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Atividade física e o bem-estar para pessoas cegas

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Academic year: 2021

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Título

Atividade Física e o Bem-Estar

para Pessoas Cegas

Dissertação de Mestrado do Ensino da Educação Física nos

Ensinos Básicos e Secundário

Patrícia da Assunção Calhabrêz Cordeiro

Orientadores: Professor Doutor Francisco José Félix Saavedra Professor Doutor António Rebelo

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Patrícia Cordeiro Página 2

“Continuarei a ser atleta, contra a cegueira da indiferença. Recomeçai sempre sem angústia e sem desânimo. Para dar passos de liberdade no caminho duro que leva

ao futuro. Não descanseis enquanto não alcanceis. Do fruto da cidadania não queirais

só a metade. Porque vós sois cidadãos na inteireza do dizer e arquétipos da aventura

humana na expressão do fazer. Um dia ainda haveis de voar!”

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Patrícia Cordeiro Página 3

Agradecimentos

A concretização do presente trabalho contou com a disponibilidade e simpatia de inúmeras pessoas, às quais quero agradecer por tudo o que aprendi por tudo o que aprendi com elas, e por estarem sempre do meu lado nos momentos mais complicados do decorrer deste Mestrado.

Gostaria de agradecer especialmente…

Aos meus pais, presto a minha homenagem pela liberdade de opção que sempre me proporcionaram e pelo apoio que em todos os momentos da minha vida me prestaram. Ao meu marido Carlos Gonçalves e ao meu filho João Carlos Gonçalves pelo apoio, ajuda e compreensão pela falta de tempo que tinha para eles.

Não existem palavras para exprimir o carinho e a gratidão que lhes dedico.

Aos meus orientadores, Prof. António Rebelo e Professor Francisco Saavedra, quero sobretudo aqui deixar expressa a minha profunda gratidão pela disponibilidade que, ao longo da consequente dissertação, sempre se mostraram prontos em me atender, pelas importantíssimas fontes bibliográficas a que me facultaram o acesso, acompanhamento de perto este trabalho que lhe tanto fico devendo.

Tenho também de referir ainda o quanto lhe estou grato pela preocupação de rigor científico que me souberam incutir, suscitando-me o desejo de não ficar por aqui.

A todos aqueles que de forma direta ou indireta foram importantes para a realização deste estudo e que, não foram citados, vão os nossos sinceros agradecimentos.

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Patrícia Cordeiro Página 4

Resumo

A atividade física e o bem-estar das pessoas cegas é, ou deve ser, uma preocupação da sociedade em que estão inseridos. A literatura em que nos baseamos para este trabalho aponta nesse sentido e coloca a questão da melhoria e da manutenção ao longo do ciclo de vida dessa qualidade de vida a eles inerente- Temos como objetivo demonstrar queexistem diferentes perspetivas acerca da atividade física e do bem-estar físico e psicológico; indagar de que forma a atividade física contribuiu para a qualidade de vida; Verificar se a atividade física contribui para a interação e benefício social; Verificar se a atividade física é preventiva para comportamentos disruptivos; e analisar se atividade física contribui para a diminuição do isolamento da pessoa cega.

Este estudo apresentado pretende responder á questão de partida que lhe deu origem – A Atividade Física é necessária para o Bem-Estar das pessoas cegas?

Esta questão colocou-se no momento em que, em contexto profissional se procurou criar uma turma com uma Atividade desportiva que fosse acessível para as pessoas portadoras de Deficiência Visual.

Utilizamos a metodologia qualitativa baseada na análise de entrevista a seis pessoas cegas inseridas na sociedade em que cinco estão em contexto de emprego e uma está aposentada. Como procedimento para a execução deste trabalho tivemos a preocupação de fazer contactos prévios para a execução das entrevistas que gravámos em áudio com autorização de cada pessoa, procedemos à transcrição e posterior análise de conteúdo. Não

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Patrícia Cordeiro Página 5 utilizamos “software “ de análise de conteúdo por a amostra ser apenas de seis indivíduos, o que se tornava pouco operacional para o programa de análise.

Sendo licenciada em Educação Física e não havendo grandes estudos sobre esta temática, foi um tema que nos fascinou e que gostaríamos de investigar.

No trabalho foram desenvolvidos os subtemas falados no título e as metodologias utilizadas para a prática da investigação serão abordadas no título das metodologias.

Pelos resultados apresentados neste trabalho, a prática da atividade física, promove o bem-estar físico e psicológico das pessoas cegas, por isso recomenda-se que todas as pessoas cegas pratiquem uma atividade física.

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Patrícia Cordeiro Página 6

Abstract

The physical activity and well-being of blind people is, or should be, a concern of the society in which they are inserted. The literature on which we base this work points in this direction and poses the question of the improvement and maintenance throughout the life cycle of this inherent quality of life. We aim to demonstrate that there are different perspectives on physical activity and good Physical and psychological; To inquire how physical activity contributed to the quality of life; To verify if the physical activity contributes to the interaction and social benefit; To verify if the physical activity is preventive for disruptive behaviors; And analyze whether physical activity contributes to the decrease of the isolation of the blind person.

This study intends to answer the starting question that gave rise to it - Is Physical Activity Necessary for the Well-Being of Blind People?

This question arose at a time when, in a professional context, we tried to create a class with a sport that was accessible for people with Visual Impairment.

We used the qualitative methodology based on the interview analysis of six blind people inserted in the society in which five are in employment context and one is retired. As a procedure for the execution of this work we had the concern of making previous contacts for the execution of the interviews that we recorded in audio with authorization of each person, we proceeded to the transcription and later analysis of content. We did not use content analysis software because the sample was only six individuals, which became less operational for the analysis program.

Being licensed in Physical Education and not having great studies on this subject, was a subject that fascinated to us and that we would like to investigate.

In the paper the subtopics spoken in the title were developed and the methodologies used for the practice of the research will be addressed in the title of the methodologies.

From the results presented in this study, the practice of physical activity promotes the physical and psychological well-being of blind people, so it is recommended that all blind people practice physical activity.

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Patrícia Cordeiro Página 7 Key - words: Physical Activity, Wellness Physical and Psychological, Blindness.

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Patrícia Cordeiro Página 8

Índice Geral

- Introdução 10

- Enquadramento Teórico 12

- Desporto e Atividade Física 12

-Conceito de Desporto para deficientes 16

-

Vantagens Desporto para deficientes 17

- Desporto adaptado para Cegos 19

- Deficiência Visual 20

- Etiologia da deficiência Visual 21

- Qualidade de vida e bem-estar 23

- Metodologia 33 - Técnica 33 - Objetivos 33 - Grupo de estudo 34 -Procedimento 34 - Deontologia 35 - Instrumento 35

Apresentação dos Resultados 37

- Análise de Conteúdo das entrevistas 55

- Discussão dos Resultados 71

-Planeamento e objetivos específicos do plano de formação 75

- Conclusões 78

- Referência Bibliográficas 80

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Patrícia Cordeiro Página 9

Índice de Quadros

Quadro 1 – Etiologia da deficiência visual 21

Quadro 2 – Outras Etiologias 22

Quadro 3 – Descrição geral de cada indivíduo por pergunta 56

Quadro 4- Descrição das perguntas por grupo para chegar aos benefícios 66

Quadro 5- Descrição geral dos Benefícios motores, físicos, Sociais e Intra-individuais

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Patrícia Cordeiro Página 10

Introdução

O presente trabalho insere-se no âmbito de trabalho final do Mestrado em Ensino da Educação Física nos Ensinos Básicos e Secundário, realizado na Universidade de Trás – os – Montes e Alto Douro.

A ideia inicial para o desenvolvimento deste trabalho, surgiu a partir de uma necessidade de aprofundar dos nossos conhecimentos sobre a Atividade Física e a Cegueira, sabendo que existem muitos trabalhos nesta área (Atividade Física) mas poucos ou quase nenhuns relacionados com esta problemática. Sendo assim, tentaremos efectuar um estudo, relacionando os conteúdos da Atividade Física e com a cegueira, de forma a obter indicações de como a Atividade Física é importante para o bem-estar dos indivíduos cegos.

A constituição da República Portuguesa de 1967 consagra no seu Artigo 79º, o direito á cultura física e ao desporto a todos, aspecto este reforçado pelo Artigo 1º da Lei nº 30/2004, de 21 de Julho – Lei de Bases do desporto que assume o desporto como factor indispensável na formação da pessoa humana e no desenvolvimento da sociedade, não deixando de se ocupar especialmente da prática desportiva do cidadão portador de deficiência.

Além disso, estabelece que “cabe ao Estado adoptar medidas específicas necessárias para assegurar o acesso da pessoa com deficiência á prática do desporto e á fruição dos tempos livres” (artigo 38º), incluindo o acesso á prático do desporto de alta competição.

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Patrícia Cordeiro Página 11 É a partir deste ponto que tentaremos relacionar bem-estar e Atividade física para os indivíduos portadores de cegueira. Sendo assim, como pergunta de partida, colocamos a seguinte questão:

“Qual o contributo da Atividade física para o bem-estar fisco e psicológico das pessoas portadoras de cegueira?”

Este trabalho está organizado em sub - temas tais como a Atividade física, desporto adaptado para cegos, a deficiência visual, etiologia da deficiência visual, qualidade de vida e bem-estar, estes temas serão abordados durante o enquadramento teórico. Seguidamente falaremos um pouco da metodologia que será utilizada.

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Patrícia Cordeiro Página 12

Enquadramento Teórico

Desporto e Atividade Física

Bento (1987,p.89) considera que o desporto “constitui parte integrante da cultura corporal e física e é o grande meio da Educação Física da sociedade”. Segundo o mesmo autor (1991) o desporto não existe no singular, mas sim no plural, sendo uma das suas formas o Desporto de Reeducação e de Reabilitação. Neste contexto, a prática desportiva para a pessoa com deficiência tem vindo a ser alvo das mais variadas atenções. Exemplo disso é a “Carta Europeia do Desporto para Todos: as Pessoas Deficientes” (1988) do Concelho da Europa, a qual reconhece o desporto como “um meio privilegiado de educação, readaptação, valorização do lazer e integração social”.

Teixeira (2000), justifica este crescente número de práticas corporais, afirmando que o consumo de serviços desportivos é, em última análise, o objectivo terminal de todo o processo de produção desportiva, devendo desta forma basear-se a construção de condições para a prática desportiva, em elementos apelativos capazes de atrair consumidores e, simultaneamente, potenciar um incremento no consumo dos serviços do desporto, não dispensando a utilização de ferramentas de Marketing. Esta será a chave para abrir a porta de acesso ao mercado, que por excelência é quem dita as regras, encontrando-se cada vez mais competitivo e concorrencial.

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Patrícia Cordeiro Página 13 Na realidade vivemos num mercado global, onde as organizações desportivas se batem permanentemente por conseguir seduzir e captar uma maior fatia de consumidores para os seus serviços.

Desporto é uma atividade que nos seus pressupostos fundamentais deve dimensionar a promoção dos valores humanos, os princípios de solidariedade e a cooperação social e cultura entre os seus intervenientes. A superação, o risco e o confronto civilizado é uma vertente que faz parte da essência humana através da exploração e desafio dos seus limites mecânicos, fisiológicos e mentais. Considera que a prática desportiva deve contribuir para o equilíbrio emocional e afectivo do homem, da sua saúde física e mental e para o desenvolvimento das suas capacidades individuais e convivência social. (Neto, 1994).

Para o referido autor, Neto a prática desportiva regular oferece imensos benefícios no desenvolvimento da criança, ao nível do crescimento físico das capacidades físico - motoras, na criação de novas amizades (cooperação) e da valorização da auto-estima, sendo a prevenção da saúde um objectivo social que pode desenvolver-se através de práticas corporais generalizadas a todas as idades, desde que adaptadas ao seu nível de desenvolvimento e às suas expectativas e motivações. Assim, a criação de hábitos de tratamento da saúde física e mental deve começar a fazer-se o mais cedo possível. A generalização de programas recreativos e desportivos, evitaria o crescimento de padrões de vida sedentária, diminuindo eventualmente as chamadas doenças da civilização moderna.

Teixeira (2000), afirma ainda que o papel da escola é funcionar como base estimuladora para o desporto, uma vez que é detentora de uma influência fortíssima sobre a adopção de hábitos de consumo de práticas desportivas.

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Patrícia Cordeiro Página 14 Em nossos entender e como já foi referido, o desporto teve ao longo dos tempos uma grande variedade de definições sociológicas, filosóficas e técnicas, entre outras. A evolução cultural dos povos e o melhor conhecimento do fenómeno desportivo justificam plenamente este facto. Todas estas atenções voltadas para o desporto adaptado podem talvez ser explicadas por mudanças socioculturais, nas quais se verifica uma manifesta preocupação de tratar o Homem na sua integralidade, seja ele deficiente, sobredotado ou ainda “anormal”.

“O desporto alcançou nos últimos anos uma valorização social cultural anteriormente inimaginável”. Inicialmente, o desporto para pessoas com deficiência foi concebido como

uma experiência clínica. Actualmente é visto de uma forma diferente, isto é, o seu alcance vai muito para além da terapia. Bento (1991,p.45)

Dunn (1980) ocorreu uma evolução nos estágios de desporto para pessoas com deficiência:

- Desporto como terapia: as primeiras experiências desportivas foram realizadas com o objectivo de estimular em termos anátomo-fisiológicos os pacientes deficientes;

- Valor psicológico do desporto: o desporto permite á pessoa com deficiência demonstrar a si próprio, e á sociedade, que deficiência não é sinónimo de invalidez; o valor psicológico, juntamente com o fisiológico, contribui para o desenvolvimento da sua imagem;

- Normalização: o desporto contribui para a (re) integração da pessoa com deficiência na comunidade; uma forma muito positiva de integração é a competição entre as

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Patrícia Cordeiro Página 15 pessoas com deficiência e pessoas com não deficiência em modalidades como o tiro com arco, bowling, ténis de mesa, natação, entre outras;

Motivação para a prática desportiva: é talvez o aspecto mais importante para a obtenção de boas performances; ao estar motivado para a prática desportiva o valor terapêutico, psicológico e o conceito de normalização estão implícitos.

A pessoa com deficiência, através do desporto, descobre os seus limites e potencialidades, ultrapassa algumas barreiras impostas pela sociedade, relaciona-se e troca experiências com os outros. Assim, as suas limitações e habilidades são postas á prova para encorajar e para que alcance os seus limites, valorizando as suas acções. Estas, no desporto, são tomadas de decisões rápidas, que ele próprio tem de escolher, desenvolver, assim, a sua autoconfiança, autonomia e liberdade (Silva, 1998).

De acordo com Marta (1998), que afirma que a pessoa com deficiência deve ter o direito de praticar nas mesmas Atividades físicas desportivas que os outros cidadãos. Com efeito, deve poder escolher participar em varias Atividades, como o desporto de alto nível, o desporto organizado de forma regular, o desporto de recreação para satisfação pessoal, e o desporto orientado para a saúde ou para a manutenção e/ou para o desenvolvimento da condição física.

Potter (1975) afirma que, qualquer que seja a prática desportiva levada a cabo pela pessoa com deficiência, os efeitos são os seguintes:

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Patrícia Cordeiro Página 16 - Fisiológicos – exploração dos limites articulares, controlam dos movimentos voluntários, melhoria da aptidão física geral e a saúde;

- Psicológicos – o domínio do gesto conduzido á autoconfiança, à diminuição da ansiedade e ao aumento da comunicação;

- Sociais – a melhor autonomia e integração social.

A estes efeitos, Guttmann (1997) acrescenta ainda os seguintes:

- Terapêuticos – como complemento da terapia física;

- Recreativos – constituem a grande vantagem desta vertente em relação ao exercício curativo.

“Como lema Desporto para todos, os praticantes são hoje os homens e as mulheres na pluralidade e diversidade dos seus estados de desenvolvimento; são, por isso, crianças, jovens, adultos e idosos, maridos e esposas, pais e mães, avós e avôs, solteiros, casados e divorciados, saudáveis e doente, normais e deficientes” (Bento, 1993, p.34).

Conceito de Desporto para pessoas com deficiência

O Desporto para Pessoas com Deficiência, segundo Mimoso (2002) tem uma identidade própria, apesar de englobar um conjunto de práticas semelhantes á do desporto em geral, tem uma identidade que é necessário reconhecer e respeitar. Contudo, a fim de se perceber a natureza desta Atividade desportiva específica de uma população especial, é vantajoso que se esclareça a definição da mesma.

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Patrícia Cordeiro Página 17 Por outro lado, o Desporto para Pessoas Deficiência é visto por Winnick (1990) como uma componente da educação física que proporciona serviços e atividades adaptadas às necessidades especiais de determinados indivíduos (cit. Mimoso,2002). Para este autor o Desporto Adaptado define-se como um conjunto de experiências desportivas modificadas ou especialmente concebidas para estes mesmos indivíduos.

Mimoso (2002) afirma, “já em 1987, Potter definia o Desporto para Deficientes como uma gama completa de Atividades físicas adaptadas às capacidades de cada individuo” (pg.49).

Por seu lado, Silva (1991) refere que o Desporto para Pessoas com Deficiência aplica –se a pessoas que, devido á sua deficiência, são incapazes de participar em Atividades desportivas sem algumas modificações. No entanto, na opinião desta autora, estas alterações não retiram a esta expressão desportiva o carácter competitivo, organizado, institucionalizado e regulamento.

Vantagens do Desporto para Pessoas com Deficiência

Guttman (cit. Ferreira, 1993) afirmava que o desporto pode converter-se numa força impulsionadora para que as pessoas com deficiência procurem o restabelecimento e o contacto com o mundo que as rodeia e por conseguinte, o reconhecimento como cidadãos iguais e respeitados.

De acordo com Ferreira (1993), enquanto jovens, o desporto para os jovens torna-se de uma forma privilegiada de aceitação da relação com os outros e de maximização das suas

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Patrícia Cordeiro Página 18 potencialidades. Enquanto adultos, funciona principalmente como ocupação dos tempos livres e manutenção da condição física. O desporto, enquanto desporto de competição, contribui para a abertura de novas perspectivas, funcionando ainda como um excelente veículo de reconhecimento social.

Ferreira (1993) fala-nos das vantagens do desporto para os indivíduos com deficiência, mas em vez de as classificar ao nível de efeitos psicológicos, terapêuticos, funcionais, sociais e outros, apresenta-as de uma forma geral. Para este autor o desporto contribui para melhorar os padrões normais de movimento; desenvolver a autonomia motora; proporciona alegria através do movimento; ser uma situação de sucesso perante os companheiros e restantes pares sociais; proporcionar o desejo normal e saudável de progredir, de fazer novas conquistas, descobrindo potencialidades e limitações; proporcionar um melhor conhecimento e aceitação de si próprio que, juntamente com vivência de situação de sucesso, contribuem para um aumento de confiança, de autodomínio e de capacidade de iniciativa; favorecer a aceitação dos valores dos outros, contribuindo para o desenvolvimento da socialização; favorecer a imagem corporal, contribuindo para a aceitação do corpo e consequente relação corporal e afetiva com os outros e estimular e desenvolver a comunicação.

Por outro lado, é consensual o contributo que o desporto de um modo geral dá, para a construção de um estado mental mais equilibrado. Hans Linsdstrom, portador de uma deficiência bastante acentuada refere que o “desporto para deficientes tem demonstrado ser

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Patrícia Cordeiro Página 19 uma forma maravilhosa de reabilitação psicológica. Sou uma das pessoas que acredita ser este o beneficio mais importante”(2003,pg.43)

Em suma, o desporto quando bem conduzido contribui para melhorar a qualidade de vida da pessoa em condição de deficiente (Ferreira,1993).

Desporto adaptado para Cegos

Segundo Rainbolt e Sherril (1987), o número de pessoas com deficiência visuais tem aumentado no desporto, indicando-nos que são indivíduos com as mesmas características dos seus pares normais, com capacidades e qualidades para se envolverem em Atividades desportivas.

Relativamente á deficiência visual, em Portugal, as modalidades desportivas são bem mais restritas, embora tudo se tenha vindo a fazer para o seu incremento, assim como para o aumento do número de praticantes.

A pessoa com deficiência visual ao contrário da normovisuais, é sedentária. Enquanto a normovisual corre faz desporto, a de deficiência visual é, por vezes ociosa e afastada do prazer do exercício físico, tão importante para o seu desenvolvimento. Porém, ela necessita de utilizar o seu corpo, tal como a pessoa normovisual (Scholl, 1986).

A Atividade física contribui para melhorar os padrões do movimento, desenvolvimento a autonomia motora, de modo a que a pessoa com deficiência visual tenha sucesso perante si próprio e os outros. Proporciona um melhor conhecimento de si mesmo, o que, juntamente com vivências de situações de sucesso, aumenta a sua confiança,

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Patrícia Cordeiro Página 20 autodomínio e capacidade de iniciativa. Embora já existam algumas variedades desportivas para as pessoas com cegueira, ainda há muitas lacunas nesta área, uma vez que não existem muitos técnicos preparados para executarem a Atividade física com estes indivíduos, logo o exercício físico será limitado ao atletismo, pois este contém técnicos especializados em Guias para auxiliar a pessoa com deficiência visual no seu treino.

Deficiência visual

Segundo vários autores, dos quais salientamos Martinez (1991), nos primeiros tempos, as pessoas portadoras com Deficiência Visual eram rejeitadas pela sociedade e até mortos nas sociedades primitivas. Porém, no segundo milénio a.C., na Babilónia, mantinha-se a “medicina dos olhos”, onde todos os médicos que operasmantinha-sem e deixasmantinha-sem alguém cego seriam amputados das mãos. Na Bíblia, todos os que eram privados de luz divina eram punidos. No Novo Testamento, reabilitam-se os não videntes, pela primeira vez. É na Idade Média que aparecem os primeiros hospícios. Na Renascença, continua a desmistificação, e a religião perde terreno. Em 1784, Valentim Hauy abre o Instituto de crianças cegas. Os primeiros livros de Braille aparecem em 1829. É então que, com a Primeira e Segunda Grandes Guerras Mundiais, os cegos aparecem no mundo do trabalho devido á falta de mão-de-obra. Finalmente, em 1957, os cegos obtêm uma igualdade relativamente a outro tipo de deficientes.

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Patrícia Cordeiro Página 21

Etiologia da deficiência visual

São várias as causas da deficiência visual, pelo que, neste capítulo, destacamos aquelas que entendemos serem as mais importantes.

Silva (1991), divide as causas da deficiência visual em dois grupos. O primeiro este dividido por períodos (pré-natal, perinatal, pós-natal e adulto); no segundo grupo temos as causas desconhecidos como demonstra o quadro seguinte.

Quadro 1- Etiologias da Deficiência Visual

Pré- Natal Hereditariedade, Alterações genéticas,

Infecções maternas (rubéola

Toxoplasmose), hemorragias,

medicamentos tóxicos.

Perinatal Prematuridade, sofrimento fetal,

traumatismo de parto.

Pós-Natal Infecções (meningite, encefalite, tracoma,

oncorcercose), traumatismo (craniano e ocular), afecções neurológicas.

Adulto Acidente cerebrovascular, processo

degenerativo do mecanismo ocular, tumores intracranianos, diabetes, atrofias

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Patrícia Cordeiro Página 22 ópticas, hipertensão arterial.

Causas desconhecidas

É importante mencionar que ainda aparecem situações de deficiência visual cuja causa se desconhece.

A mesma autora refere também alguns distúrbios visuais da visão das cores, do sentido luminoso, da visão binocular, da retina, das vias ópticas e do cristalino, como se pode verificar no quadro seguinte.

Quadro 2 – Outras Etiologias

Distúrbios Visuais Da refracção, hipermetropia, miopia.

Distúrbios da visão das cores Daltonismo

Distúrbios do sentido luminoso Albinismo, dificuldade de acomodação.

Distúrbios da visão binocular Estrabismo, nistagmas, paralisia ocular.

Distúrbios da retina Deslocamento da retina, retinopatia diabética e retinite pigmentar.

Distúrbios das vias ópticas Atrofia óptica e hemianopsia

Distúrbios do cristalino Cataratas (congénitas, senil e traumática) e glaucoma (congénito, infantil e adulto).

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Patrícia Cordeiro Página 23 Perante o exposto, podemos referir que são várias as causas da deficiência visual e que, muitas delas, provocam a cegueira total. É necessário, pois, um diagnóstico correcto do indivíduo para se poder intervir nas diferentes áreas (motora, cognitiva, afectiva e social) de forma equilibrada.

Qualidade de vida e bem-estar

Nos países desenvolvidos, a emergência da preocupação com este tema ocorreu depois da segunda Grande Guerra Mundial, e coincidiu com o desenvolvimento de procedimentos e técnicas destinados à manutenção da vida de enfermos crónicos e terminais. Tais progressos geraram discussão sobre a relação custo-beneficio, considerando tanto o bem-estar do indivíduo como os interesses da sociedade. Foi neste contexto em que o conceito qualidade de vida começou a ser destacado em medicina.

A independência e a autonomia, os papéis sociais e relações sociais, a aceitação e o envolvimento social, o conforto e a segurança ambientais, a qualidade de vida nas famílias, a presença de condições económicas que permitam uma vida digna, a disponibilidade de serviços de saúde, são preocupações centrais para obter qualidade de vida.

A qualidade de vida consiste numa avaliação das circunstâncias da vida de um indivíduo, grupo ou população. Este conceito é complexo e abrange muitas características ambientais sociais e físico, assim como da saúde e estado interno dos indivíduos. Qualidade de vida é a percepção que o individuo apresenta quanto á sua posição na vida, no contexto

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Patrícia Cordeiro Página 24 da cultura e do sistema de valores em que vive, levando em conta as suas metas, as suas expectativas, as suas preocupações e padrões.

Avaliar o conceito de qualidade de vida significa igualmente comparar as suas condições ao longo do tempo e registar a desejabilidade das mudanças ocorridas no tempo, em comparação com famílias equivalentes, portadoras das mesmas ou de diferentes condições de ambiente. Na prática, supõe-se que as pessoas avaliem a qualidade de vida comparando a vida que tinham no passado com a que pretendem ter no futuro.

Lawton (1993) sugere que os factores positivos e negativos do bem-estar são compostos por aspectos internos e externos e que, em paralelo, são afectados de forma diferente por tipos de competências comportamental de natureza intrínseca e extrínseca.

E para o autor a qualidade de vida compreende quatro sectores da existência humana:

Competência comportamental: Corresponde a aspectos como qualidade da saúde

pessoal, capacidade cognitiva, saúde funcional, uso do tempo e comportamento social, avaliados segundo padrões de normalidade.

Qualidade de vida percebida: representa a avaliação subjectiva que o indivíduo faz

de domínios inerentes á sua vida, como o trabalho, a família, os amigos, as Atividades de lazer, etc.

Bem-estar psicológico: Representa a avaliação que a pessoa faz da vida como um

todo, incluindo o self, tanto em termos cognitivos como afectivos, bem como aspectos subjectivos de saúde mental.

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Patrícia Cordeiro Página 25

Condições ambientais: Referem-se a aspectos físicos do ambiente ou a aspectos

consensualmente definidos como externos ao indivíduo, frequentemente avaliados em termos dos efeitos positivos ou negativos que provocam junto de grupos humanos.

O conceito de bem-estar psicológico pode ser encarado como um conceito abrangente, devendo ser compreendido segundo um contexto cultural e histórico, enraizado na psicologia clínica e do desenvolvimento e orientado para o aprofundamento da compreensão dos processos psicológicos subjacentes á noção de “bem-estar”. Tem como objectivo fundamental a operacionalização de dimensões do funcionamento psicológico positivo, dos modelos de conceptualização do desenvolvimento e de saúde mental.

Encarando sob o ponto de vista da psicologia do desenvolvimento, o bem-estar psicológico pode ser definido como uma avaliação positiva da vida pessoal associada a sentimentos igualmente positivos (Pinquart & Sorensen, 2000), as formas mais comuns de avaliar o bem-estar psicológico passam por dimensões como a auto-estima, a satisfação de vida e ânimo, que reflectem de algum modo, uma avaliação cognitiva da situação que a pessoa ocupa na vida.

Segundo o autor Ryff (1989), o bem-estar psicológico é definido como um constructo multidimensional que abrange um conjunto variado de dimensões do funcionamento psicológico positivo, tais como: Autonomia - Equivale a atributos como a independência, locus de controlo interno, auto-determinação e regulação interna do comportamento.

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Patrícia Cordeiro Página 26

Domínio do meio – Ligado á capacidade para escolher ou criar ambientes adequados

á respectiva condição física.

Relações positivas com outros – Equivalem a relações interpessoais agradáveis e de

confiança, bem como fortes sentimentos de empatia e afecto.

Objectivos na vida- Sugerindo o interesse e as necessidades de intencionalizar a

existência de objectivos e de um sentido para a vida.

Crescimento pessoal - Entendido como a capacidade assumida para desenvolver o

potencial individual de crescimento como pessoa.

Aceitação de si mesmo - A manutenção de atitudes positivas para consigo próprio,

emerge como uma característica central do funcionamento psicológico positivo.

Ao conceber o bem-estar numa perspectiva abrangente, como o resultado de um conjunto de processos cognitivos, afectivos e emocionais, permite descrever amplas dimensões da vivência, a relação da pessoa consigo própria e com a sua vida no presente e no passado, a capacidade para definir e orientar a vida em função de objectivos significativos para si própria, a natureza e qualidade da relação com o meio social.

A avaliação positiva e aceitação de si mesmo é um sentimento de contínuo desenvolvimento como pessoa. A crença de que a vida pessoal é importante e significativa, o estabelecimento de relações positivas com os outros, a capacidade para gerir a vida própria e as exigências externas com eficácia e um sentido de determinação face á realização de objectivos pessoas, constituem as vias de construção do bem-estar psicológico, que

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Patrícia Cordeiro Página 27 reflectem naturalmente os sentimentos de satisfação e felicidade de cada um consigo próprio, com as suas condições de vida social, relacionais, com as realizações pessoais do passado e com as expectativas de futuro (Novo, 2003).

Mais recentemente, a relação entre o bem-estar e outras variáveis da vida corrente, como o estatuo socioeconómico e educacional, as redes sociais, a competência e a saúde, foi objecto de uma análise por Pinquart & Sorensen (2000), e perante estes itens chegaram às seguintes conclusões:

- Estatuto sócio – económico e educacional: Haverá pelo menos duas maneiras pelas quais o estatuto sócio-económico e educacional podem contribuir para o bem-estar psicológico:

- Estando o bem-estar psicológico ligado á sensação de ter cumprido objectivos na vida, um elevado sucesso educativo e ocupacional contribui para uma avaliação positiva da vida e para uma consequente promoção do bem-estar.

- O estatuto sócio - económico e educacional pode contribuir para o bem-estar psicológico devido á melhoria da qualidade de vida objectiva, ou seja, quanto mais dinheiro disponível melhor habitação, maior participação em Atividades culturais, sociais e de lazer, maior poder de aquisição de bens materiais, facilidade de viajar, etc., e desta forma, um nível educacional mais elevado esta associado a um melhor conhecimento dessas Atividades, promovendo assim a sua utilização.

- Redes sociais: Efeitos directos e indirectos das redes sociais sobre o bem-estar psicológico foram encontrados sobretudo através das seguintes modalidades:

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Patrícia Cordeiro Página 28 - Ser respeitado pelos outros e receber em feedback social positivo é visto como uma importante fonte de auto-conceito positivo, o qual favorece o bem-estar psicológico.

- O suporte social pode reduzir o impacto dos factores stressantes sobre o bem-estar psicológico, influenciando os processos e as estratégias de coping através da formulação de uma interpretação diferente do potencial ameaçador do factor stressante, do fornecimento de informações acerca do modo como evitar o problema, ou ainda proporcionando a aprendizagem de modelos adequados de coping para enfrentar com sucesso o problema.

- As relações sociais nem sempre constituem uma fonte de suporte, podendo afectar negativamente o indivíduo quando lhe provocam sentimentos que minam o auto-conceito e reduzem o seu bem-estar psicológico.

-Competência: os autores sintetizam as ligações prováveis entre competências e bem-estar psicológico, baseados sobretudo em dados recolhidos a partir de estudos fundados na teoria da continuidade e na teoria da competência da vida diária.

A generalidade dos estudos sugere que os níveis de Atividade podem diminuir sem que isso implique uma perda de bem-estar psicológico, desde que as Atividades desempenhadas tenham um significado intrínseco

Uma competência reduzida pode restringir a realização de Atividades por meio das quais a pessoa obtém satisfação e que, nessa medida, contribuem para o bem-estar psicológico.

(29)

Patrícia Cordeiro Página 29 A perda de competência pode igualmente reduzir a capacidade do “eu” para se defender contra as perdas, afectando negativamente o bem-estar psicológico.

- Saúde: Face á ameaça da perda de saúde ou mesmo quando a saúde física declina, é de admitir que o bem-estar psicológico permaneça elevado, tudo dependendo da acção mediadora de factores como a personalidade ou as redes sociais, o declínio na saúde verificado ao longo dos anos não provoca danos acentuados no bem-estar, revelando-se a pessoa capaz de viver com as suas progressivas incapacidades de saúde sem deixar que estas coloquem necessariamente em causa o respectivo bem-estar psicológico.

O bem-estar físico com a prática do desporto, é um conceito que se relaciona na acção preventiva do exercício para a eficácia da sua componente curativa. Pois a prática desportiva preveni o aparecimento de conjuntos de doenças cardiovasculares e metabólicas, mas se a pratica desportiva for instituída apenas após o aparecimento de algumas destas doenças, como sejam, a obesidade, a diabetes, a hipertensão arterial, a doença coronária, por muito exercício que se faça, completado com uma alimentação correcta poderá já não vir a ser o suficiente para promover o regresso da doença á normalidade.

Themudo Barata (1997,p143), apresenta “uma lista dos vários efeitos benéficos da Atividade física regular:

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Patrícia Cordeiro Página 30

A Nível Cardiovascular

Nos fatores de risco cardiovascular aterogéneos: Baixa a pressão arterial; Melhora

o perfil lipídico: HDL-2, Triglicéridos e LDL; Melhora a sensibilidade á insulina e a diabetes; Diminui o stress; Pode motivar para outros comportamentos saudáveis.

Nos fatores de Risco Trombogéneos: Melhora a Atividade fibrinolítica; Diminui a

adesividade e agregação plaquetárias; Diminui o Fibrinogénico;

Na Doença Coronária: Previne a sua ocorrência por acção nos factores de risco;

Melhora a vascularização miocardia; Reduz a mortalidade post-enfarte; Diminui o VO2 miocárdico e aumenta o limiar de angina

Na hipertensão arterial: Previne a sua ocorrência; Tem discretos efeitos

hipotensores directos; Efeitos indirectos marcados (obesos e insulinoresistentes)

Melhora a função Cardíaca (inotropismo e função diastólica)

Na Prevenção de Disritmias: Aumenta o limiar de fibrilhação; Previne a morte

súbita e as disritmias;

Na Obesidade e Sobrecarga Ponderal: Baixa o peso (sobretudo á custa da massa

gorda); Promove a Manutenção ou aumento da massa muscular; Acção Modeladora do Apetite; Aumenta o metabolismo em repouso após a Atividade; Aumenta a termogénese alimentar.

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Patrícia Cordeiro Página 31

No esqueleto: Previne a osteoporose; Aumentando a massa óssea; Ou atrasando a

sua perda; Promove a orientação trabecular o que aumenta a resistência óssea.

No restante Aparelho Locomotor: Nos Músculos; Aumenta o tónus e o consumo

calórico em repouso; Aumenta a força; Nos tendões e ligamentos; Aumenta o “turnover” do colagénio; Aumenta a resistência de tendões e ligamentos;

Efeitos Imunoestimulantes Diversos: Menor Incidências de infecções; Menor

incidência de neoplasias;

Atrasa certos processos do envelhecimento

Efeitos Psíquicos: Melhora a depressão; Melhora a auto-confiança e auto-estima;

Melhora a ansiedade e o stress; Melhora capacidades cognitivas; Eventual auxílio na evicção de toxicomanias;

No Crescimento e desenvolvimento: Promove crescimento saudável; Enriquece o

reportório psico-motor; Escola de virtudes e de respeito pelo outro.”

O bem-estar Psicológico, trata-se de um conceito que reflecte a qualidade do estado interno de um indivíduo e comporta simultaneamente componentes de ordem cognitivo e afectiva. O bem-estar psicológico correspondera, a um sentido subjectivo de satisfação global e de saúde mental positiva, sendo frequentemente tomado como o melhor indicador observável de constructos não observáveis, como a auto-estima ou a força do “eu”.

Lawton (1983) chegou a uma estrutura bi-factorial, composta por aquilo que chamou um factor de bem-estar interior, e um factor de bem-estar exterior. O bem-estar interior é os

(32)

Patrícia Cordeiro Página 32 afectos, auto-estima, auto-avaliação da saúde, satisfação com a família, congruência, ansiedade social. O bem-estar exterior, esta relacionada com a satisfação com a residência, deseja de se mudar, satisfação com os amigos.

Lawton (1983) procurou também verificar uma eventual articulação entre os dois tipos de bem-estar psicológico (interno e externo) e a personalidade. Segundo os trabalhos de Costa & McCrae (1998), o autor considera a introversão/extroversão e o neuroticismo como valores preditivos que indicariam a possibilidade de a personalidade funcionar como um vector determinante de atingir o bem-estar psicológico, não significa porem que haja só um caminho para se atingir o bem-estar psicológico.

Atividade física e bem-estar social, estão ligados uma vez que esta proporciona felicidade e saúde. Uma vez que é a partir destas vertentes que continuam a praticar desporto e a fazerem novos conhecimentos/amizades e a deixarem de lado a solidão a inatividade e o preconceito.

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Patrícia Cordeiro Página 33

METODOLOGIA

Conhecem-se poucos estudos sobre a perceção e a prática do exercício físico no bem-estar dos cegos. Neste sentido o presente estudo centra-se em apurar a opinião de indivíduos cegos que praticam e não praticam atividade física.

É um estudo qualitativo que dá realce às categorias e não aos instrumentos quantitativos.

Técnica

Foi feita uma recolha de dados qualitativamente. Com objetivo de saber qual a etiologia da cegueira, que tipo de Atividade física e de que forma esta lhe proporciona bem-estar físico e psicológico.

Objetivos

Os objetivos definidos são:

- Verificar se existem diferentes perspetivas acerca da Atividade física poder favorecer o bem-estar físico e psicológico;

- Saber de que forma a Atividade física contribuiu para a qualidade de vida;

- Verificar se a Atividade física contribui para a interacção do benefício social;

- Verificar se a Atividade física é preventiva para comportamentos disruptivos;

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Patrícia Cordeiro Página 34

Grupo de estudo

Neste estudo considerou-se para população alvo, seis pessoas adultas em que duas praticam atividade física de alta a competição; duas praticam atividade física de manutenção e duas que não praticam atividade física.

O grupo é caracterizado por:

- Seis pessoas de ambos os sexos e tendo idades compreendidas entre os trinta e sessenta anos.

- Quanto à idade da aquisição da cegueira que sejam adquiridas em diferentes etapas da sua vida.

Propositadamente, escolheremos pessoas com diferentes experiências das Atividades físicas para termos uma maior heterogeneidade de opinião.

Procedimento

As entrevistas foram agendadas previamente com os participantes, realizaram-se em locais e em conformidade com a disponibilidade dos participantes tendo sempre o cuidado de garantir locais com privacidade e condições para o decurso da entrevista. As entrevistas foram gravadas e posteriormente transcritas.

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Patrícia Cordeiro Página 35

Deontologia

Estes indivíduos não se encontraram identificados para manter o seu anonimato, sendo que foi assinado um termo de consentimento livre e esclarecedor, pelos elementos constituintes da sua amostra.

Instrumento

Utilizar-se-á um guião de entrevista semi-estruturado composto por três blocos temáticos: cegueira, Atividade - física e bem-estar.

Estes conceitos têm para nós, adaptando da literatura referida na parte teórica a designação: cego é o indivíduo que tem menos de um décimo de visão de acuidade visual com um campo de visual abaixo de 20 graus.

Atividade física, segundo Neto (1994) é uma Atividade que nos seus pressupostos fundamentais deve dimensionar a promoção dos valores humanos, os princípios de solidariedade e a cooperação social e cultura entre os seus intervenientes. A superação, o risco e o conforto civilizado é uma vertente que faz parte da essência humana através da exploração e desafio dos seus limites mecânicos, fisiológicos e mentais. Considera que a prática desportiva deve contribuir para o equilíbrio emocional e afectivo do homem, da sua saúde física e mental e para o desenvolvimento das suas capacidades individuais e convivência social.

Bem-estar físico e psicológico, segundo Lawton (1993), sugere que os factores positivos e negativos do bem – estar são compostos por aspectos internos e externos e que,

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Patrícia Cordeiro Página 36 em paralelo, são afectados de formas diferentes por tipos de competências comportamentais da natureza intrínseca e extrínseca.

Entrevista

Cegueira

-Qual etiologia da cegueira;

- Em que idade cegou;

-Dificuldades associadas á cegueira;

- Relação atual com a sociedade;

- Visão da vida de hoje.

Atividade Física

- Praticava atividade Física;

- Tipo de prática;

- Visualizar a atividade física;

-Motivações para a prática de atividade física;

- Benefícios da prática de atividade física.

Bem-estar

- Sentimentos depois de praticar;

- Atividade física contribui para a qualidade de vida sim ou não;

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Patrícia Cordeiro Página 37

Apresentação dos Resultados

Iniciou-se a análise elaborando do resumo de cada entrevista organizando pelo bloco temático: Cegueira, Atividade - Física e Bem - Estar. Numa segunda fase e no sentido de permitir uma comparação dos casos elaboramos tabelas síntese e descritivas das entrevistas por pergunta. A fase seguinte passou por procurar sistematizar a informação por bloco temático procurando criar categorias.

Resumo das entrevistas

Individuo A – Homem, 52 anos

Caracteriza-se por ter cegueira adquirida durante a 1.ª Infância, prática Atividade física de Manutenção

A cegueira

Quando tinha seis anos encontrou um detonador de dinamite, levou para casa para brincar e este explodiu e foi daí que o indivíduo A cegou.

Sentiu algumas dificuldades, pois tinha iniciado a escola como aluno normal, duas semanas antes do desastre, depois teve uma grande fase de recuperação devido a estes problemas de saúde. Teve de adaptar-se ao Braille e teve que ficar interno num colégio especial para alunos cegos, porque a integração de Portugal foi no final dos anos setenta.

Só foi integrado num liceu normal depois do 6ºano de escolaridade, e aí apareceram as dificuldades, os livros e os materiais escolares. A adaptação ao Braille foi rápida e

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Patrícia Cordeiro Página 38 embora nunca tivesse tido problemas nos estudos, sentiu algumas dificuldades no material universitário, embora tenha sido o melhor aluno. Nessa altura a informática ainda não existia e o que existia ainda estava numa fase inicial e não era acessível a qualquer pessoa.

Afirma que “Sobretudo nessa época que a informática ainda não existia e se existia

ainda estava numa fase muito inicial não era acessível a qualquer pessoa. Portanto estudar e arranjar livros era muito difícil, era a base de gravações em cassete e pedir a colegas que me lessem, isso foi talvez a dificuldade que encontrei enquanto adolescente e estudante, não é.”

O indivíduo A, estudava á base de gravações que eram feitas em cassetes e pedia aos colegas que lhe lessem.

Enquanto adulto a cegueira trouxe-lhe duas grandes dificuldades, uma ao nível da autonomia, porque dificulta a deslocação a locais desconhecidos, o desempenhar determinadas atividades desportivas. A outra grande dificuldade é a comunicação intersexual entre um homem e uma mulher.

Como pessoa cega, a vida até lhe tem corrido bem, tanto a nível de estudos como a nível profissional, embora tenha desempenhado um esforço e desgaste superior para alcançar os seus fins. Tem que ter muita motivação para conseguir atingir e alcançar os seus fins.

Não se sente só, pois casou, mas não tem filhos por opção. Participa em muitas Atividades, é funcionário público e orienta algumas Atividades, como por exemplo um grupo coral, orienta grupos de música bastante grandes. Quantos às principais desvantagens

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Patrícia Cordeiro Página 39 diz que são ao nível de autonomia em vários aspetos pois acabam por ter uma mobilidade limitada, diz que: “Participei em vários acampamentos de recolha musical, nós íamos para

aldeias de Trás-os-Montes ou da Beira-Alta, acampávamos e recolhíamos depois a música em gravações e agora eu para estar a acompanhar com uma série de jovens amigos dependendo até para as coisas mais pequenas estamos a falar da satisfação das necessidades básicas até para isso eu fico dependente de ajudas”.

O entrevistado reforça ao longo da entrevista a necessidade do equilíbrio mental e como algumas pessoas têm dificuldade em consegui-lo: “Tenho que ter um equilíbrio

mental muito maior para conseguir, que acho que não é fácil e por isso é que as pessoas caiem em dois extremos que é a revolta ou a aceitação total e a aceitação total renegando a sua deficiência e admitindo que se comporta ao gosto dos outros para agradar e ultrapassar estas coisas ou então uma revolta muito grande como se o mundo tivesse culpa de eles não vissem. Como se as outras pessoas tivessem culpa. Eu conheço muitas pessoas que têm essa rejeição. Essa revolta, digamos assim e que parece é a todos os outros têm a culpa deles tirem cegado”.

Sendo Psicólogo de profissão a visão têm um papel muito grande para o acesso às informações e torna-se difícil passar os testes psicológicos que são indispensáveis para o exercício da profissão.

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Patrícia Cordeiro Página 40

A atividade física

Como cegou em criança e sempre viveu numa aldeia, corria bastante e tinha as atividades normais das crianças. Em adulto é que começou a fazer desporto começou com yoga, mas não gostou e dedicou-se depois ao atletismo.

Tem apoio da Acapo para poder correr com o Guia, participou em meias maratonas mas agora treina só para o equilíbrio do bem-estar e físico. Afirma com convicção que

“cheguei a participar em bastantes provas meias maratonas e muitas outras e agora não participo mas continuo a treinar porque é essencial ao meio equilíbrio e ao meu bem-estar essa atividade física.”

A atividade física é essencial para o aspeto espacial, para a orientação e ter uma noção bastante clara do sitio onde está.

O exercício físico faz ter vontade de praticar por duas razões, pelo bem-estar físico e de saúde e por questões de descontração e relaxamento “…ainda experimentei aquelas

bicicletas fixas, mas isso não me convenceu é muito monótono.”

“O exercício físico trás benefícios às pessoas com cegueira, porque trás benefícios à mobilidade e a atividade desportiva compensa. A primeira vantagem é ao nível da compensação motora mais adequado à vida moderna, a segunda vantagem é ao nível psicológico de equilíbrio, porque os cegos sofrem de muitas pressões e muitas tenções devido ao stress do dia-a-dia.”

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Patrícia Cordeiro Página 41

Bem-estar físico e psicológico

Sente-se liberto com o desporto e a correr embora precise de um guia que até é amigo. A atividade física é uma forma de conseguir algum equilíbrio até ponto de vista do peso. Só deixará de praticar desporto em caso de doença grave ou de impossibilidade grave

“…é uma coisa que faz parte do meu dia-a-dia como alimentação quer dizer não dispensarei de maneira nenhuma”. Sente falta da prática de exercício quando esta alguns

dias sem fazer deverá ser por razões normais.

Individuo B – Mulher, 36 anos

Caracteriza-se Cegueira Genética, 2ª infância, pratica atividade física de manutenção

A mãe apanhou rubéola antes de engravidar então a cegueira dela poderá ter sido devido à rubéola, mas os médicos também dizem que também tem um glaucoma congénito. Ela via mal dos dois olhos e tinha um olho maior que o outro, portanto segundo a explicação dos médicos não seria genético. O olho foi aumentando e gerou-se um bufectalmos. Na altura em que fez estágio, entrou em stress e começou a criar calcário e neste momento vê tudo esbranquiçado. “… Tudo mais esbranquiçado, neste momento o que vejo é

simplesmente claridade, os vultos, mas não consigo distinguir caras, pessoas e algumas coisas consigo distinguir outras não, antes conseguia distinguir pela cara das pessoas mas pelo todo, por exemplo eu sabia que naquele sítio estavam três ou quatro pessoas mas que aquela era aquela por o todo pela constituição física das pessoas, hoje já não é assim, só

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Patrícia Cordeiro Página 42

pela voz.” Foi internada no António Feliciano Castilho que era um colégio próprio para

ensinar Braille, e como queria ser igual a todos os meninos andava a brincar aos touros e ai perdeu o olho direito. Diz que foi uma menina privilegiada porque como nasceu já com problemas da visão os pais começaram a lidar com ela já de uma maneira diferente então começou logo a apalpar as coisas, “Eu considero que fui uma menina privilegiada porque

como eu não fiquei cega depois, ou seja, eu nasci já tinha um glaucoma congénito aprendi desde criança quem teve problemas foram os meus pais a pensar como haviam de lidar comigo, mas eu comecei logo a aprender a apalpar as coisas as que não via e embora visse um bocado eu já tinha coisas”. Ia sentindo dificuldades conforme ia crescendo porque

queria ser igual às outras meninas.

Enquanto estava internada perdeu o mais importante que uma criança tem, que é a intimidade com os pais e a personalidade dos pais, pois só estava com eles aos fins-de-semana. Esteve no Castilho até 3ªclasse e depois como já escrevia Braille integraram-na numa escola normal no Porto Alto, a zona em que os pais vivem e fez ai a 4ª classe, voltou a afastar se dos pais quando foi para o liceu em Benavente, ficava com os avós e só ia para os pais ao fim-de-semana. Mas aos 8 anos foi para a África do Sul, por os pais achavam que havia melhores condições para ela lá. Como não havia soluções voltaram a Portugal, fez o 12ºano e foi para a faculdade em Lisboa. Não usava bengala até ao dia em que caiu e a partir daí começou a usar sempre bengala.

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Patrícia Cordeiro Página 43 Apesar de tudo não se sente revoltada mas condicionou a vida dela um pouco. Sente-se bastante bem integrada na sociedade. Tem muitos amigos uma vez que é muito comunicativa e tem uma boa qualidade de vida.

Tem que ter muita força de vontade para conseguir atingir os mesmos resultados dos outros mas isso faz – a crescer. Mas acha que a sociedade não é condescendente com as pessoas que têm deficiência.

“Foi uma opção de vida. Sinto-me às vezes sozinha. Foi uma opção de vida que

tomei portanto eu casei, divorciei-me, vivi depois disso uns dois anos com os meus pais e depois por opção quis comprar casa e decidi morar sozinha. Eu vivo em Sintra e como tal estamos um bocado longe no entanto era obrigatório que eu viesse viver junto dos arredores de Lisboa,…”

Afirma com convicção que … “Naturalmente que a cegueira trás algumas

desvantagens. Ponto um: Não posso apreciar muitas vezes as montras ambulantes e portanto também gosto de ver e não mexer, como se costuma dizer.” Para elas as principais

desvantagens são o ter de apanhar transportes, não pode correr para o autocarro. Também existem vantagens tais como passar a frente em uma fila e não existem mais nenhuma.

A Atividade física

“ Praticava atividade física quando andava na escola fazia Educação Física e muitas vezes inventava que andava com o período e muitas vezes não fazia ou fazia menos vezes que era suposto e depois em adulta fiz natação, porque queria aprender a nadar e não

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Patrícia Cordeiro Página 44

consegui. Fiz alguma ginástica porque achava que estava a ficar gordinha, aquela ginástica e flexões, etc.” Apesar de ser um ginásio de circuito e de plataformas ela só faz tudo, só têm

que lhe explicar como se faz. Embora de início seja difícil mas depois como a vão corrigindo fica mais fácil. Como lhe vão tocando nos braços e nos membros inferiores ela vai visualizando a atividade que faz ”comecei a sentir muitas dores nas costas e nos joelhos

e tinha aumentado de peso, tinha para ai mais 4kg a mais, e como eu sou baixinha e tenho os pés pequenos isso fazia muita diferença. O médico aconselhou-me a fazer qualquer coisa de desporto. Comprei uma passadeira, que era uma grande seca, e com a passadeira não me pareceu que fosse lá, então fui para o ginásio”. Como tal diz que a atividade física

traz-lhe bastantes benefícios, pois perdeu peso mudou a alimentação e no dia-a-dia já não traz-lhe dói as costas.

Bem-estar físico e psicológico

“Tenho que confessar que me sinto muito bem. Sinto-me mais leve, sinto-me mais jovem. Não sei, acho que dá mais energia”. Não tem um horário fixo para fazer a atividade

física, pois depende do horário de trabalho, há dias que consegue fazer a atividade física de manha, mas há outros dias que só consegue fazer a atividade física há tarde. Mas acha que fazer de manha é melhor do que há noite, porque há noite sai toda elétrica e não consegue descansar depois.

“ Contribui bastante. Contribui, contribui e continua a contribuir porque eu ao fazer atividade física não me deixo engordar faço movimentos e talvez assim os joelhos e a coluna mantenham mais em forma. Bastante gordinha, tenho a certeza. Não me tinha preocupado

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Patrícia Cordeiro Página 45

com nada, nem com a alimentação e acho que me sentia mais mole, que era assim que me sentia. É isso.”

Individuo C – Homem; 60 anos

Caracterização cegueira adquirida; jovem adulto; não faz atividade desportiva

Teve visão até ao 18, 19 anos, nunca foi uma visão total mas deu para fazer muita coisa. Sentiu dificuldade tanto no período pré como pós, foi um período difícil, pois foi um período de revolta. “Houve um espaço de dois anos que foi algo difícil mas depois foi uma

questão de encaixar aceitar e dar a volta e de partir para outra. Mas desde logo tive algumas coisas que foram perdas significativas, concretas por exemplo a leitura nessa altura a perda de visão teve um prejuízo, muito grande porque a perda não foi tão significativa, porque ao mesmo tempo que fui perdendo a visão fiz estagio de reabilitação portanto foi acontecendo paralelo há aquisição de novas competências novos conhecimentos, como foi Braille como a dactilografia, como foi até trabalhar com outros materiais e a vida diária. A orientação e a mobilidade que me foi permitindo encaixar e conhecer e portanto e começou a dar-me expectativas de autonomia, foi algo que me ajudou mais facilmente em dar-me a volta.”

Tem alguns amigos, porque não tem dificuldade em se relacionar. Ainda tem amigos do liceu, do qual já os fez á 30 anos. Consegue fazer amigos por todo o lado.

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Patrícia Cordeiro Página 46 Sente-se bem tanto a nível profissional, como familiar. Vive num bairro onde todas as pessoas o conhecem e não se vê aposentado, porque adora ter o contacto diário com os colegas.

As desvantagens que acham mais pertinentes são ao nível das viagens, das exposições, museus e cinemas pois sem visão não dá para aproveitar as oportunidades que a vida nos dá. “ … uma pessoa com grande capacidade de orientação mas essa orientação,

por exemplo para viajar, para aproveitar mais das oportunidades da vida, em termos de passear de ver, sei lá partes que são oportunidades para nós, sei lá, exposições, museus, cinemas, sei lá, há uma perda, no caso do cinema por exemplo não considero uma perda mas nas exposições pode ate ser, nos museus não são digamos de todo, não quer dizer que não haja uma exposição ou um museu onde tenhamos acesso a algo, mas em generalidade não são , a musica sim, o cinema é compensado pelos livros, teatro é perfeitamente acessível há algumas perdas, mas mais ou menos são compensadas.”

Pois o desfrutar de uma paisagem é extremamente importante para ele.

Atividade Física

Sempre praticou desporto, não de carácter formal, mas sempre andou de bicicleta, caminhava muito.

“Deixei de praticar, não…o andar o caminhar eu continuo a praticar isso procuro por dia andar no mínimo meia hora se possível duas vezes por dia três quatros de hora, procuro e se não consigo por exemplo hoje, levantei-me às 6h30 da manhã fui dar uma

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Patrícia Cordeiro Página 47

volta de meia hora antes de sair de casa antes do pequeno-almoço, se não faço ao final da tarde tenho uma bicicleta em casa e ando meia hora, portanto não posso dizer

Nunca se entusiasmou á prática da catividade física, nem á corrida, porque não se sente á vontade, acha que o guia na corrida não resolve o problema dele. Consegue visualizar a atividade que faz porque perdeu a visão muito cedo. Com a idade dele não vê qualquer interesse em praticar atividade física. Não faz atividade física mas tem noção que esta faz muito bem, tanto ao físico como espiritual e bem-estar.

Bem-estar físico e psicológico

Embora as atividades físicas que praticam eram sempre com algum sentido de ir ali ou além. “Era sempre, também com algum sentido ou ir para aqui ou ir para ali,

normalmente não andava de bicicleta ou caminhadas não era por ser caminhadas por caminhadas ou passeios por passeios, em qualquer dos casos era para ir para uma festa ou que fosse para ir um baile, ou para ir a um sítio qualquer com amigos ou assim fosse como fosse o passeio era agradável e isso chegava, o ir e voltar e assim constituía algo satisfatório.”

A nível psicológico fazia-o sentir bem, embora sempre fosse uma pessoa psicologicamente bem construída.

Em adolescente, sempre participou nos jogos da aldeia em que vivia e diz hoje que não percebe como é que os miúdos se agarram ao computador.

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Patrícia Cordeiro Página 48

Individuo D- Homem; 31 anos

Caracterização cegueira adquirida; adolescente; faz atividade física de alta competição

Nasceu com problemas de visão (cataratas) e entre os 14 e 15 anos fez quatro operações e acabou por ficar cego, porque provocou-lhe um glaucoma.

Adaptou-se bem, porque andou sempre em colégios adaptados. Tem poucos amigos, porque não é de falar nem de sair. Os amigos que têm são todos amigos do desporto. Faz a vida normal e afirma que “Para ser sincero mais vale ser cego do que ver as misérias do

mundo”.

A cegueira trouxe – lhe desvantagens porque “as pessoas discriminam um bocado as

pessoas com deficiência” e as vantagens foi ter começado a fazer desporto. Portugal está

atrasado uns 15 anos comparado com alguns países, pois existem muitas barreiras arquitetónicas. A nível de transportes, de cabines de telefónicas, os elevadores velhos não têm os números em Braille.

Atividade -Física

Com a atividade física sente-se bem a nível físico e psicológico para aliviar o stress do dia-a-dia. Faz – lhe bem a nível da concentração de andar na rua, não estar dependente de ninguém. A orientação espacial pratica-se muito com o desporto, por isso a atividade física é fundamental para um cego. “Podemos comparar um cego que faz desporto e outro que não

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Patrícia Cordeiro Página 49

para pensa e diz não é para aquele lado, a outra que não faça desporto fica perdia num sítio que não conheça, pode ir distraído não se sabe orientar, quinta vezes mais que a pessoa que faça desporto safa-se melhor.”

Os professores nunca o discriminaram, sempre o fizeram fazer as mesmas coisas que os outros alunos normais.

Se não fizesse desporto iria sentir-se mal consigo mesmo, até porque quando está de férias tem que se por a fazer qualquer coisa em casa porque senão entra em stress.

Bem-Estar Físico e Psicológico

É atleta de alta competição e até treina aos Domingos. Faz corrida contínua, alongamentos, musculação. Fica muito contente quando recebe as medalhas, por é sinal que atingiu os objetivos pessoais juntamente com o seu guia. Já ganhou medalhas de ouro, prata e bronze. Antes a atividade física para deficientes não era divulgada, mas agora até tem muita divulgação, não há apoios nem incentivos.

Consegue visualizar os exercícios que faz porque o treinador diz como se faz e depois corrige se não estiver bem feito. Pratica atividade física de competição por causa de um amigo, mas não esta arrependido porque a atividade física trouxe – lhe o beneficio de conhecer novas culturas e novos países.

“ A nível de concentração de andar na rua estar concentrado e não ser dependente de ninguém. A orientação espacial é boa para o desporto trabalha-se muito. Podemos comparar um cego que faz desporto e outro que não faz a pessoa que faz desporto é capaz

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