Os Efeitos do tempo de intervalo num protocolo de treino intervalado
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(3) Efeitos do tempo de intervalo num protocolo de treino intervalado. Monografia re alizada no âmbito da discipl ina de Seminário do 5º an o da licenci atura em De spo rto e Educação Física, na área de Desporto de Alto Rendi men to - Atleti smo da Faculd ade d e Despo rto da Universidad e do Porto. Orie nta do r: Pro f. Dou tor José Au gust o Rod rigu es d os Sa nto s Ma nu el Joã o Dias L eite de Barro s Ma rq ue s. Porto, 2008.
(4) Marques, M. João (2008). Os efeitos do tempo de intervalo num protocolo de treino intervalado. Porto: Faculdade de Desporto da Universidade do Porto. PALAVRAS CHAVE: Treino intervalado, Lactato sanguíneo, Frequência cardíaca..
(5) Os efeitos do tempo de intervalo num protocolo de treino intervalado ____________________________________________________________________________. Agradecimentos Um trabalho desta natureza é o culminar de vários anos de formação académica, envolvendo sempre muitas pessoas a quem importa agradecer. Começo os agradecimentos pelo meu orientador, o Professor Doutor José Augusto por todo o apoio dado ao longo de todo este trabalho, bem como pelas conversas muitas vezes fora do âmbito do estudo, que permitiram uma maior compreensão de outras realizadades desportivas. Seguidamente gostaria também de agradecer ao Professor Doutor Paulo Colaço pela disponibilidade demonstrada e pelo ensino e ajuda na recolha de amostras. Ao senhor Marinho pelas trocas de ideias e experiências enquanto exatleta de meio fundo e fundo que ajudaram a compreender melhor as dificuldades e limitações dos sujeitos da amostra. Um agradecimento também aos senhores Arasélio Mendes, Joaquim Pereira, Jorge Garcia e José Sousa por toda a disponibilidade e empenho demonstrados ao longo dos vários dias de testes. Aos meus pais e irmãs por todo o apoio incondicional dado ao longo de todo o percurso académico e pessoal. Às minhas sobrinhas e sobrinho pelos momentos de alegria que proporcionaram ao longo da sua ainda curta existência. Por fim, à Daniela que em todos os momentos da vida académica esteve ao meu lado nas minhas decisões, apoiando de forma incondicional e crítica, obrigando-me a reflectir acreca das minhas opções.. ____________________________________________________________________________ Manuel João Dias Leite de Barros Marques Ano Lectivo 2007/2008 V.
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(7) Os efeitos do tempo de intervalo num protocolo de treino intervalado ____________________________________________________________________________. Índice Geral. Índice Geral. VI. Índice de Gráficos. VIII. Índice de Quadros. X. Resumo. XII. Abstract. XIV. Résumé. XVI. 1. Introdução. 1. 2. Revisão bibliográfica. 5. 2.1 Definição do Treino Intervalado. 7. 2.1.1 Adaptações Centrais ao Treino Intervalado. 9. 2.1.2 Adaptações Periféricas ao Treino Intervalado. 9. 2.2 Componentes do método de Treino Intervalado. 10. 2.2.1 Preíodo de estímulo. 10. 2.2.2 Intensidade. 10. 2.2.3 Intervalo. 11. 2.2.4 Série. 12. 2.2.5 Distância do Estímulo. 13. 2.3 Comparação entre Treino Intervalado e o Treino Contínuo. 14. 2.4 Níveis de Lactatémia durante o Treino Intervalado. 15. 2.4.1Conceito de Limiar Anaeróbio 2.5 Frequência Cardíaca 2.5.1 Factores influenciadores da frequência cardíaca durante o exercício 2.5.2 Variações das circadiamas da frequência cardíaca 2.5.3 Factores fisiológicos. 16 18 19. 19. 2.5.3.1 Função Cardiovascular. 19. 2.5.3.2 Hidratação. 20. 2.5.4 Factores Ambientais. 20. ____________________________________________________________________________ Manuel João Dias Leite de Barros Marques Ano Lectivo 2007/2008 VI.
(8) Os efeitos do tempo de intervalo num protocolo de treino intervalado ____________________________________________________________________________. 2.5.4.1 Calor. 20. 2.5.4.2 Frio. 20. 2.5.4.3 Altitude. 21. 3. Objectivos e Hipóteses. 23. 3.1 Objectivo geral. 25. 3.2 Objectivo específico. 25. 3.3 Hipóteses. 25. 4. Material e métodos. 27. 4.1 Caracterização da amostra. 29. 4.2 Procedimento. 30. 4.3 Procedimentos estatísticos. 30. 5. Resultados. 33. 5.1 Resultados das medições do Lactato sanguíneo. 35. 5.2 Resultados das medições da Frequência cardíaca. 43. 6. Discussão. 49. 6.1 Discussão dos resultados das concentrações de Lactato sanguíneo. 51. 6.2 Discussão dos resultados da Frequência cardíaca. 54. 7. Conclusão. 57. 8. Bibliografia. 61. ____________________________________________________________________________ Manuel João Dias Leite de Barros Marques Ano Lectivo 2007/2008 VII.
(9) Os efeitos do tempo de intervalo num protocolo de treino intervalado ____________________________________________________________________________. Indice de gráficos Gráfico 1. Resultados médios de lactato sanguíneo apresentado pelos sujeitos Gráfico 2. Resultados das concentrações de lactato sanguíneo do sujeito 1 Gráfico 3. Resultados das concentrações de lactato sanguíneo do sujeito 2 Gráfico 4. Resultados das concentrações de lactato sanguíneo do sujeito 3 Gráfico 5. Resultados das concentrações de lactato sanguíneo do sujeito 4 Gráfico 6. Resultados da frequência cardíaca apresentados pelos sujeitos (n=4). 35 36 38 39 41 43. Gráfico 7. Resultados da frequência cardíaca do sujeito 1. 44. Gráfico 8. Resultados da frequência cardíaca do sujeito 2. 45. Gráfico 9. Resultados da frequência cardíaca do sujeito 3. 46. Gráfico 10. Resultados da frequência cardíaca do sujeito 4. 47. ____________________________________________________________________________ Manuel João Dias Leite de Barros Marques Ano Lectivo 2007/2008 VIII.
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(11) Os efeitos do tempo de intervalo num protocolo de treino intervalado ____________________________________________________________________________. Índice de quadros Quadro 1. Distâncias a percorrer pelo atleta mediante o objectivo do treino (adapatado de E.E.F.E. s/d) Quadro 2. Correlação entre o nível de lactatémia, a frequência cardíaca e o sistema energético. Adaptado de Janssen (2001) Quadro 3. Apresentação de diferentes conceitos de limiar anaeróbio utilizando o lactato sanguíneo como parâmetro avaliado segundo vários autores (Colaço, 2007 pág: 30) Quadro 4. Características fisiológicas dos atletas (n=4). Valores apresentados através da média e desvio padrão Quadro 5. Resultados médios de lactato sanguíneo apresentados pelos sujeitos (n=4). Quadro 6. Resultados das concentrações de lactato sanguíneo do sujeito 1 Quadro 7. Resultados das concentrações de lactato sanguíneo do sujeito 2 Quadro 8. Resultados das concentrações de lactato sanguíneo do sujeito 3 Quadro 9. Resultados das concentrações de lactato sanguíneo do sujeito 4 Quadro 10. Resultados da frequência cardíaca apresentados pelos sujeitos (n=4).. 13 16 17 29 35 37 38 40 41 43. Quadro 11. Resultados da frequência cardíaca do sujeito 1.. 44. Quadro 12. Resultados da frequência cardíaca do sujeito 2. 45. Quadro 13. Resultados da frequência cardíaca do sujeito 3.. 46. Quadro 14. Resultados da frequência cardíaca do sujeito 4.. 47. .. ____________________________________________________________________________ Manuel João Dias Leite de Barros Marques Ano Lectivo 2007/2008 X.
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(13) Os efeitos do tempo de intervalo num protocolo de treino intervalado ____________________________________________________________________________. Resumo. O rendimento desportivo e o sucesso do processo de treino estão dependentes de uma avaliação constante dos atletas. O objectivo deste trabalho foi o de relacionar a concentração de lactato sanguíneo e a frequência cardíaca com um protocolo de treino intervalado em corredores de meio – fundo e fundo. A amostra foi constituída por 4 atletas veteranos que efectuaram 10 repetições de 200m com intensidade idêntica, ao longo de 4 dias diferentes de testes. O tempo de intervalo foi diminuindo progressivamente de 90 segundos no primeiro dia, para 75 segundos no segundo dia, 60 segundos no terceiro e 45 segundos no último dia. Os níveis de lactato sanguíneo e da frequência cardíaca foram medidos de 2 em 2 repetições. A recolha de sangue foi realizada no lóbulo da orelha e, a frequência cardíaca medida no pescoço. Como principais resultados verificamos: (i) um progressivo aumento das concentrações de lactato sanguíneo que ocorre com a diminuição do tempo de intervalo; (ii) a frequência cardíaca em atletas com treino aeróbio muito elevado não apresenta grandes variações ao longo das várias repetições no mesmo dia; (iii) podem existir casos de indivíduos que com a diminuição do intervalo apresentam melhorias dos resultados. As principais conclusões a reter com este trabalho foram: (i) a concentração de lactato sanguíneo é influenciada pelo tempo de intervalo num protocolo de treino intervalado; (ii) a frequência cardíaca é influenciada pelo tempo de intervalo num protocolo de treino intervalado e (iii) a capacidade oxidativa das fibras tipo II e a adaptabilidade ao treino podem diminuir a influência do tempo de intervalo num protocolo de treino intervalado.. PALAVRAS-CHAVE: Treino intervalado, Lactato sanguíneo, Frequência cardíaca. ____________________________________________________________________________ Manuel João Dias Leite de Barros Marques Ano Lectivo 2007/2008 XII.
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(15) Os efeitos do tempo de intervalo num protocolo de treino intervalado ____________________________________________________________________________. Abstract The sporting performance and the training success depend of an athletes’ ongoing assessment. The purpose of this essay was to connect the blood lactate and the cardiac frequency within an interval – training protocol near long and half- distance runners. The sample included 4 veteran athletes who performed 10 times 200 meters with similar intensity, during 4 different testing days. Interval timing was progressively decreasing from 90 seconds in the first day, to 75 seconds in the second day, to 60 seconds in the third and to 45 seconds in the last day. The blood lactate levels and the cardiac frequency were assessed from 2 to 2 series. The blood harvest was accomplished on the ear and, the cardiac frequency measured on the neck. We came through the main results, as follows: (i) with the decreasing of the interval, a progressive augmentation of the blood lactate concentrations was found; (ii) the cardiac frequency near athletes with high levels of aerobic training doesn’t present great variations during the several series in the same day; (iii) might exist several cases of individuals that with the interval decreasing display results improvement. The main conclusions draft from this study were: (i) the blood lactate concentration suffers the influence of the interval within a interval – training protocol; (ii) the cardiac frequency is biased by the time of the interval within a interval- training protocol and (iii) the oxidising ability of fibres type II and the training adjustment may decrease the influence of the interval within a interval – training protocol.. KEY – WORDS: Interval – Training, Blood Lactate, Cardiac Frequency. ____________________________________________________________________________ Manuel João Dias Leite de Barros Marques Ano Lectivo 2007/2008 XIV.
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(17) Os efeitos do tempo de intervalo num protocolo de treino intervalado ____________________________________________________________________________. Resumé Le rendement sportif et le succès du procès de l’entrainement sont subordonnés à une appréciation constante des athlètes. Le but de ce travail a été de rapporter la concentration du lactate sanguin et la fréquence cardiaque avec un protocole d’intervalle – training chez les coureurs de fond et de demi – fond. L’échantillon a été composé par 4 athlètes vétérans qui ont exécuté 10 répétitions de 200 mètres avec une intensité pareille, tout au long de 4 jours différents d’épreuves. Le temps d’intervalle a été décroisé progressivement de 90 seconds dans le premier jour, pour 75 seconds dans le deuxième jour, 60 seconds dans le troisième et 45 seconds dans le dernier jour. Les niveaux du lactate sanguin et de la fréquence cardiaque ont été mesurés de 2 en 2 répétitions. La remise de sang a été effectuée dans le lobule de l’oreille et, la fréquence cardiaque a été estimée dans le cou. On a vérifiée des résultats significatifs : (i) il y avait une augmentation progressive des concentrations du lactate sanguin avec la diminution du temps d’intervalle ; (ii) la fréquence cardiaque chez athlètes avec exercice aérobie très haute, ne présente pas des grandes variations au décours des plusieurs répétitions dans le même jour ; (iii) c’est possible l’existence des cas d’individus, qui avec la diminution du intervalle montrent des améliorations dans les résultats. Les conclusions plus significatives de cette étude avaient été : (i) dans un protocole de intervalle training la concentration du lactate sanguin c’est influencée par le temps d’intervalle ; (ii) la fréquence cardiaque c’est influencée par le temps d’intervalle dans un protocole d’intervalle training et (iii) la capacité oxydative des fibres type II et l’adaptabilité au entrainement peuvent baisser l’influence du temps d’intervalle dans un protocole d’intervalle- training.. MOTS – CLEF : Intervalle – Training, Lactate Sanguin, Fréquence Cardiaque ____________________________________________________________________________ Manuel João Dias Leite de Barros Marques Ano Lectivo 2007/2008 XVI.
(18) Os efeitos do tempo de intervalo num protocolo de treino intervalado ____________________________________________________________________________. ____________________________________________________________________________ Manuel João Dias Leite de Barros Marques Ano Lectivo 2007/2008 XVII.
(19) Introdução.
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(21) Os efeitos do tempo de intervalo num protocolo de treino intervalado ____________________________________________________________________________. 1. Introdução Um atleta de elite de meio fundo e fundo tem de ter uma característica essencial, que é a sua capacidade de realizar esforços com elevada eficiência mecânica, solicitando taxas energéticas elevadas, sem criar desiquilíbrios que comprometam a manutenção do esforço (Colaço, 2007). Para que o treino seja constantemente adaptado à individualidade de cada atleta, é necessário e imperativo que sejam realizados com alguma regularidade, testes de avaliação. Só assim, o treinador poderá ter a certeza dos efeitos que o processo de treino está a ter no seu atleta, podendo reflectir e reinventar o treino do atleta. Segundo Colaço (2007) os testes de terreno, não têm um nível de fiabilidade muito elevado, no entanto, são mais válidos que os laboratoriais, uma vez que, a sua especificidade é maior. Estes testes permitem comparações mais fortes com os resultados competitivos. Esta ideologia é também defendida por Daniels (1998), que defende que os testes laboratoriais devem ser deixados para momentos pontuais. Os testes laboratoriais são vistos como um complemento aos testes de terreno. O aparecimento deste estudo está relacionado com a pouca informação, a nível dos dados fisiológicos de atletas veteranos portugueses. Assim, pretendemos que este seja um primeiro passo para o estudo mais aprofundado e pertinente dos atletas deste escalão. O objectivo principal deste estudo consiste na aplicação de um protocolo de treino intervalado com variação do tempo de intervalo entre as várias repetições, analisando assim, o possível efeito dos diferentes tempos de recuperação. Para melhorar a análise deste efeito será feita a medição do Lactato sanguíneo e Frequência cardíaca. Apartir do objectivo, formulamos as seguintes hipóteses: (i) A concentração de lactato sanguíneo aumenta com a diminuição do tempo de recuperação, no treino intervalado; (ii) A frequência cardíaca aumenta com a diminuição do tempo de recuperação, no treino intervalado.. ____________________________________________________________________________ Manuel João Dias Leite de Barros Marques Ano Lectivo 2007/2008 3.
(22) Os efeitos do tempo de intervalo num protocolo de treino intervalado ____________________________________________________________________________. O trabalho está dividido em 8 capítulos da seguinte forma:. Capítulo 1 (Introdução) – Apresentação do estudo, bem como da sua pertinência, estruturação, objectivos e hipóteses.. Capítulo 2 (Revisão da Literatura) – Neste capítulo é caracterizado o Treino Intervalado, bem como os níveis de Lactato sanguíneo durante o exercício e a Frequência cardíaca.. Capítulo 3 (Objectivos e Hipóteses) – Serão apresentados os objectivos e hipóteses deste estudo.. Capítulo 4 (Material e métodos) – Neste capítulo são estudadas as características da amostra, bem como a forma como serão realizados os testes e, os procedimentos matemáticos e estatísticos.. Capítulo 5 (Resultados) – São apresentados os resultados dos testes realizados, após a utilização dos procedimentos estatísticos.. Capítulo 6 (Discussão) – Ao longo deste capítulo é feita a análise dos resultados tendo em conta a literatura existente.. Capítulo 7 (Conclusão) – Serão apresentadas as principais conclusões deste trabalho.. Capítulo. 8. (Bibliografia). –. Serão. apresentadas. as. referências. bibliográficas que permitiram fundamentar todo o trabalho.. ____________________________________________________________________________ Manuel João Dias Leite de Barros Marques Ano Lectivo 2007/2008 4.
(23) Revisão da Literatura.
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(25) Os efeitos do tempo de intervalo num protocolo de treino intervalado ____________________________________________________________________________. 2. Revisão da Literatura. 2.1 Definição de treino Intervalado O treino intervalado é um marco científico no processo evolutivo do treino desportivo (Tubino,1989). Segundo o mesmo autor, esta forma de treino foi responsável por um vasto número de recordes mundiais batidos ao longo dos tempos em provas de meio fundo e fundo. Após vários recordes batidos com a implementação deste tipo de treino, a confirmação do sucesso deste chegou com um atleta checo, Emil Zatopeck, através dos resultados obtidos por este. As distâncias preferidas por Zatopeck para os seus treinos eram 200 e 400m. O criador do treino intervalado foi Gerschller em 1952 que, com a colaboração do fisiologista alemão Herbert Reindell, formulou a concepção do treino intervalado (Tubino,1989). No entanto Billat (2002) afirmou que os primeiros científicos a descrever os princípios do treino intervalado foram Reindell e Roskamm, em 1959. Em 1952, Gerschller e Reindell, definiram o conceito de treino intervalado como “ sistema de preparação e de emprego ideal nas corridas de meio fundo e fundo, realizado por intermédio de um conjunto alternado de estímulos, fortes e fracos, auxiliado por adequado clima psicológico, controle fisiológico efectivo e trabalho prévio, e complementar de desenvolvimento, da potência muscular, tudo visando alcançar altas performances” (Tubino, 1989). Em 1976, Hegedus, definiu o mesmo treino intervalo como “sistema de trabalho determinado por uma sucessão de esforços submáximos com intervalos incompletos de recuperação” (Tubino, 1989). Esta forma de treino permite os exercícios sejam executados com uma intensidade mais alta e por um tempo superior ao treino contínuo (Olsen et al., 1988; Rozenek et al, 2007). Em 1993, Fox et al. cit por Billat (2002), apresentaram uma definição de treino intervalado como “várias series de exercícios alternados com períodos de de recuperação, cuja intensidade é ligeira ou moderada”. Castelo et al (2000) caracterizaram o treino intervalo como “exercícios onde o organismo é submetido a períodos curtos, regulares e repetidos de trabalho com períodos de repouso adequados. É utilizado quer nas ____________________________________________________________________________ Manuel João Dias Leite de Barros Marques Ano Lectivo 2007/2008 7.
(26) Os efeitos do tempo de intervalo num protocolo de treino intervalado ____________________________________________________________________________. modalidades acíclicas, como é o caso dos jogos desportivos colectivos, quer nas cíclicas para desenvolver a resistência específica, fundamentalmente durante. os. períodos. preparatórios. específicos. e. competitivos. dos. planeamentos anuais de treino” Rozenek et al. (2007), afirmaram que o benefício adquirido num treino intervalado está dependente de uma boa coordenação entre a intensidade, a duração de trabalho e a recuperação. Laursen & Jenkins (2002) referem que através da manipulação dos factores anteriores pode-se alterar o metabolismo procurado nas células msculares, bem como a entrega do oxigénio ao músculo. Num trabalho de Christensen et al. (cit por Billat, 2002), concluiu que a coordenação supracitada implicará a utilização do metabolismo aeróbio e anaeróbio. O propósito do treino intervalado é stressar o sitema fisiológico do atleta constantemente (Daniels & Scardin,1984), induzindo a resistência dos músculos activos à fadiga, quando expostos ao ritmo máximo do steady state (Hawley et al. 1997). Este tipo de treino é importantíssimo porque desenvolve a resistência, que é vista como uma capacidade estabelecida entre a velocidade e a resistência. A intensidade de treino é sempre submáxima e sempre realizado em pista, com intervalos a varias entre os 60s e 90s (Moniz Pereira cit por Paiva, 1995). Os intervalos são separados por períodos de exercitação em baixa intensidade ou inactividade, no entanto não permitindo a total recuperação (Laursen & Jenkins, 2002). Após estar na Etiopia algum tempo e após várias conversas com treinadores e atletas, Denison (2007), refere que naquele país, o treino intervalado é visto como uma dinâmica de corrida e recuperações. O objectivo mais importante é que o atleta aprenda como mudar de velocidade. O treino intervalado é um dos meios usados para treinar pessoas adultas, uma vez que promove a capacidade aeróbia (Billat, 2001). O treino por método de intervalo pode ser divido em dois tipos. ¾ O. intervalo. com. pausas. incompletas. (treino. intervalado). caracteriza-se por períodos de repouso que não permitem que os atletas recuperem completamente do esforço dispendido e também dos parâmetros cardio-circulatórios e ventilatórios. ____________________________________________________________________________ Manuel João Dias Leite de Barros Marques Ano Lectivo 2007/2008 8.
(27) Os efeitos do tempo de intervalo num protocolo de treino intervalado ____________________________________________________________________________. ¾ O intervalo com pausas completas (treino de repetições) caracteriza-se por períodos de repouso que permitem aos atletas recuperar completamente do esforço dispendido e também dos parâmetros cardio – circulatórios e ventilatórios. Este segundo tipo de intervalos é normalmente utilizado quando a intensidade de treino é muito elevada.. 2.1.1 Adaptações Centrais ao treino intervalado. As adaptações centrais para o treino de resistência são a facilitação da chegada de oxigénio as músculos (Laursen & Jenkins, 2002). Rowell (1993 cit por Laursen & Jenkins, 2002) refere que o aumento da chegada de oxigénio aos músculos é consequência de uma aumento dos batimentos cardíacos durante o treino intervalado de alta intensidade. No entanto, o mesmo autor, refere que não existem estudos referentes às possíveis alterações dos batimentos cardíacos e volume plasmáticos na resposta ao treino intervalado de alta intensidade, em atletas bem treinados.. 2.1.2 Adaptações Periféricas ao treino intervalado. Segundo Holloszy (1982), o treino intervalado de alta intensidade induz adaptações periféricas que realçam no músculo a capacidade de remover e tolerar o lactato, bem como facilitar a ressíntese das reservas energéticas. Um outro mecanismo importante para o melhoramento da performance, é a capacidade do músculo esquelético em remover o ião H+. Weston et al. ( 1997 cit por. Laursen & Jenkins, 2002) referiram que existe um aumento. significativo da capacidade de remoção do H+ após apenas três semanas de treino intervalado de alta intensidade. Descobriram ainda que existe uma relação significativa entre a performance nos 40km e a capacidade de remoção do H+ em seis ciclistas (r=0.82; p<0.05).. ____________________________________________________________________________ Manuel João Dias Leite de Barros Marques Ano Lectivo 2007/2008 9.
(28) Os efeitos do tempo de intervalo num protocolo de treino intervalado ____________________________________________________________________________. 2.2 Componentes do método de treino intervalado. O treino intervalado tem diferentes factores que caracterizam como o período de esforço, a intensidade, a pausa e o número de séries (Castelo et al., 2000). E.E.F.E. (s/d) acrescenta ainda a distância.. 2.2.1 Períodos de estímulo. Os períodos de esforço são caracterizados pela sua duração e pela intensidade em que são efectuados. Nas modalidades acíclicas, por norma, trabalha-se por percursos ou distâncias a percorrer. Foi apresentada a seguinte classificação, adaptada de Zintl: ¾ Estímulos de curta duração I (15’’ – 45’’); ¾ Estímulos de curta duração II (45’’ – 2’); ¾ Estímulos de média duração (2’ – 8’); ¾ Estímulos de longa duração (8’ – 15’).. O uso correcto das intensidades num treino de resistência constitui uma condicionante fundamental para que a planificação do treino seja mais objectiva e quantificável. As intensidades usadas no estímulo estão dependentes da fase da época em que a planificação está e de acordo com os volumes utilizados (Castelo et al., 2000). Quando os intervalos à vVO2máx têm uma duração pequena, o número total de intervalos que o atleta vai realizar, vão estar dependentes do rácio trabalho – recuperação, bem como da intensidade durante a recuperação (Rozenek et al., 2007).. 2.2.2 Intensidade. Segundo Castelo et al. (2000), a intensidade é um elemento essencial na abordagem ao treino de resistência. Existem várias formas de definir a intensidade com que o exercício é efectuado como a percentagem relativa do VO2máx ou a Fcmáx, o nível de lactatémia ou simplesmente controlando a ____________________________________________________________________________ Manuel João Dias Leite de Barros Marques Ano Lectivo 2007/2008 10.
(29) Os efeitos do tempo de intervalo num protocolo de treino intervalado ____________________________________________________________________________. velocidade de deslocamento. A intensidade de um treino está relacionada com o máximo de contracções voluntárias, sendo esta a capacidade de executar um exercício (Fleck & Kraemer, 1987). De acordo com Jeukendrup & Van Diemen (1993 cit por Achten & Jeukendrup, 2003), a intensidade de um exercício é normalmente definida como a energia dispendida durante por minuto para realizar uma determinada tarefa (kJ/min). Castelo et al. (2000) definiram quatro níveis básicos possíveis de utilizar no treino intervalado dependendo do objectivo de cada sessão de treino e fase do planeamento anual de treino. Para cada uma das capacidades referidas seguidamente corresponde uma determinada intensidade de treino, definida pelo treinador. ¾ Limiar anaeróbio (entre 65% e 90% da velocidade máxima); ¾ Potência aeróbia (a partir de 75% da velocidade máxima); ¾ Tolerância Láctica (85% e 99% da velocidade máxima); ¾ Potência Láctica (> 95% da velocidade máxima).. Para que o trabalho seja de qualidade, Daniels (1998), afirma que os atletas têm de manter o ritmo durante todo o trabalho, não aumentando quando o intervalo diminui. Ainda segundo o mesmo autor, é difícil para muitos corredores compreender esta ideia.. 2.2.3 Intervalo. Os intervalos utilizados ao longo do treino intervalado dependerão sempre da duração de cada repetição e também da intensidade trabalhada. Uma permissa importante no treino intervalado é que a intensidade tem de ser definida, de forma a que o atleta a consiga manter durante todo o exercício. Na base do treino intervalado está a permissa que o intervalo não deve permitir a recuperação completa dos parâmetros cardio – circulatórios e ventilatórios (princípio da carga lucrativa). Desta forma, a frequência cardíaca era um indicador importante no tempo de descanso, assim o quando a frequência cardíca atingia entre os 120 e os 130 batimentos/minutos, considerava-se adequada (Castelo et al., 2000). ____________________________________________________________________________ Manuel João Dias Leite de Barros Marques Ano Lectivo 2007/2008 11.
(30) Os efeitos do tempo de intervalo num protocolo de treino intervalado ____________________________________________________________________________. Segundo Daniels (1998) os intervalos curtos, ao não permitiram as recuperações completas, permitem que o nível de VO2máx seja atingido mais rapidamente. De acordo com Rhodes & Twist (1990 cit por Gaiga & Docherty, 1995), níveis elevados de capacidade aeróbia, facilitam a recuperação dos atletas e ainda a manutenção da intensidade de exercício. No entanto, esta ideia não está muito bem documentada na literatura (Gaiga & Docherty, 1995). Soares (2005) apresenta uma possível justificação para a importância da capacidade aeróbia no treino intervalado. Segundo este autor a reposição de Fosfocreatina está dependente do fluxo de oxigénio, o que equivale a dizer que quanto maior for a quantidade de oxigénio no sangue maior será a referida reposição. Quando os atletas têm fraca aptidão aeróbia, o seu metabolismo glicolítico é mais utilizado, o que provoca uma dupla consequência negativa. Por um lado a potência muscular é menor e, existe a acumulação de lactato. O intervalo a ser utilizado pelos atletas depende da experiência do atleta, iniciando nos 90s podendo diminuir progressivamente até aos 40s. O tempo de recuperação não deve ser alterado ao longo da época mas no início da mesma. A adaptação ao encurtamento do tempo de intervalo deve ser progressiva e sem pressas , uma vez que desta dependerá também o sucesso do processo de treino (Abrantes, 2006). Durante o treino intervalado existem dois tipos de pausas possíveis: ¾ Intervalo activo. Este intervalo caracteriza-se por uma corrida menos intensa (Ferreira & Rolim, 2006) para aumentar a remoção do lactato e porque permite atingir o nível de VO2máx mais rapidamente (Daniels, 1998). ¾ Intervalo passivo.. 2.2.4 Série. A série é um conjunto de estímulos e de repouso consecutivos com objectivos específicos ao nível da adaptação funcional (Castelo et al., 2000). Segundo os mesmos autores, a divisão do volume total em várias séries têm relacionados determinados objectivos, sendo eles: ____________________________________________________________________________ Manuel João Dias Leite de Barros Marques Ano Lectivo 2007/2008 12.
(31) Os efeitos do tempo de intervalo num protocolo de treino intervalado ____________________________________________________________________________. ¾ melhorar a qualidade do treino, podendo o atleta treinar sempre em intensidades elevadas; ¾ aumentar o volume do treino mantendo as mesmas intensidades; ¾ permitir que os estímulos do treino sejam mais variados.. 2.2.5 Distância do estímulo. A distância dos estímulos é realizada de acordo com o objectivo que é preconizado para o treino. No entanto, no treino intervalado, o mais imporante não são as distâncias percorridas, mas o número de repetições. Quadro 1. Distâncias a percorrer pelo atleta mediante o objectivo do treino. (Adaptado de E.E.F.E., s/d). Objectivo do treino. Distância a percorrer. Adaptação Fisiológia. 200metros (máximo 400metros). Desenvolvimento da Potência Muscular. 100metros (mínimo 40metros). Ritmo. Menos de 200metros. ____________________________________________________________________________ Manuel João Dias Leite de Barros Marques Ano Lectivo 2007/2008 13.
(32) Os efeitos do tempo de intervalo num protocolo de treino intervalado ____________________________________________________________________________. 2.3 Comparação entre Treino Intervalado e Treino Contínuo. Segundo Laursen & Jenkins (2002) existem vários estudos que referem que o treino intervalado pode aumentar a oxidação das gorduras mais que a corrida contínua. Essen et al. (s/d cit por Laursen & Jenkins, 2002) num estudo realizado compararam 1 hora de exercício contínuo a 50% do VO2máx com o treino intervalado (15 segundos de trabalho com 15 segundos de repouso) à mesma carga (157W). Em. indivíduos. pouco. treinados,. foram. usados. mais. lípidos. comparativamente com a glicólise quando o exercício foi intermitente em oposição com o treino contínuo. Noutro estudo realizado com indivíduos não treinados, no treino intervalado de alta intensidade. (5X4 minutos a 100% do VO2máx com 2. minutos de repouso; n=13) foi descoberto uma intensificação da capacidade oxidativa das fibras tipo II (p<0.05), quando comparados com o treino contínuo de atletas treinados (n=13) em exercícios com a mesma intensidade (79% do VO2máx ) e duração.. ____________________________________________________________________________ Manuel João Dias Leite de Barros Marques Ano Lectivo 2007/2008 14.
(33) Os efeitos do tempo de intervalo num protocolo de treino intervalado ____________________________________________________________________________. 2.4 Níveis de Lactatémia durante o Treino Intervalado. O elevado número de pesquisas realizadas por vários investigadores, sugere que o lactato sanguíneo é melhor indicador da performance no treino de resistência que o VO2máx (Weltman, 1995). A produção e remoção do lactato, vão ser determinados pela intensidade e duração do intervalo, sendo por isso o nível de lactatémia importante quando se quer aumentar o consumo de oxigénio minimizando a acumulação de lactato (Olsen et al., 1988). Sendo um exercício de resistência realizado a altas intensidades de VO2máx possível manter durante muito tempo, não é supreendente que um factor periferial do músculo como o lactato sanguíneo seja um melhor preditor de performance. Apesar da forte correlação entre o lactato sanguíneo e o lactato produzido no músculo esquelético, é um erro interpertar que o primeiro é unicamente reflexo do segundo (Weltman,1995). Stainsby & Brooks (s/d cit por Weltman, 1995) referiram que apesar de o músculo esquelético ser o maior produtor de ácido láctico, tanto em repouso como durante o exercício, também os intestinos, o fígado e a pele são capazes de libertar lactato. Janssen (2001), sugeriu que durante o exercício existe um proporção directa entre a concentração de ácido láctico sanguíneo e o número de fibras motoras recrutadas e à sua intensidade. Quando um atleta bem treinado corre a uma velocidade reduzida, os níveis de lactato no sangue mantêm-se baixos, sendo a energia utilizada por estes aeróbia. A produção de lactato, neste caso, é tão baixa que o corpo consegue neutralizar, ficando as concentrações entre as 2 e 4 milimoles/litro de sangue. O exercício torna-se anaeróbio quando a concentração de lactato/litro de sangue atinge as 4 milimoles (Santos, 2002), no entanto em alguns casos pode haver uma pequena varição desta referência entre as 3 e 6 milimoles/litro. (Janssen, 2001). A acumulação de lactato no sangue provoca uma diminuição do pH, limitando o fucionamento muscular (Gaiga & Docherty, 1995). Malina & Bouchard (2004), explicam a diminuição do pH com a concentração do ião de hidrogénio (H+) no músculo e nos fluídos corporais. Com a incapacidade de remoção do H+ o pH desce de 7.0 para valores de 6.3 ____________________________________________________________________________ Manuel João Dias Leite de Barros Marques Ano Lectivo 2007/2008 15.
(34) Os efeitos do tempo de intervalo num protocolo de treino intervalado ____________________________________________________________________________. após o exercício, este factor vai com que a capacidade de gerar e sustentar a tensão muscular diminua. Linossier et al (1993 cit por Laursen & Jenkins, 2002) sugeriu que o metabolismo aeróbio é importante durante as fases de recuperação para a remoção do ácido láctico. Quadro 2. Correlação entre o nível de lactatémia, a frequência cardíaca e o sistema energético. Adaptado de Janssen (2001). Nível de Lactato (milimoles/litro de. Frequência Cardíaca. sangue). (batimentos/minutos). Aeróbio de recuperação. 1 – 1.5. < 140. Aeróbio – pequena duração. 1.5 – 2.5. 140 – 160. Aeróbio – grande duração. 2.5 – 4. 160 – 180. Anaeróbio em intervalo. >4. > 180. Sistema energético. Segundo Colaço (2007), o lactato sanguíneo relacionado com a intensidade e duração do esforço, tem assumido grande importância no controlo de treino. Este controlo é feito através de um conceito de limiar anaeróbio, que é considerado um instrumento indispensável no controlo e avaliação do treino de meio fundo e fundo.. 2.4.1 Conceito de limiar anaeróbio. O termo limiar anaeróbio surgiu devido à associação entre a acumulação de lactato sanguíneo e a hipóxia tecidual que aparecia a partir de uma determinada intensidade de exercício, originando um maior recurso à glicólise (Conner et al., 1984 cit por Colaço, 2007). Este conceito é uma considerada uma das formas de avaliar os requesitos fisiológicos do treino de resistência de baixa intensidade, existindo, no entanto, discussões científicas acerca da sua justificação e terminologia (Soares, 2005). Ainda segundo Soares (2005), existem duas intensidades básicas de treino. A primeira, baixa intensidade, caracteriza-se por ser completamente oxidativa, onde não surgem indicadores da componente láctica. A segunda, em que a intensidade é mais alta, aumenta-se a preponderância do metabolismo glicolítico, tendo este factor como consequência a crescente acumulação de. ____________________________________________________________________________ Manuel João Dias Leite de Barros Marques Ano Lectivo 2007/2008 16.
(35) Os efeitos do tempo de intervalo num protocolo de treino intervalado ____________________________________________________________________________. lactato. Entre as duas intensidades referidas anteriormente, aparece o limiar anaeróbio. O limiar anaeróbio é considerado como a intensidade a partir da qual a concentração de lactato no sangue aumenta progressivamente, ou seja, o momento em que o metabolismo passa de puramente oxidativo para parcialmente anaeróbio. Esta fase caracteriza-se pela presença de um steadystate do lactato sanguíneo (Santos, 2002; Soares, 2005). Segundo Rodrigues dos Santos (2002), o limiar anaeróbio é o indicador submáximo mais adequado para medir a condição de um atleta implicado em esforços de longa duração. Soares (2005) acrescenta que o limiar anaeróbio é sensível a vários factores, entre os quais a forma física do atleta. O treino de resistência, promove nos atletas adaptações de forma a que estes, atinjam o limiar anaeróbio com intensidades cada vez mais altas, através de uma maior eficácia na remoção do lactato produzido. Quadro 3. Apresentação de diferentes conceitos de limiar anaeróbio utilizando o lactato sanguíneo como parâmetro avaliado segundo vários autores (Colaço, 2007 pág: 30). Autor Mader et al. (1976) Kindermann et al. (1978) Farrel et al. (1979). Critério de determinação Valor fixo de 4 mmol/l determinado por interpolação linear. Carga a 2 e 4 mmol/l. Aumento das concentrações acima dos valores de repouso.. Keul et al. (1979). Velocidade na tan= 1.26 (51º34’). Sjödin et al. (1979). Interpolação linear.. Pessenhofer et al. (1981). Stegmann e Kindermann (1981). Simon et al. (1981). Bunc et al. (1982). Designação Limiar aeróbio-anaeróbio Limiar aeróbio, limiar anaeróbio OPLA Limiar anaeróbio individual Início da acumulação do lactato sanguíneo (OBLA). Ponto de ruptura do quociente. Transição aeróbia-anaeróbia. diferencial lactato/tempo.. individual. Tangente à curva de performance do lactato. Idêntico ao método de keul, mas com tan=1. Bissectriz ao ponto de intercepção de 2 tangentes à curva do lacato.. Limiar anaeróbio individual. Limiar anaeróbio individual. Limiar anaeróbio individual. Ajustamento da curva de lactato obtida com 2 esforços intensos de Tegtbur et al. (1993). alta intensidade, seguidos de várias. Velocidade do lactato mínimo. cargas de trabalho de intensidade progressiva. Comparação da relação entre as Billat et al. (1994b). concentrações lácticas e a. Estado máximo de equilíbrio de. intensidade do exercício em 2. lactato. momentos de avaliação.. ____________________________________________________________________________ Manuel João Dias Leite de Barros Marques Ano Lectivo 2007/2008 17.
(36) Os efeitos do tempo de intervalo num protocolo de treino intervalado ____________________________________________________________________________. 2.5 Frequência Cardíaca. No treino, a frequência cardíaca é muito utilizada como referência para a intensidade do exercício, sendo fácil de monitorizar, relativamente barato e possível de utilizar em diversas situações (Achten & Jeukendrup, 2003). De acordo com Janssen (2001) existe uma proporção directa entre a intensidade de treino e a frequência cardíaca, logo esta é um bom indicador da intensidade de treino. No entanto, segundo Billat (2002), existem factores que influenciam a frequência cardíaca de um atleta como a temperatura. A melhor forma de medir a frequência cardíaca é através do pulso, o pescoço, artéria temporal e lado esquerdo da caixa torácica (Janssen, 2001). Segundo Billat (2002), no início do exercício há um aumento rápido da frequência cardíaca e do volume de sistólico e do débito cardíaco. Nos atletas de resistência treinados é normal que apresentem bradicardia (Achten & Jeukendrup, 2003), número de batimentos/minuto abaixo dos 60. Durante um treino intervalado, a diminuição da frequência cardíaca está dependente da condição física do atleta, no entanto está sempre dependente da duração, número de repetições e intensidades (Billat, 2002). Em exercício com intensidade inferior a 50% do VO2máx, a variação da frequência cardíaca tende a ser baixa, no entanto quando a mesma sobe para intensidades acima da referida esta variabilidade tende a aumentar (Achten & Jeukendrup, 2003). Um método de contagem da frequência cardíaca, denomina-se “método da contagem dos 15 segundos”, em que o atleta conta o número de batimentos cardíacos durante 15 segundos. Após essa contagem multiplica o número de batimentos por 4 e obtem-se o valor total (Janssen, 2001). Para definir a máxima frequência cardíaca de um determinado indivíduo, pode-se ter por base a idade do mesmo, utilizando a fórmula (Janssen, 2001; Astrand & Rhyming,1954 cit por Billat,2002;).. Fcmáx = 220 - idade. ____________________________________________________________________________ Manuel João Dias Leite de Barros Marques Ano Lectivo 2007/2008 18.
(37) Os efeitos do tempo de intervalo num protocolo de treino intervalado ____________________________________________________________________________. 2.5.1 Factores influenciadores da frequência cardíaca durante o exercício. Existem vários factores que influenciam a frequência cardíaca, entre os quais fisiológicos, ambientais (Achten & Jeukendrup, 2003). Seguidamente serão descritos os factores e de que forma influenciam a fequência cardíaca.. 2.5.2 Variações da circadiamas da frequência cardíaca. Foram feitos vários estudos em que foi descrita a variação da frequência cardíaca, quando um indivíduo era sujeito a um mesmo estímulo. Num estudo realizado por Taylor (1944 cit por Achten & Jeukendrup, 2003), foi estudado um grupo de 31 indivíduos que foram medidos enquanto andavam e corriam, em duas ocasiões diferentes. Os resultados desse estudo mostraram que existia uma variedade intra-individual média de 4.1% durante o exercício submaximal, enquanto um exercício maximal a variação era de 1.6%. Segundo. Achten. &. Jeukendrup. (2003),. mesmo. em. condições. controladas há diferenças de 2 – 4 batimentos/minuto, num teste realizado em dias diferentes.. 2.5.3 Factores fisiológicos. Vários são os factores fisiológicos que influenciam a frequência cardíaca, entre os quais a função cardiovascular e a hidratação (Achten & Jeukendrup, 2003).. 2.5.3.1 Função cardiovascular. Quando se controla o treino para uma determinada frequência cardíaca durante o exercício, a função cardíaca deve ser considerada. Foram já identificados aumentos de 15% em exercício com duração entre 5 – 60 minutos. A função cardiovascular é afectada por inúmeros factores como a desidratação e stress causado pelo calor (Achten & Jeukendrup, 2003).. ____________________________________________________________________________ Manuel João Dias Leite de Barros Marques Ano Lectivo 2007/2008 19.
(38) Os efeitos do tempo de intervalo num protocolo de treino intervalado ____________________________________________________________________________. 2.5.3.2 Hidratação. Quando um atleta está a realizar um exercício em desidratação, a frequência cardíaca poderá aumentar até 7.5%. O aumento da frequência cardíaca está directamente relacionada com o nível de desidratação do corpo (Achten & Jeukendrup, 2003). 2.5.4 Factores Ambientais. Não são apenas os factores fisiológicos que influenciam a relação entre a frequência cardíaca e os parâmetros de treino. Os efeitos da temperatura e altitude serão os factores abordados (Achten & Jeukendrup, 2003).. 2.5.4.1 Calor. Um dos factores descritos como influenciador na frequência cardíaca é o calor. A composição corporal ao longo do exercício com calor modificam devido à evaporação e radiação (Achten & Jeukendrup, 2003). Num estudo realizado por Gonzalez – Alonso et al. (1999 cit por Achten & Jeukendrup, 2003) com sete atletas no cicloergometro verificaram que num exercício de 30 minutos a diferentes temperaturas, a frequência cardíaca aumentava em relação directa com a temperatura. Este facto tem importância porque segundo os mesmos autores para a mesma intensidade de exercício, quando em realizado com temperaturas mais elevadas, a frequência cardíaca é mais elevada. Este motivo justifica mais uma vez o porquê da frequência cardíaca não ser bom indicador de intensidade dos exercícios.. 2.5.2 Frio. Quando o ser humano está exposto a temperaturas baixas há um decréscimo do fluxo sanguíneo dérmico, o que provoca um aumento do trabalho metabólico. ____________________________________________________________________________ Manuel João Dias Leite de Barros Marques Ano Lectivo 2007/2008 20.
(39) Os efeitos do tempo de intervalo num protocolo de treino intervalado ____________________________________________________________________________. MacArdle et al (1976 cit por Achten & Jeukendrup, 2003) investigou as alterações cardiovasculares induzidas por uma ambiente com temperatura mais baixa. Os indivíduos realizaram exercícios em seis intensidades diferentes na superfície a 26ºC, na água a 18ºC e 25ºC. Não foram observadas diferenças na frequência cardíaca, em exercícios com a mesma carga de trabalho. Durante os exercícios com a temperatura baixa, a frequência cardíaca foi idêntica em condições termoneutrais.. 2.5.3 Altitude. O gasto de oxigénio ao nível do mar é praticamente idêntico ao gasto em altitude (Klausen et al. 1970 cit por Achten & Jeukendrup, 2003). Para compensar a menor quantidade de oxigénio presente em altitude, é necessária uma maior quantidade de oxigénio no músculo (Achten & Jeukendrup, 2003). Em vários estudos (Vogel et al, 1967; Stenberg et al, 1966 cit por Achten & Jeukendrup, 2003) foi possível concluir que não existe uma diferença considerável entre a frequência cardíaca a altitude e ao nível do mar. Estes testes foram realizados após 3 ou 4 dias em altitude. Quando a manutenção em altitude aumenta para cerca de 12 dias, a frequência cardíaca aumenta cerca de 18%, 24 batimentos/minuto (Klausen et al. 1970 cit por Achten & Jeukendrup, 2003).. ____________________________________________________________________________ Manuel João Dias Leite de Barros Marques Ano Lectivo 2007/2008 21.
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(41) Objectivos e Hipóteses.
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(43) Os efeitos do tempo de intervalo num protocolo de treino intervalado ____________________________________________________________________________. 3. Objectivos e Hipóteses 3.1 Objectivo geral. O objectivo principal deste estudo consistiu na tentativa de averiguar os efeitos do tempo de repouso nas alterações da frequência cardíaca e lactatémia induzidas por um protocolo de treino intervalado.. 3.2 Objectivo específico. - Verificar a variação dos níveis de lactato sanguíneo e frequência cardíaca em função do tempo de repouso.. 3.3 Hipóteses. (i) A concentração de lactato sanguíneo aumenta com a diminuição do tempo de recuperação, no treino intervalado.. (ii) A frequência cardíaca aumenta com a diminuição do tempo de recuperação, no treino intervalado.. ____________________________________________________________________________ Manuel João Dias Leite de Barros Marques Ano Lectivo 2007/2008 25.
(44)
(45) Material e métodos.
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(47) Os efeitos do tempo de intervalo num protocolo de treino intervalado ____________________________________________________________________________. 4. Material e métodos 4.1 Caracterização da amostra. A amostra do estudo foi constituida por 4 corredores saudáveis que participam habitualmente em provas de meio fundo e fundo. O treino consiste prioritariamente em treino de corrida contínua, sendo o treino intervalado pouco abordado actualmente por estes. A caraterização destes corredores está descrita no quadro 4. Quadro 4. Características fisiológicas dos sujeios (n=4). Valores apresentados através da média e desvio padrão.. Características Idade (anos). Valores 57.3 + 8.7. Altura (cm). 170. 25 + 5.9. Peso (Kg). 76.25 + 6.4. Frequência cardíaca máxima (bat/min). 162.75 + 8.7. Pico de Lactato Sanguíneo. 11.25 + 3.0. Tempo de treino (anos). 15 + 10.8. Os atletas seleccionados para amostra deste estudo pertenciam ao escalão de veteranos, com pelo menos 5 anos de prática, evitando assim, variações relacionados com idade cronológica e treino. Durante o decorrer do estudo, os atletas participaram em provas de meio fundo e fundo, nomeadamente provas de 10.000 metros e meia maratona. Todos os participantes neste estudo foram informados da totalidade dos procedimentos, bem como da sua finalidade e consequências. Todos eles deram o seu consentimento por escrito. O estudo foi conduzido de acordo com a declaração de Helsínquia e foi aprovado pelo Comité de Ética do Conselho Científico da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto, Portugal. Foi pedido que não modificassem as suas rotinas de treino e alimentares. Nenhum dos participantes referiu anomalias fisiológicas ao longo do estudo.. ____________________________________________________________________________ Manuel João Dias Leite de Barros Marques Ano Lectivo 2007/2008 29.
(48) Os efeitos do tempo de intervalo num protocolo de treino intervalado ____________________________________________________________________________. 4.2 Procedimento. Inicialmente, foram registados os dados antropométricos dos sujeitos como a altura e o peso, bem como registada a frequência cardíaca máxima de cada um, de acordo com a fórmula de Astrand & Rhyming (1954 cit por Billat,2002) e Janssen ( 2001). Antes de cada teste, todos os sujeitos realizaram corrida contínua com a duração de vinte minutos, fazendo ainda dez minutos de alongamentos e alguns exercícios de técnica de corrida. Os sujeitos realizaram quatro sessões de treino intervalado, com dez repetições em cada sessão. A distância do intervalo foi de 200 metros, com intensidade idêntica ao longo de todas as sessões. ¾ Na primeira sessão o tempo de recuperação entre repetições foi de 90 segundos; ¾ Na segunda sessão o tempo de recuperação entre repetições foi de 75 segundos; ¾ Na terceira sessão o tempo de recuperação entre repetições foi de 60 segundos; ¾ Na quarta sessão o tempo de recuperação entre repetições foi de 45 segundos.. De duas em duas repetições foi medida a concentração de lactato sanguíneo (recolha de sangue feita no ouvido) e frequência cardíaca dos sujeitos. No final de cada sessão, os sujeitos realizaram corrida contínua cerca de 20 minutos seguida de alongamentos durante 5 minutos.. 4.3 Procedimentos estatísticos. Os dados obtidos após a realização dos procedimentos referidos anteriormente foram tratados estatísticamente através da média e desvio padrão, com recurso ao Microsoft Office Excell 2003.. ____________________________________________________________________________ Manuel João Dias Leite de Barros Marques Ano Lectivo 2007/2008 30.
(49) Os efeitos do tempo de intervalo num protocolo de treino intervalado ____________________________________________________________________________. As representações gráficas ilustrativas dos tratamentos estatísticos dos dados apresentados no trabalho foram realizadas através do recurso ao Microsoft Office Word 2003.. ____________________________________________________________________________ Manuel João Dias Leite de Barros Marques Ano Lectivo 2007/2008 31.
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(51) Resultados.
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(53) Os efeitos do tempo de intervalo num protocolo de treino intervalado ____________________________________________________________________________. 5. Resultados 5.1 Resultados das medições de Lactato sanguíneo Gráfico 1. Resultados médios de lactato sanguíneo apresentados pelos sujeitos(n=4). Valores expressos em milimoles/litro de sangue (mmol/L).. Lactato sanguíneo (mmol/L). 10 8 1ª medição. 6. 2ª medição 4. 3ª medição. 2. 4ª medição 5ª medição. 0 1º. 2º. 3º. 4º. Dia de teste. Quadro 5. Resultados médios de lactato sanguíneo apresentados pelos sujeitos (n=4). Valores expressos em milimoles/litro de sangue (mmol/L). Intervalo 90’’ 75’’ 60’’ 45’’. 2ª Serie 2.3 3.4 4.4 3.2. 4ª Serie 4 4.2 7.5 8. 6ª Serie 4.9 5.6 9.2 5.8. 8ª Serie 5.3 6.5 7.3 8.1. 10ª Serie 5.7 7.3 8.7 7.5. Os resultados apresentados pelos sujeitos ao longo dos quatro dias de testes, demonstram uma tendência para as concentrações de lactato sanguíneo de forma inversa ao tempo de recuperação. No primeiro dia de testes, os sujeitos apresentaram durante as duas primeiras medições valores abaixo do limar aneróbio, o que revela trabalho totalmente aeróbio. Nas restantes medições as concentrações de lactato sanguíneo aumentaram tendo o pico sido atingido, na última medição 5.7 milimoles/litro de sangue. No segundo dia de testes, as concentrações de lactato sanguíneo, comparativamente às do primeiro dia foram superiores. No entanto, as duas primeiras medições tiveram resultados abaixo e próximas do limar anaeróbio, 3.4 e 4.2 milimoles/litro de sangue respectivamente. Na terceira medição houve um aumento acentuado, com o valor de concentração de lactato sanguíneo a ser de 5.6 milimoles/litro de sangue. Na quarta medição, o valor médio de concentração de lactato sanguíneo foi de 6.5 milimoles/litro de sangue. Na ____________________________________________________________________________ Manuel João Dias Leite de Barros Marques Ano Lectivo 2007/2008 35.
(54) Os efeitos do tempo de intervalo num protocolo de treino intervalado ____________________________________________________________________________. última medição foi atingido o pico de lactato sanguíneo com 7.3 milimoles/litro de sangue. No terceiro dia de testes, os valores de concentração de lactato sanguíneo foram todos acima do limiar anaeróbio. Na primeira medição, o valor foi de 4.4 milimoles/litro de sangue. Nesta medição, os valores de dois sujeitos foram inválidos. Na segunda medição, o valor da concentração de lactato sanguíneo aumentou para 7.4 milimoles/litro de sangue. O aumento mantevese na terceira medição com o valor de 9.2 milimoles/litro de sangue. Na quarta medição houve uma quebra nos valores de lactatémia sanguínea para 7.3 milimoles/litro de sangue. Na última medição a concentração de lactato sanguíneo aumentou para 8.3 milimoles/litro de sangue. No quarto dia de testes, os resultados contrariaram a lógica dos resultados dos dias anteriores, com a presença de algumas variações. Na primeira medição o valor foi de 3.1 milimoles/litro de sangue. Na segunda medição, o valor de lactato sanguíneo teve um aumento significativo para 8.0 milimoles/litro de sangue. Na terceira medição, o valor desceu novamente para 5.4 milimoles/litro de sangue. Nesta medição dois sujeitos demoraram mais tempo na repetição que os seus tempos de referência. Na quarta medição, os valores aumentaram para 7.7 milimoles/itro de sangue. Na última medição a concentração de lactato sanguíneo foi de 7.1 milimoles/litro de sangue. No final da terceira medição um dos sujeitos desistiu do teste. Gráfico 2. Resultados das concentrações de lactato sanguíneo do sujeito 1. Valores expressos. Lactato sanguíneo (mmol/L). em milimoles/litro de sangue (mmol/L). 10 9 8 7 6 5 4 3 2 1 0. 1ª medição 2ª medição 3ª medição 4ª medição 5ª medição 1º. 2º. 3º. 4º. Dia de teste. ____________________________________________________________________________ Manuel João Dias Leite de Barros Marques Ano Lectivo 2007/2008 36.
(55) Os efeitos do tempo de intervalo num protocolo de treino intervalado ____________________________________________________________________________ Quadro 6. Resultados das concentrações de lactato sanguíneo do sujeito 1. Valores expressos em milimoles/litro de sangue (mmol/L). Intervalo 90’’ 75’’ 60’’ 45’’. 2ª Serie 2.0 2.4 ----4.3. 4ª Serie 2.3 2.1 5.0 6.2. 6ª Serie 2.8 2.1 5.3 5.6. 8ª Serie 3.1 2.4 6.9 7.3. 10ª Serie 3.4 3.2 8.2 6.8. O sujeito 1, apresentou ao longo dos quatro dias de testes um aumento dos concentrações de lactato sanguíneo. Nos primeiros dias de testes, as concentrações de lactato sanguíneo, foram idênticas nas mesmas medições nos diferentes dias. Todos valores deste sujeito foram abaixo do limiar aneróbio, com os picos de lactatémia sanguínea a ser obtidos nas últimas medições, 3.4 e 3.2 milimoles/litro de sangue respectivamente. Este sujeito nos dois primeiros dias, realizou um trabalho totalmente aeróbio. No terceiro dia de testes, o sujeito teve a primeira medição inválida. Na segunda medição, o valor de lactato sanguíneo, foi acima do limiar anaeróbio com o valor de 5.0 milimoles/litro de sangue. Na terceira medição houve um ligeiro aumento de concentração, comparativamente à anterior. Nesta medição o valor foi de 5.3 milimoles/litro de sangue. Na terceira medição houve um aumento significatico nas concentrações de lactato sanguíneo, tendo o sujeito apresentado o valor de 6.9 milimoles/litro de sangue. Na última medição, este sujeito atingiu o pico absoluto de todos os dias de testes com um valor de 8.2 milimoles/litro de sangue. No último dia de testes, os valores do sujeito estavam todos acima do limiar aneróbio. Ao longo das medições, a concentração do lactato sanguíneo foi aumentando gradualmente, atingindo as 7.3 milimoles/litro de sangue. A excepção desta tendência de aumento foi na última medição, onde se verificou um pequeno decréscimo da concentração de lactato sanguíneo para as 6.8 milimoles/litro de sangue.. ____________________________________________________________________________ Manuel João Dias Leite de Barros Marques Ano Lectivo 2007/2008 37.
(56) Os efeitos do tempo de intervalo num protocolo de treino intervalado ____________________________________________________________________________ Gráfico 3. Resultados das concentrações de lactato sanguíneo do sujeito 2. Valores expressos. Lactato sanguíneo (mmol/L). em milimoles/litro de sangue (mmol/L). 13 12 11 10 9 8 7 6 5 4 3 2 1 0. 1ª medição 2ª medição 3ª medição 4ª medição 5ª medição 1º. 2º. 3º. 4º. Dia de teste. Quadro 7. Resultados das concentrações de lactato sanguíneo do sujeito 2. Valores expressos em milimoles/litro de sangue (mmol/L). Intervalo 90’’ 75’’ 60’’ 45’’. 2ª Serie 2.8 2.8 2.7 1.6. 4ª Serie 7.3 4.7 4.1 3.8. 6ª Serie 8.9 6.7 5.3 1.2. 8ª Serie 10.3 7.3 6.3 2.8. 10ª Serie 10.7 8.6 7.0 4.1. O sujeito 2, apresenta valores crescentes no mesmo dia de testes, tendo no entanto, diminuido a concentração de lactato sanguíneo nos vários dias. No primeiro dia de testes, apresenta os valores de lactatémia sanguínea mais elevados. Na primeira medição, o valor apresentado por este sujeito foi de 2.8 milimoles/litro de sangue,abaixo do limiar anaeróbio. Nas medições seguintes o nível de lactatémia sanguínea teve uma tendência crescente, tendo atingido o pico na última medição com 10.7 milimoles/litro de sangue. É possível verificar um aumento acentuado da concentração de lactato sanguíneo entre a primeira e segunda medições. No segundo dia de testes, a tendência de aumento progressivo dos níveis de lactatémia sanguínea manteve-se. Na primeira medição o valor de lacatatémia sanguínea foi idêntica ao obtido no primeiro dia de testes, 2.8 milimoles/litro de sangue. Na segunda medição, o valor apresentado pelo sujeito encontrava-se ligeiramente acima do limiar anaeróbio, 4.7 milimoles/litro de sangue. Tal como no primeiro dia, também neste, a tendência de aumento das concentrações de lactato sanguíneo ao longo das medições manteve-se, com o pico a ser atingido na última medição com 8.6 milimoles/litro de sangue.. ____________________________________________________________________________ Manuel João Dias Leite de Barros Marques Ano Lectivo 2007/2008 38.
(57) Os efeitos do tempo de intervalo num protocolo de treino intervalado ____________________________________________________________________________. No terceiro dia de testes, o sujeito apresentou na primeira medição um valor aproximado aqueles que foram obtidos nos dias anteriores de testes, 2.7 milimoles/litro de sangue. Na segunda medição, o sujeito encontrava-se no limiar anaeróbio com um valor de 4.1 milimoles/litro de sangue. Nas medições seguintes, o sujeito apresentou valores acima do limiar anaeróbio, tendo atingido o pico máximo na última medição com 7.0 milimoles/litro de sangue. No quarto dia de testes, o sujeito apresentou valores sempre abaixo do limiar anaeróbio, à excepção da última medição, com 4.1 milimoles/litro de sangue, não sendo no entanto, um valor muito significativo. Na primeira medição, o valor de lactatémia sanguínea apresentado foi o mais baixo entre todas as primeiras medições com 1.6 milimoles/litro de sangue. Na segunda medição, apresentou um valor próximo do limiar aneróbio com 3.8 milimoles/litro de sangue. Na terceira medição houve um decréscimo do valor de lactatémia sanguínea para 1.2 milimoles/litro de sangue. Na quarta medição houve um aumento para 2.8 milimoles/litro de sangue. De referir que o sujeito realizou todas as repetições de acordo com o seu tempo de referência, à excepção da última repetição do quarto dia de tetes, em que realizou um tempo inferior em 7 segundos. Gráfico 4. Resultados das concentrações de lactato sanguíneo do sujeito 3. Valores expressos. Lactato sanguíneo (mmol/L). em milimoles/litro de sangue (mmol/L). 16 15 14 13 12 11 10 9 8 7 6 5 4 3 2 1 0. 1ª medição 2ª medição 3ª medição 4ª medição 5ª medição 1º. 2º. 3º. 4º. Dia de teste. ____________________________________________________________________________ Manuel João Dias Leite de Barros Marques Ano Lectivo 2007/2008 39.
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