• Nenhum resultado encontrado

Ciência e Saúde. Revista Científica do HMC

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2021

Share "Ciência e Saúde. Revista Científica do HMC"

Copied!
72
0
0

Texto

(1)

Ciência e Saúde

(2)

DIRETORIA EXECUTIVA/Executive Directory Luis Márcio Araújo

Administrador de empresas, Administração financeira e MBA Executivo em Saúde

Mauro Oscar Soares Souza Lima

Médico especialista em endocrinologia e Advogado CONSELHO EDITORIAL/Editorial Board

Alessandra Barbosa de Oliveira Andrade MSc. Eng. Produção, Fisioterapeuta Alexandre Silva Pinto

Médico especialista em anestesiologia, TSA/SBA Allan Patryck Bassotto Lino

Fisioterapeuta especialista em fisioterapia com ênfase em terapia intensiva

Ana Paula Barbosa Diniz Alves Farmacêutica

Ana Rosa dos Santos

Médica especialista em clínica geral, alergia e imunologia Cláudia Maria Barbosa Salles

Médica especialista em gastroenterologia Daniel Costa Chalabi Calazans

Médico especialista em nefrologia James Wagner Morais

Médico especialista em neurocirurgia, Membro titular da SBN

José Adriano Ferreira

Médico especialista em coloproctologia Juliana Bechara Almeida Sousa

Enfermeira, MBA gestão empresarial, especialista em auditorias ONA e NIAHO/DIAS

Kesley Maria Linhares Reis

Enfermeira, especialista em Urgência e Emergência e em Educação profissional na área da saúde.

Leonardo de Oliveira Campos Médico especialista em neurologia Leonardo de Oliveira Souza

Médico especialista em cirurgia cardiovascular Leonardo Stopa Barros

Médico especialista em clínica geral

Letícia Guimarães Carvalho de Souza Lima

Médica especialista em pediatria, Mestranda pela USP

COMISSÃO DE PUBLICAÇÃO/PUBLISHING COMMITTEE

Lorena Araújo Vieira

Enfermeira especialista em gestão em serviços de saúde, especialista em auditorias ONA e NIAHO/DIAS Luciano de Souza Viana

Médico oncologista clínico, MSc, PhD Marcelo Adriano de Assis Hudson

Médico especialista em radiologia, Membro titular CBR Marcos Aurélio Mergh Murer

Médico especialista em hematologia e hemoterapia Marjory Caroline Guimarães Andrade

Analista de Sistemas, MBA em Administração e qualidade

Pedro Paulo Neves de Castro

Médico cardiologista intervencionista. Membro titular da SBCI

Renata Pereira Guerra

Farmacêutica, bioquímica, MBA em gestão empresarial Renato Prado Santos

Eng. Indl., Inovação e tecnologia, Black Belt Renato Ribeiro da Cunha

Médico urologista. Membro titular da SBU Renilton Aires Lima

Médico especialista em ginecologia e obstetrícia. MSc. Saúde da mulher

Roberto Martins de Andrade

Fisioterapeuta especialista em gestão hospitalar Solange Liege dos Santos Prado

Pedagoga especialista em gestão escolar Soraya Alves Pereira

Médica especialista em otorrinolaringologia. Membro titular da SBO.

Teresa Rodrigues Sérgio Cirurgiã dentista bucomaxilofacial Vera Lúcia Venâncio Gaspar Médica pediatra, MSc em Pediatria Vivian Ribeiro Miranda

Enfermeira, MSc. Meio Ambiente e Sustentabilidade INFORMAÇÕES TÉCNICAS/Technical Information Flávia Aparecida Durães Ferreira

Assistente Editorial Frederico Pereira Martins Design Editorial

(3)

Perfil socioeconômico e educacional das mães adolescentes em um hospital do Leste de Minas Gerais

Socioeconomic and educational profile of Adolescent mothers in a hospital of Minas Gerais East Region

Alice Campos Veloso, Vera Lúcia Venancio Gaspar

Avaliação da qualidade de vida do paciente com doença renal crônica em tratamento hemodialítico, em Ipatinga/MG

Evaluation of patient’s quality of life with chronic kidney disease in hemodialysis treatment in Ipatinga/MG

Aline Bussinger Maciel, Eberaldo Severiano Domingos

S U M Á R I O / C O N T E N T S

04

13

Maternidade na adolescência e as repercussões sobre a saúde do recém-nascido

Teenage pregnancy and the impacts on the newborn health

Débora Costa e Silva, Vera Lúcia Venâncio Gaspar

22

Tratamento inicial das fraturas da diáfise do fêmur em adultos: uma análise retrospectiva

Initial treatment of femoral diaphysis fractures in adults: a restrospective analysis

Fabrício Maciel Campos Ferreira, Paulo Henrique Lemos de Moraes

30

Encefalite Amebiana Granulomatosa: relato de caso

Granulomatous Amoebic Encephalitis: case report

Eduardo da Costa Marçal, Guilherme Henrique Silveira Teixeira, Marcos Abreu Lima Cota, Tardely Duarte Magalhães, Aloísio Bemvindo de Paula, Leonardo Stopa Barros

Normas para publicação

60

Estudo da experiência sexual de adolescentes

Study of teenagers sexual experience

Adriana Almeida Moreira, Lais Maurício de Oliveira Almeida, Marcus Vinicius Carvalho Campos, Letícia Guimarães Carvalho de Souza Lima

40

Perfil clínico-epidemiológico dos pacientes com nefropatia diabética em hemodiálise, em Ipatinga-MG

Clinical and epidemiological profile of diabetic nephropathy patients in hemodialysis in Ipatinga/MG

Matheus de Navarro Guimarães Godinho, Eberaldo Severiano Domingos

46

Análise de prevalência da infecção por Helicobacter pylori em pacientes com diagnóstico de câncer gástrico

Analysis of Helicobacter Pylori infection prevalence in patients with gastric cancer diagnosis

(4)

A RT I G O O R I G I N A L

PERFIL SOCIOECONÔMICO E EDUCACIONAL DAS MÃES

ADOLESCENTES EM UM HOSPITAL DO LESTE DE MINAS GERAIS

SOCIOECONOMIC AND EDUCATIONAL PROFILE OF ADOLESCENT MOTHERS IN A HOSPITAL OF MINAS GERAIS EAST REGION Alice Campos Veloso1, Vera Lúcia Venancio Gaspar2

1 Médica residente em pediatria do Hospital Márcio Cunha – Fundação São Francisco Xavier, Ipatinga, MG, Brasil.

2 Pediatra coordenadora da residência médica em pediatria do Hospital Márcio Cunha – Fundação São Francisco Xavier, Ipatinga,

MG, Brasil.

Autor correspondente: Alice Campos Veloso

Rua Vitorino Pereira, 34, Imbaúbas, Ipatinga, MG. CEP: 35160-285. Telefone: (31) 87852212. E-mail: [email protected]

Artigo recebido em 05/03/2015

Aprovado para publicação em 19/02/2016 RESUMO

Objetivo: Identificar as características das mães

adolescentes, como idade, nível educacional, conhecimento sobre educação sexual, desejo de engravidar e o contexto social em que elas estão inseridas. Métodos: Estudo transversal, descritivo e quantitativo, realizado com adolescentes puérperas internadas na maternidade de um Hospital no interior de Minas Gerais, por meio de entrevista com a aplicação de um questionário. A coleta de dados aconteceu no período de setembro a dezembro de 2014. Resultados: A maior parte das pacientes entrevistadas (93,2%) teve acesso ao hospital pelo Sistema Único de Saúde; no momento da entrevista 81,6% afirmaram não estão estudando, e o motivo da interrupção escolar foi a gestação, segundo 44,0% dos casos. A maioria das adolescentes (63,1%) relatou estar morando com o pai da criança, sendo este referido em 51,4% como o principal provedor

ABSTRACT

Objective: To identify the adolescent mothers

aspects, such as age, educational background level, sexual education knowledge, willingness to become pregnant and the social context in which they are situated. Methods: Cross-sectional, descriptive and quantitative study carried out among adolescent mothers admitted to the maternity of a Hospital in Minas Gerais, by interviewing patients and filling survey forms. Data collection occurred between September and December 2014. Results: most of interviewed patients (93.2%) were able to be admitted to the hospital by the Unified Health System; during the interview 81.6% said they were not studying and when they were asked about the reason of stopping attending to school, the response “pregnancy” was reported in 44.0% of cases. Most of adolescents (63.1%) responded they are currently living with the child’s father, who is the main

(5)

Perfil socioeconômico e educacional das mães adolescentes em um hospital do Leste de Minas Gerais

INTRODUÇÃO

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a adolescência corresponde à faixa etária entre 10 e 19 anos.1 A adolescência é um período

da vida caracterizado por intenso desenvolvimento físico, emocional e social, compreendendo a transição da infância para a fase adulta. Essas mudanças resultam, para o adolescente, em incertezas e dificuldades em manter a mesma relação com a família e com a sociedade, levando a transformações de comportamento até alcançarem a sua própria identidade.2

A ocorrência da gestação nesse período, em que o desenvolvimento ainda não se completou e a adolescente não atingiu a idade adulta, leva à interrupção de algumas etapas que seriam necessárias para o amadurecimento adequado.3

Com a gestação precoce, a fase final da adolescência pode ser alcançada de forma desfavorável. Nesse

sustainer of family income in 51.4%. The monthly family income mentioned by 63.0% of surveyed was up to minimum salary and 87.4% of adolescent mothers do not financially support family expenses. 88.3% of all surveyed were pregnant for the first time, most of them initiated their sexual life at 15 years old and 46.6% had made use of contraceptive pills. 84.5% of the adolescent mothers had received sexual education guidance and less than half of surveyed had willingness to become pregnant. Conclusion: These results suggest that teenage pregnancy prevailed in low socioeconomic status families. The information disclosure about sexual education occurs but it is not really consistent, since most of adolescents do not use contraceptive methods and get pregnant unintentionally.

Keywords: Teenage pregnancy. Sexuality.

Socioeconomic factors.

sentido, vivenciar esse período caracterizado como instável e ainda imaturo, no qual os jovens devem investir em sua formação pessoal e profissional, aliado a uma gravidez não planejada, torna-se ainda mais complexo. Além disso, pode gerar consequências negativas tanto para a adolescente quanto para o seu filho.2

A gestação nessa fase da vida, muitas vezes, está associada às condições socioeconômicas e educacionais do núcleo familiar. Na maioria dos casos, a família não sabe lidar com a saúde sexual, e os adolescentes não recebem informações consistentes sobre desenvolvimento e sexualidade. Isso os torna vulneráveis, não só à gravidez precoce, como também às doenças sexualmente transmissíveis. Após a descoberta da gestação, o casamento tem sido usado como forma de contornar o evento, no entanto, não evita que o desenvolvimento próprio da adolescente seja interrompido e que ela passe a assumir papéis e da renda familiar. A renda mensal familiar citada por

63,0% das entrevistadas foi de até um salário-mínimo, e 87,4% das gestantes puérperas não contribuem financeiramente com os gastos da família. Do total das gestantes, 88,3% eram primíparas, a maioria havia iniciado a vida sexual aos 15 anos e 46,6% já haviam feito uso de método anticoncepcional. Das adolescentes, 84,5% haviam recebido orientações sobre educação sexual, e menos da metade desejava engravidar. Conclusão: Esses resultados mostram que a ocorrência da gravidez na adolescência predominou em famílias com baixo nível socioeconômico. A divulgação de informações sobre educação sexual, no entanto, não são consistentes, pois a maioria das adolescentes não usa método anticoncepcional e engravidam sem desejar.

Palavras-chave: Gravidez na adolescência. Sexualidade. Fatores socioeconômicos.

(6)

Alice Campos Veloso, Vera Lúcia Venancio Gaspar

responsabilidades de uma pessoa adulta, o que pode ocasionar riscos para a sua vida e a de seu filho.2

Segundo a Organização Mundial de Saúde, a gestação na adolescência ainda é uma das principais causas de mortalidade materna e infantil, além de contribuir para a continuação do ciclo de pobreza e problemas de saúde.4 Sendo assim, a gravidez não

planejada pode ser considerada um problema de saúde pública, pelo grande número de ocorrências e, também, pelo fato de que as adolescentes puérperas apresentam mais risco de complicações durante a gestação e de consequências desfavoráveis para a saúde da criança.5,8

Como exposto anteriormente, muitas vezes, a gravidez precoce é resultado da vulnerabilidade a que os jovens estão expostos, decorrente da falta de estrutura familiar, do baixo nível intelectual e consequente falta de informações das adolescentes.9

Diante disso, o presente estudo visa conhecer as características socioeconômicas e educacionais das mães adolescentes e de seus familiares, para que ações educativas possam ser ampliadas, assim como os programas preventivos de gravidez não planejada.

MÉTODOS

Trata-se de um estudo transversal, descritivo e quantitativo, realizado com adolescentes puérperas internadas em um hospital do interior de Minas Gerais. Para tanto, foi realizada uma pesquisa, por meio de um questionário, elaborado especialmente para este projeto, aplicado em adolescentes puérperas, pelas médicas residentes em pediatria. As entrevistas aconteceram no período de setembro a dezembro de 2014, em um ambiente individualizado, no mínimo, 24 horas após o parto.

A coleta de dados foi iniciada após a aprovação do projeto de pesquisa pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP), do Centro Universitário do Leste de Minas

Gerais, protocolo de pesquisa número 788.530. As pesquisadoras cumpriram as exigências éticas das pesquisas envolvendo seres humanos.

Para o cálculo amostral, foi utilizado o programa DIMAM 1.0, através da fórmula n= z².q.p.N/ e².(N-1)+ z².q.p, com um grau de confiança de 95%, erro máximo permitido de 7% e uma proporção de interesse de 24,2%, sendo a última referenciada no Ministério da Saúde 2013, para uma população de 360 pacientes, tendo como valor amostral 103 adolescentes. Os dados foram analisados por meio de estatística descritiva, utilizando-se o software SPSS 19.0. As variáveis qualitativas foram descritas através de frequência absoluta e relativa. Já as variáveis quantitativas, estas foram descritas através de média e desvio padrão. A técnica de amostragem utilizada foi a probabilística aleatória simples e sistemática.

A amostra foi composta por adolescentes puérperas, de 13 a 19 anos de idade, que concordaram em participar da pesquisa e após assinarem o termo de consentimento livre e esclarecido. Nos casos em que a adolescente era menor de 18 anos, foi solicitado que o seu representante legal assinasse o termo de consentimento livre e esclarecido, destinado aos pais ou responsáveis, de acordo com a Resolução 466, de 12 de dezembro de 2012. As adolescentes que não concordaram em participar da entrevista não fizeram parte da pesquisa.

RESULTADOS

Quanto às características pessoais e dos familiares das 103 adolescentes participantes do estudo, 96 (93,2%) tiveram acesso à maternidade por meio da rede pública (Sistema Único de Saúde) e 7 (6,8%) por convênio de saúde. Do total das entrevistadas, 57 (55,4%) tinham entre 18 e 19 anos de idade e 5 (4,8%) eram menores de 15 anos. A maior parte das adolescentes, 72 (69,0%), morava em cidades

(7)

Perfil socioeconômico e educacional das mães adolescentes em um hospital do Leste de Minas Gerais

adjacentes à cidade onde o hospital está localizado. Do total das entrevistadas, 59 (57,3%) viviam exclusivamente com o pai da criança e/ou outro filho, sendo que 29 (49,1%) dessas jovens passaram a morar com o companheiro após a descoberta da gestação, constituindo um núcleo familiar independente. As demais, 44 (42,7%) continuavam residindo, também, com outros familiares. Os dados relativos à idade, procedência, número de irmãos e criação encontram-se na Tabela 1.

Tabela 1 – Dados pessoais das adolescentes Aspectos pessoais e familiares Frequência Percentual Idade das puérperas (anos)

13 1 1,0 14 4 3,9 15 12 11,6 16 10 9,7 17 19 18,4 18 25 24,3 19 32 31,1 Procedência Ipatinga 31 31,0 Outras cidades 72 69,0

Mora com o pai da criança Sim 65 63,1 Não 38 36,9 Número de irmãos da adolescente Nenhum 4 3,9 1 18 17,5 2 35 34,0 3 17 16,5 4 10 9,7 ≥ 5 19 18,4

Criada pela mãe

Sim 91 88,3

Não 12 11,7

Criada também pelo pai

Sim 71 68,9

Não 32 31,1

Fonte: Dados da pesquisa.

Em relação ao nível educacional, as entrevistadas informaram que 64 (62,1%) pais e 76 (73,8%) mães não ingressaram no ensino médio. Quanto às adolescentes, destaca-se que, no momento da entrevista, 84 (81,6%) das entrevistadas afirmaram que não estavam estudando atualmente, sendo que 37 (44,0%) relataram que a gestação motivou a interrupção escolar, e 22 (21,3%) adolescentes disseram que já haviam abandonado os estudos antes da gravidez, por falta de interesse. A maioria das jovens, 69 (82,1%) das 84, que não continuaram os estudos durante a gestação, pretende voltar a estudar. Vale ressaltar, ainda, que, do total das entrevistadas, 26 (25,2%) não conseguiram concluir o ensino fundamental e 62 (60,3%) ingressaram no ensino médio, no entanto, destas somente 26 (25,3%) concluíram essa etapa dos estudos.

Em relação ao trabalho remunerado, um pouco mais da metade, 53 (51,5%) das entrevistadas, relatou já ter trabalhado. Quando questionadas sobre a contribuição financeira familiar, a maioria das adolescentes, 90 (87,4%), informou que não participa na renda familiar e apenas 13 (12,6%) informaram que estão trabalhando atualmente. A maioria das participantes não estudava nem trabalhava no momento da entrevista, independentemente da faixa etária.

Verificou-se, ainda, que a maior parte do núcleo familiar em que a adolescente estava inserida apresentava baixa renda, pois 65 (63,0%) das entrevistadas relataram renda familiar mensal de até 1 salário-mínimo, e apenas 4 (3,9%) informaram renda maior que 5 salários-mínimos. O pai da criança foi referido como o principal provedor de renda da família por 53 (51,5%) das entrevistadas, seguido dos avós maternos, 40 (38,8%) das adolescentes.

Os dados referentes à escolaridade das adolescentes, dos seus pais e às características socioeconômicas da família encontram-se na Tabela 2.

(8)

Alice Campos Veloso, Vera Lúcia Venancio Gaspar

Tabela 2 – Escolaridade das adolescentes e

dos seus pais e condições socioeconômicas

Aspectos educacionais e

socioeconômicos Frequência Percentual Escolaridade dos pais das

adolescentes

Ensino fundamental incompleto 51 49,5 Ensino fundamental completo 8 7,8 Ensino médio incompleto 8 7,8 Ensino médio completo 13 12,6

Curso técnico 1 1,0

Ensino superior completo 1 1.0

Não sabe informar 16 15,5

Analfabeto 5 4,8

Escolaridade das mães das adolescentes

Ensino fundamental incompleto 66 64,1 Ensino fundamental completo 10 9,7 Ensino médio incompleto 7 6,8 Ensino médio completo 13 12,6

Curso técnico 1 1,0

Ensino superior completo 1 1,0

Não sabe informar 5 4,8

Continuou os estudos durante a gestação

Sim 19 18,4

Não 84 81,6

Razão para interrupção escolar

Gestação 37 44,0

Desinteresse 22 26,2

Conclusão do ensino médio 14 16,7

Trabalho 4 4,8

Falta de vaga na escola 2 2,4

Casamento 2 2,4

Mudança de cidade 2 2,4

Expulsão da escola 1 1,1

Pretende voltar a estudar

Sim 69 82,1

Não 15 17,9

Continua

Conclusão Aspectos educacionais e

socioeconômicos Frequência Percentual Escolaridade das adolescentes

Ensino fundamental incompleto 26 25,2 Ensino fundamental completo 15 14,5 Ensino médio incompleto 36 35,0 Ensino médio completo 24 23,3

Curso técnico 1 1,0

Ensino superior incompleto 1 1,0 Já teve trabalho remunerado

Sim 53 51,5

Não 50 48,5

Contribui financeiramente com a renda da família

Sim 13 12,6

Não 90 87,4

Renda mensal da família em salários-mínimos

Até 1 65 63,0

2 a 5 34 33,0

6 a 10 3 2,9

11 a 20 1 1,0

Principal provedor do núcleo familiar

Pai da criança 53 51,4

Avós maternos 40 38,8

Avós paternos 5 4,9

Outros 5 4,9

Fonte: Dados da pesquisa.

Sobre a sexualidade, observou-se que 80 (77,7%) adolescentes iniciaram atividade sexual com 15 anos ou menos. Quanto aos aspectos reprodutivos, 91 (88,3%) eram primíparas, sendo que a idade de início da vida reprodutiva variou de 13 a 19 anos, e a primeira gestação ocorreu após os 17 anos em 56 (54,3%) das entrevistadas. História de aborto anterior foi relatado por 9 (8,7%) participantes, destas apenas 1 afirmou ter provocado o aborto. Esses dados encontram-se na Tabela 3.

(9)

Perfil socioeconômico e educacional das mães adolescentes em um hospital do Leste de Minas Gerais

Tabela 4 – Informações sobre contracepção Informações sobre contracepção Frequência Percentual Uso de método anticoncepcional

Sim 48 46,6

Não 55 53,4

Tipo de contracepção

Contraceptivo hormonal 40 83,3 Preservativo masculino 8 16,7 Uso prévio de pílula do dia seguinte

Sim 47 45,6

Não 56 54,4

Orientação sobre educação sexual

Sim 87 84,5

Não 16 15,5

Principais fontes de informações sobre contracepção* Escola 62 53 Família 26 22,2 Unidade de saúde 18 15,4 Médicos 5 4,3 Amigos 4 3,4 Internet 2 1,7

Conhecimento sobre contracepção

Sim 95 92,2

Não 8 7,8

Gostaria de receber mais informações sobre anticoncepção

Sim 47 45,6

Não 56 54,4

Teve desejo de engravidar

Sim 44 42,7

Não 59 57,3

*Uma mesma adolescente pode citar mais de uma opção de resposta.

Tabela 3 – Características da sexualidade das

adolescentes

Aspectos reprodutivos Frequência Percentual Idade na época da primeira relação

sexual 1 1 1,0 5 5 4,8 14 14 13,6 29 29 28,2 31 31 30,1 11 11 10,7 7 7 6,8 5 5 4,8 Número de gestações Primeira 91 88,3 Segunda 10 9,7 Terceira 2 2,0

Idade ao engravidar pela primeira vez 13 4 3,9 14 15 14,6 15 14 13,6 16 14 13,6 17 25 24,3 18 20 19,4 19 11 10,6 Aborto Sim 9 8,7 Não 94 91,3

Fonte: Dados da pesquisa.

Ao considerar os aspectos de anticoncepção, os métodos contraceptivos foram utilizados por menos da metade das jovens, 48 (46,6%), e o método mais utilizado foi a contracepção hormonal, em 40 (83,3%) dos casos. Entre as entrevistadas, 47 (45,6%) relataram já ter feito o uso de pílula do dia seguinte.

Em relação às orientações sobre educação sexual, uma parcela expressiva 87 (84,5%) já tinha recebido informações sobre contracepção. Como fonte de orientação, a escola foi a mais citada, 62 (53%),

seguida da família, 26 (22,2%), e de unidades de saúde, 18 (15,4%) adolescentes. Destaca-se que 56 (54,4%) não gostariam de receber mais informações sobre como evitar a gestação. Quando questionadas se a gravidez foi planejada, 44 (42,7%) confirmaram o desejo de engravidar. Esses dados encontram-se na Tabela 4.

(10)

Alice Campos Veloso, Vera Lúcia Venancio Gaspar

DISCUSSÃO

Nesta pesquisa, foi possível observar que, entre as adolescentes de 13 a 19 anos, 55,4% tinham entre 18 e 19 anos de idade e 4,8% eram menores de 15 anos. Desde 1990, tem ocorrido uma diminuição nas taxas de natalidade entre as adolescentes, entretanto, aproximadamente 11,0% dos nascimentos, em todo o mundo, ainda acontecem com jovens entre 15 e 19 anos de idade, sendo a maioria (95,0%) de países com baixa e média renda.4

Diante disso, vale ressaltar que 93,2% das gestantes tiveram acesso à internação por meio do Sistema Único de Saúde, o que oferece informação sobre a situação econômica das adolescentes. A gravidez na adolescência pode estar associada ao baixo nível socioeconômico e cultural em que as jovens estão inseridas, sendo que a maioria das famílias apresenta baixa renda, menor nível educacional, e as adolescentes não exercem atividade remunerada.10

A maioria das adolescentes entrevistadas (57,3%) morava com o companheiro, sendo que a metade dos casais passou a morar junto após a descoberta da gestação. Nesse sentido, a gestação é considerada um fator desencadeante para o início de uma união estável ou matrimônio entre os casais adolescentes.5

Entre as adolescentes, 81,6% não continuaram os estudos durante a gravidez, e 25,2% não concluíram o ensino fundamental. A gravidez durante a adolescência pode levar à interrupção escolar precoce.11 Das

adolescentes que não estavam estudando atualmente, 82,1% relataram pretensão de voltar a estudar.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, a maternidade não planejada gera consequências negativas para as adolescentes, levando muitas a abandonar os estudos.4 No entanto, o abandono

escolar, em alguns casos, ocorre antes de a adolescente engravidar, sendo a evasão escolar uma possível condição de risco para a gestação precoce.11

Em relação à escolaridade dos pais das adolescentes, nota-se, também, a recorrência de baixo nível educacional. Na atual pesquisa, apenas 1,0% dos pais tinha ensino superior completo. Esse dado é considerado um fator de risco para a gravidez não planejada, visto que a família é uma importante fonte de informações sobre saúde, principalmente sobre sexualidade e contracepção. Por isso, os pais devem ser esclarecidos para que possam fornecer informações consistentes e orientações sobre educação sexual aos filhos.12

Das adolescentes que participaram da pesquisa, 51,5% já exerceram atividade remunerada, no entanto, apenas 12,6% contribuem financeiramente com os gastos da família. Uma jovem com menor nível de escolaridade tem menos oportunidades de inserção no mercado de trabalho e melhora das condições econômicas.10

A renda mensal familiar informada por 63,0% das adolescentes é de até um salário-mínimo, e o principal provedor do núcleo familiar é o pai da criança, porém, os avós maternos foram referidos como fonte de sustento em 38,8% dos casos. Observou-se que a união estável, incentivada pela gestação não planejada, não gera independência em relação aos pais em um número significativo das adolescentes. Estudiosos consideram que os profissionais devem ser cautelosos no atendimento às mães adolescentes, pois estas precisam de apoio dos profissionais de saúde e da família, para os cuidados com o recém-nascido.5

O início da vida sexual de 77,7% das adolescentes foi com menos de 16 anos de idade, e 32,0% destas tiveram a primeira gestação também nessa faixa etária. O início precoce da vida sexual tem sido associado com a maternidade na adolescência, além da falta de conhecimentos sobre a sexualidade e o uso pouco frequente de anticoncepção.13 Dentre os

(11)

destaca-Perfil socioeconômico e educacional das mães adolescentes em um hospital do Leste de Minas Gerais

se que, no momento da relação, os adolescentes não pensam que podem engravidar, não se preocupam com as consequências da gestação e, muitas vezes, o companheiro se nega a usar o recurso contraceptivo. O conhecimento desses motivos tem relevante importância para a saúde pública no que concerne à educação sexual e às orientações antecipadas para os jovens.14

Das 103 adolescentes entrevistadas, menos da metade utilizava método anticoncepcional, e 45,6% informaram já ter utilizado a pílula do dia seguinte. O uso desse método contraceptivo entre as jovens vem aumentando por ser uma população que está mais exposta à gravidez não planejada. Esse medicamento pode ser usado em todas as idades, o entanto, somente em caso de emergência, sendo inadequado para o uso contínuo como método de contracepção, pois pode causar efeitos secundários, como irregularidade do ciclo menstrual, e, além disso, não previne as doenças sexualmente transmissíveis.15,16

O atual estudo evidenciou que a maioria das entrevistadas já havia recebido orientações sobre educação sexual, sendo a escola e, em seguida, a família as principais fontes. Dentre as adolescentes, 92,2% afirmaram saber como evitar gravidez, isso demonstra que apenas o conhecimento das adolescentes não é suficiente para o uso efetivo de métodos contraceptivos e prevenção da gestação não

planejada.12

Em relação ao desejo de engravidar, observou-se que mais da metade das adolescentes não desejavam ter engravidado, o que pode ser justificado pela certeza, da maioria das entrevistadas, da falta de estrutura para constituir um novo núcleo familiar no presente momento.10

CONCLUSÃO

A gestação na adolescência está diretamente relacionada a ambientes em que as condições sociais, econômicas e culturais são desfavoráveis. A permanência das adolescentes na escola tem importância na prevenção da gestação não planejada, visto que o baixo nível educacional das adolescentes puérperas, devido à evasão escolar, pode ser considerado tanto causa como consequência da gravidez precoce.

A identificação das características da adolescente gestante tem fundamental importância para a criação de políticas de educação sexual. Sugere-se que a orientação Sugere-sexual Sugere-seja oferecida o quanto antes às adolescentes, por meio de campanhas de prevenção, programas de planejamento familiar e ações educativas, que são consideradas de grande importância para a conscientização dos jovens e diminuição das gestações não planejadas, visto que a sexualidade tem sido pouco debatida no ambiente familiar.

REFERÊNCIAS

1. World Health Organization. Young people´s health - a challenge for society. Report of a WHO study group on young people and health for all. [publicação online]; 1986. [acesso em 14 de janeiro de 2015]. Disponível em http://whqlibdoc.who.int/trs/WHO_TRS_731.pdf. 2. Squizatto PS, Herculano lRF. Gravidez na

adolescência e o serviço social. Rev Saber Acadêmico. 2013;ISSN1980.(16):13-22.

3. Pontes LS, Tachibana M, Vaisberg TMJ, Barcelos TF. A gravidez precoce no imaginário coletivo de

adolescentes. Psicol. teor. prat. 2010;12 (1):85-96. 4. World Health Organization. Adolescent pregnancy.

[publicação online]. Fact sheet n°364. [acesso em 25 de Janeiro de 2015]. Disponível em http://www.who.int/ mediacentre/factsheets/fs364/en/.

5. Queiroz MV, Brasil EGM, Alcântara CM, Carneiro MGO. Perfil da gravidez na adolescência e ocorrências clínico-obstétricas. Rev Rene. 2014;15(3):455-62. 6. Behrman RE, Jenson HB, Kliegman R. Nelson. Tratado

(12)

Alice Campos Veloso, Vera Lúcia Venancio Gaspar

Elsevier, 2013.

7. Chacko MR. Pregnancy in adolescent. [publicação online]; 2013. [acesso em 12 de dezembro de 2014]. Disponível em www.uptodate.com.`

8. Finer LB; Philin JM. Sexual initiation, contraceptive use, and pregnancy among young adolescents. Pediatrics.2013;131(5):886-91.

9. Dei Schiro EDB, Koller SH. Ser adolescente e ser pai/ mãe: gravidez adolescente em uma amostra brasileira. Estudos de Psicologia.2013;18(3):447-451.

10. Gama SFN, Szwarcwald CL, Leal MC. Experiência de gravidez na adolescência, fatores associados e resultados perinatais entre puérperas de baixa renda. Cad. Saúde Pública. 2002;18(1):153-161.

11. Martinez EZ, Roza DL, Caccia-Bava MCG, Achcar JA, Dal-FAbbro AL. Gravidez na adolescência e características socioeconômicas dos municípios do Estado de São Paulo, Brasil: análise espacial. Cad Saúde Pública. 2011;27(5):855-67.

12. Moura LNB, Gomes KRO, Rodrigues MTP, Oliveira DC. Informação sobre contracepção e sexualidade entre adolescentes que vivenciaram uma gravidez. Acta Paul Enferm. 2011;24(3):320-326.

13. Silva HM, Ferreira S, Águeda S, Almeida AF, Lopes A, Pinto F. Sexualidade e risco de gravidez na adolescência: desafios de uma nova realidade pediátrica. Acta Pediátrica Portuguesa. 2012;43(1):8-15.

14. American Academy of Pediatrics. Addendum – Adolescent Pregnancy: current trends and issues. Pediatrics. 2014;133(5):954-57.

15. Rodrigues MF, Jardim DP. Adolescência e pílula do dia seguinte: conhecimento e uso. Rev Enferm Unisa. 2010;11(2):80-86.

16. World Health Organization. Emergency contraception. [publicação online]. Fact sheet n°244. [acesso em 18 de fevereiro de 2015]. Disponível em http://www.who. int/mediacentre/factsheets/fs244/en/.

(13)

AVALIAÇÃO DA QUALIDADE DE VIDA DO PACIENTE COM DOENÇA

RENAL CRÔNICA EM TRATAMENTO HEMODIALÍTICO, EM IPATINGA/MG

EVALUATION OF PATIENT’S QUALITY OF LIFE WITH CHRONIC KIDNEY DISEASE IN HEMODIALYSIS TREATMENT IN IPATINGA/MG Aline Bussinger Maciel1, Eberaldo Severiano Domingos2

1 Médica residente de Clínica Médica do Hospital Márcio Cunha – Fundação São Francisco Xavier, Ipatinga, MG, Brasil. 2 Nefrologista. Preceptor de Clínica Médica no Hospital Márcio Cunha – Fundação São Francisco Xavier, Ipatinga, MG, Brasil.

Autor correspondente: Aline Bussinger Maciel

Hospital Márcio Cunha – Fundação São Francisco Xavier

Rua Copacabana, 335, Coronel Fabriciano, MG. CEP: 35170-098. Telefone: (31)89401981. E-mail: [email protected] Artigo recebido em 10/03/2015

Aprovado para publicação em 19/02/2016 RESUMO

Introdução: Qualidade de vida é uma dimensão

que tem sido amplamente investigada na saúde da população, independentemente da faixa etária. A natureza progressiva da doença renal crônica gera desequilíbrio e disfunção a longo prazo, o que leva a limitações físicas e psicológicas, alterando a qualidade de vida desses doentes. Objetivo: Avaliar a qualidade de vida dos pacientes com insuficiência renal crônica em hemodiálise, em um centro de terapia renal substitutiva.

Métodos: Trata-se de um estudo epidemiológico,

descritivo e transversal com pacientes em tratamento hemodialítico, em um hospital da região Leste de Minas Gerais. A qualidade de vida foi avaliada por meio do instrumento WHOQOL-bref, da Organização Mundial de Saúde. Resultados: pacientes com insuficiência renal crônica apresentam redução na qualidade de vida, principalmente no domínio geral e físico.

Palavras-chave: Qualidade de vida. Hemodiálise.

WHOQOL-bref. Insuficiência Renal Crônica.

ABSTRACT

Introduction: Quality of life has been a subject of

growing research in population health studies field, regardless the age range group. The forward char-acter of chronic kidney disease creates a long term imbalance and dysfunction, which leads to physical and psychological limitations, compromising the quality of life of these patients. Objective: evaluate the quality of life of patients with chronic kidney fail-ure in hemodialysis in a renal replacement therapy center. Methods: This is an epidemiologic, descrip-tive and transversal study with patients in hemodi-alysis treatment at a hospital in the eastern region of Minas Gerais. The quality of life was analyzed through the WHOQOL-bref testing instrument of the World Health Organization. Results: patients with chronic renal failure have quality of life reduced, especially in general and physical control.

Keywords: Quality of life. Hemodialysis.

WHO-QOL-bref. Chronic Kidney Failure.

(14)

Aline Bussinger Maciel , Eberaldo Severiano Domingos

INTRODUÇÃO

As doenças crônicas apresentam, de modo geral, uma história natural arrastada, caracterizando-se por período de latência longo e curso assintomático prolongado. Além disso, acarretam alterações patológicas irreversíveis, com consequente incapacidade.1

A doença renal crônica (DRC) consiste em lesão renal e perda progressiva e irreversível da função dos rins, que, em fases mais avançadas, não conseguem manter o equilíbrio homeostático do paciente.2

A Insuficiência Renal Crônica (IRC) é, atualmente, um problema de saúde pública mundial. O aumento em sua incidência decorre, principalmente, da maior expectativa de vida da população e do aumento na prevalência de diabetes melito, hipertensão arterial e obesidade.3,4 O censo 2013 da Sociedade Brasileira de

Nefrologia (SBN) estimou em 100.397 o número de pacientes em tratamento dialítico no Brasil, sendo a faixa etária prevalente dos 19 aos 64 anos (62,6%), e a distribuição por sexo se dá em 58% de pessoas do sexo masculino e 42% do feminino.5

Para a Organização Mundial de Saúde (OMS), a qualidade de vida (QV) é a percepção da pessoa quanto a sua posição na vida, no contexto cultural e sistemas de valores em que ela vive, assim como quanto aos seus objetivos, preocupações e expectativas.6 De

acordo com esses aspectos, o paciente com DRC, submetido à hemodiálise (HD), convive com a negação e as consequências da evolução natural da doença, além das limitações físicas, problemas emocionais e sociais, que repercutem em sua QV.7 O apoio social

pode servir e ser utilizado como defesa emocional das consequências negativas durante o declínio da condição física, ao longo do processo de adoecer.

Assim, a DRC tem impacto negativo sobre a qualidade de vida relacionada à saúde (QVRS). Portanto, a monitorização dos indicadores de QV é

de grande importância, pois, além de ser um aspecto fundamental da saúde, permite demonstrar sua relação com a morbidade e mortalidade. O tratamento hemodialítico é responsável por um cotidiano monótono e restrito, e as atividades dos pacientes são limitadas após o início do tratamento, o que favorece o sedentarismo e a deficiência funcional.

Diante disso, este estudo tem como objetivo avaliar a percepção de qualidade de vida do paciente com DRC, submetido a tratamento hemodialítico.

MATERIAIS E MÉTODOS

Trata-se de um estudo observacional transversal, no qual foram avaliados pacientes com insuficiência renal crônica, submetidos à hemodiálise, em Centro de Terapia Renal Substitutiva (CTRS) de um hospital localizado na região Leste de Minas Gerais.

A população pesquisada foi composta por pacientes maiores de 18 anos, portadores de IRC, em tratamento hemodialítico há mais de três meses, que aceitaram participar da pesquisa após assinarem o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Todos tinham capacidade cognitiva para compreender e responder às perguntas dos questionários.

A coleta de dados foi feita na forma de entrevista diante da possível dificuldade dos participantes para escrever, devido à imobilização do membro durante a hemodiálise, déficit visual e baixo nível institucional. Assim, quando o participante não compreendia alguma pergunta do questionário WHOQOL-Bref, esta era lida novamente de forma pausada. Nas perguntas abertas, os pesquisadores registraram na íntegra as respostas dos participantes.

Para a coleta de dados, foram aplicados dois questionários. O primeiro era um questionário contendo 17 perguntas, que abordavam aspectos socioeconômicos e caracterização da amostra dos participantes do estudo. O segundo questionário

(15)

Avaliação da qualidade de vida do paciente com doença renal crônica em tratamento hemodialítico, em Ipatinga/MG

aplicado e escolhido para a avaliação da qualidade de vida foi o WHOQOL-Bref, instrumento testado e validado em várias culturas, sob a coordenação do World Health (OMS). O grupo de QV da OMS desenvolveu a versão abreviada do WHOQOL-100, o WHOQOL-Bref no ano de 1998. Este conta com 26 questões, sendo duas acerca de qualidade de vida e as outras 24 representando cada uma das 24 facetas que compõem o questionário original.

As questões do WHOQOL-Bref apresentam-se em quatro domínios: físico, psicológico, relações sociais e com o meio ambiente. Essas questões têm quatro tipos de escalas de respostas: intensidade, capacidade, frequência e avaliação, todas graduadas em cinco níveis. As escalas são do tipo Likert, sendo que a escala de intensidade varia de nada a extremamente; a escala de capacidade varia de nada a completamente; a escala de avaliação de muito insatisfeito a muito satisfeito e muito ruim a muito bom; e a escala de frequência de nunca a sempre. Todas as palavras-âncoras possuem uma pontuação de um a cinco e, para as questões de número 3, 4 e 26, os escores são invertidos em função de 1=5; 2=4; 3=3; 4=2 e 5=1.

O cálculo utilizado para determinação do tamanho da amostra, com base na estimativa do total de pacientes com insuficiência renal crônica submetidos à hemodiálise, foi n= z².q.p.N/e².(N-1)+ z².q.p. Utilizou-se um grau de confiança de 95%, erro máximo permitido de 5% e uma proporção de interesse de 7,69%, sendo a última referenciada em um estudo de qualidade de vida de pacientes com insuficiência renal crônica submetidos a hemodiálise,8 para uma

população de 312 pacientes com insuficiência renal crônica, tendo como valor amostral de 82 pacientes.

Os dados foram analisados empregando-se estatística descritiva. Para análise estatística, foi utilizado o software SPSS, versão 19.0. As variáveis quantitativas foram descritas através de média, já

as variáveis qualitativas foram descritas através de frequência absoluta e relativa.

RESULTADOS

Os dados referentes às variáveis de caracterização dos pacientes com DRC submetidos à HD, tais como, gênero, idade, município onde reside, estado civil, escolaridade, profissão, renda familiar, tipo de moradia, número de pessoas que residem com o paciente, estão demonstrados na Tabela 1.

Participaram deste estudo 82 pacientes, sendo a maioria do sexo masculino, 53,65% dos entrevistados. A média de idade da população estudada foi de 51,31 anos (variando de 18 a 82 anos). A maior parte dos pacientes, 98,78%, submete-se a três sessões de hemodiálise por semana.

Quanto à faixa etária, a maior porcentagem, 37,80%, compreendia a faixa etária de 51 a 65 anos. Com relação ao nível de escolaridade, observou-se que a maior parte dos pacientes, 64,63%, possui o 1° grau incompleto.

Tabela 1 – Distribuição da população em

estudo Variáveis N % Gênero Masculino 44 53,65 Feminino 38 46,35 Faixa Etária 18 a 35 anos 13 15,85 36 a 50 anos 23 28,04 51 a 65 anos 31 37,80 66 anos ou mais 15 18,29

Município em que reside

Ipatinga 29 35,37 Outros 53 64,63 Estado Civil Casado 46 56,09 Solteiro 31 37,80 Outros 5 6,09 Continua

(16)

Aline Bussinger Maciel , Eberaldo Severiano Domingos Continuação Variáveis N % Escolaridade Analfabeto 2 2,43 1° Grau Completo 9 10,97 1° Grau Incompleto 53 64,63 2° Grau Completo 13 15,85 2° Grau Incompleto 3 3,65 3° Grau Completo 0 0,00 3° Grau Incompleto 2 2,43 Ocupação Do lar 12 14,63 Aposentado/Licença Saúde 60 73,17 Outros 10 12,19

Renda Familiar Mensal

Menos de 1 Salário-Mínimo 2 2,43 1 a 2 Salários-Mínimos 63 76,82 3 a 5 Salários-Mínimos 16 19,51 Mais de 5 Salários-Mínimos 1 1,21 Interferência da HD nas atividades

profissionais

Sim 70 85,36

Não 12 14,63

Interferência da HD nas atividades de lazer Sim 64 78,04 Não 18 21,95 Moradia Casa Própria 63 76,82 Aluguel 12 14,63 Outra 7 8,53

Número de pessoas que residem com o paciente Sozinho 6 7,21 1 Pessoa 22 26,82 2 Pessoas 20 24,39 3 Pessoas 23 28,04 4 Pessoas 7 8,53 5 ou Mais Pessoas 4 4,87 Continua Conclusão Variáveis N %

Tempo que o paciente possui IRC

Menos de 1 Ano 5 6,09 1 a 2 Anos 5 6,09 2 a 3 Anos 8 9,75 3 a 4 Anos 3 3,65 4 a 5 Anos 3 3,65 5 ou Mais Anos 58 70,73 Não se lembra 0 0,00

Tempo que o paciente faz hemodiálise

Menos de 1 Ano 24 29,26 1 a 2 Anos 13 15,85 2 a 3 Anos 9 10,97 3 a 4 Anos 4 4,87 4 a 5 Anos 3 3,65 5 ou Mais Anos 29 35,36 Não se lembra 0 0,00

Número de sessões por semana

1 vez 0 0,00

2 vezes 0 0,00

3 vezes 81 98,78

Mais de 3 vezes 1 1,21

Complicações durante a hemodiálise

Sim 60 73,17

Não 22 26,82

Estado emocional durante a sessão de hemodiálise

Tranquilo 55 67,07

Cansado 8 9,75

Nervoso/Estressado 15 18,29

Preocupado 4 4,87

Outras doenças associadas

Sim 67 81,70

Não 15 18,29

(17)

Avaliação da qualidade de vida do paciente com doença renal crônica em tratamento hemodialítico, em Ipatinga/MG

Tabela 2 – Escore Médio das facetas da

qualidade de vida geral do instrumento WHOQOL-bref. Nº da questão Facetas da Qualidade de Vida Geral Valor do Escore Médio 1

Como você avaliaria a

sua qualidade de vida? 2,90

2

Quão satisfeito você está

com a sua saúde? 2,84

Escore Médio Geral 2,87

Tabela 3 – Escore Médio das facetas do

domínio físico do instrumento WHOQOL-bref.

Nº da questão Facetas do Domínio Físico Valor do Escore Médio 3

Em que medida você acha que sua dor (física) impede você de fazer o que você

precisa? 2,32

4

O quanto você precisa de algum tratamento médico

para levar sua vida diária? 3,85

10

Você tem energia suficiente

para o seu dia a dia? 2,61

Tabela 3 – Escore Médio das facetas do

domínio físico do instrumento WHOQOL-bref.

Nº da questão Facetas do Domínio Físico Valor do Escore Médio 15

Quão bem você é capaz

de se locomover? 3,79

16

Quão satisfeito você está

com o seu sono? 3,52

17

Quão satisfeito você está com a sua capacidade de desempenhar as atividades do seu dia a

dia? 2,73

18

Quão satisfeito você está com a sua capacidade

para o trabalho? 2,48

Escore Médio Geral 3,04

Tabela 4 – Escore Médio das facetas do

domínio psicológico do instrumento WHOQOL-bref. Nº da questão Facetas do Domínio Psicológico Valor do Escore Médio 5

O quanto você aproveita a

vida? 2,73

6

Em que medida você acha que

a sua vida tem sentido? 4,16

7

O quanto você consegue se

concentrar? 3,52

11

Você é capaz de aceitar sua

aparência física? 3,55

19

Quão satisfeito você está

consigo mesmo? 3,72

26

Com que frequência você tem sentimentos negativos tais como mau humor, desespero,

ansiedade e depressão? 2,55 Escore Médio Geral do Domínio 3,37

Quando questionados acerca da renda familiar mensal, tendo como base o salário-mínimo atual, verificou-se que 76,82% da população tinha uma renda de 1 a 2 salários-mínimos, enquanto 19,51% recebiam de 3 a 5 salários-mínimos.

Conforme mostra a Tabela 1, a maior parte dos pacientes relata que a hemodiálise interfere nas atividades profissionais e de lazer/recreação, respectivamente, 85,36% e 78,04%. Observa-se, ainda, que a maioria dos pacientes tem diagnóstico e encontram-se em hemodiálise há mais de 5 anos.

As Tabelas 2, 3, 4, 5 e 6 apresentam escores variados, que podem ser observados a seguir.

(18)

Aline Bussinger Maciel , Eberaldo Severiano Domingos

Tabela 5 – Escore Médio das facetas do

domínio relações sociais do instrumento WHOQOL-bref.

Nº da questão

Facetas do Domínio Relações Sociais

Valor do Escore Médio

20

Quão satisfeito você está com suas relações pessoais (amigos, parentes, conhecidos,

colegas)? 4,23

21

Quão satisfeito você está com

a sua vida sexual? 3,09

22

Quão satisfeito você está com o apoio que você recebe de

seus amigos? 4,10 Escore Médio Geral do Domínio 3,81

Tabela 6 – Escore Médio das facetas do

domínio meio ambiente do instrumento WHOQOL-bref. Nº da questão Facetas do Domínio Meio Ambiente Valor do Escore Médio 8

Quão seguro você se sente em

sua vida diária? 3,17

9

Quão saudável é o seu ambiente físico (clima, barulho, poluição

atrativos)? 3,79 12

Você tem dinheiro suficiente para

satisfazer as suas necessidades? 2,54

13

Quão disponível para você estão as informações que precisa no

seu dia a dia? 3,18

14

Em que medida você tem oportunidade de atividade de

lazer? 2,79 23

Quão satisfeito você está com as

condições do local onde mora? 3,94

24

Quão satisfeito você está com o seu acesso aos serviços de

saúde? 3,54 25

Quão satisfeito você está com o

seu meio de transporte? 3,72 Escore Médio Geral do Domínio 3,33

Conforme mostram as tabelas apresentadas anteriormente, os menores escores foram encontrados na faceta qualidade de vida geral e domínio físico. O maior escore foi encontrado na faceta do domínio das relações sociais.

DISCUSSÃO

A IRC e o tratamento de hemodiálise impactam a QV de seus portadores em níveis variados, sob as dimensões física, psicológica, social, ambiental e geral, a partir do diagnóstico e ao longo do tempo em que permanecem em tratamento, estando esse impacto relacionado, também, com os dados sociodemográficos. Como se pode observar nos resultados, a IRC impacta a QV, principalmente de forma negativa.

A amostra foi constituída, em sua maioria, por participantes do sexo masculino. Esse resultado se assemelha aos de muitos trabalhos encontrados na literatura, que mostram o gênero masculino como predominante nas sessões de HD.7,9,10 Esse dado

também é corroborado pelo censo de 2013, disponível no site da Sociedade Brasileira de Nefrologia.5

Um fator que pode justificar o fato de ter mais homens em tratamento hemodialítico do que mulheres é que a hipertensão arterial tem maior prevalência no sexo masculino. Essa patologia é uma das principais causas de IRC, levando o paciente a necessitar de terapia renal substitutiva.

A maior parte dos pacientes estudados tinha entre 51 a 65 anos de idade. Alguns estudos encontrados na literatura verificaram que 53,1% dos pacientes renais crônicos estudados compreendiam a faixa etária de 36 a 55 anos;11 57,8% na faixa de 50 a 69

anos;12 26,3% estavam entre a faixa etária de 40 e

49 anos e a mesma proporção entre 50 e 59 anos;13

e 49% encontravam-se entre a faixa etária de 41 e 60 anos.14 A faixa etária média dos pacientes que

(19)

Avaliação da qualidade de vida do paciente com doença renal crônica em tratamento hemodialítico, em Ipatinga/MG

desenvolvem DRC é de 60 anos.

Apesar de a idade avançada ser um fator que influencia a mortalidade, ela não deve ser um fator que contraindique o tratamento dialítico. Dessa forma, para compensar os efeitos negativos da idade avançada e elevada comorbidade associada, deve ser oferecido ao paciente cuidado individual, visando melhorar a expectativa desse grupo etário.

Quanto ao nível de escolaridade, este é um fator primordial, pois reflete de modo direto a assimilação das informações recebidas. O fato de a maior parte dos pacientes apresentarem baixo nível de escolaridade serve de alerta aos profissionais de saúde, para que utilizem uma linguagem simples e acessível a esses pacientes, tanto para as orientações quanto prevenção de complicações.

Dos 82 pacientes entrevistados, 63 disseram receber entre 1 e 2 salários-mínimos por mês. A baixa renda familiar mensal pode ser explicada pela limitação laboral que a DRC pode ocasionar. Alguns pesquisadores confirmam esses dados, segundo os quais, a maioria dos pacientes estudados, contavam com uma renda de 1 a 2 salários-mínimos.15 Vale

lembrar que uma renda familiar muito baixa acaba não sendo suficiente para os gastos familiares e outras dificuldades acabam sendo associadas, tais como dificuldade em ter uma nutrição adequada e gasto com medicamentos.

A interferência na realização das atividades profissionais também ficou evidenciada neste estudo. Considera-se de grande importância que o profissional de saúde atente-se para a questão do trabalho na vida do paciente com DRC, pois esta é uma necessidade referenciada por eles, não só pelo lado financeiro, mas, também, pela questão social, como sentimento de ociosidade, inutilidade e sensação de peso para a família.16

As limitações nas atividades de lazer também

foram alvo de queixa da maior parte dos pacientes. É importante salientar que, apesar do paciente com IRC poder sobreviver por longos períodos devido aos avanços do tratamento hemodialítico, isso não significa necessariamente viver bem, já que quase sempre existem prejuízos na participação de algumas atividades de lazer. A QV pode estar prejudicada devido à periodicidade do tratamento contínuo.17

As insatisfações com a capacidade para o trabalho e a capacidade de realizar as atividades do dia a dia ficaram evidentes na faceta do domínio físico. Tais resultados corroboram com os achados de uma pesquisa que afirma que a dependência contínua do tratamento hemodialítico interfere nos estudos e no trabalho dos pacientes, assim como a falta de disposição e energia no dia a dia, decorrente das complicações e sintomas dessa patologia.14

O escore médio da faceta da qualidade de vida foi o mais baixo encontrado. A maneira de reagir à doença difere de pessoa para pessoa, mas todos têm a necessidade de reaprender a viver.18 A QV depende,

portanto, das expectativas e do plano de vida de cada indivíduo. Assim, o que é uma vida de boa qualidade para um, pode não ser para o outro.19,20

Acerca do domínio psicológico, a faceta que apresentou menor escore, foi a de número 26. Sabe-se que a IRC e o tratamento hemodialítico provocam uma sucessão de situações para o paciente renal crônico, o que compromete não só o aspecto físico, como também o psicológico, trazendo repercussões sociais, familiares e pessoais. Além disso, o paciente com DRC vivencia uma mudança brusca no seu viver, convive com limitações e, muitas vezes, pensamento de morte.21

Já a faceta das relações sociais apresentou o maior escore encontrado neste estudo. As relações com familiares e amigos são consideradas como influenciadoras para a QV das pessoas, uma vez que

(20)

Aline Bussinger Maciel , Eberaldo Severiano Domingos

poder contar com a compreensão e o respeito as suas limitações ajudará na conquista de uma melhor QV.22

Com relação ao domínio de meio ambiente, a faceta de número 12 (recursos financeiros) foi o menor escore encontrado. Tal aspecto corrobora o resultado encontrado neste estudo, em que 76,82% dos pacientes entrevistados relataram receber entre 1 e 2 salários-mínimos. O paciente com IRC em tratamento hemodialítico se depara com perda de emprego, com consequente diminuição da renda familiar e dependência de Previdência Social.14

CONCLUSÃO

Este estudo permitiu caracterizar os pacientes renais crônicos em hemodiálise. O questionário socioeconômico e o WHOQOL-bref não apresentaram dificuldades em sua aplicação; ambos permitem a conclusão de que a QV da população estudada é insatisfatória.

A IRC pode ocasionar mudanças no estilo de vida e causar alterações físicas e comportamentais nos nefropatas crônicos, decorrentes da condição de doentes crônicos. A DRC e o tratamento hemodialítico interferiram na percepção do paciente

frente ao suporte social recebido, a sua QV, englobando limitações físicas e alterações na vida social.

Vale destacar que, apesar da descrença e revolta com relação ao tratamento, os indivíduos portadores de IRC (terapia considerada inevitável e inadiável) não podem abandonar a busca por uma qualidade de vida melhor. Mediante tais fatos, é imprescindível uma abordagem por uma equipe multidisciplinar na avaliação e acompanhamento desses pacientes. Cabe aos profissionais ajudarem o paciente a desenvolver uma autoimagem positiva, descobrir novas maneiras de viver dentro de suas limitações e desenvolver um estilo de vida que lhe permita assumir a responsabilidade por seu tratamento e sua vida, ou seja, ser um indivíduo ativo na sociedade.

O paciente com DRC submetido à hemodiálise terá uma melhor QV quando for informado acerca de sua doença e tratamento, quando existir um forte apoio familiar e um sistema de saúde eficiente. Esse sistema deve oferecer estratégias de reabilitação ao paciente renal crônico, para que este seja capaz de levar uma vida ativa, produtiva e autossuficiente.

REFERÊNCIAS

1. Barbosa DA, Gunji CK, Bittencourt ARC, Belasco AGS, Diccini S, Vattimo F, et al. Co-morbidade e mortalidade de pacientes em início de diálise. Acta Paul Enferm. 2006;19:304-9.

2. Romão Junior JE. Doença renal crônica: definição, epidemiologia e classificação. J Bras Nefrol. 2004; 26(3 Suppl 1):1-3.

3. Lopes AC. Tratado de Clínica Médica. São Paulo: Roca. 2006. p. 2085-2090.

4. Guyton AC, Hall JE. Tratado de Fisiologia Médica. 9 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. 1997. p. 291-293.

5. Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN). Censo da Sociedade Brasileira de Nefrologia. [publicação online]. São Paulo; 2013 [acesso em 16 de maio de 2014]. Disponível em: http://www.sbn.org.br

6. The WHOQOL Group. The World Health Organization quality of life assessment (WHOQOL): position paper from the World Health Organization. Soc Sci Med 1995; 41:1403-9.

7. Castro M, Caiuby AVS, Draibe AS, Canziani MEF. Qualidade de vida de pacientes com insuficiência renal crônica em hemodiálise avaliada através do instrumento genérico SF-36. Rev. Assoc Med.Bras. 2003;49(3):245-249.

8. Caveião C, Visentin A, Hey AP, Sales WB, Ferreira ML, Passos RL. Qualidade de vida em mulheres com doença renal crônica submetida à hemodiálise. Cadernos da Escola de Saúde. 2014;11: 20-33. 9. Santos PR. Correlação entre marcadores laboratoriais

e nível de qualidade de vida em renais crônicos hemodialisados. J Bras Nefrol. 2005;27:70-75.

(21)

Avaliação da qualidade de vida do paciente com doença renal crônica em tratamento hemodialítico, em Ipatinga/MG

10. Saupe R, Broca GS. Indicadores de qualidade de vida como tendência atual de cuidado a pessoas em hemodiálise. Rev Texto Contexto Enferm. 2004;13(1):100-106.

11. Martins MRI, Cesarino CB. Qualidade de vida de pessoas com doença renal crônica em tratamento hemodialítico. Rev Latino-Am Enferm. 2005; 13(5): 670-676.

12. Reis MG, Glashan RQ. Adultos hipertensos hospitalizados: percepção de gravidade da doença e de qualidade de vida. Rev Latino-Am Enferm. 2001;9(3):51-57.

13. Niu S-F, Li IC. Quality of life of patients having renal replacement therapy. J Adv Nurs. 2005; 51:15–21. 14. Trentini M, Corradi EM, Araldi MAR, Tigrinho FC.

Qualidade de vida de pessoas dependentes de hemodiálise considerando alguns aspectos físicos, sociais e emocionais. Rev Texto Contexto Enferm. 2004;13(1): 74-82.

15. Martins LM, França APD, Kimura M. Qualidade de vida de pessoas com doença crônica. Rev Lat-Am Enferm. 1996; 4(3):5-8.

16. Carreira L, Marcon SS. Cotidiano e trabalho: concepções de indivíduos portadores de insuficiência renal crônica e seus familiares. Rev Latino-Am Enfermagem. 2003 Nov/Dec;11(6):823-831.

17. Laurenty RA. Mensuração da qualidade de vida. Rev Assoc Med Bras. 2003;49(4):361-2.

18. Barbosa JC, Aguillar OM, Boemer MR. The meaning of living with chronic renal failure. Rev Bras Enferm. 1999; 52 (2): 293-302.

19. Gaíva MAM. Qualidade de vida e saúde. Rev Enf UERJ. 1998; 6(2):377-382.

20. Kawakame PMG, Miyadahira MKK. Qualidade de vida de estudantes de graduação em enfermagem. Rev Esc Enferm USP. 2005;39(2):164-172.

21. Cesarino CB, Casagrande LDR. Paciente com insuficiência renal crônica em tratamento hemodialítico: atividade educativa do enfermeiro. Rev Latino-Am Enferm. 1998; 6(4): 31-40.

22. Silva DMGV, Souza SS, Francioni FF, Meirelles BHS. Qualidade de vida na perspectiva de pessoas com problemas respiratórios crônicos: a contribuição de um grupo de convivência. Rev Lat-Am Enfermagem. 2005;13(1):7-14

(22)

A RT I G O O R I G I N A L

MATERNIDADE NA ADOLESCÊNCIA E AS REPERCUSSÕES

SOBRE A SAÚDE DO RECÉM-NASCIDO

TEENAGE PREGNANCY AND THE IMPACTS ON THE NEWBORN HEALTH

Débora Costa e Silva1, Vera Lúcia Venâncio Gaspar2

1 Médica residente em pediatria do Hospital Márcio Cunha – Fundação São Francisco Xavier, Ipatinga, MG, Brasil.

2 Pediatra coordenadora da residência médica em pediatria do Hospital Márcio Cunha – Fundação São Francisco Xavier, Ipatinga,

MG, Brasil.

Autor correspondente: Débora Costa Silva

Rua Jordânia,99, Cariru, Ipatinga, MG. CEP: 35160-120. Telefone: (31)8816-4915. E-mail: [email protected]

Artigo recebido em 01/03/2015

Aprovado para publicação em 19/02/2016 RESUMO

Introdução: A adolescência é um período da vida

em que ocorrem mudanças físicas e emocionais, um processo de transição para a vida adulta. A gestação nesta fase apresenta peculiaridades que podem repercutir sobre a saúde do filho da mãe adolescente. As consequências podem ocorrer no período neonatal e também durante o desenvolvimento da criança até a vida adulta. O contexto socioeducacional em que essas adolescentes estão inseridas também pode influenciar na saúde do recém-nascido. Objetivo: Verificar as repercussões da gestação na adolescência sobre a saúde do recém-nascido. Método: Estudo transversal, descritivo e quantitativo, realizado entre os meses de setembro a dezembro de 2014, com as adolescentes puérperas internadas no Hospital Márcio Cunha – Fundação São Francisco Xavier. Para as entrevistas foram utilizados questionários padronizados. Resultados: A maiorias das

ABSTRACT

Introduction: Adolescence is a life period when

physical and emotional changes occur, it is a tran-sition process to adult life. Pregnancy during this phase of life brings some peculiarities that may affect the newborn and adolescent mother health. These consequences may occur in the neonatal period and also during the growth phase up to adult life. The socio-educational status in which these teenagers are situated can also influence on the newborn health. Objective: Investigate the effects of teenage pregnancy on the newborn health. Methods: Cross-sectional, descriptive and quantitative study that was carried out between September and Decem-ber 2014, with adolescent mothers admitted to the Hospital Márcio Cunha - FSFX. Standardized sur-vey forms were used in the interviews. Results: Most of teenagers had the support from the child’s father during pregnancy and birth. In addition, they relied

(23)

Maternidade na adolescência e as repercussões sobre a saúde do recém-nascido

adolescentes recebeu apoio do pai da criança durante a gestação e no momento do parto. Além disso, elas contaram com a ajuda deste para educar o filho. Apesar de a maioria dos pais serem adultos jovens, 31 (31,3%) apresentam ensino médio completo. O estudo também mostrou que o parto normal foi o mais frequente entre as adolescentes e que a maioria dos filhos destas nasceu a termo, com peso adequado para a idade gestacional e apresentou Apgar entre 8 e 10. Conclusão: O estudo mostrou pequena incidência de repercussões negativas sobre a saúde do recém-nascido no período neonatal imediato, apesar do baixo nível de escolaridade dos pais e de a gestação ocorrer durante a adolescência. Seria interessante a realização de um estudo prospectivo, visando identificar repercussões a médio e longo prazos.

Palavras-chave: Gestação na adolescência.

Recém-nascido. Política social.

on the child’s father’s help to raise him. Despite the fact that most of parents were young adults, only 31 (31.3%) had concluded high school. The study also revealed that natural childbirth was the most fre-quent kind of birth among these adolescent mothers and that most of babies were born by in term births, with reasonable weight for the gestational age and showed an Apgar score between 8 and 10.

Conclu-sion: The study revealed a low incidence of negative

impacts on newborn health in the immediate neo-natal period, regardless of low educational level of the parents and teenage pregnancy. Conducting a prospective study in order to identify the impacts in the medium and long terms would be relevant.

Keywords: Teenage pregnancy. Newborn. Social

public policy

INTRODUÇÃO

A adolescência é um importante período do desenvolvimento humano, em que acontece a transição da infância para a vida adulta, ocorrendo transformações físicas e psicológicas.1 As atitudes e os

comportamentos dos adolescentes têm repercussões na vida adulta e podem impactar as próximas gerações.2

A Organização Mundial de Saúde (OMS) classifica o período da adolescência como a faixa etária entre 10 e 19 anos.3 Já, de acordo com o Estatuto da Criança

e do Adolescente, a adolescência compreende a faixa etária entre 12 e 18 anos de idade.3 Nesta

pesquisa, adotou-se o critério da OMS para definir a adolescência.

Nessa fase da vida, uma gravidez apresenta consequências socioeconômicas e pode comprometer o futuro da mãe em relação a emprego, renda e saúde.4 Estudiosos afirmam que muitos adolescentes

buscam o sexo como forma de prazer, devido à falta de estímulo e de perspectiva de vida.5

Além das consequências para a saúde materna, a gestação na adolescência também pode ter repercussões sobre a saúde do filho. Estudo publicado em 2010, não mostrou associação entre óbitos fetais e a idade da puérpera, porém mostrou que o risco de óbito neonatal e pós-neonatal é maior quanto mais jovem é a mãe.6 A incidência de malformações, baixo

peso ao nascer e prematuridade é maior entre as adolescentes quando comparado a mães com idade entre 20 e 39 anos. A prematuridade e baixo peso podem predispor a comprometimento neurológico.2

Além disso, as crianças de mães adolescentes estão mais sujeitas à violência e à síndrome da morte súbita infantil.7

É importante ressaltar que esses riscos não estão relacionados somente à idade materna, mas, também,

Referências

Documentos relacionados

dois gestores, pelo fato deles serem os mais indicados para avaliarem administrativamente a articulação entre o ensino médio e a educação profissional, bem como a estruturação

O presente trabalho foi realizado em duas regiões da bacia do Rio Cubango, Cusseque e Caiúndo, no âmbito do projeto TFO (The Future Okavango 2010-2015, TFO 2010) e

O relatório encontra-se dividido em 4 secções: a introdução, onde são explicitados os objetivos gerais; o corpo de trabalho, que consiste numa descrição sumária das

Dissertação (Mestrado em Psicologia) – Universidade de Brasília, 2007. A organização como fenômeno psicossocial: notas para uma redefinição da psicologia organizacional e

Para finalizar, o terceiro e último capítulo apresenta detalhadamente o Plano de Ação Educacional (PAE), propondo a criação de um curso técnico profissional de uso da biblioteca

2 Denominação fictícia dada às escolas vinculadas.. dificultam a efetiva recuperação da aprendizagem dos alunos, além de investigar os efeitos sobre o desempenho

De acordo com o Consed (2011), o cursista deve ter em mente os pressupostos básicos que sustentam a formulação do Progestão, tanto do ponto de vista do gerenciamento

Na apropriação do PROEB em três anos consecutivos na Escola Estadual JF, foi possível notar que o trabalho ora realizado naquele local foi mais voltado à