INSTITUTO SUPERIOR DAS CI ˆENCIAS DO TRABALHO E DA EMPRESA
Departamento de Matem´atica da FCUL Departamento de Finan¸cas do ISCTE
Superf´ıcies de Volatilidade
Andr´e Filipe Figueira de Sousa
MESTRADO EM MATEM ´ATICA FINANCEIRA 2013
FACULDADE DE CI ˆENCIAS DA UNIVERSIDADE DE LISBOA
INSTITUTO SUPERIOR DAS CI ˆENCIAS DO TRABALHO E DA EMPRESA
Departamento de Matem´atica da FCUL Departamento de Finan¸cas do ISCTE
Superf´ıcies de Volatilidade
Andr´e Filipe Figueira de Sousa
MESTRADO EM MATEM ´ATICA FINANCEIRA
Disserta¸c˜ao orientada pelo
Professor Doutor Jo˜ao Pedro Vidal Nunes 2013
Resumo
O presente trabalho tem como objectivo debru¸car-se sobre a constru¸c˜ao de superf´ıcies de volatilidade impl´ıcita. Toma-se, como ponto de partida, a literatura existente que nos diz que o modelo de Black-Merton-Scholes (BMS) apresenta v´arias limita¸c˜oes, sendo que a prin-cipal, para muitos, ´e considerar a volatilidade determin´ıstica. Neste trabalho, como forma de eliminar este problema, iremos apresentar a metodologia desenvolvida por Peter Carr e Liuren Wu (2011), de forma a construir uma superf´ıcie de volatilidade n˜ao determin´ıstica, que n˜ao seja t˜ao dif´ıcil de obter como nos modelos de volatilidade estoc´astica e que seja mais r´apida de estimar. Esta metodologia especifica o pre¸co do activo subjacente e a dinˆamica da volatilidade impl´ıcita, enquanto deixa a dinˆamica da taxa da volatilidade instantˆanea variar livremente. Por sua vez, o dom´ınio dos valores admiss´ıveis para a superf´ıcie de volatilidade impl´ıcita inicial deriva de uma base com argumentos de n˜ao arbitragem.
Com o objectivo de modelar a volatilidade impl´ıcita para os dois modelos apresentados no trabalho de Peter Carr e Liuren Wu (2011), o square-root variance model e o lognormal
variance model, usamos uma variante do square-root process. Nessa constru¸c˜ao, ´e usado o
unscented Kalman filter e um algoritmo de minimiza¸c˜ao de erros, como forma de determinar os parˆametros que necessitamos para resolver a equa¸c˜ao do modelo.
Este trabalho ´e composto por duas vertentes, uma vertente te´orica e uma vertente pr´atica. A vertente te´orica, incide sobre a metodologia apresentada por Peter Carr e Liuren Wu (2011), enquanto que a vertente pr´atica, inclina-se sobre a constru¸c˜ao do unscented Kalman
filter e do algoritmo de minimiza¸c˜ao, como forma de determinar os parˆametros que necessi-tamos para a dinˆamica da volatilidade do pre¸co do activo subjacente.
Palavras-Chave: Superf´ıcie de volatilidade impl´ıcita, vega-gamma-vanna-volga,
square-root variance model, lognormal variance model, calibra¸c˜ao dinˆamica, unscented Kalman
Abstract
The objective of this thesis is to construct an implied volatility surface to price options. We start from the existing literature that says Black-Merton-Scholes (BMS) has many draw-backs, being the most important one assuming deterministic volatility.
In this thesis, we will present Peter Carr and Liuren Wu (2011) methodology for construc-ting a volatility surface that is not assumed to be deterministic, is not so complicated to determine like in stochastic volatility models and is faster to estimate.
This thesis proposes a new approach, which specifies the security price and the implied vo-latility dynamics while leaving the instantaneous variance rate dynamics unspecified. The allowable shape for the initial implied volatility surface is then derived based on dynamic no-arbitrage arguments.
This thesis presents two models for constructing volatility surfaces using a variant of the square-root process for the volatility process.
This paper has two parts, one theoretical and another practical. In the theoretical part we demonstrate the paper of Peter Carr and Liuren Wu (2011) to construct volatility surfaces, while in the practical part we construct an unscented Kalman filter with a minimization algorithm to determine the parameters that we need to construct the real dynamics of the implied volatility surface of the underlying.
Key-words:Implied volatility surface, vega-gamma-vanna-volga, square-root variance
Agradecimentos
Em primeiro lugar, quero agradecer ao Professor Doutor Jo˜ao Pedro Nunes pela disponi-bilidade em orientar esta tese. Em seguida quero agradecer aos meus familiares, `a minha namorada, aos meus amigos e aos meus colegas de trabalho e mestrado que nunca me dei-xaram de incentivar e apoiar.
Conte´
udo
Introdu¸c˜ao 1
1 Revis˜ao da literatura 3
2 Superf´ıcie de volatilidade 5
2.1 Pressupostos . . . 5
2.2 Equa¸c˜ao parcial diferencial fundamental . . . 6
2.3 Square-root variance (SRV) . . . 9
2.4 Lognormal variance (LNV) . . . 12
3 Calibra¸c˜ao dinˆamica 15 3.1 Introdu¸c˜ao . . . 15
3.2 Linear Kalman filter . . . 15
3.3 Extended Kalman filter . . . 16
3.4 Unscented Kalman filter . . . 18
3.4.1 Unscented transformation . . . 18
3.4.2 Unscented Kalman filter . . . 19
3.5 Algoritmo de minimiza¸c˜ao . . . 20
4 Resultados 22 4.1 Descri¸c˜ao dos dados utilizados . . . 22
4.2 Modelo SRV . . . 24
4.3 Modelo LNV . . . 26
5 Conclus˜ao 30
A Revis˜ao 35
A.1 Lema de Itˆo . . . 35
A.2 Op¸c˜oes standard . . . 35
B C´odigo em Matlab 36 B.1 Modelo SRV . . . 36
B.1.1 Fun¸c˜ao H . . . 36
B.1.2 Fun¸c˜ao T . . . 36
B.1.3 Pontos Sigma . . . 37
B.1.4 Unscented Kalman Filter1 . . . 37
B.1.5 Unscented Kalman Filter2 . . . 38
B.1.6 Unscented Filter . . . 39 B.1.7 Matrizes e erros1 . . . 39 B.1.8 Matrizes e erros2 . . . 40 B.1.9 Superf´ıcie de Volatilidade . . . 42 B.2 Modelo LNV . . . 44 B.2.1 Fun¸c˜ao H . . . 44 B.2.2 Fun¸c˜ao T . . . 44 B.2.3 Pontos Sigma . . . 44
B.2.4 Unscented Kalman Filter1 . . . 45
B.2.5 Unscented Kalman Filter2 . . . 46
B.2.6 Unscented Filter . . . 46
B.2.7 Matrizes e erros1 . . . 47
B.2.8 Matrizes e erros2 . . . 48
Introdu¸c˜
ao
O presente trabalho tem como objectivo apresentar uma metodologia que permita a cons-tru¸c˜ao de superf´ıcies de volatilidade impl´ıcitas para fazer o pricing de op¸c˜oes listadas e n˜ao listadas. Este m´etodo recorre `a utiliza¸c˜ao de um algoritmo de minimiza¸c˜ao e, em seguida, `a constru¸c˜ao do unscented Kalman filter, de forma a eliminar o ru´ıdo na amostra e melhorar a calibragem dinˆamica da superf´ıcie. Este modelo tem como base o trabalho de Peter Carr e Liuren Wu (2011).
O trabalho encontra-se dividido em cinco cap´ıtulos. No primeiro cap´ıtulo, ´e feita uma re-vis˜ao da literatura existente acerca dos diversos trabalhos desenvolvidos na ´area de produtos estruturados, nomeadamente, na vertente da estima¸c˜ao/constru¸c˜ao de superf´ıcies de volatili-dade impl´ıcita, dando aten¸c˜ao ao porquˆe do seu desenvolvimento e interesse na comunidade cient´ıfica e empresarial.
No segundo cap´ıtulo, ´e apresentada a base te´orica para a constru¸c˜ao dos dois modelos que est˜ao a ser desenvolvidos. Neste cap´ıtulo ´e realizada uma introdu¸c˜ao te´orica `as quest˜oes do modelo BMS, a partir do qual assumimos os modelos de square-root variance (SRV) e
lognormal variance (LNV), onde se d´a a conhecer as equa¸c˜oes fundamentais e os seus pres-supostos.
No terceiro cap´ıtulo, d´a-se a conhecer um pouco dos trˆes filtros de Kalman mais relevantes, como o linear Kalman filter, o extended Kalman filter e o unscented Kalman filter, nomeada-mente, a maneira como s˜ao usados na estima¸c˜ao dos parˆametros e os seus aspectos positivos e negativos. Neste trabalho, iremos apenas usar o unscented Kalman filter, mas n˜ao ´e poss´ıvel falar deste filtro sem fazer referˆencia aos outros dois.
No quarto cap´ıtulo, s˜ao descritos os dados que iremos considerar e ´e feita uma compara¸c˜ao entre os dois m´etodos desenvolvidos.
No ´ultimo cap´ıtulo, s˜ao apresentadas as conclus˜oes do estudo, algumas dificuldades t´ecnicas inerentes ao modelo e poss´ıveis correc¸c˜oes do modelo.
Em anexo, ´e poss´ıvel consultar o c´odigo desenvolvido, utilizando o software Matlab, para os modelos square-root variance (SRV) e lognormal variance (LNV) bem como, algumas notas
Cap´ıtulo
1
Revis˜
ao da literatura
Sendo o modelo de BMS o mais utilizado na pr´atica, em virtude da sua simplicidade, este n˜ao ´
e o mais correcto. Assumindo uma volatilidade determin´ıstica, o modelo ´e bastante inst´avel no que diz respeito ao c´alculo do pre¸co das op¸c˜oes, facto que para os traders de derivados n˜ao ´e muito bem visto, pois leva a que, diariamente, quando ´e realizada a reavalia¸c˜ao dos seus produtos hajam grandes diferen¸cas, ou seja, existam grandes saltos em termos de valo-riza¸c˜ao/desvaloriza¸c˜ao dos produtos. Assim, torna bastante dif´ıcil fazer o delta hedging dos produtos. No entanto, existe tamb´em o problema de, no modelo BMS, o pricing de op¸c˜oes ex´oticas n˜ao ser o mais correcto, pois o modelo n˜ao leva em conta o smile da volatilidade. Consequentemente, ´e necess´ario desenvolver m´etodos alternativos, de forma a resolver estes problemas. Actualmente, a investiga¸c˜ao de m´etodos alternativos ´e um assunto bastante re-ferenciado na comunidade empresarial e acad´emica, e facilmente se encontra literatura sobre o tema.
Um m´etodo alternativo para combater os problemas do BMS ´e considerar, tanto a volati-lidade, como o pre¸co do activo subjacente, como estoc´asticos. Os modelos de volatilidade estoc´astica s˜ao compostos por duas equa¸c˜oes diferenciais, uma para o pre¸co do activo sub-jacente e outra para a volatilidade, tendo estas equa¸c˜oes um factor de correla¸c˜ao igual a
ρ. O processo seguido pela variˆancia pode ser reconhecido como um square-root process proposto por Cox, Ingersoll e Ross (1985). Tendo v´arias vari´aveis, desconhecidas `a partida, ´
e necess´ario estimar estas vari´aveis recorrendo ao pre¸co das op¸c˜oes europeias que existem no mercado. Este processo ´e bastante moroso e requer um algoritmo de minimiza¸c˜ao su-ficientemente robusto para obter os parˆametros. Havendo v´arios modelos de volatilidade estoc´astica, o mais utilizado e conhecido ´e sem d´uvida o modelo de Heston (1993), o qual recorre `a aplica¸c˜ao de f´ormulas quase fechadas para o c´alculo do pre¸co das op¸c˜oes. O facto de ter f´ormulas quase fechadas, ´e a raz˜ao pela qual o modelo de Heston (1993) ´e preferido em rela¸c˜ao a outros modelos de volatilidade estoc´astica, visto que se poupa bastante tempo computacional.
Tendo o modelo de BMS os problemas descritos anteriormente e os modelos de volatilidade estoc´astica serem bastante exigentes computacionalmente, e dado ser necess´ario um m´etodo bastante robusto para fazer o fitting dos parˆametros, os traders e outros investigadores pen-saram num m´etodo alternativo para obter o pre¸co de op¸c˜oes ex´oticas de uma forma mais consistente com o skew da volatilidade e tamb´em menos exigente computacionalmente. An-tes de D. Breeden e R. Litzenberger (1978), alguns traders perceberam que a densidade neutra face ao risco poderia ser obtida atrav´es dos pre¸cos de mercado das op¸c˜oes europeias. Assim, a grande revela¸c˜ao deste m´etodo veio de Bruno Dupire (1994) para a teoria em tempo cont´ınuo e Emanuel Derman e Iraj Kani (1994) para a teoria em tempo discreto, recorrendo a uma vers˜ao de ´arvores binomiais.
Dupire, Derman e Kani (1994) notaram que, segundo a medida neutra face ao risco, ape-nas existe um ´unico valor do parˆametro de difus˜ao (no modelo de Dupire representado por
σL(K, t) ), consistente com os pre¸cos das op¸c˜oes europeias existentes no mercado. Assim, ´e
poss´ıvel determinar o valor da volatilidade impl´ıcita, atrav´es de uma f´ormula fechada, em que apenas ´e necess´ario ter um conjunto de pre¸cos das op¸c˜oes europeias estratificadas, por pre¸cos de exerc´ıcio e maturidades. O modelo de volatilidade local, tal como o modelo BMS, tem a vantagem de ser dado atrav´es de f´ormulas fechadas, o que aumenta a sua simplicidade. Contudo, Dumas, Fleming e Whaley (1998) demonstraram, atrav´es de uma an´alise emp´ırica, que a dinˆamica da superf´ıcie de volatilidade impl´ıcita n˜ao era consistente com a premissa da volatilidade local constante. Assim, de forma a suprimir alguns dos aspectos negativos apontados anteriormente para estas duas metodologias, construiu-se uma nova metodologia de constru¸c˜ao de superf´ıcies de volatilidade, inspirada no trabalho de Peter Carr e Liuren Wu (2011), a qual ir´a ser explorada neste trabalho.
Cap´ıtulo
2
Superf´ıcie de volatilidade
2.1
Pressupostos
Inicialmente consideramos um mercado composto por 3 activos, um activo com risco, um activo sem risco e uma op¸c˜ao sobre esse activo com risco. De forma a simplificar o modelo, consideramos a taxa de juro sem risco (r) e os dividendos (q) iguais a zero.
Assumindo que n˜ao existe arbitragem no mercado, existe uma medida Q, equivalente `a me-dida f´ısica P, onde S ´e uma martingala.
Podemos tamb´em assumir que o pre¸co S do activo subjacente evolui de forma cont´ınua e como uma semi-martingala estritamente positiva e cont´ınua. Pelo teorema da representa¸c˜ao de martingalas, assumimos que o drift do processo ´e igual a zero e existe um movimento Browniano W em rela¸c˜ao aQ, de forma a que o pre¸co S resolva a seguinte equa¸c˜ao diferencial estoc´astica:
dSt = St√vtdWt, t≥ 0, (2.1)
onde o pre¸co inicial da ac¸c˜ao ´e conhecido e vt designa a variˆancia da taxa de retorno
ins-tantˆanea. Permitimos que vt siga um processo estoc´astico pertencente a ℜ+, de forma a
existir apenas uma solu¸c˜ao ´unica para (2.1).
Assumimos tamb´em que a volatilidade impl´ıcita It(K, T ) ´e uma semi-martingala cont´ınua e
que ´e solu¸c˜ao da seguinte equa¸c˜ao diferencial estoc´astica, segundo a medida de probabilidade neutra face ao risco Q:
dIt(K, T ) = µtdt + φtdZt, t≥ 0, (2.2)
para todo o K ≥ 0 e T ≥ t. Referimo-nos a µt como a m´edia do processo e φt como a
vo-latilidade da vovo-latilidade do processo. Ambos os processos podem ser estoc´asticos e podem depender de quantidades determin´ısticas, tais como, maturidade (T ), pre¸co de exerc´ıcio (K)
e maturidade em todos os instantes do tempo (t). Em suma, a equa¸c˜ao (2.2) assume que instantaneamente, toda a superf´ıcie de volatilidade impl´ıcita deriva de um choque Browniano
dZt.
Permitimos tamb´em a correla¸c˜ao entre o pre¸co da ac¸c˜ao e a sua volatilidade impl´ıcita,
d⟨W, Z⟩t = ρtdt, t∈ [0, T ], (2.3)
onde ρt ´e um processo estoc´astico, no qual toma valores no intervalo [−1, 1].
2.2
Equa¸
c˜
ao parcial diferencial fundamental
Seja Pt(K, T ) o pre¸co de mercado de uma op¸c˜ao de venda europeia com pre¸co de exerc´ıcio
K e maturidade T , e B(St, σ, t; K, T ) a f´ormula do modelo de Black-Merton-Scholes (BMS)
para a op¸c˜ao de venda europeia:
B(St, σ, t; K, T )≡ KN(z(St, σ, t))− StN (z(St, σ, t)− σ
√
T − t), (2.4) onde a fun¸c˜ao de valor real
z(St, σ, t; K, T )≡
ln(K/St)
σ√T − t +
σ√T − t
2 (2.5)
depende da volatilidade e do moneyness da op¸c˜ao de venda. Pela defini¸c˜ao de volatilidade impl´ıcita, temos:
Pt(K, T ) = B(St, It(K, T ), t; K, T ), (2.6)
para todo o t≥ 0, K > 0 e T > t.
Sendo a fun¸c˜ao B(St, σ, t; K, T ) ∈ C(2,2,1) em rela¸c˜ao a ℜ+ × ℜ+ ×[0,T], a f´ormula de Itˆo
pode ser aplicada, de forma a relacionar os incrementos de P com os incrementos de S, I e
t.
De modo a tornar mais clara a nota¸c˜ao, reduzimos o comprimento das equa¸c˜oes seguin-tes, omitindo os argumentos de B e as suas derivadas parciais (Gregos) que s˜ao sempre fun¸c˜ao de St, It(K, T ) e t. O seguinte teorema faz a liga¸c˜ao entre B(St, σ, t; K, T ) e It(K, T )
atrav´es de uma equa¸c˜ao parcial diferencial fundamental, que ´e baseada no principio de n˜ao arbitragem.
2.2. Equa¸c˜ao parcial diferencial fundamental
Teorema 2.1. Segundo a dinˆamica de difus˜ao do pre¸co da ac¸c˜ao em (2.1), a dinˆamica de difus˜ao da volatilidade impl´ıcita em (2.2) e a correla¸c˜ao em (2.3), a ausˆencia de arbitragem numa op¸c˜ao de venda Pt(K, T ) implica que a fun¸c˜ao do pre¸co da op¸c˜ao B(St, σ, t; K, T )
resolva a seguinte equa¸c˜ao parcial diferencial: −Bt= µtBσ+ vt 2S 2 tBSS+ ρtφt √ vtStBSσ+ φ2t 2 Bσσ. (2.7)
Demonstra¸c˜ao: Aplicando o Lema de Itˆo `a equa¸c˜ao (2.6)
dPt(K, t) =BSdSt+ BσdIt(K, T ) + Btdt + 1 2BSSd⟨S⟩t +BSσd⟨S, I(K, T )⟩t+ 1 2Bσσd⟨I(K, T )⟩t, (2.8) onde, d⟨S⟩t= St2vtdt, d⟨S, I(K, T )⟩t= φtρtSt√vtdt, d⟨I(K, T )⟩t= φ2tdt, t≥ 0. (2.9)
Substituindo os elementos da equa¸c˜ao (2.9) na equa¸c˜ao (2.8),
dPt(K, t) =BSdSt+ BσdIt(K, T ) + Btdt + 1 2BSSS 2 tvtdt +BSσφtρtSt √ vtdt + 1 2Bσσφ 2 tdt. (2.10)
Utilizando as equa¸c˜oes (2.1) e (2.2), a equa¸c˜ao (2.10) transforma-se em:
dPt(K, t)− BS √ vtStdWt− BσφtdZt= [ µtBσ+ Bt+ S2 tvt 2 BSS+ ρtφt √ vtStBSσ+ φ2 t 2 Bσσ ] dt. (2.11)
A ausˆencia de arbitragem, implica que existe uma medida Q na qual os processos Pt(K, T ),
Wt e Zt s˜ao martingalas, o que faz com que:
EQ(dPt(K, T )) = 0, EQ(dWt) = 0, EQ(dZt) = 0 com t ≥ 0. Logo, EQ(dPt(K, t)− BS √ vtStdWt− BσφtdZt) = EQ ([ µtBσ+ Bt+ S2 tvt 2 BSS + ρtφt √ vtStBSσ+ φ2 t 2 Bσσ ] dt ) . (2.12)
Aplicando expectativas condicionais aos dois membros e tomando as propriedades do movi-mento Browniano, esta equa¸c˜ao ir´a ser equivalente `a equa¸c˜ao (2.7).
As derivadas parciais de B (Gregos) na equa¸c˜ao parcial diferencial fundamental (2.7) s˜ao o theta (Bt), vega (Bσ), euro gamma (St2BSS), euro vanna (StBSσ) e volga (Bσσ).
Conse-quentemente, esta classe de superf´ıcies de volatilidades impl´ıcitas foi baptizada como modelo Vega-Gamma-Vanna-Volga (VGVV).
Proposi¸c˜ao 2.1. A actual superf´ıcie de volatilidade impl´ıcita It(K, T ) ´e totalmente
determi-nada pelo valor da variˆancia da taxa de retorno instantˆanea vt, pela dinˆamica da volatilidade
impl´ıcita (µt, φt) e pela correla¸c˜ao instantˆanea entre o retorno e a volatilidade impl´ıcita (ρt),
atrav´es da seguinte equa¸c˜ao alg´ebrica:
I2 t(K, T ) 2 − µtIt(K, T )(T − t) − vt 2 − ρtφt √ vtz(St, It(K, T ), t) √ T − t − φ2t 2 [z 2(S t, It(K, T ), t)− It(K, T ) √ T − tz(St, It(K, T ), t)](T − t) = 0. (2.13)
Demonstra¸c˜ao: Os gregos da f´ormula da op¸c˜ao de venda do modelo BMS s˜ao dados por:
Bt =− σ2 2 S 2 tBSS, (2.14) Bσ = σ(T − t)St2BSS, (2.15) SBσS = z(S, σ, t) √ T − tSt2BSS, (2.16) Bσσ = [z2(St, σ, t)− σ √ T − tz(St, σ, t)](T − t)St2BSS.(2.17)
Substituindo (2.14), (2.15), (2.16) e (2.17) na equa¸c˜ao (2.7), ent˜ao
σ2 2 S 2 tBSS =µtσ(T − t)S2BSS + vt 2S 2 tBSS + ρtwt √ vtSt2z(S, σ, t) √ T − tBSS +wt 2 (z 2(S t, σ, t)− σ √ T − tz(St, σ, t))(T − t)St2BSS. (2.18)
2.3. Square-root variance (SRV)
Dividindo a equa¸c˜ao (2.18) por S2
tBSS, σ2 2 =µtσ(T − t) + vt 2 + ρtwt √ vtz(St, σ, t) √ T − t +wt 2 (z 2(S t, σ, t)− σ √ T − tz(St, σ, t))(T − t), (2.19)
obtemos a equa¸c˜ao (2.13) substituindo σ pela superf´ıcie de volatilidade impl´ıcita It(K, T ).
2.3
Square-root variance (SRV)
A literatura muitas vezes constr´oi as superf´ıcies de volatilidades impl´ıcitas recorrendo ao tempo at´e `a maturidade τ ≡ T − t em vez da data de maturidade T , e em termos da medida de moneyness z definida em (2.5) em vez do pre¸co de exerc´ıcio1. Neste trabalho iremos
substituir σ pela volatilidade impl´ıcita It(K, T ) na equa¸c˜ao (2.5):
zt ≡ z(St, It(K, T ), t). (2.20)
Esta medida de moneyness pode ser rescrita como
zt= ln(K)− [ln(St)− I 2 t(K,T )(T−t) 2 ] It(K, T ) √ τ . (2.21)
Se usarmos B(K,T) para representar a medida de probabilidade que adv´em do modelo de Black-Merton-Scholes quando It(K, T ) ´e a volatilidade constante no per´ıodo (t, T ), obtemos
a m´edia e o desvio padr˜ao do pre¸co logar´ıtmico da ac¸c˜ao como EB(K,T )t lnST ≡ lnSt− I2 t(K, T )τ 2 e Std B tlnST ≡ It(K, T ) √ τ . (2.22) Substituindo (2.22) em (2.21), ent˜ao zt= ln(K)− EB(K,T )t lnST StdBtlnST , (2.23)
zt pode ser interpretado como o n´umero de desvios padr˜ao, StdBtlnST, no qual o
loga-ritmo do pre¸co de exerc´ıcio, ln(K), excede o valor da m´edia do pre¸co logar´ıtmico terminal,
EB(K,T )t lnST, no modelo BMS, no qual It(K, T ) ´e a volatilidade constante durante o per´ıodo
(t, T ).
Seja It(z, τ ) a superf´ıcie de volatilidade impl´ıcita como uma fun¸c˜ao da medida z e do tempo
at´e `a maturidade τ , ent˜ao
It(z, τ )≡ It(K, T ). (2.24)
A pr´oxima proposi¸c˜ao representa a superf´ıcie de volatilidade It(z, τ ) numa nova equa¸c˜ao.
Proposi¸c˜ao 2.2. Quando a superf´ıcie de volatilidade impl´ıcita ´e representada em termos de moneyness z e do tempo at´e `a maturidade τ como em (2.24), a equa¸c˜ao alg´ebrica para It(z, τ ) torna-se igual a I2 t(z, τ ) 2 − [µtτ− φ2 t 2 zτ 3 2]It(z, τ )− [vt 2 + ρtφt √ vtz √ τ + φ 2 t 2 τ z 2] = 0. (2.25)
Demonstra¸c˜ao: A equa¸c˜ao (2.25) pode ser directamente obtida pela equa¸c˜ao (2.13) atrav´es de uma mudan¸ca de vari´aveis em que τ = (T−t) e It(z, τ ) = It(K, T ). A rela¸c˜ao imp˜oe uma
forte restri¸c˜ao no comportamento da superf´ıcie de volatilidade impl´ıcita para maturidades mais curtas.
Assumindo que os processos µt e φt s˜ao ambos finitos para cada op¸c˜ao perto da data de
maturidade, colocar τ = 0 na equa¸c˜ao (2.25) implica que o smile em z fica sem declive `a medida que o tempo at´e `a maturidade se vai aproximando de 0:
lim
τ↓0It(z, τ ) =
√
vt, (2.26)
para todo o z. Este resultado deve-se ao facto de no modelo n˜ao se assumirem saltos na dinˆamica do pre¸co da ac¸c˜ao em (2.1).
Em geral, os processos µ e φ podem depender do n´ıvel de volatilidade impl´ıcita I. As-sim, especificando uma fun¸c˜ao param´etrica para µ e φ, ´e poss´ıvel determinar a fun¸c˜ao da volatilidade impl´ıcita It(z, τ ), em que a especifica¸c˜ao mais simples para µ e φ ´e assumir que
ambos s˜ao constantes em rela¸c˜ao a I. Dado que v e ρ j´a s˜ao independentes de I, a equa¸c˜ao (2.25) torna-se quadr´atica em rela¸c˜ao a It(z,τ ) e a f´ormula quadr´atica implica que a
2.3. Square-root variance (SRV)
Infelizmente, Rogers e Tehranchi (2010) mostraram-nos que se os processos µ e φ forem constantes em rela¸c˜ao a K, T e I, ent˜ao existem oportunidades de arbitragem na dinˆamica original das volatilidades impl´ıcitas (2.2). As oportunidades de arbitragem identificadas por Rogers e Tehranchi (2010) podem ser exclu´ıdas se o drift e/ou o processo φ dependerem de I. Desta forma prop˜oe-se uma dinˆamica de revers˜ao para a m´edia da volatilidade impl´ıcita
It2(K, T ):
dIt2(K, T ) = κt[θt− It2(K, T )]dt + 2ωte−ηt(T−t)It(K, T )dZt, (2.27)
onde κ, θ, ω e η s˜ao processos estoc´asticos n˜ao negativos que n˜ao dependem de K, T ou
It(K, T ).
A seguinte proposi¸c˜ao mostra-nos que a dinˆamica da raiz quadrada (2.27) aplicada `a equa¸c˜ao (2.25) ´e quadr´atica em rela¸c˜ao a It(z, τ ).
Proposi¸c˜ao 2.3. Segundo as dinˆamicas estabelecidas nas equa¸c˜oes (2.1), (2.2) e (2.3), quando a volatilidade impl´ıcita segue a dinˆamica estabelecida em (2.27), a superf´ıcie de volatilidade impl´ıcita satisfaz a seguinte rela¸c˜ao quadr´atica,
(1 + κtτ )It2(z, τ ) + (ω 2 te−2ηt ττ32z)I t(z, τ ) − [(κtθt− ω2te−2ηt τ)τ + v t+ 2ρtωt √ vte−ηtτ √ τ z + ω2te−2ηtττ z2] = 0. (2.28)
Demonstra¸c˜ao: Aplicando o Lema de Itˆo `a equa¸c˜ao (2.27) e sendo Yt = It2(K, T ), ent˜ao
d√Yt = ∂√Yt ∂t dt + ∂√Yt ∂I2 t(K, T ) dIt2(K, T ) + 1 2 ∂2√Y2 t ∂2I2 t(K, T ) d⟨It(K, T ) , It(K, T )⟩t, d√Yt = 0 + 1 2Y −1 2 t dIt2(K, T ) + 1 2 ( −1 4Y −3 2 t d⟨It(K, T ) , It(K, T )⟩t ) , d√Yt = 1 2Y −1 2 t ( κt[θt− Yt] dt + 2ωte−ηt(T−t)Y 1 2 t dZt ) − 1 8 ( Y− 3 2 t ( 2ωte−ηt(T−t)Y 1 2 t dZt )2) , d√Yt = 1 2 ([ κtθt √ Yt − κtY 1 2 t ]) dt + ωte−ηt(T−t)dZt− 1 2 ( Y− 3 2 t ( ω2te−2ηt(T−t)Y tdt )) , d√Yt = 1 2 ([ κtθt− ω√t2e−2ηt(T−t) Yt − κtY 1 2 t ]) dt + ωte−ηt(T−t)dZt, dIt(K, T ) = 1 2 ([ κtθt− ωt2e−2ηt(T−t) It(K, T ) − κtIt(K, T ) ]) dt + ωte−ηt(T−t)dZt.
Assim, µt= 1 2 ([ κtθt− ωt2e−2ηt(T−t) It(K, T ) − κ tIt(K, T ) ]) , φt= ωte−ηt(T−t). (2.29) Substituindo (2.29) em (2.25) obtemos, I2 t(z, τ ) 2 − [ 1 2 ([ κtθt− ωt2e−2ηt(T−t) It(K, T ) − κ tIt(K, T ) ]) τ − (ωte −ηt(T−t))2 2 zτ 3 2 ] It(z, τ ) − [vt 2 + ρtωte −ηt(T−t) t √ vtz √ τ + ω 2 te−2ηt(T−t) 2 τ z 2] = 0. (2.30)
Multiplicando ambos os membros por 2 e agrupando os termos com factores comuns, ´e f´acil ver que a equa¸c˜ao (2.30) transforma-se na equa¸c˜ao (2.28).
Dados os coeficientes (κt, ωt, ηt, θt, vt, ρt), ´e poss´ıvel resolver a superf´ıcie de volatilidade
impl´ıcita analiticamente como solu¸c˜ao da equa¸c˜ao quadr´atica (2.28). A equa¸c˜ao quadr´atica tem duas ra´ızes, e uma delas ´e negativa, sendo que a ´unica que nos interessa ´e a positiva, pois ´e a que tomamos como solu¸c˜ao da equa¸c˜ao quadr´atica. Apelidou-se este modelo de
square-root variance (SRV).
2.4
Lognormal variance (LNV)
Em mercado n˜ao listado, o moneyness das op¸c˜oes sobre ´ındices de ac¸c˜oes ´e muitas vezes representado pelo logaritmo do pre¸co de exerc´ıcio sobre o pre¸co spot, ou seja, kt≡ ln(K/St),
em vez da medida de moneyness em (2.5). Seja It(k, τ ) a superf´ıcie de volatilidade impl´ıcita
como uma fun¸c˜ao da medida k e do tempo at´e `a maturidade τ , ent˜ao
It(k, τ )≡ It(K, T ). (2.31)
A seguinte proposi¸c˜ao descreve a restri¸c˜ao alg´ebrica na fun¸c˜ao It(k, τ ).
Proposi¸c˜ao 2.4. Quando a superf´ıcie de volatilidade impl´ıcita ´e representada pela medida kt e pelo tempo at´e `a maturidade τ , ´e poss´ıvel verificar que a fun¸c˜ao de volatilidade impl´ıcita
satisfaz a equa¸c˜ao vt 2 − I2 t(k, τ ) 2 + [µtIt(k, τ ) + ρtφt√vt 2 It(k, τ )]τ + ρtφt√vt It(k, τ ) k − φ2t 8 I 2 t(k, τ )τ 2+ φ2t 2I2 t(k, τ ) k2 = 0. (2.32)
2.4. Lognormal variance (LNV)
Demonstra¸c˜ao: Sendo
z = k It(k, τ ) √ τ + It(k, τ ) √ τ 2 , (2.33)
substituindo na equa¸c˜ao (2.13) e considerando τ = (T − t), ent˜ao
It2(k, τ ) 2 − µtIt(k, τ )τ− vt 2 − ρtφt √ vt ( k It(k, τ ) √ τ + It(k, τ ) √ τ 2 ) √ τ − φ2t 2 [( k It(k, τ ) √ τ + It(k, τ ) √ τ 2 )2 − It(k, τ ) √ τ ( k It(k, τ ) √ τ − It(k, τ ) √ τ 2 )] τ = 0. (2.34)
Juntando os termos comuns e fazendo alguns c´alculos, ´e poss´ıvel verificar que a equa¸c˜ao (2.34) se transforma na equa¸c˜ao (2.32).
Correspondendo a esta nova representa¸c˜ao da superf´ıcie de volatilidade impl´ıcita, prop˜oe-se uma nova dinˆamica para a volatilidade impl´ıcita:
dIt2(K, T ) = κt[θt− It2(K, T )]dt + 2ωte−ηt(T−t)It2(K, T )dZt, (2.35)
que reverte para a m´edia com volatilidade log-normal, com κ, θ, ω e η a serem processos estoc´asticos n˜ao negativos que n˜ao dependem de K, T ou It(K, T ). Como em (2.27),
assu-mimos que η ´e estritamente positivo de forma a manter a estacionaridade do processo.
Proposi¸c˜ao 2.5. Segundo as dinˆamicas apresentadas em (2.1), (2.2) e (2.3), quando a vo-latilidade impl´ıcita segue a dinˆamica logar´ıtmica de revers˜ao para a m´edia apresentada em (2.35), a superf´ıcie de volatilidade impl´ıcita satisfaz a seguinte equa¸c˜ao quadr´atica:
ω2 t 4 e −2ηtττ2I4 t(k, τ ) + [1 + ktτ + ωt2e−2ηt ττ − ρ t √ vtωte−ηtττ ]It2(k, τ ) − [vt+ κtθtτ + 2ρt √ vtωte−ηtτk + ωt2e−2ηt τ k2] = 0. (2.36)
I2 t(K, T ), ent˜ao d√Yt = ∂√Yt ∂t dt + ∂√Yt ∂I2 t(K, T ) dIt2(K, T ) + 1 2 ∂2√Y2 t ∂2I2 t(K, T ) d⟨It(K, T ) , It(K, T )⟩t, d√Yt = 0 + 1 2Y −1 2 t dI 2 t(K, T ) + 1 2 ( −1 4Y −3 2 t d⟨It(K, T ) , It(K, T )⟩t ) , d√Yt = 1 2Y −1 2 t ( κt[θt− Yt] dt + 2ωte−ηt(T−t)YtdZt ) − 1 8 ( Y− 3 2 t ( 2ωte−ηt(T−t)YtdZt )2) , d√Yt = 1 2 ([ κtθt √ Yt − κtY 1 2 t ]) dt + ωte−ηt(T−t)Y 1 2 t dZt− 1 2 ( Y− 3 2 t ( ωt2e−2ηt(T−t)Y2 t dt )) , d√Yt = 1 2 ([ κtθt √ Yt −(κt+ ω2te−2ηt (T−t))Y 12 t ]) dt + ωte−ηt(T−t)Y 1 2 t dZt, dIt(K, T ) = 1 2 ([ κtθt It(K, T ) −(κt+ ωt2e−2ηt(T−t) ) It(K, T ) ]) dt + ωte−ηt(T−t)It(K, T )dZt. Assim, µt= 1 2 ([ κtθt It(K, T ) −(κt+ ωt2e−2ηt (T−t)) It(K, T ) ]) , φt= ωte−ηt(T−t)It(K, T ). (2.37) Substituindo (2.37) em (2.32) obtemos, vt 2 − I2 t(k, τ ) 2 + [ 1 2 ([ κtθt It(K, T )− ( κt+ ωt2e−2η t(T−t))I t(K, T ) ]) It(k, τ ) +ρtωte −ηt(T−t)I t(K, T )√vt 2 It(k, τ )]τ + ρtωte−ηt(T−t)It(K, T )√vt It(k, τ ) k −(ωte−ηt(T−t)It(K, T ))2 8 I 2 t(k, τ )τ 2 + (ωte −ηt(T−t)I t(K, T ))2 2I2 t(k, τ ) k2 = 0. (2.38)
Multiplicando ambos os membros por 2 e agrupando os termos com factores comuns, ´e f´acil ver que a equa¸c˜ao (2.38) transforma-se na equa¸c˜ao (2.36).
Dados os coeficientes (κt, ωt, ηt, θt, vt, ρt), ´e poss´ıvel resolver a superf´ıcie de volatilidade
impl´ıcita analiticamente como solu¸c˜ao da equa¸c˜ao quadr´atica (2.36).
A equa¸c˜ao quadr´atica tem duas ra´ızes, e uma delas ´e negativa, sendo que a ´unica que nos in-teressa ´e a positiva, pois ´e a que tomamos como solu¸c˜ao da equa¸c˜ao quadr´atica. Apelidou-se este modelo de lognormal variance (LNV).
Cap´ıtulo
3
Calibra¸c˜
ao dinˆ
amica
3.1
Introdu¸
c˜
ao
´
E necess´ario estimar para o modelo SRV e LNV seis coeficientes Xk\k−1≡ (κt, ωt, ηt, θt, vt, ρt)⊤
para descrever a superf´ıcie de volatilidade impl´ıcita em rela¸c˜ao aos pre¸cos de exerc´ıcio e ma-turidade das op¸c˜oes. ´E poss´ıvel calibrar os valores Xk\k−1usando um n´umero finito de pre¸cos
de volatilidades impl´ıcitas, atrav´es do qual ´e poss´ıvel construir a superf´ıcie de volatilidade e determinar a sua futura dinˆamica neutra face ao risco. Nesta sec¸c˜ao iremos apresentar uma metodologia para calibrar a superf´ıcie de volatilidade impl´ıcita para diferentes dias. Tendo como valores desconhecidos Xk\k−1, foi necess´ario construir uma superf´ıcie utilizando v´arios
quotes de uma institui¸c˜ao financeira. Como m´etodo utilizado, para fazer a calibra¸c˜ao do modelo, usamos um algoritmo de minimiza¸c˜ao e o unscented Kalman filter. Apesar de uti-lizar apenas o unscented Kalman filter pensamos que seja relevante dar a conhecer o linear
Kalman filter e o extended Kalman filter.
3.2
Linear Kalman filter
O linear Kalman filter ´e um estimador recursivo para sistemas lineares. Foi publicado em 1960 por Rudolph E. Kalman. Este m´etodo ´e usado nos dias de hoje para v´arios campos da engenharia, economia e ciˆencia, e em conjunto com o regulador linear quadr´atico resolve os problemas de controlo lineares quadr´aticos gaussianos. Este filtro ´e composto por duas equa¸c˜oes, a equa¸c˜ao do estado e a equa¸c˜ao de medida:
Xk = Fk· Xk−1+ Bk· uk+ wk, (3.1)
Zk = Hk· Xk+ vk, (3.2)
fun¸c˜ao das entradas de controlo aplicado no vector de entradas de controle uk e wk´e o ru´ıdo
do processo, assumindo uma distribui¸c˜ao normal multivariada de m´edia zero e covariˆancia
Qk. Em rela¸c˜ao `a equa¸c˜ao da medida, esta ´e definida por Zk, onde Hk´e a fun¸c˜ao da medida
e vk´e o ru´ıdo da observa¸c˜ao, assumindo-se como sendo um ru´ıdo branco gaussiano de m´edia
zero e covariˆancia Rk.
A natureza recursiva do filtro significa que apenas o estado anterior e as covariˆancias s˜ao necess´arias para se extrapolar o novo estado, com a ajuda da equa¸c˜ao da medida que se utiliza para corrigir os erros devido `a extrapola¸c˜ao do novo estado. O filtro tem dois passos distintos, a previs˜ao do estado e a previs˜ao da medida. A previs˜ao ou actualiza¸c˜ao do passo temporal utiliza a estimativa do estado anterior para prever o novo estado das vari´aveis. No segundo passo, conhecido por actualiza¸c˜ao da medida, a informa¸c˜ao da mesma no actual estado ´e usada para corrigir a estimativa, de forma a que os resultados produzidos sejam mais precisos.
Actualiza¸c˜ao do estado
Previs˜ao do estado Xbk\k−1 =Fk· bXk−1\k−1+ Bk· uk,
Estimativa da Covariˆancia Pk\k−1 =Fk· Pk−1\k−1· FkT + Qk.
(3.3)
Actualiza¸c˜ao da Medida
Covariˆancia residual Sk=Hk· Pk\k−1· HkT + Rk,
Ganho de Kalman Kk=Pk\k−1· HkT · Sk−1,
Actualiza¸c˜ao da estimativa do estado Xbk\k = bXk\k−1+ Kk· (Zk− Hk· bXk\k−1),
Actualiza¸c˜ao da estimativa da Covariˆancia Pk\k =(I − Kk· Hk)· Pk\k−1,
(3.4)
onde bXk\k ´e a estimativa do estado no momento de tempo igual a k, dadas as observa¸c˜oes at´e ao momento k incluindo o mesmo.
3.3
Extended Kalman filter
Sendo o linear Kalman filter apenas aplic´avel a sistemas lineares, foi necess´ario desenvolver o extended Kalman filter para resolver os problemas em que, ou a equa¸c˜ao da medida n˜ao ´e
3.3. Extended Kalman filter
linear, ou a equa¸c˜ao do estado n˜ao ´e linear, ou ambas n˜ao s˜ao lineares. O extended Kalman
filter ´e aplic´avel a esses problemas desde que a equa¸c˜ao do processo e a equa¸c˜ao da medida sejam diferenci´aveis em rela¸c˜ao `as vari´aveis do estado. No extended Kalman filter, as equa¸c˜ao n˜ao lineares do estado e da medida s˜ao representadas por:
X(t) = f (X(t), U (t)) + w(t), (3.5)
Zm(t) = h(X(t), U (t)) + v(t), (3.6)
onde f e h s˜ao uma fun¸c˜oes n˜ao lineares, U ´e o vector de inputs e w e v representam o ru´ıdo da equa¸c˜ao do estado e da medida. As equa¸c˜oes n˜ao lineares do estado e da me-dida s˜ao linearizadas usando a estimativa anterior do estado em cada instante de tempo e calculando o Jacobiano em rela¸c˜ao `as suas vari´aveis como
Fk=
∂f
∂X( bXk, U (k)) e Hk = ∂h
∂X( bXk, U (k)). (3.7)
Para uma implementa¸c˜ao em tempo discreto do extended Kalman filter, o sistema linear ´e discretizado no tempo atrav´es de Fk para se obter a matriz de transi¸c˜ao do estado, onde ∆t
´
e um intervalo de tempo,
Φk\k−1 = eFk∆t∼= [I + Fk∆t]. (3.8)
As actualiza¸c˜oes do estado e da medida s˜ao as seguintes:
Actualiza¸c˜ao do estado
Previs˜ao do estado Xbk\k−1= bXk−1\k−1+
∫ k k−1
f (X(t), U (t))dt,
Estimativa da Covariˆancia Pk\k−1=Φk\k−1· Pk−1· Φk\k−1.
(3.9)
A integra¸c˜ao pode ser feita usando uma aproxima¸c˜ao simples ou usando o m´etodo de Runge-Kutta.
Actualiza¸c˜ao da Medida
Covariˆancia residual Sk =Hk· Pk\k−1· HkT + Rk,
Ganho de Kalman Kk =Pk\k−1· HkT · Sk−1,
Actualiza¸c˜ao da estimativa do estado Xbk\k = bXk\k−1+ Kk· (Zk− h( bXk\k−1)),
Actualiza¸c˜ao da estimativa da Covariˆancia Pk\k =(I − Kk· Hk)· Pk\k−1.
3.4
Unscented Kalman filter
O uncented kalman filter (UKF) foi inicialmente desenvolvido por S. J. Julier e J. K. Uhlmann (1997) e posteriormente melhorado por E. A. Wan e R. van der Merwe (2001) como m´etodo alternativo ao uso do extended Kalman filter. Quando os sistemas se tornam altamente n˜ao lineares o extended Kalman filter torna-se menos eficiente na sua estima¸c˜ao. Este tem como prop´osito estimar os parˆametros do modelo recorrendo a duas equa¸c˜oes, a equa¸c˜ao do es-tado e a equa¸c˜ao da medida. Neste trabalho apenas iremos considerar o unscented Kalman
filter para a estima¸c˜ao de parˆametros com erros aditivos, de forma a simplificar o modelo e diminuir a sua complexidade computacional.
3.4.1
Unscented transformation
A unscented transformation ´e um m´etodo para calcular as estat´ısticas das vari´aveis aleat´orias que sofreram uma transforma¸c˜ao n˜ao linear. A grande vantagem deste m´etodo em rela¸c˜ao a outros, por exemplo o extended Kalman filter, ´e que atrav´es da escolha cuidadosa de pontos de variˆancia consegue-se capturar correctamente a m´edia e a covariˆancia do processo das vari´aveis aleat´orias normais do modelo e tratar os casos em que a fun¸c˜ao h n˜ao ´e linear. Por exemplo, consideremos uma vari´avel aleat´oria x com dimens˜ao L atrav´es de uma fun¸c˜ao n˜ao linear y = h(x), com x a ter como matriz de covariˆancia Pxx e m´edia x . Um conjunto
de pontos de variˆancia ´e escolhido, de forma a que a sua m´edia e covariˆancia seja x e Pxx
respectivamente. Estes pontos s˜ao ent˜ao aplicados na fun¸c˜ao n˜ao linear y = h(x) para obter a m´edia y e Pyy a matriz de erros do modelo. A vari´avel aleat´oria x ´e aproximada por 2L + 1
pontos de variˆancia ponderados pelos respectivos pesos,
X0 = x Xi = x + ( √ (L + λ)Pxx)i , i = 1, ...L Xi+L = x− ( √ (k + λ)Pxx)i−L, i = L + 1, ..., 2L, (3.11)
com os pesos de W a serem dados por
W0m= λ/(L + λ),
W0c= λ/(L + λ) + (1− α2+ β),
Wim= Wic= 1/2(L + λ) , i = 1, ..., 2L,
(3.12)
onde Wm
3.4. Unscented Kalman filter α2(L+k)−L ´e um parˆametro de escala e a constante α determina a diferen¸ca entre os pontos
de variˆancia em torno de x que se encontra normalmente entre 1 e 0.00001. A constante
k tamb´em ´e um parˆametro de escala que ´e 0 ou 3 − L e o β ´e usado para incorporar a informa¸c˜ao sobre a distribui¸c˜ao de X (para distribui¸c˜oes gaussianas, β = 2 ´e o valor ´optimo). (√(L + λ)Pxx)i ´e a i-´esima coluna da raiz quadrada da matriz (podendo ser, por exemplo,
a matriz triangular inferior da decomposi¸c˜ao de Cholesky). O m´etodo inicia cada ponto de variˆancia atrav´es da fun¸c˜ao h, resultando num determinado conjunto de pontos, usando
Yi = h(Xi). (3.13)
A sua m´edia ´e dada pela m´edia ponderada dos pontos transformados,
y =
2L
∑
i=0
WimYi. (3.14)
A sua covariˆancia ´e dada pelo produto interno ponderado dos pontos transformados,
Pyy =
2L
∑
i=0
Wic[Yi− y][Yi− y]⊤. (3.15)
3.4.2
Unscented Kalman filter
Actualiza¸c˜ao do estado
Sendo a equa¸c˜ao do estado representativa dos nossos factores a estimar, esta ´e igual a b
Xk\k−1 = Xbk−1\k−1+
√
Σx· ϵt, (3.16)
em que √Σx ∈ ℜL×L e a matriz de covariˆ´ ancia dos parˆametros do modelo, e ϵt ∈ ℜL×L ´e
uma vari´avel aleat´oria normal, com m´edia zero e covariˆancia igual `a matriz identidade. Assumindo que os erros s˜ao aditivos, a matriz de covariˆancia condicional ´e
Pk\k−1 = Pk−1\k−1+
√
Σx. (3.17)
Tendo calculado a matriz Pk\k−1, esta ir´a ser utilizada para calcular os pontos de variˆancia
do modelo χk\k−1= [ bXk\k−1 Xbk\k−1+ ν √ Pk\k−1 Xbk\k−1− ν √ Pk\k−1], (3.18) onde ν =√(L + λ) e χk\k−1 ∈ ℜ6×13.
Actualiza¸c˜ao da medida
A equa¸c˜ao da medida corresponde a
yk = h(Xk\k−1) +
√
Σy · et, (3.19)
em que h ´e a fun¸c˜ao que se encontra na equa¸c˜ao (2.28) para o modelo SRV e na equa¸c˜ao (2.36) para o modelo LNV, yk ´e a volatilidade impl´ıcita registada no per´ıodo k e
√ Σy ´e a
matriz de covariˆancia entre os estados e os erros da medida. Usando os pontos de variˆancia determinados em (3.18), temos que
ξk,i = h(χik\k−1). (3.20)
A m´edia e a covariˆancia dos erros da medida ´e calculada atrav´es dos pontos de variˆancia ponderados, como est´a descrito em seguida:
b yk = 2L ∑ i=0 Wi(m)ξk,i, (3.21) b Pyy,k = 2L ∑ i=0 Wi(c)[ξk,i− byk][ξk,i− byk]⊤+ Σy. (3.22)
Usando ybk e ξk,i, a matriz de covariˆancia cruzada ´e
b Pxz,k = 2L ∑ i=0 Wi(c)[χik\k−1− bXk\k−1][ξk,i− byk]⊤, (3.23)
sendo que o ganho de Kalman, a actualiza¸c˜ao do estado e a covariˆancia s˜ao respectivamente:
Kk = Pxz,kPzz,k−1 , (3.24)
b
Xk\k = Xbk\k−1+ Kk(y− byk), (3.25)
Pk\k = Pk\k−1− KkPyy,kKk⊤. (3.26)
3.5
Algoritmo de minimiza¸
c˜
ao
N˜ao tendo qualquer informa¸c˜ao sobre √Σy e
√
Σx, retir´amos de E. A. Wan e R. van der
Merwe (2001) um m´etodo que nos diz que estas matrizes podem ser adaptadas iterativamente, sob a forma: √ Σyk = (1− α) √ Σyk−1+ αKk(yk− byk)(yk− byk)⊤(Kk)⊤, (3.27) √ Σxk = (1− α) √ Σxk−1+ αKk( bXk\k− bXk\k−1)( bXk\k− bXk\k−1)⊤(Kk)⊤, (3.28)
3.5. Algoritmo de minimiza¸c˜ao
em que yk ´e a volatilidade impl´ıcita fornecida por uma institui¸c˜ao financeira, byk ´e a
volatili-dade estimada para o momento do tempo em quest˜ao e bXk\k s˜ao os valores das previs˜oes do
modelo para os seis parˆametros em quest˜ao.
Em seguida utilizamos o algoritmo de minimiza¸c˜ao sugerido em Peter Carr e Liuren Wu (2011), em que o erro pode ser obtido pela decomposi¸c˜ao:
lk = (yk− byk)⊤(yk− byk). (3.29)
Em suma, escolhemos os valores auxiliares dos parˆametros Θ, de forma a minimizar a soma do quadrado dos erros:
Θ ≡ argminΘ
N
∑
k=1
lk(Θ). (3.30)
O m´etodo usado para fazer esta estima¸c˜ao do erro foi o lsqnonlin do Matlab, aliado ao
unscented Kalman filter, com um n´umero m´aximo de itera¸c˜oes de 500. Posteriormente, us´amos o unscented Kalman filter para proceder `a calibra¸c˜ao dinˆamica da superf´ıcie.
Cap´ıtulo
4
Resultados
4.1
Descri¸
c˜
ao dos dados utilizados
O cap´ıtulo em quest˜ao tem como objectivo analisar os resultados dos modelos LNV e SRV, sendo estes suportados pelo c´odigo feito em Matlab, referido em anexo.
Como input, usaram-se as volatilidades observadas diariamente entre 1 de Janeiro de 2008 e 31 de Dezembro de 2011, retiradas de um Banco Portuguˆes. Estas foram constru´ıdas atrav´es de pre¸cos de op¸c˜oes listadas de compra e de venda para o principal ´Indice Alem˜ao (Dax). Sendo o pre¸co das op¸c˜oes dado atrav´es da volatilidade do activo subjacente, ´e poss´ıvel com os dados passar-se directamente `a estima¸c˜ao do modelo.
O Dax, apresenta como uma das suas boas propriedades o facto de n˜ao pagar dividendos, e dado a economia Alem˜a, ser nesta data, a economia mais forte da zona Euro, podemos assumir que a sua taxa de juro sem risco ´e equivalente a zero ou muito pr´oxima de zero, o que torna poss´ıvel aplicar o nosso modelo.
Para a estima¸c˜ao do modelo, assumimos que a matriz dos pre¸cos das op¸c˜oes era apenas composta por trˆes moneyness (95%, 100% e 105%) e 6 maturidades (7 dias, 30 dias, 90 dias, 180 dias, 360 dias e 730 dias). Na Tabela 4.1 est˜ao descritas as estat´ısticas descritivas das volatilidades impl´ıcitas usadas como input para o modelo. Como ´e observado, no per´ıodo entre 2008 e 2011 existiu grande volatilidade no mercado, sendo que o m´aximo de volatili-dade impl´ıcita chegou a 63.83% e o m´ınimo chegou a 10.92%. Damos como exemplo dessa instabilidade, o rebentar da bolha imobili´aria nos EUA e a falˆencia da Lehman Brothers que trouxeram graves problemas financeiros ao Mundo.
4.1. Descri¸c˜ao dos dados utilizados
K/S 95% 100% 105%
Mat A. M´edia Amostral
1 26.07 21.60 19.44 30 25.11 22.14 19.88 90 24.87 22.76 20.96 180 24.76 23.21 21.77 360 24.93 23.71 22.57 730 26.22 24.90 23.74 B. Desvio Padr˜ao 1 9.38 7.96 6.66 30 7.26 6.92 6.40 90 6.03 5.48 5.22 180 4.62 4.38 4.18 360 3.59 3.42 3.26 730 2.49 2.35 2.33 C. M´ınimo 1 12.42 11.41 10.92 30 15.17 11.55 10.67 90 15.62 13.93 12.39 180 17.29 16.17 15.15 360 18.43 17.84 17.07 730 18.91 18.91 18.17 D. M´aximo 1 63.83 56.59 50.10 30 51.04 48.41 45.79 90 57.94 42.68 40.30 180 41.65 39.47 37.44 360 37.92 36.30 34.77 730 37.07 34.37 33.50 E. Mediana 1 24.56 20.17 17.49 30 23.17 20.30 18.11 90 23.18 21.43 19.86 180 23.55 22.17 20.91 360 24.15 23.03 21.99 730 26.21 24.84 23.29
4.2
Modelo SRV
No modelo SRV foi necess´ario escrever a equa¸c˜ao h descrita em (3.13) como solu¸c˜ao da equa¸c˜ao quadr´atica (2.28), composta por seis vari´aveis desconhecidas inicialmente e ainda da medida z que ´e fun¸c˜ao do moneyness e da volatilidade impl´ıcita retirada do mercado. Em termos de erros, como comprovado pela Tabela 4.2, o prazo entre os 30 dias e os 60 dias apresenta o erro m´edio maior, contudo, apesar de ser maior ´e bastante aceit´avel rondando apenas 1% e ainda a varia¸c˜ao explicada (um menos o r´acio da variˆancia dos pre¸cos dos erros sobre a variˆancia da volatilidade impl´ıcita observada no mercado) ´e bastante elevada para estes cen´arios.
K/S 95% 100% 105%
Mat A. Erro quadrado m´edio
1 0.44 0.52 0.35 30 1.16 0.59 0.39 90 1.75 0.34 0.27 180 0.30 0.21 0.30 360 0.28 0.22 0.38 730 0.65 0.38 0.47 M´edia: 0.50 B. Varia¸c˜ao explicada 1 1.00 1.00 1.00 30 0.97 0.99 1.00 90 0.92 1.00 1.00 180 1.00 1.00 1.00 360 0.99 1.00 1.00 730 0.95 0.99 1.00 M´edia: 0.99
Tabela 4.2: Estat´ısticas dos erros das volatilidades.
As Figuras 4.1, 4.2 e 4.3 representam a calibra¸c˜ao dos seis factores do modelo em rela¸c˜ao `as op¸c˜oes sobre o Dax. A Figura 4.1 mostra-nos que a tendˆencia de longo prazo (θ) situa-se geralmente acima da variˆancia da taxa de retorno instantˆanea (v), de forma a capturar a estrutura da volatilidade impl´ıcita em rela¸c˜ao `as op¸c˜oes at-the-money. A Figura 4.2 mostra-nos uma caracter´ıstica comum das op¸c˜oes sobre ´ındices: os trˆes parˆametros presentes neste gr´afico s˜ao bastante pequenos, apesar do parˆametro de revers˜ao para a m´edia (κ) ser bas-tante maior que os coeficientes da volatilidade da volatilidade do modelo (η e ω). Os valores
4.2. Modelo SRV
serem pequenos ´e algo necess´ario para capturar o skew negativo para as maturidades mais longas. A Figura 4.3 mostra-nos o coeficiente ρ sempre negativo e em grande parte dos casos ´
e inferior a−0.5, o que revela uma das propriedades dos ´ındices de ac¸c˜oes que ´e ter um skew persistentemente negativo. 0 100 200 300 400 500 600 700 30 35 40 45 50 55 60 65 70 75 80 Níveis de volatilidade, % √ v √ θ
Figura 4.1: Gr´afico de dois coeficientes que variam com o tempo (√θ e √v).
0 100 200 300 400 500 600 700 0 1 2 3 4 5 6
Drift and diffusion
κ ω η
0 100 200 300 400 500 600 700 −1 −0.9 −0.8 −0.7 −0.6 −0.5 −0.4 −0.3 −0.2 −0.1 Correlação ρ Figura 4.3: Gr´afico de ρ.
4.3
Modelo LNV
No modelo LNV foi necess´ario escrever a equa¸c˜ao h descrita em (3.13) como solu¸c˜ao da equa¸c˜ao quadr´atica (2.36), composta por seis vari´aveis desconhecidas inicialmente e ainda da medida k que ´e fun¸c˜ao do moneyness e da volatilidade impl´ıcita retirada do mercado. Em termos de erros, como comprovado pela Tabela 4.3, o prazo entre os 30 dias e os 90 dias tem o erro m´edio maior, contudo, apesar de ser maior ´e bastante aceit´avel dado rondar apenas 0.5% e a varia¸c˜ao explicada ´e bastante elevada para estes cen´arios.
4.3. Modelo LNV
K/S 95% 100% 105%
Mat A. Erro quadrado m´edio
1 0.26 0.37 0.29 30 0.67 0.38 0.28 90 0.51 0.42 0.38 180 0.22 0.06 0.12 360 0.12 0.06 0.11 730 0.15 0.16 0.12 M´edia: 0.26 B. Varia¸c˜ao explicada 1 1.00 1.00 1.00 30 0.99 1.00 1.00 90 0.99 0.99 0.99 180 1.00 1.00 1.00 360 1.00 1.00 1.00 730 1.00 1.00 1.00 M´edia: 1.00
Tabela 4.3: Estat´ısticas dos erros das volatilidades.
As Figuras 4.4, 4.5 e 4.6 representam a calibra¸c˜ao dos seis factores do modelo em rela¸c˜ao `
as op¸c˜oes sobre o Dax. A Figura 4.4 mostra-nos que a tendˆencia de longo prazo (θ) situa-se situa-sempre acima da variˆancia da taxa de retorno instantˆanea (v), de forma a capturar a estrutura da volatilidade impl´ıcita em rela¸c˜ao `as op¸c˜oes at-the-money. A Figura 4.5 mostra-nos uma caracter´ıstica comum das op¸c˜oes sobre ´ındices: os trˆes parˆametros presentes neste gr´afico s˜ao bastante pequenos, no entanto, o parˆametro da volatilidade da volatilidade (ω) ´
e bastante maior que o coeficiente da revers˜ao para a m´edia (κ) e do segundo parˆametro da volatilidade da volatilidade (η). Os valores serem pequenos ´e algo necess´ario para capturar o skew negativo para as maturidades mais longas. A Figura 4.6 mostra-nos o coeficiente
ρ sempre negativo e em grande parte dos casos ´e inferior a −0.5, o que revela uma das propriedades dos ´ındices de ac¸c˜oes que ´e ter um skew persistentemente negativo.
0 100 200 300 400 500 600 700 0 50 100 150 200 250 Níveis de volatilidade, % √θ √ v
Figura 4.4: Gr´afico de dois coeficientes que variam com o tempo (√θ e √ν).
0 100 200 300 400 500 600 700 0 1 2 3 4 5 6
Drift and diffusion
κ ω η
4.3. Modelo LNV 0 100 200 300 400 500 600 700 −1 −0.9 −0.8 −0.7 −0.6 −0.5 −0.4 −0.3 −0.2 −0.1 0 Correlação ρ Figura 4.6: Gr´afico de ρ.
Cap´ıtulo
5
Conclus˜
ao
Com este trabalho conseguimos implementar dois modelos para o c´alculo de superf´ıcies de volatilidade impl´ıcita, alternativos `a utiliza¸c˜ao do modelo de Heston ou do modelo de vola-tilidade local de Dupire, para determinar a volavola-tilidade impl´ıcita.
Como referimos na introdu¸c˜ao, estes m´etodos foram inspirados no trabalho de Peter Carr e Liuren Wu (2011), onde se pretende construir uma superf´ıcie de volatilidade impl´ıcita que seja menos pesada computacionalmente e que capture o smile da volatilidade. Este m´etodo possibilita erros inferiores aos que normalmente seriam obtidos pelos modelos de volatili-dade estoc´astica e de volatilidade local. Com a an´alise dos resultados dos dois modelos, verific´amos que existe um erro m´edio inferior a 1% e uma varia¸c˜ao explicada na ordem dos 99%, utilizando um algoritmo de minimiza¸c˜ao do software Matlab e o unscented Kalman
filter que constru´ımos para os dois modelos. Em rela¸c˜ao aos dois modelos, tamb´em ´e de notar que o modelo LNV ´e mais robusto e que o erro m´edio ´e, em m´edia, inferior ao do modelo SRV. Contudo, a sua decomposi¸c˜ao de Cholesky tende a dar mais problemas. Importa ainda salientar que assumimos uma taxa de juro e uma dividend yield iguais a zero, de forma a simplificar o modelo.
Na parte da implementa¸c˜ao, as matrizes √Σyt e √
Σxt s˜ao consideradas dinˆamicas o que faz com que possam ser moldadas aos dados que temos. Este m´etodo foi inspirado no artigo de E. A. Wan e R. van der Merwe (2001) que descreve o comportamento e a dinˆamica das matrizes.
Um dos problemas detectados, ´e o facto da matriz Pk\k−1 n˜ao ser em alguns casos
semi-definida positiva , o que faz com que n˜ao seja poss´ıvel utilizar a decomposi¸c˜ao de Cholesky e o m´etodo seja abortado e as estimativas n˜ao sejam fidedignas. Aspectos a melhorar ou a remodelar s˜ao: investigar o que aconteceria se n˜ao tivesse assumido uma taxa de juro e
dividend yield iguais a zero; encontrar uma forma alternativa de fazer a decomposi¸c˜ao de matrizes, para eliminar os casos em que a matriz n˜ao ´e semi-definida positiva; e ainda me-lhorar o algoritmo de minimiza¸c˜ao de forma a tornar mais r´apida a sua rotina, pois a rotina
que usamos (lsqnonlin do Matlab) tem v´arias limita¸c˜oes e demora em m´edia 20 minutos a correr.
Em suma, o modelo tem como principais vantagens a sua velocidade de execu¸c˜ao, pois a partir do momento em que adquirimos os parˆametros auxiliares que foram estimados pela minimiza¸c˜ao, corremos o unscented Kalman filter que demora cerca de 35 segundos a fazer a optimiza¸c˜ao dos dados e d´a-nos a superf´ıcie de volatilidade impl´ıcita para o subjacente em quest˜ao. Neste caso, o ´Indice Alem˜ao Dax e os erros em quest˜ao s˜ao bastante pequenos, ou seja, inferiores a 1%.
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Ap ˆendice
A
Revis˜
ao
A.1
Lema de Itˆ
o
Seja f (t, x) uma fun¸c˜ao de classe C1,2([0, +∞) × ℜ), isto ´e, f: [0, +∞) × ℜ → ℜ, (t, x) →
f (t, x), tem derivada cont´ınua de ordem 1 em rela¸c˜ao a t e tem derivadas continuas de ordem 2 em rela¸c˜ao a x. Seja (Xt)t∈[0,T ] um processo de Itˆo com uma representa¸c˜ao:
Xt= X0+ ∫ t 0 µsds + ∫ t 0 σsdWs, t∈ [0, T ],
ent˜ao, (Yt)t∈[0,T ], sendo que Yt = f (t, Xt) ´e tamb´em um processo de Itˆo e para todo o
t∈ [0, T ], verifica-se que f (t, Xt) = f (0, X0) + ∫ t 0 ∂f ∂t(s, Xs)ds + ∫ t 0 ∂f ∂x(s, Xs)dXs+ 1 2 ∫ t 0 ∂2f ∂2x(s, Xs)σ 2 sds. (A.1)
A.2
Op¸
c˜
oes standard
Assumindo os pressupostos do modelo BMS, os pre¸cos das op¸c˜oes de compra e venda s˜ao dados por, respectivamente:
ct(S, K, T ) = Ste−qτΦ(d1(S, K))− Ke−rτΦ(d2(S, K)) pt(S, K, T ) = Ke−rτΦ(−d2(S, K)) − Ste−qτΦ(−d1(S, K)), com d1(S, K) = ln(St/K) + (r− q + σ 2/2)τ στ d2(S, K) = ln(St/K) + (r− q − σ 2/2)τ στ .
Ap ˆendice
B
C´
odigo em Matlab
B.1
Modelo SRV
B.1.1
Fun¸
c˜
ao H
function X = funtionh(x,tau,money,num) zau=(log(money)+(num^2)*tau/2)/(num*sqrt(tau)); h=@(x)((-(x(3)^2*exp(-2*x(4)*tau)*tau^(3/2)*zau)+ sqrt((((x(3)^2)*exp(-2*x(4)*tau)*tau^(3/2)*zau)^2)-4*(1+x(1)*tau)*-1*((x(1)*x(2)-x(3)^2*exp(-2*x(4)*tau))*tau+x(5)+ 2*x(6)*x(3)*sqrt(x(5))*exp(-x(4)*tau)*sqrt(tau)*zau + (x(3)^2)*exp(-2*x(4)*tau)*tau*zau^2))))/(2*(1+x(1)*tau)); X= h(x)^2; endB.1.2
Fun¸
c˜
ao T
function X = funtiont(x,tau,money,num) zau=(log(money)+(num^2)*tau/2)/(num*sqrt(tau)); t=@(x)((-(x(3)^2*exp(-2*x(4)*tau)*tau^(3/2)*zau)- sqrt((((x(3)^2)*exp(-2*x(4)*tau)*tau^(3/2)*zau)^2)-4*(1+x(1)*tau)*-1*((x(1)*x(2)-x(3)^2*exp(-2*x(4)*tau))*tau+x(5)+ 2*x(6)*x(3)*sqrt(x(5))*exp(-x(4)*tau)*sqrt(tau)*zau + (x(3)^2)*exp(-2*x(4)*tau)*tau*zau^2))))/(2*(1+x(1)*tau)); X= t(x)^2; endB.1. Modelo SRV
B.1.3
Pontos Sigma
function X=sigmas(x,P,c) A=c*chol(P)’; Y = x(:,ones(1,numel(x))); X = [x Y+A Y-A]; endB.1.4
Unscented Kalman Filter1
function [x,P,Q,R]=ukf(x,tau,money,num,P,Q,R)
L=numel(x); %numer of states
alpha=1e-3; %default, tunable
ki=0; %default, tunable
beta=1; %default, tunable
x1=x;
lambda=alpha^2*(L+ki)-L; %scaling factor
c=L+lambda; %scaling factor
Wm=[lambda/c 0.5/(c)+zeros(1,2*L)]; %weights for means Wc=[lambda/c+(1-alpha^2+beta) 0.5/(c)+zeros(1,2*L)];
P=P+Q;
%Q=covariancia de x
X=sigmas(x,P,sqrt(c)); %sigma points around x
[z1,R1,RQ]=UnscentedFilter(X,tau,money,num,Wm,Wc,L,R,x); %z1=media de y %R1=matrix de covariancias de y Z2=h(x)-z1; K=RQ/R1;
x=x1+K*(num-z1); %state update
x(1,1)=abs(x(1,1)); x(2,1)=abs(x(2,1)); x(3,1)=abs(x(3,1)); x(4,1)=abs(x(4,1)); x(5,1)=abs(x(5,1)); if x(6,1)<-1 x(6,1)=-1; elseif x(6,1)>1 x(6,1)=1; else
x(6,1)=x(6,1); end P=P-K*R1*K’; %covariance update Q=diag(diag((1-alpha)*Q+alpha*K*(num-real(max(funtionh(x,tau,money,num),funtiont(x,tau,money,num))))* (num-real(max(funtionh(x,tau,money,num),funtiont(x,tau,money,num))))’*K’)); R=diag(diag((1-alpha)*R+alpha*K*(x-x1)*(x-x1)’*K’)); end
B.1.5
Unscented Kalman Filter2
function [x,P,Q,R]=ukf2(x,tau,money,num,P,Q,R)
L=numel(x); %numer of states
alpha=1e-3; %default, tunable
ki=0; %default, tunable
beta=1; %default, tunable
x1=x;
lambda=alpha^2*(L+ki)-L; %scaling factor
c=L+lambda; %scaling factor
Wm=[lambda/c 0.5/(c)+zeros(1,2*L)]; %weights for means Wc=[lambda/c+(1-alpha^2+beta) 0.5/(c)+zeros(1,2*L)];
P=P+Q;
%Q=covariancia de x
X=sigmas(x,P,sqrt(c)); %sigma points around x
[z1,R1,RQ]=UnscentedFilter(X,tau,money,num,Wm,Wc,L,R,x); %z1=media de y %R1=matrix de covariancias de y Z2=h(x)-z1; K=RQ/R1;
x=x1+K*(num-z1); %state update
x(1,1)=abs(x(1,1)); x(2,1)=abs(x(2,1)); x(3,1)=abs(x(3,1)); x(4,1)=abs(x(4,1)); x(5,1)=abs(x(5,1)); if x(6,1)<-1
B.1. Modelo SRV x(6,1)=-1; elseif x(6,1)>1 x(6,1)=1; else x(6,1)=x(6,1); end P=P-K*R1*K’; end
B.1.6
Unscented Filter
function [y,P1,RQ]=UnscentedFilter(X,tau,money,num,Wm,Wc,n,R,x) L=size(X,2); y=zeros(n,1); Y=zeros(n,L); for k=1:L Y(:,k)=max(real(funtiont(X(:,k),tau,money,num)), real(funtionh(X(:,k),tau,money,num))); y=y+Wm(k)*Y(:,k); %media de y end X1=X-x(:,ones(1,L)); Y1=Y-y(:,ones(1,L));P1=Y1*diag(Wc)*Y1’+R; %matrix de covariancias de y RQ=X1*diag(Wc)*Y1’; end
B.1.7
Matrizes e erros1
function [y,P,Q,R]=teste(y,num,N,M,P,Q,R) for k=1:N money=[0.95 1 1.05]; for JJ=1:M if JJ>=1 && JJ<=3 tau=7/360; [y,P,Q,R]=ukf(y,tau,money(JJ),num(k,JJ),P,Q,R); elseif JJ>=4 && JJ<=6 J=JJ-3; tau=30/360;[y,P,Q,R]=ukf(y,tau,money(J),num(k,JJ),P,Q,R); elseif JJ>=7 && JJ<=9 J=JJ-6; tau=90/360; [y,P,Q,R]=ukf(y,tau,money(J),num(k,JJ),P,Q,R); elseif JJ>=10 && JJ<=12 J=JJ-9; tau=180/360; [y,P,Q,R]=ukf(y,tau,money(J),num(k,JJ),P,Q,R); elseif JJ>=13 && JJ<=15 J=JJ-12; tau=1; [y,P,Q,R]=ukf(y,tau,money(J),num(k,JJ),P,Q,R); else J=JJ-15; tau=730/360; [y,P,Q,R]=ukf(y,tau,money(J),num(k,JJ),P,Q,R); end end end end