(ASPECTOS SOCIOEPIDEMIOLÓGICOS SOBRE GEO-HELMINTOSES ZOONÓTICAS ENTRE MORADORES DE COMUNIDADES DE CAMARAGIBE E RECIFE - PE)
(SOCIO-EPIDEMIOLOGICAL ASPECTS ON ZOONOTIC GEO-HELMINTHOSIS AMONG RESIDENTS OF COMMUNITIES OF CAMARAGIBE AND RECIFE – STATE OF PERNAMBUCO - BRAZIL)
Área Temática: Saúde Pública e Zoonoses
(autores)
Daniely Oliveira do NASCIMENTO1; Ivanise Maria de SANTANA2; Elane Cabral da LUZ3; Silvia Rafaelli MARQUES4; Edenilze Teles ROMEIRO5; Leucio Câmara
ALVES6 e Maria Aparecida da Gloria FAUSTINO6
1 Discente do curso de Bacharelado em Medicina Veterinária, Bolsista de Iniciação Científica - CNPq, Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), [email protected]
2 Doutoranda – Programa de Pós-Graduação em Ciência Veterinária - UFRPE
3 Discente do Curso de Licenciatura em Ciências Biológicas, Bolsista de Extensão - UFRPE
4 Doutoranda – Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal Tropical - UFRPE 5 Professora do Departamento de Tecnologia Rural - UFRPE
6 Professor(a) do Departamento Medicina Veterinária - UFRPE Resumo:
O objetivo dessa pesquisa foi avaliar aspectos socioepidemiológicos sobre geo-helmintoses zoonóticas entre moradores de comunidades de Camaragibe e Recife – PE. A pesquisa realizou-se por meio da aplicação de questionários estruturados com questões fechadas e abertas, versando sobre geo-helmintíases zoonóticas, sendo entrevistados 73 residentes em Camaragibe/PE e 66 em Recife. Efetuou-se análise estatística descritiva (distribuições absolutas e percentuais) dos dados. Pessoas do sexo feminino predominaram em Camaragibe e Recife, prevalecendo indivíduos adultos. A prática de se submeterem a exames coproparasitológicos mostrou-se relativamente comum, com 65,75% e 50% respectivamente, com positividade de 26,02% e 12,12%. Dos moradores de Camaragibe 39,73% possuíam animais de estimação e, de Recife, 69,69%. O termo zoonose é desconhecido por uma parcela importante dos participantes, assim como algumas helmintoses zoonóticas específicas, como bicho geográfico e outras, no entanto o termo verminose é mais amplamente conhecido. Assuntos sobre o tema são pouco abordados nas escolas, embora estas constem dentre os principais veículos de informação sobre o assunto para os entrevistados, além dos postos de saúde, televisão, agentes comunitários e a internet. A presença de animais errantes e doentes na rua foi citada pela maioria dos entrevistados, situação preocupante, pelo fato do abandono dos animais, por constituir-se em um problema de saúde pública, tratando-se de uma questão ambiental e social.
Palavras-chave: Conhecimento, Posse responsável de animais de estimação,
Zoonose parasitária.
Introdução:
A relação homem-animal é secular e bastante intensa, revestindo-se de grande importância pelos inúmeros benefícios gerados, sendo, principalmente cães e gatos, considerados por muitos proprietários como membros da família (NUNES ET al., 2009). Porém, este estreito relacionamento seguido pelo aumento progressivo do número destes animais aumenta o risco de transmissão de zoonoses (SCAINI et al., 2003; SANTOS e CASTRO, 2006). Esta restrita associação e sua consequência em saúde pública têm ocasionado grande interesse em estudos sobre parasitismo em animais de estimação (VASCONCELLOS et al., 2006).
Uma das contribuições à promoção de saúde ocorre quando existe uma ampliação do conhecimento, fazendo com que a comunidade possa aumentar a habilidade de resolver problemas de saúde, intensificando sua participação. Considerando a frequente ocorrência de zoonoses, o conhecimento sobre essas doenças torna-se um fator essencial à promoção da saúde pública (FLORES e DREHMER, 2003; TOME et al., 2005).
Neste contexto, objetivou-se, neste estudo, avaliar aspectos socioepidemiológicos sobre geo-helmintoses zoonóticas entre moradores de comunidades de Camaragibe e Recife – PE.
Metodologia:
Foram utilizados questionários estruturados com questões fechadas e abertas, versando sobre geo-helmintíases zoonóticas, aplicados a 66 residentes de comunidades de Recife/PE e 73 de Camaragibe/PE. A atividade obteve autorização prévia das Secretarias de Saúde dos respectivos municípios e os procedimentos metodológicos foram aprovados pela Comissão de Ética em pesquisa com humanos (CEP) com parecer n° 521.328 e Comissão de Ética no uso de Animais da Universidade Federal Rural de Pernambuco (CEUA - UFRPE), com a licença nº 066/2014. Para avaliação dos dados realizou-se análise estatística descritiva por meio de distribuições absolutas e percentuais.
Resultados e Discussão:
Dentre os entrevistados, predominaram pessoas do sexo feminino em Camaragibe (50,69%) e Recife (57,58%), corroborando com Menezes (2013) que apontou 76,7%. As faixas etárias dos participantes, respectivamente para Camaragibe e Recife, correspondem a 39,73% e 60,61% (0 a 39 anos); 42,47% e 37,88% (40 a 69 anos); 13,7% e 1,51% ( 70 anos) e 4,10% de Camaragibe não responderam. Nunes (2011) apresentou dados semelhantes, demonstrando concordância na porcentagem de adultos.
A realização de exames coprológicos foi afirmada por 65,75% dos participantes de Camaragibe e 50% dos de Recife, a maioria deles com frequência anual. Resultados positivos para os que fizeram exame apresentaram-se em 39,58% em Camaragibe e 24,24% em Recife. Uma orientação adequada sobre a realização de exame parasitológico de fezes é imprescindível. Fernandes et al. (2009) ressaltam que a falta de conhecimento pode levar a população a entender o exame como um tratamento curativo e não um instrumento de prevenção, sendo propensas a sua não realização na ausência de sintomas.
Em relação à posse de animais de estimação, dentre os moradores de Camaragibe 39,73% possuíam e, de Recife, 69,69%. A presença de animais na rua foi assinalada por 38,35% dos residentes de Camaragibe e 59,09% de Recife. Porém a maioria dos tutores de Camaragibe (46,58%) e Recife (53,03%) afirmou não levar seus animais para áreas de recreação, concordando com Nunes (2011), em bairros de Jaboticabal/SP.
Quando tratadas as questões referentes a zoonoses, na cidade de Camaragibe 27,40% disseram já ter ouvido falar e 52,05% não. Em Recife 12,12% conhecem e 75,76% não conhecem o termo. Segundo Lima et al. (2010) termos técnicos como zoonoses não são observados nesses meios e, apenas que seja objeto de pesquisa por parte de professores, ou pelos meios de comunicação, os alunos e a população dificilmente terão acesso aos significados deste ou de outros termos técnicos. O termo verminose é conhecido por 69,87% e 68,18% dos entrevistados de Camaragibe e Recife respectivamente.
Questionados sobre terem ouvido falar algumas zoonoses específicas, os seguintes percentuais foram obtidos, respectivamente, em Camaragibe e em Recife: bicho geográfico (27,40% e 24,24%), larva migrans visceral (19,18% e 12,12%); toxocariose (8,21% e 1,52%) e dipilidiose (5,47% e 4,54%).
Com relação à abordagem de temas sobre tais zoonoses na escola ou em outra atividade, os respectivos percentuais para Camaragibe e Recife foram: 38,35% e 36,36% sim; 41,10% e 42,42% não, e 20,55% e 21,21% não responderam. Moreira et al. (2013) apontam para a importância desta atividade, sendo, no entanto, necessário que as escolas desenvolvam trabalhos contínuos para que o conhecimento seja solidificado.
Com relação ao veículo de informação sobre o assunto abordado, em Camaragibe e Recife, respectivamente, 10,95% e 21,21% referiram-se às escolas, 2,74% e 7,58% aos postos de saúde, 6,85% e 7,58% à televisão, 2,74% e 1,51% aos agentes comunitários, 3,03% dos entrevistados de Recife citaram internet. Em estudo conduzido por Lima et al. (2010), com relação ao veículo utilizado como forma de educação continuada na prevenção de zoonoses, 93,7% (56/64) reportaram as escolas e universidades; 89,4% (54/64), os postos de saúde da família (PSF); 73,4% (47/64), a televisão e 20,3% (13/64) a internet.
A presença de animais errantes e doentes na rua onde residem ou próximo de escolas foi observada por 42,46% dos entrevistados de Camaragibe e 62,12% de Recife. Segundo García (2009), o abandono dos animais domésticos deve ser visto além do pesar. Mais que um problema de saúde pública, trata-se de uma questão ambiental e social. Tidos como foco de doença, os animais soltos nas ruas são ignorados enquanto fauna do ambiente urbano e têm suas vidas banalizadas através de agressões e desamparo.
Conclusão:
Nas comunidades estudadas, os participantes são interessados em possuir animais de estimação, no entanto demonstram pouco conhecimento sobre as helmintoses transmissíveis destes para o homem e, consequentemente, falham na prática de medidas preventivas. Iniciativas devem ser implementadas por parte das instituições educacionais e de saúde pública no sentido de suprir a grande carência de informações por parte da população, não só por meio de ações de educação em saúde, mas também provendo meios de acesso a atendimento clínico aos animais.
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