SIMPLES PAULISTA
Lei Estadual nº 10.086/98
20 de janeiro de 2006
Edição atual zada pela Lei nº 12.186, de 06 de janeiro de 2006. i
Tício pretende abrir uma pequena empresa, mas demonstra muita preocupação com relação aos tributos que irá pagar. Realmente sua preocupação procede, já que a nossa legislação é bastante complexa neste ponto. Ele já tomou conhecimento da legislação que trata dos tributos federais, e agora quer saber a respeito do ICMS no Estado de São Paulo, pois pretende abrir um pequeno comércio no centro da cidade. Na verdade ele ainda tem algumas dúvidas sobre o tipo de comércio que irá atuar. Tício é uma pessoa precavida e nos faz alguns questionamentos sobre o assunto, pois necessitará destas informações para fazer o plano de negócios de sua futura empresa:
Tício – Eu já li o Saiba Mais do Sebrae-SP que fala do Simples Federal e já sei como deverei pagar os tributos federais. Agora eu quero saber se existe alguma lei tributária no Estado de São Paulo que estabeleça tratamento diferenciado às pequenas empresas.
Sim Tício. O Estado de São Paulo implantou o SIMPLES PAULISTA. O SIMPLES PAULISTA é um regime tributário simplificado e favorecido concedido às microempresas e empresas de pequeno porte (MPEs) do Estado de São Paulo que atenderem as disposições previstas na Lei nº 10.086/98, regulamentada pelo Decreto n° 43.738/98.
Este sistema consiste na isenção ou redução do recolhimento do ICMS sobre as vendas efetuadas pelas MPEs enquadradas neste regime tributário no Estado de São Paulo, além de simplificar o cumprimento das obrigações acessórias que determina.
Mas é importante frisar que somente estão sujeitas a efetuar o registro na Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, as empresas que realizam venda de mercadorias (indústria ou comércio) e as que prestam serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, pois nestes casos serão consideradas contribuintes do ICMS. As demais empresas não são contribuintes deste imposto e, portanto, não estão sujeitas às suas legislações.
Tício – Pelo que eu fiquei sabendo, a Lei do Simples Federal possibilita que Estados e Municípios adiram a este sistema, de forma a tornar mais fácil o pagamento dos tributos federais, estaduais e municipais. O Estado de São Paulo aderiu ao Simples Federal?
Não Tício, o SIMPLES PAULISTA nada tem a ver com o SIMPLES FEDERAL, vez que o Estado de São Paulo não estabeleceu convênio com o sistema previsto na Lei nº 9.317/96. Porém, o Estado de São Paulo entendeu por bem fazer uma legislação própria para garantir às microempresas e empresas de pequeno porte (MPEs) estabelecidas no Estado de São Paulo tratamento favorecido e simplificado.
Tício – Para o Estado de São Paulo, quais as definições de microempresa e empresa de pequeno porte?
O SIMPLES PAULISTA utiliza o seguinte critério para definir microempresa e empresa de pequeno porte:
MICROEMPRESA - ME: A pessoa jurídica, contribuinte do ICMS, que auferir, durante o ano, receita
bruta igual ou inferior a R$ 240.000,00.
EMPRESA DE PEQUENO PORTE - EPP: A pessoa jurídica, contribuinte do ICMS, que auferir, durante o
ano, receita bruta superior a R$ 240.000,00 e igual ou inferior a R$ 2.400.000,00.
Caso a empresa não exerça atividade no período completo do ano, a empresa deverá considerar estes valores de forma proporcional, isto é, R$ 20.000,00 por mês para as ME e R$ 200.000,00 por mês para as EPP. Por exemplo: se você abrir uma empresa no mês de junho, a receita bruta limite a ser considerada no decorrer daquele ano será de R$ 120.000,00 para a microempresa e R$ 1.200.000,00 para a empresa de pequeno porte.
Além disso, a ME e a EPP (candidata ao Simples Paulista) só poderá realizar operações a consumidor ou prestações a usuário final, exceto as que tenham atividade econômica de produtor rural ou indústria.
Atenção: Com as mudanças da lei, a partir de 2006 não será considerado, para fins de enquadramento
no Simples, o valor das operações e prestações que destinem ao exterior mercadorias e serviços até o mesmo valor da receita bruta efetivamente auferida em operações e prestações realizadas no mercado interno, observada a disciplina estabelecida pelo Poder Executivo.
Tício – Há alguma outra restrição para enquadramento no Simples Paulista?
Sim Tício, há ainda outras restrições. A lei veda o enquadramento de empresas no Simples Paulista que:
1. Se encontrarem nas seguintes condições:
1.1. constituída sob a forma de sociedade por ações – S/A;
1.2. em que o titular ou sócio seja pessoa jurídica ou pessoa natural domiciliada no exterior;
1.3. em que o titular ou sócio participe do capital de outra empresa ou que já tenha participado de empresa desenquadrada de ofício do regime por prática de infração fiscal;
1.4. que possua mais de um estabelecimento – exceto:
1.4.1. depósito fechado mantido exclusivamente para armazenamento de suas mercadorias;
1.4.2. estabelecimento mantido exclusivamente para fins administrativos ou para exposição de seus produtos;
1.4.3. no caso de atividade integrada, outro estabelecimento do mesmo titular voltado para a atividade agropecuária ou extrativa, vegetal ou mineral, de geração, inclusive de energia, de captura pesqueira ou de prestação de serviços.
O disposto nos itens acima não se aplica:
a - à participação da microempresa ou da empresa de pequeno porte em centrais de compra ou em consórcio de exportação ou de venda no mercado interno;
b - a simples detenção de ações de capital de sociedade anônima, negociadas em Bolsa de Valores.
2- Realizarem as seguintes atividades:
2.1. importação de produtos estrangeiros, exceto para o seu ativo imobilizado ou consumo; 2.2. armazenamento ou depósito de mercadorias de terceiros;
2.3. de caráter eventual ou provisório.
3 – Tiverem excesso de receita bruta:
3.1. O contribuinte que tenha auferido, no ano imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 2.400.000,00 ou, caso não tenha exercido atividade no período completo do ano, superior a 1/12 desse valor multiplicado pela quantidade de meses ou fração de mês de atividade.
Tício, como vimos, com as mudanças na Lei do Simples Paulista no início de 2006, o produ or rural e a indústria também foram admitidos no sistema.
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Tício – Quer dizer que o produtor rural e a indústria podem optar pelo Simples Paulista? Mesmo que negociem com outras empresas que estejam fora do Simples? Explique-me melhor isso.
É isso mesmo Tício. De acordo com as mudanças na lei do Simples Paulista no início de 2006, as microempresas e as empresas de pequeno porte que tenham como atividade econômica de produção rural e industrial poderão vender a outras empresas - mesmo que não enquadradas no Simples Estadual. Porém, vale esclarecer que, nesses casos, o vendedor (enquadrado no Simples Paulista) não transfere crédito de ICMS ao adquirente da mercadoria. Ou, visto pelo lado do adquirente, este não pode se creditar do ICMS quando adquire mercadorias de produtor rural ou de indústria que esteja no Simples Paulista.
Tício – Certo. Mas, vamos ao que interessa! Na prática, como funciona o tratamento diferenciado concedido às MPEs paulistas?
As empresas enquadradas no Simples Paulista estão sujeitas ao regime especial do ICMS conforme as seguintes regras:
→ MICROEMPRESA:
Receita Bruta igual ou inferior a R$ 240.000,00 → ISENTO do ICMS.
Obs.: A isenção significa que a microempresa que está no Simples Paulista não deve calcular o
ICMS quando vende a mercadoria. Porém, quando a adquire mercadorias ou serviços de outros contribuintes, o imposto é devido normalmente.
Às empresas de pequeno porte, aplicam-se, para fins de tributação mensal, tabela de alíquotas progressivas. Segue tabela progressiva que a EPP deverá aplicar sobre o valor das operações ou prestações realizadas no período:
RECEITA BRUTA MENSAL TRIBUTAÇÃO DEDUÇÃO
Até R$ 60.000,00 2,1526% R$ 430,53
De R$ 60.000,01 a R$ 100.000,00 3,1008% R$ 999,44
Acima de R$ 100.000,01 4,0307% R$ 1.929,34
Essa é mais uma importante inovação com as mudanças da Lei do Simples Paulista em 2006, pois, além de eliminar as faixas de EPP dos tipos “A” e “B” e seus cálculos mais complexos, adotou cálculos mais simples e diretos para que as EPPs apurem o ICMS devido.
Pelas novas regras, basta aplicar a tabela de alíquotas progressivas de forma semelhante à aplicada ao Imposto de Renda da pessoa física. Isto é, considere a receita bruta mensal auferida no mês e, conforme o valor, aplique-o no respectivo limite constante na tabela. Calcule a alíquota correspondente e, por fim, deduza o valor mencionado na faixa.
Tício – Você poderia dar alguns exemplos práticos na aplicação destes cálculos? Ok, Tício. Vamos lá.
Conforme vimos, a microempresa está dispensada de calcular e recolher o ICMS das mercadorias e serviços que vende em São Paulo, certo Tício? No entanto, se a ME ultrapassar o limite de R$ 240.000,00 durante o ano, deverá calcular o imposto na condição de EPP.
Vejamos 2 (dois) exemplos de EPP:
a) No primeiro caso uma EPP teve Receita Bruta em determinado mês no valor de R$ 50.000,00.
RECEITA BRUTA MENSAL TRIBUTAÇÃO DEDUÇÃO
Até R$ 60.000,00 2,1526% R$ 430,53
Portanto, devemos proceder aos seguintes cálculos:
50.000 x 2,1526% = 1.076,30
1.076,30 – 430,53 = 645,77 (Valor do ICMS devido)
b) No segundo exemplo, peguemos uma EPP que teve Receita Bruta em determinado mês no valor de
R$ 80.000,00.
Conforme tabela progressiva devemos aplicar a seguinte faixa para esse valor:
RECEITA BRUTA MENSAL TRIBUTAÇÃO DEDUÇÃO
De R$ 60.000,01 a R$ 100.000,00 3,1008% R$ 999,44
Então vamos aos cálculos: 80.000 x 3,1008% = 2.480,64
2.480,64 – 999,44 = R$ 1.481,20 (Valor do ICMS devido)
ATENÇÃO:
1- Antes de fazer a opção pelo Simples Paulista, sugerimos que você avalie com seu contabilista o
montante de ICMS recolhido nos últimos meses e faça uma projeção de quanto irá recolher nesta sistemática. Podem ocorrer situações em que a opção pelo Simples Paulista não compense, seja pelo valor do imposto a pagar (para a EPP, o sistema de débito e crédito do ICMS pode ser vantajoso), seja pelo perfil de sua clientela, pois, de um modo geral, restringe as vendas a consumidor ou destinatário final.
2- Quanto às MPEs que tenham atividade econômica de produção rural ou industrial (atualmente admitidas no Simples Paulista), é bom verificar se seus clientes (empresas que não estão no Simples
Paulista), exigem o crédito do ICMS, pois você poderá perder o cliente. Neste caso, portanto, avalie bem a situação. Lembre-se que, como vimos, a empresa enquadrada no Simples não transfere crédito de ICMS.
Tício – Bem! Então me explique melhor o que se entende por “receita bruta”?
Para os fins da legislação de regime tributário simplificado da microempresa (ME) e da empresa de pequeno porte (EPP) paulista, considera-se receita bruta o produto, isto é, o resultado das vendas de mercadorias e de serviços de qualquer natureza. Não entram na receita bruta as vendas eventualmente canceladas e os descontos incondicionais concedidos.
Tício – Certo. Agora eu quero que você me explique melhor o que se entende por “operações a consumidor” ou “prestações a usuário final”?
São operações (vendas ou serviços) realizadas com pessoas físicas ou jurídicas não-contribuintes do ICMS, ou aquelas em que as mercadorias vendidas não devam ser objeto de comercialização ou industrialização pelo destinatário (adquirente da mercadoria). Melhor explicando: são vendas realizadas ou serviços prestados diretamente no varejo a consumidor final, podendo este ser pessoa física ou jurídica, desde que adquira ou utilize a mercadoria ou serviço como destinatário final, isto é, para uso próprio, sem a respectiva comercialização ou industrialização da mercadoria.
A regra não se aplica à ME e EPP paulista que exporte suas mercadorias para outras empresas localizadas no exterior, mesmo que se destinem a comercialização ou industrialização no país de destino.
E não se esqueça!
Não perde a condição de ME e EPP, o estabelecimento que realizar operações ou prestações com outras empresas que também estejam enquadradas no Simples Paulista, bem como as que tenham atividade econômica de produtor rural ou indústria.
Tício – Pode a ME ou EPP enviar mercadorias com destino a empresa comercial exportadora, inclusive "trading company", com o fim específico de exportação?
Pode sim Tício. Como vimos anteriormente, a lei do Simples Paulista equiparou as exportações (diretas ou indiretas) às operações a consumidor. Neste caso que você se refere estamos diante de uma exportação indireta, pois não será feita diretamente por sua empresa, mas por meio de uma outra empresa que pode ser uma “comercial exportadora” ou “trading company”. Portanto, as empresas enquadradas no Simples Paulista poderão realizar saída de mercadorias com o fim específico de exportação, devendo observar, no que couber, as disposições do Regulamento do ICMS.
Tício - A ME e a EPP podem realizar operações de importação de produtos estrangeiros? Não. A empresa enquadrada no Simples Paulista não pode exercer a atividade de importação de produtos estrangeiros. No entanto, essa restrição não alcança as importações de mercadorias destinadas à integração no ativo imobilizado ou a seu uso e consumo.
Tício – E se minha empresa adquirir aqui no Brasil mesmo, mercadorias de origem estrangeira? Podemos revendê-las ou a empresa será desenquadrada do Simples Paulista? Pode sim. A restrição existente é somente quanto à operação de importação de mercadoria e não venda de mercadoria estrangeira, adquirida no mercado interno (no Brasil). Portanto, se o estabelecimento em questão preencher os demais requisitos legais poderá perfeitamente permanecer no "Simples Paulista".
Tício - Qual a forma de enquadramento da empresa no Simples Paulista e quando têm início os seus efeitos?
A empresa fará sua inscrição no Cadastro de Contribuintes do ICMS e o enquadramento como microempresa (ME) ou empresa de pequeno porte (EPP) mediante declaração de opção por meio da Declaração Cadastral Eletrônica (DECA Eletrônica).
O enquadramento do contribuinte no Simples Paulista será efetuado mediante declaração de opção, contendo no mínimo:
I - nome e identificação da pessoa natural ou jurídica e seus sócios; II - número da inscrição estadual;
O enquadramento produzirá efeitos:
1 - Início das atividades: a partir da data da opção e até 31/12 do próprio ano calendário;
2 - Contribuinte inscrito em outro regime do ICMS: a partir do 1° dia do mês seguinte ao da opção e até 31/12 do próprio ano calendário;
3 - Quando da renovação anual da declaração: a partir de 1° de janeiro e até 31/12.
Tício – O que acontece com a empresa enquadrada no Simples Paulista que não observar as exigências da Lei?
A ME ou a EPP que não observar as regras estabelecidas na lei serão excluídas do sistema – Simples Paulista. Veja as principais causas que ensejará o desenquadramento:
- Perderá a condição de microempresa ou de empresa de pequeno porte, o contribuinte que: I - deixar de preencher qualquer dos requisitos previstos na lei;
II - deixar de renovar a declaração, até o último dia útil de março de cada ano; III - optar pela sua exclusão do regime;
IV - à vista de elementos econômico-fiscais prestados ou colhidos pelo fisco ficar evidenciada a incompatibilidade desses elementos com a receita bruta declarada ou auferida;
V - promover operação ou prestação desacompanhada de documento fiscal;
VI - adquirir mercadorias ou tomar serviços sem o correspondente documento fiscal; VII - não escriturar regularmente os documentos fiscais na forma da legislação.
Tício – Há alguma penalidade, multa ou sei lá o que, caso a empresa descumpra estas obrigações?
Há sim.
1- O contribuinte que usufruir do SIMPLES PAULISTA sem observância do disposto na legislação, estará
sujeito:
II - ao pagamento dos tributos devidos, acrescidos de multa e demais acréscimos legais; III - às multas previstas na legislação do ICMS.
IV - responsabilidade solidária dos sócios pelo crédito tributário constituído;
2- O contribuinte que deixar de comunicar o seu desenquadramento, ficará sujeito, sem prejuízo das
demais penalidades, à multa equivalente ao valor de: I - 50 UFESP, quando enquadrado como microempresa;
II - 100 UFESP, quando enquadrado como empresa de pequeno porte.
Tício – E depois, a empresa poderá se reenquadrar de novo?
Na hipótese de desenquadramento de ofício, o contribuinte poderá ser reenquadrado no regime tributário simplificado de que trata a Lei 10.086, por uma única vez, após decorrido o prazo de 2 (dois) anos, contado da data do desenquadramento, desde que tenha cumprido todas as obrigações principais e acessórias relativas às operações ou prestações realizadas durante o período do desenquadramento, bem como tenha efetuado o recolhimento de eventual crédito tributário exigido por meio de Auto de Infração e Imposição de Multa.
Tício – O que acontece se a microempresa ultrapassar, dentro do ano calendário, o limite de R$ 240.000,00? O que fazer no mês seguinte?
A microempresa que ultrapassar a receita bruta de R$ 240.000,00, recolherá o imposto na condição de EPP, a partir do primeiro dia do mês subseqüente.
Vejamos o seguinte exemplo: Imaginemos uma microempresa que tenha ultrapassado o valor de limite de R$ 240.000,00 durante o ano corrente. Trata-se de uma empresa enquadrada como ME desde 1º de janeiro do ano. Ao chegar em outubro, ela já havia acumulado uma receita bruta de R$ 220.000,00. No mês seguinte, em novembro, ela teve uma receita de R$ 25.000,00, portanto estourou a receita bruta de ME com o total de R$ 245.000,00. Desta forma, esta empresa deverá recolher o tributo (ICMS) na condição de EPP, ou seja:
1º- Receita Bruta no mês de novembro = R$ 25.000,00 2º- Aplicar o percentual: 25.000,00 x 2,1526% = R$ 538,15
3º- Descontar o valor devido: R$ 538,15 – R$ 430,53 = R$ 107,62 (ICMS devido)
Tício – O que acontece se a empresa de pequeno porte ultrapassar, dentro do ano calendário, o limite máximo de receita bruta? O que fazer no mês seguinte?
Bem Tício, a EPP que verificar que sua receita bruta superou, durante o ano de fruição do benefício, o limite de R$ 2.400.000,00, estará automaticamente desenquadrada do Simples Paulista a partir da data da constatação do fato, ficando sujeita às normas gerais de tributação do ICMS a partir do primeiro dia do mês subseqüente.
Tício – Há situações em que a empresa enquadrada no Simples Paulista não conta com os benefícios concedidos?
As MPEs não estão dispensadas do pagamento normal do ICMS nos seguintes casos:
a) mercadorias ou serviços adquiridos, sujeitos à substituição tributária; b) imposto que deva ser recolhido na qualidade de responsável;
c) pagamento do imposto devido no desembaraço de mercadoria importada do exterior;
d) do pagamento da diferença do imposto entre a alíquota interna e interestadual na aquisição de mercadoria ou serviços oriundos de outro Estado.
Tício – Há alguma data e forma de pagamento estabelecido pela lei?
O ICMS devido segundo a Lei nº 10.086/98, será pago até o dia 21 do mês subseqüente ao de sua apuração mediante o preenchimento de uma Guia de Arrecadação Estadual – GARE.
O recolhimento do ICMS nos demais casos em que as MEs e EPPs não estão dispensados, deverão obedecer os prazos estabelecidos nas referidas leis.
No documento fiscal deverá constar, além dos demais requisitos:
1 - o valor da operação ou prestação consistente no resultado obtido na forma prevista acima; 2 - a indicação em separado do valor do imposto incidente, contido no valor do item anterior.
Tício – Existe alguma regra especial para escrituração dos livros fiscais?
Sim Tício, este é um assunto bastante técnico, portanto é essencial que você conte com a assistência de um contabilista para auxilia-lo nesta difícil tarefa. Afinal de contas, você, como empresário, deverá concentrar suas ações nos negócios, que já não é pouca coisa, não é mesmo? De todo modo, vamos apresentar a você as obrigações que sua empresa deverá atender quanto aos livros fiscais.
Segundo as operações ou prestações que realizarem as microempresas (MEs) e as empresas de pequeno porte (EPPs) estão obrigadas a escriturar os seguintes livros:
I - Registro de Entradas, modelo 1 ou 1-A; II - Registro de Inventário, modelo 7;
III - Registro de Utilização de Documentos Fiscais e Termos de ocorrências, modelo 6.
- A EPP também deverá escriturar o livro Registro de Saídas, modelo 2 ou 2A, devendo, ao final de cada mês, informar o valor das operações e prestações acumuladas até o mês em curso, para fins de aferição do limite previsto para as EPPs.
- A ME poderá escriturar o livro Registro de Entradas de forma simplificada, com a utilização, no mínimo, das seguintes colunas:
1 - "Data da Entrada"; 2 - "Documento Fiscal"; 3 - "Valor Contábil";
4 - "Outras" sob o título "ICMS - Valores Fiscais" e "Operações ou Prestações sem Crédito do Imposto", para as entradas submetidas ao regime jurídico da substituição tributária;
5 - "Observações", onde será informado o valor das entradas em que o imposto deva ser recolhido, pela microempresa, na qualidade de responsável tributário.
1 - na coluna "Observações" o valor total de suas operações de saídas ou das prestações executadas, informando, de forma destacada, aquelas sujeitas ao regime jurídico da substituição tributária;
2 - não havendo, no mês, qualquer operação de saída ou prestação executada, essa circunstância será mencionada, com a utilização da expressão, "Sem Movimento", após a indicação do mês correspondente;
3 - informar o valor das operações e prestações acumuladas até o mês em curso, para fins de aferição do limite de ME.
Tício – Puxa! Realmente este negócio é complicado!
É mesmo Tício, você tem razão. Mas tem mais. Há também os documentos fiscais que sua empresa deverá emitir. Veja o que dispõe a legislação:
1. Os contribuintes deverão emitir, nos termos e condições do RICMS, os seguintes documentos fiscais,
segundo a natureza das operações ou prestações que realizarem:
I - Cupom Fiscal emitido por equipamento emissor de cupom fiscal (ECF); II - Nota Fiscal de Venda a Consumidor, modelo 2, emitida por ECF; III - Nota Fiscal de Produtor, modelo 4;
IV - Nota Fiscal de Serviço de Comunicação, modelo 21;
V - Nota Fiscal, modelo 1 ou 1-A, exceto: na saída decorrente de exportação para o exterior, quando as mercadorias retornarem ao estabelecimento, na entrada de mercadoria recebida de produtor rural etc.
2. O contribuinte obrigado ao uso de equipamento Emissor de Cupom Fiscal - ECF, deverá observar a
legislação pertinente a esse equipamento.
3. É vedado o destaque do valor do imposto no campo próprio do documento fiscal, devendo constar
nesse campo: "ESTE DOCUMENTO NÃO TRANSFERE CRÉDITO DE ICMS".
4. Deverá constar na Nota Fiscal, além dos demais requisitos: a) o valor da operação ou prestação
Tício – É... Eu estava pensando em economizar e não contratar um contabilista, mas acho que não vai dar!
Não vai mesmo Tício. Estas são apenas algumas das obrigações feitas pelo Estado de São Paulo. Não se esqueça que a legislação federal e municipal também faz suas exigências. Não economize neste ponto. Saiba que o barato pode lhe sair muito caro. Escolha bem o profissional de contabilidade que irá assessorar sua empresa, faça um contrato por escrito com ele e estabeleça as obrigações do contabilista e dos que administram sua empresa.
Paulo Melchor Consultor jurídico
Unidade de Orientação Empresarial SEBRAE/SP