• Nenhum resultado encontrado

Terapia larval e divulgação científica no Brasil : até quando serão negligenciadas?

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2021

Share "Terapia larval e divulgação científica no Brasil : até quando serão negligenciadas?"

Copied!
29
0
0

Texto

(1)

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS

Terapia larval e Divulgação Científica no Brasil: Até quando serão negligenciadas?

Paula Blandy Tissot Brambilla Junho de 2018

(2)

Artigo original;

Terapia larval e Divulgação Científica no Brasil: Até quando serão negligenciadas?;

Maggot therapy and scientific disclosure in Brazil: until when will be neglected?;

Terapia con larvas y divulgación científica en Brasil: ¿hasta cuándo será descuidada?

Terapia larval e Divulgação científica.

Paula Blandy Tissot Brambilla; Universidade Federal do Rio Grande do Norte,

Departamento de Microbiologia e Parasitologia, Natal, Rio Grande do Norte.

Renata Antonaci Gama; Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Departamento

de Microbiologia e Parasitologia, Natal, Rio Grande do Norte.

[email protected] ; [email protected] .

Rua Dona Maria câmara, 3558, Capim Macio. Natal-RN, CEP: 59082430.

[email protected] / (84)996747299.

28 páginas, Resumo: 148; Abstract: 151; Resumen: 152 palavras Manuscrito: 3491

palavras

Manuscrito originado do trabalho de conclusão de curso em Ciências Biológicas na

modalidade Bacharelado, de Paula Blandy Tissot Brambilla, 2018. Universidade

Federal do Rio Grande do Norte.

(3)

Terapia larval e Divulgação Científica no Brasil: Até quando serão negligenciadas?

Resumo

Terapia larval utiliza larvas de moscas específicas, desinfectadas, para tratamento de

feridas de difícil cicatrização. Apesar do reconhecimento mundial da técnica, é

altamente negligenciada no Brasil, assim como a divulgação científica que é incipiente

no país, restringindo resultados das pesquisas apenas a academia. O trabalho objetivou

promover a divulgação científica da terapia larval no Brasil em diferentes públicos-alvo.

Utilizando metodologias, estratégias de divulgação e material didático específicos para

cada público-alvo. Resultando produção de folder didático, paródias, vídeo institucional

e apostila sobre terapia larval; Participação em feiras de ciências; Realização "I

Simpósio Nordestino de Terapia Larval" e capacitações para profissionais de saúde em

terapia larval. É primordial para o progresso social a população compreender como a

ciência é aplicada para auxiliar a sociedade. Trabalhos de divulgação científica em

terapia larval trazem à população o conhecimento sobre novas metodologias que podem

ser utilizadas para o cuidado de feridas crônicas.

Palavras-chave: Larvas, Bioterapia, Divulgação Científica, Cicatrização de feridas,

(4)

Abstract

Maggot therapy uses specific fly larvae, disinfected, to treat wounds that are difficult to

heal. Despite the worldwide recognition of the technique, it is highly neglected in

Brazil, as well as the scientific disclosure that is incipient in the country, restricting

research results only to academy. The objective of this work was to promote a scientific

disclosure of maggot therapy in Brazil in several target audience. Using methodologies,

dissemination strategies and specific didactic material for each target audience.

Resulting in folder, parodies, institutional video and apostille about maggot therapy;

Participation in science fairs; Performing "I Northeastern Symposium of Maggot

Therapy" and training for health professionals in maggot therapy. It is essential for

social progress, which the society understand how the science can be used for help the

population. Scientific disclosure work in maggot therapy brings to the population the

knowledge about new methodologies that can be used to care for chronic wounds.

Key words: Larvae, Biotherapy, Scientific Disclosure, Wound Healing, Ulcers,

(5)

Resumen

Terapia larval utiliza larvas de moscas específicas, desinfectadas, para tratamiento de

heridas de difícil cicatrización. A pesar del reconocimiento mundial de la técnica, es

altamente descuidado en Brasil, así como la divulgación científica que es incipiente en

el país, restringiendo resultados de las investigaciones sólo la academia. El trabajo tuvo

como objetivo promover la divulgación científica de la terapia larval en Brasil en

diferentes públicos objetivo. Resultando en el desarrollo de un folleto didáctico,

parodias, video institucional y apostilla sobre la terapia larval; Participación de ferias de

ciencias; Realización "I Simposio Nordestino de Terapia Larval" y capacitación para

profesionales de salud en terapia larval. Es primordial para el progreso social la

población comprender cómo la ciencia se aplica para ayudar a la sociedad. Los trabajos

de divulgación científica en terapia larval traen a la población el conocimiento sobre

nuevas metodologías que pueden ser utilizadas para el cuidado de las heridas crónicas.

Palabras clave: Larvas, Bioterapia, Divulgación Científica, Cicatrización de heridas,

(6)

Introdução

A veiculação de informações científicas através de termos simples e acessíveis bem

como as metodologias e processos empregados na ciência é como José Reis considerado

o "Pai da divulgação científica no Brasil" define o que é divulgação científica1. Nada

mais é do que aproximar a ciência da população, transcender os muros da academia e

desempenhar o papel da ciência que é servir a sociedade. É imprescindível que haja

esforços da classe científica para tornar o conhecimento produzido dentro da academia

acessível à população, a qual é interessada sim em ciência, basta ser em uma linguagem

acessível e uma didática adequada2.

No Brasil as condições de ensino são muitas vezes precárias, as informações sobre

ciência chegam aos alunos e professores, não acadêmicos, apenas por artigos de

jornais1. A divulgação científica no país é praticamente inexistente, quando ocorre não é

feita de forma satisfatória e correta. Os que realizam a divulgação científica pouco

sabem de ciência e educação, poucos são os cientistas que sabem educar e divulgar, e

raros são os professores que sabem educar, divulgar e sabem de ciência3. As

universidades brasileiras não mantêm órgãos específicos ou programas que incentivem

os pesquisadores a realizarem a divulgação científica, o que contribuí para a negligencia

da divulgação científica no país. A atividade fica perdida no meio termo entre as

pesquisas de ponta que deveriam nos levar ao status de primeiro mundo, e o acesso da

informação para educação de base que salva a população da miséria4. Dessa forma se os

pesquisadores que realizam as pesquisas de ponta, não divulgam para população o que

(7)

Quando se trata então de divulgação científica para temas que são alvo de preconceito

dentro da comunidade científica brasileira o panorama é ainda mais dramático com

relação a negligencia da divulgação, essa é a realidade da terapia larval no Brasil.

Aumentar o interesse comum em ciência e despertar a população para a importância do

desenvolvimento científico na sociedade, auxilia a compreensão de como a realização

de pesquisas científicas dentro das universidades impactam diretamente o seu dia-a-dia,

por exemplo, com o aprimoramento de técnicas para o cuidado de feridas crônicas,

como a terapia larval que reduz amputações de membros e uso de antibióticos no

mundo5.

A terapia larval, em síntese, é a aplicação de larvas de moscas desinfectadas com

objetivo de promover o desbridamento, desinfecção e tratamento em feridas de difícil

cicatrização. Utilizando larvas de moscas que se alimentam especificamente de tecidos

necrosados de forma controlada, com um curativo que permite a sobrevivência das

larvas na ferida. As larvas agem de três formas para promover a cicatrização da ferida:

Desbridamento seletivo do tecido necrosado, desinfecção da ferida através dos

compostos químicos contidos na secreções e excreções das larvas, e acelerando o

crescimento tecidual6 .

A terapia larval é utilizada como rotina hospitalar para o tratamento de úlceras de difícil

cicatrização em países como EUA, Israel e Reino Unido, Suíça, Suécia, Alemanha,

Áustria, Hungria, Bélgica, Holanda, Eslovênia, Itália, Ucrânia, México e Canadá e

vários países da Europa7. terapia se mostra eficaz até em pacientes com feridas de

difícil cicatrização colonizadas por bactérias multirresistentes a tratamentos com

antibióticos5. A resistência a antibióticos é um problema global, o qual prolonga o

(8)

Medidas urgentes devem ser tomadas, pois o mundo está caminhando para uma era

pós-antibióticos em que infecções comuns e ferimentos leves voltem a ser fatais8 .

Os profissionais de saúde devem evitar ao máximo prescrever antibióticos quando não

seja estritamente necessário para os pacientes, o setor da saúde deve desenvolver

produtos, soluções e instrumentos para auxiliar a conter essa epidemia global8. A terapia

larval é uma metodologia que auxilia a reduzir a utilização de antibióticos no mundo,

contribuindo com desenvolvimento de tecnologia contra a resistência a antibióticos. As

larvas contribuem não só fagocitando as bactérias no leito da ferida, mas as excretando

em forma de agentes bioativos terapêuticos antissépticos7 .

No Brasil particularmente, as pesquisas realizadas em terapia larval são trabalhos

experimentais, utilizando camundongos, desenvolvendo e padronizando metodologias

de desinfecção, criação e extração de substâncias bioativas das larvas de mosca em

laboratório. Não há no país aplicação da terapia como rotina médica hospitalar. No

entanto, desde 2012 o grupo de pesquisas em Terapia Larval da Universidade Federal

do Rio Grande do Norte é o único no país que realiza pesquisa com aplicações em

pacientes humanos, obtendo ótimos resultados na diminuição de tempo de cicatrização e

cura de feridas de difícil cicatrização em pacientes diabéticos 5,9 .

Apesar do reconhecimento da técnica pela comunidade científica mundial, no Brasil a

terapia larval ainda é bem desconhecida não só entre a grande população, mas entre os

profissionais de saúde, gerando preconceito por falta de esclarecimento sobre a técnica.

Aumentar o acesso à informação promovendo ações de divulgação científica é crucial

(9)

aceitabilidade da terapia quando recebem informações sobre o funcionamento da técnica

7,10-11 .

O presente trabalho teve como objetivo realizar uma ampla divulgação científica sobre

a terapia larval no Brasil. Considerando a grande necessidade de esforços para o

reconhecimento da técnica no país e a carência de divulgação científica para a

população brasileira, desenvolveu-se um planejamento de ações para divulgação

científica em terapia larval para públicos variados no país, e a produção de material

didático em língua portuguesa, contribuindo para aumentar a escassa literatura brasileira

existente no tema.

Metodologia

As estratégias para divulgação científica da terapia larval no Brasil realizaram-se com

um plano de ação em etapas, visando atingir públicos-alvo de seguimentos e níveis de

escolaridade distintos, dessa forma foram desenvolvidos recursos de divulgação,

materiais e metodologias didáticas diferenciadas para uma divulgação adequada a cada

público. Primeiramente houve a classificação e categorização dos públicos-alvo.

Constatou-se que havia três principais públicos-alvo a serem atingidos pela divulgação

científica da terapia larval, sendo eles: População brasileira interessada em ciências,

alfabetizada; Estudantes universitários e pesquisadores; Profissionais da área da saúde,

principalmente técnicos de enfermagem que lidam com feridas crônicas de difícil

cicatrização diretamente em rotina de trabalho.

1º Público-alvo: População brasileira interessada em ciências, alfabetizado letrado.

A divulgação científica foi desenvolvida com uma linguagem simples, coloquial, sem

(10)

cuidadosamente explicados. Para esse público foram utilizadas quatro estratégias de

divulgação científica:

1. Criação de página em plataforma de mídia digital na rede social Facebook,

denominada “TERAPIA LARVAL-LIVE-UFRN”;

2. Participação do grupo de pesquisa em feiras de ciências abertas à comunidade,

CIENTEC, promovidas pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte

(UFRN) anualmente;

3. Desenvolvimento de folders didáticos;

4. Produção de paródias.

2º Público-alvo: Estudantes universitários e pesquisadores.

A estratégia de divulgação científica realizou-se através de duas formas:

1. Apresentação de trabalhos em eventos científicos, congressos, jornadas e

simpósios no Brasil;

2. Organização e realização do “I Simpósio Nordestino de Terapia Larval”,

presencial e à distância.

Todas as palestras do simpósio foram transmitidas ao vivo e on-line, permitindo

interação direta entre os palestrantes e público à distância, através de perguntas e

respostas imediatas. Todos os participantes foram convidados a responder uma pesquisa

de opinião sobre o evento no final do simpósio.

3º Público-alvo: Profissionais da área da saúde

Esse público contou com uma estratégia que além da divulgação científica possuiu

(11)

1. Capacitações em terapia larval para profissionais de saúde;

2. Produção de um filme institucional da Terapia Larval para divulgação, gravado

junto à Secretaria de ensino à distância da UFRN (SEDIS-UFRN);

3. Desenvolvimento de apostila didática.

As capacitações foram realizadas sob a metodologia ativa de ensino TBL (Team-based

learning)12, o material didático para as capacitações, textos para conhecimento prévio do

conteúdo (Figura 1), testes avaliativos, práticas e roteiros foi todo elaborado

especificamente para utilização nessa metodologia de ensino com esse público-alvo

específico.

Resultados

1º Público-alvo: População brasileira interessada em ciências, alfabetizado letrado.

A criação de página em plataforma de mídia digital na rede social Facebook permite a

obtenção de dados quantitativos de todo conteúdo publicado, possibilitando mensurar o

alcance da divulgação científica. A página “TERAPIA LARVAL –LIVE – UFRN” tem

3.064 curtidas, até maio de 2018, somando cerca de 270 mil visualizações nos vídeos e

alcance de pessoas em 49 países. As participações em feiras de ciências possibilitaram a

“População brasileira interessada em ciências, alfabetizada” observar exemplares de

larvas e moscas vivas e aprender mais sobre o tratamento de feridas crônicas de difícil

cicatrização, através dos profissionais de entomologia e enfermagem que realizam o

trabalho. O folder (Figura 2) desenvolvido teve como conteúdo as etapas da terapia

larval do campo até o paciente, explicando aspectos essenciais da biologia, do ciclo de

vida da mosca e a rotina laboratorial para o desenvolvimento da terapia larval até a

(12)

foram compostas e intituladas "Terapia x preconceito" e " Deixa te mostrar a TL"

tocadas e cantadas em feiras de ciências, eventos e simpósios que o grupo participa

junto com o público.

2º Público-alvo: Estudantes universitários e pesquisadores.

Desde 2012 foram apresentados diversos trabalhos em congressos, simpósios e jornadas

regionais e nacionais, entre banners e apresentações orais de diversas áreas como

entomologia, parasitologia, feridas, dermatologia, enfermagem e softwares, no Brasil,

sendo três premiados: 2016 - 1° Lugar modalidade oral/pós-graduação e Prêmio

Adalberto Varela de melhor trabalho do evento na III Jornada de Biologia

Parasitária-UFRN; 2017- Melhor trabalho em andamento ao pôster no XXXVII Congresso da

Sociedade Brasileira de Computação; 2017 – 1° Lugar na modalidade banner/graduação

na IV Jornada de Biologia Parasitária-UFRN.

O “I Simpósio Nordestino de Terapia Larval” teve 61 participantes de 9 estados do

Brasil, o evento teve como tema “Desconstruindo preconceitos para salvar vidas”,

realizado no Instituto Metrópole Digital (IMD) na UFRN em Natal-RN. O local de

realização do evento já sugere o caráter transdisciplinar, o qual abordou não só a parte

metodológica de aplicação da terapia larval, mas também temas transdisciplinares como

o desenvolvimento de softwares para facilitar o trabalho das enfermeiras e pesquisas

com quimiometria e terapia larval. A realização do simpósio promoveu a divulgação da

terapia larval entre o público-alvo “Estudantes universitários e pesquisadores” em Natal

para os participantes presenciais e nas demais cidades do Brasil e exterior, para os

participantes à distância, além de integração entre laboratórios de pesquisa em terapia

(13)

No questionário de opinião sobre o evento 60,6% dos participantes soube do evento

através de redes sociais; 97% dos participantes afirmaram que voltariam a participar de

um evento com esta temática. Como pontos destaque das respostas à pesquisa de

opinião podemos citar: A possibilidade de participar do evento sem sair de casa, e a

prática de aplicação da terapia larval demonstrada durante o simpósio (Figura 3 e

Quadro 2).

3º Público-alvo: Profissionais da área da saúde

As capacitações em terapia larval ministradas no Hospital Universitário Onofre Lopes

(H.U.O.L) em Natal-RN, tiveram 10h de duração em formato teórico-prático

demonstrando aos profissionais de saúde um panorama científico da terapia larval no

Brasil e no mundo por Entomólogos e Enfermeiros. Durante a capacitação os alunos

presenciaram a aplicação e retirada de larvas de um paciente, presenciando a realização

do procedimento médico detalhadamente.

O filme institucional desenvolvido explicita todas as fases da terapia larval, desde a

coleta da mosca em campo até a chegada das larvas desinfectadas ao hospital para a

aplicação no paciente portador de ferida crônica. Filmado em quatro locações

diferentes, cada uma demonstrando sua parte no processo realizado na terapia larval,

como detalhado abaixo:

Locação 1- Parte externa do campus universitário da UFRN: Instalação de armadilhas

para captura de moscas e retirada.

Locação 2 - Laboratório de insetos e vetores: Procedimento de criação e manutenção de

(14)

Locação 3 - Laboratório de microbiologia: Desinfecção dos ovos destinado a terapia

larval e o controle de qualidade microbiológico.

Locação 4 -Hospital Universitário Onofre Lopes: Recebimento das larvas, instrução ao

paciente, aplicação e retirada das larvas.

A apostila elaborada explica de forma detalhada a metodologia e material necessário

para aplicação da terapia larval em unidades de saúde, a ser publicada em plataforma

digital, servindo como literatura primária em língua portuguesa para os profissionais de

saúde que desejam iniciar os estudos em terapia larval.

Discussão

A forma de realizar a divulgação científica no mundo vem mudando rapidamente

através das possibilidades de ampla dispersão promovidas pela internet, tornando a

divulgação menos dispendiosa, com maior alcance, mais popularizada e permitindo uma

inteiração maior entre os pesquisadores e público alvo, comparada aos outros meios de

divulgação científica13. O uso de redes sociais para promoção à saúde vem sendo

aprimorada a cada dia e tem demonstrado resultados positivos como ferramenta de

divulgação14. Os cientistas estão começando a compreender a importância da internet

para divulgação do seu trabalho para população, desenvolvendo conteúdos em forma de

vídeos, podcasts e divulgando em redes sociais. Podemos perceber o poder das redes

sociais na divulgação científica analisando os dados dos questionários de opinião

(Quadro 2) do "I Simpósio Nordestino em Terapia Larval", no qual mais da metade dos

participantes afirmarem ter obtido informação sobre o evento através de redes sociais.

A realização de eventos científicos para estudantes universitários e pesquisadores é uma

(15)

obtidos de forma ampla. A divulgação deveria ser vista pelos pesquisadores como parte

das responsabilidades do pesquisador, tão importante quanto às publicações em revistas

especializadas15. O pesquisador deve compreender o seu papel na divulgação científica,

pois ele é o realizador do trabalho, o qual é fomentado por órgãos federais e instituições

de pesquisas que geralmente levam o crédito pela ciência produzida por ele,

habitualmente divulgadas por pessoas que pouco sabem de ciência, a divulgação

realizada pelo próprio autor é uma forma também de valorização do trabalho do

cientista13.

A divulgação científica possui na sociedade um aspecto ético; Disponibilizar ao público

as informações obtidas na academia fazem com que as pessoas possam pensar e se

posicionar em questões sociais importantes, que abrangem diretamente à sociedade,

como por exemplo, os limites das manipulações com pesquisas em seres humanos.

Discussões desse tipo transcendem os corredores das universidades e hospitais, saber

traduzir esse dilema ético para a grande população de forma acessível é uma difícil

missão15. Aumentar o acesso a informação acerca da terapia larval auxilia o início de

um debate na sociedade sobre a possibilidade de haver essa metodologia terapêutica

como rotina médica para o cuidado de feridas crônicas de difícil cicatrização10 .

A terapia larval é uma metodologia que causa um dilema moral na maioria das pessoas

que não conhece a prática. Larvas tem a imagem cultural relacionada ao oposto de tudo

que é relacionado à saúde e limpeza, sendo esse fato responsável por causar a

dificuldade de aceitação da metodologia como tratamento terapêutico; Para superar a da

antiga ideia que insetos são nocivos à saúde é necessária uma ampla divulgação sobre a

(16)

Marcondes (2006), autor do único livro inteiro escrito existente em língua portuguesa

sobre terapia larval, classifica como "efeito eca" o sentimento de nojo ou repulsa que os

profissionais e pacientes podem sentir ao se deparar com as larvas, enfatizando o papel

do conhecimento sobre a técnica para desmistificar e explicar de forma acessível, em

linguagem clara, como ocorre não só processos que envolvem o desenvolvimento das

larvas para a terapia, mas também o seu modo de ação na ferida16 . Ferraz (2017) ao

trabalhar com aplicações de terapia larval, em pacientes no HUOL, relata que a grande

resistência à terapia ocorre pela classe médica, não pelos pacientes, os quais geralmente

possuem há anos a mesma ferida, muitas vezes já tendo sofrido amputações em dedos

e membros devido a úlcera crônica, dessa forma aceitam sem resistência a proposição

de uma nova terapêutica por perceberem que a convencional não está surtindo efeito,

demonstrando a relevância da divulgação para a sensibilização dos profissionais de

saúde e desconstrução de preconceitos com relação a terapia larval na classe médica17 .

A importância do profissional de saúde ser capacitado em terapia larval, conhecendo o

que é a técnica, é fundamental para que ela possa ser colocada em pauta como rotina

hospitalar no Brasil, pois para realizar terapia larval em uma unidade de saúde é

necessário que se tenha uma equipe multiprofissional, formada por entomólogos e

microbiologistas, atuando em laboratórios para criação e desinfecção das larvas, e por

enfermeiras e técnicas de enfermagem, atuando realizando recebimento das larvas e

aplicação na ferida. Caso a equipe médica se negue a realizar a aplicação, por nojo, por

exemplo, como Thyssen (2017) relata que já ocorreu em uma unidade de saúde ao levar

larvas para aplicação, os outros profissionais envolvidos na equipe não possuem

habilitação para realizar o procedimento, dessa forma a quebra do preconceito na classe

(17)

O formato de divulgação em caráter de capacitação é importante para atingir esse

público, a grande maioria não tem disponibilidade de participar de feiras de ciências e

eventos como simpósios, pois trabalham em regime de plantão, sem flexibilidade de

horários. Realizar a capacitação dentro do próprio hospital torna possível o profissional

realizar uma atividade de formação complementar dentro do seu ambiente de trabalho, e

em seu horário de expediente.

No Brasil e em países com situações socioeconômicas precárias a terapia larval pode ser

muito útil devido ao seu baixo custo e grande eficácia, envolvendo materiais e

metodologias simples de ser aplicadas 16. Sendo assim, não é só uma técnica que custa

pouco para os cofres públicos pelos insumos serem baratos e não dispender de grandes

tecnologias, mas gera benefícios indiretos relacionados aos portadores de úlceras

crônicas, reduzindo o tempo que o paciente permanece necessitando de cuidados e

utilizando o sistema de saúde público do país.

É primordial que os grupos de pesquisa em terapia larval se conectem no país, como

ocorreu no "I Simpósio Nordestino em Terapia Larval", discutindo sobre formas de

promoverem essa pauta de debate na população, articulando ações para ao acesso à

informação e a resultados em pesquisas de ponta na área. A divulgação científica

deveria ser vista como um tema da política pública de um país, e obrigação das

universidades que produzem o novo conhecimento3. Estimulando a população a pensar

que todos nós, não só podemos, mas devemos ter opinião sobre a forma que é aplicada a

verba da saúde no país, para que juntos possamos repensar em maneiras para aplicá-la

(18)

Aumentar o acesso a informação é também produzir material didático na área, no caso

da terapia larval no Brasil a literatura é extremamente escassa, ao realizar uma revisão

sistemática da literatura, procurando em bases de pesquisa artigos em português não se

encontra nem uma dezena com a temática. Existem diversas publicações de

pesquisadores brasileiros em terapia larval no mundo, porém são em língua inglesa. Isso

ocorre, em grande parte, porque as revistas brasileiras em língua portuguesa não têm

fator de impacto tão grande quanto as estrangeiras em língua inglesa e revistas

brasileiras em língua inglesa, desestimulando os autores brasileiros a publicarem em

português, contribuindo para a negligência da terapia larval no país. É importante

ressaltar também o fato de que os autores brasileiros não citam em seus trabalhos outros

autores brasileiros, o que enfraquece a literatura em língua portuguesa no país18. O

desenvolvimento de apostilas como materiais didáticos em língua portuguesa e

disponibilização na internet diminui o abismo literário existente entre as produções de

língua portuguesa e inglesa, democratizando a informação para qualquer indivíduo

fluente em português com acesso à internet interessado em terapia larval.

É impreterível aumentar os esforços em divulgação da ciência e da terapia larval no

país. Os pesquisadores brasileiros devem compreender que é vital para o progresso da

ciência na sociedade que os cidadãos saibam reconhecer o papel da ciência no

desenvolvimento social, sendo a divulgação científica a melhor forma para expor à

população de qual maneira estão sendo investidos os recursos destinados a ciência,

demonstrando a aplicabilidade da ciência para resolver os problemas contemporâneos,

como o desenvolvimento de estudos para o cuidado de feridas crônicas de difícil

cicatrização através de pesquisas em terapia larval. Em um país, como o Brasil, com

(19)

larval, que realiza uma metodologia eficiente e mais barata para a população, é uma

forma de privação ao desenvolvimento de uma consciência crítica para compreender

melhor as questões do mundo em que vivemos, promovendo a manutenção dos padrões

de padecimento em ignorância científica que acomete a população brasileira.

Agradecimentos

À pró-reitoria de extensão da Universidade Federal do Rio Grande do Norte pelo

fomento à pesquisa.

Contribuição dos autores

Paula Blandy Tissot Brambilla, escrita do manuscrito, desenvolvimento e aplicação da

metodologia empregada no trabalho e produção de material didático. Renata Antonaci

Gama, correção do manuscrito, desenvolvimento e aplicação da metodologia empregada

(20)

Referências

1. Massarani L, Moreira I de C, Brito F. Ciência e público: caminhos da divulgação científica no Brasil. 1ed. Rio de Janeiro: Casa da Ciência – Centro

Cultural de Ciência e Tecnologia da Universidade Federal do Rio de

Janeiro;2002. Capítulo Ponto de vista: José Reis; p. 73-77.

2. Pasternak N, Muramatsu M, Soares G. [Importância da divulgação científica - USP analisa] [internet]. São Carlos (SP): Universidade Federal de São Paulo; 17

de Maio de 2017 [citado 9 de junho de 2018]. Podcast: 25 min. Disponível em:

https://jornal.usp.br/radio-usp/radioagencia-usp/importancia-da-divulgacao-cientifica-e-tema-do-usp-analisa/.

3. Massarani L, Moreira I de C, Brito F. Ciência e público: caminhos da divulgação científica no Brasil. 1ed. Rio de Janeiro: Casa da Ciência – Centro

Cultural de Ciência e Tecnologia da Universidade Federal do Rio de

Janeiro;2002. Capítulo a ciência popular; p. 205-206.

4. Massarani L, Moreira I de C, Brito F. Ciência e público: caminhos da divulgação científica no Brasil. 1ed. Rio de Janeiro: Casa da Ciência – Centro

Cultural de Ciência e Tecnologia da Universidade Federal do Rio de

Janeiro;2002. Capítulo Entre ciência e educação; p. 207-208.

5. Pinheiro MARQ, Ferraz JB, Junior MAA, Moura AD, da Costa MESM, Costa FJMD, et al. Use of maggot therapy for treating a diabetic foot ulcer colonized

by multidrug resistant bacteria in Brazil. Indian J Med Res [Internet].

(21)

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25963495%5Cnhttp://www.pubmedcentra

l.nih.gov/articlerender.fcgi?artid=PMC4442332

6. Sherman RA. Mechanisms of maggot-induced wound healing: What do we know, and where do we go from here? Evidence-based Complement Altern

Med. 2014;2014.

7. Masiero FS, Martins DS, Thyssen PJ. Terapia Larval e a aplicação de larvas para cicatrização: revisão e estado da arte no Brasil e no mundo. Rev Thema

[Internet]. 2015;12(1). Disponível em:

http://revistathema.ifsul.edu.br/index.php/thema/article/view/256/140

8. WHO: Antibiotic resistance [Internet]. Genebra(CH): World Health Organization; 5 de fevereiro de 2018 [citado em 9 de junho 2018]. Diponível em

:http://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/antibiotic-resistance

9. Blank, Mara ; Giannini T. Úlceras e feridas tem alma. 1o ed Rio de Janeiro: DI LIVROS EDITORA LTDA; 2014. Capítulo 67 Biocirurgia ; p. 693-697.

10. Cocco A, Araújo E. A terapia larval em pé diabético: uma revisão integrativa. Pôster apresentado em : XXV Congresso de iniciação científica da Unicamp; 18-20 out 18-2017; Campinas, SP.

11. Dallavecchia, Daniele; Proença, Barbara; Coelho V. Bioterapia: uma alternativa eficiente para o tratamento de lesões cutâneas. Rev Pesqui Cuid é Fundam

Online [Internet]. 2009;3(3):2071–9. Disponível em:

http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=505750889022

12. Bollela VR, Senger MH, Tourinho FS V, Amaral E. Aprendizagem baseada em equipes: Da teoria à prática. Rev da Fac Med Ribeirão preto. 2014;47(3):293–

(22)

13. França, ADA. Divulgação científica no Brasil: espaços de interatividade na Web [dissertação]. São Carlos (SP): Universidade Federal de São Carlos; 2015.

14. Gregório G, Antunes M, Acencio F, Vissoci J, Oliveira L. Análise De Uma Fanpage Do Facebook: Promoção Da Saúde De Pessoas Com Fibromialgia.

Saúde e Pesqui Mar. 2016;511–8.

15. Massarani L, Moreira I de C, Brito F. Ciência e público: caminhos da divulgação científica no Brasil. 1ed. Rio de Janeiro: Casa da Ciência – Centro

Cultural de Ciência e Tecnologia da Universidade Federal do Rio de

Janeiro;2002. Capítulo ciência na educação popular; p. 15-23.

16. Marcondes C. Terapia larval de lesões de pele causadas por diabetes e outras doenças. 1 ed. Florianópolis: Editora da UFSC, 2006. 88p. ilus. ISBN

853280352-0

17. Ferraz J B. A Enfermagem no Contexto da Terapia Larval. Apresentado no I Simpósio Nordestino de Terapia Larval; 17 de novembro de 2017; Natal, Rio

Grande do Norte, Brasil.

18. Tyssen P J. Estado da Arte em terapia larval em pesquisas conduzidas no Brasil nos últimos 15 anos. Apresentado no I Simpósio Nordestino de Terapia Larval;

(23)

Figuras e Quadros

Figura 1 – Texto para conhecimento prévio do conteúdo desenvolvido para as capacitações.

(24)
(25)

Quadro 1 - Paródias.

Paródia: Terapia X Preconceito

Música original: Trem Bala (Ana Vilela) Adaptação: Sarah Silva

Paródia: Deixa te mostrar a TL

Música Original: Eu sei de cor (Marília Mendonça)

Adaptação: Larissa Martins Nem sempre o uso do antibiótico é a

solução

Existe outro método eficaz pra cicatrização

Mas infelizmente nem todos conhecem Nem sabem o que é

Outros discriminam, só desconsideram, não tem muita fé

(Refrão)

Sobre a terapia larval Aplicada em um hospital Nós viemos falar

Desfazer esse tal preconceito Abrir mentes com o conhecimento Pra vidas salvar

Atualmente aplicamos as larvas no Onofre Lopes

Em paciente cuja diabetes já é muito forte Queremos divulgar, mostrar que a terapia é muito mais

Para expandir e poder aplicar em outros hospitais

(Refrão)

Sobre a terapia larval Aplicada em um hospital Nós viemos falar

Desfazer esse tal preconceito Abrir mentes com o conhecimento Pra vidas salvar

Laiá laiá laiá laiá laiá Laiá laiá laiá laiá laiá

Desfazer esse tal preconceito Abrir mentes com o conhecimento Pra vidas salvar.

É

Já tá ficando chato, né?

É uma encheção de saco, pois é Essa lesão não tá cicatrizando Repara esse tecido necrosando E todo tratamento eu sei de cor É tanto remedinho que dá dó Mas agora tem escolha pra você Outra forma de tratar e ver A lesão curar sem maltratar você (Refrão)

Deixa,

Deixa eu te mostrar uma terapia Com larvas vindas de laboratório Se alimentam da pele que já morreu E evitam o processo inflamatório Deixou?

Então vamos fazer a terapia Enfermeira auxilia toda hora E quando se der conta, já curou

(26)

Figura 3 - Resposta ao questionário de opinião do "I Simpósio Nordestino em Terapia Larval".

(27)
(28)

Quadro 2 – Respostas ao questionário de opinião.

O que mais e o que menos gostou no evento? "Os palestrantes e o ar condicionado."

"Gostei da palestra da Enf. Julianny e não gostei porque foram apenas 2 dias." "A programação foi ótima, não ficou monótona e foi bem interativa."

"Gostei muito da interação de vários profissionais. O evento poderia ser no final de semana."

"Achei todas as palestras maravilhosas e com temas adequados!" "Gostei das palestras e da organização."

"Gostei muito das práticas que foram mostradas."

"Gostei do evento ser bem aconchegante, parecia que eu conhecia todo mundo. Não foi algo que eu não gostei, foi algo que senti falta, de ver trabalhos exposto para ler nos horários vagos."

"Gostei de tudo não tenho do que reclamar."

"A parte prática foi muito interessante e foi o diferencial do evento. Apenas acho que poderia ser num espaço maior da próxima vez."

"A prática das larvas."

"MAIS: Palestrantes selecionados e o amor que eles tem pela temática... MENOS: ter algum minicurso."

"Organização; temperatura do ar condicionado." "A qualidade dos palestrantes."

"Na transmissão o link no próprio site não funciona, tinha que ir pra o YouTube." "Minha inscrição ainda não foi aprovada no sigaa, tive um pequeno problema na hora do credenciamento devido ao não recebimento do meu email de confirmação. Gostaria de ter um retorno. Email: [email protected]."

"Diversidade das abordagens Falta de pontualidade." "Temática."

"Comprometimento da equipe, e pouco tempo de simpósio!" "Tudo muito bem organizado."

"O áudio pra mim não estava tão nítido.. O que eu mais gostei foi o comprometimento da equipe."

"O que mais gostei foi ter tido a chance de acompanhar online, pois não tive como estar presente fisicamente. Quanto ao que não gostei, não tenho como opinar, pois, nos que me foi oferecido que foi a transmisão ao vivo, não tenho do que reclamar so a agradecer.

(29)

"O simpósio ter sido realizado no IMD e não no CB."

"O que mais gostei foi o tema e o que menos gostei foi o fato de nao poder visualizar completamente os slides."

"De conhecer todos os processos até a inserção da larva na ferida."

"O que mais gostei foi ser transmitido online, e que menos gostei foi a falta de notificação das transmissões."

"Da possibilidade de participar sem precisar sair de casa."

"O que mais gostei foram as palestras, principalmente ao mostrar a resposta do paciente em que conseguimos avaliar nesses momentos o impacto da pesquisa desenvolvida no laboratório."

"Falta de vagas para assistir presencial." "Ótimos palestrantes."

"Primeiro quero dizer que o tema foi super interessante, parabéns a toda equipe. O que menos gostei foi porque não pude esta presente no local do evento mais tive a oportunidade de assistir."

Referências

Documentos relacionados

Áreas do conhecimento: Fisioterapia e Terapia Ocupacional Referências adicionais: Brasil/Português. Meio de

Dessa forma, buscamos analisar o processo da Divulgação Científica realizado na Internet, em especial na página web do Programa de Pós-graduação em Educação e

Esse estímulo ganha chances de aproximar o discurso científico do universo infantil, ainda fora do âmbito escolar (FIGUEIRA-OLIVEIRA, 2006). Os elementos lúdicos

Já foi o tempo em que a ciência podia ser compreendida como verdade absoluta ou definitiva, em que os cientistas, dotados de conhecimento especializado e / ou

7 2 3 3 2 Construção de Conceitos Químicos Análise de ferramentas de Divulgação Científica Espaços não formais de ensino Formação de Professores Pesquisa Bibliográfica.. Quadro

Para tanto, os autores pontuaram alguns elementos que avaliaram como necessários para a construção de um sistema de comunicação que gerasse uma

Promover maior acesso das mulheres a intervenções não médicas durante o trabalho de parto, ações desem- penhadas por enfermeiras, fisioterapeutas e/ou doulas, como suporte contínuo

Contudo, apesar do acréscimo de 22 gigawatts(VIALLI, 2015, s.p.) ao sistema elétrico nacional (muito para a maioria dos países, pouco para a demanda de Beijing), esse