Material e métodos
6.1 Discussão dos resultados da concentração do lactato sanguíneo
Como vimos atrás, a concentração de lactato no sangue após o esforço depende de vários factores, entre os quais, de salientar o perfil fibrilar e o nível de treino dos sujeitos.
Foi nossa preocupação fundamental “mexer” no intervalo mantendo a mesma intensidade de exercício. Nesse sentido, as unidades de esforço em cada protocolo eram controladas exteriormente, dando indicações para aumentar ou reduzir a intensidade de esforço. Desta forma, as condições básicas prescritas do estudo não eram afectadas. É lógico que se verificaram algumas variações que se expressaram em 2 ou 3 segundos para mais ou
Os efeitos do tempo de intervalo num protocolo de treino intervalado
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menos do tempo referencial. No entanto, tal situação foi considerada residual, pois prende-se com a impossibilidade natural de reproduzir um esforço de forma metronómica.
Para uma melhor e mais aprofundada análise dos resultados obtidos, pareceu - nos de grande importância perceber o efeito dos intervalos em cada dia, de forma isolada.
Na consecução do protocolo nº1, com intervalo de 90 segundos, os sujeitos apresentaram valores abaixo do valor teórico de limiar anaeróbio (4 milimoles/litro de sangue). Com um treino de base predominantemente aeróbio, corrida contínua, a capacidade aeróbia está muito desenvolvida. Segundo Rhodes & Twist (1990 cit por Gaiga e Docherty, 1995) a capacidade aeróbia facilita a recuperação dos atletas. Soares (2005) complementa afirmando que o maior fluxo de oxigénio, logo, será também maior a reposição de fosfocreatina.
Assim, os sujeitos têm grande capacidade de remoção do ião H+ que baixa o pH, provocando a diminuição da capacidade de tensão muscular (Malina & Bouchard, 2004).
Com o que foi referido anteriormente é possível que os sujeitos deste estudo tenham uma grande capacidade de remoção do lactato sanguíneo. No entanto, verifica-se que após a 6ª repetição o valor apresentado é superior às 4 milimoles/litro de sangue. Este valor pode não ser significativo, uma vez que, segundo Janssen (2001), o limiar anaeróbio pode ser atingido somente às 6 milimoles/litro de sangue. Podemos no caso do primeiro dia de testes, dizer que o trabalho realizado pelos sujeitos foi quase na sua totalidade aeróbio.
Na consecução do protocolo nº2, o intervalo entre repetições diminuiu para 75 segundos. Com a justificação utilizada para o primeiro dia, a diminuição do tempo de intervalo poderá ter resultado nos valores obtidos pelos sujeitos a partir da 4ª repetição em que o valor de lactato sanguíneo ultrapassa as 4 milimoles/litro de sangue. No entanto, o valor de lactatemia mantem-se abaixo das 6 milimoles/litro de sangue. Entre a 6ª repetição e a 8ª repetição a diferença de lactatemia é acentuada. A diferença dos níveis de lactato sanguíneo na última medição também foi grande, não ultrapassando as 8 milimoles/litro de sangue. É de salientar, que no final do protocolo a
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concentração média de lactato sanguíneo passou para 7.3 milimoles/litro de sangue, mais 1.6 milimoles/litro de sangue que no protocolo anterior.
Um dos sujeitos, neste dia, apresentou os valores de lactatemia sanguínea inferiores às 4 milimoles/litro de sangue, ao longo de todo o teste. Podemos também neste caso conjecturar que este sujeito apresenta uma capacidade aeróbia mais elevada que os restantes.
No protocolo nº 3, o tempo de intervalo foi reduzido para 60 segundos, reduzindo assim o tempo de recuperação. A acumulação de lactato sanguíneo foi maior e a diferença de lactatémia sanguínea foi verificada no momento da segunda medição, ou seja, após a 4ª repetição. Com este intervalo, foi atingido o pico de lactatémia de todos os dias com o valor médio de 9.2 milimoles/litro de sangue. Na medição seguinte verificamos simultaneamente em todos os sujeitos uma de duas reacções. Dois sujeitos tiveram uma aumento acentuado dos níveis de lactato sanguíneo e, os outros dois sujeitos não conseguiram manter a intensidade das repetições.
Este ponto do teste pareceu-nos um momento importante de ser estudado, uma vez que, apesar das diferentes reacções, este foi um momento de alterações de resposta para todos os sujeitos. Neste protocolo a concentração de lactato sanguíneo foi de 8.7 milimoles7litro de sangue, mais 1.4 milimoles/litro de sangue que no protocolo nº2.
No protocolo nº4 apenas a 1ª medição apresentou um valor de concentração de lactato sanguíneo abaixo das 4 milimoles/litro de sangue. Neste dia de testes a variabilidade das concentrações de lacatatémia foi grande. Com um intervalo de apenas 45 segundos, os sujeitos demonstraram uma grande irregularidade nas concentrações de lactato sanguíneo apresentados. Mais uma vez, dois sujeitos não conseguiram manter a intensidade das séries. No final da 6ª série, um destes sujeitos desistiu do teste. Neste protocolo a concentração final de lactato sanguíneo foi de 7.5, menos 1.2 milimoles/litro de sangue que no protocolo nº3.
Como conclusão podemos afirmar que com a diminuição do tempo de intervalo, a concentração de lactato sanguíneo aumenta em função do protocolo utilizado em medições homólogas. Constatamos também que com a diminuição do tempo de intervalo, o aumento acentuado das concentrações de
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lactato sanguíneo aparecem cada vez mais cedo nas medições. No entanto, verificaram-se excepções individuais.
O sujeito 3 apresenta uma diminuição da concentração de lactatémia sanguínea. Podemos neste caso tentar explicar esta situação recorrendo a duas hipóteses:
¾ A primeira hipótese para esta diminuição poderá estar relacionada com a adaptabilidade do atleta a este tipo de treino, ao longo dos testes. Este facto pode ser reforçado com a experiência anterior deste atleta, em relação ao treino intervalado que indicou no questionário inicial ter realizado há alguns anos atrás.
¾ A segunda hipótese para este facto pode ter como base o estudo de Essen et al. ( s/d cit por Laursen & Jenkins, 2002) em que foi descoberto que com o treino intervalado, as fibras do tipo II sofreram uma intensificação do metabolismo oxidativo, bem como poderá ter havido um maior e melhor recrutamento das fibras tipo I. A capacidade de remoção do lactato sanguíneo aumentou. Assim, o aumento da concentração de lactato sanguíneo foi contrariado por um aumento da capacidade oxidativa. Apesar do tempo de recuperação diminuir e a tendência de acumulação de lactato aumentar, este não se verificou pela eficiente capacidade oxidativa das fibras tipo II.