resisted exercise, morphological and functional standards, and quality of life of people living with HIV/AIDS Analisar os efeitos de um programa supervisionado de exercícios físicos sobre composição corporal, níveis de força e qualidade de vida de PVHA Estudo quase-experimental 15 pessoas - 11 homens e 4 mulheres 16 semanas, 3x por semana, 20min caminhada + treino resistido com 12RM Composição corporal, níveis de força e qualidade de vida, auto percepção de saúde Dobras cutâneas, WHOQOL HIV-bref; dinamômetro escapular e manual Participantes se
consideraram com saúde boa ou muito boa; 80% não se consideram doentes; diferenças significantes no percentual de gordura, força escapular, força manual; os domínios de qualidade de vida apresentaram melhora em média, com melhora significante estatística em "Ambiente", Espiritualidade" e "Qualidade de vida e Saúde geral"
Medeiros, D. (2016) Somatotipo e imagem corporal em pessoas vivendo com HIV/AIDS Avaliar a somatotipia e imagem corporal de pessoas vivendo com HIV/Aids. 5 mulheres Treinamento concorrente - 20 min aeróbio + 30/40 min de treino resistido PSE 8 + 10min aeróbio.3x por semana. Acompanhamento nutricional: orientar escolhas mais saudáveis e diminuir quantidade de quilocalorias provenientes de carboidratos simples e gorduras saturadas. 16 semanas Composição corporal, imagem corporal, CD4 e carga viral Dobras cutâneas, perimetria, Somatotipo; escala de silhuetas de Stunkard et al. Diminuição da endomorfia (gordura), manutenção da mesomorfia (massa muscular) e aumento da ectomorfia (linearidade). Tempo maior de intervenção gera melhores resultados (8 x 16 semanas). A redução do componente endomórfico representou progressos relacionados ao controle da lipodistrofia, especificamente na lipo-hipertrofia da região do tronco inferiorl. As participantes afirmam se surpreenderem com a visualização de formas físicas mais proporcionais e simétricas.
Aproximação da imagem corporal à imagem ideal Medeiros, Rafaela (2017) Qualidade de vida, fatores socioeconômicos e clínicos e prática de exercício físico em pessoas vivendo com HIV/aids Analisar se aspectos socioeconômicos, clínicos e de hábitos de vida saudável estão associados à qualidade de vida em pessoas vivendo com HIV/aids. Descritivo exploratório, corte transversal 227 pessoas vivendo com HIV de ambos os sexos. 131 homens e 96 mulheres ... Aspectos socioeconômicos, parâmetros clínicos, prática de exercício físico
Questionários Os domínios que apresentaram menores médias para a qualidade de vida foram preocupação financeira, com sigilo, função geral e satisfação com a vida. Foram encontradas associações com status
exercício físico; terapia; e exercício físico para os dois últimos domínios, consecutivamente.
Quadro 2 - Dissertações e Teses desenvolvidos na Temática HIV/Aids, durante o período 2007-2018
Ano (Nível)
PROGRAMA Autor Titulo Orientador
2010 (Ms) PPGSSa Hunaway de Albuqueque Galvão de Souza Exercícios anaeróbicos, padrão morfofuncional e os marcadores hematológicos em pessoas vivendo com HIV e aids
Maria Irany Knackfuss
2012 (Ms)
PPGSSa Luis Marcos de Medeiros Guerra Exercício Físico, saúde e Qualidade de Vida em pessoas com o HIV/Aids em Natal/RN Maria Irany Knackfuss 2012 (Dr) PPGSSa Themis Cristina Mesquita Soares HIV e estilo de vida: marcadores biológicos, síndrome lipodistrófica e sua relação com a prática de exercício Maria Irany Knackfuss 2013 (Ms) PPGSSa Tatiane Andreza Lima da Silva Associação entre estilo de vida e qualidade do sono e alterações metabólicas em pessoas vivendo com HIV/Aids Paulo Moreira Silva Dantas 2014 (Ms) PPGSSa Daniele Coutinho de Medeiros O treinamento concorrente para pessoas vivendo com HIV e a repercussão na adesão ao tratamento Paulo Moreira Silva Dantas 2014 (Ms) Programa Mestrado em Educação Física Jason Medeiros Efeito do Treinamento Resistido na Função Autonômica Cardíaca, nos Paulo Moreira Silva Dantas
parâmetros bioquímicos e antropométricos de pessoas vivendo com HIV/Aids 2014 (Dr) Programa de Pós Graduação em Educação Hunaway de Albuqueque Galvão de Souza As práticas corporais no cotidiano das pessoas vivendo
com HIV e Aids: revelando, desconstruindo e construindo histórias José Pereira de Melo 2015 (Ms) Programa Mestrado em Educação Física Rafaela Catherine da Silva Cunha Impacto do Exercício Físico na Qualidade de vida e do Sono em pessoas vivendo com HIV/AidsImpacto do Exercício Físico na Qualidade de vida e do Sono em pessoas vivendo com HIV/Aids Paulo Moreira Silva Dantas 2016 (Ms) Programa Mestrado em Educação Física Ricardo Dias Andrade Efeito do treinamento concorrente no controle autonômico cardíaco, desempenho cardiorrespiratório, força muscular e na composição corporal de pessoas vivendo
com HIV e Aids
Paulo Moreira Silva Dantas 2017 (Ms) Programa Mestrado em Educação Física Juliany de Souza Araújo Efeitos do destreinamento em componentes da aptidão física em pessoas vivendo com HIV/Aids Paulo Moreira Silva Dantas
2018 (Ms) Programa Mestrado em Educação Física Álan Daniel Santos de Souza Capacidade cardiorrespiratória de pessoas vivendo com HIV/AIDS Paulo Moreira Silva Dantas 2018 (Dr) PPGSSa Tatiane Andreza Lima da Silva Suplementação de curcumina em marcadores metabólicos, inflamatórios e de estresse oxidativo em indivíduos com HIV/AIDS: ensaio clínico randomizado Paulo Moreira Silva Dantas
Quadro 3- Trabalhos de Conclusão do Curso de Graduação desenvolvidos na Temática HIV/Aids, durante o período 2007-2018
Ano Curso
(Universidade)
Autor Titulo Orientador /
Coorientador 2015 Educação Física (UFRN) Álan Daniel Santos de Souza Percepção subjetiva de esforço em diferentes níveis de intensidade e teste de 1rm em pessoas vivendo com HIV/AIDS Rafaela Catherine da Silva Cunha de Medeiros 2015 Educação Física (UFRN) Saulo Samuel Freitas De Melo Correlação entre qualidade de vida e qualidade do sono de pessoas vivendo com HIV/AIDS Rafaela Catherine da Silva Cunha de Medeiros 2015 Ednham Da Silva Pinheiro Composição corporal de pessoas vivendo com hiv/aids em programade exercício físico Francisco Emílio Simplício De Souza / Rafaela Catherine da Silva Cunha de Medeiros
2015 Educação Física (UNI-RN) Rodrigo Valério Medeiros Desempenho aerobico de pessoas vivendo com hiv/aids praticantes e não praticantes de treinamento resistido Jason Azevedo de Medeiros 2015 Educação Física (UNI-RN) Thiago Morenno Januário Da Fonseca Força muscular de pessoas vivendo com hiv/aids praticantes e não praticantes do treinamento de força Jason Azevedo de Medeiros 2015 Educação Física (UFRN) Wellington de Souza Lima Controle postural estático em pessoas vivendo com HIV/AIDS Francisco Emílio Simplício De Souza / Rafaela Catherine da Silva Cunha de Medeiros 2017 Educação Física (UNI-RN) Iago Amorim de Oliveira Aptidões físicas de crianças e adolescentes vivendo com a infecção do HIV praticantes ou não de exercício físico Rafaela Catherine da Silva Cunha de Medeiros 2017 Educação Física (UNI-RN) Lucas Wagner de Souza Lúcio Composição corporal de pessoas vivendo com HIV praticantes de exercício físico Rafaela Catherine da Silva Cunha de Medeiros 2017 Educação Física (UNI-RN) Jeckson Ferreira da Silva Influência de diferentes programas exercícios físicos nos parâmetros bioquímicos e clínicos em pessoa com hiv
+: um relato de caso Rafaela Catherine da Silva Cunha de Medeiros
2018 Educação Física (UNI-RN) Luan Douglas Rodrigues Bezerra Avaliação do nível de atividade física de crianças e adolescentes vivendo com HIV/AIDS Jason Azevedo de Medeiros 2018 Educação Física (UFRN) Carlos Jean Damasceno de Goes Controle postural estático, composição corporal e índice de atividade física habitual em crianças e adolescentes vivendo com HIV
Paulo Moreira Silva Dantas / Rafaela Catherine da Silva Cunha de Medeiros 2016 Nutrição (UNIFACEX) Janaina Beserra De Lima E Paloma Emanuelle Do Nascimento Queiros Oxidação de substratos energéticos e síndrome lipodistrófica em pessoas vivendo com HIV/AIDS Daniele Coutinho de Medeiros / Tatiane Andreza Lima da Silva
2018 Nutrição (UFRN) Anna Luiza Vasconcelos de Oliveira Estado nutricional de crianças e adolescentes vivendo com HIV/AIDS Gidyenne Christine Bandeira Silva de Medeiros / Tatiane Andreza Lima da Silva 2017 Nutrição (UFRN) Pedro Ramon
Ancieto Costa Pessoas vivendo com HIV/Aids: condições socioeconômicas, estado e conhecimento nutricional Gidyenne Christine Bandeira Silva de Medeiros / Tatiane Andreza Lima da Silva 2016 Educação Física (UNI-RN) Phelipe Wilde de Alcântara Varela Existe diferença no metabolismo e composição corporal de pessoas vivendo com hiv/aids comparados as pessoas soronegativas? Jason Azevedo de Medeiros
2018 Educação Física (UNI-RN) Lucas Edward Cesario de Medeiros Vieira Efeito do treinamento concorrente no metabolismo de pessoas vivendo com HIV/AIDS Jason Azevedo de Medeiros 4.2.1 PERDA AMOSTRAL
Considerando os trabalhos acadêmicos, 10 relataram alguma perda amostral.
Quadro 4 – Perda amostral relatada pelos trabalhos acadêmicos e motivos alegados pelos participantes
Autor (ano) Perda
(percentual)
Tempo de estudo
Motivos alegados
Soares (2012) 10 (41,2%) 16 semanas Diminuição na
contagem de CD4, fatores de trabalho
e mudança de cidade
Guerra (2012) 1 (6,25%) 16 semanas Abandono da
terapia
Souza (2014) 2 (28,6%) 2 anos Motivos de ordem
pessoal Medeiros, J.
(2014)
2 (18,1%) 16 semanas Abandono da
terapia
Pinheiro (2015) 3 (27,3%) 6 meses Não explicitados
Andrade (2016) 10 (58,8%) 18 semanas Doença ou falta > 10% aos treinos Araújo (2017) 10 (50%) no grupo
controle e 11 (50%) no grupo experimental
15 semanas Doença ou falta > 25% aos treinos
Silva (2018) 0 11 semanas Sem perda
Sousa (2018) 6 (28,6%) 6 meses Doenças,
abandono do programa de treinamento ou impedimento para realização das avaliações.
treinos
Dois estudos não possuem informações sobre perda amostral, sendo estes os de Medeiros D. (2014) e Souza (2010), enquanto ao restante não se aplica esta averiguação.
Portanto, dos trabalhos onde há possibilidade de perda amostral, temos: a. Não houve perdas: 1 (7,7%) trabalho;
b. Não possuem informações: 2 (15,4%) trabalhos; c. Houve perda amostral: 10 (76,9%) trabalhos
A literatura também mostra taxas de retirada de indivíduos semelhantes às encontradas em nossos estudos.
Em recentes revisões, encontrou-se uma taxa de retirada em torno de 20% e 24% nos estudos de O’brien et al., (2017 e 2016) e de 54% na revisão de Ibeneme et al., (2019). Individualmente, entre os estudos analisados por Ibaneme et al. (2019), essa taxa variou entre 3% (MUTIMURA et al., 2008) e 60% (MKLANDA, 2016). Em 11 dos 20 estudos analisados por O’brien et al., (2016) e 15/19 incluídos por Nosrat, Whitworth e Ciccolo (2017) relatou-se taxa de retirada >15%. O único estudo relatado por Nosrat Whitworth e Ciccolo (2017) com nenhuma taxa de retirada foi exatamente o realizado em nosso grupo (GUERRA et al., 2015), muito embora o autor não confirme necessariamente que todos tenham completado o protocolo. Farinati et al., (2010) relatou que todos os participantes permaneceram até o fim do estudo, sendo este fato considerado uma das forças de seu trabalho. De modo similar, nosso estudo mais recente (SILVA, 2018) também manteve todos os participantes durante o período.
Acredita-se que essas altas taxas de retirada possam estar relacionadas ao protocolo de exercícios (ou seja, frequência, intensidade, duração e tipo), falta de remuneração ou barreiras logísticas, como programação ou acesso (NOSRAT, WHITWORTH, CICCOLO, 2017).
De fato, Kocher et al., (2017) relataram que reembolsar os participantes foi um incentivo de sucesso para evitar perdas durante a pesquisa. Apesar de que alguns participantes foram retirados de nossas pesquisas por motivos de doença (ANDRADE, 2016; ARAÚJO, 2017; SOUZA, 2018), a literatura não
parece corroborar com esses achados. Mesmo pesquisas mais antigas, como as de Smith et al., (2001) e Stringer et al. (1998) relataram não perderem nenhum participante por doença ou infecção.
Altas taxas de retirada prejudicam nosso entendimento acerca do tema, pois não se sabe se os resultados encontrados representam apenas um subconjunto único de pessoas que completaram os requisitos dos estudos (NOSRAT, WHITWORTH, CICCOLO, 2017).
4.2.2 INTERVENÇÃO
Quadro 5 – Tipos de intervenções realizadas no projeto Viver Mais. Autor (ano) Tipo de
intervenção Descrição Tempo Sousa (2010) Treinamento resistido
Sete exercícios, alternados por segmento, A e B, 10-12 rep, intensidade entre 70-80% de 1RM e intervalo entre 60-120s. 3x por semana, em torno de 1h. Eram
realizados alongamentos e
caminhada como aquecimento
16 semanas Guerra (2012) Treinamento resistido
Sete exercícios alternados por segmento, 3 séries de 12 rep, intervalo de 60s e intensidade entre 65-80% de 1RM. 16 semanas Coutinho Mederios (2014) Treinamento concorrente e intervenção nutricional
Treinamento aeróbio entre 60-80%
da FCM por 30 minutos;
Treinamento resistido 8-15 rep, intervalo de 60-90s e intensidade 8 PSE. 3x por semana; Orientação nutricional: ênfase na necessidade de redução de gorduras saturadas e carboidratos simples e incentivo ao maior consumo de fibras.
16 semanas Medeiros, J. (2014) Treinamento resistido
Exercícios resistidos: 3x por semana, 60 minutos, 7/8 na escala de Omni-res, 1-2min descanso; 3 séries de 12 rep. Divisão A-B
16 semanas, Souza (2014) Treinamento concorrente e práticas
Treinamento concorrente 2x por semana Práticas corporais: consciência corporal e atividades