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Jogo de empresas: caracterização e implementação computacional de um modelo para o ensino da logística empresarial

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Academic year: 2021

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(1)i. UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA DE PRODUÇÃO. Lauro César Vieira Filho. JOGO DE EMPRESAS – CARACTERIZAÇÃO E IMPLEMENTAÇÃO COMPUTACIONAL DE UM MODELO PARA O ENSINO DA LOGÍSTICA EMPRESARIAL. Dissertação de Mestrado. Florianópolis 2003.

(2) ii. Lauro César Vieira Filho. JOGO DE EMPRESAS – CARACTERIZAÇÃO E IMPLEMENTAÇÃO COMPUTACIONAL DE UM MODELO PARA O ENSINO DA LOGÍSTICA EMPRESARIAL. Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção da Universidade Federal de Santa Catarina como requisito parcial para obtenção do Grau de Mestre em Engenharia de Produção.. Orientador: Prof. Dr. Bruno Hartmut Kopittke.. Florianópolis 2003.

(3) iii. Ficha Catalográfica VIEIRA FILHO, Lauro César JOGO DE EMPRESAS – CARACTERIZAÇÃO DE UM MODELO PARA O E NSINO DA LOGÍSTICA EMPRESARIAL / Lauro César Vieira Filho. – Florianópolis: PPGEP, 2003. 144 p. :il. ; 25 cm. Inclui bibliografia. 1. Logística 2. Jogos de Empresas 3. Administração 4. Implementação Computacional.

(4) iv. Lauro César Vieira Filho. JOGO DE EMPRESAS – CARACTERIZAÇÃO E IMPLEMENTAÇÃO COMPUTACIONAL DE UM MODELO PARA O ENSINO DA LOGÍSTICA EMPRESARIAL. Esta dissertação foi julgada adequada para a obtenção do título de Mestre em Engenharia de Produção, e aprovada em sua forma final pelo Programa de PósGraduação em Engenharia de Produção.. Prof. Dr. Edson Pacheco Paladini. Coordenador do Curso. BANCA EXAMINADORA:. Prof. Dr. Bruno Hartmut Kopittke. Orientador Prof. Dr. Antonio Galvão Novaes. Prof. Dr. Armando Luiz Dettmer..

(5) v. Dedico este trabalho à memória de meu pai, Lauro César Vieira, homem honrado, cuja lembrança me transmite paz..

(6) vi. AGRADECIMENTOS. A Cristo, meu amigo, confidente e companheiro que colocou as pessoas certas ao meu lado para o egresso e término do curso de mestrado. À minha amada esposa, Juliany, companheira e amiga que sempre permitiu que eu alcançasse vôo, acompanhando de perto os sucessos, desânimos e continuidade em todas as etapas. À minha mãe, Neuma, que sempre acreditou em mim e não mediu esforços para que eu pudesse concluir meus estudos, mesmo nos anos em que passamos por muitas dificuldades. Às minhas queridas irmãs, Giselle e Maria Gentila, por estarem sempre do meu lado. Ao meu amigo, Ary Júnior, pelo incentivo e pela confiança depositada em mim. Ao meu sogro, Sr. Juhir e a minha querida sogra Dª Doris, pelo acolhimento. Ao Prof. Bruno Hartmut Kopittke, pelo apoio, paciência e compreensão dispensados na elaboração deste trabalho, o qual possibilitou o seu desenvolvimento e aprimoramento contínuo. A Armando Luiz Dettmer pelas importantes contribuições no transcorrer deste trabalho. A amiga, Nádia, pela paciência e esmero na correção do texto. A Ary Diniz e Walter Moraes que me incentivaram a buscar novas perspectivas no ensino e na pesquisa. À Faculdade Boa Viagem pela bolsa concedida durante os anos do curso. Por fim, a todos aqueles que de alguma forma colaboraram para a conquista de mais este objetivo de vida, deixo, aqui, o meu mais profundo e sincero agradecimento..

(7) vii. “Ninguém ensina nada a ninguém. Ninguém aprende nada de ninguém. O aprendizado faz-se na medida da necessidade e dos interesses de cada um e da sua motivação.” Paulo Freire..

(8) viii. RESUMO JOGO DE EMPRESAS – CARACTERIZAÇÃO E IMPLEMENTAÇÃO COMPUTACIONAL DE UM MODELO PARA O ENSINO DA LOGÍSTICA EMPRESARIAL Autor: Lauro César Vieira Filho Orientador: Bruno Hartmut Kopittke. Este trabalho apresenta o desenvolvimento de um jogo de empresas para o ensino da logística empresarial. Ressalta-se que, para enfrentar os desafios do mundo moderno, os indivíduos precisam de um aporte de conhecimento, propondo, destarte, os Jogos de Empresas como sistemas capazes de promover o desenvolvimento de habilidades gerenciais através da inserção do participante num ambiente empresarial simulado. Acredita-se que, através do processo contínuo de tomada de decisões e análise dos resultados, os indivíduos sejam capazes de aprender. Visando a obtenção de obter maior familiaridade com o tema proposto, apresentam-se o conceito e a evolução da Logística, suas atividades primárias e de apoio, além de sua situação entre as áreas mais tradicionais da empresa como produção e marketing. A partir da revisão bibliográfica, levantamento de documentos e análise dos jogos já existentes, desenvolveu-se um modelo matemático com a finalidade de proporcionar aos participantes o desenvolvimento de habilidades gerenciais, com ênfase na logística empresarial. A implementação computacional do jogo GI-LOG, com decisões nas áreas de marketing, administração de materiais, administração da produção, distribuição física e administração financeira e contábil, confirma as afirmações encontradas na literatura em relação ao papel da logística na empresa.. Palavras-chave: Logística, Jogos de Empresas, Simulação, Administração, Implementação Computacional.. Universidade Federal de Santa Catarina Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção Dissertação de Mestrado em Engenharia de Produção Florianópolis – Santa Catarina – Brasil – Dezembro 2003..

(9) ix. ABSTRACT BUSINESS GAME - CHARACTERIZATION AND IMPLEMENTATION OF A MODEL FOR THE TEACHING OF BUSINESS LOGISTICS Autor: Lauro César Vieira Filho Orientador: Bruno Hartmut Kopittke. This project presents the development of a business game for the teaching of the business logistics. It highlights that to face the challenges of modern world, individuals need an upgrading of knowledge thus presenting the business game as systems capable of promoting the development of management abilities by inserting the participant in a simulated business environment. It is believed that, through the continuous process of decision making and result analysis those individuals will be able to learn. Aiming at better familiarity with the proposed theme, it is presented a concept and evolution of Logistics, its fundamental and support activities, besides its position among the most traditional business areas such as production and marketing. From the bibliographic review, documents studies and the analysis of already existing games, a mathematical model was developed targeting to provide participants management abilities development emphasizing business logistics. GI-LOG game computer implementation, with decisions based on the areas of marketing, materials management, production administration, physical distribution and financial and accounting administration, confirms statements found in literature in relation to logistics role in the company.. Key. Word: Logistics, Business. Games,. simulation,. Implementation.. Universidade Federal de Santa Catarina Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção Dissertação de Mestrado Engenharia de Produção Florianópolis – Santa Catarina – Brasil – Dezembro 2003.. administration,. computer.

(10) x. SUMÁRIO 1 – INTRODUÇÃO _________________________________________________________ 1 1.1 – Generalidades..................................................................................................................1 1.2 – Questão de pesquisa........................................................................................................2 1.3 – Objetivos.........................................................................................................................3 1.4 – Importância.....................................................................................................................3 1.5 – Limitações.......................................................................................................................4 1.6 – Metodologia....................................................................................................................5 1.7 – Estrutura do trabalho ......................................................................................................6 2 – QUE ESTÁ EM JOGO NA LOGÍSTICA? ____________________________________ 8 2.1 – Logística..........................................................................................................................8 2.1.1 – Conceito_________________________________________________________ 9 2.1.2 – Atividades logísticas _______________________________________________ 11 2.1.3 – Evolução da logística ______________________________________________ 17 2.1.4 – O lugar da logística ________________________________________________ 20 2.2 – Jogo de empresas...........................................................................................................22 2.2.1 – Conceito________________________________________________________ 23 2.2.2 – O surgimento dos jogos de empresas __________________________________ 24 2.2.3 – Classificação dos jogos _____________________________________________ 25 2.2.4 – O Jogo e a aprendizagem vivencial ____________________________________ 26 3 – A ELABORAÇÃO DE UM JOGO DE EMPRESAS____________________________ 30 3.1 – O desafio de um jogo na área de logística ......................................................................30 3.1.1 – Características do jogo _____________________________________________ 32 3.1.2 – Nível de complexidade _____________________________________________ 32 3.1.3 – Público alvo _____________________________________________________ 34 3.1.4 – Papel do animador ________________________________________________ 34 3.2 – Objetivos do jogo..........................................................................................................37 3.3 – Situação modelada .........................................................................................................38 3.3.1 – Cenário_________________________________________________________ 39 3.3.2 – Marketing _______________________________________________________ 40 3.3.3 – Administração de materiais__________________________________________ 48 3.3.4 – Administração da produção _________________________________________ 56 3.3.5 – Distribuição física_________________________________________________ 62 3.3.6 – Administração financeira ___________________________________________ 65 3.3.7 – Administração contábil_____________________________________________ 67 3.4 – Dinâmica do jogo..........................................................................................................71 3.4.1 – Formação das equipes______________________________________________ 71 3.4.2 – Fluxo de informações______________________________________________ 73 3.5 – Avaliação das empresas .................................................................................................74 3.6 – Questionário de avaliação do jogo.................................................................................75 4 – IMPLEMENTAÇÃO COMPUTACIONAL___________________________________ 76 4.1 – Sistema de Apoio à Decisão SAD-LOG........................................................................76 4.1.1 – Organização do sistema ____________________________________________ 77 4.1.2 – Marketing _______________________________________________________ 81 4.1.3 – Administração de materiais__________________________________________ 82 4.1.4 – Administração da produção _________________________________________ 83 4.1.5 – Distribuição física_________________________________________________ 84 4.1.6 – Administração financeira ___________________________________________ 85.

(11) xi. 4.1.7 – Relatórios de resultados ____________________________________________ 86 4.1.8 – Relatórios de custos _______________________________________________ 87 4.1.9 – Relatórios gerais __________________________________________________ 88 4.2 – Editor de roteiro ...........................................................................................................89 4.2.1 – Demanda _______________________________________________________ 90 4.2.2 – Marketing _______________________________________________________ 91 4.2.3 – Administração de materiais__________________________________________ 93 4.2.4 – Administração da produção _________________________________________ 94 4.2.5 – Distribuição física_________________________________________________ 95 4.2.6 – Administração financeira ___________________________________________ 96 4.3 – Simulador......................................................................................................................98 4.4 – Módulo de avaliação......................................................................................................99 5 – CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES ___________________________________ 100 5.1 – Conclusões..................................................................................................................100 5.2 – Recomendações...........................................................................................................101 REFERÊNCIA BIBLIOGRAFIA _____________________________________________ 102 ANEXO A – FORMAÇÃO DAS EQUIPES ____________________________________ 106 A.1 – Fundamentação da metodologia.................................................................................107 A.2 – Divisão das equipes....................................................................................................111 APÊNDICE A – DIVISÃO DAS EQUIPES ____________________________________ 112 A.1 – Cadastro de participante.............................................................................................113 A.2 – Módulo de divisão de equipes.....................................................................................114 APÊNDICE B – GRÁFICOS DE AVALIAÇÃO DAS EMPRESAS__________________ 115 B.1 – Administração de materiais.........................................................................................116 B.2 – Distribuição física.......................................................................................................119 B.3 – Custo total ..................................................................................................................121 B.4 – Resultados e parcela de mercado.................................................................................123 APÊNDICE C – QUESTIONÁRIO DE AVALIAÇÃO DO JOGO__________________ 125.

(12) xii. LISTA DE FIGURAS Figura 1.1 – Resumo das etapas da pesquisa científica (enfoque sistêmico). Figura 2.1 – Relacionamento das atividades de apoio com as atividades primárias. Figura 2.2 – Responsabilidades e objetivos conflitantes das atividades logísticas em firmas tradicionais e algumas contemporâneas. Figura 2.3 – Visão geral das atividades logísticas dentro das atividades tradicionais. Figura 2.4 – Ciclo de aprendizagem vivencial. Figura 3.1 – Atividades do animador na organização do jogo. Figura 3.2 – Relações do mercado com as empresas. Figura 3.3 – Geografia do mundo GI-LOG. Figura 3.4 – Variação da demanda. Figura 3.5 – Dados para cálculo avaliação do efeito da propaganda sobre a demanda. Figura 3.6 – Função de avaliação do efeito da propaganda sobre a demanda. Figura 3.7 – Dados para cálculo avaliação do efeito da assistência técnica sobre a demanda. Figura 3.8 – Função de avaliação do efeito da assistência técnica sobre a demanda. Figura 3.9 – Fluxo de bens e informação do canal de suprimento. Figura 3.10 – Função do custo fixo do transporte. Figura 3.11 – Função do custo variável do transporte. Figura 3.12 – Compensação dos custos de acordo com o tamanho do lote de insumos Figura 3.13 – Mapa rodoviário do micromundo GI-LOG. Figura 3.14 – Relações financeiras do micromundo GI-LOG. Figura 3.15 – Fluxo de informações do jogo GI-LOG. Figura 4.1 – Diretorias sugeridas para as equipes administrativas. Figura 4.2 – Divisão de atividades do SAD-LOG. Figura 4.3 – Tela de abertura do SAD. Figura 4.4 – Menu de controle de simulação. Figura 4.5 – Caixa de diálogo de fechamento do período. Figura 4.6 – Menu de navegação. Figura 4.7 – Tela de decisões e acompanhamento de marketing. Figura 4.8 – Informações do cenário. Figura 4.9 – Tela de decisões e acompanhamento da administração de materiais. Figura 4.10 – Tela de decisões e acompanhamento da administração de produção. Figura 4.11 – Tela de decisões e acompanhamento da distribuição física. Figura 4.12 – Mapa rodoviário. Figura 4.13 – Tela de decisões e acompanhamento da administração financeira. Figura 4.14 – Relatório de desempenho. Figura 4.15 – Relatório de custos. Figura 4.16 – Relatórios gerais. Figura 4.17 – Grupos de animação. Figura 4.18 – Grupos de animação DEMANDA. Figura 4.19 – Grupos de animação MARKETING. Figura 4.20 – Grupos de animação de administração de materiais. Figura 4.21 – Grupos de animação de administração da produção. Figura 4.22 – Grupos de animação de distribuição física. Figura 4.23 – Grupos de animação de administração financeira. Figura 4.24 – Tela do simulador GI-LOG 1.0. Figura 4.25 – Módulo de avaliação das empresas. Figura A.1 – Dualidade cerebral..

(13) xiii. Figura A.2 – Quadralidade cerebral (modelo de Ned Herrmann). Figura A.3 – Aptidões cerebrais plenas (modelo de Miranda). Figura A.4 – Tela de cadastro de participante. Figura A.5 – Módulo de divisão de grupos. Figura B.1 – Custos totais periódicos com manutenção de estoque de insumos. Figura B.2 – Custos totais acumulados com manutenção de estoque de insumos. Figura B.3 – Custos totais periódicos com transporte de insumos. Figura B.4 – Custos totais acumulados com transporte de insumos. Figura B.5 – Custos totais periodicos com obtenção de insumos. Figura B.6 – Custos totais acumulados com obtenção de insumos. Figura B.7 – Custos totais periódicos com estoque de P.A. Figura B.8 – Custos totais acumulados com estoque de P.A. Figura B.9 – Custos totais periódicos com transporte de P.A. Figura B.10 – Custos totais acumulados com transporte de P.A. Figura B.11 – Custos totais periódicos (somatório dos gastos com transporte e estoque). Figura B.12 – Custos totais acumulados (somatório dos gastos com transporte e estoque). Figura B.13 – Custo periódico de fabricação de P.A. Figura B.14 – Custo médio de fabricação de P.A. Figura B.15 – Resultado acumulado. Figura B.16 – Evolução dos percentuais de parcela de mercado. Figura B.17 – Parcela de mercado atual..

(14) xiv. LISTA DE TABELAS Tabela 2.1 – Percentual da carga transportada por modo de transporte - 1996-2000.................13 Tabela 2.2 – Extensão total das rodovias pavimentadas e não-pavimentadas - 1996-2000.........13.

(15) xv. LISTA DE QUADROS Quadro 2.1 – Sumário de contribuições ao conceito da logística................................................11 Quadro 2.2 – Decisões periódicas dos jogadores.......................................................................32 Quadro 3.1 – Possibilidades de alterações na demanda..............................................................35 Quadro 3.2 – Possibilidades de alterações no marketing............................................................35 Quadro 3.3 – Possibilidades de alterações na administração de materiais...................................36 Quadro 3.4 – Possibilidades de alterações na administração da produção..................................36 Quadro 3.5 – Possibilidades de alterações na distribuição física.................................................36 Quadro 3.6 – Possibilidades de alterações na administração financeira......................................37 Quadro 3.7 – Situação inicial da demanda e parcelamento de mercado, período 1.....................42 Quadro 3.8 – Efeitos dinâmicos dos gastos com propaganda....................................................42 Quadro 3.9 – Efeitos dinâmicos dos instrumentos políticos de venda.......................................44 Quadro 3.10 – Situação inicial da demanda e parcela de mercado, período 1. ............................46 Quadro 3.11 – Preço e variação da demanda para o período 1...................................................46 Quadro 3.12 – Situação final da demanda e parcela de mercado, período 1. ..............................46 Quadro 3.13 – Preço e variação da demanda para o período 2 ..................................................47 Quadro 3.14 – Situação final da demanda e parcela de mercado, período 2. ..............................47 Quadro 3.15 – Custos fixo e variável dos veículos utilizados pela transportadora. .....................50 Quadro 3.16 – Aumento dos custos de produção com a adoção de turnos extras de trabalho. ..59 Quadro 3.17 – Taxas para cálculo da depreciação de acordo com o turno de produção.............61 Quadro 3.18 – Percentuais de entrega de produtos acabados por região....................................65.

(16) 1. 1 – INTRODUÇÃO Este capítulo relata o contexto no qual a pesquisa está inserida, destacando o caráter multidisciplinar dos jogos de empresa. Destaca, ainda, que, para enfrentar os desafios do mundo moderno, os indivíduos precisam de um aporte de conhecimento, além de propor os Jogos de Empresas como sistema capaz de promover o desenvolvimento de habilidades gerenciais através da inserção do participante em um ambiente empresarial simulado. Acredita-se que através do processo contínuo de tomada de decisões e análise dos resultados, os indivíduos sejam capazes de aprender.. 1.1 – Generalidades As pesquisas na área de jogos de empresas têm um caráter multidisciplinar. Elas envolvem, ao mesmo tempo, aspectos comportamentais, modelagem matemática bem como a utilização de novos métodos de ensino. No Laboratório de Jogos de Empresas da Universidade Federal de Santa Catarina, os trabalhos envolvem a criação de micromundos1 virtuais baseados em modelos matemáticos desenvolvidos para simular os ambientes das empresas, nos quais é possível estudar tanto as inovações da engenharia de produção e gestão de negócios como tendências já consolidadas. As pesquisas no Laboratório de Jogos de Empresas (LJE) estão baseadas, prioritariamente, em dois jogos: GI-EPS e LÍDER. O jogo de empresas GI-EPS (Gestão Industrial – Engenharia de Produção e Sistemas) é um jogo de administração geral que simula um ambiente empresarial competitivo, no qual os participantes têm que tomar decisões nas áreas de marketing, finanças e produção. O objetivo do jogo é obter o melhor desempenho financeiro, sendo que as decisões de uma equipe influenciam no desempenho das outras. De acordo com HERMENEGILDO (1996, p.32-33)2, o modelo do jogo de empresas GI-EPS foi desenvolvido pelo Grupo de Desenvolvimento Gerencial, hoje designado Laboratório de Jogos de Empresas, do Departamento de Engenharia de Produção da Universidade Federal de Santa Catarina, coordenado pelo Professor Bruno Hartmut Kopittke, entre os anos de 1987 e 1988. A inspiração para a criação do jogo veio de experiências O termo micromundo é utilizado para descrever o ambiente criado para o aprendizado baseado em experiências. HERMENEGILDO, Jorge L. Silva. A utilização da padronização como ferramenta da qualidade total para o desenvolvimento do jogo de empresas. Florianópolis. Dissertação apresentada à Universidade Federal de Santa Catarina – Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção.1996. 1 2.

(17) 2. vivenciadas pelos criadores3 como participantes de outros jogos, leitura de manuais e literatura, entre eles o trabalho de FRIES (1985).4 Também desenvolvido pelo Grupo de Desenvolvimento Gerencial em 1990, o jogo Líder é um jogo que simula a gestão de recursos humanos, tendo como cenário o relacionamento do gerente de produção de uma empresa com seus subordinados. O objetivo é tornar a empresa competitiva, trabalhando com funcionários produtivos e motivados. Segundo NIVEIROS (1998, p.9)5, este jogo de empresas surgiu para preencher uma lacuna existente na área de desenvolvimento de recursos humanos utilizando recursos da informática. Os jogos disponíveis no mercado nacional nesta área, antes do LÍDER, eram manuais e implementados através de formulários e tabelas. Por esse motivo, mostravam escassez de variáveis interagindo nos modelos. O registro da evolução do jogo de empresas LÍDER pode ser visto no trabalho exposto por NIVEIROS (1998, p. 12-13). Os jogos desenvolvidos no LJE vêm sendo aplicados com muito sucesso nos cursos de graduação e pós-graduação da Universidade Federal de Santa Catarina, cursos de especialização oferecidos pela Escola de Novos Empreendedores (ENE), vinculada à Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação da Universidade Federal de Santa Catarina, e em várias outras instituições de ensino superior. Desde então, várias pesquisas vêm sendo desenvolvidas sobre a utilização dos jogos de empresas e adaptação para objetivos específicos. As pesquisas realizadas no LJE sobre a criação, utilização e adaptação dos jogos a objetivos específicos, até o presente momento, não abordam questões ligadas ao ensino da logística empresarial.. 1.2 – Questão de pesquisa É possível desenvolver um jogo de empresas que facilite o processo de ensinoaprendizagem da logística empresarial?. A equipe que desenvolveu o jogo GI-EPS era formada pelos professores Bruno Hartmut Kopittke, Willy Sommer, Sérgio Coelho e os programadores/analistas Fábio Duarte e Jorge Destri. 4 FRIES, Carlos Ernari. Jogo de Empresas: caracterização de um modelo e implementação computacional. Dissertação de Mestrado apresentada à Universidade Federal de Santa Catarina – Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção. 1985. 5 NIVEIROS, Sofía Inês. Estudo e Aperfeiçoamento do Modelo das Maturidades dos Funcionários no Jogo de Empresas Líder. Dissertação apresentada à Universidade Federal de Santa Catarina – Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção. 3.

(18) 3. 1.3 – Objetivos Este trabalho propõe o desenvolvimento de um jogo de empresas para o ensino da logística empresarial. Para satisfazer as necessidades decorrentes da busca de tal objetivo, definiram-se objetivos secundários. Cada um desses objetivos possui uma ênfase específica como pode ser observada na sua enumeração a seguir: •. Conhecer as atividades da Logística Empresarial;. •. Analisar a utilização dos Jogos de Empresas com instrumento de educação;. •. Elaborar o modelo matemático do jogo através da identificação das áreas de atuação empresariais que devem ser incorporadas ao modelo do jogo para o desenvolvimento de habilidades gerenciais com ênfase na logística empresarial;. •. Criar e implementar um Sistema de Apoio à Decisão para auxiliar o processo de tomada de decisão e facilitar fluxo de informações entre os envolvidos na simulação;. •. Desenvolver e realizar a implementação computacional de um Editor de Roteiros para facilitar o trabalho do animador na criação de cenários empresariais;. •. Realizar a implementação computacional do Simulador.. 1.4 – Importância Não é novidade para ninguém que, tanto no cenário mundial quanto no do Brasil, experimentam-se transformações significativas na sociedade. Avanços tecnológicos, busca constante por mais qualidade de produtos e serviços, mudanças na economia e no comportamento das pessoas, aumento da competitividade e a globalização são algumas dessas mudanças que afetaram e continuam perturbando o ambiente empresarial, tornando a administração das empresas mais complexa e dinâmica. DRUCKER (2001, p.23)6 relata que “a cada poucas centenas de anos ocorre na história ocidental uma grande transformação. Em poucas décadas, a sociedade se organiza – muda sua visão de mundo, seus valores básicos, sua estrutura social e política, suas artes, suas instituições financeiras. Cinqüenta anos depois, há um novo mundo. E as pessoas jovens, então não. 6. DRUCKER, Peter Ferdinand. O melhor de Peter Drucker: o homem. São Paulo: Nobel, 2001..

(19) 4. conseguem nem imaginar o mundo em que seus avós viveram e no qual seus próprios pais nasceram”. Em um ambiente cada vez mais competitivo e de fronteiras cada vez mais distantes, as empresas perceberam que muitas das expectativas de seus clientes, como prazo de entrega, nível de serviço e até disponibilidade estavam intimamente ligadas à qualidade dos seus serviços logísticos.7 Observa-se que em um ambiente que muda constantemente, a filosofia da administração precisa se adaptar às exigências do mercado. A logística, que até recentemente era tratada apenas nos níveis tático e operacional, passa a ter participação também no nível estratégico e torna-se, reconhecidamente, uma área de grande importância, ou para se obter vantagem competitiva visando a uma maior fatia de mercado, ou para garantir a sobrevivência da empresa. Para enfrentar esses novos desafios, os indivíduos precisam de um aporte de conhecimento. Os Jogos de Empresas são sistemas planejados para inserir o participante em um ambiente empresarial simulado e, através do processo contínuo de tomada de decisões e análise dos resultados e cenários, sejam capazes de promover o desenvolvimento de habilidades gerenciais.. 1.5 – Limitações Os Jogos de empresas permitem simular anos em um curto espaço de tempo. Entretanto, o tempo não é um aliado na elaboração dos jogos. A criação do modelo matemático, assim como sua implementação computacional e teste, são a tividades demoradas. Em função disso, não foi possível realizar uma aplicação piloto do jogo desenvolvido. Entretanto, esse fato não impede a validação do modelo proposto como ferramenta de ensino. A operacionalização do sistema e o modelo conceitual do jogo foram testados e confrontados com a literatura existente nas áreas de logística e jogos de empresas de forma exaustiva. O trabalho não pretende exaurir as questões do ensino da logística empresarial através do uso de jogos de empresas. Incentivam-se outros estudos como incorporação de novas variáveis ao modelo proposto e o desenvolvimento de um programa para uso do jogo como um BIENSTOCK, C.C., MENTZER, J.T., BIRD, M.M. Measuring Physical Distribution Service Quality Journal of the Academy of Marketing Science, 17 (Winter 1989): 53-62. apud Moraes, Mauro Neves, Lacombe, André. Medição de Qualidade em Serviços de Distribuição: Um Estudo de Caso. Anais do 23º Encontro Nacional da Associação Nacional dos Programas de Pós-graduação em Administração. Foz do Iguaçu: ANPAD, 1999. 7.

(20) 5. “Laboratório de Logística e Desenvolvimento Gerencial”, aumentando ainda mais suas potencialidades pedagógicas. O jogo desenvolvido destina-se especificamente ao ensino da disciplina, descartando, a princípio, as possibilidades de emprego em atividades relacionadas a pesquisas econômicas ou à resolução de problemas reais.. 1.6 – Metodologia Tendo em vista que o objetivo da pesquisa é a elaboração de um jogo de empresas para o desenvolvimento de habilidades gerenciais com ênfase na logística empresarial, faz-se necessário conhecer as atividades da Logística Empresarial, analisar a utilização dos Jogos de Empresas como instrumento de educação e identificar as áreas de atuação da logística na empresa. A partir do estudo bibliográfico sobre as funções da logística na empresa, foram determinadas as áreas da administração que deveriam ser incorporadas ao modelo matemático do jogo. A aná lise dos jogos existentes e a identificação das atividades logísticas auxiliaram na escolha do conjunto de decisões que os participantes deveriam tomar a cada período. Para formar o conjunto final de decisões, foi realizada uma pesquisa experimental buscando verificar o grau de dificuldade de estruturar um modelo matemático que abordasse todas as áreas da logística. Objetivou-se incluir o maior número de variáveis identificadas, mas, principalmente, as variáveis que determinavam as atividades indispensáveis para o cumprimento da missão logística. O desenvolvimento do modelo matemático do jogo foi realizado concomitantemente à análise das variáveis em questão.. Foram utilizados como fontes de dados os seguintes itens: •. Livros, revistas e periódicos especializados nas áreas de Logística e Jogos de Empresas.. •. Trabalhos de dissertações e teses nas áreas de Logística e Jogos de Empresas.. •. Jogos de empresas existentes na área de Logística e Administração..

(21) 6. A figura 1.1 apresenta um resumo das etapas da pesquisa científica com enfoque. Pesquisa Bibliográfica. sistêmico.. ? Conhecer as atividades da Logística Empresarial. ? Analisar a utilização dos Jogos de Empresas na educação.. Determinação das Variáveis. Feedback. ? Analisar os jogos existentes na área.. Pesquisa Bibliográfica. ? Identificar quais variáveis devem ser incorporadas ao modelo do jogo para o ensino da disciplina.. Desenvolvimento do Modelo Matemático. Feedback. ? Verificar a influência das variáveis no modelo do matemático.. Determinação das Variáveis. ? Formar o conjunto de decisões que os participantes terão que tomar ao longo das simulações.. Implementação Computacional. Feedback. ? Sistema de Apoio a Decisão ? Editor de Roteiros ? Simulador. Modelo Matemático. ? Módulo de Avaliação. Figura 1.1 – Resumo das etapas da pesquisa científica (enfoque sistêmico). Fonte: Lauro César Vieira (2003). 1.7 – Estrutura do trabalho Este trabalho propõe a elaboração de um jogo de empresas para o desenvolvimento de habilidades gerenciais com ênfase na logística empresarial. Está divido em cinco capítulos. O primeiro relata o contexto no qual a pesquisa está inserida, destacando o caráter multidisciplinar dos jogos de empresa. Destaca, ainda, que para enfrentar os desafios do mundo moderno, os indivíduos precisam de um aporte de conhecimento, e propõe os Jogos de Empresas como sistemas capazes de promover o desenvolvimento de habilidades gerenciais através da inserção do participante em um ambiente.

(22) 7. empresarial simulado. Acredita-se que, através do processo contínuo de tomada de decisões e análise dos resultados, os indivíduos sejam capazes de aprender. Com o intuito de obter maior familiaridade com o tema proposto, o segundo capítulo apresenta o conceito de Logística e suas atividades primárias e de apoio. Em seguida, é realizado um breve relato sobre a evolução da disciplina a fim de compreender o contexto atual da logística e situá-la entre as áreas mais tradicionais da empresa como produção e marketing. A segunda parte deste capítulo trata das considerações sobre jogos de empresas: conceito, surgimento e classificação, além de apresentar a aprendizagem vivencial como base pedagógica para utilização dos jogos. O terceiro capítulo relata os desafios de um jogo na área de logística com a apresentação do conjunto de decisões que os jogadores deverão tomar a cada período. Descreve as etapas de criação do jogo de empresas GI-LOG. Relata os objetivos do jogo, o cenário no qual os participantes terão que basear suas decisões, dinâmica do jogo e o fluxo de informações. Apresenta, ainda, o modelo matemático que é expresso em formas de regras ao longo do capítulo. O penúltimo capítulo trata da implementação computacional. É apresentado o conjunto de programas que compõem o jogo de empresas GI-LOG: Sistema de Apoio à Decisão, Editor de Roteiros, Simulador e Módulo de Avaliação das Empresas. Por fim, as conclusões e recomendações para futuros trabalhos..

(23) 8. 2 – QUE ESTÁ EM JOGO NA LOGÍSTICA? Com o intuito de obter maior familiaridade com o tema proposto, este capítulo apresenta o conceito de Logística e suas atividades primárias e de apoio. Em seguida, é realizado um breve relato sobre a evolução da disciplina a fim de compreender o contexto atual da logística e situá-la entre as áreas mais tradicionais da empresa como produção e marketing. A segunda parte desse capítulo trata das considerações sobre jogos de empresas: conceito, surgimento e classificação, além de apresentar a aprendizagem vivencial como base pedagógica para utilização dos jogos. Por fim, é relatado o desafio do jogo GI-LOG com a apresentação do conjunto de decisões que os jogadores devem tomar a cada período.. 2.1 – Logística O significado dado à Logística Empresarial não é o mesmo para todas as pessoas, até mesmo para especialistas e estudiosos do assunto. De acordo com o Conselho Nacional de Administração da Distribuição Física dos Estados Unidos, a área é representada por vários nomes: transporte, distribuição, distribuição física, suprimento e distribuição, administração de materiais, entre outros. (BALLOU, 1993, p.23) 8 A palavra logística é de origem francesa, vem do verbo loger, que quer dizer “alogar”; sua origem está ligada às operações militares e significa a arte de transportar, abastecer e alojar as tropas. Com o tempo, o termo tomou um significado mais amplo e passou a ser utilizado também na indústria. Assim, a logística passou a ser definida como a arte de administrar o fluxo de materiais e produtos. A atividade logística militar da Segunda Guerra Mundial deu origem a muitos dos conceitos logísticos utilizados atualmente. Durante o planejamento e percurso das guerras, os estrategistas, mesmo que inconscientemente, modelaram os princípios de canal logístico, administração de materiais, controle de estoques, centro de distribuição, etc. Contudo, apesar de ter sido reconhecidamente uma disciplina de vital importância nas guerras em tempos remotos, somente após 1950 é que as organizações empresariais começaram a perceber que, através do gerenciamento efi caz das funções logísticas, poderiam obter vantagem competitiva.. 8. BALLOU, Ronald H. Logística Empresarial, transporte, administração de materiais e distribuição física. São Paulo: Atlas 1993..

(24) 9. 2.1.1 – Conceito O conceito de logística é dinâmico e vem evoluindo de forma acelerada desde a década de 50. A logística, que até recentemente era tratada apenas nos níveis tático e operacional, passa a ter participação também no nível estratégico e torna-se uma área vital para as empresas. Segundo o Dicionário Aurélio (1972)9, logística pode ser definida como parte da arte da guerra que trata do planejamento e da realização de: •. Projeto e desenvolvimento, obtenção, armazenamento, transporte, distribuição, reparação, manutenção e evacuação de material (para fins operativos e administrativos);. •. Recrutamento, incorporação, instrução e adestramento, designação, transporte, bemestar, evacuação, hospitalização e desligamento de pessoal;. •. Aquisição ou construção, reparação, manutenção e operação de instalações e acessórios destinados a ajudar o desempenho de qualquer função militar;. •. Contrato ou prestação de serviços.. Segundo BOWESOX e CLOSS (2001, p.26)10, até a década de 50, as funções da logística eram executadas separadamente e não havia conceito formal ou teoria sobre logística integrada. Em 1968, MAGEE (1977, p.2)11 definiu a logística como “a arte de administrar o fluxo de matérias e produtos, da fonte ao usuário”, ele também apresentou as definições das principais atividades da logística, sem propor, ainda, o gerenciamento integrado dessas atividades. A Council of Logistics Management,12 entidade norte-americana formada em 1963 com o objetivo de desenvolver estudos na área da logística modificou, em 1991, a sua definição de gerenciamento da distribuição física de 1976, para uma definição que descreve a preocupação de contextualizar a logística dentro da cadeia de suprimentos: Logística é a parte da cadeia de suprimentos que se encarrega dos processos de planejamento, implementação e controle de maneira eficiente do fluxo e da armazenagem de produtos, bem como dos serviços e informações associadas,. FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Pequeno dicionário da Língua Portuguesa. 10. ed. São Paulo: Nacional, 1972. BOWERSOX, Donald J. CLOSS, David J. Logística empresarial: o processo de integração da cadeia de suprimento. São Paulo: Atlas, 2001. 11 MAGEE, Jonh F. Logística Industrial: Análise e Administração dos Sistemas de Suprimento e Distribuição. São Paulo: Pioneira, 1977. 12 CLM. Council of Logistics Management. Disponível em <http://www.clm1.org/>. Acessado em 14 de abril de 2003. 9. 10.

(25) 10. cobrindo desde o ponto de origem até o ponto de consumo, atendendo aos requisitos do consumidor.. BALLOU (1993, p.24) afirma que a missão da logística é vencer as barreiras de tempo e espaço na movimentação de bens e serviços de forma eficaz e eficiente. Além de apresentar uma definição que, semelhantemente a Council of Logistics Management, demonstra a preocupação de agrupar as atividades logísticas para toda a cadeia de suprimento: A logística empresarial trata de todas as atividades de movimentação e armazenagem, que facilitam o fluxo de produtos desde o ponto de aquisição da matéria-prima até o ponto de consumo final, assim como dos fluxos de informações que colocam os produtos em movimento, com o propósito de providenciar níveis de serviço adequados aos clientes a um custo razoável.. Para CHRISTOPHER (1997, p.2)13, a logística é o processo com o qual se dirige de maneira estratégica a transferência e a armazenagem de materiais, componentes e produtos acabados, tendo início com os fornecedores, passando pela empresa e chegando ao consumidor final. NUNES (Apud SCHMITT, 2002, p.18)14, após realizar um estudo detalhado sobre a evolução do conceito de logística, agrupou as principais contribuições de diversos autores ao conceito atual (ver quadro 2.1), e propõe sua própria definição: Logística é o processo de planejar, implementar e controlar os fluxos de produtos ou serviços, de informações e financeiro, desde a obtenção das matérias-primas, passando pela fabricação e satisfazendo os clientes em suas necessidades de tipo, tempo e lugar, através da distribuição adequada, com custos, recursos e tempos mínimos.. CHRISTOPHER, Martin. Logística e Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos: estratégias para a redução de custos e melhoria dos serviços. São Paulo: Pioneira, 1997. 14 NUNES, Fernando Ribeiro de Melo. A influência dos fluxos logísticos sobre o tamanho e a idade das empresas fabricantes de jeans femininos para adolescentes e jovens.Tese de Doutorado apresentada à Universidade Federal de Santa Catarina – Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção. 2001.p.36. Apud SCHMITT, Henrique Bruno. Modelo de avaliação de desempenho de operadores logísticos atuantes no setor agrícola de cargas a granel. Dissertação apresentada à Universidade Federal de Santa Catarina – Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção. 2002. p.18. 13.

(26) 11. ANO. AUTOR. 1948 American Marketing Association 1962 National Council of Physicl Distribution Management 1968 Jonh F. Magee 1968 C.A. Store 1973 James L. Heskett. N. A., R. M. Ivie et Glaskowsky Jr. 1977 James L. Heskett 1986 1993 1997 1993 1994. Council of Logistics Management Lambert & Stock David H. Taylor A. Rushton et J. Oxley John L. Gattorna. 1994 J. Cooper, M. Browne et M. Peters 1996 J. C. Jonson et D. F. Wood 1996 IMAM – São Paulo 1996 D. J. Bowersox et D. J. Closs 1996 Tixier, Mathe et Colin 1997 Martín Christopher 1999 Ronald H. Ballou 2000 Council of Logistics Management. DEFINIÇÃO Movimento e manutenção de mercadorias do ponto de produção ao ponto de venda. Movimento desde os fornecedores, passando pela cadeia produtiva e em direção aos consumidores. Atividades de transporte, estocagem, previsão de vendas, escolha e localização das fábricas e entrepostos. Gestão de fluxo. Determinação das necessidades, suprimento, distribuição e manutenção. Tornar disponível as mercadorias em um lugar e tempos determinados. Atividades que coordenam o fluxo dos produtos. Nível de serviço a custo mínimo. Planejamento, implementação e controle de fluxos físicos, de informação e da estocagem, para satisfazer as especificações dos clientes. Fluxos físicos e da informação. Processo de gestão estratégica que utiliza o marketing para satisfazer os pedidos com o menor custo. Logística do suprimento, logística da produção e logística da distribuição. Processo inteiro de movimentação dos materiais que entram, passam e saem da empresa. Integração, coordenação e controle da movimentação dos materiais, estocagem dos produtos finais e informações. Sistema de controle dos fluxos físicos para suportar a estratégia das “unidades de negócio”. Garantia de menores custos, coordenação entre a oferta e a demanda nos planos estratégico e tático. Gestão estratégica do fluxo de informação, de suprimento e a estocagem dos materiais e produtos acabados. Missão de disponibilizar o produto certo, no lugar certo e na hora certa, dentro das especificações determinadas. Parte da cadeia de suprimento que realiza a movimentação e o armazenamento dos produtos.. Quadro 2.1 – Sumário de contribuições ao conceito da logística. Fonte: NUNES (2001, p.55) Apud SCHMITT (2002, p.19).. 2.1.2 – Atividades logísticas BALLOU (1993, p.24-26) divide as atividades logísticas em Primárias e de Apoio. As atividades de transporte, manutenção de estoques e processamento de pedidos são consideradas primárias porque ou elas contribuem com a maior parcela do custo total da logística ou são essenciais para a coordenação e o cumprimento da tarefa logística. Entre as atividades de apoio.

(27) 12. estão: armazenagem, manuseio de materiais, embalagem de proteção, obtenção, programação da produção e manutenção de informações. A figura 2.3 apresenta o relacionamento das atividades. M. de apoio com as atividades primárias E Em mbbaa. ai s a te ri em d eio us an. llaagge emm dde. eprp. Tr an sporte. m age zen ma Ar. de estoqu es ão ç n te. os di d pe. Ma nu. o çã ma. Obtenção. Nível de serviço. Processam e n to de. ram ação da pr od uç Pro g ão. ç. ãoo çã. o rt o ent e. Ma nu t en ç ã od ei. nf or. Figura 2.1 – Relacionamento das atividades de apoio com as atividades primárias. Fonte: BALLOU (1993, p.24). Atividades primárias As atividades primárias são aquelas indispensáveis para o cumprimento dos objetivos logísticos de custo e nível de serviço: Transporte, Manutenção de Estoque e Processamento de Pedidos.. Transporte Refere-se aos vários métodos para se movimentar produtos, seja dos fornecedores para a fábrica, entre depósitos da empresa ou também dos centros de distribuição para os consumidores finais. Representa uma importante parcela do custo logístico total e desempenha papel fundamental no nível de serviço desejado..

(28) 13. Os principais meios de transporte conhecidos são: rodoviário, ferroviário, hidroviário, aeroviário e dutoviário. No Brasil, a implantação da indústria automobilística na década de 50 e a pavimentação das principais rodovias impulsionaram a expansão do modo rodoviário, de tal forma, que domina o transporte de cargas no país (ALVARENGA e NOVAES, 1994, p.105106)15. De acordo com a GEIPOT (Empresa Brasileira de Planejamento e Transporte), o modo rodoviário representa quase 61% do transporte de cargas nacional (ver tabela 2.1). E, com 1.724.929 km de rodovias, atinge todos os pontos do território brasileiro (ver tabela 2.2).. MODO DE TRANSPORTE. Toneladas/Quilômetro 1996. 1997. 1998. 1999. 2000. Aéreo. 0,33. 0,26. 0,31. 0,31. 0,33. Aquaviário. 11,47. 11,56. 12,69. 13,19. 13,86. Dutoviário. 3,78. 4,55. 4,44. 4,61. 4,46. Ferroviário. 20,74. 20,72. 19,99. 19,60. 20,86. Rodoviário. 63,68. 62,91. 62,57. 62,29. 60,49. TOTAL. 100,00. 100,00. 100,00. 100,00. 100,00. Tabela 2.1 – Percentual da carga transportada por modo de transporte - 1996-2000. Fonte: GEIPOT, Anuário Estatístico dos Transportes. Ed. 2001. Brasília, 2000.. REGIÃO. 1996. 1997. 1998. 1999. 2000. Norte. .... 96.723. .... 103.211. 103.096. Nordeste. .... 396.859. .... 405.376. 405.390. Sudeste. .... 479.585. .... 512.423. 512.496. Sul. .... 460.557. .... 476.089. 476.122. Centro-Oeste. .... 224.953. .... 227.825. 227.825. TOTAL. .... 1.658.677. .... 1.724.924. 1.724.929. Tabela 2.2 – Extensão total das rodovias pavimentadas e não-pavimentadas - 1996-2000. Fonte: GEIPOT, Anuário Estatístico dos Transportes. Ed. 2001. Brasília, 2000.. Devido ao grande volume de transporte que utiliza esse modal e à falta de investimento na rede rodoviária, as estradas brasileiras encontram-se bastante deterioradas, aumentando o tempo de viagem e encarecendo os custos operacionais. ALVARENGA, Antonio C. e NOVAES, Antonio Galvão N. Logística Aplicada: suprimento e distribuição física. 2ª ed. São Paulo: Pioneira, 1994. 15.

(29) 14. Manutenção de estoques A manutenção de estoques, em conjunto com o transporte, representa a maior parcela dos custos logísticos. Para garantir um nível de disponibilidade razoável, as empresas investem em estoques, atuando como elementos reguladores entre as atividades de transporte, fabricação e processamento de pedidos. MORGAM (Apud MAGEE, 1977, p.83-84)16 relacionou 22 motivos para a manutenção de estoques. São eles: 1. Prover o atendimento ao consumidor face a flutuações nas vendas e outros problemas 2. Garantir ao consumidor a disponibilidade. 3. Resguardar-se contra altas esperadas nas vendas devido a promoções e reduções de preço. 4. Esperar remessa para atender a um determinado pedido. 5. Esperar remessa para atender a um pedido esperado. 6. Manipular as variações de produção. 7. Produzir séries de tamanhos economicamente viáveis. 8. Permitir a produção em série. 9. Permitir flexibilidade na programação da fábrica. 10. Evitar uma capacidade cada vez maior. 11. Permitir uma programação mais flexível de matéria-prima. 12. Promover armazenagem de matéria-prima. 13. Aproveitar um preço favorável de matéria-prima. 14. Aproveitar os custos ou fatores de distribuição. 15. Reter subprodutos. 16. Armazenar séries excedentes ou erradas. 17. Esperar colocação (como no caso de pedidos cancelados). 18. Manter em operação o equipamento de armazenagem ou impedir que ele feche (como no caso dos oleodutos). 19. Permitir erros de mensuração e registro.. MORGAN, James I. Questions for solving the inventory problem. Harvard Business Review. 1963, vol 41, n 4, p.98. Apud MAGEE, 1977. 16.

(30) 15. 20. Proteger contra greves. 21. Proteger contra furacões e outras catástrofes. 22. Especular contra mudança de preços e de custos.. Segundo BALLOU (1993, p.205.), a importância da manutenção de estoques pode ser resumida em seis itens: •. Melhoria no nível de serviço – Estoques auxiliam a função de marketing a vender os produtos da empresa. Esses podem ser localizados mais próximos aos pontos de venda e com quantidades mais adequadas.. •. Incentivar economias na produção – O mínimo custo unitário de produção em geral acontece com grandes lotes de fabricação com o mesmo tamanho. Estoques agem como amortecedores entre a oferta e a demanda, possibilitando uma produção mais constante, que não oscila com flutuações de vendas.. •. Permitir economias de escala nas compras e no transporte – Estoques possibilitam descontos no transporte pelo emprego de grandes lotes, de forma a utilizar toda a capacidade do veículo, gerando fretes unitários menores. Da mesma forma, menores preços podem ser obtidos na compra de mercadorias com uso de lotes maiores que as demandas imediatas.. •. Proteção contra alterações nos preços – Através de previsões sobre possíveis aumentos de preços, as compras podem ser antecipadas gerando estoques.. •. Proteção contra oscilações na demanda ou no tempo de ressuprimento – Como nem sempre é possível conhecer a demanda com precisão ou os tempos para reabastecimento no sistema logístico, mantêm-se estoques (estoque de segurança) para garantir a disponibilidade do produto.. •. Proteção contra contingências – Greves, incêndios e outros acontecimentos inesperados podem afetar a empresa. A manutenção de estoques é a maneira de garantir o fornecimento normal nessas ocasiões.. Embora os estoques tragam enormes benefícios, deve-se manter cautela na hora de decidir a quantidade de estoque necessário. O custo de estocagem tem crescido com a taxa de juros e se tornou um assunto vital para as empresas..

(31) 16. Processamento de pedidos Todo sistema logístico é administrado por um subsistema de comunicação que processa os pedidos do comprador para a empresa ou do usuário ao fornecedor, assim como pedidos para remover ou enviar materiais e produtos. Os custos dessa atividade chegam a ser insignificantes quando comparados aos custos de transporte e estoque. Contudo, sua importância resulta do fato de ser a atividade que inicia a movimentação de matérias e produtos.. Atividades de apoio17 Armazenagem Refere-se à administração do espaço necessário para manter estoques. Envolve problemas como localização, dimensionamento de área, arranjo físico, recuperação de estoques, projeto de docas ou baías de atracação e configuração de armazém.. Manuseio de materiais Está associado com a armazenagem e também apóia a manutenção de estoques. É a atividade que diz respeito à movimentação do produto no local de estocagem. Entre as funções de atividade estão: seleção do equipamento de movimentação, procedimentos para a formação de pedidos e balanceamento da carga de trabalho.. Embalagem de proteção A função dessa atividade de apoio é garantir que o bem não seja danificado na movimentação.. 17. Os conceitos sobre as atividades de apoio foram extraídos de BALLOU, 1993. op. cit. p. 27..

(32) 17. Obtenção É a atividade que deixa o produto disponível para o sistema logístico. Trata da seleção das fontes de suprimento, das quantidades a serem adquiridas, da programação das compras e da forma pela qual o produto é comprado. BALLOU (1993, p.27) ressalta a necessidade de distinguir a atividade de obtenção com a função de compras. O processo de compras inclui muitos detalhes de procedimento como negociação de preço e avaliação de vendedores que não estão especificamente relacionados com a tarefa da logística.. Programação do produto Enquanto a obtenção trata do suprimento (fluxo de entrada) de empresas de manufatura, a programação de produto lida com a distribuição (fluxo de saída). Refere-se as quantidades agregadas que devem ser produzidas e quando e onde devem ser fabricadas. Essa atividade não inclui o detalhamento da produção.. Manutenção de informações A manutenção de informações é essencial para o planejamento e controle logístico. Devese manter uma base de dados com as informações de custo de desempenho, além da localização dos clientes, volumes de vendas, padrões de entregas, entre outros.. 2.1.3 – Evolução da logística Segundo BALLOU (1993, p.28), até cerca de 1950, o campo permanecia em estado de dormência. Não havia nenhuma filosofia dominante, as atividades-chave da logística eram divididas entre as demais áreas da administração empresarial e consideradas operações de apoio ou suporte, o que resultava num conflito de objetivos e ineficiência das operações logísticas (ver figura 2.1)..

(33) 18. Presidência. Objetivos. Responsabilidades. Marketing • Correias de distribuição. Finanças e contabilidade • Comunicação e processamento dos dados. • Nível de serviço. • Alternativas de suprimento e produção • Armazenagem. • Obsolescência de inventário. • Custos financeiros do estoque. • Mais estoques • Pequenos lotes de produção. • Menos estoques. • Processamento rápido. • Processamento barato dos pedidos. • Entrega rápida • Depósitos regionais. Manufatura. • Menor quantidade de depósitos. • Transporte. • Grandes lotes de produção • Rotas de mínimo custo • Depósito de fábrica. Figura 2.2 – Responsabilidades e objetivos conflitantes das atividades logísticas em firmas tradicionais e algumas contemporâneas. 18 Fonte: STOLLE (1967, p.95) Apud BALLOU (1993, p.28).. Apesar da falta de coordenação e do baixo nível de compreensão dos benefícios da integração das atividades logísticas, existiram alguns pioneiros, como ARCH SHAW (Apud CHRISTOPHER, 1997, p.2) que, em 1915, mostrava que: “As relações entre as atividades de criação de demanda e o suprimento físico... ilustram a existência dos princípios de interdependência e equilíbrio. Uma falta de coordenação de qualquer um desses princípios ou ênfase ou dispêndio indevido com qualquer um deles vai certamente perturbar o equilíbrio das forças que representam uma distribuição eficiente”. “... A distribuição física das mercadorias é um problema distinto da criação de demanda... Não são poucas as falhas nas operações de distribuição devido à falta de coordenação entre a criação de demanda e o fornecimento físico...”. “Ao invés de ser um problema subseqüente, esta questão do fornecimento deve ser enfrentada e respondida antes de começar o trabalho de distribuição”.. E, juntamente com FRED CLARK (Apud BALLOU, 1993, p.29), identificaram a natureza da distribuição física e como ela diferia da criação de demanda no marketing.. STOLLE, John F. How to manage physical distribution. Harvard Business Review, p. 95, July/Aug. 1967. Apud BALLOU, 1993. Op. Cit. p.28. 18.

(34) 19. Com o fim da guerra, a economia dos Estados Unidos experimentou rápido crescimento e procurou preencher importantes lacunas de demanda existentes no mercado consumidor. As palavras de ordem eram “produzir” e “vender” e certa ineficiência na distribuição de produtos podia ser tolerada. NOVAES (2001, p.41)19 divide a evolução da logística em quatro fases, a primeira fase tem início no período pós-guerra. Como não havia os modernos sistemas de informações disponíveis atualmente, o estoque era o elemento-chave no balanceamento da cadeia de suprimentos. O modelo de operações utilizava os estoques como pulmão entre os subsistemas da cadeia produtiva, gerando grandes quantidades de materiais parados. Somados os gastos de horas trabalhadas, energia e instalações, o custo financeiro de estoque crescia exponencialmente, de forma que as empresas participantes da cadeia de suprimentos perceberam que a racionalização dos estoques poderia ser utilizada como estratégia competitiva. Na primeira, fase o enfoque era dado ao transporte. As empresas procuravam formar lotes econômicos para transportar seus produtos. A estratégia utilizada era minimizar os custos de transporte através do uso de veículos com maior capacidade buscando transportadoras com fretes mais reduzidos. Cada empresa tentava minimizar suas despesas, mesmo que isso prejudicasse os demais elementos da cadeia de suprimentos, utilizando-se de serviços precários de terceiros. A segunda fase da evolução logística foi influenciada por várias mudanças no cenário mundial, destacam-se: •. A mudança nas aspirações dos consumidores por produtos mais diferenciados, acarretando um aumento acentuado na cadeia produtiva e a necessidade de maior racionalização de estoques;. •. A crise do petróleo no início da década de 1970, que encareceu inesperadamente o transporte de mercadorias;. •. E os efeitos positivos do uso dos computadores, que, inicialmente, substituíram apenas procedimentos manuais, contudo permitiram, contudo, um tratamento mais sofisticado para problemas como modelos de otimização de estoques, seqüenciamento de produção no chão de fábrica, entre outros.. NOVAES, Antônio Galvão, Logística e gerenciamento da cadeia de distribuição: estratégia, operação e avaliação. Rio de Janeiro: Campus, 2001, p. 41. 19.

(35) 20. Os elementos-chave dessa fase de racionalização foram a otimização de atividades e o planejamento. Nessa época, já havia uma certa integração de planejamento entre os elementos da cadeia de produção, contudo ainda muito rígida e não permitia uma correção dinâmica ao longo do tempo. (NOVAES, 2001, p.45) Em contrapartida, a integração rígida, a terceira fase, que tem início no fim da década de 80, é marcada pelo intercâmbio de informações eletrônicas entre dois elementos da cadeia de suprimento. Permitindo, assim, utilizar as informações coletadas para agir diretamente nas operações e corrigir erros à medida que iriam aparecendo. Outras duas tendências podem ser observadas nesta fase: maior preocupação com a satisfação plena do cliente, que é qualificado não apenas pelo consumidor final, mas também por todos os elementos que formam a cadeia de suprimentos. E a busca constante por “estoques zero”. O objetivo, evidentemente, não era acabar com os estoques, mas perseguir reduções significativas de forma permanente. A última fase descrita por NOVAES (2001, p.48-50) é marcada pelo novo entendimento acerca das relações das empresas na cadeia de suprimento. Antes, a integração entre os vários agentes da cadeia de suprimento se dava em torno de elementos físicos e operacionais. Nessa nova fase, as empresas passam a tratar a questão logística de forma estratégica, fazendo parcerias e trocando informações, até então consideradas confidenciais. Essa nova abordagem nas relações entre os agentes participantes da cadeia de suprimento, buscando, em conjunto e de forma estratégica, a redução de custos, de desperdício e de agregação de valor para o consumidor final, dá origem a uma nova concepção no tratamento dos problemas logísticos: O SCM – Supply Chain Managemant (Gerenciamento da Cadeia de Suprimento).. 2.1.4 – O lugar da logística O projeto e a administração dos sistemas logísticos afetam muitas funções administrativas. É necessário, então, arranjar as atividades existentes na empresa de modo a facilitar o gerenciamento do todo. Assim, algumas dessas atividades consideradas como responsabilidade apenas da produção ou do marketing devem ser reagrupadas. Entre as atividades estão: compras, produção, finanças e contabilidade (ver figura 2.2)..

(36) 21. EMPRESA. PRODUÇÃO ATIVIDADES TÍPICAS § Controle de qualidade § Planejamento detalhado § Manuseio Interno § Manutenção de equipamentos. ATIVIDADES DE INTERFACE § Programação da Produção § Localização Industrial § Compras. LOGÍSTICA ATIVIDADES TÍPICAS § Manutenção de estoques § Processamento de pedidos § Armazenagem § Manuseio de materiais. MARKETING ATIVIDADES DE INTERFACE § Padrões de níveis de serviço § Formação de preços § Embalagem § Localização de depósitos. ATIVIDADES TÍPICAS § Promoção/ propaganda § Pesquisa de mercado § Administração da força de vendas. Figura 2.3 – Visão geral das atividades logísticas dentro das atividades tradicionais. Fonte: BALLOU (1993, p.36). A eficiência de cada função, examinada isoladamente, pode diferir da eficácia da função como parte de um processo logístico global. É imprescindível encontrar um meio termo entre todas as funções para se obter uma operação do sistema global que consiga um melhor equilíbrio custo/eficácia (MAGEE, 1977, p.30). BALLOU (1993, p.37) destaca algumas atividades que precisam ser gerenciadas em conjunto: •. Formação de preço – O preço tem componentes tanto geográficos como competitivos.. •. Embalagem – A produção se preocupa em desenvolver o projeto do produto visando reduzir os problemas de fabricação e o marketing interessa-se por um projeto que atraia a atenção do consumidor. Já a logística empenha-se para que o produto seja de fácil embalagem, armazenamento e expedição.. •. Compras – A produção deve adquirir bens a custo e qualidade aceitáveis, enquanto a logística se preocupa com a localização das fontes de suprimento e os tempos para reabastecimento.. •. Programação da produção – A produção se preocupa com a seqüência e o tamanho dos lotes de produção; já a logística, com a localização e o tempo de produção..

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